Capítulo 04
A noite já havia caído, por algum motivo a jovem Haruka não deixava de olhar janela afora, olhando o céu. O que fora tudo isso que de repente acontecera nesses dias? No dia em que havia decidido por fim à sua vida foi encontrada por ele como que por magia. Inventou uma desculpa e, de repente, ele se tornou seu amigo... E passou a admirar o jeito impaciente e o pavio curto. Claro que aquilo não era de agora.
Início do Flashback
Uma Haruka mais criança andava por algum campo de flores no Mundo Celestial, para dizer a verdade, estava perdida. Completamente perdida. Até que avistou um menino de cabelos avermelhados, pensou em correr até ele para pedir ajuda, mas algo disse à ela que era melhor continuar silenciosa. Ela se escondeu e ficou a observá-lo. Queria saber se era uma pessoa em quem poderia confiar.
O jovem anjo treinava arduamente. Por sua face escorria muito suor e sua camisa parecia encharcada já.
- ... Hah! – O garoto fez um corte no ar, que pareceu incrivelmente poderoso e pesado, a espada em si parecia pesar demais. – Droga... A camisa está atrapalhando... – O menino tirou a camisa, o que fez a menina escondida corar.
O menino tinha os cabelos escorridos, de tão molhados que já estavam, mas ele parecia preferir treinar à ficar parado ou qualquer outra coisa. De repente, ouviu-se uma voz de um outro garoto se aproximar.
- Ei, Mika-chan! O que está fazendo aqui? – Perguntou o menino loiro recém-chegado.
- To treinando, oras! Não ta vendo? – Respondeu o menino que tinha um dragão tatuado que descia de sua face esquerda até o tórax.
- Sim, sim... Mas por que tão longe do centro? Estamos bem a Leste da parte mais povoada de Atziluth!
"Leste..." Pensou a menina consigo mesma, gravando na mente.
- Bah, e daí? Eu não gosto daquele lugar. Vou treinar mais aqui. Vá embora, Raphael.
- Hei! Isso não se diz para um amigo! – Disse o jovem anjo chamado Raphael.
- Larga do meu pé... – Michael voltava a treinar.
- Ok, ok... Você ganhou. Só achei que você tava perdido, pra falar a verdade. – Disse o loirinho ao se virar.
-... Está tirando onda comigo...? – Perguntou o ruivo, puxando o amigo pelo braço.
- Se eu estiver, o que fará? – Ele encarou o amigo com um olhar tranqüilo.
- Aí você vai ver...
A menina olhava a aura dos dois aumentarem rapidamente. Mas, por algum motivo seus olhos estavam fixos no anjo chamado Michael. Algo dizia que ele não era bom com palavras e que, por isso, preferia ficar sozinho... Mas não que ele gostasse daquilo...
Fim do Flashback
Aquilo já vinha crescendo dentro dela há tempos... Quando o via aprontar com os outros, quando o via sorrir ao longe, quando o via se irritar... Algo sempre aquecia em seu coração. Era por isso que esperava ali na janela, uma louca chance de que ele aparecesse lá, sem motivo, só para dizer "Não tinha nada pra fazer...". Só isso.
Nada se movia lá fora. Era só uma fantasia, aquele desejo de encontrá-lo e ainda bem que o era. Assim ambos estariam seguros. Haruka ia deixar a janela quando viu um vulto vindo em direção à sua casa (existem casas no céu?). Ela encostou as mãos no vidro gelado da janela e estreitou o olhar para que pudesse enxergar a pessoa que vinha. E, quem ela menos esperava, viera. Michael vinha caminhando, com a espada nas costas, o olhar de sempre, o mesmo jeito de andar, não podia ser outro. A jovem correu para a porta e a escancarou.
- O que faz aqui essa hora da noite?! – Ela falava aflita em tom baixo.
- O que faz acordada essas horas?! – Michael imitou o mesmo ar aflito da amiga.
- Ora! – A menina mostrou um olhar zangado e infantil.
- Tudo bem, tudo bem... Não aconteceu nada, só não tinha pra onde ir.
- Por que não foi dormir? – A menina perguntou, sinalizando para que ele entrasse.
- Porque dormir é uma perda de tempo. – Ele respondeu sarcástico e entrou na casa.
- Não, não é. É necessário sonhar, por isso dormir é bom. – Ela fechou a porta e convidou-o a sentar.
- Já cansei de sonhar. Além do mais, não é necessário dormir pra sonhar. – Ele respondeu e se sentou no sofá.
- Pois então! Eu quero dormir!
- Pois durma! Eu não vim aqui esperando que estivesse acordada. – O anjo do fogo respondeu, olhando a casa.
- Hah! Eu não vou te deixar na minha casa sozinho! – Ela fez uma careta.
- Não estarei sozinho, você estará aqui, porém não conscientemente. – Ele se levantou do sofá e sorriu.
- Já chega, Mestre Michael! Você entendeu muito bem o que eu quis dizer! Pare de me contradizer!
- – O jovem Michael sorriu sarcástico e cruzou os braços. – Por que "Mestre Michael" só agora?
