Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Carite, Adélia, Nora, Leda, são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
Boa Leitura!
Capitulo 15: Reunião.
I – Reunião.
Entraram na taverna sob o olhar curioso de uns e outros. Não era sempre que os guerreiros deuses de Asgard apareciam por ali apenas para beber e conversar, mas isso era o menos importante.
Infelizmente algumas pessoas de mente primitiva ainda os achavam seres intocáveis que apenas viviam para protegê-los, mesmo que uns e outros não merecessem isso.
-Boa noite meus amigos; Vidar falou, aproximando-se deles, com um guardanapo pendurado num dos braços.
-Boa noite; os três responderem.
-O mesmo de sempre?
-Sim; Alberich respondeu, lançando um olhar entrecortado a alguns que estavam lhe observando a tempo de mais.
-Venham comigo;
Seguiram Vidar pelo salão, o mesmo abriu uma porta na parte mais afastada da taverna, permitindo que eles entrassem. Era sempre assim, eles buscavam os lugares mais discretos onde poderiam conversar sem correr o risco de serem ouvidos ou observados.
Era um quarto fechado, com apenas uma mesa e algumas cadeiras. Não havia nada ali que pudesse dar vazão ao som; Alberich pensou, lembrando-se que calculara perfeitamente na hora de escolher aquele lugar.
-Só me dêem um minuto, vou trazer algumas canecas e vinho; Vidar falou, dando-lhes passagem.
-Obrigado; Siegfried agradeceu, enquanto os três entravam.
-Então Siegfried, o que aconteceu? –Mime perguntou, recostando-se na cadeira, apoiando uma das pernas sobre o joelho.
-Como foi com Nandor? –ele perguntou.
-Tive um pequeno problema; o cavaleiro respondeu, pensando na melhor forma de contar a eles sobre a presença inesperada de Anieri lá.
-Qual? –Alberich perguntou.
-Anieri me seguiu;
-O QUE? –os dois gritaram surpresos.
-...; Mime assentiu. –Não senti a presença dela, vocês sabem, qualquer cosmo é bloqueado naquela barreira entre Midgard e Nidavellir, só soube que ela estava lá, devido a alguns anões que a encontraram primeiro e tentaram atacá-la;
-Por Odin, o que aconteceu depois? –Siegfried exasperou.
-Tive que levá-la comigo, ela ouviu sobre as armaduras, mas não sabe para quem são ou quantas são, muito menos do resto; ele respondeu, calmamente.
-Mas ela vai investigar; o guerreiro deus comentou.
-Não; Alberich respondeu, prontamente. –Ela não pode chamar a atenção e denunciar a presença das demais, se fizer, é isso o que vai acontecer;
-O que quer dizer? –Mime perguntou confuso, ao vê-lo retirar de dentro do sobretudo, um discreto rolo de pergaminho.
-Aqui está o que me pediu, as respostas que precisa estão ai; Alberich falou, entregando a Mime o pergaminho.
O cavaleiro retirou a pequena fita vermelha que envolvia o papel, abrindo-o com cuidado para não correr o risco de que ele se desfizesse. Arregalou os olhos, surpreso, ao ler a primeira linha.
-Como conseguiu isso? –Mime perguntou, voltando-se para ele.
-Tenho minhas fontes; o cavaleiro respondeu com simplicidade. –Mas não saia espalhando, se não teremos problemas;
-...; Mime assentiu.
-Podemos voltar ao assunto inicial? –Siegfried perguntou, arqueando a sobrancelha, impaciente.
-Claro; Alberich respondeu, dando de ombros.
-Vocês receberam a carta?
-...; Os dois assentiram.
-Talvez ela chegue pela manhã; Siegfried comentou.
-Precisamos começar a agir logo. Aquela energia está aumentando ainda mais. Hoje vi Horus e Nat sobrevoando o castelo; Alberich comentou. –Acho que estavam fazendo reconhecimento de campo, mas isso é perigoso;
-Provavelmente Adélia deve ter ficado preocupada com o sumiço de Anieri e mandou os dois trás dela; Siegfried comentou.
