Disclaimer: Nenhuma personagem, feitiço, lugar, etc. que reconheçam me pertence. São todos pertencentes a J.K. Rowling.

Capítulo Cinco

Draco olhou para o homem ruivo que estava sentado á mesa.

-Não vou!- ele disse firmemente.

-Vá lá! Eu estou te convidando. Não me vais fazer uma desfeita dessas, pois não?- Bill disse.

-Não vejo o mal! Não somos parentes, felizmente!- Draco disse. Talvez se ele ofendesse Bill ele fosse deixar de tentar convencê-lo a ir aquela maldita festa.

-Eu não sou o Ron, não me irrito tão facilmente. Sei que só me queres ver daqui para fora por isso dizes isso. Mas eu não saio enquanto não me garantires que vens.

Draco lançou uma olhar mortífero para Bill, mas este apenas sorriu.

-Eu ainda não percebi porque fazes questão de que eu vá a essa maldita festa.

-Porque trabalhamos juntos dois meses para a Ordem, já te considero um amigo. E é minha festa de aniversário.

Draco olhou para ele irritado. Também ele começava a respeitar Bill e era provavelmente a única pessoa com quem Draco podia contar naquele momento, mas a última coisa que queria era se envolver com os Weasleys, especialmente uma certa Weasley que, por mais que ele tentasse, não conseguia tirar da cabeça. Durante o dia nem era tão difícil, conseguira emprego como guarda em Azkaban e passava o dia distraído no trabalho, mas quando chegava a casa, no silêncio que habitava ali, a sua mente fugia para as memórias do momento em que ele beijara Ginny pela primeira vez, e da segunda também. Depois, o beijo dela com Harry e o dia em que ela o impedira de ir embora. Tinha feito de tudo para não a ver mais depois desse dia. Mas tirá-la da cabeça ele ainda não tinha conseguido. O pior era quando ele fechava os olhos e adormecia. Aí era ainda mais evidente que ela afectava-o demais. Não havia uma noite que ela não aparecesse nos seus sonhos. Quando acordava, Draco quase gritava de raiva por ser tão vulnerável a uma única rapariga. Tudo o que bastara para ele estar naquela situação fora um beijo só. Um beijo que o conduzira aquele maldito estado de... Ele nem conseguia definir o seu estado.

-Podes mandar vir o Ministro da Magia que eu não vou a essa festa nem arrastado.

-Estás com medo de alguém, Malfoy?- Bill troçou.

-Não!- Draco cuspiu.- Só não me apetece ter que aturar a tua família!

-A minha família ou um familiar meu? Talvez uma rapariga muito bonita que por acaso é minha irmã?

-Não!- Draco disse tão depressa que deu a perceber que era exactamente essa a razão.- Eu não quero saber da tua irmã.

-Ela, no entanto, quer saber de ti.- Bill notou o efeito das suas palavras. Por momentos julgou que Draco fosse dar o braço a torcer, mas de novo aquela carapaça estava erguida.- Vá lá, Draco. Se quiseres eu mantenho-te longe dela, mas gostava que fosses.

-Já disse que não.

-Nunca imaginei ver Draco Malfoy com medo de um Weasley...- Bill comentou.

-Eu não tenho medo da tua irmã.- Draco defendeu-se.

-Então prova-o.

-Tu e ela são muito parecidos, sabias? Eu não tenho nada para provar.

-Vem lá. Fá-lo por mim!- Bill tentou, mas estava perdendo os argumentos.

-E o que te faz pensar que eu me importo contigo?

Bill sorriu sabendo que Draco só dizia aquilo para fugir á resposta. Draco suspirou.

-Ok! Eu vou! Mas mantém a melga(N/A: traduzindo para português do Brasil: a mala, pé no saco, etc.) da tua irmã bem longe de mim!- Draco disse sem se conter. Arrependeu-se disso logo que as palavras saíram da sua boca.

-Eu não mando nela. E lá no fundo a última coisa que queres é que ela se mantenha longe de ti.

-Não é nada!- Draco disse como um menino mimado, e Bill soltou uma gargalhada.

-Veremos...- Bill murmurou e saiu.

