Shenanigan
Universo Alternativo. Desconsiderando o Epílogo (as always...). Pós-guerra.
Sinopse: Contratos de casamento são artimanhas de séculos passados, certo? CERTO?! | Uma pena que o mundo mágico seja ainda tão, uh, retrogrado em certos aspectos, Mr. Potter...
Sinopse²: Não seria a primeira ou a última vez que alguém fazia o mundo mágico de palhaço, de toda forma. Bônus por este alguém ser Harry Potter.
Disclaimer: Harry Potter e companhia limitada não me pertencem, blablabla. Tudo é da J. K. Rowling e da Warner, whatever.
Observação: Capítulo não betado.
Parte cinco
Time waits for no one
[Salão Comunal da Grifinória]
-Hm... Hermione?
A morena ergueu a vista para encontrar Lilá e Parvati a encarando com hesitação. – Oh, olá meninas.
-Só queríamos, bem, só queríamos nos desculpar. Pelo outro dia...
Hermione suspirou. - Tudo bem. Só não tentem outra vez, terão uma surpresa desagradável.
As garotas engoliram em seco, lembrando claramente o que a jovem mulher fizera com Marietta Edgecombe. No quinto ano. Meneando a cabeça de forma negativa, Parvati mordeu o lábio inferior. Lilá movia os pés, como se estivesse desconfortável.
Hermione franziu o cenho. – Qual é o problema?
-Pode nos dar um tour no seu novo quarto? – pediram em uníssono, fitando-a com seus melhores olhares implorantes e beicinhos.
-Sabem que é apenas um quarto, certo?
Lilá virou os olhos. – É um quarto de casal. Isso é tão maneiro! Você é tipo, outro nível agora.
-Yep!Todo mundo está falando sobre isso.
-Tanto faz – murmurou, erguendo-se. – Vamos lá.
As outras garotas gritaram animadamente. - Sério?!
-Tenho a impressão que não me deixarão em paz, do contrário.
Quase saltitando, Lilá e Parvati seguiram Hermione escada acima.
As impedindo passar, a morena sacou sua varinha, apontando para porta enquanto murmurava um encantamento. Alguns segundos depois, a jovem abriu a porta e vez sinal para que as colegas entrassem.
-O que você fez? – Parvati indagou cautelosamente, sem se mover.
-Digamos apenas que ninguém entra por essa porta sem a minha autorização - Hermione lhes ofereceu um sorriso esquisito. – Bem. Ao menos, não sem pagar um preço.
-Algumas vezes você é tão assustadora – Lilá resmungou, entrando no quarto devagar.
Elas já haviam visto o quarto, antes de Hermione expulsá-las do local. Mas isto não as impediu de zanzar pelo lugar. A cama era enorme – pelo menos em comparação aos beliches de Hogwarts - e macia. Havia criados-mudos, um a cada lado dela. Uma estante (que já estava cheia de livros), duas escrivaninhas ao canto.
O quarto não era muito grande, mas era bastante confortável, perfeito para duas pessoas. Com pequenos detalhes pessoais, como o mural repleto de fotos acima das escrivaninhas.
E havia ainda três portas.
Lilá sabia que uma dava para o dormitório feminino, a outra, ela supôs direcionava para o dormitório masculino. Ela abriu a terceira animadamente. - Vocês têm seu próprio banheiro. Que inveja! – exclamou impressionada.
Enquanto isso, Parvati já analisava o mural. - Por que a maioria das suas fotos não se mexem?
-São trouxas, Parvati – Lilá respondeu antes que Hermione pudesse abrir a boca. Movendo-se para observar com a amiga as imagens.
-Oh. Esquisito.
Havia uma foto de um casal mais velho junto a Hermione, que as garotas acreditaram ser os pais da monitora-chefe... Uma foto de Harry, Ron e Hermione acenando. Outra de um casal dançando em frente a uma fonte (obviamente os pais de Harry). Outra do mesmo casal com um pequenino Harry.
-Awn, que adorável! – Parvati quase guinchou apontando para pequeno e sorridente Harry.
