Shenanigan
Universo Alternativo. Desconsiderando o Epílogo (as always...). Pós-guerra.
Sinopse: Contratos de casamento são artimanhas de séculos passados, certo? CERTO?! | Uma pena que o mundo mágico seja ainda tão, uh, retrogrado em certos aspectos, Mr. Potter...
Sinopse²: Não seria a primeira ou a última vez que alguém fazia o mundo mágico de palhaço, de toda forma. Bônus por este alguém ser Harry Potter.
Disclaimer: Harry Potter e companhia limitada não me pertencem, blablabla. Tudo é da J. K. Rowling e da Warner, whatever.
Observação: Capítulo não betado.
Parte doze
I'm a slave of the way that you move
Enquanto se dirigia ao dormitório masculino do sétimo ano, Harry estava em modo de alerta total. Precisava dar tempo à amiga. Não podia descrever a reação de Hermione além de "choque". Seria até divertido se ainda não sentisse o impulso de adrenalina no corpo.
Bem. Podia ter sido pior. Harry respirou fundo antes de abrir a porta do dormitório a sua frente, ele meneou a cabeça rindo. Pelo menos não gaguejara. Tinha também quase certeza que sua melhor amiga entendera o recado... Isso era o importante. O que Hermione faria com a informação. Bem... era outra história.
E, é claro, havia o pequeno 'problema' com Gringotts que ele nem sequer discutira ainda com Hermione...
No domingo, quando fora ao banco resolver os problemas com os itens particularmente desagradáveis encontrados em Grimmauld Place, decidiu consultar Crookfang sobre um pensamento que tivera sobre o contrato Parkison/Black. Acontece que não havia qualquer precedente para a pergunta que fizera, de modo que Crookfang lhe pedira um tempo para consultar a possibilidade, assim como sugerira que perguntasse também a Andrômeda. O mundo mágico (particularmente o bruxo), Crookfang dissera, era cheio de loops convenientes...
Por conta disso, visitara seu afilhado e a avó dele naquele mesmo dia... Pensando bem, ele meio que deveria culpar Andrômeda por sua declaração à Hermione.
[Flashback]
-Harry, querido! Como está? – ela o abraçou de lado, ao passar Ted para o outro braço. – Aconteceu alguma coisa? É Hermione? – indagou preocupada notá-lo sozinho.
-Oh, não. Não. Hermione ficou em Hogwarts. Tinha ronda. Mas a verdade é que queria passar o dia na biblioteca – Harry comentou rindo-se, pegando Ted quando este lhe estendeu as mãozinhas. – Eu estava na verdade em Gringotts, resolvendo o que fazer com alguns itens encontrados na mansão dos Black.
Andrômeda lhe lançou um olhar de conhecimento, sabendo que nada de bom poderia sair daquele lugar.
–Na verdade, eu tenho a lista aqui para que dê uma olhada – ele postou Ted em um de seus quadris segurando-o com firmeza com um braço, antes de mover o outro para seu bolso e estender um pergaminho para Andrômeda. E passar a segurar Ted com ambas as mãos outra vez. - Eu lhes disse que consultaria você antes de tomar qualquer providência. Eu coloquei ao lado o que gostaria de fazer, no entanto.
As sobrancelhas da senhora quase sumiram em seu cabelo enquanto lia a lista. - Oh Merlin, aqueles bastardos!
-Sim, eu sei...
Andrômeda respirou fundo antes de tornar a encarar Harry. – Eu acredito que suas soluções sejam de fato o melhor curso de ação. Livrar-se das maldições e então das peças, eu não poderia concordar mais.
Harry lhe ofereceu um pequeno sorriso, antes de tornar a ficar sério. – Hm, Andrômeda, eu preciso discutir outra coisa com você...
A senhora franziu o cenho para o ar nervoso do rapaz, mas assentiu. – Tudo bem. Vá pra sala com Ted, eu vou pegar um café e biscoitos para nós.
- xxx -
Eles deixaram Ted sobre o tapete no chão, brincando com bonecos enquanto o observavam do sofá.
-Er... você sabe que hm, a coloquei de volta na família, certo?
Um sorriso afetuoso se formou em seus lábios. - É claro. Eu fiquei muito grata, Harry.
