Capítulo 03
Um grande grupo de anjos rebeldes se concentrava entre as construções caídas numa parte de Atziluth, os anjos rebeldes controlados por ninguém menos do que Michael, o anjo que agora se encontrava sentado num dos poucos pilares não completamente destruídos pela guerra ou por ele mesmo quando o irritavam, ele observava tediosamente os subordinados badernarem de um lado para o outro. Era nessas horas que ele gostaria de uma visitinha dos mensageiros do Anjo Branco, Sevotharte. Como se fosse um pedido a Deus, houve um tumulto na entrada que logo chamou atenção do jovem anjo.
- Ei, ei... Você não pode entrar aqui não, menininha. – Zombou um dos homens que barrava a entrada de alguém.
- Mas... Eu sou amiga do anjo Michael! – Uma voz feminina afirmava, tentando passar o grupo de homens ali.
Os subordinados riram, tanto homens como mulheres ali presentes sabiam bem que o anjo líder daquele grupo rebelde não era fã de garotas e jamais se tornaria amigo de uma... Muito menos uma que parecesse incrivelmente inocente e aprendiz de Querubim.
- O Mestre Michael odeia mulheres, garota.
- Mas, em compensação, nós ainda gostamos... – Disse outro, puxando-a pelo pulso e quase encostando a língua no rosto de Haruka.
-... O que pensa que está fazendo...? Ainda por cima... Na minha frente?! – Disse uma voz irritada de alguém que a menina só pôde enxergar a mão que cutucava o ombro do homem que tentara beijá-la (ou lambê-la? que nojo...), mas que ela sabia muito bem a quem pertencia.
- Senhor... – Tentou se redimir um dos homens, enquanto os outros já se afastavam furtiva e rapidamente. – Ela insiste em dizer que é sua amiga.
- Mika-chan? – A menina falou, tentando ficar nas pontas dos pés para enxergá-lo, o que era impossível pela altura do homem à frente, do Anjo do Fogo e dela mesma.
Uma têmpora apareceu em sua testa. "Não me chame assim, droga... Aquele médico pervertido deve ter conversado com ela."
- Haruka... O que cê tá fazendo aqui? – Disse o garoto prestes a explodir.
O homem saiu da frente dos dois, mais fugindo de seu mestre do que qualquer outra coisa. Todos já estavam escondidos espionando os dois e se preparando para caso o seu líder decidisse explodir e transformar as poucas coisas pela metade em pó. E isso logo aconteceu, não sem antes haver uma risada intensa do grupo e uma Haruka escondida, ao perceber do que se tratava o fato de todos terem sumido.
Um Michael a passos pesados e rápidos, bufando de nervoso estava com uma Haruka a seguí-lo em passos apressados tentando acompanhá-lo, ainda muito confusa e com sua roupa coberta de pó.
- Droga... E o dia nem começou... – Observou o garoto que nem olhava para onde estava indo, só tentava se afastar o mais rápido possível da "base" do grupo rebelde.
- Mas... Mas eu só falei que vim devolver sua camisa...! – Haruka tentava dizer, entre suas tentativas de recuperar o fôlego e apressar o passo para acompanhá-lo mais de perto.
Michael parou e coçou a cabeça depois se virou para a garota que quase trombou com ele por causa de sua parada brusca.
- Argh... Se o Raphael é pura malícia, você é pura inocência! – Ele baixou a cabeça em total desânimo, tentando se acalmar.
O silêncio se fez entre os dois, pareciam horas, mas ambos sabiam que eram apenas minutos que se sucediam. Michael levantou suavemente o olhar para, na verdade, encará-la, mas Haruka tinha seu olhar distante e perdido no local onde estavam... Ela usava uma blusinha branca bem simples e de alcinhas com uma saia curta de estudante em xadrez de cor escura, sapatilhas pretas, meias brancas, nenhum acessório... Simples assim... Soava até estranho pensando que se tratava de uma mulher.
- Mika-chan? – A anjo olhou o garoto que parecia estar muito mais distante do que os poucos passos que haviam entre os dois.
- NÃO ME CHAME ASSIM!! DROGA! ISSO É CULPA DAQUELE MÉDICO PERVERTIDO, NÉ?! Ele vai se ver comigo! – Gritou o jovem anjo prestes a estourar novamente.
A menina se encolheu assustada com os gritos do amigo e foi só então que ele reparou um pequeno corte no braço dela e logo depois os vários pequenos machucados pelo corpo e como ela estava coberta de pó.
-... Esses machucados? – Ele a segurou pelo braço que tinha o pequeno corte que sangrava e sua aura diminuiu novamente.
- A-Ah... Não se preocupe, eu estou bem! – Disse ela ao puxar o braço, disfarçando a ardência que o corte provocava.
O anjo logo se lembrou que acabara de explodir pela milésima vez aquele lugar e que ela estava lá, logo concluindo que, como não teve tempo suficiente para se esconder bem, deveria ter sido mais acertada.
- Não... Não me preocupei mesmo. Só achei estranho. Haha. – Ele riu-se de sua própria distração, aquilo era tão comum que nem se dava mais conta dos prejuízos que, na verdade, nunca importaram mesmo.
