Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Aldrey, Nora, Leda, Anieri, Coralina, Ceres,
Boa Leitura!
Capitulo 18: Lembranças Antigas.
.I.
Da janela de seu quarto viu os três cavaleiros saírem do palácio acompanhados de Aldrey e uma garota desconhecida. Quem seria ela? Poderia parecer impressão a sua, o que achava pouco provável, mas aqueles três pareciam conhecer muito bem a jovem.
Saiu do quarto, descendo as escadas do hall central e foi em direção a um dos guardiões que estava na porta, provavelmente também intrigado com a cena.
-Thor; Loki chamou, aproximando-se.
-Sim; o guerreiro deus falou, voltando-se para ele.
-Quem é aquela garota de cabelos prateados? –ele perguntou, sem esconder o tom de curiosidade em sua voz.
-Não sei; Thor respondeu, com simplicidade. –Ouvi eles apenas a chamarem de Amélia, mas não a conheço; ele respondeu.
-"Amélia"; Loki pensou, ainda mais intrigado, porque tinha a leve impressão de já ter ouvido esse nome antes, mas era melhor certificar-se de outras coisas primeiro. –Está certo, obrigado;
-Por nada; ele respondeu, vendo o cavaleiro se afastar.
-o-o-o-o-
-Quem são vocês? – Fenrir perguntou, barrando a entrada dos cavaleiros de ouro no palácio.
-Aaron e Dohko, cavaleiros de Athena; o aquariano respondeu, pacificamente.
-Cavaleiros de Athena, o que querem aqui? –o guerreiro deus de Ariórtes perguntou surpreso, há pouco tempo atrás um cavaleiro e uma amazona haviam estado no palácio a mando de Athena também.
-Viemos falar com a princesa Hilda; Dohko respondeu.
-Venham comigo; Ferir respondeu, abrindo os portões para que eles pudessem entrar e com um breve assovio, fez os lobos que jaziam escondidos entre os arbustos ali perto se dispersarem, ao verem que não era nenhum problema.
-o-o-o-o-
-Por Odin, o que esses cavaleiros de Athena querem tanto aqui? -Leda resmungou, andando de um lado para o outro.
-Algum problema Leda? –Alana perguntou, entrando na sala de recepção do palácio, vendo a jovem praticamente pendurada na janela.
-Alana olha só; ela falou, apontando para a janela.
A senhora, um tanto quanto hesitante aproximou-se. Viu na entrada do palácio dois homens serem escoltados por Fenrir, provavelmente cavaleiros.
-Como sabe que são cavaleiros de Athena? –Alana perguntou, observando atentamente a constante aproximação.
-Aquele de cabelos negros, se chama Aaron. Ele era o mestre daquele cavaleiro que esteve alguns dias atrás aqui com a noiva, a amiga da deusa. Aaron vive agora numa casa na fronteira da Sibéria com Asgard, num local mais isolado, longe da vila; ela explicou, embora não estivesse nem um pouco disposta em contar como sabia de tudo aquilo.
Afastou-se rapidamente da janela ao ter a leve impressão de que os orbes acinzentados haviam virado em sua direção. Voltou-se para a senhora, notando que Alana estava incrivelmente pálida.
-Algum problema? –Leda perguntou preocupada. Deu-lhe o braço, ajudando-a a sentar-se em um dos sofás da sala.
-Acho que sim; Alana falou tão baixo que Leda quase não pode ouvir. –"O que ele esta fazendo aqui?"; ela pensou aflita.
Séculos se passaram e por isso nunca poderia esperar. Levou uma das mãos a cabeça, sentindo-a latejar insistentemente. Seus pensamentos estavam agora num incrível pandemônio e ela mal sabia o que as Deusas do Destino estavam lhe reservando.
.II.
Caminhavam a um bom tempo, conversando sobre coisas banais. Mal podiam acreditar em todas as coisas que contavam e ouviam sobre os últimos anos. Um pouco à frente Siegfried, Amélia e Mime comentavam vagamente sobre a época em que se conheceram e toda as coisas que viveram, enquanto Aldrey e Alberich vinham um pouco atrás.
O guerreiro deus parecia tentar dobrar-se em dois para acompanhar o ritmo da jovem de melenas castanhas, que parecia com o animo triplicado com a presença de Amélia e a cada nova parada que faziam as duas pareciam se unir contra eles, ou melhor, para falarem deles.
Comentando de maneira nada discreta micos ou situações constrangedoras que eles realmente pensavam que estava enterrado.
Respirou fundo, parando por um momento, só agora se dando conta do caminho que faziam.
