Aioria andava impaciente pelo corredor, ora olhando para o ambiente, ora lendo os títulos dos livros nas prateleiras. Shaka continuava parado no mesmo ponto, folheando uma pilha de livros. Aioria parou de repente, irritado.

"Shaka, você soube que houve outro ataque? Ou não escutou bem? Nós devíamos estar lá, protegendo as pessoas! Você tem noção de quantas vidas perdemos com sua falta de atitude? Não é hora de ficar fazendo comprinhas! Precisamos ajudar as pessoas!"

"Mesmo que nós nos apressássemos, não chegaríamos a tempo de impedir o ataque, Aioria. O monstro marinho está fazendo um trajeto, e você sabe que ele está distante demais para o alcançarmos antes da destruição da cidade. Por outro lado, eu encontrei um material muito bom sobre o assunto. Você quer ler?"

"Nós não temos tempo para ler. Devemos lutar, atacar, fazer o nosso dever! Deixe esses livros e vamos embora!"

"Eu vou comprar alguns deles. Não se importa, não é?"

"O que me incomoda, Shaka, é que você está demorando demais fazendo turismo nas cidades quando devia estar lutando contra a Hidra! Se demorarmos mais, ela vai atacar mais vilas, e você não terá a maldita desculpa de que não chegaríamos a tempo."

"Quanto a isso, você tem razão. Mas não se preocupe. Eu já terminei a minha preparação. Vamos passar no caixa, porque quero comprar estes livros. E então nós iremos direto para a próxima cidade, a fim de que você possa se divertir com a hidra."

"Já não era sem tempo. Se o mestre questionar, direi que foi você quem decidiu parar nos lugares para fazer turismo, não se esqueça!"

Shaka seguiu calmo até a atendente da loja e pagou por dois livros que tinha selecionado. Aioria sentia raiva só de olhar para eles, mas Shaka carregou-os com zelo e ia lendo sempre que podia. Mesmo sem poder enxergar, conseguia sentir a textura da tinta sobre o papel, utilizando o cosmos para apurar ainda mais seu sentido do tato. Parou um pouco de ler quando as bufadas de Aioria passaram a incomodá-lo.

"Não adianta ficar bravo. O que devemos fazer agora é seguir adiante com a nossa missão."

"Shaka... Você não se preocupa nem um pouco com essas pessoas? Afinal, os cavaleiros de Athena lutam pela paz e pela justiça, não é? É nosso dever ajudá-las."

"Pela paz e pela justiça...", repetiu Shaka.

"É isso mesmo! Essas pessoas estão sendo atacadas, suas vilas estão sendo destruídas. Nossa missão é impedir isso e restabelecer a paz nas vilas."

"Quer dizer que você acha que cumprir esta missão seja praticar justiça."

"Mas é claro que sim!"

Shaka riu baixo, dentro de seu estilo quieto e superior.

"Tolo."

"Por que está me chamando de tolo, Shaka? Eu não entendi. Sou um cavaleiro de Athena, que jurou lutar pela justiça e a paz no mundo! Por que acha isso engraçado?"

"Eu sinceramente esperava mais do irmão de Aioros. Não acredito que devo explicar para você. Se bem que... será mais interessante se você compreender com sua própria experiência... Tenha paciência, e eu responderei quando a hora certa chegar."

"Eu realmente não consigo te entender, Shaka", resmungou Aioria.

Shaka sorriu paciente.

"Parece que o nosso monstro está indo por um caminho muito bem definido. Até mesmo um tolo como você sabe para onde devemos ir agora. Mas pela velocidade com que os ataques estão acontecendo..."

"Ele está indo relativamente devagar."

"Sim. Nós provavelmente chegaremos a tempo de deter o ataque, e ainda teremos de esperá-lo."

"Mas vamos indo. Eu prefiro esperar por ele do que fazer hora e depois ter uma surpresa nada agradável."

"Sim, desta vez eu concordo com você."

Aioria já estava farto de Shaka. Não queria mais que o companheiro interferisse na missão. Apesar de o cavaleiro de Virgem ocupar o cargo de cavaleiro de ouro por mais tempo, sentia que ele era apenas um fardo a ser arrastado pela região.