Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas Amélia, Leda, Nora, Eldar, Athys, Aaron e Alana são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.


Boa leitura!


Capitulo 21: Alfihein – A Terra da Luz.

I – Traumas do Passado.

Caminhavam lentamente em meio às árvores, vez ou outra os pés afundavam na neve e a noite já estava caindo.

-Não precisava se incomodar, eu poderia ter vindo sozinha; Amélia falou, para o jovem silencioso a seu lado.

-Não é incomodo algum; Mime respondeu, com um sorriso calmo. –Eu queria aproveitar e lhe perguntar uma coisa;

-O que é? –ela perguntou, abrindo a porta de um chalé modesto aonde vivera boa parte de sua vida antes de deixar Asgard e o usava agora que voltara.

-É sobre o Alberich; o cavaleiro falou, entrando com ela no chalé.

-O que tem ele? –Amélia perguntou, indicando uma poltrona a ele, enquanto aproximava-se da lareira para acende-la.

-Há alguns dias atrás ele sofreu um acidente na cachoeira;

-Como? –a jovem perguntou, voltando-se para ele, assustada.

-Não sabemos direito como tudo aconteceu, eu estava voltando do cemitério quando senti o cosmo dele se descontrolar e fui atrás, o gelo da cachoeira havia rompido e o pegou, eu o encontrei já na margem inconsciente; ele explicou.

-Pelos deuses, ele não me falou nada; Amélia falou, sentando-se numa poltrona de frente para ele.

-Ele não queria lhe preocupar; Mime adiantou-se.

-Mas...;

-Só que aconteceu uma coisa depois; ele a cortou.

-O que?

-Ele ficou muito tempo desacordado, mais ou menos um dia e meio; o cavaleiro falou. –Eu estive conversando com Anieri e ela disse que isso poderia ser o reflexo de algum trauma, que o tenha deixado em estado de choque demorando a reagir;

-Entendo; ela murmurou pensativa.

-Eu queria saber se você sabe algo sobre isso, digo, algo que possa explicar o porque do choque e o desmaio? –ele perguntou, fitando-a atentamente.

Amélia assentiu, respirando pausadamente. Notou que havia alguma coisa diferente com ele quando o vira na sala de musicas e isso não era só devido à presença da jovem de melenas castanhas. Agora que Mime falara, sabia o que estava acontecendo. Ele também estava tão agitado quanto ela com a proximidade do conselho.

-Aconteceu há alguns anos atrás; Amélia começou. –Alberich e Angélica, os pais dele, ainda eram vivos. Alberich tinha o habito de patinar num lago de gelo nas proximidades do palácio, o verão estava começando naquele mês, ele acabou perdendo a hora e já anoitecia. O único caminho para chegar mais rápido em casa era cruzando o lago;

-O que aconteceu? –Mime perguntou, interessado.

-Ele estava chegando perto da beira do lago, o gelo cedeu, ele correu tentando chegar mais rápido a beira, mas as placas foram se quebrando muito rápido, ele só teve tempo de segurar-se em um galho de arvore e caiu na água; Amélia explicou. –Na época ele ainda não sabia nadar, entrou em pânico, pensando que certamente iria morrer; ela falou, passando a mão nervosamente pelos cabelos prateados, fitando a lenha trepidar na lareira.

-Agora eu entendo; o cavaleiro murmurou pensativo, muitas coisas ficavam claras agora. –Tem outra coisa; ele falou, depois de alguns minutos em silencio, chamando a atenção da jovem.

-O que? –Amélia perguntou.

-Você se lembra, o Alberich nem sempre foi àquele cara arrogante e ambicioso. Vingativo, eu poderia arriscar a dizer; Mime começou.

-Seis letras e você mata a charada; ela falou de maneira enigmática.

-Durval; ele respondeu com ar sério, vendo-a assentir. –O que aconteceu?

-Nunca foi provado, mas ele teve ligação direta com a morte da Angélica; Amélia falou, com um olhar triste.

-Angélica; ele murmurou, vendo-a assentir.

