Capítulo 05
Michael andava com de muito mau-humor, quanto mais se sucediam os dias, mais difícil de trocar palavras com ele era. Não aparecia mais no consultório de Raphael, não procurava mais Haruka, não causava problemas no Mundo Celestial se não fossem as várias explosões diárias e passava grande parte do dia emburrado sobre algum resto de pilar, ou senão em algum lugar alto ou distante que ninguém fosse perturbá-lo.
Hoje ele se encontrava num dos jardins imensos do Mundo Celestial, deitado na grama com a mesma cara fechada, mas, naquele dia, um rosto apareceu e tapou o céu que ele observava durante horas. Um anjo loiro de olhos azuis com sua feição calma de sempre.
- Mika-chan... Imaginei que estivesse por aqui.
- O que cê quer? Me deixa em paz. Não to a fim de papo. – Disse ele já irritado.
- O que houve? Levou um fora, foi? – Disse o anjo da cura num tom zombeteiro.
Michael pegou-o pela gola da camisa e aproximou o rosto quase encostando com o do amigo, com um olhar que pegava fogo, como se fosse matá-lo.
- Veio aqui só pra me encher o saco mesmo? Acha divertido?! Não consigo mais me divertir nem explodindo a cara dos outros! Nem fazendo jorrar sangue da cabeça de alguém, muito menos ainda vivendo essa rotina idiota aqui!
-... Você está é carente... – Disse serenamente o loiro.
Michael arregalou os olhos e deu um soco na cara de Raphael, fazendo-o cair. Ambos se levantaram, mas o Anjo do Vento continuava calmo, enquanto o Anjo do Fogo ofegava, sua expressão era nervosa e irritada.
- O QUE CÊ SABE?! CÊ NEM FAZ IDÉIA, NÃO MESMO! ME DEIXA EM PAZ, ENTENDEU?! EU NÃO QUERO SABER!!!! VÁ PRO INFERNO! – Michael explodiu num grito e transformou tudo à volta em deserto.
-... Você só quer passar mais tempo ao lado dela... Por que não a procura? Quer vê-la tanto assim...? – O Anjo da Virtude estava dentro de uma barreira, bem protegido como sempre.
- Do que cê tá falando?! – Michael fingia não entender, mas para ele aquilo ecoava claramente em sua cabeça.
-... Mesmo que ela "não queira" te ver... Se não for atrás dela, você irá se arrepender. Eu juro. – Ele disse calmo e sem qualquer sombra de mentira no olhar, então Michael o agarrou pela gola novamente.
-... O que quer dizer...? Com "Você irá se arrepender..."? O que ela te contou que eu não sei? – O jovem de cabelos vermelhos perguntou, enquanto pensava "Ela deve ter contado muito mais coisas pra esse safado do que pra mim."
-... Se ela não te contar, é porque ela não era a pessoa que você deve esperar.
O anjo rebelde arregalou os olhos, surpreso, pensou por instantes e depois abriu suas asas e levantou vôo, sem dizer nada.
-... Boa sorte, Mika-chan... Vai precisar... – Disse o loiro dando as costas e voltando a caminhar.
Haruka andava pior do que todos os outros dias de sua vida (Ou morte?). Não podia mais ir à escola, não se alimentava bem, teve muitos desmaios e ela sabia o que tudo aquilo significava... Sua doença estava se agravando mais ainda. O desmaio quando estava em sua casa com Michael já fora um sinal.
Ela pegou um copo da água na cozinha e foi em direção a sala, mas sentiu tontura e derrubou o copo no chão, fazendo com que se espatifasse em cacos.
- Droga... – Ela disse para si mesma.
- Haruka...? Abre essa porta. O que cê quebrou aí? – Alguém batia à porta e ela reconheceria de longe, era Michael.
A menina abriu a porta só o suficiente para passar por ela e mantê-la quase fechada.
- Não aconteceu nada... Algum problema, Mestre Michael?
