He was a bore, a true chore
and I still wonder why I ever wanted to see him more
I know it is useless to complain all these years after, well...
Thanks for asking now I'm fine
Stay (Just a little bit more) - The Do
Daphne correu atrás do carro por dois quarteirões antes de perceber que estava parecendo uma idiota.
Ai meu Deus! O que ela ia fazer agora?
Dean foi embora, fácil assim e ela nem suspeitou! Jesus, como ela nem suspeitou? Do que adianta ter esses poderes estúpidos se ela nem consegue saber que o cara que ela quer ajudar vai larga-la no meio do nada pra morrer?
...Ok. Ela estava no hotel, com dinheiro e um celular, não ia morrer, mas... Queria morrer. Isso conta?
Ai que ódio!
"Filho da puta!" gritou para as luzes distantes do Impala e em seguida levou a mão a boca. Era esquisito xingar, falar palavrão... Ela nunca fizera isso. A única vez em que – numa brincadeira – chamou Jess de 'vadia', sua mãe disse que lavaria a boca das duas com sabão. Nenhuma das garotas acreditou, então riram.
Daphne descobriu que sabão de coco não tinha gosto de coco, e decidiu se abster de palavrões dali por diante. O que fazia bastante sentido considerando como eram as coisas em sua casa. E depois no internato.
Mas o estranho – mais estranho do que sua mãe lavar sua boca com sabão de coco- é que depois da coisa toda com o Dean, ela sentia uma vontade constante de se expressar com muitos 'puta', 'porra' e 'cacete', apesar de não ter certeza se esse último era mesmo um palavrão.
Ela olhou para o céu, torcendo para amanhecer logo. Depois do que viu nas memórias de Dean, não queria ficar sozinha na rua enquanto ainda estava escuro, apesar de saber que portas e a luz do sol não fariam as coisas desaparecerem. Percebeu que havia passado de sua porta e caminhava em direção à recepção, e se havia um lugar em que ela não queria ir sozinha de madrugada, era a recepção.
Mesmo antes do evento – evento. Boa palavra pra resumir o monte de merda que a vida dela se transformou de repente – ela já desconfiava que tinha algo errado com o recepcionista, mas agora? Ela tinha certeza.
Com um suspiro, Daphne sentou nos degraus de sua porta e afundou o rosto nas mãos.
"Dean... Cadê você, seu imbecil?"
Fechando os olhos com muita força, e sem poder acreditar que tomou um toco dessa magnitude e entre 'Dean, Dean, DeanDean' e 'Onde, onde, ondeonde?' não conseguiu entender o que foi aquela dor alucinante na têmpora direita.
"Aaaaaiiii!" gemeu e esfregou o lugar, mas nas pontas dos dedos não tinha nenhum sinal de sangue.
Estranho.
Ela levantou ainda massageando a têmpora e olhando em volta. A única coisa suspeita por ali era ela própria e isso a irritava ainda mais por que Dean saberia o que fazer e Dean não estava ali! E aquele cretino-
"JESUS!" exclamou quando sentiu outra pontada no mesmo lugar.
O que é isso? Por que o mundo decidiu virar de cabeça pra baixo justamente quando ela se sentia mais sozinha? Não era possível que até a dor de cabeça fosse culpa do Dean.
E ao pensar no nome dele, sua têmpora pulsou. Do mesmo jeito que ela sentia depois de uma longa corrida – que ela nem deveria fazer pra começo de conversa – quando o coração parecia estar pulsando na nuca.
"Dean" disse em voz alta e a pulsação continuou, não doía mais como das primeiras vezes e não era no mesmo ritmo de seu coração. Era mais pausado, um tum tum tum tum que quase acalmava. Quando Daphne virou o rosto na direção da rua, o pulsar mudou de lugar, ficando no meio da testa. Ela continuou virando a cabeça para os lados, para cima e para baixo, e a pulsação sempre mudava de lugar, começando a suspeitar o que aquilo significava, ela deu um passo a frente. Então mais um. E outro.
Quando já estava na rua, um sorriso brotou em seu rosto. Talvez aquilo pudesse funcionar.
Voltou correndo para o quarto e começou a empacotar suas coisas.
Já estava quase pronta quando sentiu um calafrio na espinha, virou de uma vez e encontrou o garoto da recepção.
