Disclaimer: Naruto não me pertence.

Olha eu aqui de novo.

\o/

Apesar de ter somente 2 reviews no capitulo passado, fiquei feliz por saber que tive uma boa quantidade de visualizações. Estou aprendendo a usar a plataforma agora, adorei esse recurso.

:)

Também percebi que algumas pessoas visitaram meu perfil e não tinha nada lá. Já adicionei algumas bobagens gente.

Espero que gostem, essa one é a minha preferida até agora.

Só pra lembrar, a fic não está betada então desculpem os erros.


Já passavam das duas da manhã. Ela não fazia ideia de quanto tempo ou de quantos quilômetros tinha percorrido. Não fazia ideia de onde estavam seus sapatos, lembrava vagamente de ter jogado sua bolsa em uma lixeira.

Uma dor insuportável já se apoderava de seus pés.

Ela riu, em breve não sentiria mais nada.

Então ela caminhou, não percebeu onde estava até finalmente olhar para o lado e ver aquele imenso azul.

Esse era o lugar perfeito.

A garota dirigiu-se lentamente até a beirada da ponte.

Respirou fundo.

Olhou para a água escura e subiu sobre o corrimão.

Fechou os olhos.

Inspira. Expira.

No fundo sabia que não devia, que ainda tinha tempo para tornar as coisas melhores, ela sabia que deixaria um vazio no peito de todos que a conheciam, mas o desespero e a dor que estava sentindo eram grandes demais para suportar.

Lembrou de seus pais.

Inspira. Expira.

Lembrou de seus amigos.

Inspira. Expira.

Um pequeno sorriso surgiu em sua face.

Inspira. Expira.

Sentiu um aperto no peito e o coração acelerado.

Me perdoem.

-Hehehe.

Abriu os olhos. Risos?

Olhou sobre os ombros mas não viu ninguém. Devo estar ouvindo coisas.

Tornou a fechar os olhos e respirou novamente.

Agora ou nunca!

-Heheheh

Mas que merda? Esse foi muito alto para ser apenas imaginação. Olhou novamente sobre os ombros. Nada.

Voltou o rosto para o rio, dessa vez manteve os olhos abertos e foi quando o viu. Logo abaixo, sentado em uma das estruturas da ponte. Ele estava confortavelmente lendo um livro, tinha metade do rosto coberto por uma máscara e parecia totalmente alheio ao mundo. Ela riu.

Cada maluco.

- Ei! – Chamou. Ele olhou para cima e pareceu surpreso ao vê-la. – Será que você poderia rir um pouco mais baixo? Você está tirando minha concentração.

- É mesmo? – perguntou incrédulo.

- Sim!

- Então me desculpe, vou fazer silêncio agora. – E deu o que ela achou ser um sorriso.

-Obrigada. – Fechou os olhos e respirou novamente.

Onde eu estava? Sim, é agora ou nunca!

-HEHEHEHE

Lançou um olhar que mataria qual quer pessoa normal de medo, mas já estabelecemos que ele era um maluco.

- O que foi agora?

- Nada realmente, é só que você está toda concentrada, está tentando contar as estrelas ou calcular qual a extensão do rio?

OK, esse cara era definitivamente maluco ou burro.

- Hum, já saquei qual a sua, mas você não vai me impedir!

- Impedir de quê? – Ele parecia realmente confuso. Sakura o olhou com desconfiança, mas em nenhum momento os olhos dele traíram sua expressão de confusão.

- Eu vou ... – Olhou para o rio. – Eu... eu ... – Por que era tão difícil admitir? Respirou fundo e olhou para ele – Vou pular.

-Oh! – Mesmo sem poder ver seu rosto sabia que ele estava com a boca aberta e parecia chocado com a confissão. – Eu não sabia. – Adquiriu um semblante pensativo. - Quer dizer, no começo até achei que você iria fazer algo assim, mas depois de uma hora, pensei que você só estava admirando a paisagem.

- O que quer dizer com uma hora? – Perguntou curiosa.

- Você está ai parada a mais ou menos uma hora e vinte minutos.

- Oh! – Dessa vez ela adquiriu uma expressão de surpresa. Parecia que estava ali parada só cinco minutos. Se recuperou do choque. – Não importa, já tomei a minha decisão. Eu vou pular... – Olhou novamente para o rio.

