Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas: Leda, Anieri, Nora, Sisi, Alana, Ceres, Coralina são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
N/a: Aldrey é um personagem meu, criado com a grande ajuda da minha amiga Margarida.
Capitulo 12: Mudanças.
I – Uma Flor no Meio da Neve.
Apesar de ainda ser cedo, Shido resolvera sair do palácio para caçar, mesmo depois de todas as coisas que aconteceram nos últimos anos, ainda tentava preservar pelo menos esse habito de sair pela manhã. Ele e Siegfried cavalgavam em disparada entre as árvores tomando o devido cuidado para não enroscarem em nada.
-Ande logo, vamos perdê-lo; o cavaleiro de Mizar falou enfezado com a demora do companheiro.
-Vamos desistir, ele é mais rápido que a gente; o jovem respondeu visivelmente cansado.
-Isso é vergonhoso, se Hilda te ouvisse, aposto que ela lhe tiraria a armadura; Shido brincou, porém parou vendo-o com um olhar vago, balançou a cabeça. –Esqueça o que eu disse, vamos logo;
Siegfried apenas assentiu continuando a correr, alias, não era apenas o cavalo que corria, seus pensamentos pareciam águas velozes indo de encontro a uma arrebentação.
De uns tempos pra cá, ele não fora o único a perceber que as coisas haviam mudado, até mesmo Hilda parecia diferente daquela que conhecera desde que ainda uma garotinha, que acreditava no melhor da vida e um lado bom, mesmo nas pessoas mais ordinárias.
Ela parecia mais forte, dona de si e independente, porém sem perder seu carisma e docilidade que tanto o encantavam. Siegfried balançou a cabeça, exasperado. Era melhor parar de pensar nisso antes que batesse de frente com uma arvore; ele pensou.
Os cavalos corriam em meio à neve, praticamente sobrevoando-a tamanha era a velocidade, entraram numa espécie de bosque. Fitou o cervo não muito longe de onde estavam, ele parecia cansado pela corrida. Ergueu a lança que tinha na mão, estava prestes a lançá-la, quando o cavalo simplesmente empinou.
-Hei; Shido falou, jogando a lança no chão, para poder segurar as rédeas e não cair. Arregalou os olhos, ao sentir uma flecha cortar o ar, passando a milímetros de seu rosto, causando um fino corte devido ao deslocamento de ar.
-Shido; Siegfried chamou, correndo até ele.
-NÃO SE APROXIME; ele gritou, fazendo-o brecar a distancia. –QUEM ESTA AI?
-PENSEI QUE OS GUERREIROS DEUSES SOUBESSEM QUE ESTES LIMITES SÃO PROIBIDOS; uma voz ecoou por toda à parte, fazendo o cavalo ficar mais arisco.
-APAREÇA; Shido mandou, tentando manter-se sobre o cavalo.
Siegfried olhou para todos os lados procurando a fonte daquela voz, sentia a presença de alguém, mas nem que tentasse conseguia identificar a origem.
-QUEM PENSAS QUE É PRA ME DAR ORDENS? –a voz rebateu.
-UM COVARDE QUE TEM MEDO DE APARECER; Shido provocou.
-Shido, pare; Siegfried falou aflito. –Você não sabe com quem esta lidando;
-Sei o que estou fazendo, Siegfried; ele falou, mas nesse mesmo momento, as rédeas soltaram-se de suas mãos bruscamente e o cavalo empinou, jogando-o no chão.
-Tem certeza, cavaleiro? –a voz perguntou irônica.
Voltaram-se surpresos para frente, notando em meio às árvores o surgimento de uma tênue nevoa, enquanto dela surgia o cervo que a pouco estavam caçando. Arregalaram os olhos achando ser ele a fonte de tudo, mas logo atrás do cervo, uma jovem de cabelos alaranjados apareceu. Ela portava um arco nas mãos e uma aljava nas costas.
-Quem é você? –Siegfried perguntou descendo do cavalo, tendo a leve impressão de já tê-la visto antes.
-Sou a guardiã destes limites e a pratica da caça não é permitida aqui; ela falou, lançando um olhar envenenado a Shido que pareceu se encolher.
-Que eu saiba não tem placa alguma indicando que não podemos caçar aqui; Shido ralhou, levantando-se da queda deveras humilhante que sofrera.
Coralina serrou os orbes de maneira perigosa, com um movimento rápido retirou uma flecha da aljava, retesando o arco na direção do cavaleiro, pronta para atirar.
-Desculpe-o senhorita; Siegfried adiantou-se, entrando na frente do cavaleiro. – Mas realmente não sabíamos sobre esses limites; ele falou, tentando apaziguar a situação.
-Hilda deveria tê-los avisado; ela falou.
-Como? –o cavaleiro perguntou, surpreso com a menção ao nome da jovem.