"Eu sabia que você estaria aqui" ele disse com os olhos cravados nela e entrou no quarto.
Daphne gritou.
xo0ox
"Ela está bem" Dean repetiu em voz alta pela quinta vez.
Tinha a sensação de que Daphne se meteria em confusão, mas agora não adiantava mais pensar nisso. Ele já tinha ido embora e isso era melhor. Para os dois.
Era hora de se concentrar em descobrir o que havia acontecido com ele, em como ele havia caído nesse lugar. Ter encontrado a irmã de Jessica não era importante, só estranho. E nem era tão estranho assim... Numa escala de 1 a 10 ganharia um 6.5, nada demais.
O sol entrava pela janela, mas Dean estava cansado demais pela noite de... conversa com a garota, dormiria um pouco e então cairia na estrada. Bobby não era a única pessoa que poderia ajuda-lo e, além disso, a maioria das outras pessoas, ele não teria qualquer problema em usar de suas habilidades para interrogar.
O que ele poderia fazer? Tem algumas verdades que só são arrancadas a força, fazer o que...
Só de camiseta e cueca, ele se arrastou pela cama até enterrar o rosto no travesseiro.
Mesmo sentindo falta dos sons de outra pessoa no quarto, dormiu.
xo0ox
Jules Everett se esforçou para manter pelo menos um dos olhos abertos enquanto bocejava. Não dava pra ter outro acidente com o carro da empresa, seu chefe arrancaria sua cabeça a dentadas.
Especialmente quando ele não estava usando o carro pra trabalhar, mas ninguém precisava ficar sabendo disso, certo?
Cansado de ouvir notícias – só tinha desgraça – ele começou a mexer no rádio, e nem notou quando o carro começou a desviar para a direita. Levantou os olhos um segundo antes de subir na calçada.
"MEU DEUS!" gritou quando viu a garota de olhos arregalados em pé, na sua frente.
No instante seguinte, o carro já estava parado, mas ele não conseguia mais vê-la além do capô.
Jules desceu desesperado repetindo "Por favor, por favor, por favor, por favor..." sem parar. Uma coisa era usar o carro da empresa pra assuntos pessoais, mas atropelar uma menina? Agora sim ele estava encrencado... E se perdesse o emprego, ia ter que morar no porão da mãe em Albuquerque! Então é melhor essa garota burra ter pelo menos tentado desviar e- "Graças a Deus você está bem!" ele despejou de um fôlego só.
Os olhos dela estavam tão arregalados que dava pra ver todo o branco em volta da íris. "Minha nossa Senhora!" ela exclamou, parecendo aterrorizada.
"Você... não está bem?"
Ela finalmente conseguiu descolar o olhar do para-choque a centímetros de seu rosto e se voltou para Jules "Eu vou melhorar se você tirar essa porra desse carro de cima das minhas pernas!"
O carro não estava em cima das pernas dela, quer dizer, estava, mas não prendendo nem nada, só... em cima. Jules enroscou as mãos por baixo dos braços dela e a ajudou a levantar. Ele deveria simplesmente ter ido embora, mas ela parecia tão triste... E parecia algo além ao quase atropelamento. Seria muita crueldade abandonar alguém que parecia tão... frágil.
"Você está bem?"
Ela arqueou as sobrancelhas "Jura?" e com um suspiro-quase-riso continuou "É isso que você vai perguntar? Pra alguém que você acabou de atropelar?"
"Quase atropelar."
"Eu to de saco cheio de motoristas na Califórnia! Saio da faculdade pra vir visitar meu irmão e logo na primeira briga, o que ele faz? Me joga pra fora do carro! E se isso não fosse o bastante, você acha que eu sei o caminho pra casa nova idiota dele? Só fui lá uma vez!"
Jules não era um cara de ouvir, especialmente ouvir mulheres tendo um ataque de nervos, mas... coitada dela. Não merecia ter sido jogada pra fora do carro.
"Tem algo que eu posso fazer pra ajudar? Uma carona pra algum lugar?"
A garota franziu a testa e torceu a alça da mochila nos dedos.
"Me ajuda a achar a casa do meu irmão? Eu acho que de carro consigo chegar."
