Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem. Apenas Anieri é uma criação única e exclusiva minha para essa saga.


Boa Leitura!


Capitulo 3: Voltas da Vida.

I – Vanirs e Aesirs.

Os Vanirs eram uma raça contraposta aos Aesirs, dos quais Odin era o líder. Desde sempre, os Aesirs haviam relutado em aceitar a companhia dos Vanirs, considerados por eles como 'deuses inferiores'.

Durante muitas Eras, estas duas classes de deuses guerrearam entre si, até que se firmou um tratado de paz.

Houve, então, uma troca de reféns, na qual coube aos Vanirs remeter aos antigos adversários três de suas divindades: Freyr – Deus da Fertilidade, Freya – sua irmã, Deusa do Amor e Niord – pai de ambos e Deus dos Mares.

Estas três divindades foram muito bem recebidas em Asgard vivendo assim até seus últimos dias, pelo menos seus últimos dias do ponto de vistas dos mortais, sendo que na Terra Média eles sempre existiriam, fazendo parte de cada milímetro cúbico de gelo que ali existisse.

II – Verdades.

Os três jaziam sentados em confortáveis poltronas na ante-sala do palácio, enquanto Hyoga contava as princesas o que ocorrera nos últimos anos, no santuário.

-Então foi Harmonia? –Hilda perguntou, intrigada.

-Foi; ele respondeu. –Pelo que meu mestre e Athena me disseram, foi devido a uma troca equivalente;

-Troca Equivalente? –Flér perguntou confusa.

-A vida dos cavaleiros que morreram devido à intervenção de algum Deus pela imortalidade dela. Um quarto de cosmo por um quarto de vida;

-Incrível; Hilda falou espantada. –Mas e como ela está agora?

-Aishi vive no santuário agora; Hyoga respondeu sorrindo. –Não duvido muito que ela e o mestre Kamus logo anunciem o casamento; ele completou.

-Que bom, fico feliz por eles; Flér falou animada.

-Eles passaram por muitas coisas para ficarem juntos, mesmo com as incertezas de uma possível batalha, após a volta dos cavaleiros, muitas coisas mudaram. Hoje eu ainda me surpreendo quando converso com o mestre Kamus e vejo o quanto ele mudou após a chegada de Aishi; ele comentou, lembrando-se do pequeno surto de ciúmes do mestre no dia de seu aniversario, quando perguntara se Aishi tinha irmã.

-Então, graças a ela não só os cavaleiros de ouro, como os guerreiros deuses voltaram a vida e estamos numa Era de paz; Hilda comentou pensativa.

-...; Hyoga assentiu.

-Mas Hyoga, você disse que havia mais alguma coisa que você tinha de fazer aqui, alem de trazer noticias do santuário, o que era? –Flér perguntou curiosa.

-Ahn! Saori pediu que viesse a Asgard e pedisse a sua autorização para consultar alguns livros da biblioteca do palácio; ele falou, ficando sério, lembrando-se da ultima vez que as duas entraram naquela biblioteca para descobrir a entrada para o Santuário do Mar, por Asgard.

-Como? –a jovem de melenas douradas perguntou confusa.

-Eu não sei ao certo sobre o que é, mas Saori me disse que Aishi e o mestre precisam consultar alguns livros antigos sobre Asgard e que não existem exemplares sobre isso no ultimo templo; ele explicou.

Ainda se questionava sobre o pedido da deusa e o interesse do mestre e Aishi em Asgard de uma hora para outra, mas mesmo assim não os questionava, deixaria para perguntar depois; Hyoga pensou.

-Alguns livros podem ser difíceis de se consultar devido à linguagem muito antiga, nem todos os livros estão escritos em russo, francês ou até mesmo em grego, alguns ainda estão em runas; Flér explicou.

-Runas? –ele perguntou confuso.

-...; a jovem assentiu.

-Runas são uma linguagem muito antiga, desenvolvida por Odin, eram símbolos semelhantes aos kajis japoneses, da mesma forma que um desenho poderia representar uma palavra, dois representariam frases inteiras, é um ótimo meio de comunicação, mas muito difícil de ser traduzido, algumas palavras usadas naquela época podem não existir equivalentes na linguagem de hoje; Hilda explicou.

