Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem. Apenas as Valkirias são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.
Boa Leitura!
Capitulo 19: Selfish.
.I.
Caminhavam calmamente de volta ao palácio. Apesar do que acontecera na antiga mansão em ruínas uma onda de calmaria parecia rodeá-los, fazendo com que aos poucos eles se tranqüilizassem, recobrando a conversa animada.
-Hei, porque só eu tenho de ser o assunto dessa conversa? –Siegfried perguntou indignado.
Fora apenas um comentário, com segundas intenções, mas ainda sim um comentário, sobre o relacionamento de Alberich e Aldrey para Mime e Amélia se unirem contra ele.
-Admita Siegfried; Amélia falou, com os orbes estreitos.
-Porque só eu, tem mais dois ai, olha; ele falou, apontando para Mime que tinha um sorriso descarado nos lábios e Alberich que lhe lançava olhares mortais.
-Porque você é o maior egoísta dos três; ela respondeu como se fosse a coisa mais obvia do mundo.
-Egoísta? Como assim? –Aldrey perguntou confusa. –Pensei que isso fosse algo ruim;
-Aldrey, existem egoístas e egoístas; Amélia falou calmamente, divertindo-se com a inocência da jovem.
-Uhn? –ela murmurou, mais confusa ainda.
-Assim... Existem egoístas como nós; a jovem falou, apontando para eles. –E outros egoístas, não tão bons como nós; ela completou, com um largo sorriso.
-Amélia, é melhor explicar direito; Mime falou, vendo que a jovem não entendia nada.
-Por favor, realmente, não entendo; Aldrey falou.
-Alberich, explica pra ela; Amélia falou, pegando o cavaleiro de surpresa.
-Eu? –ele perguntou, quase engasgando.
-Não estamos vendo outro Alberich por aqui; Siegfried provocou, intimamente aliviado por não ser mais o assunto do momento.
-Então Alberich? -Aldrey falou ansiosa.
-Ahn! Bem...; Ele começou, lançando um olhar suplicante para a jovem de cabelos prateados pedindo ajuda, porém ela apenas alargou o sorriso como se disse 'Se vira'. –Os egoístas que a Amélia estava se referindo, que não somos nós. Bem... "Céus, eu vou matá-la por isso depois"... São aqueles que não se importam em ferir os outros, ou melhor, não se importam de magoar as pessoas que mais são importantes, apenas para conseguir o que desejam; o cavaleiro completou, ficando sério.
-Entendo; ela murmurou pensativa. –E os outros egoístas?
-Nossa, já estamos chegando; Amélia falou, ao notar que estavam nos limites do palácio.
-Vamos indo então; Alberich falou prontamente, com um semblante aliviado.
-Nada disso; Aldrey falou, segurando-o pela manga da camisa. –Você ainda tem de me explicar sobre os outros egoístas;
-Isso mesmo Alberich, é feio começar a explicar uma coisa e deixar em aberto; Mime falou, com um sorriso sugestivo.
-Então explique você; Alberich rebateu, serrando os punhos.
-Eu não, Amélia mandou você explicar; ele falou, dando de ombros, saindo pela tangente.
-...; Entreabriu os lábios para contrariar, mas as palavras simplesmente não saíram.
-Vamos indo na frente então, assim você pode ficar mais a vontade para explicar; Siegfried falou, com o sorriso mais inocente que conseguiu fazer.
-Isso mesmo, nos vemos depois; Amélia falou, puxando os dois pelo braço se distanciando.
-Encontramos vocês na sala de musicas depois; Mime completou.
Fechou a boca, frustrado. Aqueles três iam lhe pagar caro por essa saia justa; ele pensou, com os punhos serrados. Parou sentindo alguém cutucar-lhe o braço, voltou-se para a jovem, vendo-a com um olhar impaciente, assoprando insistentemente a franja enroladinha que lhe caia sobre a testa.
-Então? –ela perguntou.
-Bem...; Alberich comentou, sentindo uma gotinha escorrer por sua testa. Amélia lhe aprontava cada uma.
