CAPÍTULO DOIS

A NOVA ORDEM DA FÊNIX

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MOLLY WEASLEY TRATOU DE AJEITAR algumas coisas na casa para que ao menos pudessem ter uma noite suportável. Enquanto Fleur Delacor tentava preparar uma refeição para todos, embora não estivesse obtendo grandes sucessos em seu Risoto Francês com Cogumelos ao Molho de Abóboras, Molly lançava feitiços em toda a casa para eliminar toda a poeira dos cômodos. "Aprendi este feitiço com uma velha conhecida. É simplesmente fantástico, Hermione!" – dizia ela enquanto Mione e Gina iam tentando lhe ajudar. Harry e Rony simplesmente jogavam Snaps Explosivos e Lupin parecia aflito quando, apoiado na janela da frente da casa, conversava com Arthur e Gui sobre a demora de Tonks e os gêmeos Weasley.

- Eles estariam aqui às onze, no mínimo, se tudo ocorresse bem, meu caro Arthur- dizia Lupin com certa preocupação – Acha que pode ter acontecido algo? Veja só! Já são onze e quarenta. Daqui a pouco viramos o dia e eles ainda não apareceram.

Arthur e Gui refletiam a expressão preocupada de Lupin em suas faces, mas quando se preparavam para dizer algo Lupin viu os três desaparatarem do lado de fora da casa.

- Vejam! – disse Arthur aliviado – são eles!

- Até que enfim! – exclamou Gui

- Harry, vá lá fora contar a Tonks, Fred e Jorge sobre o segredo da localização da casa. – disse Lupin enquanto os três, do lado de fora, tentavam achar vestígios de onde a casa poderia estar – E acompanhe-o, Rony!

Harry e Rony saíram, não muito felizes por terem de interromper o jogo, e logo Harry sussurrou no ouvido de todos a localização da casa.

Finalmente, à meia-noite em ponto, quando todos estavam à mesa esperando o demorado jantar de Fleur, Harry teve de interromper novamente o que estava fazendo para atender a McGonagal, em forma felina, que esperava ansiosa na frente da casa pelo Segredo. Após voltar a forma humana, McGonagal conversou com Harry.

- Potter... Que bom revê-lo! – disse McGonagal abrindo um largo sorriso, embora não pudesse deixar de transparecer um ar cansado em sua voz – Mas diga... É você o Fiel Segredo?

- Sim, bem... acharam que... – dizia ele

- Concordo plenamente com a decisão! – disse ela, ainda com o sorriso na cara. – Mas me diga...

E Harry forneceu a exata localização da casa, entrando junto com McGonagal para saborear o quase-Risoto-Francês-com-Cogumelos-ao-Molho-de-Abóboras de Fleur.

- Esperro que gostem do rrefeiçon que prreparrei. – ela dizia um pouco decepcionada com o resultado da refeição à mesa.

Harry perguntou-se se deveria mesmo comer aquilo, mas para não deixar Fleur ainda mais sem graça, comeu um pouco. Todos pareciam pensar o mesmo, embora nenhum dissesse isso. Após o jantar, todos foram dormir, exceto Harry, Rony e Hermione, que se reuniram para conversar no quarto dos garotos.

- Inteligente o Dumbledore, não? – espantou-se Rony

- Muito... – disse Harry com um bocejo de sono e certa tristeza na voz – Mas fico me perguntando como ele teria conseguido fazer aquilo, quero dizer, como ele sabia que morreria naquela noite?

- Ele não sabia, Harry! – explicou Hermione – Você não entendeu até agora?