-Ela era uma pessoa incrível, eles eram muito próximos. Apesar de que quando ele atingiu uma certa idade para começar os treinos eles foram obrigados a se afastarem um pouco, mas mesmo assim, Alberich sentiu demais quando ela morreu;

-Entendo, mas como o conselho pode permitir que não fosse investigado a fundo isso, que absurdo; Mime falou indignado, lembrando-se que até mesmo seu 'pai' fazia parte do conselho e poderia ter feito algo.

-Foi naquela época que Eldar e Sindar se retiraram do conselho. Nandor retornou as forjas de Muspell e só sobraram os mortais no conselho; ela explicou. Lembrando-se da decisão que os filhos de Freyr e o líder dos anões tomaram quando Durval subiu ao poder, a contra gosto de todos os imortais.

-Mesmo assim; ele insistiu.

-A questão é que nem o pai do Alberich esperava por isso, aconteceu de tal forma que não teve como ser impedido; Amélia explicou. –Alberich literalmente se fechou para o mundo, tornou-se mais frio, ambicioso e vingativo. Eram poucas às vezes que conseguíamos conversar sem acabarmos discutindo ou rolando no chão tentando matar um ao outro; ela completou.

-Imagino; Mime falou, com um meio sorriso. –Brigar com você é pedir uma passagem de ida para o reino de Hell;

-Não sei porque; ela falou dando de ombros, erguendo a mão na frente dos olhos e estalando as unhas que alongaram-se como as garras de um felino e os orbes azuis brilharam mais intensos.

-Ta certo; ele murmurou, pouco convencido. –Mas é melhor eu ir, você ainda tem que descansar e saímos cedo amanhã; o cavaleiro falou, levantando-se.

-...; Ela assentiu, acompanhando-o até a porta. –Mime, só mais uma coisa?

-O que?

-Você falou com Nandor? –a jovem perguntou.

-Falei, ele já esta providenciando tudo, daqui a três dias ele terminara tudo como planejado; ele respondeu.

-Está certo, obrigada; ela respondeu, ele sorriu, acenando antes de se afastar, caminhando de volta o palácio.

II – De volta a Alfihein.

Estavam nos portões do Valhalla a mais de meia hora ouvindo as ultimas recomendações de Siegfried, que se anotassem em um papel, daria uma lista de mais de cem itens do que fazer, como proceder e o que não fazer em hipótese alguma.

-Vocês entenderam, ameaçou uma tempestade fiquem lá; ele repetiu pela enésima vez.

-Siegfried, já entendemos; Amélia falou, assoprando impaciente a franja prateada.

-Melhor prevenir; o cavaleiro falou gesticulando displicente. –E você, cuide bem dela ouviu; ele completou, voltando-se com um olhar inquisidor para Mime que rolou os olhos;

-Você quer dizer para eu cuidar dele, não é? –ela brincou.

-Hei! –Mime reclamou, voltando-se para ela.

-Vamos logo, se não vamos chegar amanhã; Amélia reclamou.

-Até mais Siegfried; os dois falaram acenando antes de se afastarem.

-Até, se cuidem; ele falou, vendo os dois montarem nos cavalos e saírem.

-Você se preocupa demais; alguém falou atrás dele.

-E você está calmo demais; Siegfried reclamou.

-Amélia sabe se cuidar sozinha, é mais independente do que nós três juntos. Você a esta tratando como se fosse uma garotinha indefesa que vai abrir um berreiro se quebrar a unha; Alberich falou, fitando-o seriamente.

-...; Entreabriu os lábios para rebater, mas sabia que não tinha argumentos. –Eu sei, acho que exagerei um pouco, mas essa do conselho estar se aproximando me incomoda;

-Hilda falou alguma coisa sobre isso? –Alberich perguntou, aproximando-se mais para garantir que não estavam sendo ouvidos.

-Possivelmente seja daqui uma semana, o que dá tempo suficiente a Nandor de terminar tudo; ele completou.

-...; Alberich assentiu, com ar pensativo.

-Mas mudando de assunto, queria te perguntar uma coisa? –o cavaleiro começou.

-Contanto que não seja nada infame, porque não vou me responsabilizar por deixar a Hilda viúva antes mesmo de você tomar uma atitude; ele falou, em tom de provocação, vendo o outro serrar os orbes de maneira perigosa. –Fale logo;

-O que tinha naquele pergaminho que você entregou ao Mime? –Siegfried perguntou curioso.