Pela primeira vez Michael notou um ar doente e pesado na garota, mas olhando-a daquele jeito, com um vestido branco, simples e solto, provavelmente para dormir e com os cabelos desarrumados, teve a impressão da feminidade da garota pela primeira vez. O corpo pequeno e frágil, a cor clara de sua pele contrastando com o escuro dos cabelos e os olhos glaciais e inocentes de sempre o fizeram se perder da realidade por um tempo.
-... Ahn...? Ah, nada, nada de errado. Só estava sem nada pra fazer. – Ele abriu um sorriso largo.
- Ahn...? – A menina o olhou, confusa, que tipo de abordagem era aquela quando o último momento que passaram juntos não fora um dos melhores? (Quem sabe, né...)
- Vai querer que eu vire enfeite de porta mesmo? – Ele tinha os olhos fechados e fazia uma careta, pois parecia que a menina não conseguia entender nada do que se passava.
- Eh... Ahn... Não posso te convidar pra entrar... Só de você olhar a minha situação aqui, né? – Ela acabara de se lembrar que estava com uma camisola e havia acabado de acordar, então corou e escondeu o corpo atrás da porta.
Michael fez uma careta infantil e emburrada, cruzando os braços, e a menina não pôde evitar um singelo sorriso que escapou de seus lábios após tanto tempo, um grito de liberdade após tanto tempo de prisão na escuridão.
- Ah, qual o problema? Além do mais, eu já te vi dormir uma noite inteira!
-... Isso não vem ao caso! – Ela disse corando mais.
- Hm... – O garoto fez uma careta de quem estava achando aquilo complicado demais.
A menina não conseguiu mais evitar e começou a rir, primeiramente baixinho, mas logo não pôde se segurar e riu o tudo que podia.
- E-Ei, Haruka! Você está se sentindo bem? Tá enlouquecendo ou o quê? – Michael tinha uma gota enorme na cabeça, enquanto olhava a menina se curvar ali na porta de tanto rir.
- Hihi... Eu não... Não pude evitar. Você me pareceu tão... Tão... Ah, não sei explicar. Tão... "Tão Michael". – E ela riu novamente da sua falta de palavras.
- Não entendo mais nada. Por isso que ainda não gosto de mulheres. – Ele fez uma cara de desgosto.
Como se uma idéia rápida passasse por Haruka, ela se levantou e olhou fixamente para Michael, com olhos de descoberta.
- Eu entendi! Não é que você "não gosta" de mulheres... Você "não gosta" é de não entender as coisas! – A anjo de cabelos escuros sorriu tão meiga e infantil, tão contagiante que provocou um sorriso constrangido na face de Michael.
- Não sei de onde você tira essas idéias...
Era um dia incrivelmente quente e a única coisa que todos os alunos da escola desejavam era poder sair e se divertir, sem ter que gastar suas mentes fritadas pelo calor. E, como se fosse uma prece atendida, o tempo passou rápido e logo eles se viam livres do estudo.
Uma menina com cara de colegial, cabelos curtos arroxeados, olhos azul-glaciais, usando uma camisa branca e uma saia xadrez em vermelho e marrom-avermelhado, sapatilhas pretas, uma estudante tão comum, se encontrava numa das salas repletas de livros da escola, diferente dos outros, apesar de algumas poucas gotas de suor percorrerem sua face, ela ainda pretendia estudar mais um pouco naquele dia.
No momento, ela se encontrava subindo os degraus de uma escada pequena, de cinco degraus, para ajeitar alguns livros na estante e cantarolava uma música qualquer. Tinha um sorriso no rosto, ao menos até uma mão puxá-la pelo seu tornozelo e fazê-la quase cair, mas despertando um grito de sua boca.
Quem a puxava era um homem, por algum motivo, Haruka tinha certeza que conhecia aquele rosto. Aquele rosto que lembrava um demônio... Os homens do outro dia! Que haviam cercado ela e tentado se divertir.