- Não! – responderam Harry e Rony juntos

- Dumbledore provavelmente, antes de sair com você, criou uma cópia grotesca do medalhão propositalmente e ocultou o bilhete que deixara a você colocando um outro direcionado a Voldemort – e Rony a olhou espantado quando ela pronunciou o nome – para disfarçar, caso tudo desse errado. Quando ele recuperou o verdadeiro, colocou no bolso interno de suas vestes, por segurança. – e os dois garotos ainda não pareceram entender muito bem – Desta forma, se alguém o matasse, mataria também a alma de Voldemort contida no medalhão em forma de um Horcrux, uma vez que o Avada Kedavra destrói todo tipo de vida existente em algo. Quando o feitiço atingiu Dumbledore, atingiu também o medalhão, e destruiu a alma de Voldemort que residia ali. – e ela movimentou a sobrancelhas como se dissesse "Entenderam agora?" – Dumbledore sabia que, se fosse morto, você procuraria no seu bolso e ao encontrar o medalhão, encontraria também o recado, e ele contou também que você fosse lembrar das palavras que ele disse no primeiro dia de aula. Caso você não mexesse no corpo, algum Comensal poderia encontrar o bilhete e entregar a Voldemort, que começaria a procurar freneticamente por este tal de R.A.B., já que não saberia da face oculta do bilhete, uma vez que não descobriria nunca as palavras certas. – e ela deu uma pausa – Caso ele não morresse, ele destruiria o medalhão verdadeiro da mesma forma e você nunca teria visto a grotesca cópia.

- Dumbledore me protegeu até no último instante de sua vida. – disse Harry com culpa na voz

- Como assim? – perguntou Mione que agora parecia ser a que não entendera nada

- Ele colocou um bilhete dizendo que R.A.B., alguém que ele inventou, roubou o verdadeiro Horcrux. Se ele não colocasse nenhuma assinatura, e Voldemort encontrasse o bilhete, ele provavelmente pensaria que eu estava com a Horcrux verdadeira e tentaria de todas as formas me procurar antes que eu, supostamente, a destruísse.

- É verdade! – exclamou Rony – Este foi definitivamente o maior bruxo que já existiu.

- Foi sim – disse Harry por fim

Após dizer boa-noite a seus amigos, Harry deitara e adormecera profundamente.

- Rony! Harry! – acordava Fred e Jorge

- Bom dia! – disse Harry sonolento e com os cabelos mais atrapalhados do que nunca

- Isso é hora para me acordar, seus... – reclamava Rony

- Mamãe está chamando para o café da manhã! – disse Fred – E disse que é muito importante que vocês desçam imediatamente. E... Mione também!

- Mas parece que Gina já foi chamá-la. – disse Jorge – O que eles podem estar querendo com vocês, hein? - ele fez uma expressão pensativa

- Não sei... – disse Rony bocejando – Só descendo para descobrir! – mas pela sua cara, ninguém diria que ele estava realmente com vontade de levantar da cama.

Os dois trocaram de roupa o mais rápido que puderam e desceram ao encontro de Molly, que os aguardava em torno da mesa (por sinal, repleta de delícias feitas pela Sra. Weasley para o desjejum) junto de Hermione, Gui, Lupin, Quim Shacklebolt, Dédalo Diggle, Tonks, Olho-Tonto Moody, McGonagal, Estúrgio Podmore e, por mais inesperado que fosse, Rúbeo Hagrid. Em sumo, todos – ou quase todos – os membros da Ordem da Fênix.

Fred, Jorge e Gina tentaram também descer as escadas, mas Lupin apontou a varinha rapidamente e murmurou algo que criou uma espécie de barreira – como uma parede - formada por pontos de luz azuis e brilhantes, impedindo-os de passar.

- Isso não vai adiantar, meu caro Lupin! – disse McGonagal convicta de suas palavras – Estou certa de que eles podem me ouvir

- Abbafiato! – disse Rony apontando a própria varinha para a barreira criada por Lupin

McGonagal ficou surpresa com a eficiência de Rony e abriu um leve sorriso.

- Como podem perceber – iniciou Lupin olhando para Harry, Rony e Hermione – aqui estão os membros da Ordem da Fênix.

- Sim, mas faltam o Sr. Weasley, Héstia Jones, Emelina Vance e Elifas Doge, se não me engano – disse Harry observando a todos.

