Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Anieri é uma criação única e exclusiva a minha.
Boa Leitura!
Capitulo 4: Livros.
I – Andivari.
Nos primórdios da humanidade, nas profundezas da terra e aos pés das montanhas, milhões de anões trabalhavam incessantemente em busca de ouro.
Um material não só belo como precioso. Objeto de cobiça de deuses, anões, elfos e todos os seres que caminhavam sob essa Terra de Gelo. Sentiam-se fascinados pelo brilho dourado que apenas uma ínfima pepita poderia despertar.
Andivari era um jovem anão. Jovem digo, pois ele tinha apenas mil anos e alguns dias, se não um pouquinho mais. Porém ainda sim jovem.
Irônico não, mas não estou brincando. Esse anão era jovem, em comparação aos demais. Pois nos primórdios o tempo na Terra Média era contado de forma diferente da usada por civilizações tão antigas quanto Aesirs e Vanirs, na Grécia o tempo era contando de uma forma para divindades e mortais, Egito os Deuses do Sol seguiam um outro padrão, como sendo mestres dos cálculos pelas fases da lua.
Mas voltando a esse jovem anão. Sim, podem apostar ele era jovem. Tão jovem quanto o seio da terra que aos poucos tomava a forma de novos seres que caminhariam sobre aquele solo de gelo, milhões de anos depois.
Fascinado pelo brilho do ouro, ele desejava cada vez mais peças, adornos o que fosse que pudessem preencher sua pequena casa ao pé uma montanha. Moedas de ouro, colares, brincos, pulseiras, não que ele fosse usar tudo isso... É claro.
Mas sim, para estufar o peito e dizer 'Tudo isso é meu. Só meu. E isso é algo que nem os deuses podem tirar de mim'. Enfim, pelo menos ele não afirmou, que nem Odin afundava o Titanic. Porque bem... Já vimos que isso não dá certo.
Egocêntrico e perfeccionista, estudou as propriedades do ouro, o tempo que levaria a derreter, qual as melhores maneiras de se aproveitar cada liga que se formasse. Sem desperdícios ou perdas. Concluindo assim o maior empreendimento de sua vida. Mas tudo isso ocorreu, não foi de um dia para o outro, foram muitos anos mortais, que para nós hoje, seria a mais pura perda de tempo com algo inútil, mas para ele não era.
Assim nasceu o Anel de Andivari. Creio que já ouviram falar. 'Um anel do poder. Um anel para controlar. Um anel sem senhor. Um anel para dominar'. Sim, aquele era um anel cujas possibilidades tornavam-se infinitas. Poder, ambição, egoísmo, os desejos mais sórdidos a flor da pele.
Todos os princípios do jovem anão sobre os desejos de tornar-se alguém melhor, produzindo algo melhor entre aqueles de seu mesmo sangue, esvaíram-se ao fitar com um olhar fascinado, e porque não dizer completamente apaixonado, para a pequena argola de ouro. Que até os deuses fascinados, deixaram-se levar pelo desejo de possuí-lo e acabaram por trazer até eles o principio do fim da Era dos Deuses entre os mundos.
Outros dizem que Andivari nunca teve nada a ver com isso. Que fora Alberich, o anão que renegara o amor pelas ninfas do Reno a forjar tal anel do poder, sendo posteriormente Fafner o dragão a ser o símbolo do mal caminhando sobre esta terra a portar tal objeto de valor, trazendo a desgraça e ambição ao que tocasse.
Enfim... Ambição, egoísmo e poder, parecem coisas tão patéticas, mas que vem a existir desde que o mundo era apenas uma massa cinzenta em meio a infinitas moléculas de matéria a formar-se num espaço cheio de nada. E aquele Anel, era se não o único a conservar de forma tão evidente isso.
O que nos permite chamá-lo de Anel dos Nibelungos, já que Alberich fazia parte dessa espécie de anões. Mas eu ainda prefiro Andivari, o Anel de Andivari os motivos que o levaram a forjar tal tesouro são bem mais interessantes e arrisco-me a dizer que muito mais complexos.
II – Caminhando na Neve.
Estremo Norte da Sibéria /Asgard...Apesar da telecinese, sem autorização eles não poderiam entrar naquele lugar sagrado. Já fazia alguns minutos que estavam caminhando.
-Ma petit, o que viemos exatamente fazer aqui? –Kamus perguntou, olhando para todos os lados só vendo neve.
-Logo você vai entender, confie em mim; Aishi respondeu, segurando fortemente a mão do noivo.
-Não precisa nem pedir; ele respondeu.
Não demorou muito para que avistassem a construção do que parecia ser um grande castelo. Sim, aquele era o palácio Vallhala.
