Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aishi, Mia, Celina e Anieri são criações únicas e exclusivas minhas.
Boa Leitura!
Capitulo 5: Lembranças.
I – Um retorno ao passado.
13 anos atrás...
Caminhava em meio à neve, mas não se importava com o frio, alias, não o sentia. Infelizmente as pessoas comuns não eram capazes de vê-la. Somente o poderiam se ela assim o permitisse, mas agora não.
Estava no topo de uma cachoeira de gelo, observando o pôr-do-sol terminar. Embora tudo naquela terra fosse gelado, o que mais gostava era do pôr-do-sol, que diferente de sua terra natal, tinha um encanto natural em meio a tanto branco do céu ou da neve. Suspirou calmamente, sentindo a presença de alguém atrás de si.
-Pensei que não viesse? –Harmonia falou, sem voltar-se para trás.
-Confesso que fique curiosa quando soube que estava aqui? –uma jovem de longos cabelos dourados e orbes violeta falou, aproximando-se.
-Estou só de passagem; ela respondeu.
-Imagino que deve estar bastante ocupada, apesar de ter vindo aqui; Freya falou, sentando-se em uma pedra ao lado dela. –Sinto algumas energias surgirem de forma agressiva no ambiente;
-Mais uma série de guerras vai começar; Harmonia falou, olhando vagamente para a neve.
-Mas o que lhe trás aqui? -a deusa perguntou, intimamente sentia-se surpresa pela repentina visita da jovem, alguma coisa muito importante estava para acontecer, se não, Harmonia não teria deixado a Grécia justamente agora.
-Nunca escondi que tinha predileção por países frios; ela respondeu com um meio sorriso, tentando sentir-se menos tensa do que estava.
-Sei; Freya falou com um sorriso maroto.
-O que foi? –Harmonia perguntou, voltando-se para ela, mas engoliu em seco diante do olhar da deusa.
-Uhn! Você esta com cara de que conheceu alguém importante, antes de chegar até aqui; Freya falou casualmente.
-Freya; Harmonia falou pausadamente.
Era sempre a mesma coisa quando encontrava a deusa, ainda não sabia quem era mais excêntrica, a mãe ou Freya, mas a única diferença entre as duas, era que com a ultima deusa não tinha problemas de comunicação. Já com a mãe... Bem, esse era caso a parte.
Há muito tempo, diria que séculos atrás as duas haviam se conhecido por algo bastante comum entre elas. Os irmãos gêmeos. Freyr fora à Grécia. Embora os deuses nórdicos não fossem mais tão venerados, por muitos agora esquecidos, eles sempre existiriam, como os gregos, egípcios, hebraicos, ou qualquer divindade existente pelo mundo.
Freyr conhecera Eros, o que facilitou para que as duas deusas viessem a se conhecer, já que Eros praticamente arrastara a irmã para uma volta ao mundo, parando principalmente em Asgard.
Nessa época Harmonia conheceu Freya e ao contrario do que já havia ouvido falar sobre as lendas da deusa, ela não era tão parecida assim com sua mãe, como as pessoas falavam. Pelo contrario, era extrovertida, um pouco atrevida, não negava, mas era uma pessoa agradável de se conversar, o que resultou nas longas conversas entre elas e os irmãos, ou até mesmo o retorno de Harmonia outras vezes a Asgard, porém, àquela fora a primeira vez que parava no meio do caminho, precisamente na Sibéria.
-É sério, sei reconhecer esse ar sonhador nas pessoas; Freya insistiu. –Me diga, quem é? –ela perguntou ansiosa.
-Foi um aprendiz a cavaleiro que conheci no meio do caminho, o pobrezinho iria morrer no meio da neve; Harmonia falou com o olhar perdido, lembrando-se do jovem de melenas esmeralda quase um tom de petróleo.
-Uhhhhhhh; Freya murmurou com um largo sorriso. –Cuidado, vai acabar se apaixonando por ele; ela alfinetou.
-...; Harmonia estreitou os orbes perigosamente.
-É sério, sabe há quantos séculos eu te conheço e essa é a primeira vez que te vejo com essa cara? –ela falou, apontando para a jovem.
-Deixe de besteiras; Harmonia falou gesticulando nervosamente. –E até parece que você não conhece a lei dos cavaleiros.