- Claro, claro... – e ele deu uma pausa – Arthur está no Ministério, pois precisou chegar mais cedo hoje, devido a alguns problemas na seção de Detecção e Confisco de Feitiços Defensivos e Objetos de Proteção Forjados. Emelina, infelizmente... Não sei se viu no Profeta Diário, mas ela foi assassinada por um Comensal nestes dias...

- Ainda bem que não comentaram muito o caso dela, não é? – dizia Moody – Eu digo, poderiam suspeitar de algo, não? Por em risco a Ordem.

- Não acho, Moody... Mataram-na simplesmente por matar, quando ela voltava da casa de sua tia-avó doente... Pobre Emelina... – dizia Hagrid com um ar de preocupação – Estes Comensais da Morte... – e ele soluçou – Até mataram um bruxo como Dumble... – e parou de falar, colocando um lenço no rosto.

- Pois bem. – continuou Lupin – Héstia e Elifas estão numa missão para a Ordem, vigiando uma vila próxima onde surgiu a suspeita de que Comensais estavam rondando por lá às escondidas vigiando, ou observando algo. E Fleur, que você não mencionou – e Harry se sentiu desconfortável em relação a Gui e a ela por isso – também entrou na Ordem da Fênix e se mostrou bastante prestativa. Ela é uma garota corajosa e tem se mostrado bastante prestativa. Está neste exato momento em Gringotes, onde passou a trabalhar... Ela espiona lá, pois suspeitamos que existam movimentos de Voldemort ou Comensais envolvendo Roubos também... Afinal, Voldemort pode conseguir aliados atraídos pela gana de obter alguns galeões a mais.

Hermione olhava distraidamente para os alimentos sobre a mesa e pareceu murmurar algo do tipo "Aham... sei...".

- Harry, Rony e Hermione, – chamou McGonagal – sei que não são maiores de idade ainda, mas...

- Eu sou! – retrucou Rony

- Ok! Sei que não são todos maiores de idade – corrigiu ela -, mas acreditamos que agora, definitivamente, se faz necessária a entrada de Harry na Ordem da Fênix. Dumbledore se foi para sempre – e muitos sentiram uma pontada de tristeza quando a Professora McGonagal – e não há como evitar mais o duelo entre Harry e Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado, uma vez que todos nós sabemos que ele irá procurá-lo. Logo, Rony e Hermione, creio eu, devem entrar também, uma vez que Harry, de qualquer forma, irá incluí-los em tudo, como qualquer leal amigo faria. – Harry sentiu-se melhor ao perceber que estava definitivamente entrando na Ordem, Hermione gostou da idéia e Rony, apesar de também ter gostado, ficou com um pouco de medo do que isso poderia significar - Pois bem... Harry, existem coisas que você precisa nos esclarecer. – e ela fez uma pausa – Sei que sabe mais do que nós sobre Você-Sabe-Quem e sua relação com ele... Dumbledore não nos dizia muita coisa, mas agora que ele não está aqui, é preciso que saibamos! – Harry não pareceu gostar desta conversa, uma vez que tinha prometido a Dumbledore manter certas coisas somente entre eles – Sei que conhece mais, Harry! Não adianta dizer que não. E é por isso que precisamos saber, para ajudá-lo. – e ela aguardou que Harry dissesse algo, mas ele não pronunciou uma sequer palavra – E então? O que me diz, Harry?

- Bem... – e ele hesitou em falar, olhando para Rony e Hermione por vários segundos – Eu não posso dizer muita coisa, Professora, porque jurei a Dumbledore que não faria isso. Um dos outros motivos é que não posso confiar tanto algo que poderia ser essencial para o futuro sucesso da Ordem, se é que a senhora me entende. Snape nos traiu, matando o Professor Dumbledore, e vocês têm de concordar comigo que não só Snape, mas qualquer um poderia trair a Ordem sob pressão de Voldemort. Todos nós sabemos de como ele utiliza meios baixos para fazer as pessoas se unirem a ele. Eu não poderia contar muito, portanto.

McGonagal não ficou muito satisfeita com a resposta, mas não teve como discordar de Harry.

