Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas as Valkirias, Amélia, Aishi, Celina, Ilyria e Medeia são criações únicas e exclusivas minhas para essa saga.

Boa Leitura!

Capitulo 22: Yin e Yang.

I – A Flecha.

-De preferência não esperem mais cinco anos para voltarem aqui, viu? –Eldar falou sorrindo, ao acompanha-los até os portões de Alfihein acompanhado de Athys.

-Não se preocupe, assim que possível eu voltarei; Amélia respondeu sorrindo.

-Tem mesmo certeza que não quer voltar a cavalo? –Mime perguntou apreensivo. Ao vê-la apenas com uma longa e pesada capa cobrindo-lhe o corpo todo, enquanto suas roupas jaziam guardadas na sela do cavalo dele.

-Não se preocupe; a jovem falou, tentando tranqüiliza-lo.

-Façam boa viajem e não deixem de nos procurar se precisarem de algo; Athys falou, acenando.

-...; Os dois assentiram.

Mime montou o cavalo começando a correr velozmente. Amélia esperou-o tomar uma boa dianteira, para desatar a correr. Aos poucos a capa levantou-se e uma aura azulada a envolveu. Momentos depois a pelagem branca confundia-se em meio à neve.

As patas vez ou outra afundavam em meio à neve, mas isso não parecia ser importante, pelo contrario, era agradável. O vento batia em sua face como uma brisa suave que acalentava-lhe a alma, não precisou de muito para alcançar o cavaleiro.

Os orbes azuis brilharam mais intensos e as presas tornaram-se salientes ao emitir um baixo rugido de reconhecimento.

-Demorou; Mime falou em tom de provocação.

Ela rugiu em desagrado diante da provocação, enquanto continuavam a correr no mesmo ritmo, atravessando os vales agora em direção a Svartalgheim, a terra de Sindar.

As manchas pretas eram as únicas que a diferenciavam da neve. O tigre branco cortava as dunas geladas a cada passo dado com mais velocidade, como se dominasse completamente aquele lugar.

-o-o-o-o-

-Esta sentindo essa presença? –Ceres perguntou, voltando-se para a irmã que andava calmamente pelo bosque na floresta proibida, que guardava os portões de Svartalgheim.

-Estou; Coralina respondeu, olhando atentamente para os lados. –Me parece familiar;

-Vou averiguar, já nos encontramos; a jovem avisou, desatando a correr, logo transformando-se novamente em corsa.

-Ceres, esp-...; Coralina não teve tempo de detê-la. –Ela ainda vai se meter em problemas por causa disso; a jovem murmurou, contrariada.

-o-o-o-o-o-

-Mime; Amélia chamou elevando seu cosmo de forma que conseguisse se comunicar com o cavaleiro. Parou um pouco de correr, quando chegaram aos limites da terra de Sindar.

-Algum problema? –ele perguntou, descendo do cavalo e indo até ela.

-Estou sentindo um cheiro conhecido; ela respondeu, os obres azuis adquiriram um ar vago, fitando o horizonte.

Logo viram uma corsa de pelo castanho aproximando-se cautelosa. Ela parecia olha-los desconfiada.

-Ceres; Mime falou, acenando ao reconhece-la.

A corsa assentiu, aproximando-se rapidamente. Parou em frente ao tigre olhando-o atentamente, como se o estivesse reconhecendo. Voltou-se para o cavaleiro e viu-o assentiu.

-Amélia? –ela perguntou.

-...; O tigre assentiu, seus orbes brilharam como se estivesse sorrindo.

-Ouvimos falar que você estava de volta, mas não tínhamos certeza ainda de que era você; Ceres falou animada.

-Cheguei ontem; Amélia respondeu.

-A mana vai adorar saber que esta de volta, venham comigo. Coralina não esta muito longe; ela falou, correndo um pouco mais à frente.

-...; Mime assentiu começando a andar, puxando o cavalo pelas rédeas.

-o-o-o-o-

-Mas que inferno; Coralina vociferou ao seguir a irmã e o que encontrara?

Um guerreiro deus e um predador de marca maior, próximos o suficiente da irmã para que isso se tornasse perigoso.

-Se esse idiota acha que pode caçar com um tigre nessa região está muito enganado; ela murmurou, pegando o arco e rapidamente retesando a corda com uma flecha.

Algo dentro de si parecia gritar para não atirar, mas simplesmente ignorou, foi apenas um disparo, a flecha cortou o ar, indo diretamente na direção do cavaleiro.

II – O Alvo.

Seu mau pressentimento apenas aumentou quando encontraram Ceres. Estava feliz por ver a jovem que a muito não tinha noticias, mas algo estava errado. Seus instintos de auto-preservação gritavam para se afastar.

-Mime; Amélia chamou, fazendo-o parar.

Ouviu um barulho de algo cortando o ar, fora tudo muito rápido.

-AMÉLIA; o cavaleiro gritou, ao ver a jovem lançar-se a sua frente.

Instintivamente a segurou, porém não foi capaz de suportar o peso do tigre, caindo junto com ela de joelhos no chão.

-Amélia; Ceres chamou, aproximou-se correndo.

Envolveu-a rapidamente em sua capa, cobrindo-lhe o corpo. A transformação aos poucos foi se quebrando, os pelos foram substituídos novamente pela pele alva levemente rosada. Os cabelos passaram de longos e prateados, para curtos e negros.

