Shenanigan


Universo Alternativo. Desconsiderando o Epílogo (as always...). Pós-guerra.


Sinopse: Contratos de casamento são artimanhas de séculos passados, certo? CERTO?! | Uma pena que o mundo mágico seja ainda tão, uh, retrogrado em certos aspectos, Mr. Potter...

Sinopse²: Não seria a primeira ou a última vez que alguém fazia o mundo mágico de palhaço, de toda forma. Bônus por este alguém ser Harry Potter.

Disclaimer: Harry Potter e companhia limitada não me pertencem, blablabla. Tudo é da J. K. Rowling e da Warner, whatever.


Observação: Capítulo não betado.


Nota: Sorry. Sem desfile. Ainda que... Oops.


Parte oito

Family matters


Eles jantavam num dos favoritos restaurantes locais do senhor e senhora Granger; e encontraram alguns colegas de trabalho do casal, respondendo algumas perguntas desconfortáveis...

Um de seus colegas ficara surpreso ao encontrá-los com o jovem casal. Trás apresentações, o outro senhor, sem esconder o espanto, comentou: "Oh! Eu não sabia que tinha uma filha adulta!". Os Wilkins (leia observação) – no ano em que os conhecia – não costumavam falar de sua vida pessoal. Muito menos que tinham uma filha...

Outra por sua vez, estava espantada porque Harry e Hermione já eram casados. "Seu genro! Minha nossa". Soube que os jovens estavam no último ano de uma escola para jovens prodígios. E pela conversa que tiveram, ambos eram obviamente maduros para a idade. Mas ainda era um pouco chocante observar, nesse século, um par de adolescentes casados.

Hermione suspirou resignada e respondeu para a pergunta não feita:

– Não estou grávida.

-Eu nunca-

Harry riu suavemente, abraçando de lado a garota, seus dedos acariciando seu ombro e apertou um beijo em seu rosto. – Não se preocupe, é um tema sensível para Hermione – comentou divertindo, fitando dessa vez a senhora. – Aparentemente ninguém consegue encontrar uma razão melhor para que tenhamos casado tão cedo... – dessa vez ele acrescentou zombeteiro.

A senhora Granger virou os olhos. – Não pode me culpar por isto ter me passado pela cabeça! Sou jovem demais para ter netos! – ela estremeceu de brincadeira.

Dessa vez Hermione quem virou os olhos, uma expressão tão igual à de sua mãe que quase toda a mesa encarou a jovem mulher em choque. – Honestamente mamãe! Devia ter nos dado mais crédito. Desde os sete anos de idade (*) sei todos os métodos de prevenção e proteção possíveis e imagináveis. – o tom dela adquiriu um ar quase arrogante em sua zombaria: - E se eu recordo corretamente, a senhora é a responsável por tal conhecimento.

-Em minha defesa – a mulher pôs as mãos sobre o peito dramaticamente. – Vocês passam praticamente todo ano em regime de internato naquela escola maravilhosa. Eu não poderia saber se Harry a havia corrompido.

Harry engasgou teatralmente. – Minha querida sogra, você me fere. Eu nunca faria tal coisa. – Ele lançou um olhar inocente por toda mesa, antes de segredar com um ar tão honesto que chocara Hermione:

- Se qualquer coisa, Hermione é o gênio maligno de nossa dupla dinâmica.

Hermione o estapeou, horrorizada. - Harry! – ela encarou a todos, escandalizada. - Isso não é verdade! – fazendo toda a mesa rir.

-Tudo bem, anjo. Não é como se eu não gostasse de ser corrompido – comentou suavemente.

Sem vontade, os lábios da garota se curvaram. Meneando a cabeça e apenas para constrangê-lo na frente de seu pai, Hermione perpassou a boca na dele, murmurando carinhosamente um "idiota" em seus lábios. Sem decepcioná-la, Harry corou furiosamente, incapaz de encarar ninguém. Rindo, a jovem mulher deslizou o polegar sobre a boca do moreno, retirando a pequena quantidade de batom dali.

