Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem. Apenas Adélia, Anieri, Coralina, Eldar e Lenda são criações únicas e exclusivas minhas.


N/a: Aldrey é um personagem meu, porém ele foi criado com a ajuda de uma grande amiga, a Margarida.


Boa Leitura!


Capitulo 11: Conhecendo-se.

I – Respostas.

Caminhavam há algum tempo em silencio, apenas apreciando a paisagem e a calma que aquele lugar lhes oferecia. Sentaram-se em um banco em meio a um belo jardim. Era estranho que fora dos portões daquele lugar magnífico tudo fosse repleto de neve e tão branco; Leda pensou.

Lançou um olhar de soslaio ao jovem a seu lado, quantos séculos ele teria de existência? –ela se perguntou. Sabia que elfos por mais jovens que aparentassem ser, por vezes poderiam ser os mais velhos regentes de seu povo e pelo poder que aquele a seu lado exalava, sabia que ele só aparentava ser jovem.

-Você me disse que Alana te mandou aqui, poderia me dizer o que ela deseja saber? –Eldar perguntou, calmamente.

-...; Leda assentiu. –Ela pediu que eu lhe perguntasse sobre os seres mágicos que habitam Alfhein;

-Foi o que pensei; a jovem o ouviu murmurar. –Vou lhe mostrar uma coisa senhorita, me acompanhe, por favor; ele completou, estendendo-lhe a mão para que pudesse levantar.

Fitaram-se por um momento, a jovem sentiu a face incendiar-se, vendo a mão do jovem fechar-se sobre a sua.

-Durante muito tempo, muitos seres mágicos procuraram por Alfhein para viver em paz, entre eles os principais são os unicórnios; Eldar explicou, desviando momentaneamente o olhar, enquanto começavam a caminhar. –Porém alguns unicórnios deixaram Eldar há um tempo atrás; ele falou, dando um suspiro cansado.

-O que aconteceu a eles? –Leda perguntou, enquanto aproximavam-se de uma espécie de estábulo.

-Olhe você mesma; ele respondeu, abrindo uma porta para que ela entrasse primeiro.

Leda estancou assustada, ao deparar-se com um estábulo, mas não haviam baias onde os cavalos eram presos e sim uma espécie de cama, onde eles ficavam deitados. Ao todo eram seis unicórnios, belos e puros animais, mas estavam muito feridos e apresentavam sinais de fraqueza.

-Quem faria uma crueldade dessas? –ela perguntou, voltando-se para ele.

-O mesmo dono daquela energia que manifestou-se ontem pela manhã; Eldar respondeu, entrando.

Leda viu-o caminhar até um unicórnio, o mesmo ergueu a cabeça fitando o jovem com um olhar triste, como se dissessem que não podiam mais agüentar; a jovem pensou, sentindo um estranho nó formar-se em sua garganta.

-"Quem seria o infeliz a ter coragem de maltratar esses animais?"; ela pensou, serrando os punhos.

-Antigamente, quando muitos seres caminhavam sobre a Terra Media, muitos cosmos entraram em conflito, mantendo o equilíbrio no universo; ele explicou. –E esse ser que agora esta manifestando-se deve fazer parte disso. Ninguém em sã consciência iria ferir esses animais de forma tão cruel;

-Alana comentou que esse ser poderia estar usando o cosmo dos unicórnios e outros seres até ter acesso a alguns dos guardiões, pelo visto é isso mesmo, não? –ela perguntou.

-Os unicórnios, são os animais mais puros que caminham sobre essa terra, hoje eles só existem aqui, onde podem viver em paz, mas não podemos impedi-los de sair dos limites de Eldar, eles são livres. O que acaba deixando-os a mercê desse tipo de coisa;

-...; Leda assentiu. –Eles vão ficar bem? –ela perguntou, parando ao lado dele.

-Não sei, eles estão se recuperando devagar e estão muito fracos, vai depender muito do quanto eles desejam viver;

Leda fitou o filhote de unicórnio ferido a sua frente, uma lagrima amarga pendeu de seus olhos, não podia permitir que o que quer que fosse que feriu aqueles animais continuasse a caminhar impune, nem que levasse a vida toda, iria caçá-lo e acabar com ele.

-Não deveria pensar assim, isso os deixa tristes; Eldar falou, chamando-lhe a atenção.

Sentiu a face incendiar-se, ao vê-lo tocar-lhe a face delicadamente, interrompendo a completa queda da lagrima.

-Eles são muito sensíveis e sabem o que esta pensando. Pensamentos ruins, sobre vingança e raiva os deixam tristes, porque eles só têm sentimentos puros; ele completou, segurando-lhe delicadamente pelo queixo, com a ponta dos dedos.

-Me desculpe, eu...; Ela balbuciou, desviando o olhar.

