I've seen the face of my affliction, of my reality
I'm being tortured by the future, of things that are yet to be
I'm being haunted by a vision
It's like the morning never comes
I feel the burden of confusion
Always searching... on the run
Somebody Help Me - Full Blown Rose
A visão familiar do ferro velho fez Dean realmente se acalmar, um sorriso quase apareceu, mas a situação ainda estava muito fodida pra ele pensar em ficar aliviado.
Ele começou a caminhar até a porta e antes que percebesse o que estava fazendo, já havia pegado o celular e discado o número de Sam.
- Sammy? – murmurou no fone e em seguida a ligação foi desconectada.
Que merda aconteceu com esse moleque?
Só então passou por sua mente que ele deveria ter ligado para o Bobby também antes de aparecer com a cara toda esquisita, com um irmão que o odeia e uma história impossível, mas ele já estava ali.
- Bobby! – chamou enquanto batia na porta.
- Dean? – a voz rouca, familiar e reconfortante devolveu de dentro da casa.
- É... – o alívio estava plausível, mesmo naquela palavrinha curta.
Dean nem percebeu que estava sorrindo enquanto a porta se abria, mas logo sua expressão passou para pânico.
O que há entre esses caras e espingardas?
O cano duplo apontando para seu nariz ditava onde ele deveria estar e a que distância.
- Bobby? – Dean arriscou, engolindo a seco.
- Mesmo se eu fosse cego não perderia esse tiro, garoto. Você sabe disso.
E como sabia. Dean lembrava perfeitamente de quanto Bobby deu uma coça em John com aquela mesma espingarda. Só que daquela vez, Dean achou engraçado ver o pai correndo do Bobby. Agora... Nem tanto.
- Bobby...
- É melhor você sair daqui. – Bobby sempre soava calmo quando estava prestes a estourar os miolos de alguma coisa.
Melhor eu sair daqui... Risos mentais. Mais fácil falar do que fazer, já que no instante em que Dean começou a ver como era a munição da espingarda por dentro dos canos, suas pernas decidiram tirar umas férias em Aruba.
- Eu só queria perguntar uma coisa! – Dean sabia que não costumava falar com a voz tão esganiçada.
Dean prendeu a respiração esperando o que viria a seguir e Bobby não mudou a expressão, mas deu um espaço mínimo, disposto a ouvir.
A espingarda ainda tão próxima do nariz do caçador mais novo que ele ainda sentia o cheiro de pólvora como se saísse dele próprio.
- Por que todo mundo me odeia?
Aparentemente aquela não era a pergunta certa já que a espingarda foi armada e empurrada para a frente, fazendo o nariz de Dean levantar, mesmo enquanto ele se afastava.
- UM! – Bobby contou em voz alta.
E olha que boa hora pras pernas voltarem a obedecer! Dean já estava correndo antes mesmo de perceber.
- DOIS!
As chances eram pequenas, praticamente inexistentes, mas Dean realmente gostaria que Bobby fosse contar até 50, mas como ele sabia que a contagem iria até 3, no máximo 5, correu ainda mais.
O tiro passou tão próximo de sua cabeça que deixou seus ouvidos zunindo e ele soube que dessa vez era só um aviso. Apesar de tudo – seja lá o que for esse "tudo" – Bobby ainda não queria mata-lo. E de um jeito doente, atravessado e simplesmente problemático, Dean se sentiu reconfortado pelo fato.
Agora ele estava definitivamente fodido. Não que isso fosse incomum, mas agora era ridiculamente óbvio e... é. Não tinha muito além disso. Sem Sam, sem Bobby e sem chance de ligar pro pai. Por que além de ter certeza que John não atenderia, se o Bobby atirou pra avisar, o pai atiraria pra matar.
Papai era um cara legal assim mesmo.
Foi aquela coisa na porta. Dean tinha certeza disso, mas não teve tempo nem de dar uma boa olhada, só aqueles olhos de brilho esquisito que se faziam lembrar. Não era um fantasma, não era um demônio, não parecia coisa de anjo – eles normalmente avisam antes – e apesar de lembrar o episódio com o Jinn, Dean não conseguia acreditar que fosse um repeteco, esses caras não deveriam fazer a realidade gostável pra vítima? Quer dizer, pelo menos realizar um desejo? Por que honestamente, essa realidade é uma merda.
Ele precisava beber alguma coisa.
Cianureto talvez.