E então vinha uma série de fotos trouxas, a maior parte protagonizada por Harry e Hermione. Havia uma de Harry sozinho, sorrindo sem jeito para a câmera. Em outra, Harry e Hermione lado a lado – mas voltando um para o outro -, sentados no que parecia uma mesa de restaurante. Estavam entretidos em uma conversa, aparentemente. Hermione ria, sua mão no peito dele. Harry a fitava com um ar divertido. Outra foto com eles no restaurante, dessa vez com os pais de Hermione.
-Onde é esse local? Parece que há um sol sobrenatural.
Hermione finalmente se aproximou do mural para ver para onde a outra garota apontava. Sentados numa varanda, ao entardecer, usando camiseta e shorts Harry, Hermione e a senhora Granger seguravam copos com um liquido dourado. – Oh, é a varando da casa dos meus pais, na Austrália.
-Seus pais moram na Austrália?! Eu pensei que eram de Londres? Dentologistas ou algo assim? E que bebida é essa?
-Dentistas – corrigiu. – Eles se mudaram. Na guerra. E era apenas chá gelado. Apesar de, na foto, estarmos em meados de agosto, a temperatura estava estranhamente alta.
-Oh, que cute-cute! – Lilá apontou para outra foto, fazendo Hermione virar os olhos.
Era uma foto de Harry apertando um beijo no rosto de Hermione, esta tinha os lábios entre os dentes prendendo um sorriso ou uma risada, os olhos fechados e o rosto muito rosado. Ao lado dessa foto, havia a "versão do Harry". Com Hermione beijando-o no rosto.
A morena ainda se lembrava das inúmeras fotos que sua mãe fizera ela e Harry posarem – "para compensar pelo desastre do casamento", ela nunca iria perdoá-los por não haver uma sequer do casório... -, sem contar todas as fotos que tirara sem aviso. Deus, as bizarrices de sua mãe. Honestamente.
Como a que Parvati e Lilá analisavam ao momento. Harry e Hermione estavam no jardim em um abraço. Harry beijava sua testa e Hermione o abraçava pela cintura. Lembrava que era muito cedo, Harry a encontrara tremendo no jardim – ela não tinha conseguido dormir na noite anterior.
-Mas por que tantas fotos trouxas?
-Mamãe queria recordações. Ela nos fez posar uma tarde inteira – estremecia só de lembrar.
Antes que Hermione pudesse dar o tour por encerrado, já desconfortável com a forma que as outras duas garotas analisavam suas fotos, sua cama, seu banheiro. Alguém passou a bater com insistência em sua porta.
Hermione encarou uma apreensiva Demelza Robins. – Hm, Hermione você tem de vir comigo.
-Qual é o problema? – espirou. - Alguém manchou novamente o corredor com bombas de bosta? Francamente!
Meneando a cabeça, Demelza mordeu o lábio inferior. - Harry está na ala hospitalar e-
Foi o máximo que conseguiu dizer. Hermione praticamente a arrastou consigo enquanto se dirigia até a saída do dormitório feminino. Ignorando Parvati e Lilá em seu encalço.
- xxx -
Hermione só foi respirar normalmente ao observar Harry sentado em uma das camas do lugar, sorrindo para ela quando a avistou.
-Você tem de parar de me assustar assim – brigou o abraçando.
Harry riu, lhe cedendo espaço, de modo que a garota ficasse entre suas pernas. Com ele sentado, a morena ficava apenas alguns centímetros mais alta que ele, o que Harry se aproveitou para recostar seu rosto no peito da amiga, lhe abraçando pela cintura.
-Hm, 'to bem.
Hermione acariciou a cabeça dele, o que fez o rapaz gemer de dor. Horrorizada, ela sentiu um enorme galo na parte de trás de sua cabeça. – O que aconteceu?
Harry se afastou um pouco para encará-la. Franziu o cenho em confusão. - Eu não sei? Lembro-me de estar voltando para o castelo e então eu... apaguei? - O rapaz devia estar sob o efeito de algum remédio, providência (acreditava) de madame Pomfrey. – Eu pensei que não estaria aqui tão cedo – ele riu ligeiramente, voltando a se recostar em Hermione. Apertando o abraço e esfregando o rosto em seu peito.
– O que houve? – a morena sibilou, finalmente lembrando-se de Demelza.