Era impressionante! Harry podia, na maior parte do tempo, estar bem à vontade ao redor de seus pais. Em principal de sua mãe, que o adorava - francamente a mulher tinha mais que um fraquinho por Harry e praticamente o adotara com seu. - Mas era só Hermione se tornar um pouco mais demonstrativa que Harry retraia para um menininho de cinco anos com um crush pela professora do primário: corando, tartamudeando, sem fazer contato visual com ninguém.

O movimento chamou atenção da terceira colega do casal de dentistas. Que se pegou completamente fascinada pela aliança de Hermione, tão fascinada que chamara a atenção dos outros. A mulher quase tivera um enfarte ao descobrir que a joia estava na família de Harry há gerações. Aparentemente, sua família era dona de uma cadeia de joalherias e eram - em sua maioria - ourives muito talentosos... Apesar de ser a ovelha negra da família, por ter optado por odontologia ao invés de seguir os passos dos pais, tinha conhecimento do ofício.

Hermione permitiu que a senhora olhasse o anel ainda em sua mão, mas quando a mulher fez menção de retirá-lo para analisar mais detidamente, Hermione afastou a mão com velocidade. Quase constrangida, Hermione explicou:

-Sinto muito, mas eu não tiro minha aliança. Não desde nosso casamento, de toda forma.

Seu pai a fitou como se uma nova cabeça lhe tivesse crescido, mas a garota postou as mãos no colo protetoramente, encolhendo os ombros sob as expressões de confusão dos outros.

-É uma superstição familiar – Harry acrescentou prestativo. – Dos Potter, digo. Que a noiva não retire o anel antes de completar um ano de casamento.

-Oh! Desculpe-me! – a mulher disse sem jeito. - Eu acho que me empolguei – comentou com um sorriso autodepreciativo. - Mas sua aliança é uma joia de tirar o folego! Sinto muito se a surpreendi. Por favor, onde conseguiu ajustá-la? Ela coube perfeitamente em seu anular! Nunca vi tal trabalho. Tão minucioso. Mal parece ter sido ajustado. E estando em sua família há gerações, nada mais!

Harry e Hermione se entreolharam. Não podiam dizer que o anel, tal como os anéis de Lorde de Harry, se ajustara magicamente assim que colocado em seu dedo!

-Hm, na verdade ele meio que coube direitinho...? – Harry falou.

Hermione deu uma risada, pensando rápido. – Às vezes acho que foi a única razão pela qual Harry casou comigo! A mão perfeita para sua aliança de noiva. – brincou. Fazendo os 'convidados' rirem.

A senhora Granger fez um barulho com a boca, acrescentando em gracejo:

-Bem, certamente não foram por suas habilidades culinárias...

-Mamãe!

Harry riu pela expressão ofendida da esposa e acrescentou seu quinhão:

– Oh Deus, definitivamente não!

-Harry James Potter! – Hermione cruzou os braços, franzindo o cenho. Causando ainda mais risadas. – Me viro muito bem na cozinha, obrigada. E daí que não sou exatamente uma chef? – ela lançou um olhar venenoso para o moreno ao indagar petulante.

-Oh, Harry, você cozinha então?

A senhora Granger respondeu por ele. – Ha! Harry poderia muito bem abrir seu próprio restaurante!

-Segundo a imparcial opinião de minha querida sogra – Harry brincou, carinhosamente olhando para a mulher em questão.

A mulher abanou as mãos, ignorando-o ao se voltar para os amigos. – Oh, ele é talentosíssimo! E Deus sabe que Hermione e eu temos exploramos esse talento até dizer basta sempre que possível.

Hermione diria algo em sua defesa, mas era a mais pura verdade. Além do mais não é como se Harry se importasse. Ele gostava de cozinhar.

-Então é o que pretende fazer?

Harry meneou a cabeça negativamente. Constrangido e sem ideia de como explicar que na verdade já tinha uma vaga garantida na academia de aurores... Ele odiava isso. Mas era a verdade: se ele quisesse, nem teria sequer precisado cursar o último ano em Hogwarts. Ou os NIEMs (**), se estivesse sendo franco consigo mesmo. As pessoas praticamente estavam atirando propostas em sua cara meras horas depois da queda de Voldemort...