A menina mostrou um olhar melancólico e amargurado que Michael nem notava por sua própria distração, mas logo Haruka tratou de colocar um sorriso no rosto e dizer:
- Bom... A sua camisa está entregue, não sei se continua limpa, mas... Eu vou indo. Até mais, Mika-cha... Michael. – Ela completou por fim, quase rindo do olhar fatal que ele lançara à ela por causa do apelido que Raphael havia ensinado.
-... É... – Michael ia se despedir, quando ao longe os dois ouviram uma voz masculina chamar pelo nome da anjo de olhos glaciais.
- Ah! Senhor Daniel! O que... – A menina parou a frase no meio, pois o jovem anjo que chegara, segurou suas mãos, trazendo-as próximos dele e fazendo-a corar. - ... Faz... Aqui...?
- Bom dia, Mestre Michael! Ah, Haruka. Acho que se esqueceu que tem um trabalho para fazer comigo e que depois sairíamos juntos para refrescar a cabeça dos trabalhos.
- Ah!! Tinha me esquecido completamente! Desculpe-me! Fiz o senhor esperar... – Ela parou a frase novamente, pois o jovem recém-chegado beijou-lhe as mãos.
- Não se preocupe! Esperar por uma bela dama como a senhorita só aumenta a vontade de revê-la...
Haruka e o jovem chamado Daniel conversavam lembrando suavemente um casal, mais por parte do romantismo dele do que pelas reações da menina e Michael observava os dois com um olhar de que havia algo errado naquilo.
"Toda essa intimidade... Devem se conhecer faz tempo. Mas esse cara... Tenho uma sensação estranha quando vejo o olhar dele." Pensou o Anjo do Fogo consigo mesmo.
- Ah... Mestre Michael, este é Daniel, um colega meu... Conheci ele a um ano.
- Já ouvi falar muito do senhor, Mestre Michael. – O olhar de Daniel se tornou suavemente sarcástico. – Bom, com licença, mas acho que eu e Haruka temos muitos compromissos hoje. Até mais! – Disse o jovem, segurando a mão da garota e levando-a consigo.
- Ah! Até mais, Mika... Senhor. – Ela saiu a acompanhar o colega.
- Ah... – Michael nem teve tempo de se despedir e seu primeiro pensamento quando eles sumiram ao longe foi "O que diabos foi aquilo?!"
Consultório do Doutor Raphael
- Ei, seu tarado... Tá aí? – Perguntou Michael ao entrar pela janela.
- Mika-chan? O que foi? Pensei que ia se encontrar com a Haruka. – Disse o anjo da virtude ao ver o amigo.
- Do que cê tá falando? Além do mais, se conhece a Haruka, significa que foi mesmo você quem ensinou esse apelido ridículo pra ela. – Ele pegou o companheiro pela gola da camiseta.
- Ah... Isso... Não, não. Foi ela mesma quem aderiu. Eu só te chamei de "Mika-chan" na frente dela e...
- Faça o favor de começar do começo. Por que você conhece ela? Por acaso foi você quem pediu pra que ela me conhecesse também? – O anjo de olhos cor-de-mel sentou-se na mesa do amigo novamente. – E tente resumir... Você e esse seu costume de tagarelar.
- Ai, ai. Não seja mau, Mika-chan. – Raphael fez uma careta de coitadinho.
Início do Flashback
Raphael se encontrava dentro de seu consultório num dia tedioso, bebendo seu café e olhando o dia pela janela até que ouviu um bater na porta e pediu para que a pessoa adentrasse. Era uma jovem, pequena, mirrada... Até lembrava uma criancinha, o que não atraiu muito o Anjo da Cura, mas ele mantinha seus olhos fixos na jovem, analisando-a e tentando entender para que viera se parecia muito saudável.
- No que posso ajudá-la? – Perguntou enfim.
- Mestre Raphael... Eu queria conversar com o senhor... Sobre o... Mestre Michael. – Ela completou enfim, escolhendo bem as palavras que dizia.
- Sobre Mika-chan? O que há? Ele lhe causou problemas? – Raphael estranhou aquilo, vindo de uma mulher... A não ser que... – Por acaso... A senhorita é a amiga que o Mika-chan fez esses dias atrás?
- Ah. Então ele falou com o senhor sobre mim, realmente. – Ela sorriu meigamente.
- Sim, sim... Ele cometeu outra das burrices dele? Aquele cabeça dura... – O médico fez um sinal para que a garota se sentasse. – A propósito, ia perguntar a ele, mas, agora que está aqui... Qual o seu nome?
- Ah, sim. Perdoe-me. Sou Haruka, aprendiz de Querubim. E, o Michael não me fez nada, senhor. Eu simplesmente vim agradecê-lo por ter pedido que fosse falar comigo. Fez me sentir melhor... – Seu olhar se tornou inocente e tímido. – Obrigada.
- Haha. Não agradeça. Acho que fará bem ao Mika-chan a companhia de uma garota e nem ao menos imaginei que fosse uma menina como você! Tenho certeza que fará bem a ele. – Ele continuava com um olhar calmo a analisar o rosto inocente e confuso da menina.
