Disclaimer: Nenhuma personagem, feitiço, lugar, etc. que reconheçam me pertence. São todos pertencentes a J.K. Rowling.

Capítulo Três

Alguns Dias depois

Ginny abriu os olhos de repente e levantou-se. Demorou um pouco a perceber o que a tinha acordado. O barulho que vinha da cozinha não deixava qualquer dúvida: ouvia risos, choros, muitos gritinhos estridentes e, por cima disto tudo, gritando com todos os pulmões, estava a voz da Sra. Black. Não havia dúvida de que aquele barulho todo a tinha acordado. Levantou-se, vestiu um roupão e desceu para saber o que se passava. Estavam todos radiantes, saltavam de alegria, Hermione parecia possessa, não sabia o que fazia. Todos abraçavam Harry, que tinha algumas feridas no rosto. Os irmãos dela e Lupin também estavam lá, com sinais de duelo, mas muito contentes. A única pessoa que não ria a e saltava era Draco Malfoy. Ele também apresentava sinais de luta mas, ao contrário dos outros, estava sentando num canto escuro da cozinha. Estava tratando de uma ferida bem feia no ombro, de vez em quando olhava para os outros, mas não mostrava alegria nenhuma, apenas indiferença.

-O que se passa?- ela tentou perguntar, mas estavam todos demasiado distraídos para conseguirem ouvi-la.

-GINNY!- Fred gritou.- GANHAMOS!

-Ganhamos?- eles não podiam estar falando a sério. Quando ela se havia deitado na noite passada a guerra ainda ia a meio, quer dizer, estava quase no fim, mas não podia ter acabado de um dia para o outro!

-Sim, Gin!- Ron gritou, saltando.- Atacaram o Ministério ontem, Voldemort estava lá e Harry...- o ruivo estava tão alegre que nem conseguiu acabar.

Lupin aproximou-se de Ginny e tentou explicar, sorrindo várias vezes durante o discurso, que Voldemort tinha feito um ataque desesperado ao Ministério, tentando se recuperar da desvantagem que tinha, no entanto, as forças do Ministério e da Ordem haviam se unido e Harry acabara destruindo Voldemort. A guerra tinha acabado. Ginny juntou-se à festa e saltou e gritou de felicidade. Finalmente estava tudo acabado, claro que havia ainda muito a fazer, mas era como se ela já pudesse respirar em paz. Era uma sensação tão tranquilizadora, saber que aquele demónio estava morto e não voltaria mais.

A meio de toda aquela agitação, ela nem sabe como se apercebeu quando um louro saiu de mansinho pela porta da cozinha. Curiosa pelo comportamento de Draco, ela decidiu também sair. Estavam todos tão eufóricos que não reparam que ela também saíra.

Ela viu o manto de Draco desaparecer no cimo da escada e ela correu escada acima, nem ligando quando Walburga Black gritou:

-Primeiro um traidor, depois aparece outro e agora esta escumalha! Patifes, traidores!

Chegou a tempo de o ver entrar num dos quartos. Ela andou até lá e bateu na porta.

Ela ouviu os passos dele aproximarem-se da porta, que abriu-se de repente. Não esperava que ela se abrisse com tamanha força e deu um pequeno salto devido ao susto.

-Desculpa! Não te queria assustar.

-Que humor! Devias estar contente.- ela disse, entrando no quarto mesmo sem ele a convidar.

-Contente por quê?- ele perguntou sem expressão na face.

Ela estava estranhando cada vez mais aquela reacção dele.

-Porque estás finalmente completamente livre, porque Voldemort morreu, porque tudo voltará a ser como antes...

-Para ti, sim, Weasley, que sempre estiveste deste lado, mas para quem esteve de outro lado, nada será igual. Mesmo que eu tenha me juntado a vocês, isso não apaga o que fiz, ainda tenho que responder por muitos crimes no Ministério, tenho o meu passado manchado, estou sem dinheiro, os meus pais estão mortos e todos as pessoas que eu julgava minhas amigas acabaram me tentando matar ou acabaram morrendo. Achas que tudo voltara a ser como antes? Que utilidade tenho eu agora? Quando havia guerra eu era útil, agora não sou nada! Ninguém precisa de um Ex-Devorador da Morte.