-Não se preocupe; ele respondeu, com um sorriso que fê-la prender a respiração. –Venha, vou lhe levar até os limites de Asgard.

-Como? –ela perguntou confusa ao vê-lo passar por si. –Ahn! Não é necessário, eu-...; Porém ele já havia saído, sem deixar que terminasse.

II – Não Confiar.

Suspirou cansada, tentando parar de pensar no que Loki lhe falara. Entrara no palácio fazendo um rápido curativo na mão e resolvera ajudar Nora a arrumar algumas das salas. Estava no segundo andar, numa anti-sala próxima aos quartos, organizando as coisas.

-"Droga"; Anieri pensou, enquanto passava um pano sobre um aparador próximo a janela.

-Anieri;

Estremeceu levemente ao ouvir a voz do guerreiro deus de Benetnash soar tão próximo de seu ouvido e a respiração quente e controlada, chocar-se contra a lateral de sua face.

-Uhn? –ela murmurou, virando-se rapidamente. Bateu a mão sem querer sobre um globo de cristal que jazia sobre o aparador.

Sentiu como se o tempo houvesse parado, ao mirar aquele par de orbes carmesim, ouviu o globo de cristal rolar sobre a superfície de madeira do aparador, iria cair no chão, mas simplesmente não conseguia fazer movimento algum para impedir seu trajeto.

Mime moveu-se com rapidez, impedindo que o globo caísse e se partisse no chão. Voltou-se para a jovem, vendo-a dar um passo para trás, recuando, porém frustrada, encontrou o aparador impedindo-lhe o caminho.

-Ahn! Obrigada por pegá-lo pra mim; ela falou com um sorriso nervoso, pegando o globo das mãos dele, pretendendo virar-se e ignorar que estava extremamente perturbada com a presença dele ali, porém o mesmo colocou ambas as mãos sobre o aparador, uma de cada lado de si, impedindo-a de virar.

-Não sei o que o Loki andou te falando, mas é melhor tomar cuidado com ele; Mime falou a queima roupa, perigosamente próximo a jovem, que ambos sentiam as respiração chocando-se entre si.

-Co-mo? –ela perguntou, com a voz tremula, sentindo a face incendiar-se.

-Ele pode ser um guerreiro deus, mais ainda sim, continua sendo a mesma raposa de sempre, se ele lhe mandar fazer algo, avise primeiro ao Siegfried ou a mim, nunca se sabe o quão perigoso isso pode ser; ele completou, com ar serio, afastando-se.

-Como posso confiar no que me disse? –ela perguntou incerta, sem ao menos saber porque perguntara justamente aquilo a ele.

-Não disse pra confiar em mim, apenas disse para não confiar nele; o cavaleiro completou, saindo do cômodo.

-"Por Odin, o que esta acontecendo com esses cavaleiros?"; ela pensou, confusa. Segurando firmemente o globo de cristal entre as mãos.

III – Um Passeio Pelo Jardim.

-Aldrey; Alberich falou impaciente, tentando acompanhar os passos apressados da jovem pelos corredores do palácio. –Alana disse q-...;

-Eu sei; a jovem falou, voltando-se para ele. –Mas, por favor; ela pediu, com os olhinhos brilhando intensamente, impedindo qualquer recusa.

Desde que se sentira melhor, a jovem não parara um segundo. Parecia literalmente um leão enjaulado andando dentro do quarto de um lado para outro, mesmo ele lhe avisando que não deveria se levantar.

Acabou por convencer a jovem de que se ela se acalmasse, a levaria para passear no jardim. Porque fizera isso? No momento que fez, decidira não pensar nos motivos, pois nem que tentasse conseguiria as respostas.

Mal falara isso para a jovem, notara a mesma enrolando-se em uma grossa capa de lã que Flér lhe dera e o arrastava para fora do quarto. Aonde ela arrumava toda aquela energia, talvez nunca soubesse.

-Aldrey, Alana disse que é melhor você ficar de repouso por enquanto; ele argumentou. Viu-a fazer beicinho, com os orbes marejados. Balançou a cabeça para o lado, com um meio sorriso. Não sabia ao certo quem ela era, mas sabia do incrível poder que ela tinha em fazê-lo literalmente destruir sua própria rotina. –Esta bem, mas não vamos demorar, está muito frio lá fora; Alberich falou, dando-se por vencido.

-Obrigada; ela falou, jogando-se nos braços do cavaleiro e enlaçando-o pelo pescoço.

Instintivamente enlaçou-a pela cintura. Sentiu a respiração descontrolar-se diante da suave essência de flores silvestres que invadia-lhe as narinas. Fechou os olhos, tentando não pensar.

