OI GENTE AMADA
Esse nem demorou muito né? haha Acabei de escrever e revisá-lo agora, então resolvi postá-lo logo. Típica insônia... Desculpem o tamanho, mas esse capítulo é importante até demais para a história. O próximo será maior, prometo 3
Boa leitura!
Disclaimer: Naruto e seus personagens pertencem a Masashi Kishimoto.
''Ela era pura. Feita do amor, imaculada como a neve no inverno rigoroso de dezembro. Ele era tóxico. Feito de veneno letal, a personificação do pecado e chagado em cada parte de sua alma. Ela não se importava em ser manchada com o escarlate pecaminoso que vinha de suas mãos. Ele necessitava do antídoto, da água benta que se derramava dela; necessitava ser curado. '' – Fabiana Maria (Autoria Própria).
Ainda chuviscava lá fora, quando a noite começou a cair. Um ar úmido junto com o cheiro de terra molhada adentrava o quarto pela janela aberta por Sakura, a fim de fazer um ar fresco entrar no ambiente abafado. Ela surpreendeu-se ao notar o quanto era tarde. Quanto tempo eles passaram ali? Corou de repente. Tudo ainda estava tão nítido... Sentia Sasuke em cada célula do seu corpo. Cada toque, seu cheiro, o gosto dos seus lábios... Seu coração batia na sintonia de um único nome. Não se arrependeu nem um minuto do que fez. Para isso, precisava arrepender-se do seu amor por ele. E isso nunca. Tudo o que aconteceu naquele quarto, toda a intensidade dos dois, foi desprovido de unicamente um sentimento tão forte como aquele. Disso ela não tinha dúvidas; sentiu isso com toda a sua alma.
E agora ele dissera que precisavam conversar. Sakura não queria admitir, mas estava com medo. Mesmo depois do momento tão bonito que se desenrolou naquele dia, ela ainda temia que aquele Sasuke inconstante aparecesse novamente. Estava tão feliz... Por isso quis adiar o máximo a pergunta que martelou na sua mente durante todo o momento em que ficou abraçada a ele. Mas necessitava saber o porquê de mudança tão repentina. Queria entende-lo.
Devidamente vestidos, os dois encontravam-se sentados lado a lado na cama. Sakura retirara o lençol manchado com o seu sangue, colocando-o em cima da cômoda para depois leva-lo a lavanderia do hospital. Não queria que nenhuma enfermeira ou até mesmo Shizune ou Tsunade dessem de cara com aquilo. Queria evitar maiores constrangimentos. Sem as botas ninjas e a blusa vermelha desabotoada, ela segurava a mão de Sasuke. Esperava pacientemente, enquanto acariciava os nós de seus dedos com o polegar.
- Pode começar quando quiser... – balbuciou. Ela levantou o olhar para ele e o flagrou encarando suas mãos juntas, com uma intensidade desconcertante. Sakura inspirou fundo, sentindo as lágrimas de emoção brotarem. Como não queria se iludir... Mas estava complicado.
Sasuke hesitava. O carinho que ela fazia em sua mão ativava cada terminação nervosa de sua pele, mandando arrepios agradáveis por todo o corpo. Ele se sentia estranho. Não que estivesse arrependido ou coisa assim. Depois de tudo o que aconteceu, algo nele estava diferente. Sakura estava por toda parte; em sua pele, alma e coração. Ela deixara digitais por toda a parte. Haruno Sakura e Uchiha Sasuke fizeram amor em uma tarde tempestuosa. Se o falassem isso há tempos atrás, ele não teria acreditado. Seu interior queimava com as lembranças. Censurou-se, porque caso continuasse ele a pegaria nos braços e faria tudo de novo.
Precisava manter o controle. Precisava esclarecer muitas coisas a ela.
Contudo, não sabia por onde começar. Havia tantas coisas entaladas na sua garganta e que ainda o atormentavam. Desabafar com Sakura poderia ser bom. Até porque, talvez ela ainda se sentisse confusa por não saber parte da história ainda. Depois de muito ponderar, tomou-lhe a mão e começou a mesma carícia que ela lhe fazia. Respirou fundo e olhou-a nos olhos.
