Disclaimer: Nenhuma personagem, feitiço, lugar, etc. que reconheçam me pertence. São todos pertencentes a J.K. Rowling.

Capítulo Seis

Dois Anos Depois

Ginny sentou-se ao lado de Draco, no sofá do minúsculo apartamento dele.

-Finalmente está tudo preparado. Estava vendo que chegávamos a amanhã e ainda faltavam coisas para fazer.- ela estava exausta. A preparação do casamento tinha sido muito cansativa, mas ela estava mais feliz do que nunca.

-Preocupas-te demais.- ele disse, puxando-a para os seus braços.

-E tu, de menos. Já tens o smoking pronto?

-Já está pronto.- ele murmurou. Ela sentiu qualquer coisa estranha na voz dele.

-Passa-se alguma coisa?

-Por que perguntas?

-Sempre que falo no dia de amanhã, ficas tenso, com uma voz esquisita.

Ele não disse nada, ficou olhando para a janela um pouco agitado.

-Fala, Draco! O que se passa? Estás me deixando preocupada.

-Não é nada.

-Nem tentes dar a volta. O que se passa?- ela disse firmemente, virando a cabeça dele para obrigá-lo a olhá-la nos olhos.

Ele parecia estar se perguntando se deveria lhe dizer ou não. Acabou soltando um suspiro e dizendo:

-Ruiva, tens a certeza que queres casar amanhã?- Ginny fez uma cara perplexa, que foi levemente se alterando para uma expressão desesperada, até que se começou a notar sinais de irritação.

-Claro que sim. Tu não?

-Não sei deveríamos casar amanhã...

-O QUÊ? Estamos na véspera do nosso casamento e tu estás com dúvidas em relação ao nosso casamento? Por acaso não queres casar comigo? É isso?

-Não! Eu quero casar contigo, só acho que deveríamos esperar mais um pouco...

-Eu não acredito no que estou ouvindo.- ela fechou os olhos e começou a inspirar fundo várias vezes, mas não havia maneira de se acalmar.- Tu não podes estar com dúvidas agora!

-Eu passei o último mês te dizendo que devíamos casar quando tivéssemos um bom lugar para morar...

-E eu passei os últimos dois anos te dizendo que eu não me preocupo com mordomias. Este apartamento está óptimo. Se cabemos os dois, é perfeito.

-Eu não me conformo. Tu mereces melhor que isto. Eu queria casar contigo quando tivesse um bom emprego, mais dinheiro e o meu nome limpo.

-Eu não quero saber se és pobre, desempregado e com cadastro no Ministério. Eu só quero saber se me amas o suficiente para casares comigo!

-Não é o meu amor que está em causa. Eu só quero uma vida melhor.

-E vamos ter, com o tempo. Mas juntos.

Ele sabia que não valia a pena argumentar mais. Ela não lhe ia dar razão. Ele encolheu os ombros e ela voltou a apoiar as suas costas no peito dele e pousar a cabeça sobre o ombro.

-Não há nada neste mundo que eu queira mais do que casar contigo, Draco. Amanhã será o dia mais feliz da minha vida.- Ela murmurou. Draco sentiu o seu coração encolher-se. Ele não devia estar com dúvidas sobre o casamento. Ele amava aquela mulher como nunca amara nada na vida. Deveria estar tão feliz quanto ela. E estava, no entanto, havia sempre aquela sombra pairando sobre a cabeça dele: ele era um criminoso pobre, sem nada na vida, a não ser um emprego de guarda em Azkabban e aquele apartamento com apenas um quarto de dormir, uma cozinha, que servia também de sala de estar, e uma casa de banho. Ele queria dar muito mais a Ginny.

Ginny fez questão de sair do apartamento antes da meia-noite.

