Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Anieri, Nora, Sisi, Leda, Alana, Coralina e Aishi são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
Boa Leitura!
Capitulo 7: Mistérios.
I – Passado.
(Antes de Harmonia tornar-se mortal) 5 anos atrás...
-Pensei que não nos encontraríamos mais até a próxima Era? -Freya comentou.
Estava sentada em uma das torres mais altas do Vallhala quando viu as longas asas brancas surgirem em meio a neve e a jovem pousar a seu lado.
-Eu também; Harmonia respondeu, mas parou, voltando-se para a deusa, notando que algo estava errado. Freya sempre fora animada, mas seu olhar agora dizia outra coisa. –Aconteceu alguma coisa?
-Nada que possa ser resolvido; Freya respondeu desanimada, abaixando os olhos.
-Depende; Harmonia falou misteriosamente.
-...; Freya negou com um aceno.
-Ainda procura por ele? –Harmonia perguntou, vendo que dos orbes da jovem algumas lágrimas caíam e ao tocarem o chão transformaram-se em delicadas pepitas de ouro.
-Queria simplesmente esquecer; ela falou com a voz fraca.
-As coisas não são assim; Harmonia falou compreensiva.
-Harmonia, sei que não vou encontrá-lo, mas...; Freya fez uma pausa, serrando os punhos. –Não consigo simplesmente parar. Dizer a mim mesmo para desistir e esquecer;
-...; Harmonia assentiu.
Conhecia a historia da jovem, desde que perdera Odur passara os últimos séculos a procurá-lo, não conseguia simplesmente tocar a vida para frente, embora sempre estivesse tentando ocupar a mente com alguma coisa.
–Sabe, às vezes você me lembra o Anteros; Harmonia comentou.
-Quem? –ela perguntou confusa.
-Meu outro irmão;
-Porque? –Freya perguntou, curiosa.
-Uma vez ele foi flechado por Eros e se apaixonou por uma sereia, mas ela já havia se apaixonado por um mortal; Harmonia começou. –Ele nunca deixou de amá-la, mesmo tendo o poder para esquecê-la, preferiu simplesmente sofrer amando-a em silencio e compensar os erros que cometera por fazê-la sofrer do que desistir desse sentimento; a jovem completou, com o olhar perdido.
-Poder? Há que se refere? –Freya perguntou, interessada.
-As flechas de amor não correspondido por vezes podem levar ao esquecimento; Harmonia respondeu, meio sem pensar. –Anteros poderia ter usado em si mesmo a flecha e esquecido o que sentia, ou simplesmente lacrar esse sentimento aonde não pudesse encontrar;
-...; Freya calou-se. Um pensamento começou a formar-se em sua mente, porém teve o fio interrompido por Harmonia.
-Faltam três anos agora; Harmonia falou lhe chamando a atenção.
-Então nos despedimos aqui? –a jovem perguntou, com ar triste, eram amigas há muitas séculos e sabia que Harmonia não voltaria atrás se tivesse de tomar alguma decisão radical.
-...; Harmonia assentiu. –Que as Deusas do Destino lhe protejam, Freya; ela falou se levantando.
-A você também, minha amiga; ela respondeu.
Uma cortina de neve formou-se em volta da jovem, quando a mesma caiu até o chão, Harmonia não estava mais ali e talvez nunca mais viesse a ver aquelas asas tão brancas quanto à neve abrirem-se perto de si novamente; Freya pensou.
-"Não se preocupe, vou cumprir minha promessa Harmonia, nem que seja a ultima coisa que eu faça"; Freya pensou.
II – Preparativos.
Caminhou com pressa conferindo se tudo estava no devido lugar. Olhou mais uma vez para a mesa principal. Tudo perfeito.
-Parece preocupada Leda, algum problema? –uma voz sedutora, sussurrou-lhe ao pé do ouvido.
A jovem de longos cabelos violeta e orbes lilases, serrou os punhos nervosamente, afastando-se.
-Deseja alguma coisa, Senhor? –ela perguntou ferina, voltando-se para o guerreiro deus de Algol.
-Tem certeza de que quer saber? –Bado perguntou, com um sorriso maroto.
-Se não é nada, com licença, ao contrario do Senhor, tenho mais coisas para fazer; Leda falou, tentando passar por ele.
Era incrivelmente difícil cumprir os seus desígnios, tendo que estar alerta para qualquer aparição daquele cavaleiro, que nos últimos dias não lhe dava sossego.
-Calma, estou em missão de paz; ele se defendeu, segurando-lhe pelo braço, impedindo-a de afastar-se.