Aconchegou-se entre os braços do cavaleiro, conheciam-se a menos de vinte e quatro horas e sentia como se ele fosse a única pessoa capaz de lhe proteger. Sentiu os pés tornarem a tocar o chão, porém ele não se afastou.

-Cof! Cof! Cof! –afastaram-se rapidamente, ao ouvir alguém pigarrear. –Ahn! Espero não estar atrapalhando? –Bado falou, com um sorriso no mínimo malicioso, para não dizer cheio de segundas, terceiras e quartas intenções.

-Não; Alberich respondeu, lançando-lhe um olhar frio.

-Uhn! Não era o que parecia; ele alfinetou, ao ver a jovem enrubescer.

-Se era ou não, não creio que isso lhe diga respeito, Senhor;

Alberich voltou-se para a jovem surpreso, ao notar o tom de voz dela e os orbes serrados de maneira perigosa para o cavaleiro, que parecia tão ou mais abismado do que ele.

-O que disse? –Bado perguntou, dando um passo a frente, aproximando-se.

-O que ouviu; Aldrey falou em tom de desafio. –Creio que nem Alberich ou eu temos de lhe prestar alguma conta, então, nos poupe de seus pensamentos maliciosos e infames, de alguém que não tem nada mais importante para fazer, do que importunar as pessoas;

-Oras...; Ele vociferou, irritado.

-Bado, meu caro, morda a língua antes de falar mais alguma besteira; Alberich falou, os orbes verdes cintilaram de forma perigosa, porém divertia-se intimamente com a resposta atravessada da jovem. Sabia perfeitamente que ela só parecia frágil, havia muitas coisas intrigantes que ainda desejava saber sobre ela. –Aldrey vamos, como disse, não podemos demorar; ele falou, estendendo-lhe o braço.

-Claro; ela respondeu com um largo sorriso, enlaçando-o pelo braço, enquanto passavam pelo cavaleiro petrificado.

-"Quem é essa garota?"; o guerreiro deus pensou, engolindo em seco, poderia jurar que vira os orbes dela tornarem-se violeta, mas fora muito rápido.

Voltou-se para uma das portas do corredor que acabara de abrir-se, ouvindo alguém bater palmas animadas.

-Se alguém me dissesse eu não acreditaria; Haguen falou debochando.

-O que quer? –o cavaleiro perguntou, num resmungo.

-Já pensou em tomar um banho com arruda, quem sabe isso não seja mal olhado e passe assim; Haguen continuou, pouco incomodado com o olhar mortal sobre si. –Porque, levar um fora da Leda e outro da garota do Alberich em menos de vinte e quatro horas é um recorde; ele completou, batendo palmas novamente.

-Idiota; Bado resmungou, entrando em seu quarto.

-o-o-o-o-

-Cara chato; Aldrey resmungou, enquanto saiam do palácio em direção aos jardins.

-Deixe-o pra lá; Alberich falou, com um meio sorriso. Tentando acalmá-la, ouviu-a resmungar algo, enquanto passava a mão insistentemente pelos cabelos. –Olhe;

-O que? –ela perguntou, voltando-se para ele, mas viu-o apontar um pequeno canteiro, num lado mais afastado do jardim.

Alberich puxou-a consigo, sabia que conhecia aquele cheiro de algum lugar. Uma mistura de lírios com um tempero a mais, que de imediato não soube dizer a que flor pertencia; ele pensou, ao parar em frente ao canteiro. Poderia muito bem dizer que eram gérberas, mas sabia que aqueles flores pequenas e delicadas, eram nada mais nada menos do que margaridas.

-Nossa; ouviu-a murmurar surpresa, ajoelhando-se em frente ao canteiro.

-Aldrey, vai se resfriar assim; ele avisou, tentando fazê-la se levantar.

-Olha Alberich; ela falou, puxando-o pelo braço, quase jogando o cavaleiro no chão.

Ajoelhou-se ao lado dela, dando-se por vencido, só esperava que não levasse nenhuma espécie de puxão de orelha de Alana depois, por ser inconseqüente e deixá-la sair com aquele tempo e ainda ajoelhar-se na neve, mas quem conseguia resistir aos pedidos da jovem; ele pensou, dando de ombros.

-Ainda bem que Ceres não passou por aqui; Aldrey brincou, em meio a uma gostosa risada.

-Quem? –ele perguntou. Já ouvira esse nome em algum lugar.

-A corsa da Coralina; ela falou, lembrando-se da jovem de cabelos alaranjados que conhecera no dia anterior.

-Então você já conhece a Coralina; ele comentou.

-...; Aldrey assentiu. –Posso? –ela perguntou, apontando para o canteiro, vendo-o assentir, recolheu algumas flores, enquanto distraidamente trançava os cabos, criando uma coroa.

-Aldrey, posso te fazer uma pergunta? –ele falou, ficando sério.