-Porque quer saber? –Alberich perguntou, arqueando a sobrancelha.

-Ahn! Curiosidade; Siegfried respondeu casualmente.

-Depois que aquele cavaleiro de ouro e amazona estiveram aqui, eu fui dar uma olhada na biblioteca e encontrei um pergaminho datado de treze anos atrás, foi o Folken quem escreveu. Ele contava como ele, meu pai e alguns guerreiros deuses realmente fiéis a Asgard deram um jeito de proteger as garotas e tirá-las daqui antes que o Durval começasse a caça as bruxas; ele explicou, satirizando o termo.

-Mas porque entregou isso a ele? –o cavaleiro perguntou intrigado.

-Ele quer arrumar um jeito de acabar com os planos do Loki de ficar chantageando a Anieri; Alberich explicou.

-Entendo; Siegfried murmurou pensativo.

-Bem, se você não tem algo mais importante para fazer eu tenho, até mais; o cavaleiro falou, afastando-se.

-Sei bem o que você tem de importante pra fazer; ele rebateu de maneira provocante.

-Siegfried ainda esta de pé aquela proposta de te mandar pro reino de Hell, não abuse; Alberich falou, já longe, embora ele pode ouvir perfeitamente.

-E eu achei que ele ia ficar menos rabugento com a volta da Amélia; Siegfried murmurou, balançando a cabeça levemente para os lados.

-o-o-o-o-

-Bom dia; Dohko falou, entrando com Aaron na sala de jantar encontrando a jovem princesa os esperando para o café.

-Bom dia; Flér falou sorrindo, indicando a eles os lugares. –Minha irmã me disse que vocês foram a Alfihein ontem, conseguiram descobrir algo que ajude? –ela perguntou interessada.

-Infelizmente não; Dohko respondeu prontamente, trocando um olhar significativo com Aaron. –Estamos sendo vigiados;

-Eu percebi, os olhares vem aquela parede falsa perto do aparador; o aquariano respondeu em pensamentos. –Mas ainda temos alguns lugares para ir antes de retornar ao santuário; Aaron falou, tentando não chamar a atenção.

-Entendo, não deve ser nada fácil esse tipo de missão; a jovem falou compreensiva.

-Com licença; Leda falou aproximando-se. Dando graças, pelos cavaleiros terem tomado o café mais cedo e não precisar esbarrar em um certo alguém que parecia mais mal humorado do que de costume.

-O que deseja Leda? –Flér perguntou.

-Alana perguntou se já pode mandar servir o café? –a jovem de melenas violeta perguntou.

-Por favor; ela pediu.

Leda assentiu, fazendo uma breve reverencia antes de se afastar.

-"Alana"; Dohko pensou, intrigado.

-Dohko; Aaron chamou, vendo-o com um olhar sombrio para o caminho que a jovem fizera.

-Sim; ele murmurou, voltando-se para o cavaleiro.

-Algum problema senhor? –Flér perguntou, sem entender o porque da repentina mudança, teve a impressão de sentir uma energia triste emanada do cosmo dele, mas da mesma forma que surgiu, se foi... Rapidamente.

-Não, só me distrai pensando em algumas coisas; ele respondeu, balançando a cabeça para os lados, deveria ser só coincidência. –Ahn! Senhorita Flér;

-Sim;

-Essa Alana, trabalha há muito tempo aqui? –Dohko perguntou, tentando não parecer muito interessando, embora isso não tenha passado despercebido por Aaron.

-...; Flér assentiu. –Ela já esta aqui há muitos anos, quando Hilda nasceu ela já vivia no castelo servindo aos últimos reis, porque?

-Nada não, o nome só me soou familiar; ele desconversou.

-Então, vão aonde hoje? –Flér perguntou curiosa.

-Muspell; Aaron respondeu, torcendo o nariz.

-O que foi? –Dohko perguntou com um sorriso maroto.

-Detesto aquele lugar, é quente de mais; o aquariano reclamou.

-Realmente, Muspell é muito quente, porque não vêem com Haguen, ele conhece bem a região, quem sabe ele pode guia-los por lá com mais facilidade; ela sugeriu.

