Epílogo – Scorpius Malfoy's POV
17 anos depois
Não consigo descrever o quão estranho é pensar no passado. Pensar no que aconteceu, como aconteceu e todas as consequências dos meus actos. Bem, apesar de nem todas as consequências terem sido más.
Lembro-me da primeira vez que Rose enfrentou os pais e praticamente toda a família, no fim do nosso sétimo ano. Sim, era estranho pensar que tudo isso já foi à tanto tempo. Passaram 17 anos... Seja como for, lembro-me da cara da Rose ao enfrentar os pais. Decidida. Sim, ela ia completamente decidida, como se nada nem ninguém pudessem mudar a decisão que ela já tinha tomado. Lembro-me também das nossas mãos entrelaçadas, do sorriso dela, do cheiro dela... Mas não é só disso que eu me lembro. Também me lembro do olhar do meu pai e da minha mãe, e dos olhares de toda a família dela. Foi nesse momento que eu percebi o quão difícil ia ser nós ficarmos juntos.
Mas ficámos.
Contra tudo aquilo que a minha família queria. Contra tudo aquilo que a família dela queria... Não é que eu ligasse para qualquer coisa que eles quisessem. Rose. Rose era tudo o que importava... Sempre foi ela. Sempre. E contra todas as probabilidades e depois de tantas brigas e discussões conseguimos fazer todos eles perceberem que não importava o que eles fizessem: eu e Rose estaríamos sempre juntos.
Lembro-me do dia em que nos casámos. A minha mãe e a dela a chorarem juntas, quase que também fizeram Rose chorar só de olhar para elas. Rose... Ela lembrava uma deusa nesse dia, uma deusa ruiva vestida de branco e com flores a adornarem-lhe o cabelo que vinha solto. E nunca mais me posso esquecer do primeiro dia em que lhe chamaram Rose Malfoy. Lembro-me também que os olhos dela encheram-se de lágrimas nesse momento, como se percebesse que não tínhamos de lutar mais contra as nossas próprias famílias.
Depois comprámos uma casa porque nenhum de nós gostaria de ir viver para a mansão dos Malfoys. Essa tradição irritava-me como tudo. Acho que o meu pai não ficou muito chateado quando lhe disse que não ia viver na mansão. Pelo menos não mais chateado do que ficou quando me casei com a Weasley. Com a minha Weasley.
Algo que não me vou esquecer foi de ver Wood conversar com Rose na Diagon-Al, enquanto eu fui comprar um livro para ela. A voz dele ainda me ecoava pelos ouvidos, como um mosquito irritante Como vai a minha Weasley favorita? Ah, mas não pensem que me calei. Eu cheguei e abraçei-a pela cintura como fazia tantas vezes e respondi-lhe com o maior sorriso que alguma vez tinha feito na cara Ah, não sabes Wood? Ela agora é Malfoy. E essa foi a última vez que Wood passou pelo meu caminho.
Bem, não me culpem. Afinal, eu continuo a ser um Malfoy, e também um Slytherin.
Quando Rose engravidou pudemos ver com felicidade as nossas famílias reunirem-se pela primeira vez na Toca para passar o Natal. Bem, na verdade eu passo o natal na casa dos avós da Rose desde que ambos nos tornámos amigos, mas ver toda a nossa família junta a trocar presentes e a discutir o nome do bebé que estava a caminho fez Rose chorar a noite inteira - acho que isso foi efeito também da gravidez.
Quando Cassy nasceu a felicidade não podia estar mais no topo. Famílias juntas, nós juntos e com uma bebé. Rose decidiu seguir a tradição dos Malfoy's, mais por sua própria vontade do que por mim, que sempre lhe disse que tradições não eram o nosso forte, e pôs-lhe o nome de Cassiopeia. Mas na verdade, toda a gente, incluindo os professores em Hogwarts a tratam por Cassy.
Rose tornou a ficar grávida dois anos depois, e desta vez decidimos chamar-lhe Aaron, para assim deixar felizes as nossas famílias. Mas ela sempre dizia que não importavam as nossas famílias, e que ela decidira por o nome a Cassy desta maneira porque era parte de mim, e queria que os nossos filhos fossem partes de nós.
- Scorp?... Scorpius? - a voz de Rose acordou-me do meu flash-back.
- Han? Desculpa Rose, estava a pensar. - respondi-lhe, depositando um beijo no seu cabelo.
Ela sorriu-me.
- Não faz mal, é só que o expresso acabou de chegar.
O meu olhar encontrou a grande lata vermelha e preta rodeada de fumo que tinha acabado de chegar à estação.
- Não é justo! Ela pode ir para Hogwarts e fazer magia e eu ainda tenho de esperar mais um ano! Mããããe! Não é justo. Eu também quero iiiiir. - Aaron buchava o manto da mãe, com o cabelo ruivo igualzinho ao de Rose a cair-lhe por cima dos olhos cinzentos.
Rose baixou-se, com a mesma paciência enorme de sempre e sorriu-lhe.
- Ah, então quer dizer que não gostas de estar connosco? Assim a mãe e o pai vão ficar tristes. - Ela fingiu uma cara magoada.
- Mãããe, eu já não tenho cinco anos, isso já não resulta!
- Vá, vá... A tua irmã agora vem ai, portanto porta-te bem.
- Ela ficou nos Slytherin. - depois deitou a língua de fora - Eu cá vou ficar nos Gryffindor! Vou ser forte e corajoso, vai ver mãe!
Ambos desataram aos risos ao mesmo tempo que eu a vi. Cassy vinha acompanhada por um rapaz e uma rapariga, Adam e Abby Potter, filhos de Albus, e trazia ainda vestido o seu uniforme de Slytherin. Assim que ela me viu deu-me um grande sorriso e começou a correr, os cabelos loiros compridos a deixarem um rasto atrás dela e os olhos azuis postos em mim, sem me largarem.
Abri os braços, pronto para o abraço. Ela pulou para o meu colo com os braços à volta do meus pescoço.
- Ei, como foi a escola? - perguntei-lhe.
- Tudo bem pai. É exactamente como vocês disseram! É tão mágico!
Eu sorri e o meu olhar encontrou o da Rose. Sim, aquele sítio era mágico. Só mesmo magia poderia juntar uma Weasley e um Malfoy.
E a maior magia que existe é o amor.
N/A: E prontooo. É o fiiinal :D Espero tanto que tenham gostado :$
Para finalizar quero agradecer a todos aqueles que acompanharam a fanfic, os que comentaram e também aqueles que não. Obrigado especialmente à Rafaela, porque todos as minhas histórias serão principalmente dedicados a ela. Sem ela eu não estaria aqui.
E o maior de todos os obrigados à jk Rowling, por ter criado este mundo fantástico e por nos ter mostrado a todos que a magia existe, não importa o que todos digam.
Beijinhos muito grandes a todos. E nunca se esqueçam que a magia vive nos nossos corações.. Sempre.