"Claro" por que diabos ele estava oferecendo – não, não. Concordando em dar – carona pra uma completa desconhecida? "Eu sou o Jules. Qual seu nome?"
"Sam." ela disse timidamente "Sam Winchester."
xo0ox
Dean não sabia o porquê de ter acordado daquele jeito, muito menos quando o quarto ficou tão pequeno e tão quente. Ele já tinha tirado a jaqueta, a camisa, a calça – e considerou por um momento que talvez ele usasse roupas demais –, mas sua camiseta estava ensopada de suor.
Ele ia morrer. Sozinho, num quarto de motel. Levaria semanas até alguém encontrar seu corpo apodrecido, cheio de vermes.
Sem a morte honrada de caçador, sem o funeral heroico igual o de seu pai, só um buraco no chão. O Sam provavelmente nem sentiria sua falta, nem ia chorar.
Dean levantou e disparou para o banheiro, mal notou a cadeira no meio do caminho, nem sentiu a quina que se enterrou em seu quadril. Abriu o chuveiro e enfiou a cabeça na água fria.
Isso só é um ataque de pânico. Ele ainda lembrava quando teve a doença de fantasma. Infelizmente, dessa vez não era culpa de mais ninguém. Não que ele fosse assumir isso em voz alta.
"Para de agir como um vadiazinha chorona" ele ordenou a seu reflexo no espelho "Isso é um chilique e é completamente inaceitável! Você não vai morrer. E se morresse, Sam se importaria."
Talvez não esse Sam em particular...
Novamente ele foi tomado por um sentimento de dúvida, porque naquele momento, tudo apontava para uma existência vazia e solitária. Daquelas que fazia você alucinar com uma vida bacana. Se bem que nem o "antes" era bacana. Então isso deveria significar que era verdade. Ou que ele tinha pouquíssima criatividade.
Mesmo com a possibilidade de uma alucinação de mau gosto pendendo sobre sua cabeça, Dean se acalmou. Voltou para o quarto a passos lentos, exaustos, se deixou cair deitado na cama, cobrindo os olhos com o braço.
Se ele ainda não enlouqueceu e o "antes" existe... Como estará o Sam?
Sem perceber que havia cochilado de novo, ele acordou sobressaltado, completamente suado e segurando a faca que ficava embaixo do travesseiro, mas não se lembrava o que havia sonhado.
Valeu, Deus. Va-leu.
O sol agora ia alto, mas ainda era cedo, sobrando bastante tempo para ir para outra cidade, uma com uma biblioteca de verdade e procurar... qualquer coisa. Por que ele não sabia ainda nem por onde começar. Isso é uma ilusão? Um mundo criado por alguém? E se fosse, por quem? O trickster?
Droga.
Dean levantou e revirou a mochila em busca de roupas limpas, estava quase na hora de lavar.
Droooga.
Depois do banho foi a hora de recolher suas coisas, ele não ficaria mais naquela casa, seja lá o que fosse acontecer, Dean precisava continuar se movendo.
Enquanto checava o lugar pela última vez em busca de qualquer coisa esquecida, ele abriu a porta.
"Aonde você vai?"
A pergunta fez que ele levantasse o rosto e encarasse, então desse um passo para trás e fechasse a porta.
Dean olhou para cima, cantarolou apenas o ritmo One e abriu a porta de novo.
Hold my breath as I wish for death. Oh please God, wake me…
Pelo lado bom, ele não estava alucinando, pelo lado ruim…
"Mas que porra você tá fazendo aqui?"
"Reclama mais baixo" Daphne disse entredentes, a boca repuxada num sorriso forçado "Se você der chilique o Jules vai chamar a polícia..." ela cantarolou o final e virou o tronco, acenando para o idiota no Volvo cinza.
"Jules?" Dean alternou o olhar da garota a sua frente para o cara de meia idade com um sorriso bobo que acenava de volta "Daphne. Que merda você fez?"
"Dean!" ela gemeu, irritada "Eu já te disse que ele vai acabar chamando a polícia! Ele já acha que você me jogou pra fora de um carro em movimento, se pensar que você vai me bater, isso não vai dar certo"
Jogar pra fora de um carro em movimento? Não parece uma má idéia. Na verdade parece muito algo que ele faria.