-Bem. Eu estava consultando Crookfang sobre a possibilidade de fazê-la a senhora Black...
Andrômeda ergueu a sobrancelha, sem esconder o sorriso de lado. Fazendo Harry se encolher, oh ele estava tão ferrado! Prendeu a respiração esperando a zombaria, que não tardou a vir:
– Oh, por que, senhor Potter. Eu não sabia que era atraído por senhoras da minha idade. É lisonjeiro, mas tenho de lhe dizer, meu coração só pertenceu a um único homem. Além disso, é claro, não acho que poderia comigo e Hermione – ela fingiu ponderar. – Eu não acredito que possa lidar com apenas uma de nós...
-Andrômeda!
O riso musical da senhora o fez corar ainda mais, por que as mulheres da família Tonks gostavam de lhe deixar sem jeito?, o pensamento repentino o fez triste, lembrando-se da outra Tonks. Cortando o pensamento, ele resmungou tartamudeando:
- Eu não quis dizer desse jeito!
-Oh Harry, é tão fácil mexer com você – Ela acariciou maternalmente seu queixo. – Eu quase sinto pena. Quase. – a senhora riu mais um pouco observando o ar carrancudo do moreno, antes de continuar com condescendência:
-Estou certa de que o senhor Crookfang lhe falou da impossibilidade da transferência. Esta que só pode decorrer atrás do casamento, ou herança.
-Sim. Infelizmente. O que me levou a outra solução - coçando o queixo sem jeito, ele murmurou:
-Eu meio que quero fazer de Ted meu herdeiro na família Black - Andrômeda piscou e Harry se apressou a explicar. – Ninguém saberá, Andrômeda. Ninguém além de nós dois, Crookfang e Hermione. Quero dizer. Bem, pelo menos não até que Ted se case com quem ele quiser e eu possa convencê-lo a reclamar a herança. Ou quando eu morrer. O que vier primeiro, realmente. – ele deu de ombros, como se não tivesse apenas virado de cabeça pra baixo a vida dela e de seu neto com aquela sugestão. – Eu não quero correr o risco com aquele insano do Edward Parkinson e sua filha ainda mais problemática. Do jeito que são, forjariam um contrato antes que Ted pudesse pronunciar "herança" ao passo que plotavam meu assassinato.
-Harry, meu Merlin! Eu nem sei o que dizer. Meu querido isso é demais e – os olhos da mulher se encheram de lágrimas. – Eu não a-
-Você fez muito por mim e Hermione. E Ted é meu afilhado. Além do mais, ele tem tanto sangue dos Black nas veias quanto eu.
A mulher meneou a cabeça em desconcerto. – Harry...
-Por favor, Andrômeda. Vocês são a minha família.
A senhora o fitou por incontáveis minutos. – Deixe-me pensar, está bem?
-É tudo que peço – Harry sorria brilhantemente.
-Eu não disse sim – advertiu.
-Ainda. Eu tenho certeza que você não negará essa oportunidade para seu querido neto, hm?
-Oh você! - A senhora secou os olhos, virando os olhos. - Isso não resolveria, no entanto, o problema sobre a 'Lady Black'.
-Essa é outra coisa que queria falar com você. Crookfang acha que é possível, mas não tem certeza se é legal. Você vê, desde que o contrato Potter proíbe expressamente uma nova esposa, eu não poderia fazer de Hermione a nova senhora Black, também?
Andrômeda riu gostosamente sob a possibilidade. – Oh, tia Walburga provavelmente tentaria voltar do inferno sob o insulto de uma Lady Black nascida trouxa – ela arregalou os olhos, postando as mãos na boca em horror. – Oh Merlin, mil perdões! Eu não deveria falar dos mortos dessa maneira.
Harry que segurava a risada até momentos atrás, sob o novo comentário da senhora, caiu na gargalhada, fazendo com que Ted o olhasse e começasse a dar risadinhas e bater palmas. – Não se preocupe com minha opinião. Eu provavelmente sou uma das pessoas que gostaria de vê-la pelas costas.
Tornando à persona de advogada, Andrômeda já ponderava as possibilidades. - Eu teria de fazer uma breve pesquisa. Não posso lhe garantir que não haja uma lei contra isto.