- Porque estou brava com você! – Haruka se levantou bruscamente e deu alguns passos na direção de Michael, mas sentiu suas pernas fraquejarem e a visão apagar e caiu desacordada, mas Michael a segurou antes do impacto contra o chão.
- Haruka?! Estava tão cansada assim, é? ... Não brinque comigo! Haruka!! – O anjo de cabelos vermelhos sentiu um calafrio percorrer a espinha. "Ela... Morreu...?" Pegou o pulso dela e confirmou que ela estava realmente apenas desacordada.
Algo aliviou profundamente sua alma e ele apenas suspirou e fez uma careta como se dissesse "O que foi isso?" e pegou-a nos braços, levando-a até sua cama, colocou-a ali e sentou-se numa cadeira ali no quarto. Ela teria muito para explicar quando acordasse.
Haruka abriu os olhos vagarosamente. "Foi tudo um sonho...?" Ela se perguntou e se sentou na cama, esfregando os olhos azuis, olhando a volta e quase dando um grito ao ver um garoto dormindo sentado na cadeira de seu quarto.
-... Pelo menos isso responde a minha pergunta... Não foi sonho. – Haruka se levantou e caminhou até a cadeira onde Michael estava sentado, parou por alguns instantes e depois se sentou no chão ao lado da cadeira.
Permaneceu ali o olhando dormir... Tinha uma face tão serena, tão diferente do Michael de sempre. Ela levou a mão até a face do jovem e afastou um pouco da franja de teimava em cair sobre os olhos dele, ela não pode evitar sorrir, mas, de repente o braço fez um movimento rápido e segurou-a pelo pulso, o que quase a fez gritar de susto. Michael abriu os olhos vagarosamente.
-Ah... Era você. – Ele soltou o pulso da garota. – Pode começar a se explicar. Por que desmaiou daquele jeito?
-... Acho que estava muito cansada.
- Hm. Então eu vou-me embora. – Disse ele se levantando, se espreguiçando e bocejando. – Té mais ver... – Ele abriu janela e pulou para fora.
-... Até... – Ela disse baixinho.
- Haruka! – Chamou um anjo que usava óculos e tinha o cabelo liso, curto e divido ao meio, este era Daniel. – Que bom que te achei! Vamos sair hoje?
Bem de longe, havia um Michael em cima de uma árvore, descansando e acabara de notar que a garota saíra da escola por causa da voz que havia chamado-a notando que era o mesmo garoto de ontem.
- Pfff... Esse cara me dá nojo... – Ele desviou o olhar, mas não a tempo de não vê-lo abraçar Haruka pela cintura o que o fez virar automaticamente o olhar para os dois a tempo de vê-lo beijar a mão da menina e logo ver os dois rirem, ou ao menos, ele achou isso. Pois ela não se afastava, nem recusava as carícias o que provocou uma careta engraçada na face de Michael.
"O quê...? Fala sério... A Haruka não é o tipo de garota que aceitaria esse tipo de coisa numa boa... A não ser que..." Ele olhou os dois e sentiu seu estômago embrulhar, o que ele achou que era nojo. "Eles devem estar realmente tendo um caso... Tsc..." Ele desviou o olhar e sentiu uma louca vontade de explodir algumas coisas e ele começou a fazer uma lista mental das coisas que explodiria se pudesse. O consultório do Raphael, a base, a sala de reunião, a escola, a sala de Sevy... E, se soubesse onde, a casa daquele depravado que estava com a Haruka. Michael arregalou os olhos, o que estava pensando? Ele voltou o olhar para o lugar onde o casal estava, mas eles não estavam mais ali.
O anjo de cabelos ruivos sentiu uma sensação estranha subir o corpo e ele decidiu ir atrás dos dois. Encontrou-os juntos, falavam sobre algo que ele não podia ouvir de longe, mas logo percebeu que se tratava de um caso mesmo, mas só por parte do anjo que agora tentava beijar a face de Haruka que fugia de seus beijos. Michael sentiu um ódio e ao mesmo tempo nojo percorrer o corpo, não podendo ficar ali.
- Ei! O que pensa que está fazendo com a minha amiga?! – Ele gritou e se aproximou.
Os dois pararam de se mover e se entreolharam nervosos, sem saber o que fazer, então Haruka tomou atitude e puxou Daniel, beijando-o, este se assustou com a ação da menina, mas logo correspondeu ao beijo e também a abraçou.
Michael sentiu como se tivesse levado um empurrão na cabeça e se sentiu idiota. Apenas desviou o olhar pensando "Que nojo...", deu as costas e foi embora.
Era noite de novo, Michael se encontrava emburrado no mesmo pilar até agora. Todos que tentaram perguntar o que aconteceu viraram pó. Algo o deixara extremamente irritado e isso era: Ter feito papel de idiota. Odiava quando isso acontecia, mas ele tinha certeza que havia algo errado. Finalmente, decidiu descer dali e ir até a casa dela novamente, não estava certo e ele não aceitava aquilo.