- O que você poderia nos contar então, Harry? – perguntou Lupin prestando atenção em cada gesto de Harry

- Bem... – ele olhou mais uma vez para os amigos - O que posso dizer é que devemos tomar muita cautela, pois nossa luta pode ser muito mais difícil do que esperávamos. E devo sugerir que não procurem apenas onde Voldemort está, pois ele pode estar em vários lugares... – ele falava vagarosamente, como se estudasse minuciosamente cada palavra que pronunciaria – Acho que devem procurar por Griffindor e Ravenclaw. É tudo o que tenho a dizer.

- O quê? – perguntou Tonks – Procurar pelo quê? – e ela olhou para todos na sala – Harry, tem certeza de que está bem... Talvez esteja sofrendo alguma depressão ou tenha batido a cabeça, ou...

- Tenho perfeita noção do que digo, Tonks – disse Harry calmamente – Sigam o que digo... Apenas isso.

Todos permaneceram em silêncio tentando entender o que Harry acabara de dizer. Pode estar em vários lugares? Procurar Griffindor? Harry só podia estar brincando com a cara deles, embora ninguém ousasse duvidar de suas palavras.

- Ah! – exclamou Harry – E peço também que de forma alguma travem um duelo com Voldemort. Não duelem com ele. Ele está demasiado forte para vencê-los ou, no máximo, sobreviver. Tenho certeza absoluta de que não conseguirão destruí-lo, portanto, por favor... – e ele achou que todos o olhavam como se ele fosse um maluco – Não fiquem muito próximos a ele. Pelo menos por enquanto.

E todos pareciam ainda mais confusos. Lupin e Hagrid eram os únicos que pareciam acreditar que Harry estava plenamente consciente do que estava dizendo, além de Rony e Mione, é claro.

- Harry... – continuou McGonagal – Mas ainda não entendi muito bem o que quer dizer. Não faz sentido algum.

- E por acaso você vê sentido em tamanha maldade de todos estes Comensais e de Lord Voldemort? – e Harry, por um instante, sentiu-se tão sábio quanto Dumbledore ao perguntar aquilo a McGonagal, que ficou em silêncio – Não precisa fazer sentido. Apenas siga o que eu disse e tudo ficará bem.

A reunião se encerrou com um brinde – apesar de não haverem cervejas amanteigadas para brindar - à entrada de Harry, Rony e Hermione à Ordem da Fênix. Todos se sentaram à mesa e Rony interrompeu o Abbafiato na barreira – onde Fred, Jorge e Gina aguardavam emburrados – que também foi desfeita por Lupin antes que ele sentasse à mesa.

- Poxa! Isso é uma injustiça... Nos excluir de uma reunião tão importante! – dizia Fred – Aposto que era algo sobre a Ordem da Fênix!

- E Fred! – dizia Jorge – Temos de melhorar nossas orelhas extensíveis! A barreira de Lupin barrou a passagem dela! Você não disse a um cliente que ela passava por barreiras de feitiços?

- Disse! – disse Fred – Para convencer o cara, não é Jorge! – e a mãe dos gêmeos olhou com desaprovação enquanto eles diziam isso e sentavam-se a mesa, ao lado de Gina Weasley, que mantinha a cara emburrada deste que fora barrada por Remo Lupin na escada.

Os resto do desjejum ocorreu normalmente e Harry e seus amigos tiveram um dia tranqüilo e descontraído. Fred e Jorge resolveram mostrar-lhes as novas invenções Geminialidades Weasley: Varinhas Solta-Moscas, que soltavam moscas que atacavam quem tentasse usá-las; Bombinhas Encantadas, que seguem os pés das pessoas para explodirem quando o encontrarem; e o Falso Uniforme de Hogwarts, que ao ser pronunciada a frase "Face o Disfarce!", o uniforme virava alguma fantasia sortida.

- Acho que estamos sofrendo de falta de criatividade! – lamentou-se Fred a Jorge

- Que é isso! – disse Harry tentando animá-los – Estão muito legais estas suas invenções! – mentia, já que não via nelas tanto prestígio quanto as anteriores, como os Kits Mata-Aula e as Orelhas Extensíveis.