-Você já fez; ela falou, sorrindo, mas o mesmo morreu em seus lábios, ao vê-lo tão sério. -...; Apenas assentiu para que ele continuasse.

-De onde você é?

-Moro perto da floresta, não muito longe daqui; ela respondeu.

-Sozinha? –ele perguntou, surpreso.

-...; Ela assentiu. –Eu morava com uma senhora, mas já tem algum tempo que ela faleceu, então, acabei ficando sozinha lá;

-Não tem parentes em Asgard? –Alberich perguntou curioso. Sem saber ao certo, o porque de sentir-se tão ansioso em saber mais sobre ela. Ou talvez soubesse, desejava saber o que ela e a outra jovem de seus sonhos tinham em comum e porque sonhara justamente com ela, um dia antes de conhecê-la.

-Não;

-E fora?

-...; Ela negou com um aceno.

-Nenhum parente vivo? –ele insistiu.

-Não sei; a jovem respondeu inocentemente.

-Como assim? –Alberich perguntou confuso.

-ALBERICH. ALDREY; a voz de Flér ecoou pelo jardim, enquanto a jovem procurava pelos dois.

-Flér vai me matar se você se resfriar, vamos entrar logo; ele falou, levantando-se e estendendo a mão a ela.

Aldrey sorriu, vendo o quanto ele parecia desconcertado com as recentes indagações da princesa, mas intimamente deu graças por terem sido interrompidos, pois se ele fizesse mais alguma pergunta, talvez não soubesse responder; ela pensou, dando um suspiro aliviado.

IV – Controvérsias.

-Estranho; Adélia murmurou, entrando no jardim do palácio, acompanhada de Fenrir.

-Algum problema? –ele perguntou, vendo-a com um olhar serio.

-Anieri ta estranha. Olha; ela falou, apontando para um lugar mais afastado que a jovem estava sentada em baixo de uma arvore com olhar perdido, abraçando as próprias pernas, mantendo a cabeça apoiada entre os braços.

-Não deve ser nada; Fenrir tentou tranqüilizá-la.

-Não sei, conheço Anieri, deve estar com algum problema; Adélia falou, preocupada. Lembrando-se que desde a madrugada não falara mais com a jovem. Se ela estava daquele jeito, alguma coisa deveria ter dado errado.

-Porque não vai até lá? –Fenrir sugeriu.

-Uhn? –ela murmurou, piscando confusa. Voltando-se para ele.

-Eu disse, porque você não vai até lá; ele falou, vendo que ela parecia não ter ouvido.

-Você se importa, é rapidinho? –ela falou.

-...; Fenrir negou com um aceno. –Vai lá. Enquanto isso vou falar com Siegfried e Mime, depois nos encontramos;

-Está certo; ela respondeu sorrindo, acenando, enquanto corria até a jovem.

-"Uhn! Não duvido que ela esteja estranha mesmo, qualquer pessoa com o mínimo de cosmo elevado se sentiria mal com as mudanças cósmicas que estão ocorrendo em Asgard nas ultimas vinte e quatro horas"; ele pensou, porém afastou-se indo até os outros cavaleiro, preferindo não comentar por enquanto tal fato com Adélia.

-o-o-o-o-

-Anieri; Adélia chamou, aproximando-se.

Viu-a erguer a cabeça, notou os orbes marejados. Realmente, alguma coisa esta errada.

-Adélia?

-...; Apenas assentiu, sentando-se ao lado dela. –O que aconteceu?

-Nada; ela respondeu, num sussurro fraco, tentando inutilmente impedir o correr das lagrimas por sua face.

-Não seja teimosa Anieri, me diga, o que aconteceu? Você não ficaria assim à toa; ela insistiu.

-Conversei com Loki hoje de manhã; ela começou.

-O que? Ele te fez alguma coisa? Ah! Mas eu mato aquele ordinário; ela vociferou, serrando os punhos.

-Ele não fez nada; Anieri adiantou-se, antes que ela saísse correndo e tentasse matar o cavaleiro. Há alguns dias atrás até não faria questão de impedi-la, mas a atitude dele, simplesmente lhe deixara confusa.

-Mas...;

-Apenas conversamos; ela completou.

Adélia arregalou os olhos, aquilo não era uma atitude normal do cavaleiro. Alias, sabia muito bem que ele já fizera coisas das quais até os deuses duvidavam, mas era melhor não comentar.

-O que ele lhe disse?

-Ele sabe sobre as Valkirias e que estamos todas em Asgard;

-O QUE? –Adélia gritou.

-...; Anieri assentiu, sentindo as lágrimas correrem por seu rosto, lembrando-se de tudo o que ele falara. Poderia parecer um absurdo, mas parecia que o cavaleiro sabia bem mais de sua vida, do que ela mesma e isso lhe aterrorizava.

Continua...