Fitou-a preocupado, vendo-a abrir os olhos e os mesmos tornarem-se acinzentados novamente.

-Cuidado; ela sussurrou, antes de cair inconsciente.

-Amélia, acorda; Mime falou, chacoalhando-a pelos ombros, tentando acorda-la. O gelo aos poucos tornava-se vermelho, banhado pelo sangue que corria furiosamente pelo local onde a flecha fora cravada.

III – O Tigre Ferido.

Um barulho de vidro quebrando ecoou por toda a sala de jantar. Todos se voltaram para o cavaleiro, que a menos de um segundo atrás estava para levar uma taça de vinho tinto aos lábios, mas a mesma partira-se em vários fragmentos em sua mão.

-Alberich, algum problema? –Aldrey perguntou preocupada, vendo-o empalidecer.

-Eu...; Ele balbuciou, sem saber o que responder. Respirou fundo, sentindo seu coração falhar uma batida, tinha alguma coisa errada, sentia isso.

-ALBERICH. SIEGFRIED.

Todos voltaram-se assustado na direção da entrada, ouviram as portas principais abrirem-se com brusquidão e a voz de Mime ecoou pelas paredes.

-Amélia; os dois cavaleiros falaram trocando um olhar aflito. Levantaram-se correndo, deixando as cadeiras caírem com tudo no chão, enquanto corriam até ele.

IV – A Mensageira.

Entraram correndo no templo, só tivera tempo de jogar as malas na sala, seguindo a jovem até a origem do barulho.

-MESTRE; Celina gritou, batendo na porta.

Nenhuma resposta, ela continuou a bater, porém o cavaleiro não respondia. Voltou-se aflita para o geminiano como se perguntasse o que deveria fazer.

-Vá chamar Ilyria e Aishi; Kanon falou, vendo-a hesitante assentir. Desaparecendo rapidamente dali.

Respirou fundo, chamou novamente, mas não houve resposta. Elevou o cosmo e com um único chute colocou a porta abaixo. Assustou-se ao ver o ariano caído inconsciente, mas o mais surpreendente foi o que viu em suas costas.

-Mú; Kanon chamou, abaixando-se até ajoelhar-se no chão, virando-o para si.

Ele respirava com dificuldade, grossas gotas de suor escorriam por seu corpo. Ele não estava nada bem. Ouviu-o gemer, levando a mão ao abdômen, mas estranhamente não havia nada ali.

Ergueu-o do chão, colocando-o na cama. Rapidamente cobriu-o com um lençol até a cintura, quando Celina retornou com Ilyria e Aishi.

-Kanon, o que aconteceu? –a ariana perguntou, aproximando-se preocupada.

-Não sei, ele estava desmaiado; o geminiano explicou. –Esta suando muito, gemendo de dor com a mão no abdômen, mas não sei o que ele tem;

-Mãe, o que ta acontecendo com o mestre? –Celina perguntou aflita.

-Kanon, tira a Celina daqui, depois nós conversamos querida; Ilyria falou, voltando-se para o geminiano.

-Celina, vem comigo; ele falou, aproximando-se dela.

-Mas...; Ela murmurou, recuando um passo.

-Só vamos atrapalhar se ficarmos, vem comigo; Kanon falou, estendendo-lhe a mão.

-...; A jovem assentiu, sendo guiada por ele para fora do quarto.

-Aishi; Ilyria chamou, voltando-se para a jovem. –Ele esta queimando em febre;

-Ilyria, deixa eu ver o que posso fazer, enquanto isso, trás uma bacia com água pra gente ver se consegue abaixar essa febre; Aishi falou.

A jovem deixou rapidamente o quarto, enquanto ela se aproximava da cama. Abaixou-se um pouco, fazendo-o virar-se de lado, ouviu-o gemer instintivamente levando a mão ao abdômen, como se quisesse impedir que alguém o tocasse.

-Calma Mú, só quero ver uma coisa; Aishi sussurrou, elevando seu cosmo de forma que ele se acalmasse. Fora muito rápido, mas conseguiu ver perfeitamente o que estava ali. –Saia daí Medeia; ela mandou, sem voltar-se para trás.

Dar cortinas bordô, a imagem de uma jovem de longos cabelos vermelhos presos em uma trança, formou-se. Ela tinha um brilho triste nos orbes verdes ao aproximar-se hesitante.

-O que esta tramando? –Aishi perguntou, colocando sua mão sobre a testa do cavaleiro, tentando usar de seu cosmo para cura-lo.

-Não vai conseguir nada com isso Harmonia; ela falou num tom baixo de voz, quase num sussurro. Moveu levemente a mão, fazendo a porta fechar-se, não querendo que alguém as ouvisse. –Você deveria saber que tudo funciona a base de merecimento;

-O que quer dizer com isso? –a jovem perguntou, voltando-se para ela.

-O universo é regido por opostos. Amor e Ódio. Preto e Branco. Dia e Noite. Os orientais chamam isso de Yin e Yang; ela explicou, aproximando-se, indo sentar-se na beira da cama, do outro lado.

-Você não esta se referindo a...; Ela não completou, vendo Medeia assentiu.