-Ahn! Não queremos incomodar; Dohko adiantou-se.

-Bom dia; o cavaleiro de Merak falou entrando na sala de jantar, cumprimentando a todos.

-Bom dia; eles responderam.

-Haguen estavamos agora mesmo falando sobre Muspell; Flér começou.

-Vocês vão até lá hoje? –ele perguntou, voltando-se para os dois que assentiram. –Aquele lugar é muito quente; o cavaleiro falou, torcendo o nariz.

-Viu, eu não sou o único a reclamar daquele inferno; Aaron falou com um olhar vitorioso para Dohko, que apenas balançou a cabeça para os lados com um meio sorriso.

-Mas o que tem Muspell? –Haguen perguntou, voltando-se para a princesa.

-Eu estava comentando com eles que você conhece muito bem a região; a jovem começou, vendo-o assentir. –E se você não poderia guia-los por lá com mais facilidade assim não perderiam tanto tempo; ela completou.

-Ir até Muspell? –o cavaleiro perguntou, piscando confuso, ainda absorvendo o que ela falara.

-Já dissemos que não é necessário, não queremos incomodar; Dohko adiantou-se.

-Não, tudo bem, não tenho nada pra fazer mesmo; o cavaleiro falou dando de ombros.

-Mas...;

-Com licença; Leda falou, aproximando-se com Nora, trazendo as bandejas com café.

-Quando terminarem o café podemos ir; Haguen completou, vendo-os assentir.

III – Velhos Amigos.

Os orbes azuis cintilaram extasiados com o que via a sua frente, os portões dourados de Alfihein abriram-se quando se aproximaram. Muitos elfos aproximaram-se, fitando-os com ares curiosos até reconhece-los.

-Amélia. Mime. Há quanto tempo? –Athys perguntou, os recebendo com um belo sorriso.

-Muitos anos Athys, estava morrendo de saudades; Amélia falou, descendo do cavalo e abraçando a jovem.

-Sentimos sua falta, menina, porque não veio nos visitar antes? –a jovem elfa perguntou.

-Ahn! Digamos que alguns contratempos me impediram de retornar antes; Amélia falou, com um olhar significativo.

-E você garoto, cresceu muito desde a ultima vez que lhe vi; Athys falou, voltando-se para Mime.

-Como vai Athys? –ele perguntou, com um olhar sereno, abraçando a jovem.

-Bem, melhor agora, mas venham comigo, Eldar vai adorar vê-los; ela falou, pedindo rapidamente a alguns elfos que passavam por ali que cuidassem dos cavalos, enquanto seguiam para a casa do jovem príncipe.

-Nossa, toda vez que volto aqui tenho a impressão que o tempo para quando passamos dos portões; Amélia comentou, enquanto andava ao lado de Athys e Mime, observando tudo com atenção.

-Parece um mundo completamente alheio a Asgard, ou a todo aquele gelo fora dos portões; o cavaleiro comentou, com o mesmo olhar deslumbrado da jovem.

-Essa é a magia de Eldar meus amigos. E será eterna enquanto nos for permitido existir nesse mundo; Athys falou sorrindo.

-Certamente; Amélia murmurou, vendo ao longe as montanhas verdes erguerem-se circundando os belos vales de Eldar que eram o símbolo da terra dos elfos da Luz. –E estamos nós aqui para garantir isso; ela completou de maneira enigmática.

IV – Mau Humor.

-Céus, já pensou em tomar um cházinho de erva cidreira para ver se acalma esse humor de cão? –Shido perguntou ao ver o irmão literalmente rosnar ao ver ao longe Leda conversando animada com Nora.

-Não me enche; Bado resmungou como resposta.

-Ih, que cara é essa? –Fenrir perguntou, aproximando-se.

-Provavelmente levou outro fora da Leda; Shido respondeu, dando de ombros.

-Mas isso ele já está acostumado; o guerreiro deus de Ariórtes falou, gesticulando displicente.

-Vocês não tem nada mais importante para fazer do que ficarem me alugando não? –ele perguntou incomodado.

Sua mente estava a mil, quem era o tal de Eldar que se encontrara com Leda, para Alana estar tão agitada querendo saber os pormenores do encontro? –ele se perguntou intrigado. Provavelmente deveria ser o mesmo idiota por quem a jovem andava suspirando. Raios, isso não deveria fazer tanta importância para si, mas o pior é que fazia, mais do que desejava.