-Eu acho que não tem problema; Hyoga respondeu, dando de ombros.

-Pode dizer a eles que venham, serão muito bem recebidos aqui; Hilda falou pacientemente.

-Obrigado; ele agradeceu.

II – Surpresas.

Entrou rapidamente pela entrada lateral do palácio. Ainda praguejando contra os céus por não conseguir controlar a própria língua. Fora visitar o tumulo de Folken, mas não pensou que fosse encontrar com um guerreiro deus lá e justamente aquele guerreiro deus.

-Anieri, onde estava? –uma senhora de idade perguntou ao notar que a jovem acabara de chegar.

-Me desculpe, mas fui até o cemitério; ela respondeu, abaixando os olhos.

-Tudo bem criança; Alana respondeu paciente.- Apenas fiquei preocupada, ouvi dizer que a cachoeira de gelo rompeu e parte do bosque esta alagado;

-Como? –Anieri perguntou arregalando os olhos.

-Não sei ao certo o que aconteceu, mas Mime acabou de chegar com Alberich, o pobre rapaz estava inconsciente, parece que foi pego pelas águas; ela falou, enquanto colocava água quente em um jarro.

-E como ele esta? –a jovem perguntou, retirando o pesado casaco de peles e dobrando as mangas do vestido comprido.

-Ainda inconsciente; Alana respondeu. –Tome, já sabe o que fazer; ela falou, lhe entregando um saco de ervas e o jarro.

-...; Anieri assentiu.

Desde que chegara a Asgard estava vivendo no palácio junto com Alana, quando pequena interessara-se pela historia dos cavaleiros, mas nunca pensou que fosse parar no lar deles.

Vivera boa parte da vida isolada em Ellesmere, a pequena ilha canadense de 168 habitantes. Onde também estudou medicina e podia exercer suas funções como amazona sem problemas isso compreendia treinar e aperfeiçoar suas técnicas com gelo e as maneiras de ocultar seu cosmo.

Com o inicio das guerras e a chegada da noticia de que os guerreiros deuses haviam morrido, retornou a Asgard, onde conheceu Alana que lhe mostrou as formas alternativas de medicina usadas no país e onde poderia treinar mais abertamente. Qual não foi a sua surpresa ao acordar uma noite, junto com os outros morados do palácio e ver os guerreiros deuses entrarem pelo salão principal acompanhados de Hilda. Todos... E vivos.

-Vamos ver como ele esta e o que precisa ser feito; Alana comentou, tirando-a de seus pensamentos.

-...; Anieri concordou.

As duas andaram com passos apressados pelos corredores do palácio, Anieri apertou a sacolinha de ervas entre as mãos, era uma mistura de hortelã e alfazema, era a única forma de acordá-lo naturalmente, se ainda estivesse desmaiado.

Em ultimo caso seu cosmo ajudaria, mas não queria revelar aos demais quem realmente era, já bastava o fato de não ter controlado a língua e deixado escapar na conversa com Mime que era sobrinha de Folken.

Infelizmente Asgard ainda era primitiva com relação a algumas coisas. Amazonas nunca foram bem vistas na ordem, embora nos primórdios as Deusas da Guerra fossem sempre veneradas com respeito e orgulho, mas hoje não era assim.

Muitas pessoas antiquadas ainda acham que as mulheres deveriam ser bibelôs submissos, mas o que eles mal sabiam era que Asgard possuía uma geração de Deusas da Guerra como nos primórdios, tão poderosas quanto os Guerreiros Deuses, se não mais; Arieni suspirou cansada, era melhor parar de pensar nisso, já teria problemas de mais para resolver quando Mime viesse lhe pressionar querendo saber a verdade.

Subiram até o segundo andar onde ficavam os quartos destinados aos cavaleiros. Anieri engoliu em seco ao notar quem estava impaciente esperando-as na porta.

-Senhor Mime, estamos aqui, onde ele esta? –Alana perguntou, sem notar o olhar insistente do cavaleiro sobre a jovem a seu lado.

-Aqui dentro, ainda desacordado; ele respondeu lhes dando passagem.

