Capítulo 02 – O primeiro encontro é sempre um mistério
-A menina mistery está atrasada...
-Ela deve ter ficado depois da aula, oniisan!
-Ou está fugindo do encontro com Freyr – ri Fenris
-O que acha, Loki-tama? – arrisca Ecchan.
Loki se mantinha sério, olhando através da janela.
-Ela está mais bonita, hoje.
Os três se voltam para a entrada da mansão, onde uma jovem de cabelos rosados, gentilmente seguros por duas fivelas, e num leve vestido vermelho de flores brancas, segue em direção à porta.
Mayura espera Yamino lhe atender, nervosa. A que horas Freyr passaria? Ele mal decidira um horário...! Será que já estava lá? De qualquer forma, tivera que passar em casa e se arrumar. Ainda trouxera seus cadernos, estudaria enquanto ele não chegasse.
Por que Yamino demorava a atender?
-Konnichiwa, Mayura!
A menina arregala os olhos rosados, diante da recepção de Loki. Ele lhe sorria gentil e ao mesmo tempo, lhe causava um arrepio, quase um tremor por todo o corpo...
-Loki-kun...! – ela sorri, escondendo sua surpresa.
-Venha, vamos estudar logo antes que Freyr chegue.
Sem mais ou qualquer menor explicação, Loki se vira, a forçando o acompanhar até a mesa da sala de jantar. Ele se senta e pede que faça o mesmo, ao seu lado.
-Bem, agora vamos ver onde você está errando...
-Ah... Hai, Loki-kun!! '
Mayura arrisca um olhar sobre a face do garoto ao seu lado, ainda curiosa sobre a repentina atenção de Loki. Talvez ele não quisesse mais vê-la reclamando... ou quem sabe, não quisesse perder sua assistente por um mês de aulas extras!?
-Mayura, concentre-se.
-Gomen ne, Loki-kun.
-Se tem algum outro problema, me diga de uma vez!
-Ah... não é nada, Loki-kun... – Mayura sente aqueles olhos verdes a fitando, mesmo que não virasse o rosto.
Da última vez em que não dissera o que lhe incomodava, Loki-kun havia brigado com ela. E quase ido embora depois...
Mas agora, tantas coisas a incomodavam. Coisas que ela mal sabia entender, sequer nomear.
-Então está bem, Mayura.
-Loki-kun...
-Hai.
Ela se vira, confrontando aqueles olhos tão sérios. Como poderia ser apenas um menino? Quantos anos aparentava: oito, nove, dez no máximo? Não! Era mentira! Ele era mais que um menino... alguma coisa dentro dele gritava isso.
E ela ouvia, quando ele a olhava assim.
-Loki-kun... bem... é que eu pensei, que... que não quisesse que eu estudasse aqui...
-Eu disse que não entendia por quê de você e Narugami-kun estudarem aqui, mas se precisava tanto de ajuda, podia ter pedido antes. Narugami-kun não conseguia lhe explicar nada, não é?
-Iie...
-Foi o que pensei. – ele sorri, se voltando para os cadernos.
Um breve silêncio passou, enquanto olhavam para os números que não faziam nenhum sentido dentro de seus pensamentos.
-Foi por isso que aceitou sair com Freyr? Para ele ou Kazumi-san te ajudarem?
-Iie! –Mayura se virou, vendo um Loki concentrado na leitura do problema. Como podia explicar? Nem ela entendia... – Demo...
-Sou ka.(Entendo)
Ele continua a passar os olhos sobre a página, encerrando o assunto. Talvez fosse melhor que não falasse mais nada. Não tinha o direito de se intrometer, não de uma forma direta, claro.
Afinal, ainda era o deus Loki, senhor de truques e trapaças...
-Acho que vou aprender mais se você me ensinar, Loki-kun!
... e que mesmo assim, não teria qualquer truco capaz de fazer tudo que ela faz contra sua razão, numa única frase.
-Konnichiwa, minna!
-Reya-san!
-Hai, Yamino-san! Loki-kun está?
-Está estudando com a Mayura-san na sala de jantar.
-Arigatô!
Ela entra, sem maiores rodeios.
-Hi, Loki-kun, Mayura-chan!
A pequena de cabelos castanhos entra na sala, notando uma Mayura muito vermelha com os olhos risonhos pra ela. Mas seu querido Loki-kun parecia não ter notado sua entrada.
-Hi, Reya-chan! Veio me salvar dos estudos, neeee???
A menina ri do comentário de Mayura, fitando Loki. Ele devolve o olhar, ainda sem dizer nada.
Estaria ele a admirando???? A enganada deusa cora, sorrindo.
-Ah, konnichiwa, Reya-chan!
-Konnichiwa, Loki-kun!
Ela abre um sorriso ainda mais largo, se sentando ao lado de seu adorado. O que faria agora? Será que ele voltaria a fitá-la, mesmo com a presença de Mayura? Bem, Mayura era amiga deles, talvez Loki até já tivesse comentado com sua assistente sobre seus sentimentos por ela, Reya... Seria possível? Então, por isso Mayura ficara vermelha e Loki sem palavras quando ela entrou na sala??