Harry, no entanto, sabia que eventualmente aquilo iria voltar para assombrá-lo se apenas aceitasse a proposta do mais novo diretor do Departamento de Execução das Leis da Magia (DELM). Ele não queria nenhum privilégio e estava certo que teria conseguido a vaga por mérito próprio, depois de conseguir pelo menos os cinco NIEMs que Minerva havia sugerido.

Hermione concordava plenamente. E ficara horrorizada só com a possibilidade de Harry considerar saltar seus NIEMs. Isso, entretanto, não a impedia de ficar extasiada por seu amigo já ter garantido praticamente seu sonho. Harry merecia isto. Que ele tenha dispensado a oportunidade para concorrer justamente com outras pessoas a enchia de orgulho – mesmo que ela soubesse que não havia chance no inferno de Harry não conseguir sua tão sonhada vaga.

Hermione tinha os olhos brilhando quando tomou mais uma vez a palavra:

–Na verdade, Harry tem uma vaga esperando por ele quando terminarmos a escola, em maio. – ela mordeu o lábio inferior, lançando um olhar para o moreno, como se pedisse permissão para contar.

Harry não fazia ideia do que ela iria ter de inventar para descrever sua futura carreira de um modo trouxa, mas assentiu. Ele não saberia o que dizer e confiava na jovem para descrever adequadamente.

-Harry conseguiu um Higher Apprenticeship (***) no – Hermione sorriu de lado, interrompendo-se. Forçando ainda mais seu sotaque britânico, numa imitação irônica de James Bond, acrescentou: – Oh, bem, isso é confidencial.

Harry ficou ainda mais vermelho e desconfortável com os olhares de admiração. – Hermione vai cursar direito! Ela teria começado ano passado se não fosse... – o jovem homem cortou a si mesmo.

Obviamente como Harry, Hermione tinha praticamente o mundo bruxo nas mãos. Principalmente depois de casada com "O Homem Que Derrotou o Lorde Negro", em letras maiúsculas. Como ele, Hermione tivera a oportunidade de "dispensar formalidades como NIEMs" – segundo o Ministério da Magia, que a queria desesperadamente em sua folha de pagamento. Só Merlin sabia o que uma Hermione Potter solta no mundo mágico poderia fazer!

-Bem, se não fosse por mim, na verdade.

Hermione suspirou. – Eu o ajudei em um... projeto no ano passado. E teria feito tudo de novo. Pare de se recriminar, Harry. Não é como se você tivesse sequer escolha. Como se pudesse me impedir – ela acrescentou erguendo a sobrancelha para ele, desafiando-o a contrariá-la.

-É claro, querida.

-Garoto esperto – o homem ao lado do senhor Granger comentou em diversão, olhando de Harry para Hermione. – Desde já sabendo que não pode vencer um argumento contra a patroa – as mulheres a mesa reviraram os olhos, apesar de apresentarem quase o mesmo sorriso superior.

Harry encolheu os ombros, como se já estivesse resignado a uma vida de servitude. – Oh, estou acostumado. Eu não venço um argumento desde que 1991, quando nos conhecemos.

Eles conversaram, brindaram e se divertiram. Era quase o horário de fechar do restaurante quando se despediram. A senhora que amara a aliança de Hermione, Allirea (****), ficara um pouco mais na companhia deles para pedir encarecidamente que se, estivessem novamente na Austrália por mais tempo que aquele fim de semana, Harry e Hermione poderiam – por favor, por favor – dar uma passada na joalheria de sua família? Ela precisava que vissem aquela obra de arte. Ela ofereceu o cartão familiar e apertou um beijo no rosto do casal. Antes de se voltar para o casal mais velho.

-Monica, Wendell. Foi um jantar maravilhoso! Sinto muito por termos tomado tanto do tempo familiar de vocês... Suas crianças são maravilhosas! – sorriu novamente para Harry e Hermione. E então para o casal mais velho. – Os verei na clínica na segunda!