"Foda-se o que o cara vai achar, como você conseguiu voltar aqui?"
Daphne fechou os olhos bem apertados, com uma expressão de 'Ai meu pai eterno', então abriu outro sorriso forçado.
"Por que você não me ouve pelo menos uma vez na vida e cala a boca?"
"Tá, tá. O que eu tenho que fazer pra ele cair fora daqui pra eu poder matar você?"
"Se você vai tentar me matar, o Jules fica!" Dean deu um passo para trás, ameaçando bater a porta na cara dela, mas Daphne espalmou a mão no peito dele "Espera! Só finge que tá tudo bem, sorria e acene que ele vai embora!"
Sorrir. Ótimo. Foi um esforço transcendental desfazer a careta e se recompor, mas Dean conseguiu.
"Valeu por tomar conta da dona Encrenca aqui" ele passou o braço por cima do ombro de Daphne que riu tentando parecer confortável.
"Está tudo bem mesmo?" Jules perguntou parecendo preocupado demais.
"Tudo ótimo, obrigada!" ela deitou a cabeça no ombro de Dean.
"Ele não vai embora" Dean reclamou entredentes.
"Cala a boca. Ele só quer ter certeza de que você não vai bater em mim com um pé de cabra. Ele é só um cara legal."
"Ninguém é tão legal de graça" resmungou para em seguida gritar "Valeu, tchau!" claramente impaciente. Quando nada aconteceu, além de sua pressão sanguínea aumentar, Dean decidiu tomar uma medida mais drástica "Vem cá, gata!" e desceu o braço dos ombros dela para sua cintura e a puxou.
Era um plano improvisado, obviamente, e não tinha motivo pra dar errado. Ele só não esperava que beija-la seria... Hmm...
O som dos pneus do Volvo cantando na distância soou como música. Missão cumprida. E já que ele já estava beijando a garota mesmo, não faria mal nenhum aproveitar
Beijar nunca machucou ninguém.
Uma imagem explodiu diante de suas pálpebras e ele se afastou no mesmo instante. Não entendeu direito o que aconteceu e não conseguia se lembrar do que tinha visto, só tinha a sensação te estar cheirando... Incenso e cera de vela. Estranho.
Daphne se afastou com uma risada meio maníaca "Ai meu Jesus..."
"Jesus, é?" Dean não sabia se deveria rir também ou ficar preocupado, então sua expressão congelou num meio termo entre as duas coisas, sorrindo com a testa franzida "Pode me chamar de Dean."
"De todas as coisas que poderia ter feito, foi nisso que você pensou?"
Dean ficou chocado demais até pra reclamar.
"Se você viu minhas memórias, deveria saber que eu nunca fui criticado por minhas habilidades nesse quesito."
E olha que ele treinou.
"O que?" ela perguntou meio ríspida, mas em seguida seus olhos se arregalaram com o entendimento "Ah... Não!" sua expressão se torceu com nojo e Dean teve vontade de agarra-la pelos ombros e sacodir até ela desmaiar "Não, mesmo! Só que você estragou absolutamente tudo"
"Eu nem fiz nada!"
"Eu disse pro Jules que nós éramos irmãos!"
"Ah..." Dean deu de ombros "Isso explica porque ele foi embora tão rápido" Daphne girou os olhos e cruzou os braços "O que não explica, é como você conseguiu chegar aqui!" ele completou, também cruzando os braços de um jeito muito mais imponente.
A pose dela desmoronou. "Vai me fazer ficar em pé aqui fora mesmo? A gente bem que poderia entrar pra conversar, né?"
"Não."
"Promete que não vai ter um ataque antes de eu terminar de falar?"
"Não."
"Assim você não me ajuda em nada!"
"Ficar amarrada numa cadeira vai ajudar?"
Ela torceu o nariz "Você é um saco." e suspirou longamente "Tudo bem... Depois que você me deixou naquele lugar pra ser atacada pelo recepcionista, eu-"
"Espera, espera aí. O recepcionista te atacou?"
"Não, no final ele só era emo... Mas poderia ter me atacado, porque você me largou lá sozinha!"
