Disclaimer: Nenhuma personagem, feitiço, lugar, etc. que reconheçam me pertence. São todos pertencentes a J.K. Rowling.
Capítulo Quatro
-Bom dia!- Bill disse quando Ginny entrou na cozinha de manhã. Só lá estava ele e Fleur, sentados a mesa, tomando o pequeno-almoço.
-Só se for para ti!- Ginny disse sem pensar. Tinha acordado com muito mau humor e não tinha vontade de disfarçar coisa nenhuma. Sentia raiva de todo o mundo.
-Alguém "acorrdou" do lado errado da cama hoje.- Fleur disse. Ginny lançou-lhe um olhar assassino e a loura encolheu-se.
-Essa má disposição tem alguma coisa a ver com a cara de enterro com que o Harry saiu hoje de manhã daqui?
-Não!- ela respondeu impulsivamente.- E... sim.- ela murmurou olhando para o seu irmão e depois para Fleur.
-Já vi que estou a mais!- Fleur levantou-se e saiu.
-Vais me contar?
-O Harry disse-me ontem que ia embora e...
-Ficaste triste, eu percebo.
-Não! Sim! Fiquei triste sim, mas deixa-me acabar. Ele beijou-me e depois o Malfoy entrou...
-E tu estás assim porque o Draco interrompeu o beijo?
-Não! E sim!
-Bem, tu estás confusa mesmo.
-Tu não me deixas acabar!- ela disse olhando impacientemente para o irmão.- Acontece que o facto do Harry se ir embora não doeu tanto quanto julguei que fosse doer.
-Isso é bom. Estás seguindo em frente...
-Não sei se é assim tão bom. Eu estou confusa. O Malfoy tem me feito sentir... Coisas...- ela olhou para Bill, confusa, pois este sorria.
-Eu já imaginava que alguma coisa se passava entre vocês. Julguei que fosse uma coisa... Passageira, que era só uma maneira de não sofreres tanto. Afinal, eras louca pelo Harry.
-Achas que estava usando o Draco?- ela disse ofendida. Bill sorriu e tentou falar, mas ela continuou rendida.-Eu sei. Mas quem disse que não é passageira? Ele é Draco Malfoy, um homem mimado, fútil e arrogante. Com um péssimo humor e sem respeito pelos outros!- ela disse sentindo-se corar de raiva.
-Concordo que ele tenha um péssimo humor. Saiu daqui hoje parecia que ia matar alguém, mas ele respeita-me e já não me parece ser mimado, nem fútil e muito menos arrogante. Pelo menos comigo.
-Isso é porque tu nunca olhas aos defeitos de ninguém...
-Enganas-te. Eu vejo os defeitos, tanto que sei que ele também é uma pessoa muito desconfiada e muito instável. Mas só não percebo o por que dessa raiva toda. Ainda há dias estavam se beijando.
-Pois.- ela sentiu-se corar novamente, desta vez de vergonha ao se lembrar ter sido apanhada por Ron e Bill beijando Draco.- Mas as coisas ontem aconteceram de maneira diferente.
-Ele viu-vos, a ti e ao Harry! Eu não sei o que Draco sente por ti. Ele também tem esse defeito: construiu uma muralha a volta dele e não deixa ninguém ver o que ele sente.
-Eu tentei explicar-lhe que aquele beijo não era nada, mas ele não me deixou falar. Disse que eu não lhe importava.
-Pode ter ficado magoado. E onde entra o Harry nesta história toda?
-Eu gostei muito do Harry e custou muito conseguir convencer-me que estava tudo acabado. Mas já passou. Acho eu...
-Tens que ter a certeza, Gin.
-Mas é o Draco Malfoy! Aquele homem já fez tanto mal a tanta gente... Eu sei que ele mudou, algo dentro de mim me diz isso, mas não sei se devo confiar nele.
-Eu confio nele.- Bill disse.- Mas se tu confias já não sei. Só tu podes decidir, Ginny.
-Eu não sei... Foi tudo tão rápido.
-Muitas vezes as coisas importantes aparecem sem avisar e vão embora sem termos tempo de as agarrar. Ás vezes a reflexão magoa mais do que a imprudência. Achas que eu pensei muito antes de me render a Fleur?- Bill disse sorrindo.- Se tivesse pensado em tudo em que somos diferentes e em tudo o que nos impedia de ficarmos juntos, não estava com ela.
-Mas é Draco Malfoy... Ele... Eu... Sempre o odiei!
-Mas já não odeias!
-Mas ele odeia! Ele despreza-me.
-Não sejas parva, Ginny. Ele não te odeia, senão não te teria beijado. Mas eu agora tenho que ir embora. Boa sorte, Gin. E não penses muito.- Bill piscou-lhe o olho e saiu da cozinha. Será que Bill tinha razão? Será que ela não deveria pensar mais e deixar se levar? Mas ela tinha tanto medo!
(¯·.(¯·.(¯·..·´¯).·´¯).·´¯)
Ginny bateu na porta e esperou. As suas mãos tremiam, ela tinha a sensação que iria desmaiar a qualquer minuto. Afinal o que fazia ela ali? Ela nem sabia o que iria dizer, nem o que fazer.
A porta abriu-se de repente. Um louro ficou em frente dela, com a sobrancelha erguida em sinal de surpresa e curiosidade.
Ela abriu a boca para falar, mas não sabia o que dizer. Ficou simplesmente olhando para ele com cara de parva. "Que figura, Ginny! Mais um momento vergonhoso e humilhante para o livro de vergonhas da tua vida!", pensou.
-Que queres, Weasley?- Draco perguntou friamente.
Ela notou uma mala mesmo atrás dele.
-Vais embora?
-Vou.
-Por que? Pra onde?
