Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Anieri e Amélia são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.


Aldrey também é um personagem meu, mas foi criado com a grande ajuda da minha amiga Margarida .


Boa Leitura!


Capitulo 16: Que o Jogo Comece.

I - Revelações.

Andava de um lado para outro em seu quarto. A cada segundo mais inquieta. Respirou fundo, ficar naquele dilema não iria lhe ajudar em nada, precisava fazer alguma coisa. Aproximou-se da sacada, abrindo as portas e sentindo o vento frio da noite tocar-lhe a face.

Ao longe pôde vislumbrar na entrada do palácio, três figuras conhecidas entrando. Franziu o cenho, desde quando os três andavam juntos? Não que sair com os amigos num final de tarde para beber fosse algo anormal, mas estava tão acostumada a vê-lo tão serio que isso lhe surpreendia.

-"Droga, preciso parar de pensar"; Hilda concluiu, passando as mãos nervosamente entre os cabelos azuis com finas mexas prateadas.

Sentou-se em frente à penteadeira, fitando-se pelo reflexo do espelho. Fechou os olhos por um momento, quando as palavras do Onipotente voltaram á sua mente, às vezes chegava a pensar que não seria nada mal desejar uma vida normal, porém achava que isso era egoísmo de mais para si.

Ser a governante inabalável e intocável de Asgard nem sempre eram coisas boas em sua vida. Alem de ser uma princesa e governante, era uma Valkiria. Não sabia qual dos títulos pesava mais em sua vida. Quem sabe a presença dos três; ela pensou, dando um suspiro.

Estava cansada de ficar se escondendo. A imagem da menina frágil que precisa ser protegida, estava lhe cansando a cada dia que passava. Lembrou-se de tudo que aconteceu no tempo em que esteve fora de Asgard, quando Durval ainda governava.

Fora treinada para ser uma Valkiria, lutar e agir como uma. Não esperava que Durval fosse começar uma guerra contra o santuário. E a deusa houvesse decidido que agora ela reinaria sobre Asgard despertando os guerreiros deuses para isso.

Não estava preparada para assumir essa responsabilidade, mas era para o bem da Terra Média. Ainda lembrava-se do primeiro Conselho que participara. O medo que aquilo lhe trouxera, estar na presença dos principais lideres de Eldar, Sindar, Nandor, entre outros, como os antigos guardiões Folken, Alberich XVIII entre outras pessoas ilustres representando Midgard que hoje infelizmente não caminhavam mais sobre essa terra.

Flér era muito pequena na época em que retornara ao palácio, passando um bom tempo sob a supervisão de Alana, já que os assuntos políticos do palácio, lhe permitiam pouco tempo com a irmã mais nova.

Quando pensou que não agüentaria mais aquilo, o conheceu. Eram jovens naquela época, talvez não contassem com mais de onze anos. Não chegara a terminar seu treinamento devido à necessidade de assumir o controle de Asgard, mas tinha o cosmo elevado o suficiente para fazer grandes coisas e assumir o trono que lhe era de direito, embora houvesse desejado que isso nunca fosse necessário.

Quantos anos já haviam se passado, muitos sem duvida, que depois do primeiro simplesmente deixara de contar, mas aquele martírio ainda perdurava. Ainda lembrava-se do olhar de devoção dirigido a si toda vez que sentava-se sobre o trono de Ébano, vindo daqueles que sempre desejara ter como amigos e dele.

Não queria ser metade daquilo que lhe fora imposto, mas era sua missão e não podia abandoná-la, era algo para a vida toda, mas precisava contar pelo menos a ele sobre isso. Não agüentava mais guardar esse segredo somente para si; ela pensou, levantando-se em um rompante.

Abriu a porta do quarto, fechando-a atrás de si, seguindo a passos rápidos pelo corredor.

II – Memórias.

-Boa noite; ele falou, despendido-se dos outros dois, enquanto seguia para o lado oposto do corredor.

-Boa noite; Mime e Alberich falaram afastando-se silenciosamente, haviam acabado demorando demais na Taverna do Vidar, o que acabou por fazê-los perderem não só o jantar, como possivelmente terem de ouvir algum comentário indiscreto no café da manhã.