-Quando o vi pela primeira vez, encontrei um grande potencial oculto no mais fundo da alma desse cavaleiro. Algo que atravessa os limites da razão mortal, as Deusas do Destino já o haviam marcado antes mesmo de manda-lo até mim, ele apenas não havia percebido isso antes. Para ele não existem limites como para nós Harmonia; ela falou, indicando as costas dele.

-Então isso não tem nada a ver com você? –Aishi perguntou, tentando assimilar tudo o que ela dizia.

-Não, sou apenas uma mensageira; ela respondeu pacificamente.

-O que vai acontecer agora?

-Você sabe o que acontece quando uma ligação cósmica é feita entre duas ou mais pessoas e uma delas se fere. Não foi ele a ser ferido, mas sim a outra metade. Se ela não sobreviver...; A jovem não completou, porém um brilho sombrio tomou conta de seus orbes.

-Aonde ela esta agora, a outra metade? –Aishi perguntou.

-De volta a sua terra de origem; Medeia explicou, voltou-se para o cavaleiro com um olhar triste e uma lagrima solitária pendeu de seus olhos. –Só peço aos deuses que a metade ferida se cure, somente assim ele poderá sobreviver.

-O Mú é forte Medeia, ele vai sobreviver; Aishi falou confiante, levantando-se.

-Isso não depende só de nós, guardiã. Só podemos rezar agora e esperar que tudo termine bem; a jovem respondeu, vagamente.

-Aishi; Ilyria falou entrando rapidamente no quarto.

A imagem de Medeia dissolveu-se rapidamente numa nuvem prateada desaparecendo do quarto, como se nunca houvesse estado ali.

-Aqui esta a água; a jovem falou, aproximando-se.

Viu Aishi fazer um aceno de negação, colocando a mão sobre a testa do ariano. A temperatura estava muito alta, provavelmente devido à reação do corpo quando fora ferido. Era irritante essa sensação de impotência, de não poder fazer nada quando um amigo estava naquele estado.

Algo acontecera, seus instintos diziam que isso tinha algo a ver com Asgard, sabia que Medeia não revelaria a localização exata da outra metade, Caos não permitiria que alguém interferisse em seus desígnios antes do tempo, mas se o onipotente pensava que poderia brincar com os mortais de maneira sádica estava muito enganado, se ele queria briga, ia ter; ela pensou, com os punhos serrados nervosamente.

Fechou os olhos, tentando concentrar-se. Lembrou-se do que descobrira com Kamus em Asgard e a ligação que isso tinha com as estranhas marcas que surgiram nos pilares. Pelo menos as Deusas do Destino haviam facilitado as coisas lhe dando uma pista de onde deveria ir.

-Aishi; Ilyria chamou novamente, cautelosa.

-Ilyria, vamos apenas rezar para que o melhor aconteça. Não podemos fazer mais nada; ela respondeu num sussurro.

A bacia foi ao chão esparramando toda a água. Queria que fosse alguma brincadeira da jovem, mas não era. Sentia isso, o pior de tudo é que sentia.

V – O Tigre Ferido.

Entrou correndo no palácio, desesperou-se ao ver gostas grossas e vermelhas manchando o chão de mármore.

-ALBERICH. SIEGFRIED; berrou, chamando pelos dois.

Não era necessário mais nada, subiu as escadas correndo. Tinha de dar um jeito naquilo. Ela estava perdendo sangue demais. O primeiro lugar que pensou em ir foi seu quarto. Abriu a porta com um chute, para em seguida, coloca-la delicadamente sobre a cama, tentando amenizar a dor.

-Mime; ele ouviu-a chamá-lo num sussurro.

-Estou aqui, calma; o cavaleiro respondeu, sentindo-a segurar-se fortemente em sua mão. –Vai ficar tudo bem;

-...; Amélia assentiu, abrindo os orbes acinzentados, deixando algumas lágrimas rolarem pela face.

A dor era atordoante, aquela flecha parecia destruir aos poucos suas últimas resistências, era impossível manter-se consciente assim. A respiração tornou-se mais pesada, fazendo-a perder o fôlego, os olhos embasaram e a dor aumentou, aos poucos os orbes começaram a tornarem-se opacos e sem brilho, fazendo-a fecha-los em seguida.

-AMÉLIA ACORDE; Mime gritou, tentando mantê-la consciente. –Vou ter de tirar a flecha; ele falou, sentindo as mãos tremerem em antecipação.

Ela assentiu, não mais conseguindo manter os olhos abertos... Envolveu a flecha com a mão tremula mesmo, respirou fundo antes de puxar.

-o-o-o-o-

Subiu as escadas correndo, mal se importando com aqueles que vinham atrás, sabia que algo não estava certo, seus instintos nunca lhe deixavam na mão.

-Alberich, espere;

Ignorou o chamado de Siegfried, já estava no corredor principal, não era necessário adivinhar para onde Mime a havia levado, as marcas vermelhas no chão já diziam tudo. Estancou, com a mão na fechadura, ouvindo um grito feminino de dor misturado a um gemido de um felino.

Seu coração pareceu parar de bater numa fração de segundos, o tempo pareceu congelar, fazendo-o ouvir sua própria respiração, suas mãos tremeram, enquanto olhava para a porta, sem saber se deveria entrar ou não, apenas apoiando-se na maçaneta, seus orbes perderam parcialmente o brilho e a face ficou tão branca quanto o leite.

