Disclaimer: HP não me pertence e não sei dizer todos os que detêm direitos autorais sobre o nome.
Sumário: UA – Ele era um super herói, imbatível, perfeito. Talvez não tão perfeito, pois tinha um ponto fraco. Essa fraqueza se materializava na dona dos olhos que não eram feitos de esmeraldas e sim, criptonita. Era isso. Lily Evans era pura criptonita...
Kryptonite
We are bad news.
E lá estavam eles, na cobertura daquele prédio cinza, tão cinza quanto à morte deveria ser... Quem diria que existiria um andar tão luxuoso e abastado naquela construção? Era difícil não admirar o ambiente apesar de tudo, apesar da morte lhes gargalhar bem no rosto, bafejando aquela podridão amarga e sem cor...
O teto fora erguido em puro vidro, sustentado por pilastras de design moderno e cor de chumbo, semelhante à coloração do que apoiavam. Os móveis completavam a graciosidade do local, distribuídos em cálculo geométrico pelo espaço... E todo aquele esmero não lhes enganava, não lhes confundia e nem lhes atordoava.
Ali eles se encontrariam com o seu fim.
- É árduo conviver com a derrota, não é Potter? – um dos homens saiu do anonimato naquele mar falsamente calmo e cinzento.
Lucius Malfoy. Era impossível não reconhecer a cabeleira loira e o porte superior. Além do que, quem mais poderia estar por trás de tudo isso se não ele?
Se conseguisse fazer com que o homem se aproximasse mais... Só uma provocaçãozinha..., um plano começava a surgir no fundo da mente de James, onde também tremulavam as imagens de um Sirius com o braço direito fraturado num ângulo esquisito, algumas costelas em igual estado e o pior, a clavícula estilhaçada.
Bem, ele precisava agir logo. Imediatamente.
- Derrota? – sua voz prorrompeu o ar, que absurdamente não era cinza, e para espanto do próprio dono, ela não parecia ser sua – Acha que não me certifiquei de mandar tudo o que aconteceu aqui para a central? Não seja imbecil! – ele sentiu o ódio se concentrar em seu estômago e rasgar-lhe a garganta com a última frase proferida.
Sirius começou a cuspir sangue.
Mais rápido James...
- Pelo jeito você não sabe o que é derrota Malfoy – continuou sarcasticamente, percebendo que Lucius se postava mais rígido que o usual e a careta de desprezo era substituída pela de raiva e, um traço de medo – Quando seu querido chefinho souber que informações extravasaram daqui... – não necessitou prosseguir, na verdade, não pode prosseguir.
Era sua vez de cuspir sangue.
Merda... Como se colocaram nessa situação? Desarmados, imobilizados e cercados por um bando de bastardos que nem pensavam, que não tinham nem um por cento da inteligência deles.
- Claro Potter – Malfoy voltara a se afastar, enquanto James praguejava a si mesmo e não pôde evitar se perguntar: onde haviam errado?, a invasão fora milimetricamente perfeita, ele e Sirius eram imbatíveis e por Deus!, onde haviam errado? – Quem morre primeiro: você ou a sua namorada?
- Namorada é o teu cú filho da puta! – Black encarava Lucius como se este fosse um verme sujo, gordo e nojento com três cabeças, até voltar a respirar com dificuldade e ter que expulsar o líquido vermelho pela boca.
Se Malfoy estava chocado, ou se simplesmente acreditou que o rompante de Sirius não era dessemelhante do interesse que uma formiga despertava para um caminhão no meio do trânsito, ele não demonstrou. O que não se pode dizer de James, que no primeiro instante ficou chocado e no seguinte também, até num terceiro conseguir se pronunciar.
- Obrigado Six, pensei que aquela noite havia sido prazerosa e significativa para ambos, hunf! – e empinando o nariz com o rosto pintado de mágoa, como se não doesse agir assim, ele encarou a parede de vidro à direita.
- Ahhh Jimmy, não fique assim... – Sirius soltou um muxoxo e se não houvessem coágulos em seu nariz, sua voz poderia até estar num tom meigo e doce – Mas esse é o nosso segredinho – piscou o mais charmosamente que seu estado deplorável lhe permitia.
Se a situação fosse desenhada, muitos corações e flores estavam soltos pelo ar.
- Meu Siricutico go-to-so – Potter havia girado suas feições transbordantes de amor para seu ahm, amante e este, desprendia beijinhos no ar.
- Sabe aquela cama... – começou completamente malicioso e ousado, uma das orbes castanho esverdeadas a piscar encoberta pela lente estilhaçada de seu óculos, e mesmo assim não tornando menos evidente o gesto carregado de flerte e segundas intenções.