- xxx -

Tudo que Hermione queria era cair na cama e dormir o sono dos justos, para amanhã colocar suas mãos em sua mais nova coleção de livros e adiantar alguns deveres que lhe foram passados ao longo da semana.

Seu pai, no entanto, espiando-a pelo espelho retrovisor do carro quando achava que a morena não estava olhando, parecia ter outros planos.

-Então... Tradiçãozinha bizarra essa, hm? Não retirar a aliança de casamento por um ano.

A senhora Granger lançou um olhar de esgueira para o marido, sem esconder sua suspeita. – Eu acho adorável. É um tipo de tradição, você sabe, bruxa? Ou é só da família mesmo?

Hermione deveria ter sabido, quase ferira Allirea em sua presa de afastar a mão. – Não é exatamente uma tradição dos Potter. É mais como uma regra não dita na sociedade bruxa. Senhoras das Casas não são vistas sem suas alianças. Nunca. É uma falta grave de etiqueta.

-Senhoras das Casas? – o senhor Granger ergueu a sobrancelha.

Hermione mordeu o lábio inferior. Deus. Deveria ter mantido sua boca fechada. Culpava o cansaço por deixar passar aquela informação.

Seus pais só sabiam que Harry era uma pessoa importante no muito bruxo. Afinal, quando ainda era uma garotinha, algumas semanas antes de ir para Hogwarts, Hermione não podia calar a boca sobre o que aprendera nos livros que seus pais lhe deram: magia, Hogwarts: uma estória; e o menino-que-sobreviveu.

Sabiam também que por conta de uma profecia, o rapaz tivera de enfrentar um psicopata em meio a uma guerra. E tal guerra fora a razão de Hermione ter lhes alterado a memória – um tabu ainda para todos eles, desde as revelações feitas meses atrás. - E que mais vezes do que não, Hermione estava ao seu lado enfrentando o que quer que fosse. Eles definitivamente não precisavam saber de algumas das coisas que fizeram.

-Hm, lembram como o mundo bruxo parece perdido em meio aos séculos XVII e XVIII?

-O que, Harry é uma espécie de líder de clã? Ele tem vassalos ou coisa assim? – O pai dela zombou.

-Clã de uma só pessoa? – Harry riu amargamente.

-Duas – Hermione contrapôs sem pensar, sua mão pousando na perna dele, ainda com a atenção para seu pai. – E não exatamente. Harry é o único herdeiro dos Potter. E dos Black. Ambas são famílias muito antigas e poderosas da nossa sociedade... Harry é considerado um Lorde. E Chefe de ambas as famílias. Ou Casas.

A senhora Granger praticamente se enrolou em seu cinto de segurança para encarar Harry e Hermione, seus olhos estreitos. – Está me dizendo que é, portanto, uma lady agora?

-Só em ocasiões formais – Hermione disse fracamente sem encontrar o olhar da mãe.

-Na verdade, sim – Hermione olhou para Harry implorando que ele não dissesse em voz alta. Sua mãe nunca, jamais deixaria isso passar. - Oficialmente Lady Hermione Jean Potter, senhora da Casa Potter.

O sorriso de Harry, que já era gigantesco, duplicou ao observar o sorriso diabólico que a senhora Granger lançava para filha.

-Eu te odeio. Tanto – Hermione murmurou tentando ficar o menor possível no banco traseiro do carro, sem fazer contato visual com ninguém.

-Oh Hermione tão bom – Harry sussurrou em seu ouvido.

Hermione estremeceu e o estapeou, finalmente o encarando. Ela não podia acreditar que Harry esperara até agora para se vingar da pequena brincadeira que fizera meses atrás. Seu pai provavelmente sequer a ouvira, pelo amor de Deus!

-Isso foi baixo. Ela nunca vai me deixar esquecer.

-Oh! Eu espero mesmo que não – Harry lhe ofereceu uma piscadela.

-Então, Lady Potter...

