Shenanigan
Universo Alternativo. Desconsiderando o Epílogo (as always...). Pós-guerra.
Sinopse: Contratos de casamento são artimanhas de séculos passados, certo? CERTO?! | Uma pena que o mundo mágico seja ainda tão, uh, retrogrado em certos aspectos, Mr. Potter...
Sinopse²: Não seria a primeira ou a última vez que alguém fazia o mundo mágico de palhaço, de toda forma. Bônus por este alguém ser Harry Potter.
Disclaimer: Harry Potter e companhia limitada não me pertencem, blablabla. Tudo é da J. K. Rowling e da Warner, whatever.
Observação: Capítulo não betado.
Parte nove
There's nothing like cold coffee and restraint
Demelza e Jimmy evitaram conversas que pudessem levar a qualquer tipo de insinuação com o casal mais velho. Haviam aprendido a lição. Na segunda vez.
Jimmy não queria saber do que Harry era ou não capaz e, sinceramente, ignorância era uma benção. Toda vez que encarava o moreno, este lhe oferecia um sorriso maroto, suas sobrancelhas se movendo... Principalmente depois do comentário inteligente de Hermione sobre como ela particularmente apreciava muito o trabalho de mãos de Harry. Era tão competente!, a monitora afirmara, ainda sem mudar seu tom de voz. Acrescentando: "não que seja uma surpresa, é claro, desde que ele é O Apanhador". Jimmy tinha certeza que ninguém poderia fazer soar "apanhador" de uma maneira tão suja quanto Hermione Potter.
Hermione não tinha acabado, entretanto, para infelicidade do rapaz. - É uma pena que não posso mais chamá-lo por "Capitão" – fez uma pausa, ponderando. - Mas eu suponho que "Monitor Potter" servirá bem.
Hermione se voltou para sua omelete como se não tivesse acabado de jogar apelidos sugestivos no ar como quem fala do tempo. Harry sorriu perversamente. Demelza teve uma crise de risadinhas. E Jimmy estremeceu.
Ele não ia brincar mais com a evil queen. Nunca mais. Hermione o fitava serenamente enquanto mastigava, como se tivesse dezenas de respostas terríveis e assustadoras na ponta da língua. O que provavelmente era o caso. Jimmy abaixou a vista imediatamente. Pensando que talvez precisasse de um obliviate para todas as imagens assustadoras que Hermione conjurara em seu subconsciente. Merda!
Demelza, por sua vez, não se importava tanto: achava fascinante que Hermione – de todas as pessoas – pudesse rebater, sem sequer piscar, qualquer comentário malicioso com um seu, um ainda mais insinuante por sinal. E não doía ter algumas informações interessantes sobre Harry. Não que fosse espalhar ou qualquer coisa, mas ainda tinha um pequenino – e mortificante – crush em Harry.
Perdera as contas do quanto Jimmy zombara dela sobre sua paixonite pelo menino-que-sobreviveu. Por sorte, ele era esperto o suficiente para só brincar a sós com ela - ou o teria matado muito cedo.
Ela tinha uma queda, não era nada demais. A maioria das garotas do colégio tinha também. Principalmente agora que ele derrotara o Lorde Negro. Salvando – mais uma vez – o mundo bruxo.
Demelza sempre soube, no entanto, que o rapaz era uma zona proibida. Psycho-Gina – como Jimmy gostava carinhosamente de chamá-la pelas costas desde o incidente com o taco de quadribol– no inicio. E então Hermione. Que, para a artilheira da grifinória, fazia o status de Harry ir de "indisponível" para "inatingível".
Era mais que óbvio que casal de monitores era devotado um ao outro. Mesmo um cego podia ver aquilo. E se as atitudes de um para com o outro fossem – por assomo - descartadas como evidência para o gigante "back off" escrito em neon em suas testas... Bem, a natureza superprotetora de Hermione daria um jeito. E se ainda não fosse suficiente: a indiferença de Harry para qualquer outra garota – era ridícula a forma como Hermione o tinha nas mãos.
Demelza viu Hermione ficar tensa por um instante antes de a morena mascarar seu desconforto com um ar de despreocupado interesse à chegada do resto do time de quadribol. A máscara sendo de imediato substituída por um olhar mortífero ao encontrar os olhos de Ginevra Weasley.