- V-Você...! Me largue! – Ela disse, segurando-se à escada para não ser puxada.
O homem riu de um modo louco, horrível e estranho. Ele se aproximou, aproveitando que Haruka se encontrava sentada na escada e abrindo as pernas da menina aos poucos para chegar mais perto. A menina se levantou bruscamente e subiu o último degrau da escada, mas foi puxada pela perna novamente, perdendo o equilíbrio e tentando se agarrar a estante de livros, o que fez com que os dois caíssem da pequena escada com muitos livros sobre eles.
Quando os livros pararam de cair, tudo que ela pode fazer foi tentar fugir novamente, coberta de pó, gritando por socorro, com a visão embaçada de lágrimas que vinham aos olhos até ser pega pelo tornozelo novamente. Ela se virou para olhar o homem que tentava puxá-la.
- Não vou te machucar, não se preocupe. Quero te ajudar! – Ele repetia, tentando se aproximar dela.
Desta vez ele segurava-a bem firme pelo tornozelo e, apesar dela conseguir se afastar aos poucos, suas costas bateram contra mais uma estante de livros, estava presa. Ela ainda tentava gritar por socorro, mesmo sabendo que provavelmente não havia ninguém dentro da escola àquela hora. Não podia trazer sua arma para a escola e seu corpo era fraco, era realmente o fim? Ela pensava consigo mesma, fechando os olhos com força e tentando se desvencilhar dos braços que tentavam puxá-la.
O homem já estava irritado pela teimosia da menina, então puxou-a pelos cabelos, arrancando-lhe um grito que foi abafado por seus lábios. Ele puxava a camisa da menina com força, fazendo os primeiros botões de cima arrebentarem, o que fez Haruka empurrá-lo, conseguindo ganhar tempo para puxar a camisa para cobrir seu próprio corpo.
- P-Pare com isso! Me deixe em paz! – Ela repetia, tentando chutá-lo para mantê-lo afastado.
Algo estava esquentando o local, uma aura poderosa que parecia poder fazer tudo se derreter num instante adentrou a sala que estava com a porta aberta pela qual o homem entrou silenciosamente. O jovem que entrou, manteve a cabeça baixa, a menina estava assustada, ela sabia que ele estava se esforçando ao máximo para se controlar e não explodir tudo. O homem parou de avançar contra Haruka e agora estava tremendo de medo, mais encolhido à estante de livros do que a menina.
-... Você... Como pode ter coragem de fazer algo assim...?! – O Anjo do Fogo chegou próximo o suficiente para puxar o homem pela gola.
Haruka se afastou aos poucos, se encolhendo a um canto da sala. "Ele... Ele viu tudo...? Não... Não acredito..." As lágrimas desceram sem parar por sua face e ela se virou de costas, escondendo o corpo, tinha vergonha do que havia acontecido. Será que mesmo depois disso ele ainda teria coragem de beijá-la uma vez mais...? Teria coragem de olhá-la nos olhos ou de sequer lhe dirigir palavras...? Ela estava imunda...
- Haruka... – Quando a menina se deu conta havia uma mão sobre seu ombro e ela se afastou bruscamente.
-... Não me toque... – Ela disse, tentando se afastar mais, sem sequer olhá-lo.
- O que foi...? Ele te machucou? – Michael ainda tinha uma certa raiva no olhar.
-... Não... Sou eu mesma... Quem está imunda... – Ela disse baixando a cabeça e fazendo com que mais lágrimas molhassem o chão.
- Do que cê tá falando...? – O jovem tinha um olhar confuso. – Então... Vamos sair daqui... – Ele disse, tentando puxá-la pelo braço, mas ela se soltou dele.
- Me deixe aqui, Michael... Eu estou horrível... Me deixe sozinha... – Ela puxou as pernas próximas de seu corpo e afundou a cabeça para esconder o seu rosto.
