Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Anieri, Alana e Aldrey são criações únicas e exclusivas minha para essa saga.


Boa Leitura!


Capitulo 10: Tão fino quanto gelo.

I – Patinando no Gelo.

Deveria estar ficando louco para aceitar aquele convite estúpido de Flér; Alberich pensou irritado consigo mesmo por não ser capaz de resistir ao pedido da jovem; Há anos que não pisava ali e agora do nada a jovem lhe chamava; ele lembrou-se.

Olhou para o lago de gelo com ar perdido, ainda era capaz de ver aquele garotinho de olhos verdes intensos correr em meio ao gelo, escorregando em seguida.

-Alberich, vamos patinar; Flér falou docemente, pegando-lhe as mãos e puxando-o para o meio do lago.

-Tome cuidado Flér, você pode cair; ele falou preocupado, acordando de seus devaneios.

-Não vou cair; ela respondeu rindo. –Sei que você não vai deixar; a jovem completou fazendo com que ambos corressem em círculos pelo gelo.

A alegria da jovem era contagiante, que até mesmo Alberich se viu sorrindo junto com ela.

-Confia tanto em mim assim? –ele não se conteve em perguntar, era estranho que apesar de sua traição para com Asgard e seus companheiros, eles o tratassem como igual, sem exceções.

-Claro que sim; Flér respondeu, segurando-lhe pelo braço e andando com mais calma. –Lembra quando me ensinou a patinar?

Alberich assentiu, lembrando-se de um dia que patinava no lago e encontrou uma garotinha de cabelos loiros, sentada no chão chorando, porque não conseguia ficar em pé sobre o gelo.

Mesmo não sendo de seu feitio ser amigável, aproximou-se dela e acabou lhe ensinando a patinar, tornaram-se amigos depois disso. Mas quando Alberich tornara-se cavaleiro e Flér a princesa de Asgard algumas coisas mudaram e eles não passavam mais tanto tempo juntos. O que a jovem desconhecia era os motivos que o haviam feito mudar tanto de um tempo pra outro. Ficara mais frio, vingativo e ambicioso.

-Lembro; ele respondeu com um meio sorriso.

-Aquele dia, você me prometeu que não me deixaria cair e eu acreditei em você, como acredito agora; ela falou, fitando-lhe intensamente.

-Flér; Alberich falou quase num sussurro com um olhar surpreso para a jovem princesa.

-AHHHHH; ambos voltaram-se para trás ao ouvirem um grito.

Rapidamente Alberich correu atravessando o extenso lago de gelo e encontrando uma jovem dentro de uma fenda. Deveria ter caído no buraco enquanto patinava; ele pensou.

-Socorro; ela tentou gritar mesmo com a voz enrouquecida pela água gelada.

-Alberich, por favor, ajude-a; Flér pediu desesperada.

Sem saber ao certo como agir, ele mandou que a princesa se afastasse. Elevou seu cosmo, fazendo com que boa parte do gelo envolta deles se transformasse em ametista. Caminhou até aproximar-se dela. Conseguindo assim puxar a jovem para fora. Que se agarrou ao cavaleiro, desesperada.

Sentiu um arrepio cruzar-lhe as costas. Ela era extremamente parecida com a garota de seus sonhos. Isso intimamente lhe perturbou, a presença dela também era familiar, não sabia ao certo o que era, mas algo naquele par de orbes tão negros quanto uma ametista fez com que se sentisse perdido.

-Você esta bem? –ele perguntou desviando o olhar rapidamente. Vendo que a jovem vestia apenas um longo vestido branco que agora jazia completamente colado ao corpo e transparente.

-Acho que sim; ela respondeu timidamente, porém levou a mão até a testa emitindo um baixo gemido de dor.

-O que esta sentindo? –Alberich perguntou, surpreendendo-se consigo mesmo por estar preocupado com uma completa desconhecida.

-Eu...; Ela mal terminou de falar e desmaiou exausta devido ao esforço que fizera para tentar sair antes do cavaleiro aparecer.

-Vamos levá-la para o palácio; Flér falou, tirando a capa que usava para cobrir a jovem que aninhou-se no colo do cavaleiro.

-...; Alberich assentiu, mas engoliu em seco, por mais que ela estivesse gelada sentia um calor sendo emanado do corpo frágil da jovem que lhe atordoava.