-O que, aquela besteira sobre o amor ser direcionado somente a deusa que deve proteger? –ela perguntou, torcendo o nariz. –Detestável isso, mandaria matar o idiota que criou essa besteira se soubesse quem foi o infeliz;
-Não é sobre isso que estou me referindo; Harmonia falou, divertindo-se com as caras e bocas da jovem.
-Então?
-São regras, sabe o que penso sobre isso;
-Que elas são para serem quebradas? –ela perguntou, mas apenas sugerindo a idéia, abrindo um sorriso infantil.
-...; A jovem estreitou os orbes perigosamente.
-Por Odin, Harmonia, até parece que você liga para regras; Freya falou, passando a mão nervosamente pelos cabelos, deixando a postura impertinente de lado. –Mas isso quer dizer que esse aprendiz mexeu mesmo com você, não é? –ela perguntou interessada.
-Talvez; ela respondeu, voltando-se para o horizonte com o olhar perdido.
-Pelo visto não é só isso que lhe atormenta, não é? –Freya perguntou ficando séria. Característica pouco usual de sua personalidade.
-Uma guerra santa vai começar na Grécia; ela começou, serrando os punhos. –O conselho se reuniu, mas não conseguiu evitar o pior, Zeus diz que não é de nosso respeito impedir.
-Contra quem? –Freya perguntou interessada.
-Os titãs, as Moiras fizeram a previsão, Delfos e Star Hill também. O lacre que impede Chronos de caminhar novamente nessa Terra esta para romper, depois, será meu pai; ela falou, serrando os orbes nervosamente, sabendo que nem ela ou Aurora foram capazes de impedir que Ares resolvesse se manifestar nessa Era.
-O que ele pretende? –Freya perguntou, lembrando-se que a jovem lhe falara sobre o Deus da Guerra, o que muitas vezes fora motivo de divertimento entre as duas, quando comparavam as trapalhadas dele com as de Loki, seu equivalente nórdico.
-Recomeçar do zero, Aurora até tentou falar com ele, mas ele está cego, não quer ouvir ninguém; Harmonia respondeu, com um olha triste.
-Quem serão os próximos? –a jovem perguntou.
-Posseidon e Hades; ela respondeu.
-Mais uma guerra santa. Ainda me pergunto se Asgard também não corre o risco de sofrer algo assim, é uma pena que esse povo tão castigado sofra novamente com isso; ela comentou.
-Por isso preciso de sua ajuda; Harmonia falou de repente.
-Minha ajuda? Para que? –ela perguntou, surpresa.
-Falei com Caos, ele me deu uma brecha no destino; Harmonia confessou. Lembrando-se que há pouco tempo atrás recebera um recado de Nix, pedindo a ela que fosse ao castelo de Hades, mas diferente das outras vezes que ia para falar com o imperador, dessa vez era para que não revelasse a ninguém que estaria indo até lá. Tudo no mais completo sigilo.
No começo Harmonia estranhou o fato de Nix pedir-lhe tal coisa, mas aceitou. Quando chegou ao palácio, foi recebida diretamente pela Deusa da Noite. Que a levou a um templo discreto em meio aos Elisius e qual não foi sua surpresa ao encontrar o Onipotente ali. Fora uma conversa rápida, polida e decisiva. Onde ele só lhe dava uma alternativa, ou era aceitar, ou desistir sem lutar.
-Brecha, mas-...; Freya arregalou os olhos, surpresa.
-Ele não me explicou exatamente o que vai acontecer, disse que eu não tinha direito de mudar o destino, mas como sabia que eu faria de qualquer jeito, só me avisou que seria daqui a dezoito anos; ela comentou, com ar pensativo. –Apenas uma brecha, que certamente pode variar devido à oscilação do tempo, então, nem mesmo isso é garantido.
-O que vai acontecer? –Freya perguntou intrigada.
-As principais estrelas do equador celeste vão se apagar; Harmonia respondeu com ar sombrio.
Freya abriu a boca para fechá-la em seguida, chocada de mais para formular algum pensamento inteiro. Quando uma divindade falava que as estrelas se apagariam, já sabia que a vida de seus guardiões também iria junto.
-Não pretendo perder essa oportunidade; ela falou convicta.
-E o que eu tenho de fazer? –Freya perguntou.