Ele precisava caçar.
xo0ox
Três semanas sem nenhuma resposta. Três semanas sem nenhum contato humano. Três semanas a menos para a sobrevivência de sua sanidade mental e contando.
Dean começava a se perguntar se o problema não era o "antes". Seus olhos entraram em foco o bastante para enxergar o sangue da criatura no chão. Ele nem sabia que porra era aquela, Sam sempre fazia as pesquisas.
Ele coçou o rosto distraidamente, e sujou a bochecha com o sangue grosso e escuro.
Talvez essa fosse a sua realidade e ele era tão escroto e filho da puta a ponto de seu irmãozinho odiá-lo, que resolveu inventar uma outra realidade. Onde o dito irmãozinho era obrigado a atura-lo. Seria legal ter um irmão.
Dean balançou a cabeça. Ele tinha um irmão. Ele tinha o Sam. Só que o Sam só não gostava de pensar nisso.
Esfregando o rosto e espalhando ainda mais o sangue, Dean levantou e limpou o machado na perna, o jeans preto ganhando uma aparência molhada. Três semanas caçando sem parar, procurando alguma coisa, qualquer coisa, e encontrando apenas as mesmas coisas de sempre e nenhuma resposta. Era inútil e ele precisava parar, pelo menos por essa noite.
Ele limpou o rosto na própria camiseta, não se importando muito com sua aparência enquanto entrava no bar, a porra da cicatriz na cara estragava tudo de qualquer forma. Sentou no balcão e pediu uma cerveja.
Ele nem sabia que dia era. Quando se afundava no trabalho isso sempre acontecia, mas dessa vez Dean sentiu que aquilo era importante, mas não fez nenhum movimento para sanar a dúvida.
O barulho da mesa de sinuca chamou sua atenção, mas não era o que ele queria. Risos femininos soaram como pequenos sinos do outro lado e Dean imaginou que talvez sexo fosse uma boa idéia. Isso sempre o animou "antes".
Mas torta também o animava.
E foi nesse instante que Dean começou a pensar, buscando o exato momento em que ele deixou de tentar. Seu corpo estava no piloto automático há dias, ele só comia o necessário pra não desmaiar, só dormia o bastante para não começar a alucinar e era isso.
E como seu parceiro Jack, no Iluminado, só trabalho, sem diversão deixa o Dean um cara muito homicida. Se ele estava preso nesse buraco, era melhor começar a trabalhar.
Ou o significado da família Winchester para "trabalho".
Dean sorriu apesar de tudo, era bom fingir ter controle sobre alguma coisa.
Ele terminou a segunda cerveja e começou a analisar o bar, as pessoas e os idiotas da mesa de sinuca que ainda nem sabiam que eram idiotas. Nessa realidade, o corpo de Dean agüentava ainda mais álcool do que ele lembrava ser possível e isso em algum nível era alarmante. Ele já agüentava bastante sozinho.
E mesmo que ele não soubesse nada dessa vida, ou porque ele atraia tanto ódio, o corpo parecia saber algumas coisas, reações inatas para situações já vividas, mesmo que não pelo atual Dean habitante.
Mas uma coisa que ambos – Dean e o corpo – tinham em comum além do amor ao Impala e a dedicação à caçada, era a facilidade de armar golpes.
Dean ainda estava se elogiando mentalmente e fazendo os planos, mas suas pernas já estavam no meio do caminho para a mesa. Um dia, Dean pensou de um jeito distante, vendo seu corpo agir mais rápido que ele, seremos grandes parceiros...
Mesmo não estando bêbado, fingir sempre fora fácil. Rir alto demais e atrapalhar o jogo dos dois homens o bastante para chamar atenção, mas não tanto para que eles tentassem dar uma surra nele.
As pessoas bebiam envolvidas em si mesmas, as luzes fracas deixavam quase todos os rostos à sombra, as vozes eram altas, mas misturadas à música que saia da jukebox deixando as palavras disformes. Fumaça, bebida, risos. Dean corria os olhos pelo lugar, tentando parecer inocentemente bêbado e distraído, e aproveitando para se acostumar a estar perto de seres que não queriam mata-lo – pelo menos por enquanto.
Expressões contorcidas pelo efeito do álcool predominavam, ninguém realmente prestando atenção, a não ser...