E então contou tudo. Contou os motivos de ter agido de maneiras tão incompreensíveis desde que se encontraram depois da luta contra Danzou. Falou de toda a verdade sobre o massacre do clã, em como a história alterada por Obito o deixou louco e cego de ódio, fazendo coisas que não faria se estivesse lúcido. E ainda sobre o encontro com o edo-tensei de Itachi e a conversa com os antigos Hokages. Pontuou todos os motivos, nunca querendo expô-los como justificativa. Só queria compreensão da parte dela. Quando terminou, foi como se um peso houvesse sido retirado de suas costas. Notou o quanto necessitou colocar para fora tudo aquilo. Nunca na vida falara tanto como naquele momento.
Sakura ficou calada durante todo o relato. Sua expressão variava entre a de confusão, espanto, tristeza e dor. Ao terminar, sua expressão era uma mistura de tudo. Sasuke ficou esperando, o olhar novamente em suas mãos. Passou tempo demais, porém talvez ela só estivesse processando tudo. Não sabia exatamente o que queria vindo dela. Um trovão soou baixo além de Konoha quebrando o silêncio esmagador, a tempestade caindo distante dali. Estava tão silencioso, que o engolir seco da rosada pôde se ouvir no ambiente.
- Então... Quer dizer que Itachi fez tudo isso por amor a vila e a você? Eu... Nossa. – soltou num suspiro.
Ela ainda estava processando tudo o que o moreno contara. Mas, Deus, tudo fazia tão sentindo agora! Claro que não justificava, mas agora ela já não se sentia perdida como antes. E a culpa por quase tê-lo matado a sufocou. Sua garganta se fechou e seus olhos marejaram. Se tivesse ficado sabendo da verdade antes, inferno! Por que ninguém lhe contara?! Por pouco não cometeu o maior erro da sua vida! Naquele momento, Sasuke não precisava ser morto para se livrar da escuridão. O que ele precisava era de alguém ao seu lado, um ombro amigo, de amor.
Fechou os punhos com força, apertando ainda mais a mão que estava sobre a sua. Trincou os dentes e as lágrimas rolaram por seu rosto. Sentia um misto de ódio, desolação e culpa. Ódio de Danzou, ainda mais do que já sentiu em toda a sua vida. Sempre soube o quanto ele era filho da puta, mas aquilo passara todos os limites. A fonte de toda a desgraça de Sasuke fora ele. Sakura de repente ficou enjoada. Mas também ódio dela mesma. Devia ter insistido, pressionado Kakashi e Naruto a lhe contar tudo. Ela tinha direito disso, maldição!
- Sakura? – perguntou Sasuke ao notar o aperto em sua mão. Quando a olhou, viu que estava chorando. E aquilo o quebrou. Ele a fez chorar de novo. Sempre fazendo as coisas de modo errado. Não sabia muito que fazer, então tentou desviar do aperto para enxugar as lágrimas, sem sucesso. Tanto que evitou isso, porcaria... Ele queria desferir um soco em si próprio.
Sakura o olhou e notou sua expressão desolada. Meu Deus, ele não passava de um menino indefeso. Sasuke era só um menino precisando de afeto. Vendo-o assim, tão desamparado, Sakura se despedaçou por completo.
- Sasuke-kun... – disse seu nome num lamento e o abraçou, caindo de vez no choro. Era um choro desesperado, como o de uma menina que acabara de cair da bicicleta e arranhara o joelho. Sasuke ficou desorientado com aquela atitude.
- Me desculpe... Me desculpe... – lamentava no meio do choro, o apertando ainda mais contra si. Ela sussurrava isso sem parar, deixando Sasuke confuso e chateado. Porque ela se desculpava? Nada daquilo era culpa dela. Nada.
Só que ela não conseguia completar o que realmente queria dizer. Queria se desculpar por não estar ao lado dele quando mais precisou. E também por quase ter tirado a vida daquele que ela mesma seria capaz de doar a sua. Contudo, só conseguia chorar. E Sasuke sem saber o que fazer, começou a cariciar suas costas no intuito de acalmá-la. Só queria que ela parasse com aquelas tolices, mas talvez liberar todo aquele choro fosse necessário. Mas ele estava tão desolado ouvindo aqueles soluços intermináveis...
Como não conseguia proferir as palavras que queria, Sakura então fez aquilo que seu coração comandou que fizesse.
Começou a beijar seu pescoço, subindo até a linha da mandíbula, depois descendo de novo, para então ir de encontro ao seu ouvido.