Draco soltou impropérios. Ele não devia ter se rendido. Ele não queria ver Ginny. Cada vez sentia-se mais vulnerável a ela. A cada momento que passava parecia que a ausência dela era mais acentuada e Bill tinha razão. No fundo, ele queria vê-la, tê-la com ele. Mas ele não iria se render aos encantos dela. Ela que fosse encantar o Potter, afinal era dele que ela gostava. Mas havia uma dúvida que o atormentava. Se ela gostava do Potter, por que tinha corrido atrás dele para lhe dar explicações sobre o beijo que ele testemunhara e deixara o Potter abandonado na cozinha?

(¯·.(¯·.(¯·..·¯).·¯).·¯)

Draco estava sozinho, encostado na parede num canto da sala. Ele sabia que ela já tinha chegado. Tinha sentido o perfume dela logo que ela entrara, por isso ele tratara de se esconder. Ele não estava se escondendo de verdade, só não queria dar nas vistas. Ela falava com alguém do outro lado da sala, ele nem sabia quem era. Sempre que olhava para lá ficava com os olhos colados nela. Logo depois descolava-os, zangado consigo mesmo. Até que ficou farto e foi até ao jardim. Ele não devia ter vindo áquela estúpida festa. Não conhecia quase ninguém e quem ele conhecia ele odiava, excepto ela. Mas também não iria falar com ela, dela, só queria distância, ou pelo menos ele queria querer distância.

Ele sentou-se na relva e encostou-se á arvore bebendo seu Firewhisky. Por mais que tentasse não a conseguia tirar da cabeça. Era humilhante até. Ele querer tanto que sua mente se esvaziasse e não conseguia. Nem mesmo fazendo Occlumencia se ele conseguia manter sua mente em branco. Uma certa ruiva invadia-a sempre.

-Porcaria!- ele murmurou irritado.

-Falando sozinho, Malfoy?-ele ouviu uma voz que ele conhecia muito bem dizendo atrás dele. De repente ele ficou tenso.

"Sai daqui, Weasley!", implorou mentalmente.

-Não! Apenas pensando alto! Que queres?

-Nada. Vim só apanhar ar.- ela disse, sentando-se ao lado dele. Instintivamente ele levantou-se e afastou-se dela.- Estás com medo de alguma coisa, Malfoy?

-Não, só não te quero perto de mim, sua doninha nojenta!- ele disse, mas sua voz vacilou um pouco, tão pouco que era quase imperceptível. No entanto, ela notara e soltou uma gargalhada.

-Eu não mordo.- ela disse. Ele estava tenso e irrequieto. Ela sentia vontade de rir. Lá no fundo, ela sabia que ele gostava dela, só não conseguia perceber por quê ele se mostrava tão hostil.

"Talvez porque estiveste beijando o Harry pouco depois de ele admitir que gostava de ti!", concluiu em silêncio.

-Não sei, não! Se calhar, tens raiva até!- ele escarneceu. Mas as ofensas dele não pareciam surtir o efeito que ele queria. Nem nele, nem nela. Ele continuava querendo chegar perto dela e beijá-la e ela continuava agindo como se nada fosse, até o provocava.

"Merda! Vai embora, Weasley!", pensava.

-Que se passa contigo, Malfoy? Por que foges de mim?- ela perguntou levantando-se e caminhando até ele. Ele estava de costas para ela, apertando a varanda com força.

-Passa-se que quero-te longe de mim!

-Por que?- ela disse no ouvido dele. Ela quase desatou ás gargalhadas ao vê-lo dar um salto para longe dela. Era tão estranho e cómico vê-lo tão alterado.

-Não te aproximes de mim!- ele disse numa voz aguda.

-Por que? De que tens medo? É de mim e do que eu posso fazer ou de ti e do que podes me fazer?- ela provocou.

Draco fechou os olhos e rezou para conseguir ser imune a Ginny Weasley. Mas as suas preces não foram ouvidas, pois ela continuava se aproximando dele e ele continuava querendo fugir, mas sem conseguir mexer sequer um dedo. Dentro dele, ele debatia-se. Uma luta entre o que queria e o que desejava. A cabeça dele dizia para ele sair dali, sair daquela festa, sair daquele país, sair de perto de Ginny Weasley. O seu corpo dizia para ele ficar, para agarrá-la, beijá-la e...

"Pára! Eu vou dar em louco. Essa garota vai me por doido!" - a mente dele gritou.

Ele queria desesperadamente sair dali, o seu orgulho dizia-lhe para sair dali, para ser forte e não se render aos encantos dela. Ela só o queria usar, agora que o Potter estava longe. Mas o corpo dele não obedecia.