-Os seres que habitam essa parte da floresta não devem ser perturbados, se retirem em paz, enquanto podem, não posso garantir a segurança de vocês aqui; Coralina avisou.
-Do que está falando? –Shido perguntou curioso.
-Não voltem mais aqui; ela falou, dando-lhes as costas e caminhando para o caminho que fizera antes, com Ceres a seu lado.
Os cavaleiros trocaram um olhar confuso.
-É melhor irmos; Siegfried avisou.
-Vá na frente;
-Shido; ele falou em tom de aviso.
-Pode ir, encontro você depois; Shido falou, indo atrás da jovem. Sob o olhar de reprovação do cavaleiro.
-"Como é teimoso"; ele pensou balançando a cabeça, enquanto subia novamente no cavalo, retornando ao palácio.
-o-o-o-o-
-Não acha que foi muito dura com eles? –Coralina ouviu-a perguntar.
Caminhou até aproximar-se de um pequeno lago de gelo, tinha o olhar vago para a superfície cristalina.
-Disse algo Ceres? –ela perguntou, voltando-se para a corsa.
-Disse que você foi dura demais com eles; ela falou, aproximando-se. Uma tênue luz dourada a envolveu e quando ela aproximou-se de Coralina, tomara a forma de uma jovem de cabelos castanhos claros e orbes acinzentados.
-Não deveria ficar mudando de forma assim; a jovem a repreendeu.
-Eu sei, mas estou cansada de tanto correr; a jovem brincou, esticando os braços para cima, alongando-os.
-Tome cuidado ao ficar correndo por ai, posso não estar perto numa próxima vez; Coralina a alertou.
-Mana, precisa parar de se preocupar tanto; Ceres falou, com um olhar preocupado, vendo que ela estava realmente irritada com a presença dos cavaleiros.
Sempre fora assim, Coralina super protetora e ela inconseqüente às vezes. Desde que desenvolvera a habilidade de transformar-se em corsa, usava desse artifício para manter-se protegida.
Ceres e Coralina saíram de Asgard muito cedo, após a perda dos pais, sendo mandadas a Dinamarca para treinarem e só agora retornaram, a pedido de Hilda após a morte dos guerreiros deuses.
-Só não quero que se machuque; Coralina falou. –Não sabemos o que esta acontecendo em Asgard, ou nos outros reinos, podemos entrar em guerra a qualquer momento e ainda temos que ficar em alerta com aqueles inúteis; ela vociferou.
-Esta preocupada com o Conselho? –Ceres perguntou, cautelosa.
-...; Ela assentiu, lembrando-se do que Alana lhe dissera há pouco tempo atrás, de que os membros do Conselho de Asgard estavam pressionado Hilda para fazer uma reunião geral.
Ouviu algumas folhagens se moverem e Ceres rapidamente correr transformando-se novamente em corsa. Virou-se para trás e para sua surpresa, deparou-se com o jovem de longos cabelos verde-água.
II – Rivais.
-O que esta acontecendo com ela? –Nora perguntou, arqueando a sobrancelha.
Encostou-se melhor no batente da porta, enquanto conversava com Sisi, que entrara no palácio para falar com Flér, mas acabara encontrando Nora pelo caminho, notando-a preocupada.
-Desde quando ela esta assim? –Sisi perguntou, vendo Leda em uma das salas do palácio, passando um pano sobre um móvel, enquanto cantarolava e suspirava.
-Desde que voltou; Nora falou, lembrando-se que ela estava estranha desde que chegara de Alfihein e não falara o que aconteceu, enquanto esteve lá.
-Com licença senhoritas; alguém falou, aproximando-se.
-Sim; Nora murmurou, virando-se para trás, deparando-se com o guerreiro Deus de Algor.
-Saberiam me dizer, aonde a Leda esta? –ele perguntou.
Nora e Sisi entreolharam-se, ao mesmo tempo em que apontavam por cima do ombro o lugar que a jovem estava.
-Obrigado; ele falou, sem entender o porque dessa reação das jovens.
-Ta morto; Nora falou, balançando a cabeça.
-...; Sisi concordou com um aceno. Se bem conhecia o temperamento de Leda e os boatos que rodavam o castelo sobre o possível 'assédio' do cavaleiro, ele teria problemas ao interromper a linha de pensamentos da jovem.
-Vamos, dessa vez eu dispenso o showzinho; Nora falou, torcendo o nariz. Afastando-se, com Sisi.
-o-o-o-o-
Aproximou-se com um olhar intrigado, vendo-a cantarolar uma musica qualquer. Parecia diferente das outras vezes que a vira. Não que não desse motivos a ela, mas estava preocupado com suas ultimas ações.