-Me solta, por favor; ela tentou manter-se educada e não perder a paciência, porém era difícil. Bastante difícil...
-Só quero conversar... Apenas conversa Leda; Bado falou, com um sorriso jocoso nos lábios.
Leda voltou-se para o cavaleiro com um olhar mortal, que fê-lo soltar-lhe e recuar surpreso. Estava acostumado a provocar a jovem, porém o mínimo que acontecia era vê-la bufar irritada e afastar-se, mas esse olhar gelado, não era típico dela.
-Com licença; Leda falou com a voz tão cortante quanto uma navalha, puxando o braço com força e dando-lhe as costas.
Bado piscou confuso, isso não era normal, mas quem podia dizer que os últimos dias estavam sendo normais e aquela energia que sentira a pouco era a pior parte disso tudo.
-Você não aprende; alguém falou, com ar de reprimenda atrás de si.
-O que quer? –Bado perguntou, virando-se e deparando-se com o irmão.
-Deixe a garota em paz, Bado. Qualquer hora ela vai perder a paciência e você terá problemas; Shido balançando a cabeça. Bado ficou em silêncio, o que pareceu surpreender o irmão, que esperava uma reação no mínimo indignada sobre não estar fazendo nada e que era inocente até que se provasse o contrario. –O que foi?
-Você sentiu esse cosmo? –Bada perguntou sério.
-...; Shido assentiu. –Isso não me cheira bem;
-Melhor irmos falar com Siegfried; ele falou, vendo o irmão assentir.
-o-o-o-o-
-"Finalmente"; Leda pensou aliviada, vendo-os se distanciarem.
-Leda; Anieri chamou, parando atrás da jovem, viu a mesma virar-se e pedir que fizesse silêncio.
No hall principal, Aishi e Kamus estavam vindo acompanhados de Siegfried e Hilda, conversando animadamente.
-Quem é ela? –Leda perguntou, apontando para a amazona.
-Uma amazona do santuário; Anieri respondeu. –Porque?
-Não é uma pessoa comum; Leda comentou com olhar intrigado. Engoliu em seco, viu a amazona virar-se em sua direção e poderia jurar que ela olhara diretamente para si. Uma corrente gelada pareceu envolver-lhe, mas da mesma forma que surgiu, desapareceu... Rapidamente.
-Não mesmo; Alana falou, aproximando-se das duas. –Mas não se preocupem, Hilda disse que eles não são inimigos, alem do mais, Aishi é amiga de nossa Senhora; ela completou.
-Como? –as duas perguntaram espantadas.
-...; Alana assentiu. –Eles estão em missão de paz e possivelmente podem ajudar a resolver alguns problemas, não se preocupem; ela completou.
-...; Anieri e Leda assentiram, estranhamente aliviadas diante dessa informação.
III – Margaridas.
Caminhava calmamente pelos campos nevados. Sabia que poderia encontrá-las ali; a jovem de cabelos castanhos e encaracolados pensou.
Sentiu um arrepio de frio cruzar-lhe as costas e voltou-se para trás. A poucos metros de onde estava avistou vários pinheiros que davam inicio a um bosque. Balançou a cabeça, estava sendo paranóica de novo; Aldrey pensou, continuando a caminhada.
Ergueu os orbes para cima, de onde estava já podia identificar as torres do palácio, franziu o cenho, algo nas torres daquele lugar lhe chamava a atenção.
Estava a poucos metros do jardim que encontrara há pouco tempo, na verdade não era exatamente um jardim, mas era o único lugar que poderia encontrar flores tão sutis e belas como aquelas margaridinhas que lutavam bravamente para sobreviver ao frio.
-"Uhn, eu sei que é por aqui"; ela pensou, colocando um dedo sobre os lábios, fazendo ar pensativo.
Os orbes amendoados cintilaram, ela era singular em tudo, o modo delicado como caminhava e o jeito de falar. Era dotada de uma beleza exótica e incomparável.
Aldrey aproximou-se de um pequeno amontoado de neve, ajoelhou-se no chão, erguendo parcialmente o vestido pesado que usava, junto com a capa. Viu um montinho de neve e colocou suas mãos sobre ele afastando a mesma, logo deparou-se com o marrom da terra sobre seus dedos e pequenos brotos bancos surgiram, tirando-lhe um olhar encantado.
Encoberto pela neve, ali estava um belo canteiro de margaridas, que nem nos jardins do palácio poderiam ser encontradas iguais.