-o-o-o-o-
-Ele vai querer te matar por isso sabia? – Mime falou rindo, enquanto os três entravam no palácio.
-Já disse, vocês pensam demais para tomar uma atitude; ela comentou casualmente, vendo os dois serrarem os orbes.
-Hei; eles resmungaram.
-Vocês sabem que é verdade, posso citar algumas situações mais detalhadas se isso for refrescar a memória de vocês? –Amélia sugeriu.
-Melhor não, eu sempre saio perdendo quando vocês estão juntos. Se o Alberich esta por perto, pelo menos não sobra tudo para mim; Siegfried reclamou.
-Tadinho, quem vê pensa, ele é mártir e nós somos os malvados; a jovem brincou.
-Bem... Não precisa espalhar também né; Mime falou rindo ao ver o cavaleiro ficar ainda mais emburrado, com o sorriso nada decente do cavaleiro.
-Detesto quando vocês fazem isso; ele resmungou.
-Façamos o seguinte então Siegfried, no dia que você admitir que é um egoísta incorrigível não tocamos mais no assunto; Amélia falou em tom solene.
-Jura? –o cavaleiro perguntou, parando o pé no ultimo degrau, voltando-se para ela esperançoso.
-Não se empolga muito, mesmo porque acho difícil que algum dia isso aconteça; Mime provocou.
-Olha quem fala; Siegfried rebateu.
-Meninos, sem briga; Amélia falou, vendo os ânimos se inflamarem. –Mas está resolvido paramos quando você tomar uma atitude;
-Se é assim; o cavaleiro falou de maneira enigmática, fazendo os dois trocarem um olhar confuso. –Bem... Como será que ele esta se saindo para explicar aquilo para ela? –ele perguntou curioso.
-Olha, se os Deuses abençoaram Alberich com a inteligência, agora mais do que nunca ele vai precisar dela para não se trair; Amélia comentou rindo.
-Como assim? –Siegfried perguntou confuso.
-Por favor, vai dizer que não percebeu? –ela exasperou.
-Eu já havia percebido isso desde que ela chegou; Mime falou dando de ombros.
-Eu cheguei hoje e já percebi; Amélia comentou.
-Siegfried vai dizer que não tinha percebido ainda? -Mime falou em tom de provocação.
-Eu falo, vocês dois juntos eu sempre levo a pior; ele falou, entrando na sala de musicas.
Eu não entendo
Porque você está correndo de um homem bom
Porque você quer voltar para seu antigo amor
Porque você já abriu mão
Os dois riram, vendo-o sentar-se de frente para o piano. Ficaram em silêncio, sabendo o que vinha a seguir. Era como se ainda pudessem ver, aquelas três crianças entrando numa sala, a lareira acesa naquele dia extremamente frio e assustador, quando um deles começava a tocar.
Agora eu vejo que você foi ferida antes
Mas eu juro, eu lhe darei muito mais
Eu juro, nunca te deixarei mal
Porque eu juro, é você que eu adoro
Agora as coisas eram diferentes e mudariam ainda mais. Não eram mais crianças, que quis as Deusas do Destino, que viessem a se encontrar e tivessem um caminho em comum.
Siegfried respirou fundo, levantando a tampa que cobria as teclas de marfim, quando fora a ultima vez que tocara? Muitos anos; ele pensou, lembrando-se que na maioria das vezes preferia passar as horas vagas ali, ouvindo Hilda tocar, sem se manifestar.
Porque eu penso nisso constantemente
E meu coração não consegue descansar sem você
Nesse momento sabia que definitivamente as coisas eram diferentes e que Amélia estava certa, era um egoísta incorrigível, mas agora só resta saber por quanto tempo mais guardaria isso somente para si, ou decidiria por fim, revelar todos os seus sentimentos a sua musa inspiradora.
-o-o-o-o-
-Estão ouvindo isso? –Anieri perguntou, parando o que fazia na cozinha ao ouvir uma suave e bela melodia ecoar pelas paredes do palácio.