Michael suspirou e fechou os olhos por um tempo. "Maldito... Vou te mandar ao Inferno pessoalmente mais tarde." Ele sabia, estava começando a compreender essas loucas sensações de raiva e alegria. Não admitiria a ninguém, mas ele sabia claramente que seu ódio não vinha apenas do fato daquele homem ter tentado machucá-la, mas também porque estava queimando em ciúmes. Dele tê-la tocado, de ter beijado-a, não suportava. Não suportava ver ninguém fazê-la sorrir daquele modo especial, só dela, não suportava quando outros homens seguravam sua mão, não suportava nem vê-la com outra pessoa por tempo demais, aquilo deixava o sufocado. Era tão simples e tão complicado. Inadmissível aos outros. Era uma confissão pessoal à sua mente. Um alívio, um peso a menos, não podia esconder-se de seus próprios sentimentos.
- Você não está horrível... Está... – Ele cobriu melhor o ombro descoberto por um lado da camisa dela. – Está como precisa estar. Só isso. Está com vergonha do que...? Se quiser, eu posso te deixar sozinha. – "Só depois de incinerar aquele cara..." Ele pensou consigo mesmo. – Se me prometer que vai descer logo, aí eu te levo pra casa, ok...?
A menina fez silêncio por um tempo, sem se mover, mas depois encarou Michael nos olhos, seus olhos estavam inchados e vermelhos, mas quando ela sorriu, era como sempre, o mesmo sorriso contagiante e meigo.
- Tá bom... – Ela disse por fim e Michael se levantou para ajudá-la a fazer o mesmo. Depois pegou o homem pela perna e saiu arrastando-o para fora da sala.
- Te espero lá embaixo. Se não vier, você vai ver, hein. – Ele sorriu como sempre e começou a arrastar sua "bagagem" pelo corredor.
- Mika-chan! – O jovem só teve tempo de largar a "bagagem" e segurar, um tanto desajeitado, a garota que pulara em seus braços e que, logo em seguida, beijou-lhe a bochecha. -... Obrigada...
O Anjo do Fogo sentiu seu rosto corar e empurrou-a de seus braços, virando de costas rapidamente e sem jeito. A menina, que ficou olhando para as costas dele, não pode evitar rir baixinho do jeito dele sentir-se encabulado por uma garota.
-... O que cê pensa que tava fazendo? - Ele coçou a cabeça, ainda sem se virar para ela.
- Só agradecendo. - Ela sorriu e segurou uma das mãos dele, ali, olhando para as costas do anjo ruivo.
Michael dirigiu o olhar até a mão, sem virar o rosto. Não moveu um dedo para se afastar, não desejava se afastar, mas não saberia explicar a ela, muito menos agir corretamente sem que se afastassem. Por isso, apenas olhou as mãos pequenas que envolviam a sua em agradecimento, fechou os olhos e sorriu... Simples, sem sarcasmo, um sorriso verdadeiro e singelo e deixou aquela sensação boa lhe percorrer o corpo, sem pressa alguma.
-... Agora deixa eu levar essa "coisa" lá pra fora. – Ele sorriu sarcástico novamente e soltou-a.
- Até daqui a pouco. – Ela disse baixinho.
O garoto, já de costas, apenas balançou a mão e seguiu pelo corredor com seu "peso extra".
- Ei! Se não é o Mika-chan! – Disse a voz de um homem loiro que se aproximava do anjo baixinho que deixava o prédio da escola.
- Ora! Se não é o médico pervertido! – Ele encarou o colega.
- O que é essa sua "bagagem", Mika-chan? – Raphael apontou para o homem desacordado e espancado que estava sendo arrastado.
-... Pagador de pecados...? – Michael sorriu satisfeito. (Esse sarcasmo deles deve ser de convivência... hehehe)
- Ahhh, então ele mexeu com a Princesa do Reino do Fogo, é...? – Raphael sorriu também.
-... Diga mais uma das suas idiotices que eu te mato. – Um Michael pavio-curto cortou a conversa (nada hiper sarcástica).