- Super Legais! – mentiu Rony - Veja estes uniformes, por exemplo! Super reais. Ninguém notaria a diferença se usássemos na escola.

- Isto é... – dizia Hermione – Se é que Hogwarts voltará a funcionar – lamentava-se ela.

- E como ficariam os NIEM's? – perguntaram Fred e Jorge

- Ah! – reclamava Gina – Pior os meus NOM's! Fiquei o ano todo me preparando e não houve testes! E pior: se não abrirem a escola, nem sei se haverão!

- Calma, Gina! – dizia Jorge – Pense pelo lado positivo! Imagine só se eles abrem a escola e, melhor ainda, pulam vocês dos NOM's? Seria fantástico passar para o sexto ano sem aquelas provas chatas para receber apenas um certificado idiota de Nível Ordinário de Magia. Grandes coisas isso aí...

- E sobre a loja, como ficarão? – perguntou Harry a Jorge e Fred

- Estivemos pensando e não vamos abrir a loja se não abrirem Hogwarts... – disse Fred se lamentando – Mais da metade dos nossos clientes são alunos de Hogwarts e alguns dentro da outra metade são conhecidos de alunos de Hogwarts. Ou seja, se a escola fechar, ninguém irá comprar no Beco Diagonal e não haverá motivo para abrir a loja...

- Ficamos muito tristes com esta decisão, mas é a única opção se não queremos quebrar de vez – disse Jorge.

Harry, Rony, Gina e Hermione também lamentavam pelo triste fim que a Loja de Logros e Brincadeiras de Fred e Jorge poderia levar.

A semana seguinte seguiu tranqüilamente. Excetuando o fato de que Rony empolgara-se em realizar feitiços fora de Hogwarts e não parava de encontrar oportunidades para tal. Chegara a tentar enfeitiçar até mesmo o imenso quadro da Sra. Black, mãe de Sirius, que passou a gritar ininterruptamente até que Rony a silenciasse com um feitiço de bloqueio de som que ele finalmente encontrara num dos livros de feitiços da série anterior, chamado Silencio – como se pudesse ser mais óbvio que isso. Hermione se prontificara a ajudar Molly na arrumação da casa que não envolvessem feitiços – pois não podia realizar magia fora de Hogwarts - e Harry conversava o tempo todo com Fred, Jorge e Rony – quando ele não estava enfeitiçando algo – sobre Quadribol. Gina, por sua vez, tivera uma péssima semana, uma vez que não reatou nada com Harry e sofria muito por isso. Embora Harry não demonstrasse, para ele também estava sendo difícil se conter contra o sentimento de voltar a namorar Gina Weasley, mas sabia que isso a faria correr muitos riscos e, definitivamente, não queria isso. Hermione, em horas que não ajudava Molly, aproveitava para conversar com os dois ou praticar seu mais novo hobby – criar feitiços.

- Acho que este mereceria três voltas anti-horárias... – dizia ela sozinha, enquanto imitava com a mão direita o movimento, pensava no feitiço e uma Pena de Repetição anotava tudo – com um diâmetro de aproximadamente dez centímetros na ponta da varinha... Não, não! Risque isso! – ela deu uma pausa enquanto fazia alguns cálculos mentalmente -... Diâmetro de aproximadamente doze centímetros na ponta da varinha e um impulso com a varinha na direção desejada. – e ela ia se recordando de tudo o que dissera – Ah, sim! E os dizeres, Mobile Limpa Incantaten. Perfeito!

E ela olhou para o papel como se admirasse um grande feito...

"E não me lembro de como elaborei o feitiço se sumiço sugador..." – pensava ela...

- Ah, sim! – e voltou a dizer à pena – Aponta-se o alvo a no mínimo uma distancia de um metro e se diz Sugari... E uma observação – e ela pôde ver a pena escrever "OBS:" – Criado somente para líquidos e objetos extremamente pequenos e em grande quantidade, como sujeiras. Posteriormente deve-se dizer Exugari, para expulsar o conteúdo em outro local (lixo). – e a pena terminada perfeitamente de escrever todas as ordens para se realizar um perfeito feitiço de limpeza completa que Hermione desenvolvera para facilitar o trabalho de Molly...