Kamus observou fascinado a construção. Embora vivendo boa parte da vida na Sibéria, nunca havia chegado a conhecer aquele lugar.
-Quem são vocês? –um jovem de cabelos verdes, perguntou vendo-os se aproximarem. Quando notaram já estavam cercados por uma matilha de lobos acinzentados.
-Viemos falar com Hilda de Poláris; Aishi respondeu, com ar pacifico, certamente o reconhecendo como um Guerreiro Deus.
-Identifiquem-se; o Guerreiro Deus de Ariortes exigiu.
-Aishi e Kamus de Aquário, do Santuário de Athena; o cavaleiro respondeu.
O jovem pareceu surpreso ao saber de onde eles vinham, ordenou que alguns guardas abrissem os portões e deu-lhes passagem.
-Podem entrar;
Os lobos afastaram-se ao ouvirem o som do assovio do jovem que indicava que não haveria problemas se eles entrassem.
-...; Aishi e Kamus assentiram, seguindo em frente. Não tinham muito tempo para ficarem ali, por isso haviam saído muito cedo do santuário e retornariam o mais breve possível.
Fenrir os levou até a entrada do palácio, onde outro Guerreiro Deus os esperava.
-Sou Thor de Feckda e vocês, o que querem aqui? –o gigante perguntou, se interpondo no caminho do casal.
-Deixe-os entrar Thor, minha irmã já os esperava; Flér falou, parando atrás do guerreiro.
-Srta Flér; ele falou, voltando-se para ela, como se quisesse convencê-la de que aquilo não era uma boa idéia, porém a mesma ergueu a mão, pedindo que ele desse passagem aos visitantes.
-Obrigada; Aishi falou, voltando-se para ela. Antes de saírem do santuário, Saori lhes avisara sobre os habitantes do palácio e já imaginava que fosse ela a irmã de Hilda.
Kamus ainda lançou um ultimo olhar para o caminho que fizeram, estavam sendo vigiados, conseguia sentir isso. Enquanto andavam, enlaçou a noiva pela cintura de forma possessiva, o que fez Aishi voltar-se pra ele intrigada, mas com um breve aceno ele respondeu que não era nada de mais.
-Quem são eles, Siegfried? –Bado perguntou para o Guerreiro Deus de Dhoub.
Ele, Shido e Siegfried estavam entre alguns pilares ocultos dos demais, observando a chegada dos visitantes. Intrigados com a presença de representantes do santuário de Athena ali, ainda mais depois do que Posseidon fizera e a volta repentina dos Guerreiros Deuses, cautela nunca era de mais.
-Um cavaleiro de ouro e possivelmente aquela que o acompanha deve ser uma amazona; ele respondeu, vendo-os sumirem de sua vista no longo corredor.
-O que será que eles querem aqui? –Shido perguntou, preocupado.
-Não sei, mas é melhor ficarem atentos, vou ver uma coisa, qualquer passo deles me avisem; Siegfried falou desaparecendo rapidamente.
Os dois assentiram, ainda mais por não ter sido muito bem explicada a presença de Hyoga há no dia anterior. Ou melhor, haviam ainda algumas coisas que nem mesmo Hilda lhes revelara, embora intimamente temessem saber as resposta, mas ficariam alerta, se estavam realmente em tempos de paz, uma garantia a mais não seria problema.
III – Jardim.
Ergueu parcialmente a barra do vestido, podendo sentar-se confortavelmente no chão. Estava em frente ao canteiro de flores do jardim do palácio. As estações estavam mudando, sentia pena das delicadas flores que se feriam tanto com essa mudança.
Com as mãos delicadas, tocava uma por uma com cuidado, retirando a neve que caira durante a noite, ainda se perguntava o que acontecera na cachoeira, metade do bosque fora alagado agora, embora a mesma já estivesse completamente congelada novamente.
Parou por um momento sentindo a aproximação de alguém, fechou os olhos pedindo paciência aos deuses para não falar mais nenhuma besteira.
-Deseja alguma coisa, cavaleiro? –Anieri perguntou, sem se virar.
Mime franziu o cenho, aproximara-se em silêncio e mesmo assim ela sentira sua presença. Estranho... Balançou a cabeça para os lados, estava sendo paranóico de novo. Era melhor parar com isso se não falaria alguma besteira.
-Podemos conversar? –ele perguntou cauteloso.
-Conversar ou você vai me atacar com sua desconfiança? –ela perguntou, ignorando-o completamente por não lhe fitar, dispensando todas as suas atenções às flores a sua frente.
-Me desculpe; Mime falou num sussurro tão baixo que ela quase não ouviu.
-Disse algo? –Anieri perguntou confusa, voltando-se para trás, achando que tinha ouvido errado.