Afastou-se a passos rápidos, entrando na primeira sala que viu, mal notando que era a sala de musicas que ficava ali. Aproximou-se das enormes janelas, vendo que uma fina tempestade de neve havia começado.

Só esperava que ela não houvesse saído a noite para caminhar, ou poderia ter sérios problemas com isso; ele pensou, passando a mão suavemente entre os fios de cabelo loiro-acinzentado, que caiam displicentes sobre os ombros, suspirou cansado.

Apoiou as mãos sobre o vidro da janela, deixando a testa encostar levemente sobre o plano frio, vendo seu próprio reflexo ali. Os orbes azuis pareciam cansados, aquilo estava lhe desgastando, não podia negar.

Tantas coisas haviam acontecido naqueles últimos anos, mas parecia que o destino lhes dava uma chance de resolverem de vez aquilo. Não estava mais agüentando passar os anos apenas como um guardião, por não poder contar a ela tudo o que estava acontecendo.

Afastou-se da janela, indo sentar-se calmamente num banco em frente ao piano de calda. Um meio sorriso formou-se em seus lábios, ao lembrar-se das varias vezes que estivera naquela sala, ouvindo-a tocar. Descarregando todas suas magoas e frustrações. Todos os sentimentos reprimidos nas teclas de marfim. Franziu o cenho ao notar uma partitura sobre o piano.

-As Valkirias, de Richard Wagner; Siegfried murmurou. –"Que irônico"; o cavaleiro não foi capaz de reprimir tal pensamento entre outras lembranças que surgiram em sua mente como uma torrente interminável.

-Lembrança-

Montou no cavalo, apeando-o com rapidez. Uma lança na mão, saiu a caça. Fazia parte de seu treinamento desenvolver algumas técnicas que requeriam treinar habilidades como agilidade. Evitando assim ser pego facilmente de surpresa, o que jamais poderia acontecer.

A noite já havia caído e a lua vermelha ergueu-se no céu. Correu em meio à neve, passando por varias arvores em seu caminho, sabia que estava próximo a cachoeira de gelo nos limites do palácio, mas não se importou em mudar sua rota, indo para o bosque, mas no sentido oposto.

Viu em meio à neve algo branco se mover, deveria ser impressão sua, mas provavelmente era algum cervo andado por aqueles lados, não faria mal começar a treinar com um alvo móvel; ele pensou, enquanto diminuía a velocidade, andando com mais cautela.

Sentia a respiração descompassada e pesada devido ao frio, mas resistência era uma das coisas que não podia faltar e não iria desistir só por isso.

-"Mas que raios é isso?"; ele se perguntou, ao ver um par de orbes azuis acenderem-se em sua direção.

Sentiu um arrepio cruzar-lhe as costas e o corpo estremecer. Procurou recuperar o controle emocional e continuou sua empreitada.

Deparou-se com um largo lago de gelo congelado e para a sua surpresa o que estivera seguindo era um tigre branco. Já ouvira falar de quão perigosos eram, mas nunca vira um de perto. Deu de ombros, isso não era importante, provavelmente sua pele estaria enfeitando o chão da sala de sua casa no dia seguinte; ele pensou, com certa leviandade.

Levantou a lança e estava prestes a atacar, quando um corpo pesado lançou-se contra o seu, jogando-o contudo no chão.

-O que pensa que esta fazendo? –Siegfried perguntou, com os orbes faiscando de raiva.

-Eu que pergunto, idiota; um garoto da mesma idade que si, de orbes carmesim e cabelos alaranjados falou, visivelmente irritado.

Sem falar mais nada os dois passaram a rolar na neve trocando socos e chutes, até que Mime conseguiu fazê-lo soltar a laça. Embora parecesse levar desvantagem, jogou o outro contra o tronco de uma arvore, ignorando o gemido de dor emitido pelo mesmo quando um estalo foi ouvido, provavelmente vindo de uma costela quebrada.

-Nunca mais se aproxime dela; ele avisou, com os orbes faiscando.

-O que? –Siegfried perguntou, confuso. Mantendo uma das mãos as costas, tentando conter a dor.