Harry interrompeu sua discussão com Jimmy para passar a mão ao redor dos ombros de Hermione e puxá-la para si - de modo que a garota tivesse o corpo pressionado contra o lado dele -, sussurrando algo ao seu ouvido que transferiu toda sua atenção para ele. Hermione apenas se afastou para encará-lo, sua mão ao encontro do rosto dele. Ela assentiu parecendo contrariada e Harry apertou um beijo na ponta de seu nariz, rindo-se quando ela o enrugou.
-Todos prontos para mais um desesperador dia de seleção, espero! – Dino disse, sua animação traindo seu comentário sarcástico. O rapaz estava a ponto de passar a saltitar, sua insígnia de capitão reluzindo em seu peito. Ele verificou duas vezes ao notar Hermione:
– Oh, Senhora Potter! Irá nos acompanhar? – quando a morena assentiu, Dino amigavelmente fez sinal de positivo. - Só espero que não fique entediada, temos ainda um número horrível de candidatos para a vaga de artilheiro.
-Bem, Harry irá fazer um pouco do treino, não é? Não creio que possa ficar entediada com ele usando as mãos.
Jimmy engasgou com seu suco de abóbora. – Poxa Hermione! Droga!
Hermione sequer escondeu a diversão desta vez.
Demilza lhe ofereceu tapinhas nas costas, apesar de comentar num tom sedutor:
– Mas que menino maldoso, esse nosso Jimmy... uma mente tão suja, uma vergonha.
O que fez o pobre garoto fizer ainda mais vermelho. – Como se não tivesse pensado a mesma coisa!
-Hmmm, eu não tenho certeza – ela postou o indicador sobre os lábios. – Por favor, confirme minhas suspeitas, o que você pensou?
-Shush, Robins – resmungou apenas e então gemeu. – Eu não quero ter mais imagens de Harry em – uhu - ação. Oh Merlin.
-Que diabos está acontecendo? Parecem estar falando outra língua!
Jimmy fitou Ritchie seriamente:
– Você não vai querer saber. Acredite-me. Sério. Acredite-me.
O que apenas fez Demelza dar mais risadinha.
-...Okay?
O Profeta Diário chegou alguns minutos depois e Hermione só estava satisfeita porque nem ela ou Harry estavam na primeira página – apesar de seu prazer não ter durado muito: as páginas 5, 6 e 7 eram dedicadas a uma incrivelmente detalhada descrição da "batalha judicial" (se as tentativas frustradas da família Parkinson em reativar o contrato Black/Parkinson podia ser chamada assim) entre os Potter e os Parkinson.
-Como eles conseguiram isso? – Harry indagou ao ler o título da manchete.
-Skeeter – Hermione contrapôs entre dentes, ainda concentrada no artigo.
-É claro, quem mais poderia ser tão baixo? Pergunta tola – o moreno meneou a cabeça.
-Aquela vadiazinha! Eu não posso acreditar nisso – Hermione sibilou. O som foi tão assustador, repleto de nojo e ódio, que as pessoas a sua volta a fitaram em alarme. Hermione ignorou a todos em favor de Harry:
- Ela deu uma entrevista! – a jovem mulher ergueu a vista imediatamente vasculhando com olhos de lince a mesa da Sonserina. Pansy, obviamente, não estava lá. Não era tão estúpida assim, afinal.
Harry suspirou, imaginando o pandemônio que Pansy e Rita poderiam fazer juntas. Não queria chegar nem perto daquele jornal. Não que ele tivesse escolha, porque Hermione passou a citar alguns trechos. Os mais "memoráveis", aparentemente.
-"Porque tudo que eu quero é uma chance. Quero provar que sou uma escolha de esposa muito mais adequada que alguém que sequer sabia da existência do mundo mágica até alguns anos atrás...". "Eu não estou dizendo que a senhorita Granger não é uma boa pessoa ou qualquer coisa, mas não podemos negar que, por conta sua educação anterior e a condição de seu nascimento, ela claramente tem uma falta de conhecimento dos costumes bruxos" – Hermione puxou ar. Horrorizada que as palavras "falta de conhecimento" estivessem de alguma maneira associada ao seu nome. – "'Eles são amigos próximos, eu não sei, talvez essa proximidade tenha feito Harry confundir as coisas. Merlin sabe que o rapaz pode ser apressadinho' brincou a srta. Parkison de boa vontade". Honestamente! Eu não sei se dou risada, contato Andrômeda para processá-la por esta óbvia demonstração de preconceito ou se a persigo com uma pistola (O que é pistola?, alguém sussurrou ao fundo e em seguida uma explicação de Dino) para reafirmar minha – ela lançou um olhar para o jornal. - "Condição de nascimento".