Anieri entrou no quarto, sentindo o olhar insistente do cavaleiro sobre si. Ele lhe estudava, seus movimentos, respirações e olhares, ela sabia disso.

Alana pegou uma pequena bacia de lavar as mãos que estava sobre uma cômoda e colocou em cima do criado mudo. Anieri aproximou-se, despejando a água quente sobre a bacia.

Colocou a jarra no chão, aonde não a derrubasse. Abriu em seguida a sacolinha com ervas, despejando seu conteúdo na água quente.

Uma tênue nevoa subiu na borda da bacia. A jovem sentiu o cheiro espalhar-se por todo o ambiente. Mime encostou-se de lado no batente da porta, apenas a observando tudo com um olhar intrigado.

Ainda se perguntava o que Alberich estava fazendo naquele lugar, mas não iria entendê-lo tão facilmente, mas uma coisa aprendera antes de morrer, não julgar as pessoas, pois muitas vezes, elas agem por impulso, ou moldam seu próprio caráter em cima de circunstancias que exigem que elas sejam assim.

Não o julgava pela ambição ou arrogância que muitas vezes ele demonstrara nos treinos antes de tornarem-se cavaleiros, ou até mesmo em seu dia-a-dia.

Certa vez falara com Hilda sobre isso, a desconfiança que tinha sobre a honra do cavaleiro. Estranhamente Hilda parecia saber sobre suas duvidas. Ela lhe dissera simplesmente para confiar se sentisse que assim o podia, ou ser cauteloso se ainda não se sentisse preparado para confiar.

Desde que o conhecera, sabia que ele vinha de uma das famílias mais respeitadas e nobres de Asgard, mas algumas coisas eram meio escusas sobre isso. Lembrou-se que Flér certa vez comentara que o guerreiro deus sempre fora introspectivo, mas tornara-se arrogante e insensível após a morte da mãe, fato que ocorrera de forma inexplicável.

-Senhor Mime, poderia nos ajudar? –Alana perguntou, chamando-lhe a atenção.

-Uhn! –ele murmurou, piscando confuso.

-Precisamos virá-lo, pode nos ajudar?

O cavaleiro assentiu, desencostou-se do batente da porta e foi até elas. Devido à idade, Alana não podia fazer esforços, então, afastou-se dando passagem a Anieri que o ajudaria, não facilitando nem um pouco o controle da tensão entre os dois.

O cavaleiro fitou-lhe de canto, notando que a jovem estava impassível, lembrou-se do que ela lhe falar no cemitério, precisava lhe fazer algumas perguntas mais ainda havia tempo para isso.

Virou-o de forma que as costas ficassem desencostadas da cama, o mais rápido que pode, Anieri retirou a blusa e a camisa fina que o cavaleiro usava. Afastou-se pendurando a blusa na costa de uma cadeira e colocou a camisa sobre um cesto no canto do quarto.

Mime afastou-se, observando os próximos movimentos da jovem. Viu-a enrolar o cavaleiro em várias cobertas de peles grossas, que poderiam aquecê-lo com mais facilidade. Ainda se perguntava porque ele demorava tanto a acordar, estava começando a ficar preocupado.

-Anieri, termine tudo e depois vá até a cozinha, estou lhe esperando lá; Alana avisou, aparentemente lembrando-se de que esquecera algo, para sair e deixá-los sozinhos.

-Tudo bem; ela respondeu, vendo Alana sair, mantendo o ar impassível, praguejando mil impropérios por causa da senhora que lhe abandonara naquela saia justa. -Ele vai ficar bem, o desmaio deve ser pelo susto; Anieri explicou, voltando-se para o cavaleiro, tentando quebrar aquele clima.

-Como? –Mime perguntou confuso.

-As águas da cachoeira não são tão geladas para quem esta acostumado com a temperatura daqui, o fato dele estar desacordado ainda, deve ser por causa de algum trauma, algo que o tenha feito se assustar e sofrer algum choque; ela falou passando por ele e indo até a janela, fechou as cortinas deixando o quarto escuro.

Anieri voltou até a beira da cama, molhando uma fina flanela na água quente com cheiro de hortelã, colocando-a sobre a testa do cavaleiro. Ele estava inconsciente, mas algumas gotas de suor em sua testa, indicavam que seus sonhos eram bastante conturbados.