Você pode me chamar de egoísta
Mas tudo que eu quero é seu amor
-Vem da sala de musicas; Nora comentou.
-Será que é a Hilda que esta tocando? –Leda perguntou, porém parou surpresa ao ver a jovem acabar de entrar na cozinha vinda da estufa com Flér.
-Quem esta tocando? –ela perguntou imediatamente.
Você pode me chamar de Perdido
Porque estou sem esperança neste amor
-Não sabemos; elas responderam.
-Então vamos ver; Flér falou, indo para lá.
-o-o-o-o-
Sentaram-se em um dos bancos de cedro do jardim do palácio em completo silêncio, enquanto pensava numa forma de explicar a ela sobre qual tipo de egoísta Amélia os classificava. Parou surpreso ao ouvir uma suave melodia ecoando de dentro do palácio.
Você pode me chamar de Imperfeito
Mas quem é perfeito?
-Alberich, se não quiser falar sobre isso; a jovem falou, colocando sua mão sobre a dele.
-Não, não tem problema; o cavaleiro respondeu com um meio sorriso. Deixando sua mão fechar-se sobre a dela. –Às vezes a palavra 'egoísta' soa como algo ruim, mas se formos analisar, todos nós já fomos e ainda somos egoístas.
-Como assim? -Aldrey perguntou, com um olhar confuso.
-Desejar que as pessoas que você gosta estejam sempre com você. Querer que seus sentimentos sejam correspondidos. Esperar tanto tempo para ver alguém sorrir para você, apenas para você; Alberich falou com um olhar vago.
Diga me o que posso fazer?
Para provar que sou o único para você
-Não tem ninguém que alguma vez na vida não tenha desejado que o tempo parasse para si por um momento que fosse, apenas para torná-lo eterno e inesquecível; o cavaleiro continuou.
(Único para você)
O que está errado em ser egoísta?
-Isso é ser egoísta, amar alguém e querê-la sempre por perto para proteger, mesmo que as coisas não sejam bem assim; ele completou.
-Entendo; Aldrey murmurou, absorvendo tudo que ele falara. –E você?
-O que? –Alberich perguntou, voltando-se para ela.
-Hoje, em qual tipo de egoísta você se classifica? –ela perguntou de maneira inocente, mas que teve um impacto devastador no cavaleiro.
-o-o-o-o-
Há quanto tempo não ouviam aquela musica? Bastante; os três concluíram, enquanto ouviam o cavaleiro dedilhar nas teclas de marfim e quando se deram conta, acompanhavam-no com a melodia.
Eu conquistarei seu tempo
Até o dia que eu faça você entender
Que para você não há mais ninguém
-"Aquele que nunca foi um egoísta que atire a primeira pedra"; eles pensaram.
-o-o-o-o-
-Essa voz é do Siegfried; Hilda comentou surpresa, enquanto ela e as garotas subiam as pressas às escadas.
Eu apenas quero você para mim
Eu quero ficar bom aos seus cuidados
-Espera; Anieri falou, parando no ultimo degrau. –Desde quando o Mime canta? –ela perguntou, voltando-se para as demais.
Não importa o que passou
Eu estarei aqui
Para quando você precisar
A resposta veio em seguida, como um refrão da melodia. As garotas voltaram-se para ela com um sorriso sugestivo nos lábios, fazendo-a corar furiosamente. De onde eles tiraram aquela musica? –ela se perguntou.
Acredite em mim
Porque se amar é um crime
Então me castigue,
Eu quero morrer por você
Porque eu não quero viver sem você
O que eu posso fazer?
-Vamos logo; ela falou por fim, passando pelas outras, indo para a sala de musicas.
-o-o-o-o-
-Acho que já fui um pouco dos dois; Alberich falou, para a surpresa da jovem. –Mas agora, não sei aonde me encaixo; ele respondeu com sinceridade.
-Não entendo; ela murmurou confusa.