Serrou os punhos contando até dez, porque ela simplesmente não poderia facilitar as coisas? Mas não, faria realmente ele repetir aquilo.
-Me desculpe; Mime falou mais alto dessa fez. –Não queria ser rude; ele falou, desviando os olhos.
Anieri abriu a boca para fechá-la em seguida sem emitir som algum. Respirou fundo, pelo visto os deuses haviam atendido suas preces; ela pensou.
-Tudo bem; Anieri respondeu sorrindo docemente, era estranho, mas não conseguia ficar brava com o cavaleiro, embora nas ultimas hora tenha tido vontade de matá-lo.
Mime voltou-se para ela intrigado, havia alguma coisa naquela garota que lhe chamava a atenção, mas não sabia o que era. Mas descobriria. Ah ele descobriria.
-Mas queria falar sobre o que? –Anieri perguntou, desviando o olhar, sentindo a face esquentar diante do olhar dele.
-O que quis dizer sobre o trauma, quando se referiu ao desmaio de Alberich? –ele perguntou, aproximando-se dela. Parando em pé a seu lado.
-Eu disse que o fato dele ter desmaiado foi por causa de um trauma; ela repetiu. –Nem todos os desmaios ou descontroles que temos são por causa de algum problema físico, muitas vezes é psicológico;
-Como assim? –Mime perguntou curioso, sentando-se ao lado da jovem, sem notar que a mesma ficara tensa.
-Muitos traumas são psicológicos, desmaios são reflexos defensivos para isso; ela explicou, voltando a mexer nas flores, retirando algumas mudas de tulipas enquanto falava. –Às vezes algumas situações nos chocam a ponto de nos darem medo, situações que não sabemos lidar e isso acaba nos assustando, isso com o tempo se torna um trauma, qualquer emoção muito forte pode desencadear algum desmaio;
-Entendo; Mime murmurou pensativo, novamente as palavras de Flér vieram a sua mente, fazendo com que ele ficasse mais interessando em saber mais sobre esse assunto, que ironicamente parecia ligado com suas duvidas mais recentes. –Como se cura isso? –ele perguntou de repente.
-Uhn? –Anieri murmurou, achando estranho a mudança nele.
-Tem como reverter esse tipo de coisa? Algum método? Algo que possa fazer com que a pessoa deixe esse medo de lado? – Mime insistiu.
-Terapia; ela respondeu calmamente.
-Terapia? –ele perguntou arqueando a sobrancelha, incrédulo. Como se o que acabasse de ouvir fosse um tremendo absurdo.
-...; Anieri assentiu. –Ou você enfrenta seus demônios e vence, ou você sempre vai ter medo e passar por situações constrangedoras pode desmaiar a qualquer momento; ela completou com um sorriso divertido, pensando na possibilidade de assustar alguém e essa pessoa cair dura no chão, por causa disso.
-Que tipo de terapia? –Mime perguntou dando um pesado suspiro. As coisas pareciam mais difíceis do que imaginara.
-Só por curiosidade, porque quer saber?-ela perguntou intrigada, voltando-se para ele.
-Só por curiosidade; ele respondeu com um meio sorriso, que fê-la corar.
-Deveria sorrir mais; Anieri falou de repente com um olhar intenso sobre o cavaleiro, pegando-o de surpresa.
-Como? –Mime perguntou, piscando confuso.
-Seu sorriso, é muito bonito; a jovem falou, sem dar-se conta da surpresa do cavaleiro. –Sorrir faz bem para saúde, alem do que, deixa as pessoas mais bonitas.
Ele ficou em silêncio, atônito com o comentário da jovem. Ninguém nunca falara assim com ele, o que lhe deixava intrigado quanto ao efeito que a jovem tinha sobre si, mal a conhecia, intimamente sabia que não confiava nela, mas ainda sim, embora fosse muito estranho se sentia bem ao lado dela.
-Parece que hoje em dia as pessoas tem medo de sorrir; Anieri falou vagamente, olhando para as flores. –Mas quando você sorri, sempre que esta junto com outra pessoa, por mais sério que ela esteja, também sorri; ela falou, com um doce sorriso.
-Mas nem sempre se tem tantos motivos assim para sorrir; ele respondeu ficando sério e adquirindo um ar sombrio, levantou-se rapidamente.
-Como? –ela perguntou confusa, pensando ter falado algo que o ofendera.
-Obrigado por sua explicação, me ajudou muito, mas agora tenho de ir, tenha um bom dia senhorita; ele falou polidamente, afastando-se.
Anieri parou, olhando confusa para o cavaleiro que desaparecia dentro do palácio. Afinal, só fizera um comentário, o que tinha de mais. Sentiu a face incendiar-se, realmente, algumas pessoas ficavam mais bonitas do que já eram, apenas sorrindo.
IV – Lendas.