- CHEGA! – Lucius que era normalmente tão pálido quanto um papel, estava tão rubro quanto uma pimenta.
James e Sirius lhe fitaram aborrecidos.
Numa reconciliação amorosa, nunca, mas nunca!, interrompa os pombinhos.
- Olha loira, se você quiser um, pode se juntar a nós. Nosso relacionamento é bem aberto – Potter quebrou o silêncio e Sirius anuiu pesadamente.
- No nosso ninho de amor sempre cabe mais um – completou e Malfoy não interrompeu o contato visual sobre Black, ainda estava corado, só que era provável que dessa vez fosse mais devido à hostilidade do que à vergonha, talvez...
- Calem-se! – bradou e resistiu à vontade de massagear as próprias têmporas, além de se sentir pior ao reparar as imagens luxuriosas que tomavam formas quentes, e com poucas roupas e nada ortodoxas, em sua cabeça envolvendo aqueles dois... aqueles dois...
Ele precisava sair dali.
- Matem esses... – ele desviou o olhar da dupla e resistiu ao ato de engolir em seco -... Idiotas – findou a própria ordem e sem pensar duas vezes, se retirou.
Ao verem o que aparentava ser o chefe ali, dar-lhes as costas, os marotos se fitaram esperando que pudessem arranjar uma solução para o caso.
- Eu devia ter bebido mais – deixou escapar Sirius e James concordou.
Eles estavam desarmados, com cada milímetro de seus corpos doloridos, surrados, fraturados e feridos, e estavam amarrados nas colunas (de novo) cinzentas que irrompiam imponentes no meio do salão.
Os capangas se posicionaram a frente da dupla de policiais com suas armas em riste. E mostravam uma alegria louca em ceifar a vida dos rapazes, felicidade que poderia nem ser tão demente assim, já que aqueles dois haviam aniquilado muitos dos amigos daqueles homens.
Antes que qualquer bala caísse sobre os marotos, um ribombar ensurdecedor estilhaçou o vidro de cor modorrenta acima das cabeças de todos.
A seguir eram tiros advindos das mais improváveis direções. Era o caos, pior do que morrer perfurado por inúmeras balas era morrer por acidente devido aquela confusão.
James e Sirius se contorceram para se esconder atrás de suas respectivas colunas, as quais lhes mantinham cativos.
- O que é isso? – Potter conseguiu se fazer ouvir acima daquela bagunça.
- Oras Prongs, me admira você não saber o que é isso... – Black ainda tinha humor para esbanjar.
James fez uma careta quando algo quente e que zunira como uma abelha africana ameaçadora, raspou-lhe a bochecha. Sofrera um tiro de raspão. Não que lhe incomodasse. Existiam coisas maiores com as quais se preocupar.
A poeira, que se desprendia das paredes e colunas de concreto, dificultava a visão, o que ratificava a sua opinião de que a ação estava fadada ao fracasso, independente do executador da mesma ser inimigo ou amigo.
E tão repentino quanto começou, a contenda terminou, para espanto e julgamento altamente crítico de James.
Cacos de vidro se misturavam com os corpos imóveis, como conchas do mar perdidas em meio à areia da praia. O ar estava carregado de um odor que fundia cimento à pólvora.
Era o cheiro da morte.
E eles haviam escapado dela.
James ainda conseguiu captar passos, ordens e estáticas vindas de algum aparelho qualquer, se para ele estava difícil respirar, imagina para Padfoot com todas aquelas contusões e fraturas!
Exasperado James se contorceu debaixo das amarras e no primeiro segundo verdadeiramente desesperado, visualizou um Sirius inconsciente sendo solto por uma sombra negra.
Antes que pudesse gritar, a insígnia da força policial lhe inundou a visão o fazendo compreender que era um de seus colegas. Sentiu que podia respirar normalmente e que aquela parede acizentada era até... simpática.
Já livre da coluna por outro policial, massageando os pulsos e sendo enfático com outro que poderia andar sozinho, ele perguntou:
- Quem está no comando? – e odiava ser ignorado, seus homens nunca eram assim.
Só existia uma pessoa cujo batalhão procedia dessa maneira, ante tal possibilidade seu corpo se rebelou em aceitá-la.
Contudo, James não ficaria tanto tempo sem uma resposta.
- Quem mais, ô super herói? – a voz dela estava mergulhada em sarcasmo, em um divertido sarcasmo – Só pode ser eu – Lily Evans lhe sorriu acabando de acomodar sua arma no coldre e mirar-lhe através daqueles olhos verdes que mais queimavam do que brilhavam.