-Hm, Crookfang explicou que não há precedentes de uma mulher sendo senhora de duas casas – Harry franziu o cenho. - Ele disse que isso, antigamente, se devia ao alto nível de casamento consanguíneo? E problemas na concepção por conta disso – fez uma careta, mas continuou quando Andrômeda assentiu com sua própria careta de desgosto. – De modo que uma mulher raramente tinha mais de um filho. Mas – ele voltou a encará-la. - Com Ted sendo meu herdeiro pelos Black, isso não seria um problema, certo? Já que resolveria por si só os problemas sobre concepção, divisão de títulos e bens. Mesmo que Hermione e eu não tenhamos filhos. Além do mais, também protegeria Ted das garras de Pansy, comigo e Hermione sendo "Lorde e Lady Black". E mesmo se ela atentasse contra as nossas vidas, nosso testamento deixa quase tudo pra você, Andrômeda – A mulher o encarou de boca aberta. - Er... surpresa!
-Eu nem sei por onde começar! – esfregou a testa. E então voltou a atenção para Harry, ergueu o dedo indicador em riste para que ele nem tentasse se justificar. Então abriu a boca, a fechou e tentou outra vez sem sucesso. Franzindo o cenho, finalmente indagou:
-Há quanto tempo tem pensado nisso, Harry Potter?!
-Há um tempo, agora?
-Isto é incrivelmente generoso de sua parte, mas...
-Oh, não se preocupe! – se apressou a dizer. - É só precaução. Não acho que Pansy ou seu pai sejam estúpidos o suficiente para tentar me matar.
Andrômeda lhe lançou um olhar feio, sentindo-se doente só de pensar em tentativas de homicídio contra Harry e Hermione. – Vamos fazer uma pausa sobre isso. E retroceder um pouco em outro assunto, tudo bem? O que quis dizer sobre você e Hermione não terem filhos? – franziu o cenho profundamente. – Sinto muito, mas tenho de perguntar: por quanto tempo estão mesmo pensando em fazer durar esse seu casamento?
-Indefinidamente?
Andrômeda fez uma pausa na mordiscada que dava em seu cookie e concentrou sua atenção em Harry. – Perdão?
O moreno a encarou incerto. - Você não aprova?
-Querido, essa não é a questão. E certamente vocês não precisam de meu consentimento. Não posso negar, entretanto, minha surpresa. Quando vieram até a mim, a proposta era um arranjo temporário. Posso perguntar o que mudou nesse meio tempo?
-Hermione não pode sequer conceber o pensamento que eu aceite a proposta de Pansy. Ela está certa de que Pansy vai me matar na noite de núpcias ou coisa que o valha. Não que eu duvide também...
Andrômeda lhe ofereceu um olhar. Como se ele não estivesse enganando ninguém, muito menos ela.
Harry suspirou. – Eu não sei exatamente como chegamos a essa conclusão? Num minuto eu estava a questionando sobre como faríamos pra sair dessa situação. E no outro estávamos combinado que, ok, então nós vamos deixar as coisas fluírem. E eu estou aqui completamente perdido porque não é como se eu quisesse uma separação, mas e se chegar o dia em que Hermione estiver arrependida de tudo isso? Mesmo que ela diga que não vai, como ela pode saber?
A senhora sabia muito bem porque Hermione achava que não iria se arrepender em manter o casamento. Quanto a Harry, por outro lado... - E como você pode saber que não se arrependerá também, querido? O casamento afinal é a dois.
-Nós... passamos muito, muito tempo juntos.
Andrômeda sequer titubeou ao comentar:
-Obviamente. São melhores amigos, não é? – tinha certa ideia do que Harry tentava se referir, mas não iria facilitar.
-Não. Eu quis dizer durante e depois da guerra. Eu conhecia Hermione, mas nesse tempo eu tive a oportunidade de conhecer e admirar outras partes dela... A forma como ela age ao redor de sua família. O jeito que perde toda a reserva enquanto debate com o pai ou quando sua mãe a deixa toda sem jeito só porque acha divertido... Hermione é sim minha melhor amiga, mas eu percebi que não há outra pessoa senão ela. Que é a única – a encarou nos olhos. – Eu estou tão apaixonado por ela que é ridículo – Harry riu nervosamente. – Eu sei que soa extremamente, ridiculamente sentimental. E, pra ser franco, nem sei quando cheguei a essa conclusão? De repente minha amiga Hermione estava sorrindo na minha frente e no segundo seguinte minha esposa que, por incrível que pareça, era em primeiro lugar minha melhor amiga estava rindo de mim e me chamando de idiota e eu nunca estive mais feliz...
