Nota: Os personagens de Saint Seya não me pertencem, apenas as Valkirias, Aishi, Alana, Carite e Amélia são uma criação única e exclusiva minha para essa saga.


Capitulo 26: A um passo do Conselho Parte II

I - Puxão de Orelha... Literalmente.

Estava irritada, não, irritada era pouco. Estava furiosa. Ouviu-o gemer de dor, se debatendo, enquanto arrastava-o escadas acima, mas não estava nem um pouco se importando com isso. Ele fez a besteira, agora, arcasse com as conseqüências.

-Carite, por favor; Anteros pediu, tentando se soltar, sentindo a mão dela apertar ainda mais sua orelha. Como se fosse uma criança apanhando por alguma artimanha. Se bem que... Era melhor não comentar; ele pensou, suspirando pesadamente.

-Quem são? -Aldebaran perguntou, detendo-os em Touro.

-Como vai cavaleiro, acho que já nos conhecemos; a ninfa falou, vendo o olhar curioso que ele direcionava a Anteros, que só faltava rosnar.

-Certamente, esta indo para qual templo? -o guardião perguntou, embora já tivesse alguma idéia.

-Poderia me dizer se Aishi esta em Aquário? -Carite perguntou.

-Esta sim, pode subir que a encontrara lá; ele falou, dando-lhes passagem.

-Obrigada; a ninfa respondeu com um doce sorriso, fazendo Anteros quase soltar-se da mão dela, para socar o taurino que retribuiu o sorriso. -Vamos; ela falou, voltando-se para ele com um olhar envenenado.

-Ai. Ai. Ai; ele resmungou, sendo arrastado por ela.

Arqueou a sobrancelha, ainda tentando entender o que estava acontecendo, mas era melhor não tentar explicar; Aldebaran pensou, retornando para dentro do templo.

-o-o-o-o-

-Vocês estão sentindo esse cosmo? -Litus perguntou, voltando-se para o casal, na sala principal de Aquário.

-Parece o do Anteros; Aishi respondeu, achando estranho a presença de um outro com ele.

Os quatro estavam conversando sobre os últimos acontecimentos, pós a ida a Asgard e o desaparecimento de Freya. Outra coisa que vinha intrigando muito as amazonas, o que Litus comentara, era o recente desaparecimento de Mia.

Marin dissera que ela viajara, mas não avisara para onde nem quando voltava, devido aos acontecimentos dos últimos dois dias, que todos estavam mais preocupados com o estado de saúde de Mú, deixaram isso de lado, mas agora uns e outros estavam se prontificando a procurar pela jovem, antes que o ariano surtasse, o que Kanon falara que não estava longe de acontecer, devido à agitação inesperada, atípica de seu temperamento.

Alguns toques na porta e um gemido de dor, chamou-lhes a atenção.

-Vocês ouviram? -Kamus perguntou, com o cenho franzido.

-Deixa, eu abro; Aishi avisou, levantando-se e indo até a porta.

Surpreendeu-se ao abri-la e deparar-se com um olhar envenenado de Carite sobre Anteros e o mesmo quase prostrado no chão, com ela lhe segurando pela orelha. Devido ao vermelho intenso, ela devia tê-lo arrastado do centro de Atenas até ali; Aishi concluiu.

-Carite. Anteros.

-Aishi, creio que esse irresponsável tem uma coisa importante para te falar, não é Anteros? -ela perguntou.

-Ai. Ai. Ai. Simmmm; ele falou, suspirando aliviado quando ela lhe soltou.

Aishi assentiu, mas mal lhes deu passagem, a ninfa já havia empurrado o geminiano para dentro do templo.

-Carite, esta tudo bem? -Aishi perguntou, segurando-a pelo braço, antes de entrar novamente.

-Aishi, vou te confessar uma coisa, seu irmão tem muita sorte, porque se não, ele já teria sido mandado para o Tártaro; ela falou, com um olhar envenenado para a divindade que correu esconder-se atrás do sofá onde Kamus estava, porém tal olhar também vinha carregado de uma centelha de magoa.

-O que ele fez? - a geminiana perguntou.

-Ele vai lhe contar, tudo dessa vez, não se preocupe; Carite completou, saindo.

-Aonde vai? -Aishi perguntou, achando estranha a reação dela.

-Não tenho mais nada pra fazer aqui, acredite, não vai ser saudável para aquele idiota se eu ficar; ela completou, desaparecendo em seguida.

Respirou fundo, tentando não entrar no templo socando a cara do irmão, sem ao menos saber o que estava acontecendo.

-Aishi; Anteros falou tremendo, diante do olhar dela.

-Vamos ser claros e objetivos; ela falou, com a voz pausada assustando até mesmo Kamus e Saga, que já estavam acostumados com essa variação de humor. -Comece a falar, omita alguma coisa e saberei que esta mentindo, isso só vai piorar a sua situação;

-...; Ele assentiu, sentindo a face perder parcialmente as cores. Agora sabia que o que a irmã tinha de semelhante com a mãe em aparência, também era equivalente ao pai, com relação ao gênio. Poderia jurar que Ares reagiria da mesma forma que ela se não pior.