-Acho que não vou poder estar em Asgard quando as coisas acontecerem, mas, preciso que você garanta que eles vão voltar bem;
-Uhn? –ela murmurou confusa.
-Apenas isso, não posso te falar mais nada agora, por isso lhe peço Freya, apenas garanta que eles vão voltar bem; Harmonia pediu.
-...; Ela assentiu. –Vou fazer o que estiver ao meu alcance;
-Obrigada;
-Mas cá entre nós, tudo isso é por causa daquele garoto? –Freya perguntou com um sorriso maroto, tentando tirar a tensão do ambiente.
-...; Harmonia sentiu a face incendiar-se, sendo pega de surpresa por tal questionamento.
-Sabia; Freya falou sorrindo vitoriosamente. –Quem sabe daqui a alguns anos as coisas sejam bem diferentes e vocês possam voltar a se encontrar; ela comentou com um olhar perdido.
Harmonia não respondeu, infelizmente não cabia a ela fazer com que o destino sempre se moldasse a seu favor. A noite já caia sobre Asgard, mas isso não parecia importar a mais ninguém, as pessoas já se recolhiam em suas casas. Às lareiras eram acesas, as lenhas crepitavam sobre o fogo. Uma tênue fumaça subia pelas chaminés e aos poucos eles começavam a serem embalados pelos braços do deus do sono.
Quantos anos seriam necessários? –ela se perguntou, com as palavras da jovem ecoando em sua mente.
II – Lembranças.
Viu-a caminhar em sua direção, era a mulher mais bela que já vira em toda sua vida. Seria alguma deusa? –Alberich se perguntou. Ao ver os longos cabelos dourados esvoaçarem com o vendo, os orbes violeta se iluminarem ao fitarem o céu, mas eles pareciam tão tristes; ele pensou.
Tentou se aproximar, mas algo parecia lhe impedir. Simplesmente não conseguia se mexer. Sentiu um arrepio de medo correr suas costas. A muito não tinha aquela sensação; Alberich concluiu, olhou para cima e a única coisa que viu foram às placas de gelo desprenderem-se da montanha e caírem sobre si, junto com a água.
Tentou se levantar, mas alguém parecia lhe segurar. Debateu-se desesperado, mal conseguindo se mover.
-Calma; uma voz delicada e preocupada falou, tentando impedi-lo de levantar e acabar se machucando.
-Flér; ele falou, ao abrir os olhos e deparar-se com a jovem princesa.
-Calma Alberich; ela pediu, aflita.
Aos poucos o cavaleiro começou a se acalmar, olhou ao seu redor notando que ainda estava em seu quarto. Lembrou-se de ter acordado a algum tempo atrás, mas caíra inconsciente novamente.
-O que aconteceu? –Alberich perguntou com a voz enrouquecida, devido à água que engolira.
-Mime te encontrou perto da cachoeira, parece que o gelo quebrou e você acabou sendo atingido e desmaiou; ela explicou, colocando um pano com água quente sobre a testa dele. Agora ele parecia tremer de frio.
-A cachoeira; Alberich murmurou, lembrando-se do colar. Tentou se levantar, porém Flér o impediu.
-É melhor ficar deitado, você não está bem; ela falou preocupada.
-Mas...;
-Não seja teimoso, Alberich; Flér falou impaciente. –Sei como você fica teimoso quando esta doente é melhor ficar quieto, ou peço para o Haguen ficar vigiando a porta e te congelar se você tentar sair; ela falou com um sorriso divertido.
-Está bem, com esses argumentos não posso contestar; ele falou, dando-se por vencido e relaxando na cama.
Sempre fora assim, muitas vezes a jovem parecia frágil, a típica bonequinha de porcelana que todos queriam proteger, mas por vezes era muito teimosa, o que fizera com que eles se tornassem amigos há alguns anos atrás; ele lembrou-se.
-Fique quieto aqui, vou pedir que tragam para você uma sopa, você precisa se alimentar; ela falou se levantando.
-...; Alberich assentiu.
A jovem saiu do quarto, encostando a porta em seguida. O cavaleiro olhou fixamente para a porta vendo que ela demoraria a abrir-se novamente, afastou as cobertas pesadas do corpo. Não iria desobedecer Flér, ficaria no quarto, mas antes de descansar completamente, tinha que conferir uma coisa.