Ela olhou para ele, o seu coração apertou-se. Que estranho. Até há uns dias atrás ela odiava aquele homem. Agora sentia uma vontade enorme de o abraçar. Ela não sabia o que dizer, sabia que ele estava certo.

-Toda a gente me vai olhar de lado, já nem dinheiro tenho para conseguir me impor. Já não sou o Draco Malfoy rico e fútil, sou apenas o Draco Malfoy que foi rico, que foi Devorador da Morte e que agora não é nada.

-Eu não te olho de lado.- ela disse.

Ele riu, mas sem alegria ou divertimento.

-Dizes isso só porque estás com pena de mim. Pois eu não quero a tua pena.- ele disse friamente.

-Que raio de homem, nem quando estão sendo simpáticos contigo se baixas essa carapaça. Eu não estou com pena...

-Deixa-me em paz, Weasley!

-Tu és impossível, Malfoy! Eu nem sei porque estou perdendo meu tempo contigo tentando te ajudar...

-POR QUE?- ele gritou com brutidão. Ela olhou para ele um pouco assustada pela erupção repentina.- Por que fazes tanta questão de me ajudar? Por que me obrigaste a vir para o vosso lado, eu estava muito bem como estava, era um fugitivo, sim, mas pelo menos sabia que era alguma coisa, agora não sou nada, não tenho nada...

-Tens a tua prima, a Tonks. Tens-me a mim!- ela murmurou, sentindo-se corar. Porque sentia ela tanta vontade de fazê-lo perceber que ela estaria sempre ao lado dele?

Ele calou-se. Fixou os olhos dela. Parecia querer encontrar alguma coisa neles. A expressão dele suavizou-se.

-Não!- ele disse simplesmente, a voz dele estava rouca e carregada de dor.- Eu não te tenho.

Ela não percebeu a reacção dele.

-Claro que tens!- ela afirmou, sorrindo carinhosamente.

Ele desviou o olhar dele do dela, olhou para a janela atrás dela e depois fechou os olhos. Ela não se mexeu.

De repente, ele aproximou-se dela, puxou-a para si e beijou-a com força. Ginny nem sabia o que fizesse, nem sabia como reagir. Ele depois afastou-se um pouco ofegante.

-Vês porque é que eu não te tenho? Por que se eu te tivesse era desta maneira e tu és louca pelo Potter. Não sei por quê, Weasley, mas não te consigo tirar da cabeça, nem consigo esquecer o sabor dos teus lábios, nem...- a voz dele ia se suavizando com cada palavra. O que começara saindo rudemente acabara como um sussurro suave e carinhoso. Ela nem conseguia acreditar que aquele homem era Draco Malfoy.- o brilho dos teus olhos, nem o cheiro da tua pele. É como se tu tivesses te embrenhado em mim, como se agora fizesses parte de mim...

Ela olhava para ele sem saber o que fazer. Draco Malfoy estava se declarando a ela e ela não fazia idéia do que deveria fazer. Ela estava confusa. As palavras dele despertavam algo dentro dela, um formigueiro na barriga, uma sensação esquisita. Mas ela não sabia o que era. Tinha tudo acontecido tão rápido. Um dia ele a tinha beijado, ela tinha-o ajudado, ele a salvara, ela não o conseguia tirar do pensamento e agora aquilo. Ainda há poucos dias ela ainda sofria pelo rompimento com Harry e agora sentia-se esquisita perto de Draco.

-Sai daqui, Weasley! Deixa-me em paz!- ele disse. Ela não se mexeu.- SAI! - ele gritou. Ginny só conseguiu baixar a cabeça e sair. Sentia raiva dele por ser tão estúpido com ela, mas, por outro lado, sentia...ela nem sabia o que sentia. Tinha vontade de esmurrar Draco Malfoy e de afastar aquela tristeza que vira no olhar dele ao mesmo tempo. Que demónio. Ela estava ficando louca, só podia! Ela teve vontade de ir para o seu quarto, mas os gritos e risos vindos da cozinha chamaram por ela. E não ia ficar triste por causa de um estúpido como o Malfoy.