Longos minutos se passaram enquanto ele relatava sobre o que havia acontecido em sua viajem a Asgard há cinco anos atrás, o encontro com Freya e bem... O pedido inusitado da deusa.

-Eu vou matar você; Aishi falou com os olhos em chamas, sentindo o maxilar tremer em irritação.

-Ma petit, calma, por favor; Kamus falou, segurando-a, antes que ela se levantasse e partisse para cima do irmão.

-Pelos deuses, quem poderia imaginar que foi isso que aconteceu; Litus falou, lembrando-se do que Aishi havia explicado antes, sobre não conseguir sentir a presença da outra deusa. Muitas coisas ficavam claras agora.

Fechou os olhos por um momento e tudo isso começara porque ouvira um barulho fora do templo; Aishi pensou, tentando colocar tudo que já sabia até agora em ordem. Quando lembrou-se do que descobrira com Kamus em Asgard.

-Lembrança-

Estavam há algum tempo pesquisando, haviam almoçado a pouco e ninguém mais se aproximara da biblioteca desde que entraram ali. Ainda eram vigiados, sem duvidas quando a isso, mas precisavam encontrar logo o elo que estava faltando para completar o enigma daquilo que procuravam.

-Olha; Kamus falou, chamando-lhe a atenção.

Deixou o livro que tinha em mãos de volta na prateleira e se aproximou dele.

-Aqui diz... 'Em um freixo ela foi entalhada, de água e gelo sua armadura nasceu, mas nas chamas de Loki, fez-se sua luz'; ele falou, ao conseguir traduzir um trecho existente em uma das paginas, já desgastadas do livro.

-Mais uma charada; Aishi murmurou pensativa.

-Não sei, pra mim não faz sentido. Eles usam o ela para indicar a criação, mas não existe armadura feita de água e gelo;

-Tem mais alguma coisa ai? -a jovem perguntou.

-Tem isso; Kamus respondeu, virando a pagina revelando um desenho antigo. Um tigre e um dragão se enfrentando e abaixo deles o conhecido símbolo oriental do equilíbrio entre opostos. Yin e Yang.

-Quando Fafner virou dragão, ele foi considerado a manifestação da maldade emanada pelo anel. As sombras; Aishi falou.

-Mas e o tigre? -Kamus se perguntou, confuso.

-Agora eu entendi; ela falou animada, encontrando a lógica em todos aqueles enigmas, era muito simples e estava ali o tempo todo.

-O que?

-Gelo e água é a pele, apesar de ter sido entalhada no freixo ela tinha pele; a amazona respondeu.

-Cherriè, eles falam de uma armadura a pele não é feita de gelo; Kamus falou com se dissesse 'isso é evidente';

-Engano seu, na Terra do Norte as pessoas nascem com uma resistência maior ao frio e suas peles são claras, tão claras como neve, neve que vira gelo em contato com a água e ao se solidificar fica tão dura quanto qualquer armadura; ela explicou.

-Agora entendi; Kamus murmurou espantado. -Mas suponhamos que seja esse tigre, porque afinal, ele tem que sair de algum lugar;

-Olhe; Aishi falou apontando para o rodapé da pagina.

Kamus abaixou a cabeça lendo as letras bem pequenas, o livro era antigo e por vezes tivera dificuldade em lê-lo devido à miscigenação de idiomas.

-Aqui diz, que era uma energia muito poderosa que nem mesmo Gerda foi capaz de controlar, então Odin fez com que o destino fosse mudado, essa criação que seria um imortal, só viria a despertar caso as chamas de Loki viessem a se extinguir como na batalha dos deuses, Loki e Hemdall morreram lutando um contra o outro, então, as chamas se apagaram; Kamus concluiu, vendo-a assentir.

-O que nos leva a crer que o tigre seja a representação da luz, devido à aparição das chamas de Loki; Aishi falou.

-Mas os deuses sempre criavam as coisas, o que poderia diferenciar esse tigre de qualquer outro. Lembra-se de Midgard, era filho de Loki, mas nem por isso poderia entrar nessa luta, já que ficava nas profundezas do mar; Kamus comentou, ainda cético.

-Metamorfose; Aishi falou, afastando-se do noivo e andando até a janela da biblioteca, a neve já começava a cair lá fora.

-Como? -ele perguntou levantando-se e a seguindo.

-Algo tão branco quanto à neve, com um olhar penetrante que fosse capaz de enxergar o mais fundo da alma e julgar aqueles que eram do bem ou do mal. Algo que a terra não pudesse controlar pela água ser o mais forte dos elementos junto com o fogo; a amazona falou de forma misteriosa.

-Esta se referindo a quem? -ele perguntou meio enciumado, diante da forma como ela se referira ao suposto 'imortal';

-A Décima Primeira Valkiria; ela respondeu, virando-se para ele.