- Ok.

- e não há nada que ... – Espera ai, OK? – Eu digo que vou pular e você diz ok? – Olhou para ele estupefata.

- É – Já estava foleando o livro novamente.

- Você não vai tentar me impedir?

- Você quer que eu tente? – Virou outra página.

- Claro que não! Mas... você pode ser preso por ser conivente com um suicídio! - Ele olhou para ela com cara de aborrecimento.

- Agora você está me desconcentrando.

Já tinha tido o suficiente.

- DESCONCENTRANDO? UMA PESSOA VAI PULAR DA PONTE E VOCÊ ESTÁ MAIS PREOCUPADO COM UM LIVRO IDIOTA?

- EI – Ele parecia ofendido - Primeiro: você disse pra eu não me meter, e é o que estou fazendo. Segundo: se você continuar gritando assim com certeza vai aparecer alguém para atrapalhar seus planos, e terceiro: - A olhou profundamente com uma expressão séria – M-E-U L-I-V-R-O N-Ã-O É I-D-I-O-T-A. – Respirou fundo e desviou o olhar – Além do mais mortos não podem ser presos. - sussurrou.

Uma luz de entendimento brilhou nos olhos da garota.

- O que você está fazendo aqui? – Perguntou timidamente.

- Lendo meu livro e esperando pelo nascer do sol. Este é o melhor lugar da cidade para ver o nascer do sol. – Olhou para o horizonte. - Me acompanha? – Deu um tapinha em uma barra ao lado dele e sorriu gentilmente. Ela olhou desconfiada. – Como vou saber se você não é algum tipo de maluco e vai me empurrar da ponte? – Ele deu uma risada gostosa. – Se fosse, não estaria te fazendo um favor? – A garota riu também – Bom ponto - E passou para o outro lado descendo as barras para se juntar ao estranho.

Ficou com medo e sentou-se um pouco afastada. – Vamos lá – deu novamente um tapinha ao lado dele. – Eu não mordo. – A garota respirou fundo e sentou-se ao lado dele, de maneira que os lados estava se tocando. Ele estendeu a mão – Kakashi, prazer em conhece-la. – Ela aceitou o cumprimento. – Sakura.

- Então Sakura, me fale sobre você. – Olhou para ela e pela primeira vez deixou o livro de lado. Ela suspirou. – Não acho que seja um bom momento para falar. – Olhou para o horizonte.

- Eu descordo. – Olhou para ela. – Parece o momento perfeito para mim. Você pode ir com esse sentimento de solidão ou pode ir depois de ver um belíssimo nascer do sol, fazer um novo amigo e quem sabe ler o seu primeiro pornô. – Olhou gentilmente para ela. A garota riu novamente para ele. – Você é cheio de bons pontos, não é? – Ele riu – Tenho os meus momentos. Diz ai, qual a sua história?

- Bom – Começou timidamente. – Meu nome é Haruno Sakura, tenho 24 anos, sou filha única e hoje a noite me tornei médica. É isso. – Deu de ombros.

- Muito bem, mas estou mais interessado em todas essas lacunas que você deixou de fora.

- Não sei exatamente por onde começar e nem o que você quer.

- Do começo, suas memorias de criança, sua adolescência. – Colocou a mão sobre a dela. – Quero saber tudo. Ela riu. – Tudo bem, mas só se você me disser a sua. – Ele riu e apertou a mão dela. – Fechado. - Então ela começou - Quando eu era criança ...

Discorreu sobre sua infância, sobre como as garotas riam do seu cabelo rosa, sobre a testa grande que ela sempre tentava disfarçar com uma franja. Falou sobre sua família, seus amigos, seu primeiro amor. Contou várias histórias sobre um loiro irritante viciado em ramem. Do que ela mais amava na sua profissão. Sobre sua formatura e como esse deveria ser o dia mais feliz de sua vida. Eles riram bastante, ele ouvia cada uma das histórias pacientemente e intervia nos momentos oportunos. Ela não lembrava da última vez que tinha tido uma conversa tão agradável e se sentido tão confortável ao falar sobre sua vida.