-Não sei para onde e a razão é obvia. Não tenho razão para ficar neste país. Agora vais me dizer o que queres ou posso ir embora de uma vez?
Ela fechou os olhos, respirou fundo e atirou-se de cabeça. Agarrou-o, puxou-o e beijou-o. Era a única coisa que lhe apetecia fazer e visto que ela não conseguia falar...
Ela tinha a certeza que ele ia empurrá-la e cuspir de nojo, mas ele não o fez. Pelo contrário. Ele puxou-a para ele com mais força, beijou com mais vontade. Ela sentiu os músculos dele ficarem tensos. Empurrou-o para dentro do apartamento e fechou a porta atrás de si sem se afastar dele.
Aquele beijo despertou sentimentos dentro dela que ela julgou não ser capaz de sentir por mais ninguém além de Harry Potter. Despertou também muitos outros que ela julgou simplesmente não ser capaz de sentir. Naquele momento ela percebeu que não importava que tudo aquilo tivesse chegado repentinamente, importava sim a força com que a tinha atingido. Era como se aquilo tudo não coubesse dentro dela.
Finalmente afastaram-se, ofegantes. Ela olhou-o nos olhos e, incapaz de se conter, sorriu como há muito tempo não fazia. Ela sentia-se feliz, os medos haviam desaparecido. Ele, no entanto, parecia confuso.
-Não digas nada! Eu posso estar louca, é o que toda a minha família e amigos irão dizer quando descobrirem o que sinto por ti, mas eu não quero deixar escapar nenhum destes sentimentos que acordaste dentro de mim...
-Tu andas com o Potter...- ele cuspiu.
-Não!
-Weasley, eu percebo que eu seja irresistível, mas disse-te ontem e digo novamente. Eu não quero saber de ti. Desaparece da minha vista.
Ginny sentiu o seu orgulho ferido tentar transformar-se em raiva, mas a dor que ela sentia no seu peito era maior.
-Não. Eu sei que tu sentes qualquer coisa por mim. Podes negar o que quiseres, mas não me convences.
-Acredita no que quiseres, agora sai da frente que tenho uma viagem para fazer.- ele disse, empurrando-a levemente. Ele conjurou a mala e passou por Ginny.
-Não!- ela gritou, agarrando o braço dele.- Não vás. Não podes ir!
-Tu consegues ser bem chata.
-O que te adianta ir embora?- ela estava desesperada. Ele não podia ir embora, não agora que ela finalmente conseguira esquecer o Harry. E ela sabia que ele gostava dela, bem lá no fundo ele sentia alguma coisa, mesmo que fosse um leve interesse, ela sabia que havia qualquer coisa. Ela não desistiria. E se implorando para ele ficar não resultava, ela teria que tentar outra abordagem.- É uma atitude de covarde. Queres fugir! Mas sabes que mais, tu queres fugir de uma coisa que nunca poderás escapar. Ou julgas que longe daqui vais deixar de te sentir sozinho? Julgas que o dinheiro vai voltar ou que as feridas vão fechar? Pois eu digo-te que não vão porque isso está tudo dentro de ti. Mas se queres fugir, foge!
-É isso que vou fazer!- ele afastou o seu braço da mão dela e caminhou até fora do edifício.
-Espera!- ela disse.
-O que foi agora?- ele disse impacientemente. Estava farto de a ouvir pedir que ele ficasse quando ela era exactamente a razão porque ele queria fugir. A rapariga que estava agora em frente dele mexia com ele de uma maneira que ele percebera que não queria que ela mexesse. Ele dissera-lhe que não a conseguia tirar da cabeça e o que ela fazia? Ia beijar o Potter. Pois ele não gosta de ficar com os restos de ninguém. Se ela queria algo para se agarrar enquanto o Potter não estava, que comprasse um urso de pelúcia.
-Eu não ando com o Harry. Aquele maldito beijo aconteceu por causa dele. Eu não queria. E o que me disseste ontem não pode ser mentira. É por isso que estás fugindo?
-Eu não estou fugindo!- ele disse zangado.
-Então fica. Prova que não estás fugindo.
-Eu não preciso te provar nada.
-Precisas te provar a ti mesmo ou será que lá no fundo tu sabes que sentes algo por mim?
Draco olhou para ela frustrado. Ela tinha razão, ele sabia que lá no fundo ele sentia algo por ela e queria sair de perto dela para apagar aquele incómodo que a memória do beijo dela e do Potter causava nele, mas não iria admitir nada.
Ele respirou fundo e caminhou de novo para o apartamento a passos determinados. Ginny sorriu e agradeceu aos céus por ter conseguido que ele ficasse. Mas daí a conseguir que ele lhe admitisse que gostava dela ia um longo caminho. Mas ela não ia desistir.
Ele entrou no apartamento e fechou a porta na cara dela. Ela suspirou. Bem, pelo menos ela conseguira que ele ficasse. Já era alguma coisa.
Draco jogou a mala para cima da cama, a raiva enchia-o, raiva dele mesmo por admitir que uma Weasley tivesse razão, por ceder ao pedido dela, por permitir que ela tivesse a última palavra. Mais raiva sentiu quando se lembrou que ela já notara que não lhe era indiferente. Mas ele ia tirá-la da cabeça. Ele não ia ficar com os restos do Potter, ele ia tirar aquele sentimento, fosse ele qual fosse, de dentro dele.
N/A: Quero deixar um grande agradecimento a Mari Gonzalez por me ter ajudado com final deste capítulo porque me deu uma branca, inspiração sumiu de um momento pro outro e acabei escrevendo sem imaginação nenhuma. Consequência: saiu um final fora de contexto.
PS. Vá lá, deixem uma review, façam um pobre projecto de escritora feliz. D