-Como? Que eu saiba só existiram nove;

-As filhas de Gerda foram chamadas de Valkirias, mas quando Freya assumiu o grupo, após Bhrunhild ter sido banida do reino dos imortais, voltaram a ser nove Valkirias com ela, mas quando uma nova batalha se iniciou na Terra Média e Bhrunhild reencarnou, tornaram-se dez;

-E com a criação de Gerda, agora são onze; ele completou, assimilando o que ela acabara de falar.

-Exatamente; Aishi falou, sorrindo satisfeita.

-Mas Cherriè, estamos falando de um tigre, não de uma mulher; Kamus contestou.

-Estamos falando de uma fusão dos dois; ela rebateu, fitando-o com um olhar do tipo 'Você ainda não entendeu?';

-Mas-...;

-Com licença; Flér falou, abrindo uma fresta na porta.

-Sim; Aishi respondeu.

-Minha irmã perguntou se vocês não desejam tomar um chá conosco antes de continuarem as pesquisas?

Kamus e Aishi trocaram um olhar assentindo, continuariam aquilo depois. Quando estivessem em solo seguro.

-Obrigada, nós aceitamos sim; ele respondeu cordialmente.

-Venham comigo;

Os dois seguiram-na até a sala de jantar onde Hilda os esperava. Kamus enlaçou a noiva pela cintura, não deixando de lançar um olhar retalhador para uma das colunas atrás de si.

-Cara estressado; Bado falou com um sorriso maroto, vendo Shido e Fenrir balançarem a cabeça para o lado, inconformados. Ele não tinha amor a vida mesmo.

-Fim da Lembrança-

O tigre branco, agora entendia o porque da recente aparição de Medeia, era tão lógico que passara despercebido, por isso ela não quis lhe contar onde estava a outra metade, provavelmente Caos já sabia que estavam tentando interferir de alguma forma com os desígnios traçados pelas Deusas do Destino em Asgard.

-Com licença; alguém falou, entrando no templo, ao encontrar a porta entreaberta.

-Mestre; os cavaleiros falaram surpresos ao verem Shion ali, com uma expressão carregada.

-Acabei de receber uma mensagem e Aaron e Dohko, eles estão com problemas. Parece que os gigantes de Muspell se organizaram e podem atacar a qualquer momento, sem contar um Conselho repentino que vai acontecer daqui a três dias em Asgard, pode ser o estopim para uma guerra política;

Todos voltaram-se com olhares envenenados para Anteros que encolheu-se ainda mais.

-Mestre, convoque os demais, vamos ver quem sai em missão, alguém tem de ir pra lá, só os dois não vão dar conta; Saga falou, se levantando.

-...; Ele assentiu.

-Vamos para o ultimo templo; Aishi falou, levantando-se junto com Kamus.

Num silencio perturbador, eles deixaram o templo de Aquário. Uma guerra iria começar na Terra Média e devido às velhas alianças, sem duvidas os cavaleiros de Athena estariam lá, agora o que iria acontecer depois... Só as Deusas do Destino para saber.

II - O Novo Regente.

243 anos atrás...

Deixou o castelo acompanhada de Siegfried e Fenrir, pelo visto Anastácia queria garantir que ela não fugiria, embora a mãe não fizesse a mínima idéia de que, pedira aos cavaleiros errados para lhe vigiar.

Siegfried e Fenrir sempre foram fieis ao trono e seus grandes amigos, desde que eram pequenos, mas quando chegaram a maior idade, Anastácia proibiu que se encontrassem e logo eles saíram em treinamento, cortando completamente o contato que tinham.

A capa branca que envolvia-lhe o corpo, esvoaçava levemente com os passos calmos que dava. Seus orbes jaziam frios, tão fritos quanto à neve que cobria Asgard agora.

Se isso estivesse acontecendo a exatos dois anos atrás, sentiria como se estivesse caminhando para a forca o que certamente seria mais agradável, mas não, agora iria ser diferente.

Subiu as escadas, vendo vários amigos da família e pessoas do povoado, lhe fitando com tristeza, como se temessem o futuro que lhe esperava.

-"Vou escrever meu futuro, com minhas próprias mãos e nada, nem ninguém vai mudar isso"; Alana pensou, vendo o pequeno altar em frente a grande estatua de Odin, ornada com flores e uma toalha branca, onde um juiz esperava paciente com um livro de registros aberto, pronto para iniciar o casamento que não iria acontecer; ela pensou, quase sorrindo com isso.

De um lado, Alberich esperava paciente com um olhar vitorioso, dando tal batalha como ganha, entretanto, se ele julgava-se como um ser abençoado pelos deuses com uma inteligência privilegiada, iria descobrir ainda aquela noite que ganhara um rival a altura.

Sua mãe parecia radiante, mesmo diante do olhar envenenado de todos, provavelmente ela achava que ganharia um genro digno de ser rei e quem sabe, um amante para satisfaze-la nas noites frias e patéticas de sua existência medíocre e leviana, porém, ela também descobriria que sempre existem aqueles que podem destruir seus planos e fazer seu castelo encantado de pensamentos deturpados ruir em questão de segundos.