-Uhn! Pelo visto alguém se enrolou na própria teia; Fenrir comentou num sussurro com Shido.

-Do que esta falando? –Shido perguntou, arqueando a sobrancelha, ao ver o cavaleiro apontar para Leda que estava arrumando a sala de jantar com Nora depois que Haguen e os outros cavaleiros haviam saindo. –Você não esta querendo dizer que-...; Ele parou, surpreso com a própria conclusão.

Não acreditava que o irmão estava com ciúme da jovem. Mas não podia abandonar essa possibilidade, dois dias já haviam se passado que Bado estava intratável. Qualquer um que chegasse muito perto dele corria o risco de ser mandado para o reino de Hell, aparentemente sem motivo. Aparentemente...; Ele pensou.

-Suponhamos que ele esteja com ciúmes; o geminiano começou.

-É a única coisa que explica esse humor de cão; Fenrir ressaltou. –Mas tenho uma outra teoria;

-Qual? –Shido perguntou, quando eles afastaram-se silenciosamente do outro para não serem ouvidos.

-Ele esta se sentindo ameaçado;

-Que absurdo, ele? –Shido perguntou, apontando para o irmão.

-...; Fenrir assentiu.

-Mas por quem?

-Não sei, mas vamos ficar de olho nele, ele pode fazer alguma besteira; Fenrir comentou.

-É, você está certo; Shido concordou.

-Hei, da pra parar de cochichar ai? –Bado perguntou, com uma veinha saltando na testa.

-Tudo bem; os dois falaram, erguendo as mãos em sinal de paz.

-É melhor irmos; Fenrir falou, com uma gotinha escorrendo na testa, Bado era dar medo quando irritado.

-...; Shido assentiu, afastando-se.

-o-o-o-o-

Retirava distraidamente as ervas daninhas do jardim, observando tudo com um olhar vago, pensando no que acontecera na noite passada. Instintivamente levou a mão aos lábios, ainda sentia o calor dos lábios dele sobre os seus, naquele beijo avassalador e intenso.

Um baixo suspiro saiu de seus lábios, o que estava acontecendo consigo? –ela se perguntou confusa. Lembrou-se da jovem de melenas prateadas, eles pareciam se conhecer a tanto tempo que duvidava que fossem apenas amigos, ainda se perguntava porque não conseguia confiar completamente nele, depois de todas as provas.

Um arrepio correu pelo meio de suas costas, estava com um mau pressentimento.

-Como vai Anieri? –Loki perguntou, com falsa amabilidade.

Falando em mau pressentimento...

-O que quer Loki? –Anieri perguntou, num tom frio de voz, vendo-o de soslaio sentar-se em um banco de cedro próximo a si.

-Apenas conversar; ele respondeu displicente, recostando-se no banco.

-Puff; a jovem resmungou. –Fale logo o que quer, que não tenho tempo para ficar lhe aturando; ela falou ferina.

-Calma, estou em missão de paz; Loki falou, erguendo os braços em sinal de rendição.

-Você? –Anieri perguntou, sem esconder o sarcasmo. Levantou-se disposta a sair dali, porém deparou-se com ele em sua frente, fazendo-a recuar alguns passos para trás.

-O que você sabe sobre aquela garota, a Amélia? –Loki perguntou a queima roupa.

-Você esta perguntando para a pessoa errada, não sei nada sobre ela; Anieri respondeu, incomodada com o repentino interesse dele, isso não queria dizer algo bom.

-Você e Mime estão tão próximos ultimamente. Sei que ele deve ter lhe dito algo; o cavaleiro insistiu.

-Não, não disse e mesmo que dissesse isso não é da sua conta; Anieri vociferou.

-Anieri. Anieri. Creio que você não entendeu aonde quero chegar; Loki falou, balançando a cabeça levemente para os lados. –Você e suas amiguinhas estão com a cabeça por um fio, é melhor não abusar da sorte, logo o conselho vai se reunir e é melhor você escolher antes o lado cert-...;

Mal teve tempo de terminar de falar, sentiu uma mão forte fechar-se em seu pescoço e suas costas chocarem-se contra uma árvore, pode até ouvir o barulho de uma costela quebrando-se com o impacto.