Dean arqueou uma sobrancelha e ela ergueu as mãos se rendendo. "Tá bom, tá bom... De qualquer forma, eu fiquei com um pouco de raiva de você, acho até que fui bem sensata considerando a situação, mas não conseguia parar de pensar em como você era filho da puta!"
Tudo bem... Ele mereceu essa.
"Muito bacana da sua parte."
"Eu nem falava palavrão até você surgir na minha vida" ela resmungou "Só que quanto mais eu pensava em você, mais minha cabeça latejava até que eu percebi que não estava exatamente latejando... Era como um... GPS, só que dentro da minha cabeça."
"GPS. Na sua cabeça."
"É..." ela continuou, apesar de parecer contrariada "Ficava pulsando, e mudava de lugar pra me ajudar a achar o caminho."
"E como você convenceu o besta a ficar guiando pela cidade seguindo sua intuição feminina?"
"Em primeiro lugar, vai se foder. Em segundo, eu não tenho certeza... Ele parecia desesperado pra se livrar de mim em um instante, e depois parecia desesperado pra me ajudar"
"E daí?"
"E daí que eu acho que fiz isso..."
"Como?"
"Eu não sei! Parece que eu sei alguma coisa do que tá acontecendo? Só fiquei pensando que precisava de ajuda, precisava de ajuda, precisava de ajuda e de repente, BAM! Ele queria ajudar."
Os dois compartilharam um momento de silêncio desconfortável.
"Agora você está manipulando os outros? Pra quem não sabe o que está fazendo até que você tá ficando bem espertinha."
"Eu não manipulo ninguém, isso é horrível, Dean!" ela puxou uma medalhinha de dentro da blusa e ficou torcendo o cordão entre os dedos "Eu diria que... Influencio."
"Como?"
"Com olhares languidos e exibições do decote? Eu nem tenho certeza se é isso mesmo que está acontecendo"
Dean respirou fundo, começando a sentir um aneurisma se formando, inchando e esperou que ele estourasse a qualquer segundo.
"Ei, calma..." Daphne disse preocupada, segurando o braço dele. Imediatamente Dean bocejou.
"Que isso...?" ele resmungou, balançando a cabeça para afastar o sono dos olhos "Eu nem sabia que estava tão cansado"
Daphne parecia pronta pra falar alguma coisa, mas desistiu, só soltou o braço dele e deu de ombros.
O sono passou imediatamente, e parece até que a raiva aumentou ainda mais.
Estranho.
"Dean? Você tá bem?"
"Eu não sei." ele balançou a cabeça tentando clarear a mente "Do que você estava falando mesmo?"
"Sobre como eu posso te ajudar a descobrir o que está acontecendo com os meus super poderes recém descobertos."
"Hahá. Boa tentativa" ele esfregou os olhos e encarou a garota parada ao seu lado. Ela realmente era baixinha. "Toda vez que acho que estou prestes a ter uma epifania, você abre a boca e estraga tudo"
Daphne mudou o peso de uma perna para a outra, ajeitou a alça da mochila no ombro parecendo um tanto constrangida.
"Eu não quero estragar nada, sabe?"
Essa conversa estava começando a entrar num território perigoso e feminino demais pro gosto de Dean, a melhor coisa a fazer num momento desses era bem simples: se afastar.
"Para onde vamos?"
"Eu vou embora, você?" ele deu de ombros e começou a andar em direção ao Impala "Eu não sei."
"Ahhhh, isso de novo?" ela reclamou, correndo para alcança-lo "Você sabe que eu vou conseguir te encontrar!"
"Você nem sabe como fez aquilo, pode demorar semanas até conseguir de novo"
"Não acha muito mais fácil me manter por perto do que ficar pensando constantemente em quando eu vou voltar a aparecer? Ou se eu não me meti em nenhuma encrenca tentando te encontrar?" apressou ainda mais o passo e colou a mão no ombro de Dean "Você sabe que vai ficar sempre pensando no que pode ter acontecido comigo, se eu não estou morta na sarjeta, ou machucada e sangrando, sem ninguém pra me ajudar..."
"Dá pra parar de tentar entrar na minha cabeça? Se é assim que você 'influencia', não sei como ninguém te deu um tiro ainda"
"Como você sabe que era isso que eu queria fazer?"
"Acho que nós dois sabemos que eu não me importaria tanto assim." Dean concluiu arqueando as sobrancelhas e empurrando a mão dela para longe dele.