Fitou o pai com um brilho triste, pois sabia que depois daquela noite, não o veria mais, não da forma que o via agora. Com a típica relação pai e filha, depois do que iria fazer, não sabia mais o que viria a seguir, deixaria a encargo de suas mãos e o destino ditarem as regras agora.

Num canto oculto entre a multidão, uma pessoa mantinha-se atenta a tudo que acontecia, o corpo jazia coberto por uma capa negra, porém uma fina mecha dourada caia sobre os ombros, movendo-se com suavidade pela brisa suave, daquela altitude.

-Boa sorte, princesa; Siegfried falou num sussurro, enquanto fazia uma breve reverencia ao rei e afastava-se com Fenrir, ambos esperando o momento certo, para voltarem em cena.

-Me perdoe filha; Eliot sussurrando, abraçando-a fortemente.

-Não se preocupe pai; Alana falou, retribuindo o abraço com um doce sorriso. -Somos mais fortes que eles;

-Como? -o pai perguntou, confuso.

-Logo você vai entender; Ela falou com um olhar confiante.

-Vamos logo; Anastácia falou, segurando-a pelo braço, querendo afasta-los.

-Me solte; Alana mandou, fitando-a com um olhar envenenado.

-Você n-...;

-Me solte, agora; ela completou com um tom perigoso na voz.

Engolindo em seco, Anastácia soltou-a e afastou-se um passo. Alana caminhou até o juiz, com ar pacifico, ignorando o olhar entrecortado da mãe.

-Majestade; ele a cumprimentou.

-Por gentileza, aonde eu assino? -Alana perguntou, com uma calma assustadora.

Alberich arqueou a sobrancelha, não era esse tipo de coisa que tinha em mente como seu casamento, tudo bem que não passava de mera formalidade, mas esperava um pouco mais, já que iria se tornar o futuro rei.

-Aqui; o juiz indicou, entregando-lhe uma pena e apontando um 'X' sobre a folha.

-...; Alana assentiu, com um rápido movimento sua assinatura fora colocada no documento.

Virou-se para todos que pareciam espantados com sua calma, com delicadeza desatou o nó da capa que cobria-lhe o corpo e o possível vestido de noiva que ela usaria, porém para a surpresa de todos ela usava uma armadura.

Era branca e uma aura esverdeada a envolvia. Ela usava uma saia canelada verde esmeralda e uma bata de mesma cor, que ressaltavam ainda mais a cor de seus olhos, que jaziam num tom intenso de verde.

Sobre a cabeça uma delicada coroa, que se assemelhava a folhas de oliveiras, provavelmente feita de diamantes e mitril como o resto da armadura. Graças a Nandor, sua armadura não era só poderosa, mas também incrivelmente resistente, nem que enfrentasse um exercito de gigantes, ela sairia arranhada.

Um assovio surpreso escapou de vários lábios, enquanto ela encaminhava-se até as escadarias.

-QUERO COMUNICAR A TODOS QUE A PARTIR DESSA NOITE, UM NOVO REGENTE ASSUMIRA ASGARD E A ELE, VOCÊS IRÃO RESPEITAR, COMO SEMPRE FIZERAM COM OS MEUS ANTECESSORES; Alana falou, alto, para que todos pudessem ouvir.

Alberich fitou-a satisfeito, não entendia o porque daquela calma. Sabia que Alana jamais se conformaria com a decisão de Anastácia, muito menos era uma garota de temperamento tão dócil como aparentava agora, mas mesmo assim, sentia-se vitorioso, pois agora Asgard seria sua.

-Por gentileza, aproxime-se; ela pediu, apontando para o final das escadarias.

Todos afastaram-se, seguindo com o olhar o local que ela apontava. Deram passagem rapidamente a um jovem de ar imponente, longos cabelos azuis, num tom de Royal, com orbes dourados e duas delicadas orelhas pontudinhas. Um elfo. Mas não um elfo qualquer.

Os archotes que iluminavam o caminho das escadas, tiveram as chamas reduzidas, enquanto ele subia com passos calmos. Sem se preocupar com o olhar espantado de todos.

-SINDAR, PRÍNCIPE DAS TERRAS DE SVARTALGHEIM; Alana continuou, fazendo Alberich praticamente rosnar.

-O QUE? -Alberich berrou, quase partindo pra cima dela, entretanto Siegfried e Fenrir colocaram-se em seu caminho.

-Isso mesmo, meu caro. Não pensou que eu fosse deixar Asgard na mão de um verme como você, pensou? -Alana perguntou, em tom de desafio.

-O que pensa que esta fazendo, Alana? -Anastácia vociferou, entretanto tremeu diante do olhar de Sindar.

-O que ouviu senhora, como novo regente de Asgard, peço que se retire imediatamente dessas Terras, antes que eu a coloque para fora; Sindar falou em tom imperial.

-Quem você pensa que é? -ela o desafiou.

A lua que erguia-se cheia no céu pareceu brilhar mais intensa com um anel vermelho a sua volta. Todos soltaram gritos espantados e surpresos, quando um belo tigre branco saltou no ultimo degrau daquele terraço, fazendo as pessoas afastarem-se.