-Ai ai!
Ela pôs a mão na boca. Deuses! Tinha suspirado alto! Com muita vergonha se vira para Loki...
-... mais atenção nessa parte, Mayura!
-Gomen ne, Loki-kun!
Estava sendo totalmente ignorada.
-Loki...-kun...
-Ah! Gomen ne, Reya-chan! Isso deve ser bastante chato pra voce!
-E pra mim também...
-Pare de reclamar, Mayura! Ou vai errar o exercício de novo!
Reya observa, como se fosse um objeto da mesa, testemunhando mais um dos bicos de Mayura, mais um dos olhares sérios de Loki, mais uma típica cena dos dois...
Algo dentro dela se remexe, como se quebrando uma barreira dentro da sua mente. Parece que vai explodir!
Mas um som delicado, vindo de fora, lhe rouba toda a atenção.
-O que é isso?
Loki caminha até a entrada, abrindo as cortinas. Logo os três podem ver o porquinho Gullinbursti de Freyr, buzinando numa pequena flautinha, uma antiga canção européia, a qual o deus canta emocionado para sua Yamato Nadeshiko, que, infelizmente e obviamente, não entendia nada que aquele ser dizia naquela língua tão estranha.
-Seu encontro chegou, Mayura.
-Ahn?
Loki pede que Yamino abra a porta, enquanto sorri levemente para Mayura. Realmente, ela está mais bonita hoje.
Embora, toda aquela empolgação de Freyr a estivesse atordoando... talvez não fosse de todo mal se ele vigiasse um pouco os dois.
-Humf! – virou o rosto, vendo a menina sair para o jardim de entrada. Não seja infantil, Loki!
Volta os olhos para a janela, vendo Freyr parar a música ao meio, engolindo a seco na visão de sua "Yamato Nadeshiko".
Daquele jeito estabanado, era bem capaz dele assustar ela, logo no primeiro encontro. Loki sorri, sem perceber, com a fatalidade da idéia. E decide então que não perderia a chance de ver essa história...
Soava como uma boa desculpa.
-Yamato Nadeshiko!! Freyr cantava pra sua amada uma canção de amor de sua terra!
-Ah... domo arigato, Kaitou-kun. "
-Isso... isso é pra Yamato Mayura Nadeshiko!
Mayura quase cai pra trás, surpresa. O que ela faria com uma caixa daquele tamanho, cheia de abóboras?
-Yamato Nadeshiko gosta?
-Ah, hai! Hai! Arigato, Kaitou-kun...
Silêncio. Freyr a fita, envergonhado. Atrás dela, Yamino, Fenrir, a menina Reya e até Ecchan observam atentos à cena.
-Ah, que coisa mais romântica!
-Aonde você pensa em levar a senhorita Mayura, Freyr?
-É! Ela é amiga do daddy, por isso tome muito bem conta dela! – rosna Fenrir.
-Hehehe! – Freyr coça a cabeça, ainda mais envergonhado. – Freyr planejou um passeio e um jantar romântico para a Yamato Nadeshiko! A carruagem que vai nos levar está logo ali!
O jovem deus aponta para rua onde uma linda carruagem, puxada por um elegante porquinho rosa de smokim, e um irritado deus caolho de chocheiro, que bufava mil maldições em todas as línguas que podia.
-Ah! Que lindo! – suspira Reya.
-Tenho certeza que Mayura-san irá gostar. – afirma Yamino.
-Mas onde está Mayura-san? – diz Ecchan.
Freyr olha para os lados, atônito. Mayura estava logo ali... ele faz um bico, quase pronto para chorar que nem um bebê...
-Ela deve ter ido se despedir do Daddy!
-Espere um momento que vou chamá-la, Freyr-sama.
Ela fecha o caderno, lenta e pensativa. Bem, não há nada mais normal que se sentir ansiosa no primeiro encontro, né?
Segura firme os cadernos contra o peito, soltando o ar num alívio.
"Loki-kun... gomen ne por sair assim..."
-Hei, Mayura.
-Loki-kun!
A menina cora, de ímpeto. E se ele lesse pensamentos? Bem pela cara de não estar entendendo sua reação, parece que não...
-Kaitou-san não está lá fora?
-Hai, mas eu estava juntando meu material para levar. Acho que depois do encontro ele vai me levar em casa.
-Sim... é o mais provável. Mas não se preocupe com seu material. Eu os levo para sua casa mais tarde. Agora vá se divertir em seu encontro.
Loki recolhe os cadernos de seus braços, sorrindo.
Os olhos verdes a afundando por dentro. Vazio. A falta daquele peso em suas mãos. Um grande e imenso vazio.
Por que o sorriso dele sumiu, de repente?
Por que ele está a observando, como... como ela a ele?!
Os olhos vermelhos que ela viu uma única vez. Os olhos verdes que a fita todos os dias. Aquele olhar que agora a faz tremer...
-Arigatô, Loki-kun!
E ela corre para fora, para o seu encontro.
Loki ainda fica alguns segundos estático, se perguntando o que foi que aconteceu ali.