Hermione se surpreendeu ao encontrar quase todo time de quadribol da grifinória disperso no local. Estava tão focada em Harry que não vira mais ninguém.
-Hm, você vê – Jimmy Peakes* começou coçando a nuca. – Harry havia saído com sua firebolt (por sinal, ela está aqui, direitinha, ok?) para uma volta, eu suponho?
Hermione fez sinal para que o rapaz prosseguisse. – Sim, eu sei. Harry tinha a tarde livre e queria voar um pouco. Isso não explica seu ferimento.
-Então... – ele lançou um olhar nervoso para Ron, depois para Demelza e de volta para Hermione. – Achei que seria legal todos voarmos juntos. O time todo, quero dizer. Eu queria mostrar meu novo bastão para o Harry! Demorou pra caramba para juntar todo mundo do time – Hermione o encarava sem emoção. – De qualquer forma, quando finalmente convenci o pessoal a pegar suas vassouras e me acompanhar ao campo de quadribol, Harry já havia desmontado e voltava para o castelo...
Demelza bufou, impacientando-se, e sem parar para respirar continuou:
–Enfim, Jimmy mostrou o novo bastão para Harry. E perguntou quando começariam os treinos da grifinória. Harry disse que nem sabia se ainda era o capitão da equipe e afirmou que veria com você e professora Minerva os horários dos times para depois nos informar – A menina fez uma pausa, respirando fundo. - Gina simplesmente surtou. Pegou o taco e deu na cabeça do Harry. Assim. Do nada. Harry apagou na hora. Ron, Dino e Jimmy o trouxeram aqui, eu fui chamar você e o Ritchie foi comunicar a professora Babbling.
-Que diabos?! – ironicamente não fora Hermione, mas sim Lilá quem gritara. Hermione estava lançando olhares mortíferos para Gina, que até o momento estava há alguns passos da cama sem encarar ninguém.
-Hei – Poppy saiu de sua saleta. – Me afasto cinco minutos e fazem um circo da minha enfermaria? Silêncio.
-Ele está bem, Madame Pomfrey?
A senhora suspirou. – Ele já foi medicado, como pode percebê-lo mais... – fez um sinal com as mãos para englobar Harry, que ainda a abraçava afetuosamente. Suas mãos começando a vagar. - Mas ainda preciso examiná-lo para ter certeza que não há concussão.
-Estou bem, eu só quero deitar. Descansar um pouco. Não sinto mais nada.
Madame Pomfrey deu um muxoxo, se dirigindo à cama, – Eu digo quando estiver bem, jovenzinho. Francamente, mal faz uma semana que está em Hogwarts e já ferido!
-Opa, a culpa não é minha dessa vez! Diga a ela, Mione – ele se queixou, erguendo a vista para Hermione, seu lábio inferior ligeiramente formando um beicinho petulante.
Hermione o silenciou gentilmente, acariciando com cuidado sua cabeça. Ela encarou Pomfrey intrigada. Harry parecia embriagado.
-Oh – a matrona parecia esconder um minúsculo sorriso em sua carranca. – As poções já devem estar fazendo efeito. Uma mistura de anestésico e um composto para dor – lançou um olhar de conhecimento para a morena. - De toda forma, deixe-me examiná-lo.
-Eu não preciso de um check-up – Harry resmungou, empurrando o rosto de volta ao peito da amiga.
-Senhor Potter! – apesar de Lilá, Parvati e Demelza estarem escondendo sem muito sucesso suas risadinhas pelo comportamento atípico de Harry, Madame Pomfrey não via graça. A senhora encarou Hermione com um olhar que parecia dizer "controle seu homem".
-Harry, vamos lá? – ele negou com a cabeça ainda a apertando. Hermione tentou outra vez:
– Sabe que quanto mais cedo ela examiná-lo, mas cedo pode sair daqui, certo?
-Tá bom – resmungou, nada satisfeito. Ele manuseou Hermione para que ela se sentasse em uma de suas pernas e ergueu a vista para a curandeira. Seu olhar desafiando um comentário de Poppy. Esta apenas virou os olhos e trouxe a varinha para examinar os olhos do rapaz.