Não era preciso ser um gênio ou conhecer a morena como Harry o fazia para saber que Hermione estava chateada – mais bem: completamente enraivecida; e até mesmo um pouco assustada com o método que Pansy usara.
-Nós vamos contatar Andrômeda mais tarde, ok? Temos mesmo que ir vê-la, lembra? Tenho certeza que ela terá uma boa sugestão do que fazer... Além do mais só um tolo daria ouvidos à Pansy.
Hermione o encarou com uma expressão que beirava o pânico. – Mas eu realmente não conheço todos os costumes bruxos... E se um deles-
-Anjo – Harry a interrompeu com firmeza. – Se "conhecer os costumes bruxos" fosse um aspecto fundamental para se casar comigo, eu suponho que a noiva mais adequada seria alguém como Dolores Umbridge.
Hermione estremeceu.
-Exatamente – afirmou ao ver sua reação. – Eu não sei muito sobre como o mundo mágico faz seus casamentos, mas não quero nada com ele se a educação, as tradições e condições de nascimento são mais importantes que respeito, lealdade, cuidado e amor. Você me escolheu e eu escolhi você. Nada, absolutamente coisa alguma, pode mudar isso.
Hermione respirou fundo, se acalmando. Suas mãos se fechando ao redor dele num abraço apertando. - Eu a odeio. E essa maldita entrevista tem escrito "Edward Parkinson" sobre ela toda.
-Ela é só uma menina tola. E seu pai é ainda mais estúpido do que eu pensava se acredita que tentar influenciar o mundo mágico contra você vai lhes fazer algum bem – os olhos do rapaz escureceram quando continuou:
-Deveriam mesmo saber melhor que mexer contigo. Não me importava enquanto sua língua peçonhenta estava me atacando. Mas se realmente querem guerra, estarei certo de que seremos nós estando de pé no final dela. Se eles tentarem qualquer coisa nessa linha – ele abaixou a vista para encontrar os olhos da amiga. – Vamos esmagá-los.
Hermione assentiu fechando os olhos e recostando novamente sua cabeça no ombro do amigo. Sabia que era tolo, mas de repente um medo irracional de que, por ser nascida trouxa, todos seus planos iriam por água abaixo; e a imagem de Harry casando-se com Pansy se fazendo presente em sua mente não a ajudava a pensar com clareza.
Se olhares fixos pudessem abrir um buraco, provavelmente não haveria mais nada de Harry e Hermione para ser minuciosamente especulado. Enquanto o casal estava perdido em seu mais novo drama, o time de quadribol, seus aspirantes e boa parte dos alunos – e professores - que se encontravam no salão principal tinham sua atenção presa no casal.
A atenção de Harry e Hermione só voltou para a realidade quando Ethon – a coruja Bufo Real que Harry dera de presente a senhora Granger. Francamente, Hermione virou os olhos, Harry faria quase qualquer coisa por sua mãe. – pousou na mesa, a frente deles com um embrulho e um bilhete sobre este.
A menina pegou a pequena carta enquanto Harry, o embrulho; oferecendo água e iscas de bacon para Ethon. – Olá menina, está tudo bem? – A coruja piou suavemente, voando para pousar no ombro de Harry e esfregar a cabeça na dele carinhosamente. – Cansada, hm? – indagou oferecendo mais uma leva de água. – Fique no Corujal até estar bem para voar de volta, está bem?
Hermione tinha a carta em suas mãos, mas observava a interação de Harry com Ethon (*). Podia jurar que a coruja era uma versão animal de sua mãe, com sua quedinha por Harry, sua natureza doce, compassiva e alegre. Ainda tinha suas dúvidas porque sua mãe dera tal nome a ela...
Meneando a cabeça depois de a coruja ter voado – supostamente – para o Corujal. A jovem tornou sua atenção para a carta em mãos. A mensagem começava com Caríssima Lady Potter e Hermione torceu a boca, mesmo com Harry rindo por cima de seu ombro.
Querida, seu pai estava limpando seu quarto e encontrou algumas de suas coisas – que seguem no embrulho em anexo. Ele mesmo teria escrito, mas ao momento está tartamudeando para si mesmo e não creio que sairá desse estado tão cedo. Oh Bem. Paciência.
Com amor,
Mamãe
Ps: Harry, querido, vocês estava certo, é claro, mais uma picada de canela faz toda a diferença!