-o-o-o-o-

-Srta Hilda; Haguen chamou, parando atrás da jovem que permanecia sentada no jardim do palácio.

-Sim; ela falou, voltando-se para ele com um olhar calmo.

-Aonde esta a Senhorita Flér? –ele perguntou um tanto quanto constrangido.

-Foi patinar com Alberich; Hilda respondeu, calmamente.

-O QUE? –ele gritou surpreso. –Quero dizer...;

-Não se preocupe; a jovem o cortou, como se já prevê-se a reação dele.

-Mas...;

-O que Albarich mais precisa agora é de alguém que consiga entendê-lo, ele e Flér sempre se deram bem como amigos; ela falou com um meio sorriso. –Creio que eles não vão demorar, se é isso que lhe preocupa;

-Não Senhorita; ele falou constrangido. –Eu apenas pensei que...;

-Haguen não se preocupe, não com isso. Todos nós erramos alguma vez na vida e merecemos uma segunda chance, com ele não seria diferente;

-...; Haguen assentiu silenciosamente. Não havia argumentos contra isso.

III – Mais do Que Deveria Saber.

Cortou de forma brusca um galho de erva daninha do jardim, normalmente faria aquilo com calma, mas agora seus pensamentos estavam um pandemônio.

-"Como ele pode saber sobre isso?"; Anieri se perguntou, puxando mais uma para cortar, tentando não acertar por acidente algum galho de gérbera ou rosas que existiam ali.

O que acontecera durante a noite não lhe deixara pregar os olhos, porque justamente Loki estava indo para a caverna de Fenris? Ou como ele sabia que era uma Valkiria, não... Melhor, desde quando ele sabia sobre as Valkirias? –tais pensamentos apenas lhe deixavam mais aflita.

-Ai; ela gemeu ao acertar com a lamina da tesoura parte da palma da mão.

Uma grossa gota de sangue escorreu pelo braço, do corte que fizera.

-É melhor tomar cuidado; alguém falou, parando a seu lado, enquanto tomava-lhe a mão ferida entre as suas e enrolava um fino lenço de linho para estancar o sangue.

A jovem voltou-se para o lado, sentindo o corpo todo ficar tenso ao depara-se com um par de orbes violeta, que sabia perfeitamente pertencer ao do guerreiro deus de Fenris. Deu um passo a frente, querendo se afastar, porém sentiu a outra mão do cavaleiro apoiar-se em seu ombro, impedindo-lhe.

-Parece nervosa Anieri, é melhor tomar cuidado, pode se cortar de novo; Loki falou calmamente, observando atentamente todas as reações da jovem.

-Não é nada senhor, não precisa se preocupar; ela falou, puxando o ombro de forma que se soltasse dele e tomasse uma distancia segura.

-Estou apenas falando a verdade; ele falou casualmente. –Alias, não se preocupe, se teme que eu fale para alguém sobre quem você realmente é;

-Do que esta falando? –ela perguntou, fazendo-se de desentendida.

Viu-o caminhar até um banco de cedro em baixo de uma arvore. Sentando-se calmamente, apoiando uma das pernas sobre o joelho e mantendo o ar pacifico, porém ela sabia muito bem que esse ar de garoto bonzinho era apenas uma fachada.

-Anieri, sei muito mais sobre você, do que um dia, você poderá vir à saber sobre mim; Loki respondeu de forma enigmática.

A jovem arregalou os olhos surpresa, aonde ele queria chegar com isso? –ela pensou nervosa.

-Você deve estar se perguntou aonde quero chegar com isso, não? –ele falou com um meio sorriso, passando os dedos de forma displicente pelos cabelos arrepiados. –Deixe-me lhe contar uma historia que ouvi há muito tempo atrás, depois se quiser ir, não vou lhe impedir; o cavaleiro falou, indicando a ela um outro banco próximo a si.

Com ar desconfiado e incerto a jovem sentou-se, queria sair dali o mais rápido que pudesse, mas intimamente sentia-se tentada a saber o quanto ele sabia? Era um risco a correr, mas não se importava mais com isso.

-o-o-o-o-

Não se importou em ouvir as indagações de nenhum dos outros cavaleiros, entrou no palácio com a jovem em seus braços, ela tremia de frio e ainda estava inconsciente.