-Parece que nada de concussão. Graças a Merlin! De toda forma, quero mantê-lo em observação - Harry começou a protestar, Poppy o ignorou, se dirigindo a Hermione outra vez. – Pode manter um olho nele? – Hermione assentiu. - Ele pode voltar para o dormitório, para descansar. Já está medicado, provavelmente sentirá ainda dores por conta da pancada, fora isso, não vejo problemas. Mas não quero que ele durma hoje, apenas por precaução.
Harry parecia satisfeito. - Eu tenho certeza que a Mione pode me manter acordado.
Parvati sequer quis esconder a risadinha. Harry a fitou. – Eu não quis dizer desse jeito – então pausou ponderando. – Mas estou certo que ela pode também.
Dino bufou gracejando um "oh tenho certeza", as meninas riram ainda mais.
-Nada de esforço físico – Madame Pomfrey fitou o casal com reprovação, fazendo Hermione ficar toda vermelha. A mulher os encarava como se estivessem prestes a se agarrar bem ali. Considerando a mão de Harry deslizando pela perna da garota, ela não tinha tanta certeza se iriam se comportar.
Harry parecia alheio às suas palavras ou reação geral a elas: Parvati estava se dobrando de rir, Demelza escondia o rosto em Jimmy, que gargalhava junto a Dino. Lilá tinha ambas as mãos na boca, mais vermelha que Hermione. Ron tinha o rosto contorcido em uma expressão esquisita, uma mistura de horror e diversão. Gina ainda não erguera a vista para encarar ninguém.
As Professoras Babbling e Ritchie Cootie apareceram naquele momento. A mulher vasculhou a sala por um instante antes de falar:
– Senhorita Weasley, você vai me explicar direitinho o que tinha na cabeça para acertar um colega de casa – ou qualquer um – com um bastão – A mulher aparentava calma, falava cuidadosamente; mas todo mundo podia ver que Gina estava em maus lençóis. – Senhor Potter, vejo que já está sendo tratado – a senhora ergueu a sobrancelha para Hermione em seu colo, mas não disse nada. Recebendo um aceno de Pomfrey.
Gina finalmente ergueu a vista, seus olhos marejando; ela assentiu com uma expressão resignada. A ruiva se moveu para a cama e Hermione quase saltou se postando a frente de Harry, apesar de não lhe apontar a varinha. Ainda.
-Eu... só queria me desculpar. Não sei o que me deu... Eu estava com raiva e-
-É. Porque é a conduta natural das pessoas, acertar alguém com um bastão quando irritados. Eu suponho que deveria estar lhe agradecendo porque não encontrou algo mais pesado no lugar ou por não estar "enraivecida"? Quero dizer, o que seria de Harry do contrário, hm?! – Hermione retrucou; sua voz pingando em sarcasmo.
-Sinto muito Harry, eu não tinha intenção de feri-lo. Eu só-
Hermione riu, interrompendo-a mais uma vez. Uma risada desagradável. Sua voz ganhando força, sua fúria aparente. - Como pode não ter sido sua intenção?! Você o acertou na cabeça! Não foi um feitiço errado. Ou uma poção mal feita. Ou uma goles mal empregada numa estúpida partida de quadribol! Você-Pegou-Um-Maldito-Taco-E-Deu-Com-Ele-Na-Cabeça-Do-Meu-
Harry postou a mão sobre a dela. Hermione não percebera que já estava apontando sua varinha para Gina. - Está tudo bem – afirmou silenciosamente, de repente mais alerta que em todo o tempo que esteve na ala hospitalar. – Eu 'to bem, vê – Ele retirou a varinha dela, a postou na cama atrás deles e girou Hermione para si, tomando suas mãos na dele. Levou uma das mãos dela ao rosto e beijou a palma. – Okay?
Hermione meneou a cabeça de forma negativa. – Você poderia ter morrido.
Harry bufou rindo. – Pode imaginar o noticiário? "Tacada final: Salvador do mundo bruxo morre numa partida de quadribol questionável".
Ron foi o primeiro a dar risada. Tapando a boca com um "desculpe", que acarretou na risada dos outros. Hermione estapeou o moreno com um "não é engraçado", mas estava um pouco mais calma. Harry lançou um olhar por cima dos ombros de Hermione para Gina. Ele assentiu com a cabeça.