O tigre fitou a rainha com um olhar envenenado, os orbes azuis cintilavam de forma perigosa e as garras raspavam no chão, provocando pequenas faíscas. Com passos lentos e calculados, ele colocou-se ao lado de Sindar, como se desafiasse à rainha a se aproximar do príncipe.

-O novo regente de Asgard, se por acaso não ouviu; alguém falou, chamando a atenção de todos.

Não houve uma pessoa a conter o olhar espantado ao ver uma capa negra voar para o alto, revelando a imagem de uma mulher de longos cabelos dourados e orbes violeta, que caminhou até Sindar, calmamente.

O cosmo dela elevou-se e uma luz dourada a envolveu, fazendo os archotes incendiarem-se assustando os demais com o fenômeno inesperado.

O tigre rugiu, fitando a rainha e Alberich que pareciam agora, tão brancos quanto à neve. Sindar mantinha-se impassível, entretanto apenas seu olhar, já dava sinais do desejo quase incontrolável de jogar àqueles dois, penhasco a baixo.

-Deusa Freya; Eliot falou, prestando-lhe uma breve reverencia.

-...; Ela assentiu, voltando-se para Alana, trocando um olhar com ela, como se dissesse que depois conversariam.

Siegfried e Fenrir aproximaram-se da jovem, olhando de soslaio para Alberich, que embora ainda não houvesse dado sinais de alguma reação, depois daquilo tudo, eles sabiam que a qualquer momento ele poderia fazer alguma coisa.

-ACHO QUE FICOU CLARO QUEM É O NOVO REGENTE DE ASGARD; Freya começou, fazendo com que todos se calassem pelo seu tom de voz. -ATÉ OUTRA PESSOA SER ESCOLHIDA, SINDAR OS GOVERNARÁ. SE ALGUÉM TIVER ALGO CONTRA, FALE AGORA; ela ordenou, fazendo surgir em suas mãos uma espada de prata, cujo fio parecia extremamente afiado. -QUE EU MESMA FAÇO QUESTÃO DE CALAR PARA SEMPRE;

Freya começou, fazendo com que todos se calassem pelo seu tom de voz. -ela ordenou, fazendo surgir em suas mãos uma espada de prata, cujo fio parecia extremamente afiado. -

Alguns tremeram, outros recuaram alguns passos, temendo que a ira da deusa se cumprisse.

-ENTÃO? -Freya perguntou, voltando-se para a multidão.

Ninguém proferiu palavra alguma, apenas ajoelharam-se prestando respeito ao novo regente.

-Isso não vai ficar assim; Anastácia vociferou, tirando de dentro das vestes uma adaga afiada e avançando sobre Alana.

Todos surpreenderam-se com a reação da rainha, ao atacar a própria filha, mas como bons conhecedores de seu caráter, já imaginavam que ela teria uma atitude tão baixa quanto aquela.

-Não devia ter feito isso; Alana falou, desvencilhando-se rapidamente dos braços dela, jogando-a para longe.

Alberich deu um passo a frente como se fosse interceder pela senhora, entretanto sentiu a imagem diante de seus olhos ficar distorcida e tudo escurecer rapidamente, caindo no chão, inconsciente.

-Nem se atreva idiota; Siegfried falou fitando-o com um olhar envenenado depois de nocauteá-lo.

Respirou fundo, trocando um olhar a distancia com Freya. Estava na hora de mostrar aos demais, que não se tornara regente de Asgard apenas por ter um rostinho bonito; elevou seu cosmo, fazendo com que ele se expandisse perigosamente.

O terraço todo foi coberto por uma aura esverdeada, atrás da jovem a imagem de um imponente dragão formou-se. E longas asas surgiram em suas costas, mas não eram asas feitas de penas prateadas como as de um anjo, eram asas de dragão, um 'Dragão Alado de Gelo', que sua armadura representava.

Às escamas brancas cintilavam refletindo a luz nas paredes rochosas que sustentavam a grande estatua. As asas alongaram-se, fazendo muitas pessoas afastarem-se rapidamente.

Entretanto, Anastácia não se sentiu intimidada, acabando por fazer uma nova investida sobre a jovem, antes mesmo que Alana pudesse fazer algo, o tigre saltou entre elas, no susto, Anastácia recuou alguns passos assustada, porém acabou por pisar na barra do longo vestido, escorrendo do parapeito do terraço, caindo penhasco abaixo, sendo acompanhada pelo olhar curioso de uns e espantado de outros.

O tigre recuou, aproximando-se de Sindar novamente, como se esperasse que ele lhe desse novas ordens sobre como proceder dali em diante.

A surpresa era geral entre alguns presentes, afinal, todos ali temiam os tigres, tanto quanto dragões e vê-los juntos, era espantoso.

-Depois desta noite, Asgard jamais será a mesma; Sindar falou, com um olhar impassível, aproximando-se da jovem.

-Eu sei; Alana sussurrou, sentindo-o pousar a mão sobre seu ombro de maneira compreensiva.

-Vá com Siegfried e Fenrir, meu irmão espera por você na fronteira, ele lhe acolhera em suas terras; Sindar falou, com um olhar brando.

