Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas as Valkirias e Amélia são uma criação única e exclusiva minha para essa saga.
N/a: Capitulo dedicado a uma minha grande amiga Nikke, sinceramente espero que goste.
Boa leitura!
Capitulo 24: A Ligação Entre os Quatro.
I - Conselho.
Agora estavam a cinco dias do conselho, era estranho como tantas coisas haviam mudado consideravelmente em tão pouco tempo; Alberich pensou.
Estava sentado em baixo de uma arvore no jardim do palácio, de onde estava conseguia ver algumas flores arriscando-se entre a neve, tão belas e fortes, mesmo que soubesse que elas talvez não resistissem a temporada toda que estava se iniciando, mais rigorosa que as anteriores como tudo indicava.
Fechou os olhos, encostando a cabeça sobre o tronco da arvore, respirou fundo, sentindo uma doce essência de flores silvestres invadir-lhe as narinas, que sabia pertencer apenas a uma pessoa.
-Aldrey. Pode sair, sei que está ai; Alberich falou, com uma calma inabalável.
Ainda estava se recuperando dos eventos que aconteceram a menos de vinte quatro horas. Uma hora acertaria suas contas com Coralina, mas por hora, ira se concentrar apenas em esperar Amélia melhorar.
Timidamente a jovem de cabelos castanhos saiu de trás da arvore, ela parecia hesitante ao se aproximar.
-O que foi? -Alberich perguntou, abrindo os olhos e vendo-a olhar para os lados.
-Siegfried pediu para lhe dar um recado; ela falou, vendo-o se levantar, parando a sua frente.
-Porque esta hesitando? -ele perguntou, pelo pouco que conhecia da jovem, sabia que hesitar assim não era de seu feitio.
Aldrey era jovem, uma bela jovem de orbes tão castanhos que se igualavam a uma ametista. Os longos cabelos encaracolados caiam numa cascata volumosa pelas costas, a pele acetinada parecia a mais fina porcelana, porém tanta delicadeza servia apenas para mascarar um gênio forte e indomável. Mas desde quando estava reparando na jovem nessa perspectiva? -ele se perguntou.
-Não é nada; ela desconversou. -Mas Siegfried pediu para lhe avisar que os outros cavaleiros já foram avisados sobre o conselho;
-O conselho; Alberich balbuciou, com um olhar perdido.
-Lembrança-
-VOCÊ FAZ PARTE DO CONSELHO, COMO PODE PERMITIR ISSO? -um senhor de idade berrou.
O homem de porte nobre, longos cabelos rosados e orbes incrivelmente verdes não se abalou com isso, pelo contrario, estava a ponto de mandar o outro bater nos portões do castelo de Hell.
-Não vou permitir que minha família faça parte dessa injustiça; Alberich XVIII falou, veemente. -Não contem com meu apoio;
-Vai se arrepender por isso Alberich; o senhor ameaçou, contrariado por mais um membro da ordem dos cavaleiros fieis a verdadeira família real, ter se voltado contra as decisões de Durval.
-Não, vocês é que vão. Vocês destruíram uma família inocente, ele era meu IRMÃO; Alberich berrou enfurecido.
-Um bastardo que uniu-se a um mestiço; ele desdenhou, deixando seu preconceito evidente para com a diferença.
-Saia de minha casa agora, se não, não terei um pingo de dó em lhe matar; o cavaleiro avisou, tomado pela ira.
-Que seja, mas você sabe Alberich acidentes acontecem e Durval jamais vai se esquecer de você; o senhor completou, deixando a casa.
Atrás do sofá uma criança jazia tremendo, não fazia uma semana que caira no lago de gelo, quando contara ao pai o que acontecera. Para sua surpresa ele não ficou bravo por ter 'perdido' o medalhão, apenas pediu que guardasse segredo e não contasse a ninguém sobre o tigre, da mesma forma que sua mãe.
-Filho, pode sair; Alberich falou, mais calmo. Recriminando-se intimamente por não ter notado a criança ali antes.
Hesitante, a criança saiu de trás do sofá, correndo até o pai e abraçando-o fortemente pelas pernas.
-Não se preocupe criança, eles não vão fazer nada a ela; ele falou, afagando-lhe as melenas rosadas.
-Mas...; Ergueu os orbes verdes marejados de lagrimas.
-Ela tem a proteção dos deuses, vai ficar tudo bem, não se preocupe; Alberich falou, tentando tranqüiliza-lo. -Agora eu tenho que me trocar, logo o conselho ira começar e não posso me atrasar; o pai falou, afastando-o.
-Fim da lembrança-
-Alberich; Aldrey chamou, passando a mão na frente de seus olhos.
-Uhn! -ele murmurou, piscando algumas vezes.
-Você viajou; ela brincou, mas o viu mais sério do que de costume; -Algum problema?
-Não, apenas me lembrei do ultimo Conselho de Asgard, quando Durval ainda 'mandava' aqui; Alberich comentou, balançando levemente a cabeça para os lados. -Mas me diga, você estava hesitando tanto, mas não era só por isso, não é? -ele perguntou, com um meio sorriso, querendo mudar de assunto.
-Bem...; Aldrey começou, desviando o olhar, corada. -Vim te chamar pra patinarmos, Flér não pode vir, porque Haguen ainda esta em Muspell; ela explicou.
