E aí gente, tudo bem? Como passaram a virada do ano? Eu ia postar esse capítulo ontem, porém houve um imprevisto. MAS AGORA ELE ESTÁ AQUI, ÊÊÊ. Quero dizer que estou muito feliz com a recepção da história, os elogios e tudo mais. Vocês são umas lindas! Esse ficou um pouco maior do que os outros, mas acho que não é motivo para reclamações rs
Enfim, sem mais delongas... Divirtam-se!


Disclaimer: Naruto e seus personagens pertencem a Masashi Kishimoto.


''Se você vê estrelas demais

Lembre que um sonho não volta atrás

Chega perto e diz "Anjo"

Se você sente o corpo colar

Solte o seu medo bem devagar

Chega perto e diz "Anjo"

Bem mais perto e diz "Anjo"

Se uma coisa louca

Sai do seu olhar

Fique em silêncio

Deixa o amor entrar

Pra que tanta pressa de chegar

Se eu sei o jeito e o lugar''

Anjo, Roupa Nova

- Sakura?

Dizer que a moça de cabelos róseos estava em choque era um eufemismo. Com a mente em pane total, ela ainda permanecia de costas com a expressão mais apavorada do mundo. É claro que ''invadir'' o quarto de hospital do Sasuke resultaria nesse tipo de coisa. O que ela diria agora? Estava apenas lhe espiando, mas entrei no seu quarto sem pensar porque pensei que você já tivera alta e só queria confirmar minha suspeita. Como ela era burra! Graças a Deus ele surgiu antes que pudesse pega-la inalando o cheiro do seu travesseiro. Se tal fato tivesse acontecido, Sakura teria fugido imediatamente para a floresta mais longe possível. Analisando no momento, a ideia tinha sido a coisa mais estúpida que já pensara na vida. Infelizmente, quando se tratava de Sasuke, Sakura não conseguia colocar toda a sua alta inteligência para funcionar direito.

- O que faz aqui? – quis saber, mas não havia vestígios de raiva ou impaciência na sua voz, só pura e genuína curiosidade. Ah, aquela voz... Sakura tremeu dos pés a cabeça quando sentiu um arrepio atravessar a sua espinha.

A médica meio que se sentia dormente, como se o sangue tivesse parado de circular pelo seu corpo. Mesmo com seus conhecimentos médicos, não sabia se aquilo era de alguma forma possível, porque seu coração não dava trégua nenhum minuto. Sasuke mais uma vez com o seu poder de deixa-la na beira de um abismo de incertezas. Tentou se recompuser, alisando a frente do jaleco. Aquilo estava começando a virar uma mania. Virou-se – não mais confiante do que estava antes – e finalmente, ah finalmente encontrou o olhar do moreno. O quanto ansiou por isso desde que o mesmo lhe levou do céu ao inferno em menos de um segundo após receber a notícia da maldita proibição. Mesmo com o rinnegan, ela não poderia se sentir mais satisfeita. O olhar sem mais vestígios de ódio e sede de vingança, ela podia ver o Sasuke verdadeiro espelhado ali. O Sasuke por quem ela se apaixonou. Mas Sakura sentia-se meio confusa, porque o moreno não demonstrava estar com raiva por encontra-la ali. Na verdade, sua expressão estava um pouco... desolada? Não sabia dizer. Vestindo apenas uma calça preta, seu dorso estava nu, apenas coberto pelas ataduras que aparentavam estar molhadas. Parecia que ele acabara de sair do banho e a rosada confirmou isso quando percebeu que ele enxugava a nuca com uma toalha pequena. A que ponto um ser humano pode chegar quando se vê que está sentindo inveja de uma toalha? Sakura sentia-se tão estúpida... mas ninguém poderia condená-la pela visão que obtinha no momento. Sasuke era perfeito em todos os sentidos, mesmo cheio de bandagens e com apenas um braço. Isso não lhe afetou em absolutamente nada.

Sakura engoliu em seco e pigarreou. Ele ainda esperava uma explicação.

- Bom... e-eu... – maldição! Porque ela simplesmente não conseguia conversar como um ser humano normal perto dele? Era nessas horas que compreendia muito bem como Hinata se sentia. Pigarreou mais uma vez e rezava para que sua voz soasse mais firme. Demonstrar que estava abalada de alguma maneira? Nunca. Dignidade em primeiro lugar. Porém ele a olhava tão profundamente... Arrepio na espinha, coração batendo freneticamente; Podia sentir o rubor se formando.

- Eu vim verificar se algo aconteceu, já que não vi nenhum ANBU de guarda a sua porta. – deu de ombros. Será que sua voz soou indiferente convicentemente? Rezava para que sim.