-O que aconteceu Flér? – Haguen perguntou, aproximando-se às pressas com Hilda.

-Depois explicamos; a jovem falou, subindo as escadas tentando alcançar Alberich.

-O que será que aconteceu? –ele perguntou, voltando-se para Hilda.

-Não sei; a jovem respondeu vagamente, indo atrás dos dois.

-Uhn! Quem será aquela garota? –Bado perguntou para o irmão.

-...; O cavaleiro negou, sem saber o que responder.

-o-o-o-o-

Abriu a porta do próprio quarto num rompante, não iria esperar que Flér ou qualquer pessoa ali, lhe dissesse aonde poderia levá-la. Teria de ser ali mesmo; ele pensou.

Colocou-a delicadamente sobre a cama, mas estancou surpreso, ao senti-la segurar-se fortemente em sua camisa, voltou-se para Flér que parecia ter percebido o dilema em que o cavaleiro se encontrava.

-Vou pedir que Alana venha aqui, já volto; ela falou, com um sorriso sem graça, saindo praticamente correndo do quarto.

-"Ótimo"; ele pensou, balançando a cabeça.

Colocou a mão sobre a da jovem, fazendo-a soltar-lhe delicadamente. Viu-a encolher-se sobre a cama tremendo. Cobriu-a temporariamente com uma pesada coberta, até que Flér voltasse com Alana e pudessem trocar a jovem, tirando o vestido completamente molhado.

-o-o-o-o-

-Digamos que tudo isso aconteceu a exatos dez anos atrás; Loki começou. –Se bem me lembro foi nessa época que Durval ainda era o regente de Asgard.

A jovem o fitava silenciosamente, esperando que ele continuasse.

-Creio que você já ouviu como os anciões de Asgard sempre temeram que as Valkirias viessem a assumir a proteção de Asgard, fazendo com que eles perdessem o poder que tinham sobre algumas coisas; ele falou, vendo-a assentir. –Durval também concordava com isso, muitas das garotas que eram filhas de famílias importantes de Asgard que na época tinham por volta de seis anos, ou as que acabavam de nascer, ele se certificou de que algumas não resistissem.

-Que horror; ela falou espantada, levando a mão aos lábios.

-Pelo visto você não conhecia essa parte da historia; ele murmurou pensativo. –Mas algumas garotas sobreviveram, essas foram tiradas de Asgard e mandadas a diversos lugares do mundo para treinarem, na verdade, foram mandadas especificamente para países gelados. Finlândia, Nova Zelândia, Dinamarca, entre outras;

Ele parou por um momento, dando um suspiro calmo...

-Você era uma dessas crianças Anieri, a única sobrinha de Folken. Ele na época era um dos grandes heróis de Asgard, um cavaleiro, mas não era a favor de Durval ser o regente, da mesma forma que o pai de Alberich; o jovem explicou. –Na época ambos desconfiaram que Durval vinha fazendo represália com alguns para continuar no poder, se bem me lembro, você perdeu os pais com seis anos, não é? –ele perguntou, voltando-se para ela.

-...; Anieri assentiu petrificada.

-Foi o que pensei, como Folken era seu único parente vivo, durante um bom tempo você viveu com uma senhora, ela também era uma Valkiria se bem me lembro, até ter idade suficiente para sair completamente daqui e poder treinar para se tornar a Valkiria de Falcão do Gelo; ele explicou.

-Como voc-...; Ele a cortou, erguendo a mão, de forma que pedisse que ela se calasse.

-Ainda não terminei; Loki falou. –Naquela época, Folken escondeu de Mime sua existência e a dele de você. Tanto que você só veio a conhecê-lo quando retornou a Asgard na época da primeira batalha contra os cavaleiros de Athena e a morte de Durval, quando Hilda assumiu o posto de governante;

-...; A jovem assentiu, lembrando-se do que acontecera.

-Hoje ainda existem alguns dos anciões que são do partido do Durval, creio que seja esse um dos motivos das Valkirias ainda se manterem incógnitas; ele completou.

-Como sabe sobre isso? –ela perguntou de repente, levantando-se.

Loki observou-a atentamente, passou a mão pelos cabelos, nem um pouco incomodado com a aflição da jovem. Levantou-se aproximando-se dela.