-Sai...Do... Meu pé...Weasley...- ele murmurou. Ela estava tão perto dele que o perfume dela envolvia-o, tornando aquele momento ainda mais irresistível.

"És patético, Malfoy! Vergonhoso! Como podes ser tão fraco ao ponto de não conseguires ignorar uma Weasley?" ele ouvia aquela voz, vezes e vezes sem conta na cabeça. Era uma voz parecida com a do seu pai, mas mais uma vez o corpo dele parecia nem ligar.

-Tu não queres que eu vá embora, Draco.- ela disse num sussurro tão lento que ele pensou que fosse sucumbir nesse exacto momento.

-Ginny?!- alguém chamou da porta. Ela afastou-se de Draco e olhou para ver quem era.

Também Draco virou a cabeça, mas não para ver quem era o seu salvador, e sim para não ter que encará-la mais uma vez e sentir-se prestes a se render.

-Já vou, Ron!- ela gritou. Depois olhou para Draco e, sorrindo, disse - Eu ainda não acabei contigo, Malfoy!

Draco nunca ficou tão contente por ouvir a voz do parvo do Ron. E sentia-se ainda mais patético. Como podia ele, Draco Malfoy, rei da frieza, ter se sentido tão... Impotente junto dela? Que se passava com ele? Por que é que aquela rapariga o afectava tanto ao ponto de ele quase perder o controlo? Quase?! Ele perdera o controlo.

Ele passou o resto da festa fazendo de tudo para não encontrar Ginny Weasley, chegou a se trancar na casa de banho durante vários momentos. Ele sabia que estava fazendo uma figura patética, mas mais patético ainda era a maneira como ela conseguia fazê-lo sentir-se tão fraco.

Quando viu que não podia mais se trancar na casa de banho, saiu. Felizmente foi hora de cantar parabéns e logo de seguida ele saiu, desejando muitos anos de vida a Bill.

-Mas por que vais já?- Bill insistiu.

-Porque não quero encontrar a louca da tua irmã!- ele disse e saiu até ao jardim correndo, onde se desmaterializou.

-Que fizeste com o Draco?- Bill perguntou a Ginny.

-Não fiz nada... Por enquanto. Mas vou fazê-lo admitir que gosta de mim. Porque eu sei que ele gosta. Só está se fazendo teimoso. Até percebo que ele esteja magoado, mas eu já lhe expliquei...

-Ele não dá o braço a torcer tão facilmente.

-Mas vai dar!- ela disse segura de si mesma. Ela já vira como Draco reagia perto dela, conseguir que ele deixasse de ser teimoso não seria assim tão difícil. Depois da maneira como ele a tinha tratado naquele dia, em que ela fora bater no apartamento dele, ela julgou que ele fosse ser ainda mais hostil, até pensou que ele já a tivesse esquecido. Agora percebia que a distância tinha feito com ele o mesmo que fizera com ela: aumentara o que sentiam. E ela jamais iria desistir.

Após a festa todos foram para suas casas, todos excepto Ginny.

Ela respirou fundo duas vezes antes de bater á porta.

-Quem é?- ela ouviu ele perguntar do outro lado da porta de madeira. Ela não respondeu. Então ouviu o trinco e a porta abrir-se de repente e Draco apareceu com a varinha apontada para ela.

-Calma, Draco. Não te vou atacar.- ela disse dando um sorriso maroto.- Pelo menos não ainda.

-O que queres, Weasley?- ele disse. Desta vez mais seguro de ele mesmo, embora ele desconfiasse que aquela força toda não durasse muito.

-Tu sabes o que eu quero.

-Mas não vais ter. Desaparece, Weasley. Já te disse que não quero nada contigo.

-As tuas palavras dizem isso, o teu corpo diz o contrário. E enquanto ele não me disser que não me quer eu vou continuar tentando. Quando quero uma coisa, eu não desisto!

-Eu sei. Andaste tanto tempo lambendo as botas do Potter que ele acabou te querendo!- ele cuspiu.

-É por isso que estás agindo desta maneira tão fria? Porque achas que eu gosto do Harry? Já te disse que eu não gosto dele. Ou achas que eu estava aqui, levando foras se não gostasse de ti?