Anieri voltou-se chocada para a cena, nunca poderia esperar por algo do tipo; ela pensou, viu apenas uma sombra de cabelos rosados passar por si tão rápido que só ouviu o barulho de Loki sendo prensado, contudo na arvore.

-Sabe Loki, se tem algo que realmente me aborrece são idiotas como você, que se fazem de santos, mas não passam de ordinários de baixa categoria; Alberich vociferou, prensando-o ainda mais contra a arvore.

-Alberich; ele falou num fraco sussurro, com os orbes arregalados. Não o sentira se aproximar e o pior de tudo, não conseguira nem ao menos reagir.

-Vou lhe dar um recado e é melhor que me ouça; ele começou em tom solene.

-o-o-o-o-

-Esta tudo bem com você? –Aldrey perguntou, aproximando-se de Anieri.

-Uhn! –Anieri murmurou, voltando-se para a jovem. –Estou, mas...; Ela parou, apontando para Alberich.

-Não se preocupe, Mime pediu que ele ficasse de olho no Loki para que ele não ficasse lhe importunando; Aldrey falou com um sorriso compreensivo.

-Mime? –Anieri perguntou surpresa. Como ele sabia que Loki aproveitaria sua ausência para lhe pressionar? –ela se perguntou intrigada.

-...; Aldrey apenas assentiu.

-o-o-o-o-

-Me solta; Loki falou, tentando afasta-lo, sentindo a mão do cavaleiro apertar-se ainda mais em seu pescoço.

-É melhor que pare de importunar Anieri, se não terá sérios problemas;

-O que vai fazer? –Loki perguntou, de maneira petulante.

-Eu? Nada, mas para a sua própria saúde é melhor que me ouça. Nem todos os guerreiros deuses são tão bonzinhos como Siegfried ou Fenrir, que ainda te toleram... E você sabe, acidentes podem acontecer a qualquer momento, a qualquer hora e em qualquer lugar; Alberich falou num sussurro para que somente ele ouvisse.

Soltou-o com brusquidão, fazendo-o cair atrás do banco de cedro. Deu as costas ao cavaleiro que tinha um olhar chocado sobre si. Não se importava nem um pouco com isso.

Se havia algo que detestava eram caras como ele, que tinham mania de buscar eternamente por redenção, para depois do nada provarem que são tão ordinários quanto no começo; ele pensou, vendo o olhar surpreso de Anieri sobre si e o ar pacifico de Aldrey, lhe esperando.

Lembrou-se que durante a noite quando Mime voltara da casa de Amélia, lhe pedira que ficasse de olho em Anieri por segurança. Ambos sabiam que Loki estava esperando apenas o momento certo para pressionar a jovem, querendo usa-la contra eles.

Só não pensou que ele fosse agir tão rápido, mal entrara no palácio, para ir encontrar Aldrey na sala de jantar, a jovem veio ao seu encontro falando que tinha um pressentimento ruim e isso só aumentara quando vira Loki.

Ele passara por si com um olhar cheio de segundas intenções indo para o jardim e ironicamente quem estava lá?

-Então? –Aldrey perguntou, voltando-se para ele na expectativa.

-O recado está dado; Alberich respondeu, calmamente.

-Ahn! Alberich; Anieri começou hesitante.

-Vem com agente, eu te explico depois; o cavaleiro falou, indicando para retornarem ao palácio. –Aqui não é um bom lugar para falar sobre isso; ele completou num tom tão baixo que somente as duas conseguiram ouvir.

V –Antigas Alianças.

Sentaram-se na sala de estar, vendo a lenha na lareira trepidar, embora lá fora fosse uma paisagem campestre aquela região ainda era fria pela manhã.

-Esperem um pouco, vou chamá-lo; Athys falou, enquanto subia uma escada em espiral, indo para o segundo andar.

-...; Os dois assentiram, acomodando-se melhor no sofá.

Minutos depois passos foram ouvidos da escada em espiral e o jovem de longas melenas azuis descia acompanhado da esposa.