Hermione ergueu a vista para o amigo. – Estávamos discutindo os tipos de tortas de maça – ele encolheu os ombros.
A morena não comentou enquanto puxava o embrulho para si, rasgando-o. Infelizmente, abrira pelo lado errado e três pacotes e uma caixa de remédio caíram sobre a mesa. Mesmo com os reflexos de Harry, o estrago já estava feito. E agora Hermione entendia porque seu pai estava naquele estranho estado. Oh Merlin!
Todos que estavam perto o bastante para ter um vislumbre dos pacotes de um material metalizado e da caixa olharam para Dino em busca de explicação. Se ele sabia o que eram pistolas, ele saberia o que era aquilo, certo?
O rapaz negro olhara para Harry e Hermione como se os visse pela primeira vez na vida. Um sorriso de canto cruzou seus lábios e ele voltou sua atenção para as pessoas ao seu redor, que o encaravam expectantes.
Como diabos ele ia explicar isso para aquele povo?, Dino coçou a cabeça.
E apesar de tudo, Harry e Hermione ofereceram um "Boa sorte" em motejado enquanto voltavam suas comidas, quase frias. Sem fazer contado visual com uma alma e o embrulho já escondido sob a mesa, no colo de Hermione.
-Uh, como explicar... Ok. Ok! É um método trouxa de controle e prevenção de pestes.
Harry riu engasgando com a comida, lágrimas enchendo seus olhos enquanto ele batia repetidamente na mesa com uma mão e no peito com outra. O som de ultraje de Hermione sob o comentário apenas acionando ainda mais suas gargalhadas.
-Honestamente Dino!
-Eu não terminei minha explicação – o rapaz se defendeu. – E quanto à prevenção de pestes. Eu quis dizer crianças. Tipo, bebês.
-Por que alguém ia querer matar bebês? – Lilá parecia horrorizada.
Dino riu e Harry quase caiu da mesa dessa vez, sua cabeça escondida no ombro de Hermione enquanto tentava se controlar. Nem Hermione podia evitar as risadas dessa vez.
-Não. Não. Eu nunca falei nada sobre matar bebês. Meu Deus, Lilá! Eu disse prevenir. Tipo, evitar. Isso é usado para assegurar que Hermione não tenha bebês, sacou?
-Como as poções contraceptivas? – alguém sugeriu.
-Ah... er, não exatamente? – Dino coçou a cabeça retrucando distraidamente:
– As poções você só precisa beber. As camisinhas, aquelas coisas são chamadas assim, são usadas no ato- OPA! - o rapaz parou imediatamente empalidecendo.
-Você quer dizer... você quer dizer ao fazer, você sabe, aquilo? Como em nome de Merlin esse pacote funciona? – Lilá indagou confusa.
Hermione meneou a cabeça. Sem acreditar que Lilá Brown não podia dizer a palavra "sexo". Deus, aquele dia podia ficar mais estranho?
Parvati franziu o cenho:
-Eu acho... bem eu acho que, tipo, você deixa ele ao seu lado enquanto está... você sabe. Como um amuleto?
-Mas então por que três? É como um encantamento? Como pode? Eu não sabia que trouxas tinham encantamentos?
Harry e Hermione, nesse ponto, já estavam segurando um ao outro, sob o efeito de risadas histéricas e lágrimas. Numa mistura mórbida de constrangimento e entretenimento. Dino não estava em melhor estado.
-Não. Definitivamente não como um encantamento. Apesar de fazer mágica – o rapaz replicou.
-Ok Dino. Você tem de nos mostrar como essa coisa funciona! – era um dos meninos do quinto ano, aspirante a artilheiro.
Dino parecia horrorizado com a ordem. – Pera lá. Só porque sou nascido trouxa não significa que use esse método. E você não estaria me pedindo para fazer tal coisa se soubesse o que está me pedindo!
Ignorando a discussão entre os dois rapazes, Lilá voltou sua atenção para Harry. – Então... vai nos mostrar, certo? Como funcionam?
As risadas de Hermione morreram em seus lábios enquanto ela fechava possessivamente os braços ao redor de Harry, de repente fuzilando a outra garota com o olhar. – Não vai acontecer.
Lilá a encarou, confusão estampada em seu rosto. - Mas eu pensei que era toda a favor da disseminação de conhecimento? Ainda mais um método trouxa. Eu pensei que estaria pulando com a oportunidade de nos ensinar?