"Ah. Tem razão. Exagerei." ela comentou de um jeito distante, como se estivesse arquivando a informação pra uma próxima vez.
Com um suspiro sofrido, Dean batucou os dedos no teto do Impala então olhou para Daphne. "Um erro que for, mais um tentativa de entrar na minha cabeça, e eu te jogo na rua de verdade! E nem diminuo a velocidade"
Ela não pareceu se importar nem um pouco com a ameaça. Na verdade sorria tanto que seu rosto parecia poder rachar no meio a qualquer minuto "Claro, eu até pulo sozinha se facilitar as coisas pra você" Dean abriu a porta do carona para que ela entrasse "Quer dizer, na verdade eu vou fazer de tudo pra evitar chegar nesse ponto porque-"
Bater a porta não fez Daphne parar de falar, mas pelo menos abafou o som de sua faladeira infinita.
Quando Dean sentou no banco do motorista, ela havia se calado, mas torcia os dedos no colo e lhe lançava olhares compridos.
"Fala logo, Daphne."
"Você tá com raiva?"
Ele virou para encara-la. "Achei que você deveria saber esse tipo de coisa"
"Mas eu to proibida de sondar sua cabeça, não to?"
"Eu não to bravo... Só cansado."
Ela sorriu com o canto dos lábios, a típica expressão de quem 'entende o que você está passando'. "Você vai voltar pra casa" afirmou com toda a certeza de alguém que não sabe de porra nenhuma, acompanhado de tapinhas no ombro e tudo "Vai dar tudo certo."
Dean sorriu e assentiu "Tem razão."
E cacete, isso foi muito estranho. Daphne puxou a mão de volta e soltou uma risada curta e nervosa "Tem alguma coisa totalmente errada com você. Quer dizer, 'tem razão'? Você não acha que eu tenho razão em nada por puro princípio! Isso sem falar que pra alguém que tá mais fodido que a filha do Jefté, você tá alegrinho demais."
Ignorando a parte que era verdade e se concentrando em dar a partida no carro, Dean perguntou "Filha de quem?"
"Jefté. Ele queimou a filha viva em um sacrifício."
"Ei, ei. Isso é conversa de bíblia? Você tá falando bibliês?"
"Ai não. Vamos nos concentrar em outras coisas, como no fato de eu estar aprendendo como lidar com minhas recém descobertas habilidades, ou uma coisa mais importando na linha de: pra onde estamos indo. Não quero falar sobre o que eu sei ou deixo de saber da Bíblia."
Era tentador continuar nesse assunto. Não por ser realmente interessante, mas só pra tentar fazer com que ela se arrependesse de ter feito tanto esforço pra vir junto. Mas uma outra coisa mais importante lhe chamou a atenção.
"Você disse isso antes, de seus dons recém descobertos..."
"É"
"A descoberta é recente, certo. Mas... recente quanto?"
"Como assim?"
"Começou mais ou menos há uns... 2, 3 meses?"
"Não" ela disse devagar, confusa "Aonde você quer chegar com isso?"
"Se você sabe mesmo o que tem na minha cabeça, também sabe que eu tenho que perguntar isso"
Talvez ela soubesse, talvez não. Ele nunca teria certeza já que ela não disse nada, só o encarava sem parar. Dean nem mesmo tirava os olhos da estrada e sentia o peso do olhar dela. Não deveria ser tão perturbador, mas vindo de alguém que já havia visto toda a vida dele, era quase tão ruim quanto voltar ao ginásio e ser pego colando. Pelado. Pela professora que mais te detesta. Com a garota que você gosta vendo tudo.
"Daphne," ele chamou após algumas décadas de silêncio "já teve algum incêndio na sua casa?"
"Não."
"Talvez tenha-"
"Não! Talvez nada! Isso não tem nada a ver com o demônio do Olho Amarelo!"
"Como você pode saber? A linha do tempo encaixa, nem todas as crianças especiais tiveram incêndios e nós estamos 4 anos atrás"
"A linha do tempo não se encaixa!"
"Encaixa sim! E porque você ficou tão brava? Não é como se isso fosse culpa sua, acordos com demônios... acontecem... acho." é. Ele sabia que soava como um imbecil mesmo enquanto falava.