-Alberich, calma; Siegfried pediu, colocando a mão em seu ombro.

Virou-se para trás, só agora notando a presença dele e de Aldrey ali, a jovem parecia preocupada, mas talvez não mais do que ele, com a garota lá dentro.

Respirou fundo, assentindo. Deu dois toques na porta, porém a mesma abriu-se num movimento lento. Viu Amélia deitada na cama, a face tão pálida que parecia quase sem vida, os lençóis manchados de sangue e no chão a flecha que fora retirada.

-Mime; os três chamaram procurando pelo cavaleiro.

Olharam para dentro do quarto, ainda sem entrarem. O que estava acontecendo? Procuraram por ele, deixando os orbes correrem pelo local. Viram-no sair do banheiro com uma bacia de água nas mãos, caminhando até a cama.

-Agora só falta parar o sangue; ele respondeu com a voz quase num sussurro, colocando o recipiente em cima do criado.

Observaram-no surpresos ainda mais ao verem exatas cinco marcas de garras na lateral direita da face dele.

Respirou fundo, quando puxara a flecha, fora instintivo, não vira a mão de Amélia transformar-se, resultado, levara literalmente uma patada, sendo arremessado contra a parede devido à força empregada no golpe.

Alguns filetes escorreram dos cortes descendo a garganta, mas isso não era importante, sua prioridade agora era cuidar dela.

Ergueu parcialmente a coberta que havia posto sobre ela, apenas no local aonde a flecha fora acertada. Com movimentos delicados para não feri-la, passou um pano úmido ali, tentando retirar os resquícios de sangue, para saber a profundidade do corte.

Se ao menos soubesse como usar o cosmo para curar, tudo ficaria mais fácil, mas nunca se preocupara com esse detalhe antes; ele pensou, serrando os punhos frustrados.

-Vou chamar Alana, ela pode ajudar; Aldrey falou, afastando-se correndo.

Alberich e Siegfried assentiram maquinalmente, enquanto o observavam.

-Quem fez isso? –Alberich perguntou, por fim, entrando no quarto.

-Coralina; Mime respondeu, sem se importar com o olhar chocado deles.

-O que? –o guerreiro deus de Merguérez falou, com os orbes cintilando perigosamente.

-Calma; Siegfried falou, segurando-o pelo braço. –Agir movido pela raiva não vai ajudar em nada;

Aquietou-se por um momento, ele tinha razão, fazer algo contra a garota não mudaria a situação de Amélia.

-Com licença; Alana falou, entrando no quarto seguida por Anieri, ambas trazendo as coisas necessárias para fazerem os curativos.

-Mime; Siegfried falou, aproximando-se dele, que até então estava sentando ao lado da jovem na beira da cama, fitando-a com um olhar perdido, fizera o que podia. –Vem; ele completou, colocando a mão sobre seu ombro.

-Mas...;

-Ficar aqui só vai atrapalhar; o cavaleiro falou, fitando-o compreensivo.

-...; Ele assentiu, levantando-se e seguindo cabisbaixo para fora do quarto.

VI – O Destino da Flecha.

-Não entendo porque Coralina atirou nela; Anieri comentou, enquanto fechava a porta.

-Coralina anda muito irritadiça e isso faz com que ela não pense antes de agir; Alana respondeu, retirando o lençol empapado de sangue. –Mime fez um bom trabalho com os primeiros socorros, agora precisamos fazer os curativos e esperar pela reação do corpo ao trauma, provavelmente ela vai queimar em febre até se recuperar completamente;

-...; Anieri assentiu.

Era estranho, quando vira aquela garota pela primeira vez, sentiu uma energia muito forte ser emanada dela, era o tipo de energia que você sentia uma vez e jamais esqueceria, por mais que o tempo passasse.

Ainda não conseguia entender a aparente relação entre ela, Mime, Siegfried e Alberich. Ouvira parte da conversa que ela tivera com Hilda, sabia que as duas haviam se conhecido no velório dos cavaleiros há três anos atrás, mas quem era ela realmente, ainda era uma incógnita.

Amélia Fazolt, tinha a impressão de já ter ouvido esse nome antes, mas parecia alto tão vago, como paginas apagas de um livro de história. Voltou rapidamente de suas divagações ao ouvir os gemidos da jovem, que aos poucos despertava.

-Mime; Amélia chamou num fraco sussurro.

-Calma menina, você não pode levantar; Alana falou, tentando segura-la na cama.

-O Mime... A flecha; ela balbuciou, aflita.

-O que ela esta dizendo? –Anieri perguntou, aproximando-se rapidamente para ajudar Alana a conte-la. De onde ela tirara tanta força assim? –a jovem perguntou surpresa.

-A flecha... Ceres... Era pra ele; a jovem sussurrou, caindo inconsciente novamente devido à fraqueza e o grande esforço.

-O que? –Anieri perguntou serrando os orbes perigosamente ao compreender em que aquelas palavras tão vagas implicavam. Quase chacoalhou a jovem para acorda-la novamente e saber se o que entendera era realmente verdade.

