Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Anieri, Nora, Leda, Adélia, Celina, Alana, Lif, Mia, Sisi, Coralina e Eldar, são criações únicas e exclusivas minha para essa saga.
Boa leitura!
Capitulo 9: Noite Longa.
I – Verdades.
A sala de reuniões caiu no mais completo silêncio. Cada cavaleiro tinha o olhar perdido, com suas próprias duvidas quanto ao que Hilda acabara de lhes contar sobre tudo que acontecera nos últimos três anos.
-Eu disse que ela não era uma amazona comum; Adélia sussurrou, para Anieri e Nora que assistiam a reunião de uma parede falsa da sala, que as mantinha oculta de todos.
-Harmonia, quem diria que uma divindade ia fazer algo assim; Nora comentou, surpresa.
Anieri assentiu, silenciosamente. Ouvira tudo que Hilda contara sobre o que acontecera no santuário há algum tempo atrás. A ultima batalha entre os deuses gregos e cavaleiros do santuário de Athena. A escolha da deusa em deixar de lado os imortais para viver no santuário e trazê-los de volta a vida.
Deu as costas as duas, tomando o rumo da cozinha. Precisava conversar com Alana; ela pensou.
-o-o-o-o-
Continuava a correr em meio à neve, não se importava com o risco, precisava apenas chegar a Alfihein, a terra de Eldar. Somente lá conseguira as respostas que precisava; Leda pensou.
Atrás de si, uma loba branca corria tentando seguir seus passos.
-Vamos Lif; ela falou, vendo que a loba vez ou outra ficava apenas com a cabeça para fora da neve.
Respiravam com dificuldade, fazia pouco mais de uma hora que saira do palácio, desde que sentira aquela energia estranha não conseguia se aquietar, até Alana aparecer, pedindo que fosse a Eldar, buscar por algumas respostas.
A tempestade de gelo aumentou, um furacão as envolveu, fazendo-as caírem no chão. Leda buscou por Lif, mas não conseguia vê-la, sentiu os olhos pesarem, caindo inconsciente. Iria morrer; foi a única coisa que pensou.
-o-o-o-o-
Não fazia muito tempo que chegara ao palácio. A pouco mais de uma hora recebera o chamado de Alana e viera, estranhamente Ceres parecia ter se dado bem com sua mais nova amiga, então, como vira que a jovem estava completamente sozinha, preferiu deixar a corsa com ela e voltar para buscá-la depois.
-Coralina; Alana chamou, pedindo que ela a acompanhasse.
-Algum problema Senhora? –ela perguntou.
-Hilda já contou para os cavaleiros sobre Harmonia e a troca equivalente; ela respondeu.
-Como? –a jovem perguntou surpresa, por não saber a que ela se referia.
-Venha, vou lhe explicar e dizer o que terá de fazer depois;
-...; A jovem assentiu, seguindo-a para a despensa do palácio. Uma espécie de porão, aparentemente escuro e frio, mas que revelava-se como algo bem mais interessante do que alguns de seus moradores poderiam imaginar.
II – Velhos conhecidos.
Massageou as temporas, tentando evitar que sua cabeça latejasse. Tantas informações adquiridas em um espaço menor do que vinte e quatro horas a estava atordoando; Aishi pensou, vendo Mia e Freyr sentados com ela e Kamus na sala-de-estar de Aquário.
O deus acabara de lhe contar sobre o desaparecimento de Freya e o cosmo que se manifestara em Asgard.
-Faz muito tempo que não a vejo, não faço nem idéia de onde poderíamos começar a procurar; Aishi falou, por fim.
-Não adianta, já procurei em todos os lugares possíveis e impossíveis; Freyr respondeu. –Freya sumiu e esse cosmo que apareceu agora não é um bom sinal.
-Ela pode não estar escondida; Mia comentou. –Mas poderia estar usando uma outra aparência;
-Isso justificaria o fato de eu não conseguir encontrá-la, mas o cosmo não tem como; Freyr respondeu.