-Só quero que entenda, que ao contrario do que você pensa, não sou seu inimigo Anieri; ele respondeu, tocando-lhe a face delicadamente, vendo-a enrubescer.

-LOKI; Mime chamou, ao longe.

Anieri afastou-se rapidamente, passando pelo cavaleiro sem ao menos olhar para trás. Mime parou surpreso, ao vê-la passar por si quase lhe atropelando. Voltou-se para Loki que tinha um olhar satisfeito demais e isso lhe incomodou.

-Quer falar comigo Mime? –ele perguntou, com falsa inocência.

-Aconteceu alguma coisa? –Mime perguntou, apontando por cima do ombro, o caminho que Anieri seguira.

-Não, estava apenas pedindo que Anieri colhesse algumas gérberas para mim, mas ela acabou se cortando e foi cuidar disso lá dentro; ele mentiu.

-...; Mime assentiu ainda descrente. Tinha alguma coisa que não estava certa; ele pensou. –Vim lhe avisar que Hilda quer falar com você; ele completou.

-Está certo; Loki respondeu. –Vou ver o que ela quer comigo; ele completou. –Até mais.

-Até; Mime respondeu, vendo-o se afastar. –"O que ele esta tramando?"; ele pensou.

IV – A quem cuidar.

Observou a senhora de longe cuidar da jovem ainda adormecida. Fechou os olhos, lembrando-se momentaneamente do sonho que tivera, ela era tão parecida com a garota que sonhara; ele pensou, porem vez ou outra a imagem da jovem de cabelos dourados voltava a sua mente, lhe confundindo.

-"Quem serão?'; Alberich se perguntou.

-Alberich. Alberich; o cavaleiro piscou confuso, ao ver Flér acenando freneticamente a mão na frente de seus olhos.

-Uhn? –ele murmurou.

-Perguntei se você pode ficar um pouco com ela? –a jovem perguntou, apontando para a cama.

-...; Alberich assentiu, silenciosamente.

Flér foi até Alana que terminava de cobrir a jovem e arrumar as coisas que trouxera para ir.

-Se ela tiver febre, é só colocar outra colcha sobre ela; a senhora explicou.

-Está certo; ele balbuciou, vendo-as sairem rapidamente do quarto, fechando a porta em seguida.

Desencostou-se da parede, caminhando até a beira da cama, sentando-se.

-"Quem é você?"; ele pensou, tocando-lhe a face, afastando delicadamente alguns fios castanhos que caiam sobre os olhos da jovem.

Sentiu o corpo tremer de frio, abriu os olhos com dificuldade, deparando-se com um par de orbes verdes lhe fitando intensamente. Sentiu a face aquecer-se quando sentiu o mesmo afastar-lhe a franja dos olhos.

-Onde estou? –a jovem perguntou com a voz enrouquecida pela água gelada que engolira.

-Uhn! -Alberich murmurou, vendo que a jovem havia acordado. Afastou-se parcialmente, um tanto quanto constrangido. –Você esta no palácio, senhorita; ele respondeu.

-Você me salvou, não é? –ela perguntou, tentando levantar-se, porém ele segurou-lhe delicadamente pelos ombros, fazendo-a ficar deitada.

-...; Alberich assentiu. –É melhor que não tente se levantar, você ficou muito tempo no gelo, é melhor se recuperar.

-Como você se chama? –a jovem perguntou.

-Alberich; ele respondeu num sussurro, vendo-a assentir e encolher-se mais na cama, envolta pelas cobertas.

O cavaleiro apenas ficou em silencio, aproximou-se, tocando-lhe a testa constatando que ela tinha um pouco de febre. Levantou-se indo até o guarda-roupa, pegando mais uma coberta.

Estendeu-a sobre a jovem, pretendia afastar-se, mas estancou, sentindo a mão dela segurar-se fortemente na sua e ela erguer os olhos, fitando-lhe.

-Fica; ela pediu num sussurro.

Olhou para os lados, sem saber o que fazer. Respirou fundo, sentando-se na beira da cama. Viu-a fechar os olhos e aos poucos cair no sono. Tocou-lhe a mão delicadamente com o intuito de soltá-la e cobri-la melhor, porém a mão da jovem apertou-se ainda mais sobre seu pulso, impedindo-o.

-"Bem, pelo visto vou ter que ficar aqui mesmo"; ele pensou, notando o leve ressonar dela.

Continua...