- Com todo respeito Sakura, eu acho que você tem uma vida agradável. O que aconteceu? – A garota suspirou e desviou o olhar. – Meu namorado, Sasuke... noivo na verdade – Ela riu. – Ele me pediu em casamento hoje. Eu aceitei, nós namoramos desde os dezessete anos. – Começou a chorar. – Eu... eu estava tão feliz, meu sonho estava sendo realizado, eu queria ser médica, salvar vidas, mas esse não era meu sonho. – Ela riu em meio as lagrimas. – Não, meu sonho... meu sonho era casar com o garoto que eu era apaixonada desde os seis anos, nós formaríamos uma família e viveríamos felizes para sempre. – Fungou. – Mas ele não me notava, ele é o garoto popular sabe? Pode ter quem quiser e todas as garotas querem um pedaço. – Riu tristemente. – Ele não me notava, eu era só alguém sem nome ou rosto, para ele uma existência irrelevante. Então eu decidi que precisava voltar os holofotes para mim. Comecei a estudar, me esforçar, ficar cada vez mais forte. Meu nome sempre aparecia nas edições do jornais da escola, era sempre a primeira da turma, no fim, não tinha mais ninguém que não tivesse ouvido o nome Haruno Sakura. – Ria orgulhosa. – Foi ai que ele começou a falar comigo, eu já não era mais uma criança, meu corpo tinha amadurecido um pouco, não chamava mais atenção somente pela minha inteligência, mas também pelo meu corpo. – Voltou a chorar novamente. Kakashi passou os braços sobre os ombros dela e a puxou contra ele dando um meio abraço. – Vamos, continue.

- Começamos a namorar, todas as garotas tinham inveja de mim. – Riu. – Eu continuei a melhor, queria que ele tivesse orgulho de mim. Então hoje finalmente ele fez a pergunta que eu queria ouvi desde que era uma criança. Meu sonho, o melhor dia da minha vida estava finalmente acontecendo. E o melhor, ele disse que comprou um apartamento para gente morar. Tudo tão perfeito. – Os soluços não paravam mais. Kakashi apertou mais ela contra ele e eles passaram um tempo até que ela recompor-se. – Fizemos uma festa na casa de uns amigos, pra comemorar a formatura e o nosso noivado. Eu passei um bom tempo conversando com o pessoal e acabei perdendo Sasuke de vista, depois de um tempo eu fui procura-lo pela casa. – Respirou fundo. – Eu o encontrei no quintal, mas ele não estava só. Eu ... eu nunca pensei que ele faria isso, pelo menos não no dia que ele me pediu em casamento. – Chorou mais um pouco no ombro de Kakashi e tomou folego e continuou. – Lá estava ele, com uma garota, Karin. Ela costumava se jogar pra cima dele, e ele dizia pra eu não me preocupar, que ela deveria ter vergonha por não se valorizar e que não passava de uma puta. E eu, - riu – eu acreditei feito uma idiota. Lá estavam eles transando contra a parede. – Chorou mais um pouco. - Ele dizia como estava com saudades, que não parava de pensar nela. – Os soluços eram intermináveis agora. – Ela... ela me viu e ... sorriu pra mim! Da pra acreditar?! Aquela puta me viu, riu para mim! Perguntou para ele olhando nos meus olhos que dia eles poderiam inaugurar o apartamento novo. E ele... ele disse pra ela esperar depois da festa que ele ia se livrar de mim e ele poderia comê-la de uma maneira mais apropriada. Eu não aguentei, lembro de ter soluçado e alguém gritando meu nome, mas... eu só corri de lá, caminhei até chegar aqui e o resto você já conhece.

- E é isso!? Você vai estragar o seu futuro brilhante por causa de um idiota!? – Ele não pode se conter. Ela se afastou de seu abraço e olhou profundamente, era o verde mais lindo que ele já tinha visto.