Aishi parou por um momento, com ar pensativo. Algumas coisas começavam a fazer sentido.
-Quanto tempo vai ficar em Atenas, Freyr? –Aishi perguntou, voltando-se para ele.
-Parto ainda essa noite; ele respondeu. –Preciso voltar a Alfihein; o jovem completou.
-A terra de Eldar; Mia murmurou, com ar pensativo.
-Como? –Kamus perguntou, confuso.
-Os elfos da luz; Freyr respondeu.
-Bem vou ver o que posso fazer pra localizá-la, ai lhe aviso, agora de imediato vamos cair no zero novamente, porque faz um bom tempo que não sinto o cosmo dela; Aishi respondeu.
-...; Freyr assentiu. –Eu agradeço Harmonia, desde que me casei e Freya também, acabamos nos distanciando um pouco, mas esse desaparecimento dela me preocupa, você sabe, ela sempre foi um pouco inconseqüente, mas sumir desse jeito nunca;
-Não se preocupe, em que pudermos ajudar, pode contar conosco; Kamus falou, compreensivo.
-Obrigado novamente; ele falou estendendo a mão ao cavaleiro, que aceitou o cumprimento. –Agora tenho de ir;
-Até mais; os dois falaram, acompanhando ele e Mia até a porta. Viram os dois se despedirem com um aceno e descerem as escadas.
-Aishi, o sumiço de Freya por acaso tem algo a ver com o que vimos em Asgard? –Kamus perguntou, vendo que ela ficara em silêncio, enquanto voltavam para dentro.
-Não sei Kamus, mas aquela energia que senti, não é uma coisa boa, pelo contrario. Não duvido que Asgard possa ser atacada por algo a qualquer momento;
O cavaleiro ficou em silencio, sabia a que ela se referia, mas agora só poderiam esperar e interferir se fosse o caso.
-o-o-o-o-
Desceram as escadas no mais completo silêncio. Era hora de se despedirem. Já haviam descido todos os templos, parando agora na frente de Áries.
-Até mais; Mia falou.
-Até; Freyr respondeu, voltando-se para ela. –Se um dia voltar a Asgard, não deixe de visitar Alfihein; ele completou sorrindo.
-Pode deixar e se souber de algo sobre Freya me avise, por favor; ela pediu.
-...; Freyr assentiu, terminando de descer as escadas de Áries e tomando o caminho para onde deixara seu cavalo.
Mia viu-o se distanciar, sentando-se num dos degraus. Tinha o olhar perdido, lembrando-se de tudo que vivera até agora. Sentiu a presença de alguém a seu lado, não era necessário virar-se para saber quem era; ela pensou.
-Esta tudo bem com você Mia? –Mú perguntou, sentando-se ao lado dela, vendo a jovem distante.
-Esta sim; ela respondeu sorrindo. –Mas e você, como tem passado?
-Bem; o cavaleiro respondeu com ar sereno. –Mas você não me parece bem, não adianta, não me convenceu; ele completou rapidamente, antes que ela pudesse contestar.
-...; Mia suspirou cansada. –Uma amiga minha desapareceu; ela começou.
-Quem? –ele perguntou.
-Freya;
-Você esta se referindo a-...; Ela apenas assentiu, antes que ele continuasse.
-Quando eu era pequena, conheci a Freya, ela era amiga da minha mãe. Durante boa parte do tempo que vivi num vilarejo que fazia fronteira com Asgard vez ou outra eu a encontrava. Agora, faz um bom tempo que não vou pra lá, ou tenho noticias dela; a amazona explicou. –Hoje Freyr veio ao santuário e contou que ela sumiu, não sei, mas tenho um pressentimento ruim.
-Ficar assim não vai ajudar em nada; ele falou, calmamente.
-Mas...; A jovem voltou-se pra ele com os orbes marejados. Como explicar que se não fosse o apoio incondicional da amiga, talvez não fosse metade do que era hoje.
