Capítulo 10

Michael corria o mais rápido que podia, por que correr quando se têm asas? Ele não sabia, mas não precisava de um motivo para abri-las. Nunca se imaginara preocupado com alguém em especial, não sabia como agir e, apesar da preocupação ter sido justamente com ela, ela apenas riu. Riu, como se não houvesse problemas... Riu, como se fosse apenas um dia qualquer amanhecendo.

Início do Flashback

- Você... Você, o quê? – Um olhar assustado transpareceu na face do jovem Arcanjo do Fogo.

-... Eu... A minha vida... Está sendo consumida por uma doença... – Ela sorriu singelamente, ainda que as lágrimas percorressem sua face.

- Não fale complicado, pô! Cê tá morrendo?! Por que aquele... Por que cê não foi naquele idiota do Raphael? – As asas em suas costas sumiram e o anjo tinha um olhar de preocupação infantil que Haruka não pôde evitar sorrir novamente.

- Eu... Não queria... Ser curada. – Ela disse vagarosamente, escolhendo as palavras para que ele pudesse entendê-la.

- Aaaah!... Eu não consigo te entender... – Michael fez uma careta confusa, mostrando a língua. – Mas, cê não queria, agora vai ter que querer. – O jovem pegou-a nos braços e levou-a para dentro do quarto, deitando-a na cama, mas ele sabia que seu coração palpitava loucamente desejando salvá-la, do fundo de seu coração, não desejava vê-la morta.

- Eh? C-Como assim? – A menina perguntou, enquanto era coberta pelo garoto e seu bichinho de pelúcia lhe era entregue as mãos, como uma menininha de 3 aninhos.

- Simples. Cê não vai morrer. – Ele sorriu incrivelmente infantil e se sentou ao lado dela. – Mesmo que nos seus olhos tivesse escrito "morte" quando te conheci... Agora, é fácil como saber se a alma de um cara é homem ou mulher... Tá escrito "Eu não quero morrer, desejo viver do fundo da minha alma".

A menina o encarou surpresa por alguns instantes e seus olhares se cruzaram no silêncio do amanhecer. Às vezes, as palavras que ele costumava dizer com toda a tranqüilidade do mundo eram as mais necessárias a serem ouvidas... Seu coração batia tão tranqüilamente, acalentado como numa canção, como se as palavras dele ecoassem por toda sua alma. "Você não deseja morrer..." As lágrimas vieram aos olhos e ela sorriu sapeca, mostrando a língua.

- Como pode ser tão convencido?! Não foi você quem me confundiu com um homem quando nos conhecemos? – A anjo puxou Michael pela bochecha.

- Ahn?! Ah!... Mas, mas, isso não vem ao caso! – Ele falou, ou tentou falar, com a menina puxando-o pela bochecha.

A menina o soltou e começou a rir, como jamais poderia, tudo aquilo parecia um sonho, um sonho tão lindo que jamais desejava parar de sonhar... Parecia uma fantasia tão distante que não podia deixar de chorar, seria felicidade? Ou medo de que tudo acabasse quando acordasse? Não pôde mais impedir as lágrimas quando o jovem Anjo do Fogo acompanhou-a no riso, se tudo fosse um sonho, se tudo fosse uma ilusão, acreditaria nela até o final. Após um tempo rindo a menina limpou as lágrimas e olhou-o de modo caloroso e carinhoso, era acolhedor o olhar da menina e Michael não conseguiu mais rir, apenas hipnotizou-se com o olhar tão perfeito da menina.

- Sabe, Mika-chan... Esse Michael nervoso tentando segurar uma explosão, misturado com o Michael que está tentando provar algo... Não combina com você, não desse jeito. – Haruka segurou a mão de Michael e trouxe-a para sua face, a mão dele era sempre tão calorosa e tão grande comparado a sua.