Mime afastou-se pegando a lança nas mãos e partindo-a em vários fragmentos. Caminhou sem olhar para trás, até se aproximar do lago de gelo e para a surpresa de Siegfried o tigre virou-se para ele, sentando-se no chão sobre as patas traseiras, esperando-o.

Viu-os partirem juntos e surpreendeu-se com isso. Sabia quem era o garoto, mas porque ele protegia o tigre, já ouvira falar coisas tenebrosas sobre aquele animal, mas a docilidade do olhar que lançara ao garoto e o comportamento delicado queriam dizer outra coisa, mas porque as pessoas o temiam tanto? –ele se questionou, intrigado.

Tomado pela curiosidade, seguiu o rastro dos dois a noite toda, por vezes pensou estar andando em círculos na orla da floresta, mas por fim encontrou uma pequena casa nos limites entre Asgard e a Sibéria, bem longe do palácio. O dia já estava amanhecendo, viu Mime rapidamente retirar a capa que vestia, colocando sobre o tigre.

-O que ele esta fazendo? –Siegfried se perguntou, ao ver os raios fracos do sol chegarem até eles, quando algo surpreendente aconteceu.

-Fim da Lembrança –

-Siegfried; alguém chamou, colocando a mão sobre seu ombro.

-Uhn? –ele murmurou, piscando confuso, virou-se na direção da voz, deparando-se com a jovem de orbes azuis. –Hilda;

-...; Ela assentiu. –Poderíamos conversar? –Hilda perguntou, hesitante.

-Claro; o cavaleiro falou, com um meio sorriso, afastou-se um pouco do banco, dando espaço para que ela se sentasse.

Hilda pareceu hesitar um momento, mas dando um suspiro derrotado, sentou-se à conversa seria longa; ela pensou.

III – Desde quando?

Mime ficara para trás, enquanto resolvera ir direto para seu quarto. Estava aproximando-se da porta do quarto, quando franziu o cenho ao ver alguém sentado e encolhido em frente à porta. Não precisou pensar muito para saber quem era.

Abaixou-se em frente a jovem de longas melenas castanhas, respirou fundo, sentindo uma essência suave de flores invadir suas narinas.

-Aldrey; Alberich chamou num sussurro.

Viu a murmurar algo, remexendo-se um pouco incomodada pela posição que estava, porém continuou dormindo. Balançou a cabeça levemente para os lados, recriminando-se por tê-la feito esperar, mas não pensou que fosse levar tanto tempo para resolver as coisas com os outros.

Apoiando um joelho sobre o chão, passando um dos braços pelas costas dela e o outro por baixo das pernas, para suspendê-la do chão. Sentiu-a aninhar-se entre seus braços e suspirar.

Olhou para todos os lados, iria levá-la para onde agora? –ele se perguntou, sabendo que o quarto dela ficava praticamente do outro lado do palácio no terceiro andar, próximo ao de Hilda e Flér. Era uma caminhada muito longa para fazer aquela hora; ele pensou dando-se por vencido, abrindo a porta do próprio quarto e entrando.

O primeiro que abrisse a boca para pronunciar um comentário malicioso pela manhã viraria ametista; ele pensou, com uma veinha saltando na testa, já imaginando que nem uma atitude inocente era perdoada por uns e outros de mente deturpada.

Aproximou-se da cama, deitando a jovem delicadamente sobre a mesma. Sentiu-a agarrar-se firmemente em sua camisa, não querendo soltá-lo. Tocou-lhe a mão sentindo-a fria, porém logo se aqueceu após um toque tão sutil.

Viu-a encolher-se na cama, enquanto a cobria com colchas pesadas, prevendo que a temperatura iria cair ainda mais pela madrugada.

-Durma bem; ele sussurrou, não conseguindo controlar o impulso, dando-lhe um beijo suave no topo da testa.

Afastou-se, sentando-se em uma poltrona num canto do quarto, vendo-a ressonar baixinho. Não iria conseguir dormir, era humanamente impossível conciliar o sono sentindo aquele cheiro de flores impregnado até mesmo em suas roupas; Alberich pensou, passando a mão nervosamente pelos cabelos, mas procurou acomodar-se melhor na poltrona, esperando o tempo passar.