Haruka não estava em sua casa, estava deitada num jardim imenso, um lugar conhecido para ela. O mesmo lugar que durante a infância viera várias vezes, apenas observar uma certa pessoa. Vê-lo treinar, vê-lo se esforçar até o limite... Era sua força para não desistir e, mesmo assim, no dia em que aceitara seu destino de morrer adoecida, desistira e jogara tudo para os ares. Ela fechou os olhos até ouvir um barulho e se levantar.
- Você...? Aqui? – Disse um anjo de cabelos vermelhos que nem imaginava que ela poderia estar ali.
-... Eu... Decidi dar uma volta para arejar a cabeça.
Michael permaneceu encarando-a por um tempo, até que voltou a caminhar e se sentou ao lado dela.
- Eu não entendo, Haruka.
- O que você não entende, Mestre Michael?
- O que aconteceu... Eu não compreendo. Quando te conheci cê parecia bem mais aberta, mas agora parece que esconde tudo. Você só me chamava de Michael antes e depois, com a ajuda do pervertido, ficou aquele apelido ridículo e agora me chama de Mestre... Quando conheci você melhor, achei que era uma garota diferente e que não iria na onda de qualquer cara, mas, de repente, hoje a tarde... – Michael sentiu o mesmo ódio percorrer-lhe o corpo. – Ah! Fala sério! O que tem de tão bom em babar na boca do outro?! Heim?! – Ele puxou a menina pelo braço e beijou-a, sem hesitar.
Haruka arregalou os olhos e começou a bater no tórax de Michael com a mão que sobrara, tentou empurrá-lo, mas não tinha força suficiente para isso. O beijo de Michael era ardente, parecia pegar fogo de verdade em seus lábios, ela não saberia dizer se era por sua personalidade ou era devido à raiva momentânea dele, mas logo a jovem não sabia mais dizer se não tinha força para empurrá-lo ou se não queria fazer isso, então Michael apartou o beijo e afastou seu rosto dela devagar e a menina teve impressão de que não durara nem segundos aquele beijo. Michael respirava ofegante, o pior de tudo é que ele sabia o por que... Era porque queria beijá-la novamente. Porém não tinha coragem de fazê-lo. Como faria algo que havia zombado até a pouco? E que só havia feito para provar que era horrível... Ou, talvez, não...
-... Haruka... – Ele sussurrou baixinho para que só ela ouvisse o seu chamado, ele podia sentir ela tentar se livrar da mão que puxava se braço, ela estava tremendo, estava nervosa, estava... Com medo... E ao ouvir o chamado dele por seu nome ela estremeceu e não se moveu mais.
- Por favor... Não, Mika-chan... Nós não... Eu não... Eu sei que você não deseja isso de verdade. Pare com isso.
"Você não pode controlar o que os outros sentem... Nem o que você mesma sente..." Haruka se lembrou das palavras de Raphael o que a fez estremecer e as lágrimas caírem de seus olhos.
Michael não pôde evitar, não tinha certeza nem se era ele quem estava controlando seu próprio corpo, mas ele limpou as lágrimas da face dela e não pode fazer nada quando seus lábios avançaram sobre os dela, fazendo com que inclinasse o corpo dela para trás e fossem deitando aos poucos no jardim, o que aumentou o medo da menina que tentou se livrar do corpo que descia sobre o seu aos poucos. A anjo de cabelos escuros apartou o beijo e entre soluços e lágrimas ela suplicou:
- Mika-chan! P-Pare!... Eu não quero isso, por favor, pare!!
Michael abriu os olhos e se deparou com um rosto corado encharcado de lágrimas e com uma expressão de medo que numa guerra ele teria adorado ver... Mas não agora, nem nela... Sentiu um ódio crescer dentro de si e explodiu gritando:
- Por quê?! Por que beijou aquele cara sem nem hesitar e agora... Me explique, Haruka!!! Eu não consigo entender...! – As lágrimas vieram aos olhos sem que ele notasse e pingaram na face dela.– Por quê...?! O que ele tem de mais...?!?!
- ... Pare com isso, Michael! Está agindo como uma criança...! – A garota tentava raciocinar e ser sensata para não transparecer seus sentimentos.
- Hah! Agora eu que sou a criança? Quer saber... Não interessa mais... Por mim, você pode até morrer. – Ele disse amargamente e se levantou dela, abrindo as asas e indo embora.
A anjo de olhos glaciais se virou de lado e abraçou as próprias pernas, chorando como uma criança perdida, abandonada numa situação desesperadora.
"... Assim vai ser melhor, Haruka... Acredite... Vai ser melhor." Ela pensava consigo mesma, sem evitar as lágrimas que inundavam sua face, mostrando sua profunda tristeza. Estava tudo acabado, e era melhor assim... Tanto para ela, quanto para ele... Ele iria esquecer o que havia acontecido e voltaria a ser o Michael de sempre, com certeza. Voltaria a ser aquele Michael travesso e infantil com o mesmo sorriso de sempre... E esqueceria dela... Para todo o sempre...
Continua...
Oi, povooo!!! Perdão, eu fui viajar de férias... Espero que me desculpem, mas agora eu to de volta xD
Mandem review, por favor.