Levantou-se com dificuldade da cama, notando que agora vestia apenas uma calça fina, já que a camisa fora retirada junto com a blusa que molhara completamente. Aproximou-se de uma cadeira próxima a cama, notando que sua blusa estava pendurada ali.
Colocou a mão no bolso de dentro da mesma, notando um peso a mais ali. Fechou a mão, retirando algo de lá. Ao abri-la novamente prendeu a respiração, agora conseguia ver com perfeição o motivo de ter alagado metade do bosque próximo ao palácio.
Era um colar, talvez o mais lindo que já vira. Tão lindo quanto à bela deidade que aparecera em seus sonhos. Seus olhos brilharam extasiados, fixando-se naquele brilho, novamente veio a sua mente a imagem da jovem de cabelos dourados.
Lembrou-se que a viu caminhar em sua direção, com um belo vestido vermelho, semelhante aos usados pelas nobres de Asgard, cheio de adornos, com um decote favorecido e em seu pescoço, o colar. Ambos se completavam. Duas preciosidades que em qualquer outro canto do mundo que buscasse não encontraria igual.
-"Quem será ela?"; ele se perguntou, ouviu passos no corredor e rapidamente pegou o colar guardando-o sobre o fundo falso da gaveta do criado-mudo, voltou a deitar-se. Não demorou para que a porta fosse aberta novamente por Flér que trazia uma bandeja nas mãos.
III – Encontro Inesperado.
Santuário/ Grécia...
Mia subia as escadas com certa pressa. Precisava falar com Aishi, por isso estava indo até Aquário.
Parou estática ao notar que mais alguém estava em frente ao templo do aquariano. Aproximou-se com cautela.
-Mia; Mú falou, sentindo a presença da jovem atrás de si e voltou-se para ela.
-...; Mia assentiu. –Como vai, Mú? –ela perguntou, com a face rosada.
-Bem, mas parece que você também está atrás do Kamus ou Aishi? –ele comentou com um sorriso gentil.
-É, vim falar com Aishi, mas parece que ela não está; ela comentou, notando que o templo estava completamente fechado.
-Eu cheguei agora de pouco, mas chamei e ninguém atendeu, acho que eles não estão; Mú comentou afastando-se e caminhando até ela.
-Bem, acho melhor voltar outra hora então; Mia falou suando frio, querendo afastar-se.
-Ahn! Mia, espera; ele pediu, impulsivamente segurando-lhe pelo pulso.
-Uhn! –a jovem murmurou confusa, voltando-se para trás e deparando-se com o olhar enigmático do cavaleiro.
-Podemos conversar? –Mú perguntou.
A jovem abriu a boca para responder, quando a voz bem humorada do Escorpião os atrapalhou.
-Mú. Mia. Como vão? –Milo perguntou animado, aparecendo sabe-se lá de onde.
-Bem, Milo; Mú respondeu polidamente, soltando a jovem que deu um suspiro aliviado.
-Estou bem, e você? –Mia perguntou com um sorriso sem graça. Vendo que o sempre tão pacifico ariano, agora tinha um olhar que demonstrava todo o seu desejo em mandar o Escorpião para o Tártaro, por ser interrompido... De novo.
-Ótimo; ele respondeu com um largo sorriso.
-Uhn; Mia murmurou com ar desconfiado. Tinha alguma coisa diferente no cavaleiro.
-Mestre Mú; Celina falou, surgindo ao lado do cavaleiro.
-O que foi Celina? –ele perguntou calmamente.
-O papai pediu para você ir até o último templo, disse que quer falar algo com você; ela respondeu.
-...; Mú assentiu, já imaginava que as excentricidades do pai de primeira viagem não iriam acabar tão cedo, o mestre andava um tanto quanto preocupado com determinados pervertidos do santuário que estava surtando. –Já imagino o que ele quer; ele falou balançando a cabeça.
-Sabe? –Celina perguntou, mas parou notando os outros dois. –Oi; ela falou sorrindo.
-Oi; eles responderam.
-O mestre ta surtando de novo; Mú comentou.
-Uhn? –os três murmuraram confusos.
-Vamos lá Celina, é melhor resolver logo isso antes que alguém seja chutado de Star Hill sem merecer; ele comentou, sem notar que o aracnídeo ficara mais branco que papel. –Até mais pessoal.
-Até; os dois responderam.
Continua...