- Conferir se eu fugi? – não tinha certeza, mas ela notou um certo tom de deboche na sua voz. Impossivelmente, o coração da rosada acelerou ainda mais. Essa hipótese nunca passara por sua cabeça, mesmo depois dele se demonstrar tão inconstante várias vezes. Depois do pedido de desculpas ela não tinha mais receios quanto a Sasuke, justamente por ter notado que ele estava sendo realmente sincero. Bom, pelo menos até o momento da internação, onde ele se mostrou novamente um filho da mãe com o já tão massacrado coração da médica-nin. Novamente o abismo de incertezas. Sasuke era um verdadeiro paradoxo. Sakura inspirou e expirou fundo.

- N-não... Não é isso... É só que... – suspirou com força. Nem sabia por que estava se explicando; era inútil. – olha, esquece. Foi um erro apenas. – e dirigiu-se até a porta, sem olhá-lo e sem se importar com a bandeja que derrubara mais cedo. Alguma enfermeira cuidaria disso quando entrasse ali. Queria apenas sair dali e de toda aquela humilhação. Só queria sua casa, seu pai contando piadas sujas, sua mãe lhe dando broncas e sua cama. Nem devia estar ali mesmo, pois seu turno terminou há meia hora. Mordendo o lábio inferior, girou a maçaneta.

- Espera... – a voz lhe pediu e aquilo ecoou em seus ossos. Talvez fosse algum tipo de ilusão da sua cabeça, sempre pregando peças; sempre tão brincalhona. Mas ela ouviu-o suspirar pesadamente, como se estivesse prestes a fazer algo que lutara com toda a força para não fazê-lo.

- Tsunade não veio aqui ainda. Nem Shizune. Você... poderia me examinar e trocar meus curativos?

- O que? – girou a cabeça tão rápido que ficou meio tonta. Sua voz soou indiferente como sempre, mas Sakura ouviu muito mais do que poderia querer naquele pedido. Porque ele confundia tanto a sua cabeça? Fazia de propósito? Sakura ia lhe retrucar o porquê de ser assim, porque sempre acabava dando um nó em sua mente com suas atitudes, mas notara só agora o que ele havia lhe dito.

- Espera, você disse que nem Tsunade e nem Shizune vieram por aqui hoje? – perguntou com o cenho franzido. Sasuke limitou-se a assentir e dirigiu-se até o banheiro para devolver a toalha ao seu devido lugar.

Estranho, talvez Tsunade tivera algum imprevisto hoje. Olhou a hora em seu relógio de pulso. Passavam das duas da tarde.

- O turno de Shizune acabou há meia hora... – murmurou para si mesma. Com tantas cirurgias provavelmente ela acabou não conseguido tempo livre, ou esquecera mesmo. Analisou a situação, olhando para nenhum ponto especifico no chão e esfregando a nuca. Ao que parecia, não teria outra escolha. O senhor Sou Mais Inteligente Que Todos cometeu um erro grave por ter tomado banho antes de tirar os curativos. Para uma proliferação de fungos bastaria pouco tempo, e a troca deveria ser feita o mais rápido possível. Suspirou pesadamente. É, algo ali estava sendo arquitetado pelo destino para leva-la diretamente ao inferno. Algo em sua nuca coçava, sentindo que estava sendo observada. Quando olhou para a porta do banheiro, encontrou Sasuke encostado ao batente analisando-lhe. O rosto era impassível como sempre, mas a intensidade do olhar fez o interior de Sakura sacudir como se seus órgãos tivessem sido postos em um liquidificador. Desviou o olhar rapidamente e começou a juntar o que derrubara junto com a bandeja, colocando tudo em cima da mesma. Ainda estava sob o olhar dele. Deus, Sasuke conseguia lhe deixar em ponto de ebulição apenas com o fato de não tirar os olhos dela. O rubor em sua face era evidente.

- Eu... vou pegar bandagens limpas. Volto em um minuto. – e saiu feito um raio, encostando-se a porta quando a fechou, arfando. Sinceramente? Não queria voltar lá. Mal tivera coragem de olhá-lo nos olhos enquanto falava. Não saberia dizer se seu coração sobreviveria ficar tão perto dele. Seria uma tortura pior do que as muitas que tinham na Idade Média. Mas precisava fazer isso para o bem da saúde dele. Inferno! O moreno fora tantas vezes um filho da puta com ela, mas mesmo assim Sakura só sabia retribuir com cuidados e o mais puro e sincero amor, esse que ele tanto insistia em recusar. Não tinha outra saída, por mais que procurasse. Só rezava para que saísse viva dessa situação árdua.