-Oh? - Internamente, uma parte de Andrômeda suspirava em alivio, outra ria a gargalhadas enquanto mais outra balançava a cabeça sob a ingenuidade do casal.
–E então tudo que penso é que eu não posso fazer isso. Não de verdade. Mas eu não consigo me forçar a acabar com tudo? O que vou fazer se ela me odiar? E quanto ao Ron?
Harry hesitou só um segundo quando a senhora o puxou para si. Como se o acalentando em seu abraço, Andrômeda continuou num tom suave:
- Na maior parte das vezes o melhor é só dizer a verdade, meu bem. Se disser a ela, Hermione saberá exatamente com o que está lidando. Quanto a Ron, você deveria falar com Hermione. Só ela pode lhe dizer o que sente por ele, afinal.
-Ela insiste que não há nada. E que Ron não tem direitos sobre ela, mas...
-Honey – o interrompeu tentando conter a exasperação. - Direi isso uma única vez: se eles não te amam de volta, não é destinado a acontecer. Sob esta premissa, mesmo que seu amigo Ron seja enamorado, bestificado, fascinado, adjetivos e mais adjetivos que remontem à paixão ou amor, por Hermione... Nada, absolutamente nada, vai fazê-la amá-lo de volta. Mesmo que ele tenha a "avistado" primeiro. Você não pode marcar uma pessoa como gado, afirmando que ela é sua, porque passou a vista nela antes que qualquer um – ergueu a sobrancelha, acrescentando dessa vez sem conter o sarcasmo:
- Não estamos mais nos tempos das cavernas.
[Fim do Flashback]
-Hey pessoal.
-E aí Harry! – Neville cumprimentou.
-Harry! Até que enfim! - Dino parecia que ia chorar em alivio. – Lembre-me outra vez por que eu decidi escolher a Lilá como substituta da Gina? Vou acabar acertando a Goles nela no meio da partida!
Deixando todas as maquinações sobre sua esposa de lado pelo momento, o rapaz se moveu para sentar ao chão, ao lado de Dino. Ignorando o olhar de Ron. E de Simas – que ainda parecia sentido com a cortada que levara de Hermione tempos atrás. Boo hoo, pensou ironicamente.
-Porque ela mereceu. Ao se sair melhor que todos os outros candidatos.
Dino bufou. – É. Tanto faz. Vamos ver se consigo armar um treino que não quebre as belas unhas da senhorita dondoca.
-Ela não é tão mal assim, Dino.
-Isso porque você não tem de arremessar pra ela ou receber dela a Goles.
-Yeah. Ok. Vamos lá.
- xxx -
No Halloween, eles caminharam silenciosamente por Godric's Hollow, vivamente recordando o que se dera da última vez que estiveram ali. Abraçando um ao outro, olhos cautelosamente absorvendo tudo, o casal se dirigiu devagar, mas com constância ao cemitério do lugar. Enquanto a maior parte de Hogwarts comemorava e se empanturrava de doces, Harry e Hermione estavam prestando, mais uma vez, respeito à Lily e James Potter (*).
- xxx -
E então, domingo dia 1º chegara com a "reuniãozinha" do professor Slughorn... Basta dizer, dezenas de ex-alunos compareceram. A oportunidade de ver Harry Potter pessoalmente – e talvez até mesmo conseguir aliciá-lo, uh, lhe ofertar trabalho... – era boa demais para se deixar passar.
Arrependendo-se assim que puseram os pés no lugar, Harry e Hermione, ao momento, eram os escudos um do outro. Era sufocante e desconfortável estar sob o escrutínio de tantas pessoas novamente... – com o tempo, a escola se habituara a tê-los pelos corredores e ninguém mais os encarava fixamente com a boca aberta. Bem, não com tanta frequência de toda forma. E pelo menos tentavam disfarçar...
Aqui. Agora. Era como se fossem animais exóticos no zoológico.
Hermione perdera a conta das vezes que tivera de puxar com rispidez sua mão esquerda para si mesma, para impedir que uma das mulheres tocasse ou retirasse sua aliança. Honestamente!