-Obrigada; ela agradeceu.

-Não me agradeça, enquanto as antigas alianças forem mantidas, você sempre terá com quem contar, agora é preciso que vá; ele falou antes de lhe dar as costas e ir até Freya, que os fitava a distancia.

-Deusa Freya; Alana falou, num menear de cabeça. Viu-a assentir com um meio sorriso e afastou-se rapidamente, encontrando Fenrir e Siegfried no caminho.

Ninguém colocou-se em seu caminho, permitindo que os três descessem as escadarias a passos rápidos, sem obstáculos.

Deu um baixo suspiro, estava na hora de colocar ordem na casa; ele pensou, voltando-se para o juiz de que tremeu diante de seu olhar. Aproximou-se com passos felinos da mesa, quase sorrindo ao vê-lo gaguejar, tentando falar alguma coisa.

-Então, onde eu assino? -Sindar perguntou, com um meio sorriso sádico nos lábios ao ver a pena escapar das mãos dele e o juiz cair no chão, desmaiado. Pegou a pena rapidamente no ar, abaixando a cabeça em seguida, vendo o outro 'X' ao lado da assinatura de Alana, com um rápido movimento, selou o destino daquela Terra de uma vez.

-Deusa Freya; Eliot falou, se aproximando da jovem que esperava paciente o sobrinho terminar de assinar o documento, enquanto mantinha-se alheia aos murmúrios dos espectadores.

-Não se preocupe, poderá viver em paz nessa Terra agora. Quanto Alana, ela ficara bem; Freya falou, enquanto acariciava distraidamente a cabeça do tigre a seu lado.

-Como souberam de, bem...; Ele parou, sem conseguir completar.

-Não achou realmente que fosse me retirar dessa Terra e deixar minha melhor Valkiria desamparada, não é? -ela perguntou, arqueando a sobrancelha.

-Não; ele respondeu, prontamente, notando o brilho perigoso no olhar da jovem.

-Ótimo, Sindar cuidara de tudo por um tempo, poderá continuar no palácio, ele também não ficara por muito tempo aqui. Assim que o novo regente nascer, ele partira; Freya avisou.

-Mas e Alana? -Eliot perguntou, confuso.

-Sua esposa se esqueceu de uma coisa Eliot, ela pode ter o direito de dizer com quem as filhas casam ou não, entretanto quando ela é escolhida por mim para ser a líder das Valkirias, quem manda sou eu e me desafiar, é pedir para morrer; Freya falou, com os orbes violeta adquirindo uma chama avermelhada. -Mas creio que ela deve ter se lembrado disso há alguns minutos atrás; ela completou, apontando para o local onde ela cairá.

Sem permitir que aquela conversa se estendesse, Freya desapareceu junto com o tigre, agora iria para Alfihein, onde encontraria seu outro sobrinho e Alana, para uma longa e decisiva conversa.

-o-o-o-o-o-

O que mais queria era ter retornado a Rozan, mas sabia que isso não seria possível, não no momento. Sentia o trotar rápido do cavalo, que saltava entre as dunas, faltava pouco para chegarem a Alfihein, a sua frente um elfo de longos cabelos Royal e orbes dourados cavalgava em um belo corcel branco, tão branco quanto à neve e a seu lado, uma jovem de orbes ametistas.

Eldar e Athys, os regentes de Alfihein em nome de Freyr. Atrás de si, Siegfried e Fenrir que também seguiam consigo, até a terra dos Elfos da Luz, eles não ficariam muito tempo, queriam apenas se certificar de que ficaria bem e depois retornariam a Asgard, dar um jeito em Alberich e ajudar Sindar com o que fosse necessário.

III - Lembranças.

Afastou-se rapidamente ao sentir o olhar da princesa sobre si, deu um baixo suspiro. Agora muitas coisas faziam sentido, ele estava vivo graças a troca equivalente, mas sabia que existiam mais coisas por trás disso, se não, ele não voltaria a viver com a aparência de um rapaz de vinte anos, sendo que o conhecera a mais de duzentos.

Deu um baixo suspiro, como gostaria de ter retornado a Rozan aquela época, mas logo recebera em Alfihein uma visita de Freya lhe comunicando sobre a próxima guerra, então, ela e Alexia, a atual décima primeira Valkiria começaram a treinar um novo grupo de jovens para lutarem consigo e a deusa naquela nova batalha.

Muitas foram às vezes que vira entre os braços de Eldar, uma pequena criança cujo destino era ter esse titulo, a décima primeira. Alexia, fora a que conhecera em sua geração, mas existiram outras, muitas outras. Como a jovem que conhecera há pouco tempo. Amélia; um meio sorriso formou-se em seus lábios.

Porque será que todas tinham o nome começando com 'A'? Anyra. Alexia. Any. Arina. Alexandra. Amélia.

Os anos foram passando e sua missão continuava a cada dia, que lhe tomava tanto tempo, que quando pensava em retornar a Rozan, algo surgia lhe impedindo, ou sua própria consciência lhe culpava pela forma que partira, lhe fazendo hesitar em retornar.