- Essa letra de Shizune sempre me estressando... – Sakura comentou em um murmúrio enquanto tentava desvendar o código secreto que Shizune chamava de letra no prontuário de Sasuke. Ela agora era novamente a médica profissional que sempre fora. Depois de muito esforço e mordendo insensatamente a ponta da caneta, Sakura começou a fazer os exames no individuo que se encontrava sentado à cama. O mesmo procedimento que fizera com Naruto mais cedo, porém com significantes diferenças. E isso se referia ao estado emocional da Haruno. Dizer que não estava borbulhando por dentro? Seria uma mentira deslavada. Agradeceu o fato por ser profissional ao extremo e não permitir que suas mãos tremessem. Mas o olhar que ele ainda lhe direcionava não contribuía muito para isso. Ao examina-lo, notou que ele não estava muito confortável. A pulsação encontrava-se alterada, o que ela comprovou mais ainda com o estetoscópio. Talvez a aproximação indesejada que ele obrigava a se submeter estava deixando-o com muita raiva, apesar do seu rosto não demonstrar nada. Não queria admitir a tristeza que esse pensamento lhe causara.

- Você não deveria ter tomado banho ainda com os curativos, correu risco de uma proliferação de fungos na pele sabia? – o repreendeu enquanto tirava as ataduras sujas e molhadas do seu dorso nu. Diferente de Naruto, suas feridas não se cicatrizaram por completo. Não deixava de notar o quanto o corpo de Sasuke era perfeito, mesmo ferido. Os músculos bem trabalhados, devido aos anos fastidiosos de treinamentos. Queria tanto tocar aquela pele de maneira bem diferente do que fazia agora... Maldição, alerta ''pensamentos proibidos''. Não era hora para aquelas coisas! Profissionalismo em primeiro lugar, esse era seu lema.

- Não tive muita escolha, eu estava imundo. – respondeu dando de ombros. Sakura limitou-se a murmurar uma afirmativa.

Ao terminar, passou para o braço amputado. ''Relaxar os músculos com chakra sempre funciona... '' pensou distraidamente. Lembraria-se de perguntar sobre as próteses com as células de Hashirama para sua shishou quando a visse.

Ela estava se saindo bem apesar da atmosfera pesada entre eles, e se sentia orgulhosa por isso. Mas se ao menos ele parasse de olhá-la daquele jeito... Terminaria aquilo o mais rápido possível. Sentia uma tensão entre ambos, que não identificou muito bem o que era. Droga de coração que não se acalmava. Deixou o rosto por último, esse que se encontrava com menos danos.

E algo aconteceu.

Verdes, ônix e rinnegan se encontraram. As mãos da Haruno se posicionavam uma de cada lado do rosto do Uchiha. Toda a sua posição de ''médica profissional'' caiu por terra. O olhar dele, Deus... Nunca na vida antes ele a olhara daquela maneira. Sentia-o olhar mais além, como se quisesse desvendar tudo que ela sentia, pensava. Um olhar que enxergava muito mais fundo. Um olhar que enxergava a sua alma.

Sakura não conseguia desviar ou fugir. Seu coração batia numa velocidade absurda e doía tanto, tanto... E inconscientemente, começou a acariciar o lado direito de seu rosto com o polegar. Para cima, para baixo, movimentos circulares... A pele do dedo estava em brasas.

Sasuke fechou os olhos e sua respiração ficou árdua, tocando a pele de Sakura como uma carícia. Ela permitiu-se a fitar os lábios dele, tão convidativos. O que ele faria se ela atrevesse a se aproximar? Talvez estivesse ficando maluca, mas já não pensava com clareza e não queria desperdiçar a oportunidade perfeita que lhe foi concebida. Seria algo que ela guardaria para sempre consigo, caso ele se irritasse profundamente e a expulsasse de vez da sua vida. Era um risco que se permitiria correr.

Aproximou-se cautelosa, agradecendo por ele estar ainda de olhos fechados. Tão... perto.

Um trovão soou estrondoso lá fora.

Como se tivesse sofrido um choque de mil volts, Sakura se afastou de Sasuke. Totalmente esbaforida e desorientada, ela o olhava com as esmeraldas totalmente arregaladas. O moreno encontrava-se com a expressão em um misto de confusão e surpresa. Muito menos expressivo que Sakura, mas mesmo assim...

A médica andou lentamente até encostar-se a porta, mas não sabia se saía correndo dali, a mente dissolvida. Deus, o que acabara de fazer? Desde quando ficara tão ousada? Será que ele percebeu a sua atitude audaciosa? Talvez, pela sua fisionomia. Agora sim seria uma boa hora para correr até a floreta mais longe possível.