- xxx -
Quase uma hora depois de Harry e Hermione voltarem ao quarto (e da morena forçosamente acomodá-lo na cama), tornaram a bater na sua porta.
Hermione suspirou pesadamente. Era a enésima vez que atendia a porta para responder que "Sim, Harry está bem. E não, você não pode vê-lo, ele está descansando. E sim, é o anel da família Potter. Sim, ele coube direitinho", algumas vezes com o acréscimo de "não, você não pode tirar uma foto com ele". Aparentemente ainda havia pessoas que não haviam visto sua aliança, o que por si só era extraordinário, Deus sabe que tivera que erguer a mão centenas de vezes e aturar os "oh's!" e "Ah's!" por incontáveis minutos.
Hermione já estava preparada para recitar sua mais nova ladainha quando encontrou o olhar de Gina. – Esqueceram a vassoura do Harry.
Hermione pegou a vassoura com um "obrigada" seco e já estava chegando a porta, quando Gina impediu com o próprio pé.
-Eu – respirou fundo. – Eu gostaria de falar com o Harry.
-A vida é cheia de decepções.
Vermelha, numa provável combinação de raiva e vergonha, Gina continuou com o pé no caminho. – Hermione, olha, fiz besteira. Eu sei disso. Estou tentando me desculpar. Eu preciso falar com o Harry.
-"Besteira" sequer chega perto do que fez.
-Mione? Não tem problema.
Hermione lançou um olhar para trás e depois voltou a encarar Gina, esta que tentava esconder um sorriso triunfante. Quando a garota ruiva se moveu, Hermione estendeu a mão livre barrando seu progresso. Antes que Gina pudesse falar qualquer coisa, a morena sacou a varinha.
Depois de um encantamento e um olhar venenoso à Gina, Hermione saiu do caminho. Indo guardar a firebolt. Com cautela, a garota ruiva finalmente entrou no quarto.
Harry estava sentado na cama, com as costas recostadas na cabeceira e Bichento prostrado em seu colo; este ronronava sob os carinhos do rapaz.
-Hei – Gina murmurou, sentindo-se inábil.
-Olá Gina, como você está? – ele sorriu depois meneou a cabeça, como se confuso, então encarou Hermione como se pedisse ajuda.
-Ele está sob o efeito dos medicamentos. Ainda um tanto ou quanto "alto".
Gina assentiu, ainda encarando Harry. – Estou bem. Bom... considerando as circunstâncias.
-Eu que o diga, tenho um galo enorme na cabeça – Harry riu divertido, sem notar a careta culpada da menina ruiva.
Gina mordeu o lábio inferior. Como se tentasse compensar o dano que causara, ela falou:
-Estou um mês inteiro de detenção. Também perdi 45 pontos... E estou suspensa pelos próximos dois jogos de quadribol da equipe. Isto é, se eu continuar na equipe... Mamãe provavelmente vai me matar antes disso.
-Oh, sinto muito – Harry franziu o cenho e acrescentou com pena: - Está certa, a senhora Weasley provavelmente vai te matar – ele coçou a cabeça, fazendo uma careta ao atingir o ferimento que ainda não havia sumido completamente. – Mas então você me deu uma tacada na cabeça. Hermione está tão zangada com você – comentou como se segredasse. Completamente alheio que Hermione já voltara ao seu lado. - Eu deveria estar chateado, mas eu não sinto nada – deu de ombros. – Talvez os remédios tenham me deixado dormente para todo tipo de coisa? Isso é ao menos possível? – indagou para si mesmo. – De toda forma! O que queria falar comigo, Gina?
-Eu queria pedir desculpas pelo que fiz, não me dei conta de que poderia tê-lo machucado de verdade. Que iria te ferir de verdade.
Hermione fez um som incrédulo com a boca, mas permaneceu em silêncio.
-Por quê?
-Eu me sinto culpada por ter acabado na enfermaria. Eu sei que odeia aquele lugar.
-Não, eu quis dizer: por que me acertou?