Bom. Pra ser justo, várias garotas olhavam pra ele ocasionalmente, mesmo que a maioria parecesse mais assustada do que qualquer outra coisa, mas essa... Ela sempre voltava a cabeça na direção de Dean no momento em que os olhos dele passavam por ela. Não encarando, nem desviando cheia de constrangimento, muito menos flertando. Parecia que o simples fato de o caçador olhar para ela, atraia os olhos castanhos.
Estranho.
Mais estranho que a coisa que parecia uma aranha – só que do tamanho de um fusca – que ele matara com um guarda-chuva semana passada, mas não tão estranho quanto o ódio do Sam. Sempre a mesma garota. Ela encararia por algum instante e então algo dito pelo marmanjo com cara de imbecil ao lado dela fazia com que seus olhos castanhos desviassem dos olhos verdes de Dean.
Tinha algo estranho ali, mas Dean não conseguia ter certeza do que era.
- Ei, cara! – um dos caras da mesa de sinuca chamou e Dean decidiu que ele seria o "Caipira Banguela" – Quer jogar?
Dean esfregou o rosto de um jeito meio confuso.
- Não sei...
- Ah vai logo! – o outro cara, agora nomeado de "Caipira Careca", incentivou – A gente sabe que você quer uma partidinha!
O disfarce de Dean quase caiu porque, foi impressão ou o Caipira Careca deu uma olhada um pouco longa demais pra virilha dele?
Era só ele pensar que essa vida não poderia ficar mais estranha...
- Ta bom.
Perdeu o primeiro jogo, ganhou o segundo por pouco, e perdeu o terceiro por pouco e bebeu o dobro de garrafas de cerveja. Os dois caipiras finalmente pareciam prontos pra começar a deixar as coisas mais interessantes. E apesar de Dean estar falando sobre finanças, o Caipira Careca parecia estar mais interessado na bunda de Dean.
E o caçador simplesmente não conseguia recriminar o pobre gordo careca.
Sou gostoso demais pro meu próprio bem.
Enquanto os Caipiras cochichavam qualquer coisa sobre a aposta, Dean continuou fingindo estar em outra galáxia, até que seus olhos caíram sobre um jornal em cima de uma das mesinhas.
Como é que ele passou três malditas semanas sem perceber aquilo?
Ele puxou a primeira página, derrubando o resto das folhas no chão, e encarou a data por longos minutos. Quatro anos. Ele voltara quatro anos no tempo! Isso explicava porque ele parecia mais novo, porque Sam parecia mais novo. Só não explicava como ele estava muito mais destruído, mas ainda assim... Quatro anos.
- Ei, bonitão, vai jogar?
Foi um esforço fenomenal não deixar os ombros balançarem com o calafrio de asco que percorreu sua espinha, mas Dean fechou os olhos e cambaleou de volta para a mesa de sinuca.
Antes de dar a primeira tacada, encontrou os olhos da garota mais uma vez. E não teve dúvidas de que o sorriso dela foi dirigido a ele. Talvez depois de acabar com o Débi e o Lóide, ele devesse ir até lá.
Três partidas e 450 dólares mais tarde, Dean se deu por satisfeito. Não dava pra abusar da sorte, já que ela era extremamente escassa.
- Vou ali e já volto – ele balbuciou apontando o banheiro.
Quatro anos, quatro anos, QUATRO ANOS. As palavras martelavam e ecoavam em sua mente. Quando conversou com Sam, o irmãozinho falou de Jéssica como se sua morte tivesse acabado de acontecer, mas na ocasião Dean nem tinha pensado no assunto.
Ok, então seja lá que merda ele fez para todos o odiarem aconteceu bem antes do que ele havia pensado. Seria bom descobrir o que foi.
O barulho na porta do banheiro o fez despertar dos devaneios e fechar a calça bem mais rápido. Reação do corpo, não dele. E agora diz se isso não era estranho? O que esse corpo passou num banheiro masculino que um simples barulho da porta fechando o deixava alerta?
Num segundo momento, Dean preferia não saber.
- Não vai voltar mais, bonitão?
O Caipira Careca perguntou e dessa vez Dean nem tentou disfarçar a ânsia de vômito.
- É... Hm. Já vou.
- Mas agora eu já estou aqui – o Caipira continuou – que tal-
- Hahá – Dean soltou uma risada alta e forçada – Eu não curto essas paradas não!
Em vez de o Careca se afastar, ele deu um passo à frente e lá se ia a chance de Dean de ir embora com o dinheiro e desapercebido.
Mesmo depois de socar a cara do Caipira Careca até ele também ficar banguela, Dean ainda sentia os calafrios percorrendo as costas. Essa realidade é uma merda!