Por muitas vezes se perguntou quanto tempo mais teria de agüentar aquilo, até a resposta surgir um dia de maneira surpreendente com uma jovem de longas asas brancas e orbes dourados.

Estava em Alfihein caminhando para espairecer, quando ela surgira e lhe pedira que entregasse um baú lacrado a Freya, quando a mesma retornasse de seu castelo nas Terras dos Vanaheins.

Não sabia o porque, mas simplesmente concordou e guardou o objeto a sete chaves até a deusa retornar e surpreendeu-se ainda mais com o conteúdo ali contido, quando a deusa lhe mostrou o que era.

-Lembrança-

Fitou o conteúdo do baú com um olhar confuso. Porque aquela jovem lhe pedira para entregar a Freya um baú cheio de cerejas amarelas? -Alana se perguntou.

-Não são cerejas e sim ambrôsias; Freya falou, como se lesse seus pensamentos, enquanto fitava com extremo fascínio algumas bolinhas amarelas em sua mão.

-Como: -Alana perguntou, ainda confusa.

-Isso mesmo, essas frutinhas permitem que os deuses mantenham-se eternamente jovens ou com a aparência que desejarem, ajudando-os a repor as forças e manterem-se sempre viris; a deusa explicou, fechando o baú.

-Isso os torna imortais? -Alana perguntou, confusa.

-Não, eles nascem imortais, mas isso é capaz de permitir que um mortal torne-se um semi-deus. Ele pode viver mais do que os mortais comuns, tenha a saúde mais resistente, enquanto consumir isso; ela explicou, devolvendo as frutinhas ao baú e fechando-o em seguida.

-O que? -a jovem perguntou espantada, ao vê-la empurrar o baú em sua direção.

-Não posso confiar em mais ninguém Alana e preciso me retirar desse mundo por um tempo; a deusa falou de forma direta, desviando o olhar apenas por um segundo ao mencionar a ultima parte. -Por isso, quero que fique em meu lugar como líder das Valkirias, até que eu possa voltar, essa ambrôsia lhe ajudara.

-Não entendo; ela murmurou confusa, a deusa queria que se tornasse uma espécie de semideusa e ficasse em seu lugar?

-Entende sim, mas não tenha medo. Sindar e Eldar estarão com você, enquanto for preciso. Logo um novo regente nascera e assumira o castelo, com isso, quero que se torne seu braço direito e meus olhos; Freya explicou, fitando-a seriamente. -Enquanto tiver ambrôsia, você continuara a viver, será jovem enquanto for preciso e envelhecera com o tempo, mas quando for preciso e uma nova batalha recomeçar, sua juventude será restaurada e o tempo voltara a correr normalmente para você, permitindo que envelheça, viva e morra como outros mortais;

-Mas...;

-Confio em você Alana, sei que não vai me desapontar; Freya falou, dando por encerrada aquela conversa, antes que a jovem pudesse contestar mais alguma coisa.

-Fim da Lembrança-

Sua vida mudou muito depois daquele dia e agora ainda mais ao vê-lo. Tinha medo de encontra-lo, embora soubesse que ele poderia não lhe reconhecer ou simplesmente ter lhe esquecido.

Deu um baixo suspiro, ouvindo a porta dos fundos abrir-se e Nora entrar com uma cesta de legumes para salada.

-Senhora, está tudo bem? -ela perguntou, ao vê-la um pouco pálida.

-"Depende do ponto de vista"; Alana pensou, entretanto negou com um aceno. -Estou bem, não se preocupe, agora vamos trabalhar que temos que terminar isso na hora certa; ela falou, desviando o assunto.

-Ta certo; Nora falou, fitando-a confusa, era melhor não questiona-la, quando fosse o momento certo, conversariam e tudo se esclareceria.

IV - Tensão.

Três dias já haviam se passado. Olhou-se no espelho fixamente, era como se seu olhar atravessasse o reflexo. Por muitas vezes vira-se no espelho e não enxergara nada, nada do que pudesse se orgulhar, mas agora as coisas seriam diferentes e nem que toda Asgard se virasse contra eles, não iria permitir que aquilo acontecesse novamente.

Algumas batidas na porta tirou-lhe de seus devaneios...

-Quem é? -Alberich perguntou, enquanto tentava alinhar a túnica por cima da armadura.

-Aldrey; a jovem falou, um tanto quanto hesitante.

Alberich lançou olhar pelo quarto, certificando-se de que não tinha nada fora de ordem antes de responder, autorizando a entrada dela. A porta rangeu um pouco, dando passagem para a jovem de cabelos castanhos.

Sentiu-se perdido com aquela visão, ela estava com um vestido branco, parecido com o que usara no dia que a encontrara, a face jazia levemente rosada e os lábios rublos. Balançou a cabeça levemente para os lados, era melhor parar de pensar; ele concluiu, rapidamente.

-A princesa Hilda pediu para te avisar que já vão se reunir na sala de reuniões; ela falou, fitando-lhe atentamente.