Repetiu o gesto por três vezes, notando que ele se acalmava. Levantou-se, recolhendo as coisas e preparando-se para sair do quarto.

-O que quis dizer com aquilo? –Mime perguntou de repente, segurando-lhe pelo braço, impedindo-a de sair do quarto.

-Uhn! –ela murmurou, voltando-se para trás e deparando-se com aquele par de orbes carmesim a lhe fitar, por algum motivo desconhecido sentiu a face esquentar.

-No cemitério, estava falando a verdade? –ele insistiu.

-...; Ela assentiu, desviando o olhar e tentando se afastar.

-Não me convenceu, o que esta escondendo garota? –Mime perguntou seco, tentando não perder a calma, o que era meio difícil.

-Primeiro, meu nome é Anieri. Segundo, não lhe devo satisfações. Terceiro, você acredita no que quiser, não é problema meu; ela rebateu ferina, puxando o braço com força, fazendo com que o jarro em suas mãos derramasse um pouco de água no chão, afastou-se com pressa.

-"Droga"; Mime praguejou irritado consigo mesmo.

-Alguém por acaso já lhe ensinou a ser mais gentil com uma dama? –alguém perguntou encostando-se no batente da porta e vendo o olhar perdido do cavaleiro.

-O que quer Bado? –ele perguntou impaciente.

-Eu, nada importante; Bado respondeu casualmente, dando de ombros, ignorando o pequeno episódio que acabara de presenciar. –Apenas vim saber o que aconteceu? Parece que Alberich apagou; ele comentou, apontando para o cavaleiro deitado na cama.

-É; Mime falou, saindo do quarto e fechando a porta atrás de si. –O gelo da cachoeira rompeu, sabe-se lá o que ele estava fazendo naquele lugar, mas acabou sendo arrastado pela água; ele explicou.

-Estranho, não é normal aquele gelo se romper; Shido comentou, aproximando-se dos dois.

-Mas rompeu; Mime afirmou.

-É melhor ficarmos em alerta, não estou gostando do que esta acontecendo; Haguen falou, saindo de seu quarto e pegando a conversa no meio.

-O que? –Mime perguntou confuso, completamente por fora dos últimos acontecimentos.

-Não esta sabendo, o rival dele chegou agora a pouco; Bado alfinetou.

-Uhn? –Mime murmurou, arqueando a sobrancelha, ao notar que o guerreiro deus de Merak estava para pular no pescoço do outro.

-Hyoga; Shido respondeu, rolando os olhos. –Veio falar com as princesas e o Haguen só falta rosnar;

-Até você? –ele perguntou indignado.

-Espera, o que alguém do santuário veio fazer aqui? –Mime perguntou desconfiado.

-Não sei, mas se for algo importante ficaremos sabendo depois; Shido respondeu conformado.

Não demorou muito para cada um deles ir para um lugar diferente. Havia ainda algumas coisas que não foram muito bem explicadas, ainda mais o fato de Hilda nunca ter lhes contado completamente a historia sobre o retorno deles, mas deixariam isso para discutirem outra hora, a prioridade agora era manter-se em alerta.

III – Inquietação.

Remexeu-se na cama, uma hora sentira muito frio em outras parecia que seu corpo estava em brasas. Abriu os olhos confuso, deixou-os correr por todo o local, notando que estava em seu quarto.

-Como cheguei aqui? –ele se perguntou, mas lembrou-se de que ouvira Mime lhe chamar, mas não tivera muitas forças para responder, caindo desacordado em seguida.

Tentou se levantar, mas não conseguiu. Todas as juntas do seu corpo pareciam extremamente rígidas, impedindo que se movimentasse sem sentir o corpo todo doer.

Encolheu-se na cama novamente, tentando esquentar-se, a temperatura de seu corpo parecia cair novamente.

Fechou os olhos, suspirando pesadamente, sonhara novamente com aquilo. Ainda se perguntava porque andava sonhando com isso com mais freqüência do que de costume.

Aos poucos um leve torpor lhe atingiu, puxando-o para um sono profundo, novamente recheado de lembranças.