Virou-se para trás incomodada, como se sentisse algo ou alguém a lhe observar.
Um par de orbes dourados lhe observava atentamente, antes do dono deles afastar-se calmamente sem ser notado.
-"Pelo menos você esta bem"; Anteros pensou, desaparecendo em meio aos frondosos pinheiros.
Aldrey observou atentamente o local que o jovem estivera, deu um pulo de susto ao ver algo se mover entre as folhagens, mas sorriu aliviada, vendo um pequeno cervo de pelo castanho aproximar-se.
-Oi; ela falou, com um sorriso calmo. –Vem aqui; a jovem chamou, acenando para o cervo, viu-o observar-lhe desconfiado, aproximando-se com cautela.
O cervo parou ao lado da jovem, notou as margaridas entre as mãos dela abaixando a cabeça com calma.
-Você gosta? –Aldrey perguntou, erguendo um pequeno buquê que fizera para que ele pudesse sentir o cheiro.
O cervo cheirou as flores, aspirando profundamente a essência. Voltou-se para a jovem sem aquela desconfiança em seu olhar, notou-a ainda manter o buquê entre as mãos.
Antes que ela pudesse abaixar o buquê, ele acabou por pegar algumas com a boca.
-Hei, não é de comer; ela falou indignada, por vê-lo arrebatar-lhe o buquê inteiro com uma segunda abocanhada.
O cervo pareceu não ligar, pelo contrario, devorou as delicadas flores como se apreciasse cada pétala, lançou um olhar curioso a jovem, vendo que atrás dela existiam mais.
-Ah, não mesmo; Aldrey falou, colocando-se na frente dele.
O cervo abaixou a cabeça como se tencionasse passar sem nem se importar com quem estivesse no caminho, porém um assovio tirou-lhe a atenção.
-CERES; alguém gritou, o cervo ergueu a cabeça reconhecendo a voz.
-Uhn, então seu nome é Ceres; Aldrey falou, vendo-o virar-se novamente para ela. Agora notara que não era bem um cervo e sim uma corsa.
Notou no olhar do animal um terrível impasse, passar por ela e pegar as flores ou atender ao chamado.
Do meio de algumas folhagens uma jovem de cabelos alaranjados e orbes cinza apareceu, carregava consigo uma fina flauta de assovio e nas costas um arco e uma aljava com flechas. A corsa afastou-se correndo até ela. Abaixou a cabeça como se estivesse se desculpando por não ter ido ao primeiro chamado.
-Ceres, o que estava aprontando? –ela perguntou, passando a mão sobre a cabeça da corsa.
Viu a mesma afastar-se correndo até Aldrey, porém apontando para o canteiro de margaridas que ela ainda tentava proteger.
-Uhn! Quem é você? –Coralina perguntou, notando a jovem, que travava uma disputa de olhares com suas corsa de apetite de leão.
-Aldrey; ela respondeu levantando-se, ainda mantendo o olhar sobre Ceres.
-Ceres, afaste-se; Coralina mandou, Ceres voltou-se contrariada para ela, mas diante do olhar de Coralina, afastou-se bufando frustrada. –Me desculpe, ela é doida por flores; a jovem completou com um sorriso sem graça.
-Tudo bem; Aldrey falou sorrindo. –Mas quem é você?
-Coralina; a jovem falou estendendo-lhe a mão.
-É um prazer te conhecer; ela respondeu, aceitando o cumprimento.
-Mas me diga uma coisa Aldrey, tava fazendo o que por aqui? –Coralina perguntou curiosa, lançando um olhar para todos os lados.
-Colhendo margaridas; ela respondeu simplesmente, apontando para o pequeno canteiro que quase fora atacado por Ceres.
-Margaridas, nunca vi; a jovem respondeu, abaixando-se com o cenho franzido.
-É difícil achar essas flores aqui em Asgard; Aldrey respondeu. –Eu mesmo, às vezes tenho que procurar muito para achá-las, nem sempre elas conseguem resistir à neve.
-Interessante; ela murmurou, pegando uma entre os dedos. Observando atentamente a pequena flor. –Parece uma miniatura da gérbera; Coralina comentou, viu que Ceres aproximava-se de fininho para atacar as flores novamente. –Ceres; ela falou, voltando-se para corsa, com os orbes estreitos.
-Nunca viu margaridas? –Aldrey perguntou curiosa.
-...; Coralina negou com um aceno, vendo o olhar da jovem. –Bem... De onde eu venho não é sempre que vemos essas coisas, devido à temperatura; ela completou com um sorriso sem graça.