Sem nem se preocupar em continuar a farsa na frente dos outros ocupantes do bar, ele passou andando normalmente, surpreendentemente sóbrio e ridiculamente rápido.
- E aí, cara? Mais uma partida? – o Caipira Banguela e completamente sem noção perguntou e Dean rosnou em resposta.
Nessas três semanas se ele dormiu duas noites foi muito, e apesar de esta noite não parecer muito mais animadora, Dean simplesmente precisava sumir dali e voltar pra casa – que agora não parecia tão ruim já que todo o dinheiro ganhado no bar serviria só pra comida e gasolina.
Descobrir que ele havia voltado quatro anos e sofrer uma tentativa de estupro na mesma noite não era o que ele precisava no momento. Tudo bem que o Careca-agora-banguela nem chegou a encostar nele, mas tinha a intenção e Dean já se sentiu molestado.
Nossa, ele parecia uma garota.
Pescando as chaves do Impala do bolso, Dean travou o maxilar se forçava a não correr para o carro.
O carro parecia iluminado por um facho de luz divino, mas o momento foi quebrado por vozes.
- Ah, vamos lá, boneca... – uma voz masculina claramente bêbada balbuciou.
- Sai fora! – uma voz feminina claramente puta gritou.
- O que foi? Se eu fosse o loirinho lá de dentro você toparia, não é?
- Ah meu Deus... Me deixa em paz... Deixa o cara em paz! Vai pra casa.
Dean percebeu que diminuiu o passo quando a discussão começou. O sentido de caçador apitando.
- Ah boneca... – o bêbado choramingou e Dean praticamente ouviu a garota girando os olhos.
- Não sou sua boneca.
- Mas é uma vagabunda mesmo! Do cara lá de dentro você seria a boneca, né?
- Ah é... – a voz da garota baixou para um tom sedutor – Cabelo loiro, olhos verdes, jaqueta de couro... Hmm... E ainda acabou com os teus irmãos na sinuca!
Ah, essa foi boa! Dean nem havia falado com mulher nenhuma e conseguiu fazer um casal discutir sobre ele. A realidade pode ser esquisita, mas ele ainda era Dean Winchester e o mojo ainda funcionava. E pensando melhor, era bem esquisito saber que era uma família inteira de caipiras escrotos. Seria a escrotidão genética?
- Mas fui eu quem ficou com a garota...
- Pára! Sai! Pára, idiota!
Merda... Dean já estava na porta do carro, se tivesse parado de escutar a conversa alheia, a essa hora estaria dormindo, ou fingindo dormir, mas agora ia ter que apartar a briga porque ele tinha moral, apesar de às vezes realmente tentar ignora-la.
Arrastando os pés no chão de concreto, ele caminhou até a origem dos gritos. O problema é que não era simplesmente uma garota tendo chilique com o namorado bêbado. Nem um namorado bêbado tendo uma crise de ciúmes. Sabe por que? Isso seria fácil.
A garota estava com as costas grudadas na parede do bar, seus pés mal tocavam o chão e mesmo que ela estivesse esperneando e lutando com todas as forças, a falta de oxigênio a fazia mais fraca e a bebida o fazia mais forte.
O cara estava estrangulando a garota com as próprias mãos.
- EI! – Dean gritou correndo na direção dos dois.
Os olhos da garota abriram e o encararam, completamente aterrorizados.
Dean sabia que estava se movendo o mais rápido possível, mas tudo parecia acontecer devagar demais. Quando seu braço alcançou o bêbado, os olhos da garota já haviam se torcido de um jeito apavorante e se fecharam.
Nesse instante tudo voltou a ficar rápido. Dean puxou o bêbado pela gola da camisa e socou seu rosto com toda a força que conseguiu juntar numa distância tão curta, mas foi mais do que o necessário, o cara caiu de bunda no chão.
- O que você ta fazendo? – o bêbado perguntou indignado.
O sangue de Dean ferveu.
- O que eu estou fazendo? – Dean gritou, chutando qualquer parte do escroto filho da puta que suas pernas alcançassem – O que eu estou fazendo?
O último chute acertou o queixo do filho da puta fazendo um crack satisfatório.
- Sai daqui. – Dean ordenou – Sai daqui agora antes que eu mude de idéia.
O bêbado simplesmente ficou sentado, segurando o próprio queixo com uma cara de imbecil.