Gina lhe ofereceu um sorriso aguado. – Eu estava com ciúmes.
-Mas eu estava voando sozinho! Eu estava sozinho.
-Eu sei. Eu sei – ela perpassou a mão pelos cabelos, frustrada. - É como se esse tempo todo estivesse se acumulando em mim. Esse ressentimento. Algo que eu não sabia como lidar. Não sei explicar de maneira melhor... Eu só... Vocês parecem tão em sincronia. Em perfeita ordem. Em total acordo. Intocáveis. E eu ainda me sinto quebrada... – soltou uma risada sem emoção, balançando a cabeça. - Nem parece que pouco mais de um ano atrás éramos nós quem estávamos juntos.
-Não sei o que dizer.
-Eu sei que é estúpido, mas eu esperava que pelo menos tivesse me contado que estava... envolvido com a Hermione. Que pretendia se casar. Eu achava... eu acho que merecia uma explicação – ela encolheu os ombros. – Não é uma justificativa para o que fiz. Não há justificativa para o que fiz. Mas foi uma das razões. De repente, tudo que eu conseguia enxergar era que não havia sequer me contado que agora estava com a Hermione. Que havia se casado sem qualquer consideração à minha família... E não digo isso por mim. Mamãe chorou por dias antes de conseguir finalmente enviar aquela carta. E Ron... – ela riu sem emoção, cortando a si mesma.
Harry ficou em silêncio por incontáveis minutos, como se avaliasse o que Gina acabara de dizer. Tentava fazer sentido em sua mente. Lutando para compreender tudo, mesmo sob o efeito das poções. Por fim, ele suspirou. – Me desculpe, mas não acho que nossa decisão diga respeito a qualquer um além de nós dois. Isto é, Hermione e eu. Suponho que poderíamos ter lidado de maneira melhor com toda a situação. Deus sabe que ouvimos recriminações de dezenas de pessoas... – comentou cuidadosamente. Protegendo seu segredo da melhor maneira possível, dada sua situação. – Você e eu havíamos terminado há muito tempo...
-Você disse que queria me proteger – falou silenciosamente.
Harry assentiu, mas disse com gentileza:
–E ainda assim, Ron e Hermione sempre estiveram ao meu lado – Gina recuou fisicamente. – Não estou te recriminando. Não tinha nenhuma obrigação de ir naquela empreitada tresloucada com apenas pistas e força de vontade. Inferno, eu sequer queria Ron e Hermione comigo.
-Como se pudesse ter me impedido – Hermione contrapôs virando os olhos.
Harry se voltou para a morena com um sorriso. – Eu sei.
A morena suavizou imediatamente, apertando seu ombro.
-O que quis dizer é que talvez inicialmente eu tenha tido esperança que pudéssemos restabelecer nosso relacionamento... - E sinto muito se de alguma maneira lhe dei indicações de, mais tarde, ao longo do caminho, ainda estar interessado – Mas nós somos pessoas bem diferentes. Depois de tudo que aconteceu. De como aconteceu. E para termos qualquer chance, teríamos de recomeçar. Nunca senti essa inclinação. Hermione e eu... – Harry engoliu duro. – Nós tivemos o tempo ao nosso favor. Irônico, eu sei. Mas é a verdade.
Nota: (*) Na versão brasileira "Jaquito" Peakes. Prefiro o original. Sorry. Assim como Michael Corner (que é Miguel em ptbr).
N/a: Eu fiquei me remoendo para postar este capítulo em particular...
Por conta da reação da Gina. Uma parte de mim acredita que ela nunca chegaria a tanto; a outra tem absoluta certeza de que Gina teria um momento assim.
Assim como o primeiro "confronto" com Harry quando ele não está 100% OK, não me deixa exatamente confortável. Obviamente Gina (no caso muito menos Harry ou Hermione) esperava um "de coração para coração" naquele momento. Ela só queria se desculpar, ver se ele estava bem (na medida do possível).
Deixe-me saber o que você acha!
PS: Dani, quanto às datas, elas eram para situar o leitor. Como eu planejei UM MONTE de flashbacks no primeiro e segundo capítulos (para organizar melhor a estória – trazendo alguns fatos), achei por bem colocar as datas.