- O que está fazendo, Mione? Outro feitiço? – perguntou Rony roubando o pergaminho das mãos de Mione

Mione ficou furiosa, mas não fez nada, deixando que Rony tentasse o feitiço:

- Mobile Limpa Incantaten! – e nada aconteceu, provavelmente porque ele não lera as regras direito, mas a única coisa que houve foi uma pequena faísca que pulou a varinha do garoto. – Este feitiço não está com nada, Mione!

- Claro que está! Espere só para ver seu resultado! – e ela o encarou – Sra. Weasley! – chamou ela em voz bastante alta – Molly!

- Chamou, querida? – indagou ela ao aparecer na sala extremamente suja e atrapalhada em que Mione e Rony se encontravam

- Quero que teste um feitiço para mim e garanto que acabará com seus problemas! – disse Mione – Acredito ser muito mais útil que seu feitiço de tirar poeira, Sra. Weasley... – e Molly fez uma cara de desconfiança, prestando atenção no que deveria fazer – O que deve fazer, é girar a varinha três vezes no sentido anti-horário num círculo de uns 12 centímetros de diâmetro e dizer Mobile Limpa Incantaten... Uma bolinha de luz amarela vai se formar na ponta da varinha, então aponte de supetão a varinha para o cômodo e o feitiço estará feito...

Molly pareceu duvidar, mas tentou e não conseguiu nada de primeira... Nem de segunda... E na terceira vez, quando estava descrente do poder do feitiço, enquanto ela ia dizendo as palavras e girando a varinha, uma bolinha luminosa amarelada ia surgindo na ponta da varinha. Então ela apontou o centro da sala e a bolinha rapidamente voou em direção ao local em que Molly tinha apontado. A bolinha luminosa explodiu originando milhares de pontos de luz amarela que começaram a voar rapidamente por toda a sala, revirando objetos, móveis, enfim, tudo e colocando-os no lugar certo. Ao término de exatos 5 segundos contados a partir do "lançamento" da bolinha luminosa da ponta da varinha de Molly, tudo estava limpo e em seu devido lugar e, no alto, próximo ao teto, várias partículas de sujeira, poeira e lixo pairavam no ar, levitando.

- Agora diga Sugari, Sra Weasley, apontando para a sujeira! – e a Sra. Weasley fez como Mione sugeriu e toda a sujeira que ali estava, foi sugada para a varinha da Sra. Weasley. – Não realize nenhum feitiço agora, Molly, pois senão toda essa sujeira vai sair junto com ele espalhando-se por todo o lado... Você deve apontar para o lixo e dizer Exugari, colocando toda a sujeira lá dentro. É bem eficiente

Molly saiu super satisfeita, sorrindo de uma orelha a outra, pronta para jogar a sujeira na lixeira.

- Lupin! Você precisa ver as habilidades de Hermione em criar Feitiços... Sinceramente, acabo de presenciar o mais útil feitiço doméstico que já vi! – e saiu rumo a lixeira, ainda rindo.

Lupin não disse nada, mas Hermione ficara realmente feliz com o feito.

A semana seguinte continuou tranqüila... E Harry sabia que seria sua última semana antes de ter de voltar para a casa dos tios para um longo mês de férias até a data de seu aniversário, no último dia do mês de Julho. Por vezes pensara em não ir, mas lembrava que tinha prometido a Dumbledore que voltaria para adquirir mais forças e proteção contra Voldemort.

Logo na segunda-feira desta semana, quatro corujas pousaram do lado de fora da casa dos Black e Moody imediatamente saiu para recolher as cartas. Para a surpresa de Harry, Rony, Hermione e Gina, eram cartas de Hogwarts, que noticiavam o tão esperado destino da escola em uma carta nada pequena.