-Amélia; Eldar falou, sorrindo. –Sabia que minhas premunições nunca me enganavam; ele brincou. Aproximando-se dos dois, que levantaram-se.

-Como vai meu amigo? –ela perguntou, sorrindo. Abraçando-o fortemente.

-Muito bem, mas e você, vejo que tem algo diferente. O que é essa luz queimando em seus olhos? –ele perguntou, fitando-a intensamente.

-Ahn! Bem...; Ela balbuciou, com a face em chamas.

-Quem é ele? –Eldar perguntou, com um sorriso cúmplice, vendo-a ficar escarlate.

-A história é meio longa, sabe; Amélia desconversou. Vendo que Mime virara para o lado rindo, diante da saia justa.

-Não se preocupe, temos todo o tempo do mundo; o elfo respondeu, indicando a eles o sofá, sentando-se também. –Mas me digam, quais as novas;

-Falei com Freyr á alguns dias atrás; Amélia começou.

-Imagino, fiquei sabendo que meu pai esteve no santuário de Athena; ele falou, ficando sério.

-Então, por isso resolvi voltar mais cedo, para resolver de uma vez as coisas. Quanto mais adiarmos pior vai ser; a jovem explicou.

-Entendo, já tem idéia de quando o conselho vai se reunir? –o elfo perguntou.

-Daqui a uma semana. Pedi a Hilda que adiantasse isso para o mais breve, alem do mais, daqui três dias Nandor também já estará pronto, o que nos garante alguns pontos extras; ela explicou.

-Uhn! Nandor voltou a ativa então; ele comentou, com um meio sorriso nos lábios.

-Ainda com as velhas rivalidades Eldar? –Mime perguntou, com um sorriso maroto.

-Rivalidade não meu caro, apenas gosto de deixar bem claro o que me pertence; o elfo respondeu, com um brilho intenso nos orbes dourados. –Infelizmente alguns anões ainda não entenderam que Alfihein não é o local mais seguro para se minerar ouro quando eu estou aqui;

-Certamente; Amélia falou rindo. –Já vi que esse orgulho todo é mal do signo;

-O que eu posso fazer? –Eldar falou gesticulando displicente. –Perguntem a Sindar, os conceitos dele são um pouco piores do que os meus quanto a isso. Vocês sabem, dou um unicórnio para não entrar numa briga, mas dou um dragão para não sair dela depois que entrei; ele completou com um olhar enigmático.

-Depois que dizem que os quietinhos são os piores, falam que a gente fica generalizando; Mime falou displicente.

-Eldar sempre foi assim crianças. Vocês precisavam ver quando era pequeno, ele e Sindar só faltavam se matar quando invocavam com algo e por sinal na maioria das vezes era a mesma coisa que o outro queria, só paravam quando conseguiam; Athys falou, rindo.

-Veja bem Athys...; O elfo começou, assando a mão nervosamente pelos cabelos.

-Não adianta, você sabe que é verdade; Athys o cortou.

-Não duvido, afinal, ele não seria filho do Freyr se não herdasse alguns trejeitos bastante peculiares dele; Amélia brincou, vendo-o dar um sorriso inocente, concordando.

-Mas me digam, aqueles dois cavaleiros de ouro ainda estão em Asgard? –Eldar perguntou.

-Cavaleiros de ouro? –Amélia perguntou surpresa, voltando-se com um olhar indagador para Mime.

-Aaron de Aquário e Dohko de Libra. Chegaram ontem, mas não sei nada sobre o que eles estão fazendo lá. Paramos pouco no palácio ontem; Mime justificou-se.

-Eles estão procurando por Freya também, a mando de Harmonia; o elfo explicou.

-"Aishi mandou os dois para Asgard, será que ela sabe de algo?"; Amélia se perguntou. –E eles já sabem de algo?

-Diria que é mais um palpite que não podemos ignorar; ele respondeu.

-Agora que essa energia estranha surgiu, os grupos de busca aumentaram. Até mesmo os parentes de Vanahein (1) se mobilizaram para procurarem por ela; Athys falou.

-Se nem os Vanirs tem noticias dela, tudo se torna mais preocupante ainda; Amélia falou pensativa.

-Mas vamos encontra-la Amélia, antes do dono daquela energia que acabou com Hell e Fenris; Eldar falou, com um olhar sério.