- Hehe... Ao menos, pelo que parece, eu não errei. – Raphael disse, desviando o olhar, como se não soubesse de nada. – Então...? As pré-eliminares acontecem dentro da escola...? Que coisa feia esses jovens de hoje...
- Raphael...
- Tá, tá, já parei. – Ele sorriu satisfeito e olhou o céu o que fez com que Michael também olhasse, por puro impulso de curiosidade. – Não foi coisa sua, né, Mika-chan? – Raphael apontou para uma ala do prédio da escola que pegava fogo.
- Eu?! Eu nada! – Michael largou Raphael ali e correu para adentrar a escola novamente, aquela era a ala onde ele estava até um tempo atrás.
"Haruka! É bom que você já tenha saído daí!" Ele repetiu para si mesmo antes de chegar à porta cercada de pessoas que olhavam o incêndio. Michael tentou atravessar as várias pessoas ali, mas teve uma idéia melhor, afinal, ele era anjo para quê? O Anjo do Fogo abriu as asas e passou pelas pessoas para ficar cara a cara, a entrada do Inferno e ele. Mas quando pôs os pés no chão, uma pessoa saiu correndo de dentro daquele inferno e pulou nos braços dele. Novamente, a mesma pessoa que fizera isso no corredor, mas desta vez chorava, na verdade, Michael não saberia dizer se chorava ou ria, fazia os dois ao mesmo tempo.
- Acho que não dá pra me separar de você, Mika-chan... Sempre que faço isso, parece que perco a sorte. – Ela dizia baixinho ao ouvido do jovem que a abraçava com força.
- Vamos sair daqui... – Ele abriu as asas e levou-a em seus braços até sua casa.
Haruka abriu a porta vagarosamente, mas antes que terminasse de abrir, ela se virou para o colega que estava logo atrás dela e sorriu.
- Gostaria de entrar?
Ambos subiram até o quarto da menina e ela disse que tomaria banho então era melhor que ele esperasse lá embaixo. Bom, razão não faltava, pensou o garoto consigo mesmo enquanto descia as escadas, depois daquele cara e da fumaceira do incêndio...
Após alguns minutos de tédio a menina desceu as escadas, enxugando o cabelo molhado, usava uma camiseta branca comprida e larga o suficiente para parecer um vestido curtíssimo e um shorts preto curtinho por baixo.
- Assim parece um moleque. – Zombou o anjo ruivo.
- Algo contra, é? Achei que fosse você que não gostasse de garotas femininas demais. – Ela riu, parecia até que estava se chamando de garoto.
- Não... – Ele avançou num soco rápido que a menina defendeu facilmente, velocidade era sua especialidade em combate e o que fez o garoto abrir um sorriso. – Bom, então eu vou indo. Está entregue em casa e daqui a pouco escurece.
O jovem começou a caminhar em direção a porta, até sentir um abraço por trás, que logicamente ele sabia que poderia ocorrer, pois sabia que a menina apressou os passos para se aproximar.
-... Mika-chan... – Ela chamou por ele, baixinho, e isso fez o garoto sentir um calafrio. -... Poderia dormir aqui comigo hoje...? Só hoje...
-... Co... Como é...?! – Ele arregalou os olhos e seu rosto corou.
- Ué, só estou te pedindo que fique aqui comigo... Eu não quero mais ficar sozinha hoje... – Ela disse baixinho.
Michael sentiu-se preso. O que poderia fazer? Deixar ela ali poderia causar vários problemas... E ele também não exatamente queria sair dali... Mas... Ele era ele e ela era ela... O que pensariam deles se descobrissem isso?
-... Por favor, Mika-chan... – Ela pediu num sussurro tão melancólico e solitário que ele não pôde mais fazer nada.
-... Tá... Tá, entendi, ok... Ainda não acredito que estou fazendo isso. – Ele coçou a cabeça e se direcionou ao sofá da sala.
- Mika-chan... Lá em cima...
Continua...