-Não acha meio perigoso, você ainda não se recuperou o suficiente para ficar se expondo a tanto vento.
-Não se preocupe; Aldrey falou animada, segurando-o pela mão. -Não vai acontecer nada;
-Mas você pode cair; ele insistiu, tentando faze-la retroceder.
-Confio em você; ela falou, sorrindo docemente, deixando-o aéreo. -Sei que não vai me deixar cair.
Alberich assentiu silencioso, seguindo com ela para dentro do palácio, para buscarem os patins.
II - Cabelos Cor de Rosa.
Sentou-se em uma poltrona de frente para a janela na sala de musicas. Sentiu os músculos do corpo todos tensos devido aos acontecimentos das ultimas horas. Era difícil de acreditar que a amiga estivera bem perto de bater nos portões de Hell, mas graças aos deuses ela já estava bem, apenas fraca devido à perda de sangue.
-Siegfried; ouviu alguém lhe chamar, parando a seu lado.
Ergueu a cabeça, deparando-se com o olhar preocupado da jovem de melenas azuladas sobre si.
-Sim; ele murmurou como resposta.
-Deveria ir descansar um pouco; Hilda falou, colocando a mão sobre seu ombro.
-Eu estou bem, não se preocupe; o cavaleiro respondeu, com um doce sorriso, colocando sua mão sobre a dela. Voltou-se para a janela com um olhar vago, vendo que uma pequena tempestade de neve já se iniciava.
-Em que esta pensando? -ela perguntou, sentando-se no braço da poltrona, ao lado dele.
-Estava lembrando de uma coisa; ele respondeu, com um meio sorriso.
-O que? -Hilda perguntou curiosa.
-Lembrança-
Entrou alegremente pela porta do chalé, procurando pelos demais. Tivera a autorização dos pais para interromper um pouco os treinos naquele final de semana para passar com os amigos na casa de Lílian.
A senhora era uma pessoa extraordinária e só ela sabia fazer aqueles biscoitinho de vento para tomar com chá que eram sua perdição; ele pensou.
-Siegfried, já chegou; a senhora falou, vindo recebê-lo da cozinha.
-Já; ele respondeu, ainda olhando para todos os lados. -Cadê os outros?
-Amélia e Mime foram buscar Alberich; Lílian respondeu sorrindo. -Mas sobe lá pra deixar as coisas e vem me ajudar, estou fazendo biscoitos; ela completou, indicando a escada para os quartos.
-...; Assentiu, subindo as pressas, porém antes de chegar ao quarto, um sorriso pentelho formou-se em seus lábios, que se alargou com a idéia que tivera.
-o-o-o-o-
-Vamos logo Alberich; a garotinha que contava com seus nove anos falou impaciente, puxando-o consigo para ver se o fazia andar mais rápido.
-Ah me deixa; ele resmungou, ficando emburrado.
-Alberich, anda logo, se não vamos chegar amanhã; Mime também reclamou.
Agora entendia o porque de Amélia estar tão preocupada com ele. Fora um ano difícil para todos, um ano de muitas dores; ele pensou, vendo os dois seguirem na frente. Mal notara que já fazia um ano após a morte de Angélica, por isso entendia o porque do garoto estar tão recluso com a proximidade da data.
-Mime, me ajuda; Amélia pediu, fazendo biquinho, porque Alberich simplesmente sentara no chão, reclamando que ninguém o tirava dali.
-Mais essa; ele falou, balançando a cabeça levemente para os lados, vendo a garotinha de cabelos negros quase voar pra cima do outro, tentando tira-lo do chão.
-Vamos Alberich; ela falou, tentando puxa-lo.
-Alberich, levanta logo, não vai demorar pra começar uma tempestade; Mime falou, apontando para o céu.
Viu-o erguer a cabeça e rapidamente se levantar, porém com o susto Amélia recuara, caindo no chão.
-Chato; Amélia resmungou, vendo um punhado de neve cair sobre os cabelos.
-Quem mando ficar distraída; Alberich falou, com um sorriso pentelho nos lábios.
-Oras, seu; ela reclamou, voando pra cima dele.
Dito e feito, não demorou muito para os dois estarem rolando na neve, trocando socos e chutes.
-Parem com isso; Mime falou, segurando a garotinha pela cintura, tirando-a de cima do outro, que evidentemente estava na desvantagem.
-Me solta, deixa eu mostrar pra ele quem estava distraída aqui; Amélia falou, tentando desvencilhar-se dos braços do cavaleiro, alongando as unhas que nem as de um felino, pronta para atacar.
-Recolha as garras mocinha; Mime falou, sério. Chamando a atenção de Alberich que também se preparava para o contra ataque. -Agora vamos logo; ele completou, soltando-a e puxando os dois consigo para a casa.
-Chato; Alberich e Amélia resmungaram, mostrando a língua pra ele que apenas balançou a cabeça com um meio sorriso. Certas coisas são de família; ele pensou.
-Olha lá, a madrinha deve estar fazendo biscoito; Amélia falou animada ao ver uma tênue fumaça subir da chaminé anexa a cozinha.
-Provavelmente o Siegfried já chegou; Alberich falou sarcástico.
-Vamos logo; a garotinha falou correndo para a casa, sendo seguida pelos dois.