Harry respirou fundo e começou a ler a carta vinda de Hogwarts,

Prezado Estudante de Hogwarts,

Devido a uma série de acontecimentos no Mundo da Magia, Hogwarts se viu no dever de retornar com os alunos duas semanas antes do previsto, como presenciado por grande maioria dos estudantes.

Os terríveis acontecimentos não cessam, e reconhecemos isso. Acreditamos que o Mundo da Magia nunca esteve tão pior antes, e é por este motivo, que enviamos esta carta, para informar-lhes que a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts estará funcionando normalmente neste próximo ano letivo.

Sabemos que devem estar confusos sobre o que pensar sobre esta decisão, mas acreditamos que seja um local ainda mais seguro e, além de tudo, que conta com a presença e colaboração de uma equipe de professores preparados para defender a escola até o último minuto. Além disso, em Hogwarts estará reforçando a disciplina de Defesa Contra as Artes das Trevas, dividindo a em aulas nas quais os estudantes se prepararão melhor para defender-se do Mal que por ventura possa os atingir. Sabemos também que estão inseguros assustados, e este deve ser mais um motivo para voltar a Hogwarts e não desistir de aprender, nunca.

Dumbledore se foi, mas deixou conosco uma grande lição de vida, de coragem e de sabedoria. E temos certeza que era isso que ele teria feito se estivesse ainda no meio de nós: não fechando a escola e expulsando seus alunos, mas acolhendo-os e ensinando-os de forma a prepará-los para o que os esperam. E reforçamos que Hogwarts estará sempre aberta àqueles que desejam e confiam nela.

Para maiores informações, entre em contato com a escola.

Minerva McGonagal

Diretora da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts

- Então Hogwarts continuará aberta! – disse Hermione, felicíssima pela notícia.

- Grande atitude da McGonagal! – espantou-se Rony – Não acha, Harry?

Harry permanecia imóvel, sua expressão não era de grande animação, mas respondeu:

- Sim, grande atitude! – e ele hesitou em informar – Mas não acho que vou voltar para Hogwarts

- O QUÊ? – gritaram Hermione, Rony e Gina.

- Justo agora que o chato do Snape foi embora! – reclamou Rony

Harry respirou fundo e continuou:

- Tenho outras coisas a fazer... – dizia ele – Tenho de procurar certas coisas – e Mione e Rony entenderam que ele se referia aos Horcruxes – e não poderei fazer isso se continuar na escola.

- Você poderia conversar com a Professora McGonagal! – argumentou Hermione – Ela é compreensiva... Não se lembra de como ela foi legal comigo ao me dar o Vira-Tempo?

- Eu não poderia contar a ela, Mione... – explicou-se Harry

- Acho que deve pensar melhor, Harry! Não acho que deva tomar decisões precipitadas. – opinou Rony

- Pode deixar, pensarei.

Alguns segundos de silêncio se passaram até que Gina comentou:

- Já notaram que teremos um novo Chefe da Casa da Grifinória?

- É mesmo! – empolgou-se Hermione – McGonagal não pode continuar, agora que é diretora... Quem será?

- Talvez o novo professor de Defesa Contra As Artes das Trevas! – disse Harry

- E tomara que ele seja bem bonzinho, pois não quero aturar um Snape ou uma Umbridge por outro ano... – disse Rony

- Nem eu. – disseram Harry, Mione e Gina juntos.

- E agora que Hogwarts irá abrir, creio que Fred e Jorge irão abrir a Geminialidades Weasley, não? – disse Hermione bastante contente

O dia transcorreu normalmente. A semana também. Tudo parecia calmo e tranqüilo, exceto para Harry, que tentava ao máximo fazer com que a semana demorasse bastante para que ele não tivesse que voltar para a casa dos tios. Hermione e Rony prometeram fazer uma visitinha a Harry, embora ele duvidasse disto. No seu último dia na casa dos Black, Molly embrulhou alguns doces e bolos caseiros para que Harry levasse e Moody lhe deu de presente um pequeno espelho-de-inimigos de bolso. Tonks, Arthur e Lupin ficaram de levar o garoto até Surrey, na Rua dos Alfeneiros, número 4 e, embora Harry não quisesse isso, sabia que era o que deveria fazer. Logo bem cedo, ainda escuro, no primeiro dia de Julho, Harry, Sr. Weasley, Lupin, Tonks e os gêmeos Fred e Jorge – que também sairiam, rumo ao Beco Diagonal - saíram do Largo Grimmauld rumo à Rua dos Alfeneiros.