Merda, ela ficaria se vangloriando por ter salvado sua vida até o fim dos tempos.
Uma semana depois...
- O senhor não pode fazer isso! – James atravessava o escritório de Moody com ímpeto, suas pernas lhe desobedecendo, seus músculos rijos de tanta aflição.
- Ponha-se no seu lugar Potter! Eu sou seu chefe e estou lhe dizendo que você está afastado do caso! – Moody encarou James a contragosto, nunca vira um policial tão impertinente.
- E dará o caso pra quem? – James parou em frente à mesa e colocara uma das mãos sobre a mesma, sufocando de desespero - Pra ela? – arrematou não mais alto que um sussurro, com a dignidade com que se fala sobre um mosquito.
- Dou o caso para quem bem entender – Moody se postara de pé e muito mais corpulento e determinado que seu subalterno, ele sim, era amedrontador, James inconscientemente se encolheu e retornou para a poltrona que era destinada aos visitantes.
- Agora, volte para sua folga – Moody abanou as mãos para Potter e voltou para seu lugar de chefe do departamento sem olhar para seu "visitante" mais uma vez – E não se esqueça: vigilância constante.
Prendendo um suspiro e outro argumento ousado, James se retirou de cabeça rebaixada.
- Não foi tão ruim assim, foi? – Remus lhe interpelou a dois metros da porta do chefe.
- Diga isso depois que eu pegar a sua parceira... – James disse maldosamente entre os dentes apertados e voltou a transformar os lábios numa linha.
Potter nunca pensou que fosse querer tanto imprensar alguém contra a parede, no sentido policial, não no pervertido, claro. Ele nunca iria querer algo assim com aquela… aquela…
- Não acho que ela permitiria que você a pegasse... – Peter se juntou aos dois no caminho para o refeitório do prédio, retirando de James o dever de encontrar o adjetivo ideal para completar aquela.
- Você não devia estar transcrevendo os relatórios? –Lupin repreendeu, ao constatar que era mesmo o Peter que estava ali e acabara de se manifestar.
Pettigrew deu de ombros.
Diferente dos três amigos, Peter não realizava batidas, ele era o escrivão e tantas outras coisas que Moody determinava dependendo do seu humor.
Ele perdia a diversão, segundo Sirius, e era poupado de dores de cabeça, segundo Remus.
- Quando Padfoot estará de volta? – Remus, com tato, mudara de assunto.
- Os médicos disseram que daqui a duas semanas... Novinho em folha – respondeu James, prontamente desanuviando suas feições e restabelecendo sua veia humorística – E sem pulgas.
- Podemos fazer uma festa de acolhida – comentou Remus ao adentrarem o refeitório, que devido ao horário, estava tranqüilo e silencioso.
- Só se tiver álcool, caso contrário Pads vai dar um jeito de entrar em coma – contrapôs James ao encher seu copo de café, extremamente quente e concentrado.
- E como vamos levar álcool para o hospital? – indagou, confuso, Pettigrew.
- Se é acolhida, significa que ele estará fora do hospital Pete – Remus disse com muita paciência e tomou um gole do seu chá, recomendação médica para lhe diminuir o nível de estresse e cafeína no sangue, James e Sirius nunca seguiam as ordens médicas.
Eles se calaram, cada um imerso em seus próprios mundos, problemas e preocupações. James soltou um impropério ao queimar a língua.
- E você Prongs? Vai ficar sem parceiro? – Remus despertou de suas conjecturas e se virou para o amigo, com uma ruga de interesse na testa.
James encarou Remus como se o tivesse visto pela primeira vez, quando a verdade era que nem havia pensado nisso. Estava tão abalado com o seu afastamento do caso (e o de Pads), que esquecera completamente que não tinha um parceiro.
- E pode? – Peter falou, já que James se abstinha.
- Claro que não. Superman vai ser o meu parceiro – um aguaceiro parecia ter sido despejado sem piedade sobre James.
E aquela voz, era o trovão ribombando em seus tímpanos.
Lily Evans sorriu, vitoriosa pela segunda vez em tão pouco tempo.
James esboçou uma careta de sorriso.
N/A: Cacto-sama! Vc gostou? Mt importante que vc goste. N se preocupe que o Six 'tá vivo e sempre terá seu espaço nos próximos capítulo, mesmo estando no hospital BD
Tb estava morrendo de saudades! Quédi sua att hein? Vc tem que postar Cacto-sama, pra começar 2012 com o pé direito! E satisfazer nosso vício, claro
Jaque Weasley