Quando a encontrara antes do almoço que Kamus e Aishi estavam presentes ela agira de maneira fria e arredia, não duvidava que aquele cosmo que sentira mais cedo tivesse algo a ver com isso, mesmo que indiretamente.
-Leda; Bado chamou, colocando a mão sobre o ombro da jovem.
-Uhn! –ela murmurou, piscando e voltando a realidade, virou-se deparando-se com o olhar do cavaleiro sobre si. –Ah é você; ela falou desapontada.
-Como assim, eu? Esperava mais alguém por acaso? –ele perguntou, arqueando a sobrancelha, tentando ignorar aquele presente incomodo, ao pensar na possibilidade da garota estar realmente pensado em 'outro'.
-Puff; ela murmurou, afastando-se. –O que quer?
-Preciso falar com você; ele falou, aproximando-se, vendo-a recuar alguns passos.
-Sobre? –Leda perguntou, mantendo-se na defensiva.
Bado parou por um momento, fitando-a seriamente, não havia duvidas que de algo estava errado.
-Leda como foi o encontro com Eldar? –Alana perguntou, entrando na sala, sem notar a presença do cavaleiro.
Leda virou-se para ela rapidamente, sem conseguir emitir som algum.
-Encontro? –Bado balbuciou, sem conseguir assimilar direito o que acabara de ouvir.
-Ah Senhor Bado, como vai? –Alana perguntou, estancando surpresa ao vê-lo só agora. Entendendo o olhar aflito de Leda. –Desculpe-me por interrompê-los, não sabia que estavam conversando.
-Não, já estou de saída; Bado falou de forma fria. –Com licença; ele falou, passando por elas, sem ao menos virar-se para os lados.
As duas viram-no sumir no largo corredor. Leda suspirou cansada, encostando-se sobre a parede, levando a mão as temporas.
-Não se preocupe, não tem como ele saber quem é; Alana falou, tentando diminuir a tensão da jovem.
-Eu sei; Leda falou, respirando fundo.
-Então, o que aconteceu? –Alana perguntou, olhando para os lados para se certificar de que ninguém estava mais por perto.
A jovem voltou-se para ela, começando então a contar o que acontecera na missão que recebera de ir a Alfihein.
III – Aprendendo a Dançar.
Ouviu alguém batendo na porta de seu quarto, franziu o cenho. Dificilmente alguém vinha lhe chamar ali. Provavelmente deveria ser Siegfried querendo conversar sobre alguma coisa; ele pensou, enrolando uma toalha sobre a cintura, enquanto saia do banheiro.
-Entre; ele falou, enquanto entrava atrás de um biombo de vime em um canto do quarto, para se trocar.
-Licença; Flér falou entrando. Virou-se na direção que ouviu a voz. Sentindo a face incendiar-se ao vê-lo pendurar a toalha sobre o biombo.
-Flér? –Haguen perguntou surpreso, enquanto vestia-se rapidamente.
-Eu volto depois; ela falou, quase saindo correndo do quarto.
-Espera; ele falou, saindo de trás do biombo.
-NÃO OUSE SAIR DAÍ; ela gritou, tapando os olhos com as mãos, extremamente vermelha.
Haguen deu um meio sorriso ao vê-la daquela forma. Aproximou-se, completamente vestido agora. Flér recuou um passo, ao sentir a presença dele mais perto.
-Esta tudo bem; ele falou, colocando as mãos sobre as dela, abaixando-as devagar.
A jovem abriu os olhos com cautela, deparando-se com o olhar sereno do cavaleiro sobre si, porém não arriscava desviar o olhar, por não ter certeza de como ele estava.
-O que queria comigo? –ele perguntou, notando o olhar confuso da jovem, afastou-se, deixando que ela visse que estava realmente vestido.
-...; Flér suspirou discretamente aliviada. –Bem, preciso de você; ela falou, espontaneamente.
-O que? –Haguen perguntou, engasgando com o próprio ar.
-Alberich prometeu nos ensinar a dançar no gelo e eu preciso de um parceiro; ela explicou, sem notar que agora era ele a suspirar aliviado.
-Nós? – ele perguntou arqueando a sobrancelha.
-Eu e Aldrey; ela esclareceu.
-Ah sim; ele balbuciou.
-Então, está ocupado? –Flér perguntou na expectativa.
-Sabe que pra você nunca estou ocupado; Haguen falou, quase num sussurro, toando-lhe a face suavemente, vendo-a enrubescer imediatamente.
-Ahn! Bem...; Ela murmurou, dando um passo para trás, encontrando a parede a lhe reter o caminho.
-Sabe disso, não é? –ele insistiu, com um olhar enigmático.
-...; Ela assentiu, freneticamente ao vê-lo aproximar-se de tal forma que sentia as respirações chocando-se. Engoliu em seco, ele estava diferente, não sabia o que era, mas sentia que o cavaleiro de alguma forma, estava diferente daquele que sempre tivera como melhor 'amigo'.