-É melhor deixa-la descasar; Alana falou, chamando a atenção de Anieri, também entendera o que a garota dissera, agora mais do que nunca precisava ter uma conversa séria com a jovem de melenas alaranjadas.

VII – O Senhor das Sombras.

-Como ela esta? –Aldrey perguntou, correndo até os três, vendo-os descerem as escadas.

-Inconsciente; Siegfried respondeu vagamente, vendo todos esperando ansiosos no hall para saberem o que aconteceu.

-Mas o que aconteceu afinal? –Hilda perguntou preocupada, ainda mais ao ver as manchas grossas de sangue no mármore branco, formando um caminho vermelho da entrada as escadas que levavam ao quarto dos cavaleiros.

-A culpa é minha; uma voz soou num sussurro vindo dos corredores que levam a cozinha.

Todos viraram em direção a voz, deparando-se surpresos com a imagem de Coralina, grossas lágrimas caiam pela face alva da jovem, que ainda tremia mediante aos últimos acontecimentos.

Ainda conseguia vislumbrar a imagem do tigre colocando-se na frente do cavaleiro, recebendo a flecha em seu lugar. O pior de tudo foi ver a transformação ser quebrada e reconhecer quem realmente era.

-SUA IRRESPONSÁVEL; Alberich vociferou, com os orbes queimando em fúria, quase avançando sobre a jovem, porem rapidamente Aldrey e Siegfried o seguraram.

-Calma; a jovem pediu, aflita com a reação dele.

-O que esta acontecendo? –Shido perguntou surpreso para Fenrir a seu lado. O cavaleiro deu de ombros sem saber o que responder, decidindo esperar para ver o que acontecia.

-Ele está certo; Coralina respondeu, desviando o olhar, sem conseguir encara-los.

-Aquela flecha era pra mim, não era? –Mime perguntou, com a voz fria, chamando a atenção dos demais.

-...; Ela assentiu silenciosa.

-Se eu bem me lembro Sindar havia lhe avisado o que aconteceria se alguém fosse ferido em suas terras, não? –ele perguntou, mantendo-se impassível, porém seu tom de voz assemelhava-se a uma promessa de monte lenta e dolorosa.

-Mime, eu...; Ela começou, voltando-se aflita para ele, mediante a menção do Senhor das Sombras.

-Não quero ouvir explicações suas Coralina, DANE-SE se a Hilda avisou ou não que VOCÊ não queria os cavaleiros na floresta. Sindar sempre deixou claro que nem você nem ninguém daquele lugar têm o direito de atirar em outra pessoa sem saber antes o que ela estava fazendo lá; Mime vociferou, deixando todos assustados com sua reação explosiva e colérica.

-Você chega com um tigre, tenta atacar a Ceres e QUER QUE EU FAÇA O QUE? –ela berrou, com os orbes em chamas.

Nora rapidamente a segurou, se não, dessa vez seria ela a voar pra cima do cavaleiro e se bem conhecia seu temperamento, isso não era muito difícil.

-Coralina, por favor; ela pediu, lançando um olhar de soslaio para Leda, pedindo que a ajudasse.

-Atacando? –Mime falou, com os orbes queimando em fúria.

-Calma, por favor; Thor pediu, aproximando-se cauteloso dele, segurando-o pelo braço, pois nem Siegfried era capaz de dar conta de dois cavaleiros furiosos ao mesmo tempo. E a julgar pela vibração do cosmo daqueles dois, aquela garota ia ser mandada para o inferno sem dó nem piedade se dependesse daqueles dois.

-Você por acaso nos viu correndo atrás dela, ou algo do tipo? –Mime perguntou com a voz pausada. Não houve resposta. –ENTÃO PORQUE RAIOS VOCÊ ACHA QUE EU ESTAVA CAÇANDO NAQUELAS TERRAS? –ele berrou, sentindo seu cosmo inflamar-se perigosamente, fazendo com que Thor rapidamente o segurasse pelos dois braços, surpreendendo-se com a força com que o cavaleiro empregava para soltar-se naquele momento de fúria.

Um silêncio inquietante caiu sobre todos, as respirações eram pesados e o clima tenso era papável. Os olhares corriam de Mime, Siegfried e Alberich para a jovem que ainda tremia. Ninguém sabia ao certo como proceder diante daquela situação.

Uma rajada de vento abriu com brusquidão as pesadas portas, fazendo as velas de alguns candelabros se apagarem, uma sombra esguia formou-se na entrada, sendo acompanhada por mais uma pessoa, pouco mais baixa.

Na defensiva, os cavaleiros voltaram-se para o estranho, Mime, Alberich e Siegfried surpreenderam-se ao reconhecer quem era.

-Ceres; Nora e Coralina falaram ao verem a jovem caminhar para dentro do hall acompanhada de mais alguém, ela não estava em sua forma de corsa o que fazia com que a situação se tornasse ainda mais complicada.

Sentiram o sangue enregelar ao depararem-se com um par de orbes dourados, com um brilho indecifrável e frio, que voltou-se automaticamente para elas.

-Sindar; Coralina sussurrou, engolindo em seco diante do olhar frio dele.

-Aonde esta Alana? –a voz do elfo ecoou por todo o salão, imponente e opressiva.

-Cuidando de Amélia; Mime respondeu, livrando-se dos braços de Thor que ainda o segurava.