-Calma; Mú falou, puxando-a para um abraço terno, sentindo-a aconchegar-se entre seus braços, aumentando ainda mais o choro. Franziu o cenho, sentindo-se inquieto, não queria vê-la chorando, alias, simplesmente não sabia como fazê-la parar. –Não vai acontecer nada de mal a ela; ele completou.
-...; Mia ergueu os olhos, deparando-se com o olhar intenso do cavaleiro sobre si. Sentiu-o tocar-lhe delicadamente a face, apagando o rastro úmido. Fechou os olhos, dando um suspiro relaxado, era tão bom poder ficar assim com ele; ela pensou.
Sentiu a respiração quente e ritmada chocar-se contra sua face. Um breve roçar de lábios, enquanto ambos esperavam ansiosos por um contato maior.
-MESTRE; Celina chamou de dentro do templo, procurando pelo cavaleiro.
Mia abriu os olhos rapidamente, levantando-se...
-Ahn! É melhor eu ir; Mia comentou, com a face em brasas.
-Mia, prec-...; Mú falou, tentando aproximar-se, porém ambos ouviram os passos da jovem aproximando-se.
-Até mais Mú; ela falou, praticamente descendo as escadas correndo.
-"Droga"; ele pensou, recriminando-se mentalmente por perder mais uma oportunidade de falar com a jovem.
III – Clube da Luluzinha.
Há noite já cairá em Asgard, porém para aquelas jovens estava apenas começando. Com passos silenciosos elas desciam uma escada dentro da despensa da cozinha, encaminhando-se para uma espécie de porão oculto.
À frente delas, Alana caminhava a passos lentos, com uma tocha nas mãos, atrás de si, Hilda e Flér desciam as escadas a passos calculados para não escorregarem nos degraus úmidos, seguindo a senhora numa perfeita fila indiana, enquanto Anieri, Sisi, Nora, Adélia e Coralina vinham em seguida.
Depararam-se com uma parede dentro do porão ao final da escada, mas misteriosamente essa parede abriu-se, mostrando uma grande sala, com uma larga mesa no centro e precisamente dez cadeiras em volta e uma na cabeceira.
-Vamos, não temos a noite toda; Alana falou, seguindo para dentro.
As outras assentiram, entrando no local. A porta de pedra rapidamente se fechou atrás de Coralina que era a ultima do grupo a entrar.
Alana atravessou a sala, parando em frente a um archote, deixou que a chama da tocha que tinha em mãos, queimasse um pequeno pedaço de tecido desgastado sobre o archote, fazendo-o acender e como por mágica, os demais acenderam-se sem que ela se aproximasse.
Cada uma das garotas tomou seu devido lugar a mesa, enquanto Alana sentou-se na cabeceira, como atual líder das Valkirias, em nome de Freya.
-Aonde esta Leda? –Hilda perguntou, sentindo a falta da jovem.
-Pedi a ela que fosse a Eldar; Alana respondeu calmamente.
-Senhora, afinal de contas, de quem era aquela energia que sentimos pela manhã? –Nora perguntou impaciente.
-Não sei lhe responder Nora; Alana respondeu pacientemente. –Mas essa energia é tão poderosa que obliterou a existência de Hell de seu reino;
-Como? –todas perguntaram exaltadas.
-Exatamente. Não sei quem esta exterminando os últimos deuses dessa terra, mas pode ter certeza, não duvido que nossa senhora seja uma das divindades da lista;
-Mas Alana faz muito tempo que não sinto a presença de Freya em Asgard; Hilda falou. –A mais de cinco anos; ela completou.
-Eu sei Hilda, a exatos cinco anos o cosmo dela desapareceu e nenhuma de nós é capaz de localizá-la; ela explicou.
-Então? –Flér perguntou, voltando-se para a senhora. –Como podemos defender Asgard, sem saber contra o que estamos lutando?