Amélia correu abrindo a porta e entrando em seguida, mas num milésimo de segundos, sentindo um balde sobre sua cabeça, derramando em cima de si algo úmido e frio.
-Amélia; três vozes ecoaram pela casa.
Uma era a de Siegfried que vinha correndo da cozinha e vira que quem caira em sua 'armadilha', não fora nenhum dos garotos. E as outras duas era de Mime e Alberich que correram até ela, vendo-a inteirinha coberta por uma tinta cor de rosa.
-O que esta acontecendo aqui? -Lílian perguntou, saindo as pressas da cozinha ao ouvir o grito da menina. -Mas o que é isso?
-Madrinha; Amélia choramingou, vendo a tinta rosa escorrer pelo vestidinho branco que usava.
-Calma criança, é melhor subir e tomar um banho; Lílian falou, tentando não rir da cena.
-Que idéia foi essa Siegfried? -Alberich perguntou, com os orbes serrados ouvindo Amélia chorar.
-Oras, como eu poderia adivinhar que não era um de vocês que ia abrir a porta; ele falou, com o olhar mais inocente que conseguiu fazer.
-SIEGFRIED MALVADO; Amélia falou, partindo pra cima dele.
-Amélia; Lílian falou surpresa, ao ver a garotinha em cima dele, literalmente o socando.
-Lílian é melhor deixar ela bater, desde que aprendeu defesa pessoal ela ta doida pra colocar algumas coisas em pratica; Mime falou rindo.
-Hei; Siegfried reclamou, tentando desviar dos golpes da garotinha que embora tivesse uma aparência frágil, poderia muito bem lhe dar uma surra inesquecível.
-Fim da lembrança-
-Ela ficou um mês com o cabelo cor-de-rosa; Siegfried falou rindo.
-Siegfried, seu malvado; Hilda falou, também rindo, quando ele lhe contou o que acontecera.
-Mas foi divertido, fico me perguntando o que teria acontecido se fosse com o Alberich ou o Mime; ele comentou, sentindo uma gotinha escorrer na testa ao pensar nas possibilidades.
-...; A jovem apenas balançou a cabeça levemente para os lados, sorrindo.
Foram poucas as coisas que ele lhe contara sobre a relação entre eles e Amélia, mas era interessante ver esse lado do cavaleiro, que não fosse a de serio e ponderado que ele mantinha como líder dos guerreiros deuses.
-Era uma época boa de se viver, apesar das responsabilidades precoces; ele comentou. -Muitas coisas mudaram desde aquela época, nós também mudamos muito;
-Imagino, tempo trás amadurecimento; Hilda comentou, entrelaçando os dedos de sua mão, nos dele.
-...; Siegfried assentiu.
III - O Medalhão.
-Vamos logo Alberich; Aldrey falou, arrastando-o para o meio do gelo.
-Calma; ele pediu, tentando acompanhar o ritmo dela.
Suspirou aliviado ao vê-la tocar o gelo, acalmando-se por finalmente ter chegado. Viu-a tentar dar alguns passos rápidos e se desequilibrar.
-Não disse, tem de ir devagar; Alberich falou, segurando-a pela cintura, impedindo a queda.
-Desculpe; Aldrey murmurou corada, deparando-se com o olhar intenso dele sobre si.
-Vamos patinar então; ele falou, balançando a cabeça levemente para os lados, tentando afastar os recentes pensamentos.
Envolveu-lhe a cintura e lentamente começou a se mover, ouvindo as laminas cortarem o gelo, deixando-os correrem com suavidade pela superfície cristalina. Perdendo-se em pensamentos e velhas lembranças.
-Lembrança-
Nunca vira uma tempestade daquelas se formar em Asgard, normalmente eram chuvas leves ou apenas garoas, mas não daquela forma; ele pensou, sentindo as lágrimas correrem por sua face, enquanto seguia ao lado o pai, o cortejo que levava o caixão.
O dia nascera triste e sem vida pra si, agora contava com cerca de nove anos, mas ainda sim sentia seu coração se partir e uma parte de si morrer, ao saber quem estava lá dentro.
Entraram no cemitério, sendo acompanhados pelos amigos da família, entre alguns hipócritas que não deveriam nem existir nesse mundo; Alberich pensou revoltado, serrando os punhos, por ver-se impotente diante daqueles que acabaram com sua vida e a de seu pai.
-Alberich; o pai chamou, colocando a mão sobre seu ombro.
Ergueu a cabeça, deparando-se com os orbes verdes do pai, que agora jaziam opacos, sobre si. Meneou a cabeça, indicando para ele continuar.
-Venha; ele completou, puxando-o para o local aonde o caixão seria enterrado.
Aproximou-se com cautela, vendo a lapide de mármore já instalada no local.
Angélica Alberich
Amada esposa e mãe
Sentiu as lágrimas correrem ainda mais impiedosas sobre sua face. Ainda lembrava-se das palavras que ouvira de um dos membros do conselho há alguns anos atrás. Sabia que isso era coisa de Durval, mas um dia iria se vingar e o mandaria para o inferno, gritando pedidos de perdão por todas as famílias que destruiu em nome de sua ambição; ele pensou, com uma chama avermelhada tomando conta dos orbes verdes.
Viu-se sozinho diante do tumulo, seu pai se afastara um pouco para conversar com Folken e Siegfried, mas foi com surpresa que viu a imagem de uma garotinha sair do bosque ali perto, entrando no cemitério, com um buquê de gérberas vermelhas nas mãos.