Lilá parecia genuinamente perdida e Hermione finalmente se deu conta que a garota não estava sendo atrevida com Harry ou insinuante. Lilá realmente não fazia ideia do que estava pedindo, ou como sua pergunta soara.
Suspirando, a monitora-chefe sentiu Harry relaxar ao seu lado – aparentemente o moreno também suspeitara da atitude da garota loira. Estavam falando de Lilá Brown, afinal de contas...
Hermione suspirou mais uma vez, a mão ao encontro da testa para esfregá-la. Lançou um olhar de lado para Harry e eles silenciosamente concordaram. Não havia muita escolha, de qualquer forma.
Merlin, as situações em que nos metemos.
Harry retirou de seu bolso um dos pacotes que recuperara da mesa, abrindo-o. Assim como a caixa de anticoncepcionais, retirando de lá uma cartela. Se eles iam fazer isso, iriam fazer isso adequadamente dessa vez.
Mais um anelar, por boa medida. - Está bem. Está bem. Eu vou explicar - Quase como se fosse a "hora da estória", as pessoas se aglomeraram ao redor de Harry e Hermione.
Então, monotonamente, Hermione passou a explicar métodos contraceptivos trouxas. Depois, sob olhares ainda ligeiramente confusos, francamente chocados ou curiosos, Harry e ela acharam por bem fazer uma demonstração sobre camisinhas. Basta dizer, ninguém conseguiu olhar nos olhos de Hermione ou Harry por horas.
- xxx -
O treino foi para além de desconfortável, onde quase ninguém conseguia olhar diretamente para Harry. E Gina – na arquibancada, apenas alguns lugares de distância – encarando Hermione como se esta fosse um súcubo ou coisa do gênero, sendo prontamente ignorada.
A monitora-chefe achava irônico que mesmo quando não faziam nada para alardear sobre seu status, Harry e ela acabavam em alguma situação que não permitia qualquer outra conclusão a não ser que eram, apesar de tudo, 'muito bem' casados. O que era apenas conveniente para toda aquela farsa. Se acreditasse em destino, diria que este estava compensando por todas as coisas que fizera Harry e ela passar ao longo dos anos.
Como agora... Com Parvati se jogando ao seu lado enquanto esperava Lilá ser chamada para seu teste.
-Eu fico feliz que ao menos esteja mesmo aproveitando seu novo quarto. Já batizaram todo ele?
Hermione retirou a vista de Harry - que estava a fazer pequenas (aterrorizantes) acrobacias no ar, enquanto desviava de balaços que Jimmy e Ritchie lhe arremessavam num dos cantos da quadra - para encarar a outra morena.
-Perdão?
Parvati sorriu de canto, inocentemente. – Só estou lhe parabenizando pelo casamento. Acho que ainda não tinha, não é?
-Obrigada.
-Então... Harry, hum?
-Parvati. O que você quer?
-Nada. Só estou puxando conversa. Merlin sabe que ficaremos aqui um bom tempo... – ficou em silêncio por alguns segundos. – Você sabe? Eu não fiquei nenhum pouquinho surpresa em relação ao casamento de vocês.
-Oh?
-Nope! Quero dizer, Harry e Gina estavam juntos. Antes. E bom, você e Ron – ela ergueu a sobrancelha. – Eu não sei o que diabos era aquilo, para ser franca. De toda forma, o que eu estava dizendo? Oh sim. Você e Harry. Eu sempre achei que vocês tinham uma coisa.
Hermione a olhou de soslaio. – Parvati, Harry e eu nunca tivemos nada, nem sequer "uma coisa", até a guerra.
-Não quis insinuar nada. Só estou dizendo que sempre foram muito ligados – ela encolheu os ombros. – Nenhuma garota nunca teve chance. Pelo menos não quando você decidiu agir – ela fitou Hermione. – Foi você quem deu o primeiro passo não é?
Uma risada escapou de Hermione apesar de tudo. A memória de praticamente ter coagido Harry em casamento brilhando em sua cabeça.
-Eu sabia! Ha! Lilá me deve um galeão.
-Vocês apostaram sobre quem deu o primeiro passo?
Parvati virou os olhos. – Oh, por favor! Nós apostamos sobre tudo.
Hermione abriu a boca, mas não disse nada. Meneando a cabeça decidiu que era melhor deixar pra lá. Não queria acabar incentivando Parvati. Ela realmente não precisava saber os tipos de apostas que aquelas duas entrariam.
-Por favor, não se ofenda. Mas o que é toda essa coisa com Pansy Parkinson?