Michael se surpreendeu com as palavras da menina, como em tão pouco tempo poderiam ser dois livros abertos um para o outro e ler páginas que até para si mesmos ainda estavam em branco?

-... O que cê quer que eu faça...? – Michael olhou com certa tristeza a mão que estava colada ao rosto da menina, tocando sua face gentilmente. – Quer que eu exploda sua casa? – Ele sorriu sarcástico.

A menina riu em tom baixo, só entre os dois. Ainda parecia que o amanhecer estava parado, desabrochando junto às flores, esperando o orvalho escorrer as folhas... Esperando o sentimento dos dois desabrochar...

- Talvez isso combinasse melhor com o Mestre Michael que todos conhecem. – Ela disse, dando um suave beijo na mão dele.

- Acontece que O Mestre Michael, Senhor dos Anjos, Guardião do Elemento do Fogo, senhor das maiores atrocidades do mundo e... – A menina colocou o dedo indicador sobre os lábios dele, rindo muito. (Ainda continua no 3 xDD)

- Vá direto ao ponto, Senhor de Tudo e um pouco mais. – Ela sorriu um sorriso sarcástico de menina travessa.

Michael não pôde evitar sorrir, um sorriso verdadeiro que era só dela, sorrisos e pensamentos que só ela conseguia colocar nele, então ele lançou aos olhos dela um olhar sedutor e se aproximou mais, segurando a mão que tinha o dedo indicador sobre seus lábios.

- Acontece que esse Mestre Michael não funciona com uma certa menina incrivelmente boba e que só sabe rir de todas as palavras tolas. – O Anjo do Fogo beijou o dedo sobre seus lábios, o que fez a menina corar e rir ao mesmo tempo.

- E... O que você vai fazer com essa menininha tola?

-... Vou castigá-la! – Ele sussurrou só para ela. - Mas isso será mais tarde, tenho outros assuntos pra resolver. Só vou dizer uma última coisa e fui...


Michael se encontrou do lado de fora da casa da menina e suspirou, ainda não conseguia se controlar. Estava sentindo o nervosismo a flor da pele, o medo? Provavelmente... Medo de perdê-la e medo de que o médico não pudesse fazer nada, porque provavelmente Raphael já sabia da situação da menina, duas vezes teve chance de curá-la e não o fez... Precisava descarregar esse nervosismo...

Fim do Flashback

Por isso corria, corria como se estivesse em desespero para descarregar todo o nervosismo e, com certeza, explodiria a casa do médico loiro ao menor deslize de sua boca larga. Depois que tudo aquilo terminasse, ele faria uma boa caçada de monstros e passearia no Assiah para causar um pouco de caos. Mas, agora suas metas eram outras.

- Raphaeeeeel! Abra essa droga de porta! Se não fizer isso em 3 segundos, cê vai se arrepender! – Michael gritou a porta da casa do amigo. – 1... 2... Trê...

- Estou aqui! Estou aqui!! Não destrua a minha casa! – Raphael implorou ao escancarar a porta, estava sem camisa e com os cabelos todos bagunçados.

- Tarde demais...


Alguns pouquíssimos minutos depois, estavam um Michael e um Raphael sobre os escombros de uma construção que um dia fora uma casa... Uma bela casa... Raphael estava choroso fumando um cigarro enquanto Michael se sentava sobre uma pedra qualquer.

- Pra que veio aqui essas horas, Mika-chan? – O médico perguntou enquanto com a ajuda do amigo acendeu o cigarro.

- Cure a Haruka. – Disse Michael.

-... Sempre curto e direto, sem devaneios ou histórias para dizer as coisas, não? O Mika-chan voltou a ser o de sempre. Se bem que, deve ter esquecido que eu cobro por minhas consultas.

- Ahn?! Ah, qual é? Vai cobrar pra mim? – Michael olhou o Anjo da Cura, incrédulo.

-... Você não... A Haruka.