Não era comum ver gérberas naquela região, ainda mais no inverno, mas o que o surpreendeu, foi algo que viu pendendo no pescoço dela.
Ela aproximou-se cautelosa, como se temesse ser vista. A garotinha devia ter por volta de mais ou menos sete ou oito anos, cabelos negros na altura dos ombros, a pele clara da face estava levemente enrubescida devido ao frio, provavelmente ela estava com gripe; ele pensou, ocultando-se atrás de uma arvore ali perto, esperando-a se aproximar o suficiente.
Ela ergueu parcialmente a barra do vestido branco, longo e pesado, para ajoelhar-se em frente ao tumulo, já coberto pela neve. Pousou o buquê de gérberas sobre ele, juntando as mãos umas nas outras, fechou os olhos, fazendo uma prece silenciosa.
Isso lhe deixou intrigado, quem era ela? -Alberich se perguntou, aproximando-se e parando atrás dela. Porque tinha a impressão de conhece-la e porque ela usava aquele colar, o colocar do dragão que lhe pertencia? Será que era ela a dona daquele tigre branco que salvara sua vida há três anos atrás?
-Quem é você? -ele perguntou, ao vê-la abrir os olhos, preparando-se para se levantar.
Ela deu um pulo assustada, voltando-se para ele.
-Aonde pegou isso? -Alberich perguntou, abaixando-se e apontando o colocar.
-Ahn! Eu... Bem... Eu ganhei senhor; ela falou, com a voz tremula.
-De quem? -ele insistiu, disposto a tudo para saber quem era ela.
-Creio que isso não seja da sua conta; Amélia respondeu séria, com um brilho intenso nos orbes acinzentados, que por um milésimo de segundo, tornaram-se azuis.
-"O tigre"; Alberich pensou, surpreso. -Ahn! Como se chama? -ele perguntou, tentando parecer mais calmo, estendendo-lhe a mão, para que ela se levantasse.
-Obrigada; a garotinha murmurou, com a face mais corada do que antes. -Amélia; ela respondeu sorrindo.
-Amélia; Alberich murmurou, como se tentasse reconhecer o nome, ou liga-la a algum conhecido.
-AMÉLIA; a voz de dois garotos chamou-lhes a atenção.
-Já vou; Amélia respondeu, acenando a distancia para dois. Um de cabelos loiro-acinzentado e outro de cabelos alaranjados. -Bem, até mais; ela falou, afastando-se.
-Espere; Alberich falou, segurando-lhe o pulso, impedindo-a de se afastar.
-Sim; ela falou, voltando-se para ele, com um sorriso calmo.
-Você é o tigre; ele falou a queima roupa.
-Como? -a jovem falou, perdendo a cor da face, olhando-o espantada.
-O tigre que me salvou, três anos atrás; Alberich falou, aproximando-se dela. -Você é a Amélia Fazolt;
-Ahn! Desculpe, mas você esta me confundindo com outra pessoa; ela falou, tentando desvencilhar-se da mão dele, porém parecia inútil.
-Não, não estou. Esse colar era meu. Ele era do meu avô, ele se divide, um lado é dragão e o outro é o tigre, que pertence ao meu tio que já morreu;-Alberich falou com a voz alterada.
-Esta sim; Amélia exasperou, puxando o braço com força, saindo correndo.
-o-o-o-o-
-O que foi? -Mime perguntou, vendo-a aproximar-se correndo e com os orbes marejados.
-Vamos embora, por favor; ela pediu, voltando-se para os dois.
-Vão na frente, eu aviso o Folken pra você; Siegfried falou, indicando os pais, que não estavam muito longe conversando.
-...; Ele assentiu, estendendo a mão para a jovem, guiando-a para longe dali.
-o-o-o-o-
Entrou em casa, subindo para seu quarto. Quase arrebentando a porta ao bate-la.
-Alberich; o pai chamou, seguindo-o.
O filho não respondeu, mas conseguia ouvi-lo perfeitamente andando de um lado para outro dentro do quarto, como um leão enjaulado.
-Abra; ele mandou, batendo na porta.
Segundos depois, que mais pareceram uma eternidade, o menino abriu a porta, fitando o pai com um olhar de gelar o inferno.
-Porque não me contou que Amélia sobreviveu? -ele perguntou a queima roupa.
-O que? -Alberich falou surpreso, ainda mais pelo filho saber sobre isso.
-Você disse que o Durval havia matado os três. O tio Fazolt, tia Alexandra e Amélia. Porque não me contou que ela sobreviveu? -o filho insistiu.
-Alberich, acalme-se; o pai pediu, sem saber como explicar a ele o que estava acontecendo.
-Se não é para me contar a verdade, não me peça para ter calma. PRO INFERNO com tudo isso. Estou cansado de ter calma e ver as pessoas que eu amo morrendo por causa daquele verme; ele vociferou, pronto para bater a porta na cara do pai, mas Alberich segurou-a com força, fazendo o filho recuar ao ver os orbes verdes cintilarem perigosos.
Era uma herança de família, quando os olhos cintilavam daquela forma, era sinal de perigo.
-Sente-se e se acalme, se não, não vou lhe contar nada; Alberich avisou, fazendo o filho bufar irritado, indo sentar-se na cama contrariado.