O queixo de Daphne caiu. "Acontecem? Simples assim?" mas ela continuou antes que Dean pudesse desfalar a merda – mesmo sem ter certeza se era realmente possível desfalar alguma coisa – "Pra começar, meus pais nunca fariam um acordo, não estou tentando dizer que eles são santos nem nada, mas sério, se parece fácil demais, especialmente pra minha mãe, é encarado como coisa do capeta. Mesmo. E ok, talvez um dos dois possa ter caído na tentação – e se caiu, foi totalmente o meu pai –, mas eu não desenvolvi esses poderes ontem, nem dois meses atrás"
"Você acabou de dizer que nem sabe controlar o que faz"
"É, mas... Não é como se tivesse surgido agora, é mais como se... tivesse... evoluído."
"Evoluído em que?"
"Eu sempre senti sentimentos alheios, na verdade fui descobrir só com uns 12 anos que isso não era exatamente comum, mas a influência no comportamento alheio? Totalmente novo. Isso sem falar do GPS pra te encontrar, isso só acontecia com a minha irmã e nem nessa época era desse jeito."
Dean assentiu lentamente, se concentrando ainda mais no asfalto, porque a última coisa que ele queria agora era ter que pensar em alguma coisa. Pensar mau. Estrada bom.
"É verdade!" Daphne reclamou virando no banco e agarrando o braço de Dean com as duas mãos.
Ele se livrou das mãos dela se sacodindo, porque por um instante, pareceu mesmo que era tudo verdade "Eu nem falei nada!"
"É, mas..." ela franziu o nariz "Você tá me mandando vibrações de desconfiança."
"Não to não"
"Tá sim!"
"Eu nem to pensando em nada"
"Aí eu já não sei, mas... Sabe quando uma pessoa sua, e fica exalando cheio de pessoa suada?"
"Sei..."
"Seguindo essa linha de raciocínio, você fede."
Ela tinha razão. Ele fedia. A desconfiança, pelo menos, de resto Dean tinha certeza que estava bem limpo.
"Ai meu Deus, eu já sei!" Daphne exclamou de repente "Já sei como posso provar o que estou dizendo, e você pode tirar a prova se sou ou não cria do Olho Amarelo"
"Como?"
"Missouri!"
"E o que a gente vai fazer lá?"
"Bom..." ela coçou a cabeça, parecendo confusa "Falar com ela?"
Ela?
Ah... Missouri, não Missouri.
Espera.
"Aaahh não! Missouri não!"
"E por que não? Ela pode nos esclarecer muitas coisas!"
"Ela me odeia!"
"Claro que não"
"Odeia sim!"
Ela suspirou longamente "Olha, mesmo se ela odiar, no momento não vai ser muito incomum porque aqui todo mundo te odeia"
Isso fazia muito sentido. "Cala a boca."
"E quem mais poderia nos ajudar nisso? Quer dizer, ela pode pegar o rastro da coisa que te deixou aqui, não é? Você veio parar no Além da Imaginação, uma magia desse tamanho deve ter deixado alguma marca em você."
Isso fez ainda mais sentido.
"E ela ainda vai poder ver se eu menti ou não! Talvez até possa me scanear e ver se eu tenho sangue de demônio"
É. Bom... É.
Dean socou o volante. "Droga!"
Daphne apenas sorriu enquanto eles seguiam para o Kansas.
N/A.:. Eu estava me preparando pra falar "Tudo bem, leitoras fantasmas, eu ainda vou postar" mas aí me aparecem Sayuri e My Odd World' e restauram minha fé na humanidade!
Galerë, valeu pelos comentários! É muito legal saber o que vocês tão achando!
E Sayuri, ameeeeei que eu que te iniciei no fandom de Supernatural! Amei mais ainda que você tá curtindo minhas fics! (Por sinal, tem a última da leva feminista, é a mais esquisita, acho eu, mas resolvi arriscar! chama Angels Buy Drinks In Skid Row Bars, depois passem por lá também!)
Espero que continuem gostando!
Próxima parada:: Missouri.
Ps:: Pretendo mudar o nome da fic, então para todas que colocaram no alerta, qualquer nome estranho, não se aflijam!