Todos fitaram-no com surpresa. As vestes eram clássicas e negras, o casaco era bordado por finos fios dourados assemelhando-se a um curto sobretudo, os longos cabelos azuis, quase Royal caiam pelos ombros até o meio das costas, a pele era alva e sua presença era marcante... Inesquecível.

Tudo em perfeita harmonia, dando um ar a mais de mistério aquele ser milenar, porém uma aura fria o rodeava, fazendo com que aonde chegasse a luz do ambiente fosse absorvida, dando lugar às sombras, como seu nome mesmo representava.

-É melhor assim; ele falou vagamente, concordando com a decisão de permitir que a senhora cuidasse da jovem, ela era a pessoa mais indicada para isso.

Leda parecia petrificada olhando para o elfo. A palavra 'Gêmeo' ecoava de maneira aterrorizante em sua mente, eram extremamente parecidos, porém existia uma diferença gritante entre Sindar e Eldar. A presença de Eldar era mais tranqüila, entorpecente poderia definir assim, já a de Sindar era opressiva, a energia que transbordava de seu corpo era de gelar a alma.

-Leda; Adélia chamou, colocando a mão em seu ombro.

-Uhn!

-Vamos, Alana pode estar precisando de alguma coisa; ela falou, querendo tirar a jovem dali, Nora já havia lhe contado sobre os gêmeos filhos de Freyr e entendia perfeitamente o choque da garota.

-...; Ela assentiu, seguindo-a.

Sindar voltou-se para a jovem de melenas alaranjadas que estremeceu, engolindo em seco.

-Volte para Svartalgheim, depois nós conversamos; ele mandou, com um olhar indecifrável. Voltou-se para Ceres indicando que era para ela ir junto, não era mais necessária sua presença ali.

-...; Hesitante, ela assentiu deixando rapidamente o palácio. Se fugisse dessa conversa seria pior e ela sabia disso.

-Como ela esta Mime? –Sindar perguntou, voltando-se para o cavaleiro.

Todos permaneciam em silencio, apenas acompanhando o dialogo.

-Mal, ela perdeu muito sangue, possivelmente a flecha atingiu uma artéria; o cavaleiro explicou, sentindo a lateral da face arder ainda com as marcas das garras.

-Ela tinha veneno? –ele perguntou, com a voz pausada.

-...; Mime negou com um aceno.

-Menos mal, vou falar com Coralina. Não se preocupe, isso não vai voltar a acontecer; o elfo avisou, com um brilho azulado tremeluzindo nos orbes dourados.

-Como ficou sabendo do que aconteceu? –Siegfried perguntou, soltando Alberich com um suspiro aliviado, por ele parar se forçar para livrar-se de seus braços.

-Ceres voltou para Svartalgheim depois do que aconteceu e me avisou; Sindar respondeu. –Já imaginava que uma hora ou outra essa impulsividade de Coralina a colocaria em problemas, mas ela tem o péssimo habito de ignorar os avisos quando não é conveniente aceita-los; ele falou com desagrado.

-Mas isso não vai fazer com que ela melhore; Alberich rebateu irritado.

-Não, não vai, mas agora só nos resta esperar. Sei que Alana vai cuidar bem dela e logo ela ira se recuperar; o elfo falou, adquirindo uma postura mais calma, fazendo magicamente a tensão do ambiente diminuir.

-...; O cavaleiro assentiu, porém ainda contrariado.

-Bem, é melhor eu ir agora, vou até Alfihein falar com Eldar, ele provavelmente já deve estar sabendo sobre isso e querendo matar um; o geminiano falou com um sorriso que passaria muito bem por malicioso.

-Eldar; Bado murmurou pensativo, fitando o elfo com mais atenção.

-Se possível, me avisem quando ela estiver melhor; Sindar pediu.

-Pode deixar; Siegfried respondeu.

-Até logo. Princesa, meus cumprimentos; ele falou, voltando-se para a jovem petrificada, fazendo uma breve reverencia, deixando o local em seguida.

As luzes das velas aos poucos intensificaram suas chamas, clareando novamente todo o hall.

-Ahn! Ele é realmente quem eu penso que é? –Shido murmurou, apontando para o local onde ele estava antes.

-Aquele é Sindar, Shido; Hilda falou, voltando-se para ele. –Príncipe de Svartalgheim, o reino dos elfos das sombras e Eldar, seu irmão gêmeo, é o príncipe de Alfihein, o reino dos elfos da luz. Ambos já foram membros do Conselho de Asgard.

-"Então esse é o cara"; Bado pensou, estranhamente incomodado.

-Bem, é melhor vocês se acalmarem, ficar surtando agora não vai ajudar, só vai atrapalhar; Nora falou, aproximando-se de Mime e Alberich com duas xícaras de chá, nas mãos.

-O que é isso? –Alberich perguntou, arqueando a sobrancelha, desconfiado.

-Chá de camomila; Nora respondeu, entregando a cada um uma xícara. –E é melhor tomarem tudo, não tem nada mais insuportável do que homens surtando; ela completou, com um olhar entrecortado, fazendo-os se encolherem.

-Você é quem manda; Mime murmurou, tomando o chá em um gole só.

Era melhor não contrariar aquela raposa, poderia ser muito perigoso; ele concluiu em pensamentos.