Uma corrente de fogo foi em direção ao loiro que rapidamente defendeu-se do ataque. Michael, então, pegou-o pela gola e encarou-o com certa raiva.

- Cê sabe... Que se tocar nela, cê não existe. – Michael falou palavra por palavra com muita clareza.

-... Não quero que a Haru-chan morra e nem quero dizer que precisam me pagar algo, disse apenas que recebo pelo que realizo. Vou te explicar... Mas vai ser longo então, preste atenção... E me solte, por favor. – Disse o loiro.

-... Odeio suas explicações, são sempre longas. – Michael fez uma cara de emburrado e soltou o amigo.

- A doença da Haru-chan não é simples, bom, seria se tivesse sido tratada antes... E, por mim, já teria curado ela há tempos. O problema, ela não quer ser curada, existe um bloqueio dentro dela, muito forte porque é capaz de bloquear meu poder. Se tivesse sido antes, seria muito mais fácil... E agora é muito trabalhoso, como está complicada a situação, poderia haver rejeição da alma dela se forçasse as coisas... – Raphael falava enquanto olhava longe.

-... Tá falando complicado... Simplifica por que esse burro aqui quer aprender algo. – Michael fez uma careta de tédio.

-... Tá, vou simplificar ao máximo do máximo. – Raphael suspirou.

- Demorou! – Michael sorriu largo.

- A Haru-chan criou uma barreira pra não deixar ser curada. A doença dela está avançada... E se eu forçar, a alma dela vai reagir, e isso pode causar morte imediata...

- A Haruka não tem mais essa barreira, ela quer ser curada. Mas... Se ela morrer... Eu te mato, Raphael. – Michael lançou um olhar mortal ao amigo.

- Ele entendeu!! Meu Senhor, o que o amor não faz? – Raphael comemorou, mas logo assumiu uma postura séria novamente. – Se ela está pronta é melhor que seja logo.

-... Quantos dias ela ainda tem? Antes que a doença se complique realmente a ponto de ser realmente perigoso qualquer coisinha? – Michael perguntou.

- Hm...? Acho que... Uns 3, 4 dias... – Respondeu o médico, sem entender.

- Ótimo, me dê 2 dias. – Michael se levantou e abriu as asas, colocando os googles na testa, servindo de faixa.

- Espera, Mika-chan. Para que 2 dias? Ela poderia se curar agora e fim, não é? Nada mais aconteceria. – Raphael questionou ao ruivinho que já estava no ar.

-... É, eu sei. Se preocupa não. Vai dar certo, fica vendo. Comece a contagem, vou trazer a paciente. – Dizendo isso, Michael afastou-se.

-... Quem está precisando se preparar... É ela ou você, Mika-chan? – Raphael perguntou ao vazio.


O sol estava consideravelmente alto, levando a noite embora e Michael pousou no apoio da sacada, olhando o dia. Era um dia bonito, o sol, o céu, as árvores... Tudo estava perfeito! Era dia de caçada! Dia de ir à fronteira! Michael se espreguiçou e um sorriso largo veio à face, não teria nada melhor. Um vento forte passou por ele, adentrando o local, balançando as cortinas com força, então ele se virou para olhar dentro do aposento e, através da fina cortina branca ele pôde ver um anjo (literalmente), dormindo abraçado a um ursinho branco. Pulou da sacada, silencioso e fez as asas sumirem, adentrando o quarto.

-... Mika-chan... Eu sei que é você... – A anjo sussurrou com voz sonolenta e fraca, ainda de olhos fechados.

- Como cê soube que era eu? – Michael apressou e sentou-se na cama.

- Não foi sua culpa, eu ter acordado... Só tirei um cochilo, imaginei que fosse voltar logo. – Ela abriu os olhos um pouquinho para vê-lo.