-Ótimo; ele respondeu, com um meio sorriso, numa aproximação perigosa. Roçou-lhe os lábios suavemente, vendo-a serrar os orbes.
-FLÉR;
Haguen afastou-se rapidamente, praguejando mil maldições contra o individuo inconveniente.
Flér saiu rapidamente do quarto, com a face em brasas, deparando-se com Aldrey procurando-a pelos corredores.
-Aqui; ela falou, vendo a jovem virar-se em sua direção.
-Vamos logo, Alberich esta nos esperando; ela avisou.
-Estamos indo; Flér falou, entrando no quarto de novo. –Vamos Haguen; ela falou, antes que o cavaleiro pudesse dizer algo, já estava sendo arrastado para fora do quarto.
-o-o-o-o-
Fitaram-se por infindáveis minutos. Até ele caminhar com cautela até ela. Coralina serrou os orbes de maneira perigosa, lembrando-se perfeitamente que o mandara ir embora.
-Calma, vim em paz; ele falou, erguendo os braços, em sinal de rendição.
Retesou novamente o arco, nem um pouco preocupada com o sinal do cavaleiro.
-Vá embora; ela mandou.
-E se eu não quiser ir? –ele falou, em tom de desafio.
-Hilda vai ter menos um cavaleiro para a ordem; ela falou, num tom perigoso de voz.
-Esta bem, eu vou; ele falou, dando-se por vencido. –Com uma condição.
Engoliu em seco, ao ouvir a corda do arco vibrar indicando que a qualquer momento ela poderia disparara flecha.
-Fale logo;
-Qual é seu nome? –Shido perguntou, sem conter a curiosidade, mesmo sabendo do perigo que corria.
-CORALINA;
A jovem virou-se rapidamente na direção do chamado da irmã, voltou-se para o cavaleiro, com certa hesitação.
-Uhn! Então seu nome é Coralina; ele falou, com um sorriso, ao qual ela não gostou nada-nada;
-Vá embora; ela mandou. Deu-lhe as costas, saindo em disparada atrás de Ceres...
-"Uhn! Interessante"; ele pensou, com um meio sorriso, enquanto voltava para o local onde deixara o cavalo, quem sabe ainda alcançasse Siegfried.
-o-o-o-o-
-Vamos Alberich; Aldrey chamou, correndo em meio à neve.
-Tome cuidado; ele avisou, aumentando os passos para alcançá-la.
Flér e Haguen vinham logo atrás. O guerreiro deus tinha um olhar curioso, observando o casal à frente, tinha algo diferente com Alberich, ele nunca fora de agir assim; ele pensou.
-Aldrey, cuid-...; Ele não completou, ao ver a jovem tropeçar. Num movimento rápido, correu até ela, tentando impedir a queda, porém ambos caíram sobre a neve, escorregando praticamente até o meio do lago.
Sentiu o baque seco contra o gelo, mas algo relativamente macio amorteceu a queda, antes de sentir as próprias costas tocarem o gelo.
-Você esta bem? –Alberich perguntou, sentindo a respiração descontrolada da jovem chocar-se contra si.
Ergueu a cabeça deparando-se com os orbes do cavaleiro fitando-lhe com preocupação.
-...; Entreabriu os lábios para responder, porém as palavras simplesmente não saiam. Sentiu a face incendiar-se ao toque suave do cavaleiro sobre a maçã do rosto.
-Eu falei pra tomar cuidado; Alberich sussurrou, porém não de forma que a repreendesse.
-Eu...; Ela balbuciou, sentindo a respiração quente dele, chocando-se contra sua face, instintivamente serrou os orbes.
Um meio sorriso formou-se nos lábios do cavaleiro, antes de aproximar-se de tal forma que roçasse-lhe os lábios delicadamente.
-ALBERICH. ALDREY; Flér gritou, correndo até eles com Haguen.
-Ahn! Consegue levantar?- Alberich perguntou, afastando-se rapidamente.
-...; A jovem assentiu, com a face em brasas, devido ao que 'quase' acontecera.
Alberich levantou-se, estendendo a mão para que ela pudesse se levantar.
-Vocês estão bem? –Haguen perguntou, preocupado.
-...; Os dois assentiram.
-Vamos até a margem colocar os patins, é perigoso ficar andando assim, por aqui; Flér falou, aproximando-se de Aldrey e ajudando-a a caminhar.
-Estamos empatados; Haguen sussurrou, para o cavaleiro antes de seguir atrás das duas.
-Uhn? –Alberich murmurou, arqueando a sobrancelha, sem saber do que ele estava falando. Deu de ombros, seguindo atrás dele. Era melhor nem tentar entender.
Continua...