-Não nos podemos ver no dia do casamento, dá azar.- e despediu-se dele com um beijo rápido e com um sorriso nos lábios. Draco viu-a desmaterializar-se na porta do apartamento e depois fechou a porta. Deitou-se em cima da cama e ficou olhando para o tecto. Amanhã era o dia mais feliz da vida deles e ele não poderia estragar nada. O sorriso de Ginny valia tudo. Aquele sorriso que fazia o seu coração derreter. Ela, que tinha seis sorrisos diferentes. Um quando ela estava embaraçada, um quando ela falava da sua família, um quando ela dizia uma coisa tonta sem se aperceber, outro quando ela dizia uma coisa tonta de propósito, um quando ela se lembrava de algo engraçado e um que ela dedicava só a ele. O último e mais especial sorriso de Ginny Weasley era guardado só para ele. Ele ainda se lembrava da primeira vez que ele vira aquele sorriso: fora na noite de aniversário de Bill, em que ela o perseguira como uma maníaca e ele fugira como um ratinho assustado. Ele deu uma gargalhada se lembrado dessa maravilhosa noite.

Os seus pensamentos foram interrompidos por um barulho na janela. Draco foi até lá e viu um Mocho-Diabo. Abriu a janela e o pássaro deixou uma carta com o selo do Ministério sobre a mesa e colocou-se na janela.

Draco abriu o pergaminho que estava endereçado a ele e leu em voz baixa. Quando acabou de ler sentiu um grande nó na garganta. Que iria ele fazer? Aquela carta mudava tudo, ou poderia mudar tudo. As dúvidas que uns minutos antes eram apenas leves incómodos agora estavam maiores que nunca e a cabeça dele andava a roda de tantas novas dúvidas que haviam surgido. Ele não podia fazer aquilo a Ginny, mas... Não lhe davam muita escolha e isso definitivamente melhoria em muito a sua qualidade de vida. Ele rasgou a carta, cheio de raiva e confusão. Olhou para a coruja durante uns segundos, tentando decidir o que iria fazer. Por fim agarrou na pena, num pedaço de pergaminho e escreveu a resposta. O pássaro agarrou na carta e desapareceu voando.

(¯·.(¯·.(¯·..·¯).·¯).·¯)

Ginny olhou-se ao espelho e sorriu. Faltava pouco para o casamento. Pela janela ela via o belíssimo altar, os muitos convidados, o juiz... Ela estava radiante, sentia-se capaz de gritar de felicidade. Ia casar com o homem que amava, apesar da sua família não gostar muito dele, haviam sempre aqueles que a apoiavam, tal como Bill e Hermione.

-Pronta?- Colin Creevey disse, entrando.

-Quase, Colin. Sinto-me uma pilha de nervos. Acho que vou cair no chão inconsciente a qualquer minuto.

-Não vais nada. Estás linda, sabias?

-Oh, obrigada, Colin.

-Pediram-me para ver como estavas.

-Eu, tirando o nervosismo, estou óptima e felicíssima. O Draco já chegou?

-Não, mas não deve demorar.

Ginny sorriu e foi novamente até a janela. Estava agitada. Ela sabia que nada podia falhar, tinham todos pensado em tudo, planeado aquela cerimónia até o ínfimo pormenor, feito tudo para que nada desse errado, mas ela tinha sempre a sensação que alguma coisa podia correr mal.

-Não tens razão para estares tão nervosa.- Colin comentou, colocando-se ao lado dela.

-É o dia do meu casamento. Qualquer noiva fica nervosa.

-Tu nunca foste do género de ficar agitadinha...

-Mas também tenho o direito. Este é o dia mais importante da minha vida e o mais feliz. Não quero que nada dê errado.

-E não vai dar. Vais ter um casamento lindo, com o homem que amas e serás muito feliz.

Ginny sorriu. Ela sabia daquilo, mas era tão bom ouvir. Ela tinha a sensação que explodiria de alegria a qualquer momento.

Os minutos passavam e ela sentia-se cada vez mais agitada. As suas mãos tremiam, a sua respiração era irregular. Colin a tinha deixado sozinha. Ela levantou-se da cama e foi novamente até a janela. Continuava tudo igual: os convidados sentados, algumas crianças correndo, mas nem sinal de Draco. Ela começava a sentir um peso no estômago. Onde estava Draco Malfoy?