-Aldrey; Alberich falou em meio a um suspiro. –Não sou o que se pode dizer de 'santo cavaleiro'. Digamos que já fui tão ou mais cruel que a própria Hell; ele explicou, vendo o olhar espantado da jovem. –Pode até me chamar de traidor, mas não estou buscando redenção, embora admito que algumas coisas tenham mudado bastante de uns tempos pra cá.
-...; Entreabriu os lábios para dizer algo, mas simplesmente não sabia por onde começar.
Você pode me chamar de egoísta
Mas tudo que eu quero é seu amor
Você pode me chamar de Perdido
Porque estou sem esperança neste amor
-Você tem seu livre arbítrio para escolher suas companhias, não vou lhe importunar mais; Alberich falou, imaginando que pela própria forma que respondera, ela fosse se afastar.
Levantou-se pronto para ir, quando a sentiu segurar a manga de sua camisa, o impedindo de se afastar.
Voltou-se para ela surpreso, vendo-a com a cabeça baixa, a franja enroladinha a encobrir-lhe os olhos e a respiração pausada.
-Não sei o que aconteceu no passado; Aldrey falou quase num sussurro. –Mas não é uma pessoa egoísta e ambiciosa que não se importa em ferir os outros que eu vejo;
-Aldrey; ele murmurou surpreso.
Você pode me chamar de Imperfeito
Mas quem é perfeito?
-O mundo está em constante renovação. Desde as plantas, animais até as pessoas. As circunstancias nos transformam naquilo que somos, é inevitável.
Sentiu um arrepio cruzar-lhe as costas, quando uma energia intensa correu seu corpo emanado daquele simples toque da jovem em seu braço.
-Mas escolher o destino para abrir seus próprios caminhos só diz respeito a você; ela continuou, erguendo os orbes na direção dele.
Fora uma fração de segundos, mas vira os orbes castanhos, quase ametistas da jovem, tornarem-se violetas.
-Veja Alberich; Aldrey falou, levantando-se, deixando que a mão corresse pelo braço dele, entrelaçando seus dedos. Puxou-o até uma árvore próximo de onde estavam.
Silenciosamente ele a acompanhou. Intrigado com o que acabara de ver, sentiu-a erguer sua mão, fazendo-o tocar o tronco da árvore.
Arregalou os olhos ao sentir que tudo a sua volta ficava no mais completo silêncio, como se todos seus sentidos estivessem concentrados naquele momento e o resto do mundo houvesse parado por um segundo.
Diga me o que posso fazer?
Para provar que sou o único para você
Seu coração disparou uma batida, quando viu uma luz prateada envolver a árvore como se ela pulsasse de acordo com as batidas de seu coração.
O que está errado em ser egoísta?
-Tudo tem um cosmo, aquela energia capaz de cometer milagres e nos manter vivos e existindo nesse mundo. Até mesmo essas árvores que vivem nesse jardim mudam. A cada inverno rigoroso que passam e sobrevivem, elas tornam-se mais fortes. A chegada do frio é inevitável, mas cabe a elas lutarem por aquilo que desejam... Viver. Por isso é necessária a mudança; a voz da jovem ecoou diretamente em seus pensamentos.
Porque você nos mantém separados?
Porque você não quer entregar seu coração?
Sentiu a mão dela sobre a sua e o máximo que conseguiu, foi virar um pouco que fosse o rosto na direção dela, notou uma fina mecha dourada insinuar-se entre os fios castanhos próximo a franja. Piscou freneticamente, estava vendo coisas, só podia.
Você sabe que nós temos que ficar juntos
A energia que sentia aos poucos foi enfraquecendo, fazendo-o cair num estado letárgico. As pernas fraquejaram e quase caiu ao chão se a jovem não aparasse a queda com o próprio corpo.
Porque você me manda embora
Tudo que eu quero é te amar
Para sempre e eternamente...
-Alberich; Aldrey chamou preocupada, quando ambos caíram de joelhos no chão.
-Uhn? -ele murmurou piscando, voltando-se para ela, deparando-se novamente com os orbes castanhos em tom ametista.
-Você está gelado, não está se sentindo bem? –ela perguntou, colocando a mão sobre a testa dele, notando gotas de suor gelado pingarem da mesma.