- VAI, PORRA!
E com o pequeno incentivo, o cara se recolheu do chão numa velocidade impressionante pra quem havia acabado de tomar a surra da vida e correu.
Dean tentou se controlar, mas não muito, e as palavras fluíram livremente:
- Corre, Forest! Corre!
Demônios ele entendia, mas pessoas são simplesmente loucas.
Ele voltou a atenção para a garota que estava caída no chão, as pernas num ângulo estranho, uma mão agarrada à própria blusa, a outra buscando apoio no chão enquanto os pulmões puxavam o tão desejado oxigênio.
- Você está bem? – ele perguntou, ajoelhando ao lado dela.
A princípio, os olhos castanhos o encararam com um leve reconhecimento e Dean percebeu que era a mesma garota com que ele trocara olhares dentro do bar, mas em seguida o reconhecimento desapareceu e deu lugar a uma espécie de vazio.
O corpo dela amoleceu, mas seus olhos não abandonaram os dele.
- Ei, ei! – Dean exclamou alarmado, amparando a garota – O que aconteceu?
Os dedos trêmulos dela subiram lentamente e tocaram o rosto dele, numa carícia leve, Dean estava tão desacostumado a esse tipo de toque que ficou ainda mais preocupado.
- Meu Deus... – a garota murmurou por fim.
Dean soltou um suspiro tão aliviado que fechou os olhos por um instante.
- Ta tudo bem... – ele esfregou os braços dela, esperando que fosse um gesto reconfortante – Eu cuido de você. – sem saber o que fazer a seguir, ele tirou a jaqueta e a usou de cobertor para a garota que ainda tremia.
- Mas quem cuida de você? – ela perguntou baixinho e Dean franziu a testa.
- O que?
Ela o encarou tão intensamente que Dean teve certeza de que aqueles olhos castanhos com toques dourados podiam enxergar sua alma. Ele teve a impressão de que eles estavam lacrimejando, mas no instante seguinte, os braços dela estavam em volta do pescoço dele, o abraçando com tanta força que Dean caiu sentado.
- Você não deveria estar sozinho... – ela sussurrou – Tudo o que você fez por ele e ele nem sabe! Ele acha que você o odeia! Você não deveria estar sozinho.
Dean agarrou os ombros dela e a afastou o bastante para enxergar seu rosto.
- Quem é você?
- Daphne – ela respondeu imediatamente – Eu acho que... Você é irmão do meu cunhado... Ou era... Porque minha irmã não está mais com o seu irmão... Mas não porque ela deu um fora nele nem nada! Quer dizer... Ela morreu... Mas seu irmão ainda tá vivo. É... É isso.
Com os instintos de caçador completamente embaralhados, Dean começou a reconsiderar a possibilidade de ter enlouquecido.
- O que é você?
- Eu não sou nada! Quer dizer, eu não sou nada sobrenatural... – ela parecia tão perdida quanto ele se sentia. Mas Dean sabia que isso não significava nada – Por que eu vi tudo aquilo?
- Tudo aquilo o que?
A garota, Daphne ou qualquer coisa assim, fechou os olhos um instante, mas ainda parecia atordoada quando começou a falar.
- Quando nós nos olhamos eu vi tudo! Eu vi quando o Sam perdeu o primeiro dente e como você o guardou na carteira, eu até sei aonde estaria na sua carteira! Eu vi todas as noites que você passou acordado porque estava com tanta fome que não conseguia dormir, mas ainda assim você fazia questão de que Sam comesse alguma coisa. Eu vi a primeira garota que você beijou, ela era loira e usava óculos, mas você achava isso sexy. Eu vi quando você perdeu a virgindade no banco traseiro daquele carro – ela apontou o Impala – E a menina era-
- Ta bom! TA BOM! – Dean gritou, completamente constrangido.
Ele sentia até as orelhas queimando de vergonha.
Mas que merda é essa?
N/A.: Eu tenho a impressão de que se alguém ainda estiver lendo essa bagaça, talvez fique meio puto (a ) da cara, mas não é o que parece! Quer dizer... Dependendo do que vcs acham que parece... hm...
Bom, de qualquer forma, não é romancezinho cute-cute adando de mãos dadas na direção do por-do-sol! Prometo! Não parem de ler por causa disso, por favoooooorrr!
E se puderem fazer uma propagandinha pra eu arrumar mais leitores seria fantabulástico!
É, não tenho vergonha na cara msm.