- Como vamos? - perguntou Harry

- Vamos usar o Nôitibus Andante! – exclamou Lupin – Sei que ele não tem a mesma graça sem o Lalau, mas é o meio mais adequado no momento.

Todos se posicionaram na calçada, de frente para a rua, quando Lupin estendeu a varinha. Era cedo demais, portanto não havia risco de algum trouxa intrometido ver a cena. E de qualquer forma, eles não podiam ver o ônibus. O Nôitibus chegou tão rapidamente que Harry nem vira de onde surgira...

- Bem vindos ao Nôitibus, o ônibus bruxo! – disse um jovem homem que Harry não conhecia, de cabelos longos na altura dos ombros, negros e levemente atrapalhados. Suas vestes estavam velhas e sujas e o seu rosto parecia congelado por tamanha palidez.

Todos entraram enquanto o homem carregava os pertences de Harry para dentro do ônibus.

- Qual o destino? – perguntou ele sem qualquer emoção em sua fala

- Anh... – iniciava Lupin – Primeiramente o Caldeirão Furado e, depois, a Rua dos Alfeneiros, em Surrey.

- Certo. – disse ele – São... Onze sicles e cinco nuques.

Lupin fez uma cara zangada, mas colocou a mão no bolso e tirou doze sicles, retornando o troco para o mesmo bolso.

O ônibus andava em tamanha velocidade e parecia se desviar de todas as coisas. Ou as coisas dele... Após a descida de Fred e Jorge no Caldeirão Furado, eles seguiram para a Rua dos Alfeneiros.

- Harry, chegue aqui um instante... – chamou Lupin a um canto isolado do ônibus e Harry logo atendeu o chamado – Existe algo que queira me contar e que não contou aos membros da Ordem?

Ele hesitou em responder e ficava indeciso sobre o que dizer:

- Professor Lupin – começou ele em voz baixa – eu só queria pedir que confiasse em mim... Sei de muito mais coisas, mas não acho adequado contar-lhe aqui e agora, mesmo sabendo que você é de total confiança. Mas há algo que quero lhe contar, mas deve prometer que não dirá a mais ninguém. Nem mesmo membros da Ordem da Fênix.

- Certo, Harry. Pode confiar em mim.

- Eu sou realmente "o Eleito" como me chamam por aí. – disse Harry em tom baixo e tristonho – Eu não queria, mas sou. E isso é algo que não pode de jeito nenhum chegar aos ouvidos de pessoas erradas, por isso peço-lhe total segredo. – e ele fez uma pausa ao ver que Lupin olhava com atenção e cautela – A profecia existe, e foi ouvida por inteiro por Dumbledore. Quem a profetizou foi... Sibila, a professora de Adivinhação de Hogwarts. De forma nenhuma deixe que ela saia de Hogwarts, pois corre sério risco, embora nem ela mesma saiba que realizou a profecia. – e Harry parou por um momento para respirar – Dumbledore me mostrou em suas memórias a profecia por completo e afirma que um Comensal a ouviu até certo ponto... Mas o que sei e que Voldemort não sabe é que a profecia dizia que um não viverá enquanto o outro sobreviver, só eu poderei vencer Voldemort ou vice-versa. Por isso pedi a vocês que não o enfrentasse diretamente, pois ele os vencerá em qualquer que seja o duelo.

Lupin olhou mais uma vez para Harry, perplexo com o que acabara de ouvir. Harry desviou o olhar e manteve-o mirando o lado de fora do Nôitibus, onde as árvores passavam com tamanha rapidez e o sol ameaçava subir iluminando o céu estrelado.