Ele estava com uma túnica preta com detalhes dourados, na cintura estava amarrada uma longa faixa bordô, dando-lhe um ar mais sério e porque não dizer mais sombrio, mesmo porque, vestia a armadura por baixo da túnica, deixando-o de certa forma, mais imponente e intimidador.

Todos os Guerreiros Deuses estariam reunidos, entre eles, alguns senhores, membros do conselho, um bando de velhos que se achavam donos do mundo, mas essa noite isso iria acabar; Alberich pensou.

-Eu já vou;

Um silêncio perturbador instalou-se entre eles. A tensão era palpável. Não sabia mais como agir e o que fazer, sentia-se perdido agora que estavam a um passo de por fim naquele ciclo criado por Durval, mas como seria depois? -ele se questionou.

-Aldrey, eu...; Ele começou, parando em frente a jovem.

-Xiiiiii; a jovem sussurrou, tocando-lhe os lábios com a ponta dos dedos. -Sei que vai fazer a coisa certa; ela falou, abaixando a mão, porém o cavaleiro segurou-a, dando um passo a frente.

-Quem é você realmente, Aldrey? -Alberich perguntou, intrigado.

Há algum tempo vinha se questionando sobre isso, sentia uma energia forte vinda dela, não sentia seu cosmo se manifestar como as pessoas comuns nem como as Valkirias, ela era diferente, talvez fosse isso que lhe atraísse tanto, mas a questão era, quem era ela? Qual seu passado? O que fazia alem de viver num chalé próximo ao palácio? Entre outras coisas...

Aldrey recuou alguns passos, sentindo as costas tocarem a parede que a impediu de afastar-se mais, porém quando notou, o cavaleiro estava novamente a sua frente, sentia a respiração quente e descompassada dele chocando-se contra sua face, deixando-a ainda mais aflita.

-O q-ue qu-er di-zer co-m is-so? -ela perguntou, com a voz tremula.

-Quem é você para ter esse poder sobre mim? -ele perguntou num sussurrou enrouquecido, tocando-lhe a face com a ponta dos dedos, causando-lhe um tremor.

Sentia-se encurralada, sabia que uma hora ou outra ele iria querer saber sobre seu passado, mas simplesmente não sabia lhe contar que não sabia de nada; ela pensou, sentindo uma onda de pânico lhe envolver.

-Não entendo; Aldrey murmurou, sem ter para onde correr ao ver o cavaleiro apoiar uma mão sobre a porta, ao lado de seu rosto. Colocou a mão sobre o peito dele, tentando inutilmente afasta-lo.

Os orbes verdes cintilaram intensamente, como se lhe hipnotizassem. Sentiu a face incendiar-se ao vê-lo aproximar-se ainda mais.

-Quero saber; Alberich falou num sussurro provocante, ao pé do ouvido.

Sentiu o cheiro de flores silvestres embriagando-lhe os sentidos, sentindo a mão delicada apoiada sobre seu peito, que antes pretendia afasta-lo, agora, fechar-se nervosamente sobre a túnica, tirando-lhe um meio sorriso dos lábios.

-Quem você realmente é? - ele continuou, agora roçando-lhe os lábios de forma provocante.

Serrou os orbes, instintivamente entreabriu os lábios, dando-se por vencida. Esperando por um contato mais intimo com o cavaleiro, porém as Deusas do Destino são sádicas vinte e quatro horas por dia.

-Alberich; Mime chamou, batendo na porta impaciente. -Só falta você, ande logo;

Alberich afastou-se rapidamente, fechando os olhos para abri-los novamente, vendo-os voltarem ao foco.

-Já vou; Alberich respondeu irritado pela interrupção. Voltou-se para a jovem que parecia ter se encolhido devido ao susto. -Aldrey; ele chamou, aproximando-se cauteloso.

-É melhor isso, essa reunião é muito importante para que você se atrase; ela falou, desvencilhando-se dos braços dele.

Suspirou frustrado, maldita hora que não mandara Mime ir com Siegfried buscar Amélia no chalé. Sem outra alternativa e ouvindo as reclamações de Mime atrás da porta ele fitou-a longamente, antes de abrir a porta, deixando o quarto.

Aldrey encostou-se na porta, deixando-se escorrer até o chão, clamando aos deuses para que seu coração voltasse a bater com mais calma e suas pernas parassem de tremer, para que pudesse sair dali.

Passou a mão pelos cabelos, respirando pesadamente, flash surgiam em sua mente de forma que não conseguia distinguir imagens daquilo que vivera, com lembranças que talvez houvesse esquecido.

Somente o tempo poderia lhe responder o que cada uma significava.

Continua...


Domo pessoal

Primeira parte da saga sobre a Terra Média chega ao fim, sinceramente espero que tenham gostado. Como a história ainda esta começando, resolvi dividir em dois, se não essa ficaria muito longa e cansativa.

Sinceramente espero que tenham gostando, obrigado a todos que comentaram e ainda perderam um pouco de tempo acompanhando essa história.

Enfim, nos encontramos em 'O Despertar das Valkirias II - O Senhor dos Dragões'.

Até mais pessoal

Um forte abraço...

Já ne...