N/a: Com o final do ano, as coisas ficaram corridas, por isso atrasei um pouco a postagem. Mas aqui está, um capítulo novo em folha! dcarey7002, thank you so much for sharing that! I did laugh out loud as well! Maria Teresa C, lysyl e IASBr, espero que este capítulo esteja à altura do que esperavam :)
Capítulo 9 - Um pedido
Minha querida Elizabeth,
Agradeço imensamente pelo dia divertido que tivemos. Tive a impressão que foi um sucesso, e todos passaram momentos agradáveis. Já penso com antecipação sobre a próxima vez que estiver em Londres, podemos fazer planos para repetir o evento. Como sabe, viajo para Pemberley esta semana. Mas não se preocupe, isso não irá afetar nossa correspondência, pelo contrário, terei mais tempo para me dedicar a ela. Lhe escrevo para, além de agradecer, lhe questionar a respeito de algo que percebi recentemente. Você tem a impressão que sua amiga Charlotte tem uma leve inclinação para com o meu primo? Me perdoe se a pergunta soa impertinente, mas tenho notado a atenção que os dois dispensam um ao outro ultimamente, e posso lhe dizer que nunca vi Richard dessa maneira. Ele consegue conquistar as pessoas rapidamente, com seu jeito leve e cheio de gracejos, mas nunca demonstrou qualquer inclinação especial a quem quer que fosse. Não acreditei muito na fofoca quando ouvi que ele havia dançado com Miss Lucas duas vezes no baile dos Davies, mas ao vê-los juntos no parque mudei de opinião. Lizzy, você é mais próxima de Charlott única que pode me dizer, devo nutrir alguma esperança? Essa união me faria imensamente feliz, desejo muito que Richard seja feliz, e Miss Lucas seria uma ótima adição à família. Por favor, não fale do assunto com ninguém, não quero parecer intrometida. Apenas lhe escrevi porque gostaria de saber se mais alguém havia notado, e não poderia conversar com meu irmão a respeito pois tenho certeza de que ele nada notou. Mas isso não é dizer muito, ele anda tão aéreo ultimamente que nada realmente nota.
Sua amiga,
Georgiana
-Senhora?
Elizabeth ergueu os olhos da carta. Nancy a mirava, parecendo esperar.
-Me desculpe, não ouvi o que você disse. - ela falou para a criada, pousando a carta sobre a mesa.
-A cozinheira perguntou a respeito dos pagamentos do leiteiro e do padeiro, disse que talvez a senhora tenha se esquecido.
-Sim, é verdade. - Elizabeth suspirou, percebendo que teria de deixar a carta de Georgiana para mais tarde. - Vou falar com ela. Obrigada, Nancy.
Elas teriam um baile naquela noite afinal, o que a fez rolar os olhos mentalmente. Ela havia cedido aos pedidos da amiga, mas isso não queria dizer que iria se divertir. Sua vontade era ficar em casa, lendo, mas tivera tão pouco tempo para fazer tal coisa ultimamente!
Elizabeth se determinou a observar o comportamento do Coronel Fitzwilliam naquela noite. Pois, ela sabia, ele com certeza estaria presente. Ela queria que Charlotte fosse feliz mas, por mais que o Coronel não parecesse ser o tipo de homem que alimentaria falsas esperanças de uma dama, ela tinha medo que sua posição social tornasse tal união praticamente impossível. E Charlotte, aos vinte e sete anos nutria tão poucas esperanças que, se fosse levada a acreditar que tal união era possível para então se desapontar, nunca se recuperaria.
Naquela noite o Coronel Fitzwilliam estava acompanhado não pelo primo, mas pelo irmão mais velho e a esposa. Ela viu, assim que adentrou o salão com a amiga, que ele conversava com um cavalheiro baixo e grisalho sem prestar muita atenção ao que este dizia, varrendo o salão com o olhar e se interrompendo ao ver as duas.