-Não duvido meu amigo; ela respondeu, dando um baixo suspiro.

-Mas vamos falar de coisas mais felizes; Athys falou, vendo a aura de tensão que caira sobre todos. –Você ainda não nos contou como esta vivendo depois que se mudou?

Amélia sorriu, por isso gostava tanto de Alfihein, a atmosfera da cidade da luz era a melhor possível, qualquer aura ruim não durava mais do que meio minuto ali; ela pensou, começando a contar todas as novidades aos amigos, que alias, não eram poucas.

VI – Providencias.

Suspirou cansado, sentindo a água correr suavemente pelo corpo. Suas costas latejavam, sabia que devia ter tomado cuidado com os novos golpes que Celina estava aprendendo, mas um momento de desatenção e acabara caído no chão quase quebrando as costelas; ele pensou, passando a mão nervosamente pelos cabelos violeta.

Por falar na pupila, estava na hora de resolver algumas coisas com ela que não poderiam mais ser adiadas; ele pensou, fechando o registro. Pegou uma toalha que pendurara no box e envolveu a cintura com ela.

Já fazia três meses desde que Kanon fora para a Irlanda. O grande mestre estava surtando lhe cobrando uma providencia, não que ele soubesse algo sobre o geminiano, mas queria saber porque a filha andava amuada nas horas de folga que não usava o treino como desculpa de sua aparente 'indisposição'.

Passou uma toalha pelos cabelos, tirando o excesso de água. Alias, não era só isso que tinha de resolver; Mú pensou, a mais de três dias atrás fora procurar por Mia para conversarem, mas a jovem simplesmente sumira, ou estava lhe evitando mesmo; ele pensou, dando um suspiro frustrado.

Caminhou para dentro do quarto em busca das roupas que vestiria. Será que estava fazendo frio na Irlanda? –ele se perguntou, abrindo as portas do guarda-roupa.

Fechou-a em seguida, pegando apenas uma calça preta e uma camisa básica de cor branca. Foi em direção a cama, estendendo as peças sobre ela, mas entranhou ao ver seu próprio reflexo num espelho sobre a cômoda.

Aproximou-se do espelho, franzindo o cenho, estranho; ele pensou ao ver uma sombra em suas costas, puxou os cabelos para frente tentando ver melhor.

Fora uma fração de segundos, apoiou às mãos na cômoda sentindo uma onda de vertigem lhe atingir. Uma dor alucinante surgir em seu abdômen do nada como se alguma coisa fosse cravada ali. A respiração falhou, tentou manter-se consciente, ouviu o barulho de coisas caindo ao chão e mais nada, tudo ficou escuro.

VII – O Retorno.

Três meses; ele pensou, caminhando calmamente pelo santuário, parecera uma eternidade. Logo viu os templos erguerem-se a sua frente, tão imponentes como podia se lembrar, porém logo o primeiro lhe chamou mais atenção. Áries.

Subiu as escadas, instintivamente apertando a alça da mala nas mãos. Será que não seria melhor ir para Gêmeos primeiro, depois voltar ali? –ele se perguntou, hesitante, enquanto aproximava-se da porta.

Ergueu a mão para bater, porém abaixou-a novamente. Recriminando-se intimamente por estar com medo de bater na porta. Respirou fundo, batendo de leve, esperaria um pouco, se não houvesse ninguém voltaria depois; ele pensou.

Não ouviu nada, provavelmente o templo deveria estar vazio; ele pensou, virando-se para ir, mas parou ouvindo a porta abrir-se.

-Kanon;

Estremeceu ao ouvir uma melodiosa voz chegar a seus ouvidos, virou-se lentamente vendo a jovem de orbes rosados lhe fitando atentamente da porta, como se estivesse o reconhecendo.

-Celina; ele falou, quase num sussurro.

O tempo pareceu parar, as respirações eram pesadas e pausadas. Fitaram-se intensamente, sem recuar ou se aproximarem. Até que um barulho vindo de dentro do templo chamou-lhes a atenção.

-Mestre;

Continua...


Nota:

(1) Vanahein: Terra dos Vanirs. Terra onde Freya, Freyr e Niord nasceram.