-Eu... Não sei; Alberich balbuciou, tentando entender o que acontecera.
Você pode me chamar de egoísta
Mas tudo que eu quero é seu amor
Você pode me chamar de Perdido
Porque estou sem esperança neste amor
Você pode me chamar de Imperfeito
Mas quem é perfeito
Diga me o que posso fazer?
Para provar que sou o único para você
O que está errado em ser egoísta?
Egoísta sou... Apaixonado por você
Eu procurarei minha alma para saber
Que isto é verdade
Para provar que sou o único para você
Então o que está errado em ser...
Egoísta...
-o-o-o-o-
Estavam a um passo de chegar a sala de musicas quando ouviram uma conversa bastante interessante e reveladora, que fez com que todas parassem ao mesmo tempo, antes que chegarem até a porta.
-E depois diz que não é egoísta; Mime provocou.
-Hei; Siegfried reclamou, enquanto fechava a tampa do teclado.
-Realmente eu tinha algumas duvidas, mas Mime está certo. Você ainda é o mais egoísta entre nós quatro; Amélia brincou.
-Porque só eu levo a pior quando vocês dois estão juntos, hein? –ele perguntou, inconformado, debruçando-se sobre a tampa do piano, passando a mão nervosamente pelos cabelos.
-Você já sabe o que precisa fazer pra gente largar do seu pé; Mime falou com um sorriso maroto.
-Sei; ele resmungou.
-Isso mesmo, você já passou tempo de mais enrolado nesse assunto. Nunca vi, oh bando de cavaleiros que sofrem de falta de atitude crônica; Amélia exasperou.
-Hei; Mime falou indignado.
-Bem feito; Siegfried falou rindo.
-Mas isso ainda não alivia a sua falta de atitude; Amélia rebateu, vendo o outro cavaleiro abrir um largo sorriso. –Desde que eu te conheço você é apaixonado pela Hilda. Eu te conheço Siegfried não faça essa cara de que não sabe do que estou falando, porque é verdade. Aposto que faz listinha de prós e contras toda vez que vai falar com ela;
-Hei;
-Siegfried que feio, eu esperava algo assim do Alberich, mas de você. Tcs, tcs, tcs; Mime falou, balançando a cabeça com ar de reprovação.
-Você é detestável; ele resmungou.
-Admita, vamos não é tão difícil; Mime continuou, trocou um olhar discreto e significativo com Amélia que apenas assentiu.
-Isso mesmo; a jovem incentivou.
-Já chega, ta legal; ele explodiu, levantando-se num rompante, quase derrubado o banco que estava sentando. –Eu a amo sim e daí?
-Viu, não foi tão difícil; Mime falou, vendo-o literalmente ficar vermelho de raiva.
-Oras seu...;
-Calma; Amélia pediu, colocando-se entre os dois, sendo que Siegfried estava a ponto de pular em cima do outro. –Acalme-se Siegfried e como Mime disse, não foi tão difícil, foi?
-Vocês fizeram isso de propósito? –ele perguntou indignado.
-Veja bem; o guerreiro deus começou com um sorrisinho nervoso.
-Eu mato você; Siegfried falou, literalmente pegando-o pelo pescoço, ao passar rapidamente por Amélia.
-Solta ele; ela falou, segurando-o pelo braço.
Todas as garotas voltaram-se para a princesa que simplesmente não sabia o que fazer, com a face em chamas.
-Ahn! Acho melhor voltarmos depois; Hilda sussurrou, por essa definitivamente não esperava, recriminou-se mentalmente por ter cogitado a possibilidade de que Siegfried e a jovem de cabelos prateados tivessem alguma coisa, embora em momento algum o cavaleiro lhe dera motivos para duvidar de sua fidelidade.
-Ah não, vamos em frente; Anieri insistiu.
Sem outra alternativa, elas entraram na sala de musica, deparando-se com uma cena no mínimo difícil de ser explicada, Siegfried tentando matar Mime e Amélia tentando separá-los.