- O senhor... Chama-o de Mika-chan... Ele não fica bravo? Ou só o chama assim quando ele não está por perto?
- Ah! Isso? – Ele sorriu satisfatoriamente. – Chamo-o assim sempre. Claro que ele esperneia e muitas vezes destrói meu consultório, mas... Nossa amizade é assim mesmo. – O que fez a menina abrir um sorriso.
Uma bela mulher apareceu na porta da sala e disse:
- Mestre, o senhor tem uma paciente. – A mulher disse sorridente.
- Ah, sim! Peça que espere um momento. – Ele disse e fez um sinal para que ela deixasse a sala.
- Erm... Vejo que o senhor está ocupado, então, acho melhor eu...
- Não se preocupe, a paciente irá esperar. Eu faço milagres. – E riu alto e malicioso.
(Parte não contada para o Michael - Início)
A menina teve um arrepio ao ouvir a risada dele e sua face corou.
- O que há...? Precisa de uma consulta também? – Ele olhou maliciosamente para a menina e se aproximou dela, puxando sua cabeça suavemente.
- N-Não, por favor! Eu não... Não... – Haruka perdeu as palavras de tão encabulada.
Raphael se aproximou mais da menina e foi em direção do ouvido dela e soprou o que fez a menina se arrepiar, então ele riu baixinho.
- Aposto que preferiria uma consulta com o Doutor Michael... – E ele riu mais.
- O... O quê?! – Ela se afastou bruscamente do medico com o rosto mais corado impossível, arfando como se não pudesse respirar direito.
- Haha... Está escrito nos seus olhos, senhorita Haruka. Você gosta muito do Mika-chan. Por que não agradece ele ao invés de mim? Ele quem foi atrás... Eu só falei. Quem fala e não age não transforma nada. São pessoas de atitude como o Mika-chan que mudam algo por aqui... Por isso gosto daquele cara. – Ele sorriu travesso e voltou a sentar em sua poltrona.
- ... Eu... Ahn... T-Tenho... muito medo... – Ela falou baixinho e timidamente. – O... O Michael... Não é o tipo de pessoa que seria sensível ao recusar algo como "Eu gosto muito de você"...
- E se... Ele não for recusar?
A menina arregalou os olhos.
- N-Não... Não existe possibilidade pra uma pessoa como eu... Ele... Ele...
- Não é do tipo que mostra afeição pelos outros, nem é do tipo que percebe o que os outros sentem, muito menos sabe dizer ou mostrar o que ele mesmo sente. – Completou o médico.
A menina arregalou os olhos e olhou para Raphael que sorriu compreensivo.
- Porém, você tem um problema maior do que isso. E, por isso, faz com que tenha menos coragem ainda de dizer a ele o que sente. O que não sei ainda... É qual o problema.
- ... Eu... Tenho uma doença... – A menina sentiu como se aquilo fosse um desabafo de tudo o que pensava e sentia. - O senhor não se lembra, porque não estava aqui... Mas quando ocorreu a Grande Guerra Sagrada, eu vim até este lugar. Todos estavam ocupados... A minha doença se agravou e eu não pude encontrá-lo. Para dizer a verdade, não me importo mais. Eu estou só esperando, mesmo que o senhor possa me curar, não me interessa mais.
Raphael tinha um olhar surpreso na face. Mas, logo voltou ao olhar habitual.
- Por que não quer ser curada mais?
- Porque agora não importa mais.
- ... Quer dizer que... Simplesmente aceitou a Morte?
- Pode se dizer que sim.
- E se ele te aceitar...? E se desejar estar ao seu lado também...? O que fará?
-... Ele não vai. Não se preocupe. – Haruka sorriu amargo e se levantou.
- Não pode controlar os sentimentos de outra pessoa, nem os seus. – Raphael afirmou tranqüilamente.
- Não... Mas posso mudá-los, porque também não sou o tipo de pessoa que apenas pensa... Já desisti disso. Há muito tempo. – Ela sorriu novamente.
(Parte não contada ao Michael – Fim)
- De qualquer forma, obrigada, me retiro. – Ela disse novamente.
Os passos dela foram o único som que ecoaram até a porta, mas antes que saísse Raphael levantou-se e disse:
- Chame-o de Mika-chan. Tenho certeza que ele não se importará tanto. – Raphael sorriu largo.
Haruka riu-se baixinho e deixou a sala.
Fim do Fhashback
-... Resumiu tanto que nem parece história sua. – Disse Michael por fim. (Isso porque ele não ouviu nem metade das coisas que aconteceram, né?)
- Hahaha! Eu nunca vou te entender, Mika-chan.
Continua...
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Fim do 3º capítulo... E uma boa parte para entender coisas sobre a Haruka. Eh... Acho que a partir daqui... As coisas podem acabar realmente OOC com o Michael xDD
Mas o que eu posso fazer? O.o Gostar nunca foi algo fácil, né:D Exigem mudanças, não?
Perdão por isso, gente...
Obrigada pela compreensão xD (Nem sei se compreendem...)
Até a próxima e mandem reviews, por favor! (Tá ficando grande pra uma primeira fic, né? o.o)