Na cozinha a festa ainda era imensa. Mal entrou foi puxada por Tonks e Hermione para brindar. Os que haviam participado na batalha ainda estavam sujos e ensaguentados, mas pareciam nem se importar. Embora Ginny sentisse uma leve dorzinha no coração e como se tivesse borboletas no estômago pelo que Draco lhe tinha dito, ela não conseguiu deixar de se contagiar pela alegria que reinava ali. A sua mãe chorava de alegria, agarrada ao seu pai e agradecendo aos seus pela sua família estar bem. Os mais jovens brindavam e festejavam. Aos poucos iam chegando mais pessoas, algumas até do Ministério.

Estavam todos radiantes, e Ginny também tinha todas as razões para estar, mas as palavras de Draco não lhe saiam da cabeça, a voz dele, a humilhação e tristeza que ele mostrava em cada palavra apertavam-lhe o coração. Ela foi afastada dos seus pensamentos quando Colin puxou-a e abraçou-a. Ginny abraçou o amigo e sorriu. Muitos dos seus antigos colegas estavam ali. Ela nunca vira Grimmauld tão cheia de pessoas e alegria.

A festa durou toda a manhã, Molly fez um banquete para alimentar aquela gente toda, a continuação das celebrações continuaram durante a tarde e pela noite dentro. O barulho era tanto que já nem se ouvia Walburga Black. Ginny tinha certeza de que ela até se devia ter calado, era muita gente para ofender.

Ela procurou várias vezes Draco com os olhos, mas não o viu em lado nenhum. Pelo visto ainda estava fechado no quarto. Mas ela não se ia preocupar com ele. Ela tinha oferecido ajuda e ele tinha corrido ela do quarto. No entanto, ela não conseguia mais ficar chateada com ele por causa disso e não sabia bem por quê. Agora que a fúria tinha sumido, ela não sentia mais vontade de esmurrá-lo.

Eram quase três da manhã quando o silêncio caiu sobre a casa. Ginny sentou-se na cozinha vazia, respirou fundo e fechou os olhos. Estava exausta de dançar e rir e de festejar. Ela tinha a sensação que mais um dia daqueles e ela não aguentaria em pé. Mas o dia seguinte não iria ser de festa. Iria ser bem mais deprimente. Iam todos começar a se preocupar com o número de vítimas da guerra e com a reconstrução do mundo mágico. A guerra podia ter acabado, mas as suas consequências ainda não eram todas visíveis e nada animadoras.

Ela ouviu alguém entrar na cozinha, mas nem se deu ao trabalho de abrir os olhos. A pessoa caminhou até ela e parou á sua frente.

-Gin...- ela ouviu a pessoa murmurar. Ela abriu os olhos e não conseguiu evitar o pequeno saltinho que o seu coração deu.

-Harry?

-Eu preciso falar contigo...- ele disse, sentando-se ao lado dela. Ele parecia estar procurando as palavras certas. Se ele ia lhe partir o coração mais uma vez, que o fizesse rapidamente, porque ela estava um pouco farta de esperar por ele.- A guerra acabou, mas... ainda há muita coisa a fazer e eu tenho que... eu tenho que ir embora...precisam de mim...

-Harry, tu já me disseste que nós não íamos dar certo, não agora, não depois da guerra. Por que tens que me atormentar mais?- ela sussurrou com a voz trémula. Algumas lágrimas ameaçavam cair, no entanto ela julgou que fosse doer mais do que realmente doía.

-Desculpa-me. Eu não te queria magoar mais. Eu também estou sofrendo...- ele calou-se e fixou aqueles olhos verdes nos dela. Ela não conseguia olhá-lo nos olhos por isso fechou-os. Segundos depois sentiu os lábios dele suavemente sobre os dela. Ela surpreendeu-se por não sentir a sua pulsação aumentar, nem sentir que o seu coração iria saltar do seu peito, nem a sua cabeça ficou rodando, nem ela estremeceu. O beijo dele não despertou nada dentro dela. Parecia que o que restava no seu coração era uma breve memória de uma história que teria sido linda, mas que acabára, era apenas a dor da separação, o resto já não estava lá.