-De onde você vem? –Aldrey perguntou, curiosa.
-Hellsink; ela respondeu com simplicidade. –Dificilmente eu acho esse tipo de flor na Dinamarca nessa época. Lá não é tão frio quando Asgard, mas o tempo que passei lá era sempre inverno, então não dava pra ver essas flores.
-Entendo; Aldrey murmurou.
-Mas e você?
-O que? –a jovem perguntou, surpresa.
-De onde vem?
-Ahn... Bem; ela balbuciou.
-Se não quiser falar sobre isso tudo bem; Coralina falou, vendo que ela parecia incomodada.
-Não é isso, é que...; Aldrey começou, respirando fundo. –Eu não lembro; ela confessou.
-Ahn? –a jovem de cabelos alaranjados perguntou, arqueando a sobrancelha. –Como assim não lembra?
-...; A jovem apenas abaixou a cabeça. –Não lembro, não sei o que aconteceu, mas não lembro de nada sobre a minha vida; ela confessou.
-"Estranho, como isso é possível?"; Coralina perguntou-se intrigada. –Bem, não lhe culpo, às vezes a gente esquece mesmo; ela tentou desviar do assunto. –Mas me conta, você ta perdida ou mora aqui por perto?
-Moro numa casa aqui perto; Aldrey respondeu, aliviada por mudarem de assunto, simplesmente não entendia muitas coisas e falar sobre elas sempre a deixava inquieta.
-Quer que eu te acompanhe, assim você não volta sozinha, pode ser perigoso; Coralina sugeriu.
-Se não for incomodar; a jovem apressou-se em dizer. A verdade era que ainda se sentia incomodada com a possibilidade de alguém lhe espreitar.
-De maneira alguma, vamos; ela falou, vendo a jovem começar a indicar-lhe o caminho que deveriam seguir.
III – O Cavalo de Tarpan.
O cavaleiro de Tarpan era conhecido como o Cavalo Selvagem. Um belo puro sangue russo, conhecido por ser indomável. Infelizmente hoje, esse belo animal não caminha mais sobre essa terra, precisamente no ano de 1876 o ultimo da espécie morreu no zoológico de Moscou/ Rússia. Hoje devido à evolução da genética, cientistas estudam as formas de usarem os genes de seus descentes para com os princípios da clonagem, conseguirem fazer com que esse animal volte a existir como a raça pura que era.
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Passou a mão nervosamente pelos logos cabelos negros, que caiam numa cascata cacheada pelas costas. Sentiu uma energia estranha no ar e isso não era um bom sinal; a jovem pensou, deixando seus orbes correrem pelo estábulo do palácio.
Viu até mesmo os cavalos relincharem assustados, havia alguma coisa errada, só não sabia ao certo dizer de onde aquilo vinha; Sisi pensou, olhando para todos os lados.
-"Estou ficando paranóica"; ela pensou, caminhando pelas baias verificando o estado de cada animal.
No ultimo, deparou-se com um belo cavalo negro. Esse não fazia parte dos cavalos que pertenciam à família real. Aquele puro sangue era seu e orgulhava-se do ótimo tratamento que lhe dava.
-Você também sentiu, não é Diamante; ela falou, deixando os dedos se entrelaçarem na crina de fios lisos e negros do animal.
Ouviu-o relinchar como se concordasse consigo. Estava intrigada, pela manhã ficara sabendo da chegada de representantes do Santuário de Athena, mas pelo pouco que vira do casal, não eram pessoas hostis, pelo contrario, sentia uma energia muito poderosa vinda deles, que não era repressora e sim pacifica, mas sentiu outra presença manifestar-se no ambiente e isso sim era o ruim.
-Sisi; alguém chamou atrás de si.
-Senhorita Flér; ela falou, deparando-se com a princesa. Viu-a olhar para todos os lados, constatando que não havia mais ninguém por perto.
-Por favor, me chame só de Flér agora; ela pediu, enquanto aproximava-se.
-Estar certo; a jovem respondeu com um meio sorriso. –Então, que novidades lhe trás aqui?
-Existem algumas coisas que precisam ser discutidas, vamos resolver isso hoje à noite, no horário de sempre. Ai lhe explico melhor o que esta acontecendo; a jovem falou, ainda olhando para os lados.
-...; Sisi assentiu, vendo-a se despedir com um aceno e voltar pelo caminho que fizera. Quem sabe isso pudesse lhe esclarecer algumas duvidas que estavam surgindo; ela pensou.
Continua...