- É isso? Kakashi, você não entende! Tudo o que eu fiz, tudo o que eu consegui até hoje foi por causa dele! Se eu não o tenho, qual o sentido em tudo que fiz? Do que adiantou? – Ele suspirou e olhou pra longe dela. Pegou apertou sua mão e olhou novamente em seus olhos. – Você está errada. – Já tinha ouvido o suficiente. Agora era sua vez de falar. - Você não conseguiu tudo por causa dele! Você consegui por que você é inteligente, esforçada e capaz! Sua motivação não foi uma das melhores, mas você ama a sua profissão! Você não vê qual o sentido e de quê adiantou? Eu vejo uma bela jovem que vai salvar muitas vidas, eu vejo pacientes que irão acordar e quando virem seus olhos vão achar que estão no paraíso. – Ela estava paralisada. Ele riu e acariciou a bochecha dela gentilmente. – Se você fizer isso, se você pular, ai sim será tudo em vão, toda luta e esforço terão sido sem proposito. – Ele riu novamente. – Além do mais, vai ser incrível quando você tiver sua foto estampada em jornais e revistas. Doutora Haruno – Levantou a mão esquerda e fez um movimento para enfatizar a grandiosidade que seria. – A melhor medica do pais do fogo e provavelmente de todo o mundo. – Ele riu. – Agora imagine a cara do idiota, sempre que ele lhe ver em programas de televisão. Ele vai pensar em quanto foi estupido e no que perdeu. E você. – Colocou o dedo na ponta do nariz dela. – Você vai estar sambando na cara dele. – Ela riu, o sorriso mais lindo que ele já tinha visto. Deu-lhe um abraço e se aconchegou novamente em seus braços. – Obrigada Kakashi, mas você sabe que você não vai me fazer mudar de ideia. – Ele riu e beijou o topo de sua cabeça. – Eu jamais pensaria nisso.

Passaram alguns minutos em um silencio confortável. Ele tirou o livrinho do bolso e ela aproveitou para ler com ele. Saíram do seu estado de tranquilidade quando ouviram um barulho vindo da barriga de Sakura.

- Parece que alguém está com fome. - Ele riu.

- Oh não! Kakashi!? – Ela o cutucou.

- O que foi? – Ele pareceu preocupado.

- O sol! Ele já está lá no alto. Nós o perdemos! - Ele olhou para o sol, levantou e se espreguiçou.

- Vamos. – Estendeu a mão para ela e o coração da jovem parou por um segundo. Ele percebeu a confusão em seu olhar. – Conheço um lugar que tem ótimas panquecas. Você vai adorar. – Continuou com a mão estendida até que ela a agarra-se. – Mas e o ... – Ela começou mas ele não a deixou concluir. – Acabamos não vendo o nascer do sol, então não tem sentido ficar aqui. Podemos voltar amanhã. – Disse enquanto a ajudava a subir o corrimão da ponte. – Além do mais essas panquecas com certeza estão na lista do coisas para comer antes de morrer. – Ela riu.

- Você sabe que não me contou nada sobre você. – Ela o fitou.

- Serio?

- Serio.

-Hm... – Pôs a mão no queixo de forma pensativa. – Infelizmente tenho um compromisso daqui a alguns minutos, mas o que você me diz de um almoço na terça e eu te digo tudo o que você quiser saber? – A jovem olhou pra ele. Mais dois dias. Não era tanto tempo assim, além do mais ela não estava mais com tanta pressa.


Os dois voltaram novamente uma semana depois, foi a coisa mais linda que ela já viu. Ele estava certo, era realmente o melhor lugar da cidade para contemplar tal beleza.

- Agora você precisa ver ele se pôr. – Kakashi riu abraçando-a por trás.

E ela viu, no outro dia, e novamente nas semanas seguintes. Não importava quantas vezes ela nunca iria deixar de ir aquele lugar. Não por conta do sol, mas do nascer da esperança em sua vida.

- Vamos, eu estou com fome! – um menino de cabelos brancos e olhos verdes puxava a calça dela. – Mãe!

- Tudo bem, tudo bem. Não sei por que tanta pressa, você sabe que seu pai vai ser atrasar mesmo. – Ela riu e bagunçou os cabelos do filho.


Como disse antes essa é a minha preferida até agora.

Não estou dizendo que a metodologia do Kakashi seja ideal para se usar com pessoas na situação que Sakura estava, só que se tratando da Sakura, teimosa como é, acredito que quanto mais tenta-se impedi-la, mais vontade ela teria de pular só pra provar que ela que manda.

Hehuehuheu

Enfim, espero que tenham gostado.

Sugestões, elogios, criticas ou desafios é só deixar um review, não dói nada.

Kissus!