Desde quando estava pensando essas coisas? –ele se perguntou, intimamente irritado pelo rumo que seus pensamentos estavam tomando, fazendo com que inconscientemente seus olhos, voltassem a pousar sobre a jovem adormecida com ar sereno sobre sua cama.

Remexeu-se incomodado na poltrona.

-"Droga, preciso parar de pensar, se não nem cochilar eu vou conseguir"; Alberich concluiu, voltando seu olhar para a janela a seu lado. –"Ela certamente já deve ter chegado, dá pra sentir"; ele pensou, fechando as cortinas, para que a luz de fora não entrasse, atrapalhando o sono da jovem.

IV – Paranóia.

Finalmente havia terminado as tarefas do dia e poderia descansar, pelo menos não teria nenhuma reunião que lhe obrigasse a ficar acordada a noite toda; Anieri pensou, terminando de guardar as coisas na cozinha e indo para seu quarto, numa das alas mais afastadas do castelo, onde as outras também ficavam.

Mal deu um passo para fora da cozinha, sentiu uma mão forte fechar-se sobre seu braço, puxando-a para as sombras. Debateu-se tentando se soltar, mas foi em vão. Até sentir suas costas chocarem-se contra a parede fria.

-Me solta; ela mandou, irritando-se com o individuo, dando-lhe um chute certeiro na área de lazer (ou para ser mais especifico, no baixo ventre).

Ouviu um gemido de dor, quando o mesmo caiu no chão e a luz dos archotes o iluminaram.

-Loki? –Anieri falou surpresa, porém intimamente divertindo-se com a situação pouco favorecida do cavaleiro. Um a zero; ela pensou satisfeita, pelo menos descontara a noite mal dormida por causa do que aquele idiota lhe falara.

-Claro; ele respondeu, com a voz num fraco sussurro.

Viu-o levantar-se com certa dificuldade, encostando-se na parede.

-Você esta bem? –Anieri perguntou, sem esconder o sarcasmo, viu-o serrar os orbes de maneira perigosa, sem responder. –O que quer?

-Precisamos conversar; ele respondeu, recompondo-se.

-Não, se tem algo pra falar espere até amanhã; ela falou, cansada demais para levar aquilo adiante. Deu-lhe as costas, porém ele segurou-lhe pelo braço, impedindo-a de ir.

-Não digo eu, vamos, diga logo o que Mime esta tramando; Loki mandou.

-O que? –Anieri perguntou, fazendo-se de desentendida.

-Não sou idiota pra cair com essa sua cara de inocente Anieri, não abuse da minha paciência. Se algum cavaleiro esta desobedecendo às ordens da princesa, ou ameaçando Asgard eu tenho de tomar uma providencia, então comesse a falar; ele exigiu.

-Loki; ela começou, com a voz pausada e extremamente calculada. –Porque acha que Mime esta tramando alguma coisa?

-Eu o conheço melhor do que você. Sei do que estou falando; Loki respondeu, enfezado.

-Sabe tanto que o julga por si mesmo; Anieri rebateu a queima roupa, pegando-o de surpresa. –Se esta tão paranóico com algum atentado a Asgard investigue por contra própria, mas é perda de tempo, Mime nunca faria algo do tipo; ela falou, afastando-se.

-Duvido muito; ele resmungou, frustrado por ter sido ignorado. –Aonde foram hoje? –o cavaleiro não resistiu em perguntar, passara a tarde toda remoendo as possibilidades de onde e o que os dois estariam fazendo para terem chegado juntos ao palácio, que nem mesmo perguntando a Sisi, conseguiu obter alguma resposta lógica.

-Não lhe interessa; a Valkiria respondeu, sumindo no corredor.

-"Não me convenceu, mas não me importa o que precise fazer, mas ainda vou descobrir o que ele esta armando"; Loki pensou.

Afastou-se, sem notar que era observando por um par de orbes azuis que serraram-se perigosamente, não gostando nem um pouco da situação que presenciara, mas isso resolveria outra hora. Afastou-se rapidamente sem ser notado. Desaparecendo em meio à noite.

V – Encontros.

O dia amanhecera e todos os cavaleiros já se reuniam com Hilda na sala de jantar para o café da manhã, apenas um estava ausente.

-Bom dia; Alberich falou, sendo o ultimo a chegar junto com Aldrey.