-Eu já disse que não quero sab...- ele não acabou a frase, pois ela jogou-se para cima dele e cobriu os lábios dele com os dela. Ele bem queria afastá-la, ofendê-la mas, mais uma vez, seu corpo não reagiu ás ordens do cérebro. Em vez disso, puxou-a para si e beijou-a com mais força.

Interiormente, Ginny sorriu. Ela sempre conseguia o que queria, e ele, ela queria mais do que tudo.

Depois ele conseguiu controlar suas hormonas e afastou-a um pouco.

-Eu odeio-te...- ele murmurou ofegante.

-Não odeias nada!- ela disse triunfantemente.

-Mas tenho que odiar!- ele teimou.

-Não vale a pena, Draco. Eu sei que tu gostas de mim. Porque não admites de uma vez?

-Porque da última vez que eu admiti, tu foste a correr beijar o Potter!- ele disse com brusquidão.

-Tu és mesmo cabeça dura. Já te disse que foi ele que me beijou e eu não queria...

-E eu sou o Pai Natal (Papai Noel)! Sempre foste louca pelo Potter.

-As pessoas mudam. Tu mudaste. Porque não posso eu ter mudado? O harry foi uma paixoneta de adolescente. Tu és mais que isso. Mete isso nessa tua cabeça dura.

Draco suspirou. Ele queria admitir, ele queria se render, mas sentia que ela já o tinha feito parvo uma vez, não queria ser segunda vez.

-Nós somos muito diferentes, Weasley...

-Conseguimos superar as diferenças.

-Eu sou um criminoso com cadastro. Não tens medo? Eu já matei muita gente!

-Eu não quero saber.

-Eu sou um bolso vazio e roto.

-Eu não ligo para o dinheiro.

Ele suspirou. Aquela miúda estava completamente louca e, por mais que ele tentasse,ela não ia desistir. Lá no fundo ele não queria que ela desistisse. Sentia que pela primeira vez alguém gostava dele pelo que ele era e não pelo que ele tinha porque, afinal, ele não tinha nada.

-Não vai resultar!- ele tentou. Sentia as suas forças desaparecerem, os seus argumentos também estavam longe, a sua teimosia já parecia ter evaporado.

-Vai sim! Basta querermos.- ela disse.

-A tua família odeia-me! Os teus amigos odeiam-me, e eu odeio-os também. Eu nem suporto ouvir o nome do teu irmão!

-Mas eu não te odeio e tu não me odeias! Eu sei que não te sou indiferente. Eu sei que pode resultar. Vamos pelo menos tentar, Draco.- ela suplicou, olhando-o nos olhos. Ele sentiu-se derreter perante aquele castanho chocolate dos olhos dela. Não havia maneira de lhe negar nada. Ela era teimosa e ele não queria resistir-lhe. Ele nem conseguia resistir-lhe.

-Estás louca...- ele tentou fazer com que parecesse um insulto, mas fracassou. Ela sorriu e aproximou-se dele sensualmente.- E estás me enlouquecendo também.- ele murmurou sem conseguir se conter.

-Era essa a intenção!- ela sussurrou. Puxou-o novamente para ele e beijou-o ferozmente. Ele fechou a porta atrás de si.

Draco não conseguiu resistir nem mais um pouco. Já nem a cabeça dele parecia querer resistir. Os seus movimentos eram desesperados, como os de um homem que caminhava no deserto, sedento de água. Ginny correspondia com o mesmo furor. Em segundos viram-se livres da roupa e acabaram fazendo amor mesmo no chão.

Ofegantes e exaustos, Ginny sorriu para ele e disse:

-Eu consigo sempre o que quero, Malfoy!

-Quem disse que me conseguiste?- ele disse com cara séria. Por momentos ela quase acreditou nele. Mas depois ele sorriu.- Fui eu que te consegui. Não resististe ao charme de Draco Malfoy!

-Claro...- ela revirou os olhos.- Quem é que fugiu de mim a noite toda?

-Eu estava só entrando no jogo.

-Sei!- ela riu.- O que te fez te renderes?

-Eu vou ser humilhado se alguém descobrir isto, mas foram os teus olhos.

-Não foi meu corpo sensual, nem meus lábios carnudos?- ela disse rindo. Draco puxou-a para si e beijou-a novamente.

-Na verdade, foi tudo isso!- ele brincou.

N/A:Parece que chegou ao final, mas não chegou não. Julgo que ainda faltam mais dois capítulos, mas vou dar um saltinho de dois anos.