O som da chuva caindo no teto encheu seus ouvidos. Sem muito saber o que fazer, espalmou as mãos no cômodo que ficava próximo a porta, onde as roupas de pacientes eram guardadas. Ruborizada, queria evitar seu olhar, porém sentia-se encurralada. Agora sim que Sasuke a afastaria de vez da sua vida. Respirando profundamente, queimava de vergonha. Como era estúpida, maldição. Muito estúpida...

Houve um clique.

Era o som da porta sendo trancada. O coração de Sakura parou na garganta. Uma aproximação lenta ao seu corpo a pegou de surpresa. Parou a poucos centímetros, e uma respiração tocou-lhe a nuca. Então, uma mão tocou levemente seu braço. Eram somente as pontas de dedos, e mesmo com o tecido do jaleco, a região tocada estava em brasas. Como queria sentir aquilo na pele, saber se a sensação seria a mesma ou ainda melhor. Um nariz encostou em seu cabelo rosado, inalando o perfume. Sakura não se mexia. Não tinha reação. Provavelmente era mais um de seus sonhos, ou sua mente lhe pregando peças mais uma vez. A mão em seu braço deslocou-se até seu cabelo que crescera um pouco durante esse tempo pós-guerra. Delicadamente, algumas mexas foram afastadas. Sentiu lábios encostarem-se na pele alva e exposta, leves como uma pluma. Sakura fechou os olhos à sensação arrebatadora que aquilo lhe provocou. Parecia que sua imaginação estava cada vez mais fértil, por reproduzir sensação tão real. A ponta do nariz fez caminho da nuca até sua orelha, deixando uma trilha de fogo. Um calafrio lhe correu a espinha, na boca do estômago... Seu coração batia espelhando o barulho da tempestade golpeando a janela do quarto, cada vez mais forte. A respiração em seu ouvido estava pesada e Sakura não sabia se suportaria mais.

- Sakura... – a forma como seu nome foi sussurrado em seu ouvido, fez a médica-nin tremer. Seus joelhos viraram gelatina. Nunca aquela voz o pronunciava assim, tão cheio de urgência. Sakura se deliciou e queria ouvi-lo chama-la assim mais uma vez, a toda hora, a todo minuto, a cada segundo.

- Sakura... olhe pra mim... – a voz sussurrou com mais exigência agora. A mão desceu lentamente do seu pescoço até a sua barriga, depositando-se ali. Depois, lentamente, Sakura foi empurrada de encontro a um corpo quente. Arfou.

- Sakura... – outra vez. Mordeu o lábio inferior com força. A mão em sua barriga empurrou-a mais uma vez para traz, com mais força, como se não estivesse perto suficiente. Sentiu uma protuberância um pouco acima das suas nádegas, o que a deixou um pouco confusa e desorientada. Mas um segundo depois sua ficha caiu e...

Oh Deus...

Aquilo a pegou com a guarda totalmente baixa. Apavorada, virou-se ligeira e automaticamente. O ato a desequilibrou e um braço a segurou fortemente pela cintura. Aqueles olhos de novo, que a levavam para outra dimensão. Sua garganta se fechou. Por que ele estava fazendo isso com ela? Queria confundi-la ainda mais?

- Sasuke-kun... – ele fechou os olhos. Trouxe-a para mais perto. Duradouramente, conduzi-os até que Sakura recostou-se na cômoda. Inconscientemente, ela apoiou uma mão no ombro direito do Uchiha. Seus hálitos se misturavam, ambos com a respiração pesada. Os corações batiam no mesmo ritmo, como uma sintonia perfeita.

- Por quê?... – aquela pergunta estava carregada de muito mais dúvida do que simplesmente sobre a atitude dele naquele momento. Porque ele fazia aquelas coisas? Sempre a arrastando mais e mais pra baixo, em um poço profundo e sem saída. O olhar do moreno desceu até seus lábios entreabertos rosados. Sakura fez o mesmo.

- Só estou... reivindicando aquilo que você me prometeu a quatro anos atrás... meus dias felizes.

E então o Uchiha finalmente acabou com aquela mínima e dolorosa distância. A tempestade lá fora se intensificou e um trovão ecoou por todo o horizonte.


Ai ai ai, e aí? Até eu estou curiosa e aflita.
Lembrem-se sempre que os reviews são super importantes pra eu saber a opinião de vocês e claro, motiva a inspiração dessa autora que vos fala haha.
Prometo que o próximo postarei mais cedo (e não é promessa de político).
Beijos a todas e claro: FELIZ ANO NOVO 3

Ah antes que me esqueça, música do capítulo: Rascal Flatts - What Hurts The Most