Harry afastou-se dela de repente. Ela abriu os olhos um pouco surpresa. Percebeu que alguém tinha entrado na cozinha e olhou para a porta. O seu coração encolheu-se. Draco Malfoy estava na porta. Ele olhou para ela, depois para Harry. Lançou-lhes olhares frios e saiu sem dizer nada.

Ginny nem soube dizer o que tomou conta dela, mas saiu correndo da cozinha deixando um Harry perplexo para trás. Ela subiu as escadas atrás de Draco.

-Malfoy, espera!- ela chamou, mas o louro não parou. Continuou subindo as escadas.- Não é o que pensas!

Estava tão determinada a explicar a Draco que aquele beijo não significava nada que nem se questionou pela razão de querer fazê-lo.

Draco continuou subindo até chegar ao seu quarto. Entrou e tentou fechar a porta. Ela chegou a tempo de o impedir.

-Deixas-me falar?- ela disse impacientemente.

-Não precisas falar, Weasley!- ele sibilou.- Eu nem quero saber dos teus amassos com o Potter!

-Eu... foi só um beijo e nem...

-Não quero saber, Weasley!- Draco disse muito lentamente. As palavras saíram tão frias e indiferentes que ela nem reconheceu o rapaz que tinha convivido com ela nos últimos dias. Ele parecia mais o Draco mimado que ela conhecera em Hogwarts.

-Mas...

-Vê se percebes que eu não tenho nada a ver com o que fazes. Por mim podias estar fodendo o Potter. Eu não quero saber. A tua vida privada não me interessa nem um pouco. Agora desaparece!- ele disse.

Ginny sentiu as lágrimas subirem-lhe aos olhos, mas não ia chorar. Era demasiado orgulhosa para isso. Olhou para ele com ódio.

-Odeio-te, Draco Malfoy!

-Sentimento recíproco. Agora deixa-me em paz Weasley.

Ela olhou para ele mais uma vez cheia de raiva e saiu, batendo a porta atrás de si. Ela nem sabia com quem estava mais zangada, se era com ele ou se com ela. Afinal o que lhe passara pela cabeça para ir tentar explicar a Draco o que acontecera com Harry? Era óbvio que ele não se interessava! Mas então e o que ele lhe tinha dito naquela tarde não significava nada? Era mentira? Ai! Que confusão que ela tinha dentro da sua cabeça. Ela não percebia aquele homem e cada vez menos se percebia a si mesma.

-Viste o Harr...- Ron perguntou quando ela passou por ele no corredor.

-Vai te catar, Ron!- ela gritou. Depois quase se arrependeu. Ron não tinha culpa de nada. Mas já tinha implicado muito com ela. "Ele merece!", ela concluiu. Chegou ao seu quarto e fechou a porta com força mais uma vez. Atirou-se para cima da cama. Não sabia se chorava de raiva ou se gritava de raiva.

Afinal qual tinha sido a idéia dela? E por que fizera questão de deixar claro a Draco que aquele beijo com Harry não significara nada? E por que é que não sentira nada quando Harry a tinha beijado? E por que é que as palavras frias de Draco a magoaram tanto? Ele nunca a conseguira afectar daquela maneira em Hogwarts. Por quê, então? Por que é que ele agora conseguira fazê-la sentir o que ela sentia? Por que ela reagia como se ele importasse? Por que lhe magoava tanto a indiferença dele?

"POR QUÊ?" o cérebro dela gritou enquanto ela colava a sua cara na almofada para abafar o grito de frustração que saiu."Estou ficando demente. È isso!" ela tentou justificar, pois as verdadeiras razões eram demasiado absurdas para ela conseguir acreditar.

N/A: Já me disseram que isso da querra foi muito rápido. Mas essa fic é mesmo rapidinha, só esclarecimento da história de Ginny e Draco antes de Uma Nova Chance. Obrigada pelas reviews e não se esqueçam de deixar mais. Vá Lá, façam uma humilde sscritora feliz.