-Algum problema? –Aldrey perguntou, notando que ele ficara em silencio com uma expressão estranha.
-Não, é só que...; Ele não completou, ao ouvir Amélia pedir que apressassem o passo.
-Porque quis vir aqui, Amélia? –Mime perguntou, voltando-se para a jovem que tinha o olhar perdido. Voltou-se para Siegfried que também parecia esperar por uma resposta.
A jovem ficou em silencio, como se não houvesse ouvido a pergunta. Fitou atentamente a antiga construção de uma mansão, que agora estava reduzida a cinzas, neve e pedaços de maneira corroídos pelo tempo e umidade.
Fechou os olhos momentaneamente, era como se pudesse ouvir o som da lenha crepitando na lareira, o cheiro de chá de hortelã chegando a suas narinas de maneira reconfortante, era tão bom sentar-se em frente aquela lareira, sobre o tapete felpudo ouvindo histórias incríveis, contada pelas pessoas que mais amava, mas mal começava a lembrar-se de tais momentos, cenas tristes vinham a sua mente.
Uma noite de tempestade de gelo, muitas pessoas hipócritas e com maldade no coração perseguindo pessoas inocentes que desde o berço apenas haviam jurado proteger a terra natal.
-Calma; ouviu alguém sussurrar, enquanto abraçava-lhe ternamente.
Só agora notara que seus olhos vertiam mais e mais lágrimas. Tentou impedi-las de cair, mas era uma batalha perdida.
Mime voltou-se para os três, lançando-lhes um olhar para que se afastassem. Queria ter impedido que ela voltasse ali tão cedo, mas ficara tão entretido com a conversa que estavam tendo, que só foi notar onde estavam quando sentiu o cosmo de Alberich ficar tenso e ao olhar para frente deparou-se com a antiga construção.
-Calma; ele pediu em um sussurro, acomodando-a melhor entre seus braços, com o intuito de fazê-la se acalmar e aos poucos cessar o choro.
-Mime; Amélia chamou num fraco sussurro.
-Estou aqui com você, não se preocupe; o cavaleiro respondeu. –É melhor voltarmos;
-...; Amélia negou com um aceno. –Quero ir até o fim;
-Mas...;
-Vem comigo? –ela pediu, erguendo a face, encarando o cavaleiro, com um brilho intenso nos olhos azuis.
-Claro; ele respondeu, seguindo com ela pelos portões parcialmente caídos no chão, enferrujados e tortos. Atravessaram os mesmos seguindo para o que um dia fora uma bela mansão de um dos senhores mais importantes de Asgard.
.III.
Sorrateiramente deixaram o palácio, indo encontrar-se com as demais na estufa nos fundos. Olharam atentamente para os lados certificando-se de que não eram seguidas.
-Finalmente; Coralina exasperou, visivelmente impaciente com a demora.
-Desculpe, não deu pra sair antes; Anieri respondeu, fechando a porta de vidro atrás de si.
-Então, o que aconteceu para nos chamarem aqui? –Ceres perguntou, sentando-se confortavelmente em um banco de cedro num dos cantos da estufa.
-Uma garota estranha chegou hoje ao palácio com Mime; Nora respondeu, vendo Anieri ficar rapidamente com o semblante carregado.
-Uma garota, vocês estão tão nervosas assim só por causa de uma garota? -Coralina falou, abafando o riso.
-Hei, ela não é daqui; Anieri retrucou.
-Ahn! E o que tem isso? –Ceres perguntou, arqueando a sobrancelha, discretamente pegando um maçinho de margaridas em uma jardineira próximo a si.
-O fato dos cavaleiros estarem agindo bem diferente do normal com ela; Anieri respondeu.
-Os cavaleiros, ou um cavaleiro em especial? –Coralina perguntou, em tom de provocação.
-O que esta querendo insinuar com isso Coralina? –o Falcão de Gelo perguntou, no momento que os orbes azuis cintilaram.
-Calma Anieri, foi só um comentário; Ceres falou, mastigando distraidamente uma florzinha. –Sabe que Coralina não tem nada contra você e essa repentina aparição de uma garota no palácio não é motivo para alarde; ela completou.
-Eu falei isso pra ela; Nora completou.
-Vocês não entendem, uma garota aparecendo no palácio sabe-se lá vinda de onde, o Loki com marcação cerrada em cima da gente, agora dos outros cavaleiros também, isso não é boa coisa; Anieri exasperou.
-Como assim? –Coralina perguntou, demonstrando mais interesse agora naquela discussão.
-Desculpem o atraso meninas, mas estava dando uma volta com Diamante; Sisi falou entrando na estufa. –Nossa, que caras são essas?