-Espera; Anieri falou prontamente. –Hell se foi e Freya pode ser a próxima da lista, isso quer dizer que outras divindades que estão nessa terra podem também ser o alvo e nos mostrar um padrão; a jovem falou.
-Explique melhor, Anieri; Sisi pediu.
-Fenris, Jormungand e Angerlus também são filhos de Loki e possuem os mesmos poderes do fogo. Como sabemos da mitologia, Loki era um deus muito poderoso, embora inconseqüente. Agora, se Hell foi morta, possivelmente um desses três faz parte da lista, dificilmente vamos achar Angerlus por ai, mas Fenris ainda está lacrado naquela caverna; a jovem explicou.
-Concordo, Angerlus pode se ocultar facilmente, ainda mais que tem a forma gasosa, tomando a aparência de um fantasma, mas Fenris está lacrado; Coralina comentou.
-Como assim lacrado, pensei que ele tivesse sido morto por Vidar (1) no primeiro Ragnarok; Adélia falou, alarmada.
-Muitos deuses morreram, como o próprio Odin que morreu pelas garras de Fenris e Loki pelas de Hemdall, mas devido à interferência de Caos, antes de deixarem de existir nesse mundo, alguns foram apenas lacrados. Antes do Ragnarok Fenris estava lacrado, então assim, ele voltou a essa forma, transformando-se numa espécie de rocha dentro da caverna, mas no interior, continua sendo o mesmo lobo; Hilda explicou.
-Hilda esta certa, muitas coisas desde a ultima batalha sofreram com a intervenção direta de Caos; Alana falou de forma enigmática.
-Está certo, então Fenris (2) está lacrado, mas e daí? –Nora perguntou, batendo a ponta dos dedos impaciente sobre a superfície da mesa.
-Ele é o próximo alvo, é mais fácil pegar alguém que não vai reagir; Sisi respondeu, voltando-se para ela.
-Se não me engano Fenris pode estar lacrado em Nidavellir (3); Coralina comentou.
-A terra dos anões; Flér completou.
-Creio que seria melhor alguém ir até lá, pra ter certeza de que Fenris está lacrado e se existe alguma coisa estranha na região; Hilda sugeriu.
-Eu vou; Anieri falou prontamente.
-Mas é muito perigoso; Flér interferiu.
-Não se preocupe, posso ir ainda essa noite e pela manhã já estou de volta; ela explicou.
-Não faça nada, apenas verifique como estão as coisas por lá, procure não se aproximar demais das montanhas, apenas da toca de Fenris; Alana instruiu.
-...; A jovem assentiu, levantando-se. –Até mais;
-Até...; As demais falaram, vendo-a sumir pela passagem.
-Isso não é um bom sinal; Hilda murmurou, suspirando cansada. –Os deuses estão em paz, mas os gigantes ou sabe-se lá o que pode atacar a qualquer momento.
-Infelizmente Hilda os gigantes não seguem a mesma ética dos deuses, mas não sei se o dono daquela energia que sentimos pode ser qualquer um dos dois; Sisi falou de maneira sombria.
-O que quer dizer com isso? –Flér perguntou confusa.
Alana fitou a jovem silenciosamente, muitas coisas estavam para acontecer, preparara-se para isso durante muito tempo e agora não iria permitir que a Terra Media caísse por um ser daquela espécie; ela pensou.
IV – Passo a Passo.
Levantou-se da cama já com as roupas no corpo, tentando não chamar a atenção, saiu silenciosamente do quarto. No hall de entrada do palácio tudo estava no mais completo silencio, apenas alguns guardas estavam lá fora fazendo a rendo de rotina; ele pensou. Enrolando-se em uma pesada capa, que impedia que o brilho violeta de sua armadura chamasse a atenção sob qualquer luz.
Foi em direção a cozinha, aproveitando a porta da mesma para sair. Lançou um ultimo olhar ao palácio, enquanto desatava a correr pela noite. Tinha que tirar algumas coisas a limpo, a energia que sentira lhe deixara extremamente alarmado e ao que tudo indicava, sabia perfeitamente o que aquilo queria dizer.