-Ma petit, o que exatamente isso tem a ver com os barulhos que ouvimos fora de casa? –Kamus perguntou confuso, folheando com ar entediado as folhas de um livro antigo, na biblioteca do palácio.
Há pouco tempo atrás, na verdade a cerca de três noites atrás. Os dois passaram sem dormir, tudo porque, alguém fazia barulho na frente do templo e quando os sentia se aproximarem sumia.
As misteriosas marcas apareceram em outro pilar em Aquário nesse meio tempo e Aishi estranhamente afirmava que a resposta para o que procuravam estava em Asgard, mas afinal, mal sabiam o que estavam procurando.
-Não se preocupe, vamos saber quando achar; ela respondeu de forma misteriosa, só comentaria algo quando tivesse realmente certeza.
-Sabe, estive reparando uma coisa no jardim; Kamus começou, lembrando-se de um fato curioso que presenciara, quando fora até o jardim de inverno colocar na fonte principal, alguns peixinhos que havia dado de presente a ela.
-O que? –Aishi perguntou, enquanto observava atentamente as prateleiras de livros.
-Um dos canteiros de rosas do jardim estava revirado; ele falou, na mesma hora Aishi largou o livro que estava em sua mão e voltou-se pra ele.
-O que disse? –ela perguntou, intrigada.
-Isso mesmo, lembra quando fui levar os peixes pra lá? –Kamus perguntou, vendo-a assentir. –Eu achei estranho, mas pensei que fosse você que tivesse tirado alguma muda de rosa, mas como você estava no último templo, conclui que fosse outra coisa; ele respondeu.
-Mas não tem como entrarem no jardim sem passarem por dentro do templo; Aishi falou espantada.
-Tem sim; Kamus falou, cauteloso. –Na lateral do templo, tem uma entrada, mas só quando você eleva o seu cosmo você consegue enxergá-la; ele completou.
-Não sabia disso; Aishi murmurou pensativa.
-Her! Bem... Acho que esqueci de te falar esse detalhe; o cavaleiro falou sem graça.
-Kamus; Aishi falou em tom de aviso.
-Me desculpe, mas pensei que não fosse importante; ele respondeu, passando a mão nervosamente pelos cabelos revoltos.
-Que seja; ela falou, virando novamente para a prateleira, ignorando-o.
-Ma petit, juro que não foi minha intenção; Kamus falou, levantando-se e indo até ela.
-Eu entendi Kamus, agora vamos procurar logo por isso; Aishi falou impaciente.
-Ficou brava comigo? –ele perguntou, com um olhar carente, enlaçando-a pela cintura e apoiando o queixo em seu ombro.
-Não; ela respondeu num tom frio, querendo se afastar, porém ele não deixou, estreitando mais os braços.
-Você mente muito mal; o aquariano falou com um meio sorriso.
-...; Aishi não respondeu.
-Aishi, por favor; Kamus pediu, virando-a de frente para si, porém a jovem desviou o olhar. –Ma petit; ele falou carinhosamente, erguendo-lhe a face com a ponta dos dedos. –Me desculpe, mas aquela passagem só ficou ali por segurança e com tudo que andou acontecendo, esqueci de contar, quanto montei o jardim precisava passar as coisas por algum lugar sem que ninguém visse, não dava pra estragar a surpresa; ele se justificou.
-Eu é que peço desculpas, tava pensando besteira; ela falou, abraçando-o.
-Uhn! O que havíamos mesmo combinado sobre isso? –ele perguntou, afagando-lhe as melenas;
-Eu sei; Aishi respondeu, descansando a cabeça em seu ombro. –Mas...;
-Sabe que só tenho olhos pra você; Kamus sussurrou-lhe sedutoramente ao pé do ouvido.
-Kamus; ela falou, tentando afastar-se, porém ele não deixou.
-Não precisa ficar com ciúmes; ele completou, com um sorriso maroto, vendo-a corar.
-...; Aishi estreitou os orbes, vendo-o sorrir ainda mais. –Vamos continuar pesquisando que ganhamos mais; a jovem falou por fim, afastando-se sem que ele pudesse impedir. –"Como pode ser tão convencido?";ela pensou.
Suspirando pesadamente, ele voltou para o seu lugar, começando novamente as pesquisas, porém franziu o cenho.
-Ma petit, acho que achei algo aqui, não sei se tem algo a ver; Kamus falou, folheando um livro antigo.
-E o que é? –Aishi perguntou, levantando-se da cadeira que estava para dar a volta na mesa e ver o que ele tinha em mãos.
Aishi olhou por cima do ombro de Kamus, notando que o livro tinha algumas ilustrações interessantes e muito reveladoras para o que já vinha desconfiando há algum tempo.
Continua...