-Fim da Lembrança-
-Alberich; Aldrey chamou, passando a mão na frente de seus olhos.
-O que foi? -ele perguntou, piscando seguidas vezes, voltando-se para ela.
-Você parecia longe e do nada parou de patinar; ela respondeu, enlaçando-o pelo pescoço, apoiando-se melhor.
-Desculpe; Alberich murmurou, respirando fundo.
-Se não quiser patinar agora, pode falar; Aldrey falou fitando-o, preocupada.
-Não, esta tudo bem; ele respondeu, desviando o olhar momentaneamente.
-Você não sabe mentir para mim; a jovem falou, envolvendo-o entre seus braços, abraçando-o de forma terna, surpreendendo-o com isso. -Ela vai ficar bem, não se preocupe; ela sussurrou, sentindo-o envolver-lhe a cintura.
-...; Assentiu silencioso. Era a única coisa que desejava agora.
IV - Lembranças.
Dez anos atrás...
Afastou-se para que o pai pudesse entrar no quarto, seu olhar era indecifrável, talvez fosse isso que lhe desse mais medo, não conseguir cogitar nem em uma ínfima parcela de idéias o que o pai estava pensando. Era aterrorizante; ele pensou, engolindo em seco.
Sentou-se na beira da cama, sendo acompanhado pelo patriarca, que intimamente buscava uma forma de contar ao filho tudo o que vinha acontecendo nos últimos anos.
-Há alguns anos atrás, logo que seu avô se casou eu nasci. Éramos a típica família tradicionalista de Asgard, fieis a verdadeira família real e todos opositores declarados ao Durval; o pai começou a explicar. -Dois anos após meu nascimento, seu avô se envolveu com uma mulher, alguns dizem que ela era uma estrangeira, nunca busquei por detalhes sobre isso, mas dessa união nasceu uma outra criança, um menino.
-Tio Fazolt? -o garoto perguntou, surpreso pela confissão e pelo fato de não saber dessa parte da história.
-Ela morreu no parto e meu pai o trouxe para viver conosco. No começo minha mãe não concordava em manter o símbolo de infidelidade de meu pai sob o mesmo teto por ser orgulhosa demais, mas com o tempo, sem muitas escolhas acabou criando-o com seu próprio filho... Como se fosse seu filho legitimo; fez uma pausa respirando fundo. -Fazolt e eu éramos grandes amigos e irmãos, mas infelizmente ou não, quis o destino que tomássemos caminhos diferentes quando adultos.
-Como assim? -o garoto perguntou, confuso.
-Eu me tornei cavaleiro e ele optou por ter uma vida normal, mesmo tendo o mesmo treinamento que eu. Meu pai não fez objeções, já que havia deixado a nosso encargo decidir o que queríamos da vida independente das tradições; o pai explicou, remexendo-se um pouco no assento. -Um ano depois, eu me casei com sua mãe, éramos uma família feliz embora ainda houvesse algumas divergências políticas que tentavam interferir em nossas vidas. Angélica não concordava que eu fizesse parte do conselho, dizia ser muito perigoso e não gostava de Durval, eu também não, mas havia jurado manter-me fiel à família real acima de tudo e protegeria as pessoas enquanto o verdadeiro regente não retornasse.
-E o que aconteceu? -ele perguntou intrigado.
-Um ano depois, Fazolt fez uma viagem para Alfihein e lá conheceu Alexandra. Desde que a vi pela primeira vez, quando ele nos a apresentou, sabia que ela não era uma mulher comum. Seu cosmo era intenso, pacifico quando desejava, porém opressor se assim o quisesse. Seus olhos eram de um azul tão intenso que pareciam queimar como gelo e chegar ao mais fundo de sua alma, ela era surreal demais para um mortal; Alberich falou, dando um baixo suspiro. -Nunca vi uma mulher tão linda quanto ela; ele confessou num sussurro.
-Como assim 'demais para um mortal'? -o garoto perguntou.
-Alexandra não era uma mulher comum, filho. Pelo simples fato de ter o dom de transformar-se em um tigre branco; Alberich explicou. -A milhões de anos atrás, quando ocorreu o primeiro Ragnarok na Terra Média, Gerda a deusa da Terra criou um ser sublime com vontade própria e imensamente poderoso para combater os gigantes que pretendiam destruir os deuses, logo que o anel de Andivari fora forjado e as Moiras teceram o destino dos deuses, porém esse ser era tão poderoso que a própria Gerda não tinha controle sobre ela;
-O tigre? -ele perguntou, num sussurro.
O pai assentiu, passando a mão levemente pelos cabelos, tentando inutilmente alinhar a franja arrepiada.
-Um tigre branco, ela se chamava Anyra. Com medo de Anyra se tornar mais um perigo do que uma ajuda, Gerda a lacrou ao pé do Vallhalla, abaixo da ponte de gelo, mas quando Gerda perdeu seus poderes ao retornar para as profundezas da terra, abandonando essa Terra a própria sorte após a queda de Odin, o feitiço de runas que lacrava Anyra se rompeu, a libertando.
-Ela era imortal? -ele perguntou, curioso.