De repente todas as palavras que ele lhe havia dito na noite anterior vieram-lhe à cabeça. Será que tinha desistido? Não, ele não lhe faria isso. Ou faria? O peso no estômago aumentou.

Ela sentiu vontade de vomitar. E rezou para que fosse apenas um atraso. Ou teria lhe acontecido alguma coisa? Um acidente? Um rapto?

"Calma, Ginny. Não se passou nada. Ele simplesmente se atrasou!"

Mais uns minutos passaram e Draco ainda não tinha chegado. Ela conseguia ver a impaciéncia do Juiz lá fora. Os convidados também olhavam curiosos e impacientes para trás. Ginny começava a se sentir desesperar. Draco estava já quinze minutos atrasado.

"Bolas, Draco! São as noivas que se atrasam não os noivos!", ela pensou, mas a sua vontade era gritar e chorar de desespero.

Alguém bateu a porta, mas ela nem conseguia falar. A porta abriu-se e ela ouviu passos atrás dela.

-O juiz diz que espera apenas mais quinze minutos.- ela ouviu Hermione informar.- Ele deve estar chegando, Ginny.

Ginny continuou calada. Estava concentrando todas as suas forças para evitar chorar. Ela sabia que Draco devia estar aí a chegar. Ele não a ia deixar ali plantada. Ele amava-a. Só estava atrasado. Chegaria a qualquer momento.

Mas continuava sem chegar. E mais dez minutos passaram. Aquilo não podia estar acontecendo, não a ela. Draco iria aparecer. Ela sabia que sim. Já rezava em silêncio para ele se despachar. Alguns convidados já estavam em pé. Ela saiu do quarto em passos rápidos. Talvez se ela subisse ao altar o Juiz esperasse mais algum tempo. E onde estaria Draco?

Ela caminhou pelo jardim, recebendo olhares curiosos e foi até perto do Juiz.

-Ele deve estar chegando. Deve ter acontecido alguma coisa e ele se atrasou. Por favor, espera mais quinze minutos.

O homem olhou para ela impacientemente e respirou fundo. Depois abanou a cabeça num gesto afirmativo. Ela suspirou de alívio.

"Draco, por favor, despacha-te!" ela implorou mentalmente.

Mas Draco não chegou. Nem em quinze, nem em vinte, nem em uma hora. E quando ela deu por ela já era noite. Os convidados já tinham ido embora. O juiz saíra logo que os quinze minutos que ela pedira tinham acabado. Ela estava sozinha, sentada no altar montado no jardim da Toca. Olhava para as cadeiras vazias, para as decorações já quase destruídas.

-Ele não veio...- ela murmurou ao ver Bill aproximar-se dela.

-Não.- Bill sussurrou sem saber bem o que dizer. Ginny estava se fazendo forte, mas ele sabia que por dentro ela estava sofrendo. Ele viu a máscara que ela colocara na cara para enfrentar os convidados e a sua família cair, ali em frente dele e a primeira lágrima escorrer pela face dela deixando um rasto negro de rímel. Em poucos segundos Ginny soluçava descontroladamente no ombro do irmão.

-Não havia nada no apartamento dele, nenhuma roupa, nenhum bilhete, NADA!- ela chorou.- Apenas o smoking que ele devia estar usando neste preciso momento... Ele foi embora!

Ela sentia como se lhe tivessem arrancado o coração. O que ficara era apenas uma ferida, um vazio mortífero, um buraco doloroso. Ela sentia vontade de gritar, mas era como se esse gritos tivesse atravessado na garganta e não conseguisse sair, dificultando a sua respiração, causando uma dor incómoda. Ela sentira que uma seta enferrujada e gelada lhe cravara o coração quando encontrara o smoking preto sobre a cama de Draco e nada mais. A seta também levara o seu coração embora, deixando apenas uma grande ferida onde ele devia estar.

Ela levantou-se e afastou-se de Bill. Olhou para o irmão com o lábio trémulo, a cara úmida das lágrimas, o vestido sujo e coração destruído.

-Deixa-me sozinha...- ela implorou num sussurro.

-Gin...

