Tinham parado na cidade mais próxima onde acontecera o acidente. Aioria puxou um mapa da sacola, onde havia marcado todas as vilas e cidades atacadas. Shaka, sentado à mesa da taverna onde tinham se hospedado, tranquilamente bebia um chá.

"Segundo a ordem de aparição da hidra, estes serão os próximos lugares a serem atacados. A menos que interrompamos no meio do caminho, via maritmo. O único problema disso é colocarmos as vidas dos condutores em risco. O que você acha, Shaka?"

Ele não respondeu. Continuou solvendo o chá, vagarosamente.

"Shaka, não é possível que você escute a minha sacola roçando nas minhas costas, mas não possa me escutar. Fale alguma coisa!"

"Não sou surdo", respondeu Shaka. "E você é muito barulhento, Aioria."

"O que disse? Shaka, eu não estou querendo briga com você, eu só estou tentando trabalhar! Afinal, o mestre pediu para que nós dois cumpríssemos esta missão. Nós devemos trabalhar em equipe!"

"Você é muito barulhento. Acalme-se e ouça o mundo ao seu redor, Aioria. Às vezes, basta olhar à sua volta para encontrar a resposta que deseja."

"Eu não estou aqui para discutir suas filosofias. Eu quero salvar essas vilas. Você não? Imagine o sofrimento dessas pessoas por causa do monstro."

"As pessoas sofrem, Aioria, com ou sem o monstro. Isso não é motivo para nos apressarmos."

"Como não? Escute, se você continuar distante assim, eu serei obrigado a realizar esta missão sozinho."

"O mestre disse que nós devemos trabalhar juntos. Se a hidra for a mesma que Heracles derrotou, é possível mesmo que dois cavaleiros de ouro sejam necessários para esta missão. Se você se separar de mim, seremos punidos pelo mestre. Ao mesmo tempo, não devemos nos apressar. Aioria, antes de atravessar o rio, a lógica é prestarmos atenção na profundidade das águas e na força da correnteza para não acabarmos afogados."

"Eu já disse que seu papo furado não me interessa."

"Então confie em mim. Você não pode confiar em mim, no cavaleiro de ouro de Virgem?"

"Eu não confio em ninguém."

"Você confiaria no seu irmão Aioros?"

"Cale a boca, Shaka! Meu irmão não tem nada a ver com isso! Meta-se nos seus problemas!"

Shaka sorriu, mesmo tendo Aioria agarrado sua camisa em tom de ameaça.

"Estou vendo que seu irmão ainda é um problema não solucionado. Ele é ainda uma ferida aberta em seu espírito, e isso o torna arisco como um felino. Mesmo que não possa entender os meus pensamentos, você deve saber que esse seu problema o impede de confiar em mim, que sou seu aliado. Você não pode deixar o seu problema de lado e fazer como estou sugerindo, Aioria? Eu, Shaka de Virgem, sei muito bem o que estou fazendo."

Aioria sentia vontade de surrá-lo. Queria desfigurar todas as caras que viessem falar de seu irmão. Mas estavam no meio de uma missão, e qualquer agressão a Shaka lhe conferiria uma bela punição. Largou-o, irritado, e saiu da mesa.

"Vou voltar para o meu quarto. Avise quando finalmente acordar para a realidade."

Shaka continuou solvendo o chá com calma, prestando atenção no entorno.

Aioria não tinha reparado, mas dois homens, no canto do estabelecimento, conversavam sobre a hidra. Shaka terminou sua xícara, levantou-se e foi conversar com eles.

"Desculpem incomodá-los. Mas é eu fiquei curioso com essa história que vocês estão contando... Esse monstro marinho... Como ele era?"