Harry, por sua vez, estava mais preocupado em lançar olhares com sutis ameaças de morte à Comarc McLaggen(*) - que, pasmem!, era um dos ex-alunos convidados para o encontro - quando este ameaçava uma passada ao encontro deles. O nível de tolerância de Harry para qualquer tipo de ardil estava negativo desde que "lidara" (em um sentido bem frouxo da palavra) com Ron.
Ele estava tão entretido que se surpreendera com a mão de Hermione voando a sua frente e segurando com firmeza o pulso de uma das convidadas – fora apresentado a diversos deles, não havia maneira que lembrasse o nome dela! Ou o que fazia se estamos mesmo falando a verdade... Tinha quase certeza que era algo relacionado a esporte ou música... uma jogadora de quadribol? Repórter esportiva? Dançarina das esquisitonas? Cantora? Alguma coisa assim. Ele realmente não estava prestando atenção. - afastando com delicadeza de perto do peito dele.
Harry piscou e moveu a cabeça para encarar Hermione; que sorria amigavelmente para a outra jovem mulher antes de deixá-la ir. Era... bem, era muito assustador. – Harry – ela sequer tirou os olhos da jogadora/repórter/cantora/alguma-coisa-relacionada, enquanto pedia docemente. – meu amor, pode pegar uma bebida pra mim?
Harry não sabia o que aquela garota havia feito, ele não estava prestando atenção à conversa ao seu redor enquanto bancava o psycho para o lado de Cormac – prioridades! - mas se Hermione estava pedindo que ele saísse por um instante, ele sorriria, beijaria o rosto dela e com um "claro, querida" daria o fora dali o quanto antes.
Quando voltou alguns minutos depois com duas taças em mãos, a nova amiga deles não estava em nenhum lugar à vista. Harry ergueu a sobrancelha estendendo uma das taças, Hermione a pegou, encolheu os ombros, impenitente. - Eu só lhe ofereci uma pequena... recordação do significado de 'espaço pessoal'.
Harry riu. – O que ela queria afinal?
A morena virou os olhos. – Não estava ouvindo? Ela praticamente empurrava os enormes seios dela contra você enquanto você concordava com tudo que ela dizia.
Harry franziu o cenho. – Ela? E eu não!
Hermione o encarou com incredulidade; e então riu sob o olhar de choque de Harry. Graças a Merlin por um marido despistado! – Joanna, esse era seu nome, a propósito. Estava interessada em saber se você aceitou alguma proposta de algum dos times de quadribol que ela sabia que haviam tentado lhe contratar. Aparentemente ela é narradora de partidas e estava, e eu cito: "empolgadíssima com a oportunidade de vê-lo voar, entre outras coisas..." risadinha, risadinha. Não estava mesmo ouvido?
-Hermione, eu nem estava olhando para ela! Eu – ele fez uma pausa, olhando-a de lado.
-Você?
-Ok. Não fique brava. Mas eu posso ter balançando a cabeça e feito sons de concordância sem perceber, enquanto eu meio que tinha minha atenção em outra coisa? Ela poderia ter sugerido um ritual de sacrifício que envolve nudez sob as estrelas em pleno dezembro e eu teria dito 'ok'...? – Hermione o encarou como se estivesse verificando suas palavras, antes de cair de novo na risada. – Me desculpe! Eu estava ocupado intimidando McLaggen.
Harry quase fazia beicinho e ela só não conseguia aguentar, principalmente quando ouvira a última parte. Postando uma das mãos sobre a boca e empurrando sua taça de volta para o moreno, Hermione ria com ganas.
Quando se acalmou, a jovem se ergueu na ponta dos pés e o beijou suavemente, seu ciúme havia evaporado juntos às risadas. - Oh Harry, apenas você – ela deslizou o polegar por sua boca e pegou a taça de volta. - Ok, conte-me mais sobre a parte onde estava intimidando Mclaggen.
Harry encolheu os ombros sem encará-la. – Ele estava te olhando como se fosse algum tipo de troféu – sua expressão se tornou uma carranca. – Se ele viesse ao nosso encontro, eu o teria estrangulado. Quero dizer, isso se você não chegasse primeiro.