VIII – Sobre Amigos.

-Anieri, fique com ela, vou levar essas coisas lá para baixo e fazer um chá; Alana avisou, recolhendo as coisas que trouxera e que já haviam sido usadas.

-...; A jovem assentiu, sentando-se em uma poltrona num canto do quarto.

Ouviu a porta se fechar e não pode conter sua curiosidade, deixou seus olhos correrem pelo quarto. Era um lugar sem muita sofisticação, porém reconfortante e acolhedor. A cama de casal estava encostada em uma parede de madeira rústica, igual aos outros moveis.

Levantou-se, aproximando-se de uma cômoda, com olhar curioso. Viu um porta-retratos de um casal segurando uma criança em seus braços.

-"Os pais dele"; a jovem pensou, deixando a ponta dos dedos tocar o vidro fino, notando ao lado uma foto do tio. –"Como será ter vivido com ele todo esse tempo?"; ela se perguntou.

-Mime;

Virou-se para trás ouvindo a voz da jovem soar quase num sussurro. Aproximou-se curiosa, vendo-a serrar os orbes devido à dor, instintivamente levando mão ao lugar aonde levara a flechada.

-Calma; Anieri pediu, segurando-lhe o braço.

-Como ele esta? –Amélia perguntou, emitindo um fraco gemido.

-Mime?

-...; Ela assentiu.

-Esta bem; Anieri respondeu, um pouco inquieta diante da preocupação da jovem.

-Que bom; Amélia murmurou, relaxando o corpo, sentindo a dor aliviar-se aos poucos.

-Vocês são muito amigos, não? –ela não pode se conter em perguntar.

-Somos grandes amigos; Amélia respondeu, tentando mover o corpo para o lado, mas parou ofegando pela dor.

-É melhor não se mexer; Anieri falou preocupada, temendo que o corte voltasse a abrir.

-Ele gosta muito de você; a jovem falou, chamando-lhe a atenção.

-Como? –ela perguntou, piscando confusa.

-Nunca foi muito fácil para ele se apegar às pessoas por medo de perde-las, mas ele gosta muito de você; Amélia falou, respirando pesadamente.

-Mime? –Anieri perguntou, sentindo a face incendiar.

-...; Ela assentiu fracamente. -A ultima vez que nos vimos ele estava magoado, ferido; a jovem murmurou, fazendo com que Anieri se abaixasse mais para ouvi-la. –Não fazia muito tempo que Folken havia morrido, forçando-o a lutar contra ele. Mime nunca mais foi o mesmo depois disso;

-Depois que Folken morreu; ela murmurou, com ar pensativo.

-Quando voltei, notei que ele estava diferente. Um brilho diferente em seus olhos, mais amadurecido, sem aquela magoa e revolta de antes. Quando ele fala em você, seus olhos brilham; Amélia continuou, sem dar-se conta do pequeno conflito interno a formar-se na mente da jovem.

-...; Entreabriu os lábios, porém palavra alguma saiu, simplesmente não sabia o que falar. Sentia seu coração disparar e a face aquecer-se, lembrando-se do que havia acontecido entre eles na noite passada.

Voltou-se para a porta, ouvindo um toque de leve, virou-se para ela vendo que a mesma havia caído no sono novamente. Respirou fundo, levantando-se. Abriu a porta deparando-se com Adélia e uma avoada Leda.

-O que foi?

-Viemos ver se você precisava de algo? –Adélia perguntou, olhando por cima do ombro dela.

-Não, obrigada; Anieri respondeu, fechando parcialmente a porta, com um olhar entrecortado.

-Como ela esta? –Leda perguntou.

-Está melhorando, ainda sente muitas dores, mas até agora de pouco estava consciente; ela respondeu.

-Bem, nós já vamos então; Leda falou arrastando Adélia consigo, antes que ela fizesse mais alguma pergunta.

-...; Anieri assentiu, vendo-as se distanciarem com um olhar perdido. Tendo as palavras de Amélia ecoando em sua mente.

IX – Cuidados.

Serrou os olhos, sentindo-se atordoado. Seu corpo doía, sentia como se uma flecha houvesse transpassado a lateral do abdômen próximo a cintura. Todos os músculos estavam tensos o que apenas servia para aumentar a dor.

Viu duas imagens embaçadas ao lado da cama. Tentou elevar seu cosmo para identifica-las, mas ele simplesmente negou-se a acender. Estranho; ele pensou, confuso.

-Calma; uma voz serena sussurrou, colocando a mão sobre a sua.

Abriu os olhos lentamente, começando a identificar as sombras.

-Ilyria. Aishi; ele sussurrou, fracamente.

-Estamos aqui com você, fique calmo; Aishi pediu.

-O que aconteceu? –Mú perguntou, estranhamente perdendo o fôlego, sentindo o abdômen doer como se estivesse tentando se mexer.

Ilyria e Aishi trocaram um olhar aflito, já haviam conversado sobre isso, mas infelizmente não poderiam revelar nada ainda ao cavaleiro sobre o que estava acontecendo, isso só pioraria a situação.

-Achamos que é uma espécie de desidratação; Aishi explicou, apenas lançando um olhar para a ariana, que concordou. –O tempo mudou de repente, então, achamos que isso pode ter causado o desmaio repentino.