Ele dançou com Charlotte apenas uma vez, mas escolheu exatamente a dança antes do jantar, o que fez com que as acompanhasse até a mesa. Elizabeth observava atentamente a dança dos dois e os sorrisos que trocavam quando uma voz a fez pular no lugar.
-Mrs. Sheffield, radiante como sempre.
Ela se virou e se deparou com o olhar confiante do Capitão Horton. Se recuperou, perguntando de forma educada:
-Agradeço, capitão. Está aproveitando a noite?
-Imensamente. Aproveitaria ainda mais se você me desse o prazer de uma dança.
Sem ter para onde fugir, ela se viu obrigada a aceitar o convite. Os dois dançaram depois do jantar e a conversa foi enfadonhamente parecida com a primeira que haviam tido. Após a dança ela disse que precisava usar o toalete, e com isso passou vários minutos escondida, dizendo para quem aparecesse que estava com dor de cabeça.
-Lizzy! - disse Charlotte, a pegando pelo braço. - Você está bem? Me disseram que não está se sentindo muito bem.
-Estou bem, Charlotte. - ela disse, não querendo preocupar a amiga. - Volte para o baile, você parece estar se divertindo.
Ela olhou para a amiga, um brilho de reconhecimento em seu rosto.
-Precisa ir embora? Está evitando alguém, não está?
Elizabeth sorriu, envergonhada.
-Sim, o Capitão Horton. Mas não quero estragar sua noite, aposto que ainda tem muitas danças planejadas.
-Não estou mais com vontade de dançar. Vamos para casa, Lizzy.
Desta vez foi Elizabeth quem olhou para a amiga com atenção.
-Você está bem? Parecia estar se divertindo com o Coronel, o que aconteceu?
-O irmão dele precisou ir embora, ao que parece a esposa dele também não estava se sentindo muito bem. O coronel os acompanhou.
Elizabeth concordou com um meneio, tentando pescar qualquer reação por parte da amiga.
-Lotte. - ela disse em um sussurro, usando o apelido infantil pela primeira vez em anos. - É ele, não é? É do coronel que você estava falando no outro dia.
Elizabeth viu o rosto da amiga se franzir em tristeza. Ela pareceu prestes a falar algo, mas então mudou de ideia.
-É inútil, Lizzy. Eu sou uma tola por nutrir tais esperanças. Venha, vamos para casa.
~X~
Alguns dias depois Charlotte se ofereceu para levar Lucy para um passeio, para que Elizabeth pudesse se concentrar em algumas cartas que precisava despachar. As duas encontrariam Mrs. Gardiner no caminho, e voltariam para Portland Place para o chá. Elizabeth estava focada na tarefa, a perspectiva do encontro a fazendo trabalhar mais rápido, quando o criado anunciou:
-Coronel Fitzwilliam, senhora.
Ela ergueu os olhos, surpresa. O coronel entrou na sala determinado, com um olhar feroz, mas fez uma mesura ao vê-la, então olhou ao redor.
-A que devo a honra, coronel? - Elizabeth disse, puxando o sino para que chá fosse trazido.
-Peço desculpas por ter vindo de uma forma tão repentina, senhora. Miss Lucas não está em casa?
-Ela saiu com Miss Lucy e Mrs. Gardiner. Imagino que não devem demorar.
-Entendo.
Ele ainda estava de pé no meio da sala, e Elizabeth lhe pediu que se sentasse. Ele parecia perdido.
-Peço desculpas, senhora, se minha atitude a confunde. Eu confesso, estou um tanto arrebatado.
-Espero que sua família esteja bem, Coronel.
-Oh, sim, todos estão bem.
-E Mr. Darcy e Miss Georgiana?
Elizabeth notou o fogo voltar aos olhos do coronel, mas ele logo se conteve.
-Estão bem também, senhora. Georgiana já está de volta à Pemberley e o irmão logo deve seguí-la.
-Entendo.
O chá foi trazido. Os dois estavam sentados de lados opostos da sala, em silêncio.
-Mrs. Sheffield, isso é ridículo. Não é apropriado que eu fique aqui, devo ir. Voltarei em outra hora.