-Bom dia; todos responderam num murmúrio, embora alguns cavaleiros houvessem notado o ar cansado do cavaleiro, típico de alguém que passara a noite em claro, mas preferiram não comentar nada, afinal, a possibilidade de virar uma estatua de ametista era bem grande.

-Aonde esta Mime? –Flér perguntou curiosa, notando que o lugar dele estava vago.

-Ele saiu cedo; Siegfried respondeu, impassível.

-Aconteceu alguma coisa? –Loki perguntou, com falsa preocupação.

-Não, ele só tinha algumas coisas pra resolver, mas talvez na hora do almoço ele já esteja de volta; o cavaleiro respondeu, não gostando nem um pouco das indagações de Loki.

-Bem, vamos tomar café então; a princesa falou, querendo apaziguar a corrente de tensão existente entre os dois cavaleiros. Deixaria para falar com Siegfried depois, sem levantarem suspeitas de nada.

-o-o-o-o-

Arrumou as luvas na mão de forma que impedisse que qualquer ar gelado entrasse. O longo vestido branco delineava-lhe as curvas esguias e os longos cabelos prateados, andou calmamente por aquele pequeno vilarejo próximo ao palácio, notando o olhar curioso de muitas mulheres sobre si.

Era sempre assim, um bando de submissas sem perspectiva; ela pensou, balançando a cabeça levemente para os lados, reconhecendo perfeitamente cada um dos rostos que lhe fitava.

Não muito longe de onde estava, encontrou uma pequena taverna, onde havia combinado de encontrá-lo.

Uma pequena sineta tocou na porta, anunciando sua chegada, algumas pessoas tomavam café animadas. Embora ainda fosse cedo, algumas mesas estavam cheias de pessoas que conversavam, provavelmente hospedes da pensão anexa a taverna.

-Deseja alguma coisa senhorita? –Vidar perguntou, aproximando-se ao vê-la sentar-se em uma mesa afastada dos olhares curiosos.

-Apenas um chá; ela falou, voltando-se para ele.

Vidar engoliu em seco, ao deparar-se com os orbes azuis da jovem, um arrepio cruzou-lhe as costas. Poderia dizer que aqueles olhos eram capazes de enxergar o mais fundo de sua alma, como olhos de um gato. Assentiu, fazendo uma breve reverencia, afastando-se em seguida.

-Deseja companhia senhorita? –um homem de cabelos negros e barba de mesma cor perguntou, aproximando-se até parar em frente a jovem, porém separados pela mesa.

-Castor crê que se a senhorita desejasse companhia teria pedido, não esperado que um porco como você se apresentasse; uma voz falou atrás da jovem, com sarcasmo, porém numa ameaça velada de morte lenta e dolorosa,

-Mime; o homem falou, com os dentes serrados.

-Suma daqui; o cavaleiro mandou, com um olhar perigoso.

Resmungando mil impropérios Castor afastou-se, afinal não era estúpido o suficiente para bater de frente contra um guerreiro deus, estando em clara desvantagem.

Esse sem duvidas eram um dos membros do conselho que não fazia a mínima questão de ter algum respeito; Mime pensou, acompanhando-o com um olhar de soslaio, antes de voltar-se para a jovem.

-Posso? –ele perguntou, notando que ela o observava curiosamente.

-...; Ela apenas assentiu.

-Vim assim que recebi sua carta; Mime falou, sentando-se.

-Pensei mesmo que estivesse tendo algum contratempo; ela falou, com um doce sorriso.

-Eu não diria exatamente isso; ele respondeu calmamente. Ao vê-la estender-lhe a mão. –É um prazer revê-la, Amélia;

-Igualmente; ela respondeu, vendo-o delicadamente pousar os lábios sobre a costa de sua mão, num beijo sutil.

Encararam-se durante alguns segundos em silencio, nenhuma palavra fora pronunciada, mas era como se a muito já soubessem o que o outro pensava. Vidar aproximou-se deixando o chá. Surpreendeu-se com a presença do cavaleiro, mas o máximo que fez, foi perguntar se ele desejava algo, afastando-se em seguida.

Muitas coisas mudariam agora e o jogo estava apenas começando.

Continua...