-Desidratação; ele balbuciou, tentando entender aonde aquilo se encaixava com as dores que sentia, ainda mais com aquela queimação nas costas. –Minhas costas doem;

-Você as bateu quando caiu; Ilyria adiantou-se em justificar.

-...; Mú assentiu, sentia sua mente mais lenta para processar o que elas estavam falando, porém sentiu seu coração falhar uma batida, tendo um pressentimento inquietante. –Aonde esta a Mia? –ele perguntou, em meio a um gemido de dor.

-Como? –Ilyria perguntou, aproximando-se, sem conseguir ouvir direito o que ele estava falando.

-M-mi-a; ele sussurrou, caindo no sono.

-Aishi; Ilyria chamou, com um olhar aflito.

-Agora ele só esta dormindo; a amazona respondeu, vendo que a temperatura dele estava aos poucos diminuindo.

-E agora?

-Vamos esperar, é só o que podemos fazer; ela respondeu.

-Vou falar com a Celina e o Kanon então; Ilyria avisou.

-Pode ir, eu fico aqui com ele, não se preocupe;

-...; Ela assentiu.

-o-o-o-o-

Suspirou aliviado ao senti-la finalmente se acalmar, observou distraidamente a jovem dormindo com a cabeça em seu colo, deixou que os dedos finos passassem com suavidade pelas melenas castanhas. Como sentira falta dela; ele pensou, recostando-se melhor no sofá.

Era estranho o que acontecera, o ariano desmaiar daquela forma e aquilo que vira também, mas era melhor perguntar a Aishi depois o que estava realmente acontecendo; ele pensou.

-Kanon; Ilyria falou, colocando a mão sobre seu ombro, chamando-lhe a atenção.

Ergueu a cabeça, vendo o olhar aliviado dela ao ver Celina dormindo.

-Ela estava muito agitada; ele avisou, vendo-a sentar-se no outro sofá.

-Imagino, ela e Mú são muito apegados é normal que ela fique assim sem saber o que esta acontecendo;

-O que aconteceu com ele? –Kanon perguntou.

-É uma espécie de desidratação, ele anda treinando demais nesse sol, tentando acompanhar o ritmo da Celina. Deve ter forçado demais o corpo, então, uma hora o organismo ia se recusar a continuar sem pausa pra descanso; ela explicou, lembrando-se que havia combinado com Aishi de dar essa explicação a todos que perguntassem, enquanto não pudessem revelar o que estava acontecendo, ou que tivessem informações suficientes para liderem com isso.

-Ele vai ficar bom? –o geminiano perguntou.

-Se Zeus quiser, vai. Agora só nos resta esperar; Ilyria completou, dando um suspiro cansado.

-...; Kanon assentiu, deixando a mão brincar distraidamente com uma mecha castanha dos cabelos dela que caiam sobre sua perna.

-Mas me diz, porque não avisou que estava voltando? –ela perguntou, notando a expressão serena com que a filha dormia. A muito não a via tão calma assim.

-Foi algo meio de ultima hora; ele respondeu, com um meio sorriso, lembrando-se que Alexia literalmente lhe jogara para dentro do avião, para garantir que não arrumaria desculpa alguma para não voltar.

-Os outros já sabem que esta aqui? –Ilyria perguntou, curiosa.

-Não, eu pensei em parar aqui falar com o Mú primeiro; Kanon respondeu.

-Como o Mú? –ela perguntou, com um sorriso maroto nos lábios, vendo o cavaleiro enrubescer levemente.

-Bem...;

-Não precisa explicar; Ilyria falou compreensiva. –Mas se não for incomodo, poderia leva-la para o quarto, espero que Celina não acorde hoje, isso só vai deixa-la mais agitada;

-...; Ele assentiu, erguendo parcialmente a cabeça da jovem, para levantar-se, ouviu um murmúrio de protesto que assemelhava-se mais a um ronronado, enquanto ela tentava agarrar-se ao que quer que fosse, para dormir novamente.

Um meio sorriso formou-se em seus lábios, enquanto passava os braços por baixo das pernas e costas dela, suspendendo-a do sofá, aninhando-a em seu colo.

-Vou te mostrar o caminho; Ilyria falou, tomando a frente, para abrir a porta.

Assentiu, seguindo-a. Logo encontrou Ilyria no final do corredor, abrindo uma porta ao lado do quarto de Mú, entrou caminhando em direção a cama, abaixou-se para colocar a jovem, mas engoliu em seco ao senti-la segurar-se em sua camisa, murmurando algo como protesto. Voltou-se para trás vendo que Ilyria não estava mais ali.

Colocou sua mão sobre a dela, fazendo-a soltá-lo lentamente sem acordar. Viu-a agarrar-se a um travesseiro, suspirando mais relaxada. Balançou a cabeça levemente para os lados, levantando-se, mas estancou ao ver algo em cima do criado-mudo.

Um porta retratos, pegou-o nas mãos e surpreendeu-se ao ver a foto que estava ali. Voltou-se para a jovem com um olhar curioso. Suspirou pesadamente, era melhor não tentar explicar; ele concluiu, cobrindo-a com um fino lençol, antes de se afastar, fechando a porta atrás de si.

Continua...