-o-o-o-o-
Um pequeno pio lhe chamou a atenção, rapidamente a jovem escondeu-se entre a sombra de uma árvore. Intimamente recriminou-se por ter esquecido que era noite de lua cheia e esconder-se nas sombras ficava cada vez mais difícil.
-Hórus; Anieri sussurrou vendo o falcão pousar a poucos passos de onde estava.
A ave pareceu escutar seu chamado, rapidamente levantando voou, escondendo-se entre as sombras de alguns pinheiros. Lá ficaria seguro e ninguém o notaria; era melhor assim; a jovem pensou.
Anieri arriscou-se a olhar para a caverna de Fenris, faltavam poucos metros para estar lá dentro e saber se o grande lobo ainda estava acorrentado ali, silenciosamente começou a andar. Parou bruscamente sentindo novamente aquela energia que sentira pela manhã manifestar-se dentro da caverna.
Sentiu um peso sobre o próprio corpo e as costas chocarem-se bruscamente contra o tronco de uma arvore. Arregalou os olhos, ao sentir alguém tapar-lhe a boca para não gritar.
-Xiiiiiii; ela ouviu-o murmurar, devido à capa que lhe encobria a face, não conseguia ver quem era, apenas que era um homem.
De soslaio, ambos viram uma estranha criatura sair da caverna, tinha o corpo praticamente desnudo, se não fosse por uma tanga a cobrir-lhe abaixo da cintura. Tinha o corpo de um homem comum, porém a calda semelhante à de um crocodilo nas costas, lhes dava a certeza de que não era nem um pouco humano.
Anieri ouviu o estranho suspirar aliviado e lhe soltar. Viu-o tirar o capuz da cabeça, fazendo-a prender a respiração.
-"Loki"; ela pensou, sentindo a cor abandonar-lhe a face.
-Não deveria sair sozinha por ai, Valkiria; ele falou num sussurro, afastando-se. –Tome cuidado ao voltar pro palácio ou poderá ter problemas;
A jovem ficou petrificada, como ele poderia saber? –ela pensou, mas antes que pudesse ordenar os pensamentos, viu-o se afastar, desaparecendo em meio à neve.
-"Por Odin, ele sabe"; Anieri pensou, deparando-se com a terrível realidade de que, quem ela mais detestava, sabia do segredo mais bem guardado por Asgard desde os primórdios.
V – Um Lobo Ferido.
Emitiu um baixo gemido de dor, remexendo-se insistentemente na cama, levantou-se bruscamente, sendo segurada pelos ombros por mãos delicadas e quentes. Céus, como sentia frio; Leda pensou.
-Calma; ouviu uma voz serena falar-lhe.
Abriu os olhos com dificuldade, deparando-se com um quarto simples, paredes e moveis de madeira, pela janela próxima de onde estava pode notar que já era manhã. Onde estaria?
-Você esta em Alfihein, pequena;
Leda voltou-se na direção da voz, deparando-se com o olhar calmo de um jovem de melenas azuis, tinha os orbes dourados tão calmos que pareciam lhe entorpecer.
-Quem é você? –ela perguntou num sussurro, deixando-se cair na cama, sem oferecer mais resistência.
-Pode me chamar de Eldar, sou o líder dos elfos de Alfihein em nome de Freyr; o jovem falou, com um doce sorriso.
Eldar esse nome lhe era familiar. Era o mesmo dado ao vale dos elfos da luz, mas se aquele a sua frente tinha o mesmo nome, ele só poderia ser quem Alana lhe mandara procurar. O príncipe dos elfos; ela concluiu.