-Não, mas tinha um tempo de vida maior que os mortais que surgiram em seguida. Os gigantes haviam perdido a guerra, juntamente com os deuses, alguns já haviam se retirado em meio à batalha e uma nova Era começou. Os humanos começaram a povoar esse mundo e com ele, ela foi se adaptando, vivendo entre mortais e aprendendo com eles.
Suspirou cansado, agora simplesmente não poderia parar, por mais difícil que fosse; Alberich pensou, fazendo uma pausa breve.
-Diz uma lenda antiga que ela uniu-se a um mortal dando continuidade à linhagem, porém toda mulher da família nascia com o dom de se transformar em tigre e quanto mais baixa fosse a temperatura de um lugar, mais seus poderes se multiplicariam. Essa herança foi passando de geração a geração, até chegar a Alexandra que tornou-se uma Valkiria em nome de Freya, mantendo essa herança e vivendo em Alfihein, sobre a proteção do príncipe Eldar e Freyr, até conhecer meu irmão.
-Eles se casaram? -o filho perguntou, embora a resposta fosse obvia, preferiu faze-la do que viver com a duvida.
-...; Alberich assentiu. -Pouco tempo depois Amélia nasceu com o mesmo dom, porém que só viria a despertar quando completasse exatos cinco anos de idade, mas um dia sua avó ouviu uma conversa entre os dois sobre isso e entrou em pânico. Dizendo que a família fora amaldiçoada por ter um ser daqueles vivendo sobre o mesmo teto e isso chegou aos ouvidos de Durval. Mesmo negando veemente qualquer ligação mística da esposa com a lenda, Fazolt não conseguiu impedir que uma caçada começasse. Amélia tinha três anos quando isso aconteceu, eles fugiram chegando até as fronteiras de Asgard e Sibéria, mas foram pegos por uma tempestade de gelo, tendo apenas tempo de deixar Amélia sob a proteção de Lílian e não resistiram;
-Porque escondeu isso de mim? -o menino perguntou, com os orbes marejados.
-Era melhor que fosse assim filho, não poderíamos correr o risco de alguém começar a persegui-la novamente. Nem mesmo eu e seu avô fomos capazes de impedir que isso acontecesse, então, juramos protege-la enquanto nos fosse possível. Aquele dia quando me contou que um tigre lhe salvou, eu me surpreendi com o fato de Amélia já estar começando a dominar seus poderes, mesmo porque ela devia contar com recentes cinco anos e não ter o controle suficiente sobre si mesma na hora das transformações.
-Por isso o senhor não brigou comigo quando disse que dei o colar ao tigre? -ele perguntou, lembrando-se do que ocorrera há alguns anos atrás.
-...; Negou com um aceno. -Eu e Fazolt ganhamos de seu avô cada um, um colar. Eu ganhei o dragão e ele o tigre. Seu avô dizia que mesmo tendo nossas diferenças conseguíamos manter o equilíbrio entre nós, quando Fazolt morreu, levou com ele seu colar, provavelmente; Alberich completou, com um suspiro triste. -E eu, dei o meu a você;
-Entendo; o menino murmurou, abaixando a cabeça.
-Agora venha comigo; o pai falou, levantando-se e estendendo a mão para o filho.
-Aonde? -ele perguntou, confuso.
-Apenas venha; Alberich completou.
-...; Assentiu, hesitante, seguindo com o pai para onde quer que ele pretendesse lhe levar.
-o-o-o-o-
Entrou correndo em casa, mal despedindo-se de Mime que havia lhe acompanhado, trancou-se no quarto sentindo as lágrimas correrem impiedosas por sua face, sentou-se aos pés da cama, sentindo o corpo tremer, enquanto encolhia as pernas sobre o corpo, apoiando os braços sobre elas.
Aquele garoto sabia quem ela era, sabia que era um tigre, mas como? -ela se perguntou assustada, ele falara sobre o colar, que havia dado o colar ao tigre, mas não se lembrava de quando fora isso. Dificilmente quando se transformava, lembrava de alguma coisa, ainda mais quando isso ocorria durante as luas cheias.
Uma imagem passou por sua mente, lembrando-se de um dia quando estava em casa com os pais, um homem e uma mulher foram lhes visitar, só se lembrava que seus nomes eram Alberich e Angélica e que havia um garotinho emburrado aparentemente dois anos mais velho do que si, com eles. Era muito pequena na época para ficar atentando-se ao detalhe de saber quem eram.
Mas agora se lembrava de quem era ele, o pior, a idéia de que ele sabia sobre seu segredo lhe aterrorizava, será que começaria uma nova caçada, como fizeram há alguns anos quando perdera os pais? Como as pessoas poderiam ser tão cruéis? -ela pensou, levando as mãos aos lábios, tentando conter um soluço.
Ouviu dois toques na porta, porém estava tão concentrada que simplesmente o ignorou, até a mesma abrir-se com cautela e aquele mesmo garoto de intensos orbes verdes surgiu na porta.
Encolheu-se ainda mais onde estava, tentando pensar em uma forma de contar a madrinha o que estava acontecendo. Até ouvir passos de alguém se aproximando, ergueu a cabeça deparando-se com ele.
-Posso? -Alberich perguntou, indicando o tapete que ela estava, para se sentar.
-...; Ela assentiu, hesitante.
Sentou-se ao lado da menina, sentindo-se tão ou mais apavorado do que ela diante de tudo aquilo.
-Amélia; ele começou, passando a mão pelos cabelos nervosamente.