-Meu herói – ela brincou empurrando seu corpo contra o dele, sua boca ao seu ouvido.
Harry tentou esconder o quão corado estava, revidando. – Ao menos não cheguei às vias de fato, como um certo alguém.
Hermione ergueu a vista para ele, marotamente. – E eu sequer cheguei a empunhar minha varinha – murmurou erguendo as sobrancelhas de forma sugestiva.
-Você – tocou o nariz dela com o indicador. – É um gênio do mal.
-Não foi por isso que se casou comigo?
Harry moveu sua mão livre para as costas dela e a deslizou de maneira possessiva até onde a decência permitia - ou mais bem: até onde a etiqueta social olhava de soslaio, mas não comentava. Muito. - antes de se inclinar para dizer ao seu ouvido. – Oh, definitivamente.
Estremecendo, Hermione o empurrou levemente, quase sem vontade. Um sorriso tolo marcando sua boca; sorriso este que só fez aumentar quando reparou que mais que metade das pessoas do local os encarava.
Meu, ela pensou alegremente.
- xxx -
Quarta-feira, 18 de novembro de 1998.
Eles haviam acabado de sair do banho e estavam secando um ao outro distraidamente enquanto comentaram sobre o dia que tiveram. Hoje fora um daqueles dias onde absolutamente tudo não saíra de acordo com o que estava planejado. E o que tinha para dar errado, acontecera... De tal modo que ao cair da noite o casal estava exausto, frustrado e impaciente para estar de volta a portas trancadas. No silêncio e conforto de seu quarto e no refúgio que era o abraço do parceiro...
Hermione fechou os olhos recostando-se em Harry, seus lábios fazendo contato com a linha de seu pescoço, sua bochecha em seu ombro. Seus braços livrando-se da toalha em favor de enlaçá-lo enquanto ele ainda secava suas costas.
A verdade é que mal podia se sustentar nas próprias pernas. Harry havia se livrado de cada nó de frustração de seu corpo – ela retribuíra o favor para além de agradecida e entusiasmada. - Mas agora sentia como se ele também tivesse se livrado de seus ossos. De seus pensamentos (o que ao momento também era grata). E sua vontade. Tudo que desejava era recostar nele e dormir até o novo milênio.
-Pronto... Vamos pra cama.
Ela assentiu, mas não se moveu.
Hermione quase não registrou a risada dele, muito menos que ele a erguera e a postara na cama. E protestou em queixume quando Harry lhe deslizou em uma calcinha.
-Ok Senhora Potter. Nada de outras peças, eu entendi.
Ela abriu os olhos por um instante, suas mãos se erguendo, movendo-se claramente num sinal de demanda. Chamando-o para si. Divertido, Harry terminou de guardar as toalhas e se vestir antes de se mover para a cama.
Hermione se inclinou imediatamente para ele. Suas mãos correndo por seu peito, antes de franzir o cenho. Em movimentos desajeitados pelo sono, a morena puxou a camisa de Harry para cima até que ele pegasse a dica e a retirasse. Como se ofendida pela peça a jovem a estapeou das mãos de Harry e se moveu sobre ele.
-Você vai ser minha morte, Mione.
Ela suspirou contente, como um gatinho esfregando o rosto no peito dele (agora despido de qualquer material). Ela apertou um beijo em seu tórax e murmurou, segundos antes de cair no sono:
- Eu te amo também.
Harry levou horas para pegar no sono aquela noite.
Hermione não havia comentado nada a respeito desde sua 'pequena' confissão. E de todas as respostas que Harry teria esperado – E Deus sabe que ele estava preparado para quase qualquer coisa! -, um sonolento 'eu te amo também' não estava exatamente em seus planos.
Com Hermione dormindo sobre si e observando o teto como se este fosse a oitava maravilha do mundo, Harry Potter sorriu ligeiramente.
- xxx -
Quinta-feira, 19 de novembro de 1998.
Harry não perdera o sorriso auto satisfeito pelo dia todo que se seguiu. Especialmente quando conseguia encontrar os olhos de Hermione; esta que dardejava, sem intenção, olhares na sua direção quase todo o tempo. Então ela corava e desviava o rosto quando percebia o que estava fazendo. E repetia o processo.