Mime assentiu inconscientemente, ainda observando o pergaminho em mãos, realmente Alberich estava certo. Tudo que precisava estava ali, todas as respostas;
-Mime;
-Uhn! –ele murmurou, voltando-se para os dois que lhe observavam curiosos.
-Com licença; Vidar falou, entrando com uma bandeja nas mãos e as canecas. Colocou-as na mesa, acenando e saindo rapidamente, para dar-lhes privacidade.
-Algum problema Mime? –Alberich perguntou.
-Loki esta aprontando alguma coisa; ele comentou, lembrando-se dos episódios que se sucederam ao encontrar o cavaleiro espreitando Anieri.
-Como? –os dois perguntaram surpresos.
-Não sei o que é, mas fiquem atentos a ele. Se a Hilda marcar um conselho a qualquer momento, ele pode nos causar problemas; Mime avisou.
-...; Os dois assentiram e sabiam que esse conselho não estava muito longe de ser marcado.
-Quando ela chegar, nós conversaremos melhor sobre o conselho; Siegfried falou, vendo-os assentir. –Mas por enquanto precisamos dar um jeito de saber o que Loki esta tramando;
-Sem duvidas, temos de estar um passo a frente; Alberich falou, levando sua caneca aos lábios.
-Outra coisa, o que vocês sabem sobre as terras de Sindar? –Siegfried perguntou.
-Pouco, nunca fui lá; Alberich respondeu. Conhecia apenas o príncipe dos elfos daquela região, mas não tinha ido até aquelas terras ainda.
-Eu conheço, Sindar é a terra dos elfos das sombras, o líder deles é Sindar, filho de Freyr; Mime respondeu. -Mas porque quer saber?
-Tem uma Valkiria protegendo aqueles limites. Eu havia me esquecido disso e acabei indo caçar com Shido daqueles lados; ele explicou.
-VOCÊ É LOUCO? Quer que a Coralina te mate; Mime falou, literalmente cuspindo o que havia tomado ao ouvir o que ele falara.
-Concordo com Mime, foi risco demais, ou melhor, estupidez demais; Alberich falou, balançando a cabeça inconformado. –Shido a viu?
-Viu, ele tentou caçar a Ceres;
-Céus, como você pôde deixar isso acontecer? –Mime exasperou.
-Quando eu vi, já não tinha mais jeito, por muita sorte ele não acertou a Ceres; Siegfried falou, recostando-se melhor na cadeira. –Mas posso apostar que a Coralina ainda quer matá-lo por isso;
-E não duvide que ela o faça, se ele chegar perto dos limites de Sindar novamente; Mime avisou.
-É melhor tomarmos mais cuidado daqui em diante, estamos sendo vigiados de mais por elas. Isso não é bom; Alberich falou, suspirando cansado.
Os dois concordaram, enquanto continuavam a discutir sobre tudo o que precisavam resolver ainda aquela noite.
II – Entre Irmãos.
Kamus e Eros deram uma desculpa qualquer para saírem do templo, deixando-os sozinhos. O clima pesara sobre o templo de Aquário, no exato momento em que estavam contando a Anteros sobre a visita de Freyr e o sumiço de Freya.
Mesmo Aishi se precavendo e pedindo a ajuda de algumas pessoas para fazer uma busca mais confiável por Asgard, ainda não era o suficiente, o que mais chamou a atenção da jovem, fora que Anteros mostrara-se perturbado quando falara sobre a estranha e perigosa energia que se manifestara daqueles lados.
Agora estavam no momento em que conversariam entre irmãos, sem restrições a nada.
-Então, por acaso tem algo que você gostaria de me contar? –Aishi perguntou, observando-o atentamente.
-Mana, é um assunto delicado; ele começou respirando fundo.
-Não se preocupe, temos todo o tempo do mundo; ela falou, esperando paciente que ele começasse.
III – Conversa Alheia.
Suspirou cansado, andara o dia todo por Asgard sem ao menos ter um rumo certo. Deveria ter ficado no palácio, pelo menos não estaria morrendo de frio agora, por ter saído sem blusa; Bado pensou, enquanto cruzava as portas do palácio, entrando.