-Deixa-me sozinha!- ela gritou e saiu do jardim a correr. Ela queria fugir. Fugir daquela dor, fugir da família. Fugir da constatação de que tinha ficado completamente sozinha. Começou a chover, mas ela não se importava. Corria sem saber para onde ia e chorava, tentando esquecer a razão daquelas lágrimas.

"Como é que ele me pode fazer isto? Porque ele me fez isto? Ele não podia..." eram as palavras que ecoavam vezes sem conta dentro da sua cabeça.

Só parou de correr no parque. Deixou se cair sobre a relva molhada, exausta, e ficou sentindo a chuva bater-lhe na cara. Ficou deitada, de olhos fechados, suplicando para que a chuva lhe lavasse a alma, que lhe tirasse aquela dor tão forte que ela tinha a certeza de que era capaz de a matar, mas não matava. Apenas a ia torturando, a desfazendo, decompondo o seu espírito.

Quanto mais ela chorava, maior parecia ficar aquele tormento. Mas ela não conseguia parar de chorar. Algures dentro dela, ela tentava se convencer que era um pesadelo, que não era real. Que Draco ainda apareceria, a salvaria, lhe arrancaria aquela dor do seu peito e que casariam. E quanto mais pensava nisto, maior ficava a dor, pois a certeza de que Draco a abandonara no dia do seu casamento era ainda mais evidente.

-Então estás aqui.- ela ouviu alguém dizer ao seu lado, mas nem abriu os olhos. Ela queria morrer ali afogada com a água da chuva.- Estão todos te procurando.

-Eu quero morrer sozinha. Deixa-me!

-Eu não te vou deixar sozinha, Gin.- ela abriu os olhos e sentou-se no chão. Olhou para Colin com uma expressão tão deprimente que o homem sentiu um nó na garganta.

-Por que? O Draco deixou, tu também me podes abandonar! Eu não me importo. Já estou sozinha, mesmo!- ela atirou, cheia de mágoa e raiva.

-Eu vou estar sempre ao teu lado, quero te ajudar. Afinal para que são os amigos?

Ginny enrolou os braços no pescoço do amigo e chorou no seu ombro.

-Fiquei sem ele, Colin, sem o Draco, sem o meu coração, sem a minha sanidade... Ele levou tudo com ele.

-Não sabes o que aconteceu...

-Eu estive lá, quando ele não chegou, eu tive no apartamento dele. Sabes como estava? Completamente vazio, tão vazio quanto o lugar onde estava meu coração. - ela disse entre soluços.- O pior é que... Meu Deus, o que vou fazer? Eu nem consegui lhe dizer, estava guardando o segredo para esta noite... Que vou fazer?

-Do que estás falando, Ginny?

-Estou falando da criança que está dentro de mim! A criança que vai nascer sem pai...- ela chorou.

-Tu estás...

-Estou! O que posso fazer? Vou ter um filho que não tem pai, porque o maldito não tinha a certeza de que queria casar e então fugiu!

Colin não disse nada, apenas a apertou com mais força.

-Esta criança precisa de um pai... Por que é que Draco fez isto comigo? Como pôde ele fazer isto comigo? Ele não podia!

-Lembra-te que eu estarei sempre do teu lado.- Colin disse, pois era a única coisa que ele poderia lhe garantir.

Ginny abraçou-o com mais força e continuou chorando.

N/A: Já me disseram que acabou demasiado rápido, mas eu falei que esta fic iria ser pequena. No entanto ainda vou colocar mais um capítulo, só para não deixar quase nada por dizer ou por explicar nesta fic sobre a continuação Uma Nova Chance. A única coisa que não vou explicar é o que vinha escrito na carta do Ministério, mas isso saberam em Uma Nova Chance. Espero que gostem do capítulo. É um pouco triste e eu até senti a agonia de Ginny enquanto o escrevia.lol. Beijo e obrigado pelas reviews.

PS. Mais uma vez eu imploro que me deixe uma review. Quer que eu chore? Eu choro! Lol. Não choro, não, mas não custa nada deixar uma opinião sobre o capítulo.