A jovem observou-o atentamente. Os cabelos eram lisos, caindo possivelmente até o meio das costas, presos de forma delicada por uma pequena tira de couro, a franja rebelde, caia displicente vez ou outra por sobre os olhos. E as orelhas, duas coisinhas delicadas e pontudinhas; ela não pode evitar reparar. Um elfo, quem diria que viveria pra ver um elfo, ainda mais com aquele ar aristocrático e as roupas um tanto quanto clássicas demais para a época em que viviam, mas ainda sim, só serviam para deixá-lo mais belo e surreal.
-E qual o seu nome, Senhorita? –Eldar perguntou, notando o olhar curioso da jovem sobre si. Era sempre a mesma coisa, poderiam passar séculos, mas os humanos ainda iriam continuar achando que seres mitológicos são só fruto da imaginação super criativa de Wagner, Shakespeare e afins, que escreveram operas sobre eles.
-Leda; ela respondeu com a voz enrouquecida, devido ao gelo. –Aonde esta Lif? –a jovem perguntou alarmada, lembrando-se da loba que estava consigo.
-Acalme-se, ela esta bem; ele respondeu, apontando para a outra extremidade do quarto, próximo a uma lareira acesa, a loba prateada estava deitada sobre um tapete felpudo, aquecendo-se.
-Como cheguei aqui? –ela perguntou confusa.
-Eu e alguns elfos estávamos voltando para Alfihein e encontramos vocês no meio da neve, creio que pegaram uma tempestade, mas para onde você ia? –ele perguntou, com um olhar sereno.
Se fitasse por muito tempo aquele olhar, ou cairia no sono ou responderia tudo o que ele quisesse saber sem oferecer resistência alguma; ela pensou.
-Vinha pra cá; Leda respondeu, com simplicidade.
-Alguém lhe mandou aqui? –o jovem perguntou, com ar sério.
-Alana; ela balbuciou, lembrando-se do que a senhora lhe pedira pra fazer na terra de Eldar.
Eldar parou por um momento, com ar pensativo. Esse nome lhe era bastante familiar, na verdade muito.
-É melhor descansar um pouco, vou deixá-la agora, se precisar é só chamar que alguém vira; ele falou se levantando.
-Mas preciso voltou para Asgard; Leda falou, querendo se levantar.
-Não se preocupe Leda; ele falou calmamente, segurando-a pelos ombros, fazendo-a voltar a deitar-se, fitou-a intensamente com os orbes dourados.
Sentiu uma onda de torpor lhe atingir, caindo em um sono profundo. Eldar puxou novamente a colcha que a cobria, de forma que a mesma não caísse da cama, viu-a remexer-se momentaneamente na cama e não acordar.
Com passos calmos saiu do quarto, encostando a porta sem fazer barulho. Lif voltou-se na direção que o jovem estava, porém voltou a deitar a cabeça entre as patas, seu instinto dizia que estava tudo bem.
-o-o-o-o-
-Como ela esta senhor? –um elfo de aparência idosa perguntou, aproximando-se do rapaz.
-Esta se recuperando, se tivesse ficado um pouco mais no meio daquela neve, teria morrido; ele respondeu com pesar.
-De onde ela vem, senhor? –o idoso insistiu, vendo que Eldar parecia mais avoado do que o normal.
-Asgard, a mando de Alana; o jovem respondeu.
-Isso não é um bom sinal; o idoso balbuciou.
-Vamos deixá-la descansar e se recuperar, depois vou ver o porque de Alana tê-la mandado até aqui; ele completou, afastando-se antes que o idoso pudesse questionar-lhe por mais alguma coisa.
Continua...
Nota:
(1) Vidar: era filho de Odin, considerado como uma das divindades mais poderosas e prestigiadas.
(2)Fenris: originalmente o nome é Fenrir, mas optei por usar essa versão do nome para não confundir com o homônimo que é cavaleiro.
(3)Nidavellir: é a terra dos anões, normalmente começa ao pé das montanhas, abrangendo do seu interior ao topo.
(4) Eldar: nome dado à espécie de elfos da luz, mas nessa fic, o príncipe dos elfos também leva o nome de Eldar – que significa luz.