-Mia; a menina o corrigiu.
-Como? -Alberich perguntou, piscando confuso.
-Prefiro que me chame de Mia, mamãe sempre me chamava de Amélia quando eu fazia alguma coisa errada; ela comentou num sussurro, passando a mão na frente dos olhos para apagar as lágrimas.
-...; Ele assentiu, pela primeira vez em muito tempo, deixando um meio sorriso brotar em seus lábios.
V - Melhoras.
Abriu os olhos lentamente, não sentia mais as dores, o corte provavelmente já estava cicatrizando como todas as feridas que tivera, a recuperação fora surpreendentemente rápida para um mortal comum; ela pensou, dando um baixo suspiro.
Ergueu parcialmente a cabeça, vendo uma senhora sentada em uma poltrona a poucos metros da cama, ela tinha o olhar vago para a janela, como se estivesse esperando o retorno de alguém.
Aquela senhora lhe lembrava alguém, uma vez Freya lhe dissera sobre a líder das Valkirias em Asgard, que se chamava Alana, provavelmente deveria ser aquela senhora, pois se sua madrinha estivesse vivia, também teria a mesma aparência idosa, devido aos longos anos servindo a família real.
Fechou os olhos por um momento, lembrando-se do que acontecera há alguns anos atrás, quando tivera de sair de Asgard.
-Lembrança-
Olhou-se no espelho mais uma vez, estava perfeita; ela pensou, com um meio sorriso, terminando de se arrumar para sair. Aquela noite haveria um festival na vila central e iria com os amigos.
Quem diria que depois de tudo que houvessem passado, ainda estariam juntos agora. Siegfried ainda era o mais velho entre os quatro, contando com dezoito anos de idade. Ela, Mime e Alberich com dezessete. Mas ainda sim eram amigos.
Franziu o cenho, há algumas horas atrás havia sentido uma energia estranha vinda do palácio, não sabia o que era, mas seus instintos não mentiam, havia algo errado, precisava que Siegfried chegasse logo, assim poderia falar com ele sobre isso.
Ouviu alguém bater na porta e respondeu com um breve 'entre', permitindo que quem quer que estivesse ali, entrasse.
-Amélia; Alberich chamou, abrindo a porta, porém não entrando.
Virou-se para ele inquieta, ele só lhe chama assim quando tinha algo realmente sério a lhe contar, ou como fazia sua mãe, quando estava bravo. Engoliu em seco, algo nos olhos dele fez com que um nó se formasse em sua garganta, sem duvidas havia algo errado.
-Podemos conversar? -o cavaleiro perguntou, fitando-a com os orbes verdes, mais intensos do que o comum. Com uma chama avermelhada queimando nos mesmos de maneira aterrorizante, para aqueles que já o conheciam.
-...; Assentiu, indicando-lhe a cama. Sentou-se na beira da mesma, com ele a seu lado.
-Como esta Lílian? -Alberich perguntou, procurando uma maneira mais suave de falar com a jovem sem levantar suspeitas.
-Melhorou muito, mas você sabe, com essa temperatura é difícil manter a resistência alta quando se está gripada; a jovem respondeu, já sabendo que não era sobre a madrinha que ele queria falar.
-Amélia, vou ser franco com você; ele falou, voltando-se para a jovem. Dar voltas no assunto só o faria perder um tempo que não tinha.
-O que esta acontecendo Alberich? -ela perguntou, com a voz tremula.
-Quero que vá imediatamente para Alfihein e fique lá, não importa o que aconteça; o jovem falou, veemente.
-Mas...;
-Não posso lhe explicar o que esta acontecendo, mas você e Lílian precisam ir, Eldar e Freyr lhes protegerão, quanto a isso não precisa se preocupar, mas só volte quando eu for lhes buscar;
-Porque isso Alberich? -Amélia o questionou, sentindo-se ainda mais inquieta.
-Já disse, não posso explicar agora; ele exasperou, levantando-se, passando a mão nervosamente pelos cabelos. -Arrume suas coisas e as de Lílian, vou leva-las até lá;
Entreabriu os lábios para contestar, mas diante do olhar dele simplesmente assentiu. Tinha medo do que poderia acontecer se ele ficasse sozinho. Nos últimos anos que viveram juntos notou as mudanças radicais que ocorreram em Alberich.
A ambição crescente, o ódio por Durval, aquele brilho de vingança que cintilava em seus olhos quando todos o elogiavam pela inteligência excepcional, que mesmo entre brincadeiras ele deixava claro seus planos de usar isso para 'dominar do mundo'.
O que resultou em muitas das brigas que tiveram e entre elas a mais letal, há seis meses atrás. Resultado Alberich ganhara uma cicatriz profunda nas costas. Haviam simplesmente se esquecido contra quem lutavam e começaram a literalmente 'bater para matar'. Deixando-se dominar pelos instintos mais primitivos que mal Mime e Siegfried foram suficientes para separa-los.
-Só me da um minuto; ela falou, levantando-se.
-Lhe espero na sala, não demore; Alberich avisou, deixando o quarto.
-...; Assentiu silenciosa, ouvindo os passos dele descendo a escada.
-"Me perdoe, mas vai ser melhor que fique fora disso. Essa guerra não é sua"; ele pensou, com um olhar perdido, enquanto aproximava-se do aparador da lareira vendo a foto de dois casais juntos.