-Eu suponho que tenha acompanhado a situação - nos jornais de fofoca ou ouvindo os rumores, Hermione acrescentou mentalmente enquanto a outra garota assentia. - Ela não ficou nada satisfeita com a rescisão do contrato que os Parkison tinham com os Black. Desde então seu pai e ela têm tentado de tudo para ter a oportunidade de fazer valer o contrato.
-Isso é que não entendo. Quero dizer, você é obviamente apenas Lady Potter – afirmou observando a aliança na mão de Hermione. - Ela seria, bem, ela seria Lady Black, não é? Eu sei que a sociedade bruxa britânica não é exatamente a favor de múltiplos casamentos, mas não há nada na lei que proíba um...
Hermione lançou um olhar quase impressionado à Parvati. – Você está certa.
-Uh, então por que Harry não está desfilando com duas esposas? Mesmo que uma delas seja Pansy Parkison.
Hermione ergueu a sobrancelha. – Por que Harry teria duas esposas quando uma é mais que o suficiente?
Parvati deu uma risadinha. – Você é bastante possessiva.
A jovem mulher considerou a declaração e deu de ombros. Não era a pior coisa do universo ser considerada possessiva neste momento. - Eu não compartilho o que é meu. E Harry – Hermione a encarou detidamente. – É, sem sobra de dúvidas, meu.
Parvati piscou, olhando por sobre o ombro de Hermione por um instante antes de voltar para a garota. – Bem, algumas pessoas podem discordar.
A monitora-chefe sabia que Parvati fitava Gina.
Hermione sorriu suavemente, de uma maneira que fez a outra jovem instintivamente recuar e desviar o olhar. – "Algumas pessoas" podem discordar e protestar o quanto for. Não fará diferença. Só há uma opinião que me importar – acrescentou voltando sua atenção para Harry, este ainda fazendo suas tolas acrobacias. – E todas nós sabemos o que ele quer, não é mesmo?
Sem mais, Hermione abriu seu novo livro. Sua atenção dividida entre Harry e o volume.
-Refrescante essa sua atitude confiante.
Quase cinco horas depois - com Parvati ainda ao seu lado, cochilando. -, um Harry todo suado pousou a sua frente. Retirando os cabelos grudando da testa com a mão livre e um sorriso excitado marcando os lábios:
-Última chamada.
–Eu não vou voar com você, Harry.
-Mesmo se eu pedir "por favor"?
Hermione riu fechando seu livro, deixando no banco ao se erguer. – Não vai acontecer.
-E suborno? Hm? – fez uma pausa dramática. - Que tal, mais tarde, depois de encontrarmos Andrômeda, uma ida ao Floreios e Borrões?
Hermione mordeu o lábio inferior. – Não!
-E se eu lhe desse Passe livre - Hermione olhou para Harry, para a vassoura dele, para o campo (estudando a altura em que estavam) e outra vez Harry. Seu rosto se contorcendo em dúvida. - Pense Hermione... Você poderia comprar um exemplar de cada livro. Ou toda a livraria, eu não me oporia – persuadiu.
-Isso não é justo! - Hermione fez um som de queixume. Gemendo e batendo o pé como uma garotinha.
Harry riu, estendendo a mão:
–Última chamada.
-Droga Harry! Eu te odeio – rezingou, apesar de fechar a mão na dele.
Harry estava com um sorriso de canto a canto quando a ajudou a montar de lado a sua frente, ignorando firmemente todas as maldições sob a respiração que Hermione sussurrava.
–Oh vai se arrepender – amargamente - por ter me dado passe livre na livraria – murmurou em seu peito, seus braços se fechando como torniquetes nele.
-Você sabe? – Harry chamou sua atenção calmamente. Quando levantou voo, finalmente disse:
- Eu teria deixado você gastar o que fosse apenas pelo tempo que me esperou...
-Oh, eu te odeio!
N/a: Obrigada pelos comentários!
PS: Abafa Lize! Eu me revoltei, ele (o ff. net ) ficou praticamente todo o sábado com problemas. Não dava para responder ou criar review, nem entrar na página de autor para upar documentos...
Guilherme, não. Nada disso. De fato é só uma tradição do mundo bruxo que uma Lady nunca seja vista sem sua aliança. Hermione só gosta de seguir essa regra. Além do mais, sua aliança vale mais que uma pequena fortuna. Pessoas não podem sair por ai - e sem aviso – tirando de sua mão um anel. Ela tomou um susto, foi mais uma reação instintiva.