Hermione gemeu, enterrando o rosto no pescoço de Harry; este gargalhava.

- xxx -

Foi com imenso alívio que Hermione voltou para Hogwarts, domingo, bem a tempo do jantar. Ela ainda lançava olhares venenosos para Harry que, por sua vez, lhe oferecia de volta olhares inocentes. Oh ela queria tirar aquele arzinho dele aos tapas!

Sua mãe, obviamente, não a deixara em paz. Havia passado todo o dia agindo como um tipo de serviçal quando se dirigia a ela. Ou como alguém esnobe da nobreza. Tudo isso, é claro, mesclado com arrulhos sobre Harry, enquanto ambos – sua mãe e o rapaz – se enfiavam na cozinha preparando o café da manhã, almoço e lanches. Hermione teria se sentido excluída se não estivesse tão grata pelos momentos de paz...

-Olha quem eu trouxe de volta? – Hermione encarou o moreno sem emoção quando Harry adentrou, por fim, o quarto deles com bichento em seus braços. Depois do jantar, ele fora pegar o bichano no dormitório masculino do sétimo ano, com Neville.

Sentada na cama, Hermione lançou mais um olhar atravessado em direção do amigo. Harry podia jurar que Bichento lhe ofereceu um olhar cheio de julgamento quando saiu de seu colo para o encontro de sua dona. O gato voltou a encará-lo preguiçosamente quando se ajustou no colo da garota, como se dissesse "é melhor consertar isso".

-Você é uma pessoa horrível – ela resmungou pelo que parecia a enésima vez acariciando seu gato.

-Vamos lá, Mione. Você não pode ficar brava comigo. Você fez algo muito pior! Fingindo daquela maneira para seus pais ouvirem. Seu pai em especial, sabe que ele não é exatamente meu fã número 1.

-Ele nem sequer me ouviu Harry!

-Oh, acredite-me, ele ouviu, ok? – retrucou lembrando-se dos olhares assassinos que o senhor lhe lançara na manhã seguinte. E em todos os momentos subsequentes em que Harry encontrava seu olhar acidentalmente.

Hermione levou uma das mãos à boca horrorizada e divertida em doses iguais, permitindo que Bichento escapasse.

Tudo bem. Então talvez merecesse a revanche, afinal.

-Ainda assim! Poxa Harry, mamãe vai me perturbar pra sempre!

-Oh, eu certamente espero que sim.

-Você é uma pessoa horrível – ela meneou a cabeça negativamente e se dirigiu ao banheiro, com uma muda de roupa.

Dez minutos depois Hermione saiu do banheiro soltando o cabelo, perpassando as mãos pelos cachos e suspirando como se derrotada por conta deles.

Harry ergueu os olhos por um instante, voltando sua atenção para os livros que guardava na estante antes de erguê-los no segundo seguinte, estreitando a vista na direção da garota.

-Quem é a pessoa horrível agora?

Hermione piscou os olhos inocentemente e se dirigiu para a cama. Ela podia ouvir a brusca tomada de ar de Harry às suas costas e sorriu. Cuidadosamente, sobre os joelhos e mãos, a garota escalou a cama.

-Oh eu te odeio. Tanto.

Hermione pausou na mesma posição e o olhou por cima dos ombros. – Odeia?

Harry não conseguia tirar os olhos dela, especificamente de seu traseiro. Brincalhona (ou tentando matá-lo, segundo Harry), ela arqueou as costas - o que causou um movimento muito interessante, arrebitando ainda mais seus... assentos.

-Por Merlin, Hermione!

Rindo - Honestamente, eram as malditas risadinhas outra vez -, Hermione finalmente foi para baixo do edredom.

Pigarreando, o moreno finalmente indagou numa voz estrangulada:

- Esse é um dos presentes de sua mãe, não é?

Assentindo, Hermione indagou com ar inocente:

- Você gostou?

-Perversa. Mulher perversa – Harry disse sob a respiração, ao encontro do banheiro sem sequer se dar ao trabalho de lhe responder. A risada da amiga o seguindo.