O ar de absoluto espanto, suas bochechas rosadas e a completa e irrestrita perda de palavras era o visual mais adorável e apelativo que Harry já presenciara. O fazia desejar repetir seus passos até ali apenas para plantar aquela expressão desconsertada em sua face mais uma vez. Oh mas se aquele não era um pensamento delicioso!
[Flashback]
05h30min (AM)
-Oh Deus, eu sinto muito Harry – a morena murmurou. – Apaguei ontem a noite, né? Deixei todo o trabalho pra você, não é?
-Eram umas quantas roupas sujas e toalhas para guardar, Mione. Nenhuma fórmula de aritmância. Por Merlin! Pra ser honesto, a única coisa que me deu trabalho de verdade foi tentar vesti-la. O que, como pode ver, não obtive muito sucesso.
A morena se sentou na cama perpassando as mãos pelo cabelo, ainda sonolenta. Ela olhou para si mesma então, quase em confusão. – Oh, isso – O edredom havia deslizado de seu corpo quando se movera de Harry e ao momento oferecera uma visão soberba de seu perfil. – Tendo a ficar um tanto ou quanto amuada quando cansada.
Harry riu baixinho. – Oh, eu sei.
-Ainda estou cansada – suspirou esfregando o pescoço. – Deus, que dia absolutamente horroroso foi ontem?! - comentou um instante depois, sentindo uma exaustão tremenda.
Harry se moveu de sua posição pelo instante necessário para trazê-la de volta. Puxando-a com cuidado, planejando que deitasse na cama outra vez. Hermione foi ao seu encontro disposta. Montando nele, seu corpo arrastando preguiçosamente para sobre Harry até que pudesse recostar outra vez a cabeça em seu peito.
-A única coisa digna de nota daquele dia foi nosso tempo a sós – acrescentou suavemente apertando um pequeno beijo no queixo dele.
-Aqui para servir, senhora Potter.
Hermione não conseguiu conter a risadinha. Culparia o sono e o cansaço enquanto escondia o rosto – agora vermelho por conta do indigno som que escapara de seus lábios – do olhar (ela tinha certeza) arrogante de Harry. Ele havia dito "senhora Potter", então era meio que culpa dele. Certo?
Subitamente, Harry os girou na cama para estar por cima. - Você gosta do som disso, não é?
Ela riu ligeiramente. - Shhhh, eu estou com sono.
-Oh?
Deliberadamente, o moreno ergueu uma das pernas dela sobre si, suas mãos se fecharam em seus quadris logo em seguida, coordenando o movimento de ambos em uma coreografia que Hermione não esqueceria tão cedo.
Ela gemeu. - Ok, nem tanto sono assim.
-Você tem certeza? – indagou inocentemente repetindo o movimento enquanto mordiscava seu pescoço.
-Eu posso, hmm, eu posso ser persuadida a um estado de alerta...
-Eu não sei, Mione... Não quero me aproveitar de seu estado. Não seria certo – brincou.
Hermione adotou seu melhor tom de repreensão, ao exigir:
-Harry, pare de me provocar - o efeito pode ter sido perdido por conta do olhar sem foco dela ou de toda pele em exposição ou ainda pelos pequeninos sons de encanto que a morena dispensava ao ambiente, no entanto...
Harry a beijou – por fim - antes de recuar. Traçando pequenos beijos e mordidelas em seu caminho para o sul. Ele descobrira que gostava de marcar também... apenas preferia lugares mais discretos. Como, por exemplo, o lado de seu seio esquerdo.
Ele beijou o seu estomago e traçou com a língua uma linha até seu umbigo e ergueu a vista, um sorriso satisfeito se formando em sua boca ao observar Hermione com os olhos presos nele, a expressão sufocada. Ainda a encarando, Harry mordiscou o osso de seu quadril e Hermione choramingou, resfolegando o nome dele enquanto empurrava a cabeça contra o travesseiro e fechava os olhos.
Hermione abriu os olhos de imediato, lutando para se erguer em seus cotovelos quando os dedos de Harry brincavam com os lados de sua calcinha enquanto descobria um novo lugar favorito para mordiscar: a parte interior de sua coxa.
-Eu nunca-
Harry riu levemente, apesar de suas bochechas estarem tão ou mais vermelhas que as de Hermione. – Nem eu. Eu suponho que teremos de aprender juntos?