Parou por um momento no hall, a noite já caia e os archotes estavam começando a serem acesos. Ouviu vozes não muito longe de onde estava, possivelmente vindas da cozinha. Intrigado aproximou-se, procurando não ser notado.
-Nora, ele é simplesmente perfeito; ele ouviu Leda falar para a jovem, em meio a um suspiro.
-Deve ser mesmo, pra ficar te fazer suspirar o tempo inteiro; Nora provocou.
-Não é nada disso; ela rebateu, ficando emburrada, embora a face levemente afogueada dissesse o contrario. –Mas falando sério, nunca conheci alguém como ele;
-Uhnnnnnnnn; Nora murmurou, com um sorriso maroto.
-Você não me leva a sério mesmo; Leda resmungou, enquanto continuava a arrumar as coisas para o jantar.
-Não; Nora brincou, vendo-a ficar ainda mais emburrada.
As duas pararam ao ouvirem o som de algo cair no corredor. Franziram o cenho, ao abrir a porta da cozinha notando que o corredor estava vazio, porém um castiçal havia caído de um aparador ali perto.
-Estranho; Nora comentou.
IV – Anjo de Gelo.
Suspirou cansado, ergueu os braços para cima, fazendo um breve alongamento. Respirou fundo, levantando-se. Era melhor andar um pouco, estava ficando tempo de mais sentado naquela escrivaninha.
Passou os dedos calmamente entre as longas melenas negras, enquanto encaminhava-se para a cozinha. O dia estava mais frio do que o comum, um chá não faria mal agora; Aaron pensou, porém parou antes de passar pela porta da cozinha, ao ouvir o som de batidas na porta da frente. Quem estaria ali àquelas horas? –ele se perguntou, dificilmente recebia visitas.
-Quem é? –perguntou, aproximando-se com cautela da porta.
-Aaron, sou eu. Dohko; o libriano falou, literalmente batendo os dentes do lado de fora. Estava acostumado com o frio de Rozan, mas o Siberiano era bem pior.
-Dohko? –Aaron falou surpreso. Abriu a porta rapidamente, deparando-se com o cavaleiro praticamente branco de frio. -Entra; ele falou, lhe dando passagem.
Arrastando os pés, Dohko entrou na casa. Suspirou aliviado, ao ver uma lareira acesa, esquentando o local.
-O que lhe trás aqui? –o antigo cavaleiro de Aquário perguntou, surpreso.
-Missão do santuário; ele respondeu, esfregando as mãos umas nas outras para se aquecer.
-Aconteceu alguma coisa? –Aaron perguntou, preocupado.
-Depende, podemos conversar ou está ocupado?
-Não, senta ai, tava indo fazer um chá; ele respondeu.
-Obrigado; Dohko agradeceu, deixando uma mochila que tinha nas costas em um canto e sentando-se numa poltrona próximo a lareira.
-Só um minuto; Aaron falou, entrando na cozinha.
O cavaleiro assentiu. Voltou-se para o lugar, era uma casa modesta que ele vivia desde a época que treinara Kamus, porém parou curioso ao ver um laptop em cima da escrivaninha. Aproximou-se curioso.
-Anjo de Gelo; Dohko murmurou, olhando curiosamente para o que ele havia escrito.
-Ah, estou trabalhando nesse livro; Aaron falou, entrando na sala com uma bandeja e duas xícaras.
-Uhn? Desculpe; o cavaleiro falou constrangido.
-Imagina. Mas me diz, o que aconteceu pra vir parar nesse fim de mundo? –ele perguntou, sorrindo.
-É uma longa história e eu ainda estou me perguntando como fui convencido a isso; ele respondeu, recostando-se na poltrona com ar cansado.
-Fique a vontade, não tenho pressa; Aaron respondeu, calmamente.
V – Conservatório.