- Eu te amo... Eu te amo... Eu te amo... – sussurrou sem parar, querendo que sua mente gravasse de vez aquilo. Começou outra série de beijos, agora do lóbulo da orelha até o queixo, sussurrando sem parar as mesmas palavras. Depois, pegou seu rosto com as mãos, prendendo seu olhar ao dele. Carregava tantas emoções que Sakura ficou tonta. Ela retirou as mechas da franja de sua testa para depositar um beijo. Em seguida, encostou sua testa na dele, olhando fundo em seus olhos. Ela ofegava.
- Eu te amo... Eu te amo... Eu te amo... – era quase como uma lamúria. Ouvindo aquilo, o interior de Sasuke queimou com um calor reconfortante que o deixou sem fôlego. Há anos que não se sentia assim. Queria ouvir mais daquilo, toda hora, a cada segundo. Não precisava de mais nada; só com aquelas palavras, ele soube que Sakura o entendera. Era quase como um segundo perdão vindo dela.
Sua respiração ficou pesada e com isso, tomou-lhe os lábios pela milésima vez naquele dia. E esse beijo era mais urgente, mais carregado de emoção do que qualquer outro. Era a forma dele de dizer que sentia o mesmo. Sentiu o gosto salgado das lágrimas dela.
Separaram-se para buscar ar, ambos ofegantes e com os olhos fechados. As testas colaram-se novamente, sentindo a respiração um do outro.
- Eu te amo... Eu te amo... Eu te amo... – repetiu, ainda buscando fôlego. Ouvir aquilo de olhos fechados foi ainda mais arrebatador para o moreno. Sua alma se encheu de esperança e quase poderia sentir como se estivesse se curando.
Beijou-a de novo, respondendo novamente a sua maneira. Sakura era como uma droga. Seu cheiro, seu gosto, a textura da pele... Sasuke estava viciado.
Inconscientemente, enfiou a mão por debaixo da blusa mostarda e capturou um seio. Sakura gemeu surpresa, quando ele começou a massageá-lo. Em retaliação, mordeu seu lábio inferior antes de jogar a cabeça para trás e entregar-se aos seus cuidados novamente.
Porém, por mais que ele estivesse querendo toma-la novamente nos braços e fazer amor por toda a noite, precisava se controlar. Os dois tinham muito que pensar ainda e Sasuke necessitava colocar as emoções no lugar. E foi com um esforço sobre-humano que parou o que estava fazendo, deixando Sakura confusa. Olhou para ele com as sobrancelhas juntas em duvida, a respiração irregular.
- Não... Ainda não... Nós precisamos pensar e tentar entender tudo o que aconteceu... Principalmente eu... Preciso colocar minha mente no lugar... – balbuciou, olhando-a. Ela então relaxou. Claro que precisavam, aconteceu tanta coisa em pouco tempo. E a médica precisava repensar tudo o que ele lhe contara com mais calma.
- Claro claro. Você tem razão. – concordou, dando-lhe um beijo casto. Calçou então as botas e fechou o zíper da blusa, pegando em seguida o jaleco jogado ao chão e o lençol de cama sujo, isso tudo sendo acompanhada dele pelo olhar. Pendurou tudo em um braço e antes de sair, voltou-se para ele.
- Eu te amo. – repetiu uma última vez enfatizando cada palavra, para que ele enfiasse isso de uma vez na cabeça. Deu-lhe um último beijo casto e saiu porta afora. Não esperou que ele dissesse o mesmo. Era Sasuke, afinal. O Senhor Orgulhoso.
Quando saiu do hospital, uma pequena chuva ainda caía, lavando-a por completo. Pensou em como tudo mudou tão drasticamente em tão pouco tempo. A lembrança dela saindo de casa totalmente sem esperanças parecia uma coisa tão distante, e agora... Ela não sabia o que seria dos dois daqui para frente, mas sentia-se feliz.
Isso porque amar Sasuke já lhe era predestinado desde que nasceu, e disso tinha cada vez mais certeza. Amava-o com toda a alma, coração, ossos e tendões. Um sentimento que lhe corria nas veias como veneno letal, mas que era algo que a mantinha viva. Amá-lo era parte dela, que fazia seu coração bater como se fosse mil asas de beija-flores batendo ao mesmo tempo. E isso lhe era o suficiente, por enquanto.
"E 'eu te amo' era uma farpa que não se podia tirar com uma pinça...'' - Clarice Lispector (Uma Aprendizagem ou o Livro dos Prazeres).
Não posso deixar de agradecer a cada um dos elogios de vocês. Eu fico boba, sério 3
Enfim, até a próxima 3