-Já ouviu falar do problema chamado 'Loki'? –Ceres perguntou, agora praticamente desfalcando o canteiro de flores.
-Isso não me surpreende e Anieri é melhor tomar cuidado; Sisi falou, aproximando-se e indo sentar-se ao lado de Ceres no banco de cedro.
-Sabe de algo Sisi? –Nora perguntou, curiosa.
-Loki andou me fazendo algumas perguntas sobre você e Mime; ela falou, voltando-se para Anieri, que estava agora com a face em brasas. –Querendo saber aonde vocês foram para estarem chegando juntos? Ou se eu sabia de mais alguma coisa; ela completou.
-Uhn! Chegando juntos de onde? –Coralina perguntou, com um sorriso nada decente.
-Hei, não é nada disso que você esta pensando; a jovem de melenas verde-água falou emburrada, porém com a face extremamente vermelha.
-E eu estaria pensando exatamente o que? –a guardiã da Corsa de Sindar perguntou.
-Puff; Anieri resmungou.
-Isso não é importante agora; Sisi falou, interrompendo a discussão antes que elas se atracassem. –Mas fique avisada, se Loki já lhe surpreendeu próximo à caverna de Fenris e sabe sobre as Valkirias, provavelmente ele vai marcar em cima de todas que ele sabe que são guardiãs, qualquer passo em falso agora pode nos trazer sérios problemas; ela completou.
-...; Todas assentiram.
-Mas voltando ao assunto inicial, qual era o nome da garota? –Ceres perguntou, olhando distraidamente para os lados, em busca de mais jardineiras com flores.
-Pare com isso; Anieri chamou-lhe a atenção. Quando viu a garota rapidamente levantar-se para ir até o outro lado da estufa onde estava a ultima jardineira com margaridas. –Dá o maior trabalho cultivar essas margaridas aqui e você ainda fica comendo; ela reclamou.
-Ceres, por favor; Coralina falou impaciente. Lembrando-se que Aldrey há alguns dias atrás tivera o mesmo problema com a irmã que parecia ter uma certa fixação por qualquer tipo de flor que parecia atrativa a seu paladar meio excêntrico, diga-se de passagem.
-Só mais uma; ela falou, com o olhar pidão.
-Não mesmo; Anieri falou, passando rapidamente por ela e agarrando a jardineirinha. Mantendo-a consigo.
-Ahn! De que garota vocês estão falando? –Sisi perguntou, vendo Ceres e Anieri trocarem olhares envenenados.
-Uma garota de cabelos prateados que chegou pela manhã com Mime; Nora respondeu.
-Cabelos prateados? –Coralina perguntou, um tanto quanto surpresa com essa informação.
-...; Nora assentiu.
-Qual o nome dela afinal de contas? –Ceres perguntou, voltando a sentar-se no banco de cedro, emburrada.
-Ouvi Thor dizer ao Loki que ela se chamava Amélia; Nora respondeu.
-"Amélia"; Coralina e Ceres pensaram, surpresas.
-Vocês a conhecem? –Anieri perguntou, ao ver as duas em silencio.
-Uhn! O que disse? –Coralina perguntou, piscando confusa;
-Perguntei se vocês a conhecem? –ela repetiu.
-Não, só achei o nome familiar, mas não tem nada a ver; Coralina respondeu. –"Pelo menos eu acho que não"; ela completou em pensamentos.
-Bem, não vamos nos preocupar com ela agora, não deve ser nada; Ceres falou, querendo dar por encerrado logo aquela reunião para conversar a sós com a irmã.
-Meninas, a Alana não esta bem; Leda falou, entrando num rompante na estufa.
-O que aconteceu? –Anieri perguntou preocupada.
-Não sei, mas ela não esta bem, venham comigo; ela falou, saindo rapidamente, sendo seguida por todas as garotas, menos Coralina e Ceres.
-Você não vai? –Ceres perguntou, vendo a irmã negar com um aceno.
-São pessoas de mais em cima dela; Coralina respondeu, calmamente.
-Certo, mas me diz, o que achou do que elas falaram? –a jovem de melenas castanhas perguntou.
-Não sei, pode ser só coincidência;
-Ou não; Ceres a cortou.
-Ou não, mas vamos ter paciência; Coralina respondeu.
.IV.
Aproximaram-se calmamente da construção, olhou tudo atentamente. Porque resolvera voltar ali? Talvez não quisesse encontrar essa resposta, não agora; ela pensou.
-Olhe; Mime falou, chamando-lhe a atenção.