Hermione só esperou que Harry guardasse seus óculos antes de deslizar sobre ele. Harry respirou fundo incapaz de encontrar um lugar seguro para suas mãos descansarem. Francamente, ele sequer tentou duramente – péssimo emprego de palavras, pensou Hermione sorrindo maliciosamente consigo mesma -, antes de deixá-las pousarem onde realmente desejava.

Oh, Harry teria uma noite dura – difícil. Suprimindo mais uma risada, Hermione se aconchegou mais ao corpo dele.

- xxx -

Dino Thomas era o novo capitão do time de quadribol da grifinória; este estava extasiado ao informar, no café da manhã de segunda-feira, que Harry continuava no time e que o próximo treino seria neste sábado, bem cedo. Aparentemente eles acabaram fazendo apenas metade dos testes para artilheiro.

Hermione tinha sentimentos ambivalentes quanto ao assunto. Por um lado, ficara feliz por Harry não ter sido expulso da equipe. Por outro: Gina. Iria ficar de olho na garota como um cão de guarda. Não iria permitir que qualquer incidente se repetisse. E então havia é claro, quão imprudente por si só Harry podia ser. Envelhecia anos a cada partida de quadribol!

Harry não conseguia se importar enquanto bocejava vez ou outra. O pobre rapaz parecia um zumbi. E apesar da cabeça pesada com possibilidades, toda vez que Hermione via sua expressão sonolenta, um sorriso maroto marcava sua boca.

- xxx -

Então quando sábado chegou, Hermione se arrastou para acompanhar Harry ao salão principal e depois para seu treino. Munida de um dos livros que ganhara de presente e uma das camisas de quadribol do rapaz sobre os jeans, ela quase se sentia preparada para mais uma guerra.

-Mione, eu não acho que Gina vá tentar alguma coisa – assegurou. - Ela sequer tem sua vassoura com ela, professora Babbling confiscou! E apesar de temperamental, Gina não é estúpida.

-Bem, também achávamos que ela não era insana o suficiente para atingir alguém pelas costas com um bastão, e veja no que deu.

Harry virou os olhos, mas não discutiu. – Sabe que vai ficar terrivelmente entediada não é?

A garota deu de ombros.

-Você quem sabe.

Quando chegaram ao salão principal, Demelza e Jimmy se aproximaram animados, cada qual carregando suas vassouras e, no caso de Jimmy, seu bastão também.

-Oh Harry! Uma Potter substituta, hmm?! – Demelza brincou, tocando as costas de Hermione. Precisamente o número sete dourado, logo abaixo de "Potter".

Hermione fez um som com a boca. - Tenho orgulho de dizer, desta vez, que sou figura meramente ilustrativa.

Harry a encarou expectante. – Gostaria de voar?

-Oh Deus não. Absolutamente!

-Eu vou bem devagar, Mione – ele quase implorou.

Hermione negou com a cabeça. Harry vinha tentando fazê-la voar com ele há tempos. Mas desde aquele dragão, sinceramente, preferia a terra firme. Suas experiências com voo não eram as mais estelares... E mesmo confiando em Harry cem por cento, ela ainda preferia o solo firme sob seus pés.

Ele tentara mais uma vez fazendo daquilo a condição se ele ganhasse a aposta do casamento – que monitor ou monitora indagaria primeiro sobre a união deles. Por sorte ninguém vencera.

-Você está tentando que eu pule em sua firebolt desde cedo. Não vai acontecer! - Jimmy e Demelza começaram a rir.

-Eu pensei que gostasse de rapidinhas? Estando com Harry... A vassoura mais rápida de Hogwarts.

O casal mais velho os encarou de queixo caído, antes de Harry se recuperar. – Tirem a mente da sarjeta, meninos!

Demelza deu uma risadinha. – Eu não falei nada demais. A malícia está sempre no receptor – acrescentou afetadamente. - O que quis dizer é que Harry é veloz numa vassoura. E eu acreditava que gostasse de velocidade, Hermione.