Hermione mordeu o lábio inferior, assentindo com entusiasmo. – Sim, por favor.
[Fim do Flashback]
A verdade é que a mente de Hermione estava tão voltada para seu despertar que se um assunto não dizia respeito às suas aulas, responsabilidades como monitora ou Harry, ela simplesmente não estava interessada. Mas bem: era inútil discutir com ela, porque Hermione simplesmente não ia ouvir. O nível de abstração da garota era extraordinário.
Nem mesmo Pansy Parkinson conseguira tirar o ar de admiração da monitora-chefe. A jovem sonserina finalmente tivera coragem de indagar se Hermione gostara de sua entrevista. E ela soube? Por conta da entrevista, uma boa parte da sociedade agora era a favor dela?
Hermione piscou devagar, antes de conseguir assimilar o que ouvira. E então bufou divertida. – Hm, parabéns? Era isso que gostaria de ouvir? Estou tão feliz que "grande" parte da nossa sociedade é ao seu favor – sorria suavemente e as pessoas que estavam por perto recuaram por instinto. - Belo prêmio de consolação, eu suponho. Desde que quem importa, isto é, meu Harry, ainda prefere lutar novamente com Voldemort a tê-la como esposa. Mas congratulações de toda forma!
A morena terminou de guardar seu material e então avançou até estar há alguns centímetros de Pansy, comentando como se fosse uma nota de rodapé:
-A propósito: boa sorte. Você vai precisar.
Ela se afastou da sala de aula de Runas Antigas sob o olhar atento da professora Babbling – que, sinceramente, estava preparada para interceptar um duelo completo -, o choque de seus colegas de classe e as intenções de assassinato de Pansy Parkinson.
Rindo-se, Hermione se perguntava se aquele dia podia ficar melhor.
- xxx -
[Quarto de Harry e Hermione. Noite]
Harry mal havia fechado a porta atrás de si quando a morena saltou sobre ele. Literalmente.
E apesar de surpreso, suas mãos se fecharam sobre ela, sustentando-a enquanto Hermione fazia o seu melhor para sugar sua vida – aparentemente - pela boca.
-Cama. Agora.
Quem era ele para discutir?
Antes que chegassem ao seu destino, Hermione se contorceu para sair de seu colo. Ela o empurrou para a cama, fazendo-o cair de costas e montou sobre Harry.
-O que você fez por mim hoje de manhã foi realmente, realmente maravilhoso. E pensei que talvez eu pudesse fazê-lo se sentir tão bem quanto me senti, se você quiser?– sob a expressão aturdida do rapaz e um único mover de cabeça, Hermione riu ligeiramente, retirando a camisa de seu baby-doll sobre a cabeça. – É. Eu pensei que gostaria.
A mão dele imediatamente se ergueu para acariciar o lado de seu corpo, precisamente na ligeira marquinha ao lado de seu seio esquerdo.
Lábios ainda curvados em um sorriso, Hermione chamou sua atenção. Que estava rapidamente se esvaindo para outras partes do corpo dela quando a morena ficou de pé na cama, sobre ele e retirou o resto do baby-doll. – Suas roupas, Potter.
Quando Harry se sentou na cama, sua posição era mais que uh, favorável. Ele ergueu a vista, uma expressão tão dolorosamente inocente tomando lugar em sua face que era quase ridículo acreditar no que fizera um segundo depois: o rapaz inclinou-se para frente plantando um beijo entre suas pernas.
Ele riu quando os joelhos de Hermione cederam. E apesar de si mesma, a morena virou os olhos, tomando para si a tarefa de desvesti-lo.
N/a: Obrigada pelos comentários! Eu amo cada um deles.
Nota: Eu ia fazer um tipo de 'orgasm feast' *insira erguer de sobrancelha sugestivo aqui* mas esta ainda é uma fanfiction PG-13, então... Nope. Heuehueuehueheuheuheueheuheuehueehueh *engasga* Oh God *respira fundo* estou bem, estou bem. Anyway! Eu confio na criatividade de vocês.
Só uma coisa: Não, eles ainda NÃO consumaram o casamento.
(*) Eu não consigo lidar com algumas mudanças na versão brasileira. Então, yeah, eu vou deixar James. E Comarc.
PS: Eu sou uma ótima pessoa. Shut up. :)