Já estava a um bom tempo ali, deveria fazer uma pausa, mas não estava nem um pouco disposta a isso. Desde que Ariel mudara-se deixara de ensaiar em casa. Ainda encontrava a prima todos os dias desde que ela voltara da lua de mel, mas ainda sim, transformara um habito ensaiar em uma das salas de musica do conservatório.
-Carite; Tália falou, entrando toda esbaforida na sala.
-O que foi? –ela perguntou, voltando-se para a jovem que tinha um sorriso no mínimo malicioso nos lábios. –O que está aprontando?
-Eu, nada, imagina; a musa respondeu, alargando o sorriso e gesticulando displicente. –"Uhn! Conto ou não conto?" –ela se perguntou.
-Pra você sorrir desse jeito, você não me engana, o que está aprontando? -a sereia perguntou, enquanto levantava-se caminhando ate uma mesa, onde deixara algumas partituras.
-Bem...; Tália começou, forçando um ar inocente e olhar angelical. –Eu tinha uma coisa pra te contar, mas é melhor não estragar a surpresa; ela completou.
-O que está tramando Tália? –Carite insistiu, mas a musa simplesmente saiu correndo de dentro da sala. –Estranho, o que deu nela? –ela se perguntou, enquanto tornava a senta-se em frente ao piano.
Respirou fundo, preparando-se para começar a tocar, porém estancou surpresa com os dedos a ponto de tocarem o teclado, ao sentir uma respiração quente e ritmada chocar-se contra a pele desnuda do seu pescoço e o cheiro refrescante de Quazar chegar de maneira devastadora a suas narinas.
-Oi; Anteros falou, com um sorriso de menino arteiro vendo o olhar chocado da jovem sobre si.
-An-te-ros; Carite falou, com a voz tremula.
-...; Ele assentiu, mantendo o sorriso descarado nos lábios, ao estender-lhe um delicado ramalhete de rosas vermelhas. –Pra você;
-Obrigada; Carite conseguiu balbuciar. –São lindas; ela murmurou, fechando os olhos momentaneamente aspirando a doce essência das flores.
Anteros sentou-se num pequeno espaço ao lado dela no banco, fitando-a intensamente, enquanto encostava-se sobre o piano.
-Pensei que estivesse em Asgard; ela comentou, fitando-o. Ele estava diferente, de alguma forma conseguia sentir uma outra energia o envolvendo.
-Estava, cheguei de viagem agora a pouco; ele respondeu, deixando os dedos passarem displicentes pelos cabelos arrepiados.
Carite serrou os orbes de maneira perigosa. Havia sim alguma coisa de diferente e ele estava tramando algo.
-O que aprontou dessa vez Anteros? –Carite perguntou a queima roupa.
-O que te faz crer que eu fiz alguma coisa? –ele perguntou, com falsa indignação.
-...; A jovem apenas arqueou a sobrancelha.
-Está bem, admito, mas não foi nada sério; ele desconversou, lembrando-se do que conversara com Aishi e do grande, ou melhor, imenso sermão que levara.
-Não me conv-...; Antes que pudesse ao menos completar os pensamentos, sentiu-o tocar-lhe os lábios com os seus num beijo intenso, obliterando todos os pensamentos que pretendiam formar-se em sua mente.
Tomou-lhe o buquê das mãos, colocando-o sobre o piano, enquanto enlaçava-a pela cintura. Sentiu a jovem hesitante, enlaçá-lo pelo pescoço. Enquanto aprofundava o beijo, tirando-lhe um suspiro dos lábios.
-Anteros; ela sussurrou, afastando-se parcialmente dele.
-Tem coisas que a gente não explica; Anteros sussurrou, roçando-lhe os lábios de maneira provocante. –Senti saudades; ele completou, antes de tomar-lhe os lábios novamente em um beijo sôfrego.
VI – Lembranças.
Entrou em seu quarto rapidamente, havia passado mais tempo na taverna do Vidar do que imaginara; Mime pensou, respirou fundo, era melhor tomar um banho e descansar um pouco, teria muitas coisas para fazer pela manhã; ele pensou.