Virou-se na direção que ele apontava, vendo dois lobos correrem em meio à neve como se estivessem brincando. Os pêlos prateados confundiam-se com o branco da neve e eles pareciam completamente alheios aos dois.
-De quem são? –Amélia perguntou, sorrindo docemente.
-Aquele maior com a cruz no peito é do Fenrir, ele se chama King; Mime explicou.
-Suponho que aquela seja uma loba, não? –ela perguntou, voltando-se para ele.
-...; Mime assentiu. –É Lif, da Leda;
-Ela também é uma Valkiria? -Amélia perguntou.
-Ela, Nora, Anieri, Sisi e Adélia; ele respondeu.
-Entendo; ela murmurou, enquanto eles continuavam a caminhar pelos arredores da antiga construção. –Sabe, senti falta daqui; a jovem comentou. –Não sei, apesar de tudo, senti falta;
-Digamos que seja o lugar certo para voltar na hora certa, não? –o cavaleiro comentou.
-Acho que sim; Amélia respondeu, de maneira enigmática. –Mas mudando de assunto, lembra aquela vez que estávamos na casa do Siegfried falando sobre ser egoísta; ela comentou, como se lembrasse de algo que acontecera há muito tempo.
-Lembro, você disse na época que o Siegfried ainda era o pior de nós três; ele falou, rindo.
-Pelo visto ainda é; ela comentou.
-Mas continua enrolado como sempre; Mime completou, com um meio sorriso.
-Ele não contou a Hilda ainda? –Amélia perguntou, voltando-se para ele.
-Apenas o necessário, mas ainda não contamos a ela sobre você; ele completou.
-Entendo, se sem saber quem eu sou elas já estão surtando, depois então; ela falou, rindo.
-Isso te diverte não é? –o cavaleiro perguntou, sendo contagiado pelo riso cristalino da jovem.
-Não é isso, é que bem... Acho que eu faria um pouco pior se estivesse no lugar delas; Amélia comentou, rindo.
-Sério? –ele perguntou surpreso.
-...; Amélia assentiu. –Mas entendo que as coisas têm de ir com calma agora;
-Já esperamos tanto tempo, um pouco mais não vai fazer muita diferença; o cavaleiro comentou, enquanto eles saiam dos limites da antiga mansão. –Não foi tão difícil, não é?
-Não tanto quanto eu pensei; ela falou, com um sorriso mais tranqüilo.
-Apenas não pense nisso por enquanto, ta legal; Mime falou, puxando-a para um abraço carinhoso. Viu-a assentir. –O que acha de irmos visitar Eldar amanhã?
-Ótima idéia; Amélia falou animada. –Falei com Freyr há algum tempo atrás e disse que iria a Alfihein quando pudesse;
-Então está combinado, vamos amanhã; ele falou, enquanto afastavam-se e voltavam a caminhar, logo encontrando com os outros três que pareciam pacientemente esperá-los.
-o-o-o-o-
Foram guiados por um cavaleiro até uma sala usada para recepção. Observou tudo a sua volta, sentia que eram observados, mas porque toda aquela segurança? –ele se perguntou.
-Esperem aqui, por favor; Thor falou, indicando-lhe um sofá em forma de 'U' no centro da sala.
-Obrigado; os dois cavaleiros falaram.
O guerreiro deus afastou-se rapidamente com o intuito de comunicar Hilda sobre a presença deles.
-Algum problema Dohko? –Aaron perguntou, notando que ele parecia inquieto.
-Não, acho que não; o libriano respondeu, quase num sussurro.
-Velhas lembranças? –ele insistiu.
O cavaleiro voltou-se para ele surpreso, mas balançou a cabeça levemente para os lados.
-Acho que já sei porque a Aishi me mandou pra cá; Dohko respondeu, voltando-se para ela.
-Não se preocupe, ela sabe o que faz; Aaron respondeu, como se já pudesse imaginar o verdadeiro sentido por trás do pedido 'inocente' da jovem, para que o ex-ancião fosse procurar por ele na Sibéria e depois fossem juntos para Asgard.
-...; Dohko assentiu.
-Senhores, desculpe fazê-los esperar; Hilda falou, entrando na sala acompanhada de Thor.
-Desculpe-nos o incomodo, majestade; eles falaram, levantando-se.
-Imagina, deixem de formalidade; a jovem falou sorrindo. –Mas sentem-se, assim podemos conversar;
-...; Os dois assentiram, sentando-se em seguida.
-Então, me digam, a que se deve essa visita? –ela perguntou.
Os dois se entreolharam, seria uma conversa bastante longa; eles pensaram.
Continua...