-Sonho/ e Lembrança -

Embora o inverno fosse rigoroso naquela região, Asgard sempre fora uma terra coberta pelo gelo, o povo era pacifico, mantendo entre si as velhas tradições e costumes. Embora a terra fosse fria o povo supria isso ao manterem-se unidos.

Com certa dificuldade um garotinho tentava vencer a neve e chegar até seu objetivo. Nas suas costas, jazia preso um par de patins de gelo. Seu destino, sua casa... Já escurecera quando notara que ficara patinando tempo de mais sem que alguém soubesse de seu paradeiro, sem duvidas seus pais ficariam preocupados.

Olhou para os lados, o caminho mais rápido seria atravessar aquele lago de gelo. Os cabelos rosados balançavam com o vento, enquanto corria, faltava pouco para que os pequenos passos infantis o levassem ao outro lado. A franja rosada caiu sobre seus olhos, impaciente passou a mão pela testa tentando afastá-los.

Não prestou atenção por onde estava passando, acabou por pisar em falso, escorregando e caindo sobre o gelo. Os orbes verdes brilharam temerosos ao ouvir o gelo abaixo de si estralar.

De onde estava pode enxergar pequenas trincas se formarem, instintivamente levantou-se e desatou a correr, enquanto o gelo atrás de si rachava cada vez mais rápido, disputando consigo em velocidade.

Novamente escorregou, mas teve tempo de segurar-se em um galho de árvore, próximo a si, só mais um passo e conseguiria, mas o gelo em baixo de si cedeu completamente.

Os bracinhos finos tentavam agarrar-se com força para não afundar, mas já não estava mais agüentando.

Ficou completamente paralisado ao ver que eu meio a escuridão um par de luzes azuis se acendeu e pareciam se aproximar.

Alberich concluiu desesperado que fosse um lobo, estaria perdido se fosse tentar sair dali. As luzes estavam mais perto agora.

Aproximou-se com cautela, notando de imediato a criança correndo perigo. O cheiro de medo chegava a suas narinas e lhe embriagando.

As patas delicadas afundavam na neve, mas não deixava de se aproximar. Encontrou o galho que ele se segurava fortemente para não ser arrastado de volta ao fundo.

-VÁ EMBORA; a criança gritou, enquanto tentava subir até a borda do lago, mas escorregou novamente.

O felino aproximou-se, a lua vermelha sairá do meio das árvores, iluminando completamente o lago.

-Um tigre... Branco; Alberich falou com os lábios arroxeados e trêmulos, nunca vira um, muito menos em Asgard.

O tigre subiu com leveza sobre o galho grosso da árvore. Como se a gravidade não imperasse sobre si. Não tinha medo de se arriscar, aproximou-se o mais que pode da criança.

Alberich sentiu a respiração quente dele chocar-se contra sua face. Fechou os olhos com medo, porém sentiu o prender entre os dentes a gola de sua blusa e puxar-lhe para cima.

A cada nova investida do tigre. Alberich via-se cada vez mais perto de sair dali. Por fim com um rápido impulso, o tigre conseguiu puxá-lo para fora e arrastá-lo para longe da água.

Alberich agarrou-se ao felino desesperado, sentia o corpo todo congelar. Depois de um tempo o tigre afastou-se.

-Espera; a criança chamou. O tigre parou voltando-se em sua direção, olhando bem agora, ele não passava de um filhote de tigre branco, tão raro, mesmo naquela região. –Obrigado; Alberich agradeceu.

Aproximou-se do tigre e tirando do próprio pescoço uma corrente dourada com um pingente em forma de dragão, passou os frágeis bracinhos em volta do pescoço do tigre, prendendo a corrente ali.

O felino olhou-o desconfiado, mas a criança apenas assentiu para que ele seguisse seu caminho agora. Logo desatou a correr novamente em meio à neve, deixando a criança ali.

Alberich levantou-se e seguiu correndo para a casa, onde certamente encontraria sua mãe extremamente preocupada.

-Sonho / e Lembrança –

Um leve suspiro saiu de seus lábios, virou-se na cama mudando de posição, caindo dessa vez em um sono tranqüilo e sem sonhos.

Continua...