Abriu o armário num canto do quarto, pegando algumas roupas e toalhas que usaria. Enquanto guardava o pergaminho que Alberich lhe dera num lugar seguro, amanhã o leria com calma.
Minutos depois saia do banheiro, enxugando os cabelos. Aproximou-se da janela notando a lua vermelha no céu.
-Ela já chegou; ele murmurou, fechando os olhos momentaneamente, como se conseguisse sentir sua presença.
Não podia negar que sentira falta dela depois de tantos anos longe. Como será que ela estaria agora? –Mime se perguntou, lembrando de todas as coisas que aconteceram desde o momento em que se conheceram até a hora da separação.
Voltariam a se encontrar, quem diria que o destino faria com que os quatro estivessem juntos para resolver de vez aquela historia. Quem sabe os deuses realmente queriam aquela batalha final; ele pensou, deitando-se na cama.
Fechou os olhos, deixando-se ser arrastado lentamente para um mundo de sonhos e de lembranças.
-Sonho / Lembrança-
-Vamos Mime, não lembro de ter dito que podia descansar; Folken falou, com um olhar severo para o garotinho de cabelos alaranjados e orbes carmesim que agora deveria contar com quatro ou cinco anos mais ou menos.
-Mas...; Ele mal teve tempo de se justificar, quando recebeu um forte tapa na lateral direita da face, jogando-o de encontro a um pilar de pedra, devido à força empregada no golpe.
Deixou-se escorrer até o chão, sentindo um rastro quente escorrer por seus lábios. Tocou-os com a ponta dos dedos, notando-os vermelhos, diante de seus olhos.
-Volte a treinar; Folken mandou, entrando em casa, deixando-o para fora. –"Me desculpe filho, mas precisa ser assim"; ele pensou, lançando um olhar triste de esguelha ao garotinho.
Sentiu uma onda de fúria crescer em seu peito e os orbes queimarem furiosos. Deu as costas a casa, embrenhando-se no bosque ali próximo. Não iria treinar, não agora; ele pensou.
Caminhou um bom tempo entre os frondosos pinheiros, que mal notou que anoitecera. Ergueu os olhos para o céu, deparando-se com a lua vermelha imponente, como se lhe observasse. Olhou para todos os lados, estava perdido; ele pensou, sentando-se em baixo de uma arvore.
Estava cansado e com sono, precisava parar um pouco; ele pensou, sentindo o corpo cansado.
Não sabia se havia dormindo ou quanto tempo estava ali, apenas que sentia frio, porém algo macio e quente aproximou-se. Abriu os olhos lentamente, para arregalá-los em seguida, vendo a seu lado um tigre branco, ou melhor, um filhote de tigre, aninhando-se a seu lado em busca de calor.
O inverno estava chegando, embora Asgard fosse uma terra coberta de gelo, aquela era sempre a pior época, que até mesmo os animais que eram resistentes a baixas temperaturas sofriam com aquilo.
-Oi; ele murmurou, passando a mão sobre a cabeça do tigre, ouvindo-o ronronar. Arqueou a sobrancelha, surpreso. –Está perdido?
O tigre voltou-se para ele. Era como se ele conseguisse enxergar o mais fundo de sua alma através daqueles orbes azuis; Mime pensou, engolindo em seco, praticamente hipnotizado. Piscou confuso, ao ver que o tigre, estranhamente assentia.
-Somos dois, então; ele murmurou, acomodando-se melhor no chão. Retirou a blusa longa e pesada que vestia, jogando sobre o tigre, para que pudesse cobri-lo.
Não pretendia sair dali, não agora, sentia-se mais calmo na presença daquele tigre. Era estranho, mas a muito não sentia aquela paz, nem com a presença do pai, que deveria lhe transmitir segurança não se sentia assim; ele pensou, caindo novamente no sono.
O dia amanheceria e muitas surpresas esperavam por ele quando despertasse. Surpresas que mudariam sua vida.
-Fim do Sonho/ Lembrança-
Remexeu-se na cama, acomodando-se melhor e envolvendo-se entre as cobertas, caindo dessa vez em um sono sem sonhos;
Continua...