-Coronel! - Elizabeth se levantou junto com ele. Já de costas para ela, ele parou. - Você veio aqui unicamente para visitar Miss Lucas?
Ela viu seus ombros caírem.
-Será um crime se eu disser que sim? - ele perguntou, ainda de costas para ela.
-Não, senhor. De forma alguma.
Ele riu, finalmente se virando. Seu rosto estava contorcido.
-Um crime talvez não, mas uma loucura, com certeza.
-Coronel, você me parece alterado. Sente-se um pouco para se recompor, é o mínimo que peço antes que saia.
Ele se sentou novamente, encarando as mãos.
-Mrs. Sheffield, eu sou o segundo filho. E como tal, sempre soube que minha herança seria muito mais modesta que a de meu irmão. Por isso me juntei ao exército.
Elizabeth meneou a cabeça, sem saber mais o que dizer. Era a primeira vez que via o Coronel Fitzwilliam mostrar sua versão mais autêntica, sem seus gracejos.
-Oras, posso ter entrado na profissão por questões financeiras, mas tomei gosto por ela. Por muitos anos sequer pensei em me estabelecer em um só lugar, ou mesmo iniciar uma família. Esse era o papel de meu irmão, que será responsável pelas propriedades dos Fitzwilliam.
Nesse ponto ele baixou a cabeça.
-Mas sempre houve essa inquietação, sob tudo. E hoje eu percebo que não devo combatê-la, mas me deixar levar por ela.
-Onde quer chegar, coronel? - Elizabeth perguntou levemente, pois ele estava sentado de olhos fechados, como se falasse consigo mesmo.
-As mulheres em geral riem de minhas piadas e concordam com tudo que digo. Elas não veem, ou fingem não ver, as provocações e sutilezas. No entanto, você, Mrs. Sheffield, e sua amiga Miss Lucas, não só veem através de meus gracejos, como respondem à altura. Eu a tenho em alta conta, Mrs. Sheffield, mas Miss Lucas... é a ela que a minha inquietação leva.
Elizabeth estava com a respiração suspensa. Por um ínfimo momento ela desejou ser Charlotte. Nunca ouvira ninguém despir a alma daquela forma à sua frente, nem mesmo James. E ali estava aquele homem de uma família da alta sociedade, coronel do exército britânico, lhe confessando sentimentos como se a tivesse em alta conta.
-Fale alguma coisa, Mrs. Sheffield. Não suporto que minhas ambições sejam motivo de repreensão, não mais uma vez.
-Você realmente acredita que Charlotte pode lhe fazer feliz, coronel?
-Eu não tenho dúvidas quanto a isso. A pergunta que importa é, você acha que eu posso fazê-la feliz?
Ele finalmente ergueu os olhos e Elizabeth sorriu, lembrando de todas as vezes que a amiga mencionava o coronel.
Os dois foram interrompidos por barulhos no corredor. Fitzwilliam imediatamente se colocou em pé em posição ereta, como se puxado por um fio invisível.
-Mama! - Lucy ia correr para Elizabeth, mas parou ao perceber um estranho na sala com ela. Então reconheceu o coronel, e se aproximou, feliz.
-Lizzy, não sabia que tinha visitas. - disse Mrs. Gardiner, parando na porta ao ver a cena. - Preciso ir para casa de qualquer forma, tenham uma boa tarde!
-Eu também preciso... - disse Charlotte, pronta para aproveitar a deixa e sair, os olhos colados em Fitzwilliam, que a mirava, Lucy abraçada a ele.
-Charlotte. - disse Elizabeth, fazendo-a parar. - O coronel estava à sua espera, fico feliz que tenha chegado.
Ela pegou Lucy pela mão caminhou até a porta. Charlotte a olhou em dúvida e ela deu um leve empurrão na amiga, fechando a porta depois que esta entrou na sala.
-Mama, o que está acontecendo? - perguntou Lucy, enquanto as duas caminhavam até a biblioteca.
-Charlotte e o coronel precisavam ter uma conversa de adultos, Lucy.