Eles sorriam e pareciam tão felizes, respirou fundo, sabia o que havia visto. Hilda já não era mais a mesma, há alguns anos atrás quando fora tirada de Asgard por causa de Durval, ela era uma garota frágil que temia a própria sombra, mas retornou uma pessoa diferente, ainda gentil e bondosa, mas depois do que vira pela manhã, nenhum desses quesitos era mais importante para ela, mesmo com aquele maldito morto.
Aquele miserável, ainda o encontraria no inferno e o faria pagar por tudo que fez as pessoas que amava. Por um momento desejou estar no lugar daquele cavaleiro de Athena que disparara a flecha, apenas para deliciar-se com prazer ao vê-lo morrer por suas mãos.
Um brilho perverso passou por seus olhos, agora com Hilda sobre o poder do anel de Nibelungo, ou como sempre preferiu chamá-lo... Anel de Andivari, seus planos estariam a um passo de se concluírem.
Era irônico como a história da lenda se repetia, a jovem Valkiria banida do mundo dos deuses, apaixonada por seu mais fiel protetor, para por fim, ser dominada pelos poderes malignos do anel e o fiel cavaleiro lhe amaria eternamente, mesmo sofrendo a influencia da discórdia e também encontrasse seu fim por isso. Pelo visto Siegfried andava ignorando o que algumas lendas nórdicas poderiam ser capazes de dizer sobre seu próprio futuro; ele pensou.
Agora ele era o chefe da guarda real e assim que Hilda expandisse seu cosmo, os cavaleiros seriam convocados. Tinha a máxima certeza de que seria ele o escolhido, estando a um passo, apenas a um passo de ter Asgard em suas mãos e depois... O Mundo.
Mas não queria que Amélia se envolvesse nisso, ela já sofrera demais desde o começo, pelo menos isso devia a ela. Tinha de tira-la de Asgard o mais rápido possível, se iriam entrar em guerra contra o santuário de Athena, que pelo menos ela estivesse protegida.
-Alberich; a voz rouca de Lílian soou vinda da escada.
Virou-se para a senhora, vendo-a descer com dificuldade. Havia uma carruagem do lado de fora, apenas os esperando, não poderiam demorar tanto.
-Amélia me disse o que lhe pediu;
-...; Assentiu, aproximando-se para ajuda-la a terminar de descer os degraus, mas a senhora afastou-lhe a mão com um tapa, descendo sozinha.
-Amélia confia cegamente em você Alberich, alias, acho que no presente momento, ela é a única que confia assim em você; Lílian falou, fitando-o com um olhar indecifrável. -Não a decepcione;
-Não vou Lílian, não se preocupe com isso; Alberich respondeu em tom frio, sabendo perfeitamente a que ela se referia.
Ela estava certa, talvez a única pessoa que confiasse realmente em si era Amélia, a única que não perdera a esperança de que poderia mudar. Porque sua relação com Mime e Siegfried já não era mais a mesma e depois da morte do pai, preferira se isolar dos demais. Quando saiam juntos era apenas porque Amélia literalmente o arrastava com eles.
Balançou a cabeça levemente para os lados, não era hora de ficar pensando nisso; ele concluiu, vendo a jovem aparecer no topo da escada com duas malas nas mãos.
-Estou pronta;
-Vamos logo então; ele falou, indo até a porta, chamando o cocheiro para carregar as coisas.
-Fim das Lembranças-
Devia ter imaginando que Alberich estava escondendo alguma coisa naquela noite, mas não pensou que isso tivesse algo a ver com a batalha que veio a seguir. Estava em Alfihein quando a noticia chegou setenta e duas horas depois. Quis retornar a Asgard, porém Eldar e Athys não permitiram, dizendo que para sua segurança deveria ficar.
Remexeu-se um pouco na cama, a dor cessara completamente. Elevou seu cosmo de tal forma que novamente os cabelos voltaram a ser prateados e os orbes azuis. Respirou fundo, vendo a senhora voltar-se em sua direção ao sentir seu cosmo.
Sentou-se na cama, retirando o curativo parcialmente.
-Menina, não devia levantar; Alana falou, se aproximando, mas estancou ao vê-la elevar ainda mais o cosmo, fazendo uma nevoa prateada erguer-se do chão e uma luz azulada ser expelida de sua mão sobre o curativo.
O corte aos poucos foi fechando-se, apagando os últimos resquícios do ferimento letal que estivera ali, foram poucos segundos e tudo estava terminado.
-Esta tudo bem; Mia respondeu, voltando-se para ela. Seu cosmo estava em equilíbrio de novo o que lhe permitiu usa-lo para fechar o ferimento, dando graças a Eldar por ter lhe ensinado a fazer isso antes de partir.
-Você é uma...; Alana não completou, sentindo a voz falhar.
-A décima primeira; Amélia respondeu, fitando a senhora com olhar compreensivo, já imaginando o que ela estava pensando.
Muitas coisas estavam explicadas agora; Alana pensou, lembrando-se do que Freya lhe falara antes de desaparecer, sobre quem era a herdeira dos deuses.
Uma nova guerra estava se aproximando e a décima primeira já estava de volta, o que mais faltava acontecer? -ela se perguntou intrigada, fitando a jovem.
Continua...