-Harry obviamente é a vassoura mais veloz de Hogwarts, mas ele sabe exatamente quando ir com calma e tomar seu tempo – Hermione afirmou sem qualquer inflexão de voz. Ela não precisava, notou satisfeita, quando dessa vez foram os queixos de Demelza e Jimmy que foram ao chão. Obviamente não esperando que a sempre tão adequada monitora Hermione Potter (anteriormente Granger) fizesse tal comentário.

-Pare de chocar essas mentes impressionáveis Hermione – Harry brincou, tapando os ouvidos de Demelza com as mãos.

-"A malícia está sempre no receptor", meu caro Harry.

Jimmy resolveu para seu próprio bem mudar de assunto. Já recebera informação demais:

-Deveríamos comer algo. Logo, logo Dino e os outros vão aparecer.


N/a: Er... eu avisei que eles eram confortáveis um com o outro...?

À propósito, nada muito excessivo, espero? Eu me desculparia, mas não foi culpa minha! Eu totalmente diminuí o tom dos dois e suas... brincadeiras. Juro! O que é um milagre desde que eu estava ouvindo repetidamente (sério. Repetidamente) uma de minhas músicas favoritas. A música? What Turns You On, por Katie Thompson. Sorte de vocês que eu parei de ouvir "animals", Maroon 5 (sorry Luma!), em tempo.

Seriously though, I regret nothing!

O lingerie que ela escolheu: www (ponto) lingerieboutique (ponto) com (ponto) au (barra) millesia-crystal-top-black (ponto) html

Sim, o preto. Porque eu amo ele.


N/a 2: Obrigada pelos comentários! Dei altas risadas! Desculpe por não atender aos pedidos sobre o desfile... Por favor, continuem me dizendo o que estão achando da fic. Eu amo saber a opinião de cada um. Infelizmente não posso agradecer por pm aos anons. Mas se houver qualquer pergunta, eu respondo no final do capítulo seguinte, ok?


(*) True story! Quero dizer, quanto a mim, pelo menos. Meu pai – como profissional de saúde que é - fez questão que meu irmão e eu soubéssemos de onde veem os bebês bem cedo. Ironicamente não tão traumatizante quando uma pessoa pensa que pode ser.

(**) Acho que todo mundo sabe. Mas ok: Níveis Incrivelmente Exaustivos de Magia (NIEMs).

(***) Traduzindo rusticamente seria mais ou menos Estágio Superior, algo como um Trainne por aqui (suponho).

Fonte: www(ponto)mi5(ponto)gov(ponto)uk(barra)careers(barra)graduate-careers(barra)training-and-development(ponto)aspx

Pra quem não sacou, Hermione sugeriu que Harry iria trabalhar para o MI5. Na verdade, seria o MI6. Mera curiosidade: a existência do MI6 – ou SIS, Secret Intelligence Service - só foi oficialmente reconhecida em 1994.

(****) É – supostamente - um nome australiano mesmo e significa "Quartzo". Get it, get it?! Porque a família dela é cheia de ouvires. Heuheuehue. #Alguém me interna.


OBS.: Quanto ao nome dos Granger, eles estão na Austrália, eu optei para que eles continuassem – ao menos para as pessoas de fora - com os nomes "australianos". Isto é: Monica e Wendell Wilkins.

E sei que é irritante eu sempre escrever "senhor Granger" pra lá, "senhora Granger" pra cá. Mas eu só posso supor que o nome da mãe dela é Jean (antes Jane – sim, eu ainda lembro que a J.K. mudou o nome do meio da Hermione do nada...). E não faço ideia de qual seria o nome do pai da garota – não que me importe muito, anyway? - Então eu opto pelos maçantes "Sr. e Sra. Granger". Porque não tenho cabeça para ficar inventando nomes adequados '-'.

Oh Deus. Quantos tópicos a esclarecer! Lol.


PS: Maria Eliza, eu pretendo sim, terminar as outras fics. Acontece que estou com a mente focada em Shenanigans por enquanto. Desde que não é um projeto tão grande - espero! - e apesar dos capítulos enormes dessa fic aqui...