Como se a cena fosse congelada, os três pararam na posição que estavam, voltando-se para as garotas que haviam acabado de entrar.
Amélia arqueou a sobrancelha levemente ao ver o olhar envenenado da jovem de melenas verdes sobre si. Respirou fundo, tentando não rir, definitivamente esses cavaleiros precisavam tomar uma atitude logo.
-Princesa; os dois cavaleiros falaram, afastando-se rapidamente, fazendo uma breve reverencia a cumprimentando.
-Não é necessário tanta formalidade, já lhes pedi isso; Hilda falou em tom de repreensão tentando parecer o mais normal possível.
-Como vai Hilda? –Amélia perguntou, com um olhar sereno.
-Amélia? –Hilda perguntou, olhando bem para a jovem, como se tentasse lembrar-se de onde a conhecia.
-...; A jovem assentiu, vendo o olhar confuso de todos.
-Nossa quase não lhe reconheci; a jovem falou, aproximando-se da garota, quando para a surpresa de todos, trocaram um breve abraço.
-Você ouviu, não tem mais motivos para hesitar, não deixe passar essa oportunidade; Amélia falou num sussurro, para que somente ela ouvisse.
-Não sabia que havia chegado em Asgard; Hilda comentou, ao afastarem-se tentando ignorar o leve rubor em sua face.
-Cheguei ontem; a jovem respondeu calmamente.
-Ahn! Vocês se conhecem? –Siegfried perguntou cauteloso.
-...; As duas assentiram com o olhar mais inocente que puderam fazer.
-Senhorita Hilda nós já vamos indo; Nora falou, puxando as outras consigo. Antes que alguém pudesse falar algo, elas já haviam sumido.
-Nossa, que rápidas; Amélia comentou, com uma gotinha escorrendo na testa.
-...; Hilda apenas assentiu, voltando-se para a jovem. –Mas me diga, quanto tempo pretende ficar em Asgard?
-Ainda não sei, tenho alguns amigos ainda para visitar; Amélia respondeu de maneira enigmática.
-Entendo, porque não vem tomar um chá comigo e podemos conversar; ela sugeriu.
-Claro; Amélia respondeu. –E vocês vêm com a gente? –a jovem perguntou, voltando-se para os dois.
-Ahn! Vamos resolver algumas coisas primeiro, vão indo na frente; Mime falou, sorrindo gentilmente.
-Está certo; as duas falaram dando de ombros e saindo.
-Ahn! Você por acaso sabia que elas se conheciam? – Mime perguntou, voltando-se para o cavaleiro.
-Não, e você?
-...; Ele negou com um aceno. -A Hilda sabe alguma coisa sobre bem... Aquele negocio?
-Não da minha parte; Siegfried respondeu com o semblante sério. –E ela nem sabia que a Amélia estava aqui, talvez só tenha ficado sabendo por causa das garotas estarem nos vigiando. Acho que não é nada para nos preocuparmos, qualquer coisa só perguntar a Amélia depois;
-É, deve ser isso; ele falou, dando-se por convencido.
-Vamos então?
-...; Mime assentiu.
.II.
Já estavam há algum tempo caminhando em meio a neve, até se depararem com um grande portão dourado, cujas ligas de ouro entrelaçavam-se formando a imagem de belos elfos e seres místicos.
Dohko voltou-se com um olhar surpreso para o cavaleiro a seu lado, nem em todos os seus atuais 253 anos poderia imaginar que veria algo daquele tipo.
Aaron aproximou-se dos portões, mas antes que pudesse tocá-lo, o mesmo abriu-se, revelando a imagem de uma jovem elfa de cabelos azulados e olhos calmos.
-Sejam bem-vindos a Alfihein, venham comigo, Eldar já os está esperando; a voz melodiosa chegou aos ouvidos dos cavaleiros, deixando-os num estranho estado de letargia, que quando viram, já haviam assentido, seguindo com ela para dentro dos limites de Eldar.
Continua...
Nota:
Musica tema do capitulo Selfish. N´Sync.