A menina abriu os olhos a tempo de ver o rosto do jovem anjo a centímetros do seu, sem tempo para se afastar ou qualquer outra reação, apenas se beijaram suavemente, num toque de lábios. Haruka tentou fugir e se virar para o outro lado da cama, mas ele prendeu-a, colocando a mão na cama de modo que não a deixasse fugir e se aproximou, deitando-se sobre ela suavemente, deixando seu rosto lado-a-lado com o dela.

-... Hoje e amanhã... Cê é só minha. – Ele sussurrou ao ouvido dela a abriu um sorriso sarcástico, eram palavras que soavam como brincadeira, mas era a verdade.

- Do... Do que você está falando, Mika-chan? – Ela perguntou, sem se mover, estava paralisada de vergonha.

Michael se levantou um pouco e encarou-a nos olhos, os olhos dele estavam tão tranqüilos, não parecia o Michael de sempre e aquilo fez um frio percorrer pela menina, fazendo-a estremecer.

-... Haruka... – Michael disse suavemente e no segundo seguinte estava de pé novamente, sorrindo largo e satisfeito. – Vamos caçaaaaaaaaaar!

A menina ficou ali perplexa, o que havia acontecido? Ela não saberia dizer, mas estava muito corada e seus batimentos cardíacos incrivelmente acelerados. Ela fechou os olhos com força e depois pulou da cama, batendo no tórax de Michael.

- Qual é?!?! Você me assustooooou!! Quer me matar, é? – A menina gritou enquanto batia nele.

- Haha! Cê tinha que ter visto a cara que fez! Foi demaaais! – Michael ria muito, tentando conter os tapas da menina.


Uma floresta fechada, onde poucas luzes atravessavam os viçosos galhos e folhagem das enormes árvores, onde havia várias plantas exóticas e animais jamais vistos por olhos humanos, passeava um casal de anjinhos (Que bonitinho). O jovem de cabelos ruivos ia à frente segurando a enorme espada apoiada ao ombro, tranqüilamente, como se nada houvesse de errado com os vários espíritos malignos que pareciam vagar por ali. A menina ia logo atrás dele, segurando-o pela camisa preta que estava aberta, seu olhar era apreensivo e a katana que usava estava presa à cintura em sua bainha.

- De tantos lugares pra gente ir, tínhamos que vir justamente pra fronteira?! Aqui não é perigoso? Os superiores sempre dizem para não virmos pra cá. – A menina segurava a camisa dele com força.

- Olha, se continuar segurando a minha camisa assim, acho que vai ser realmente perigoso. E, por acaso um dos seus superiores é mais superior que eu? Então fica tranqüila e me segue de perto. – Ele disse tranqüilo, enquanto olhava os galhos das árvores.

A menina afrouxou o aperto da camisa do garoto e logo, soltou-o. Então, para se distrair, começou a olhar os galhos das árvores, notando várias e belas flores sobre os troncos.

Michael percebeu que ela começara a aproveitar o local, mas quando ela soltou-se dele, uma sensação de vazio e distância percorreu o seu corpo. Não conseguia se concentrar nas coisas à volta e seu olhar o tempo todo tentava focar a imagem dela ali, próximo dele.

- Tsc... – O Anjo do Fogo pegou a mão da menina que o seguia. – Pronto, satisfeita? Se alguma coisa acontecer assim é mais fácil eu... – Ele ouviu a menina abafar risos e se virou pra ela, suavemente corado. – Que foi?!

- Você... É muito fofo, Mika-chan. – A menina sorriu de modo especial e deu um suave beijinho no rosto dele.

O garoto sentiu uma sensação estranha percorrer seu corpo e sentiu-se deslocado e mais corado, então se virou para frente, mas não soltou a mão da menina, o que a deixou muito feliz. Michael estava com sua roupa preta usual, botas pretas, um shorts curto, camisa aberta e os googles no pescoço. A menina estava com uma blusinha larga e um top por baixo, saia curta vermelho-escuro e um shorts preto curto por baixo, as botas eram pretas e iam até abaixo dos joelhos.

-... Me diz... Por que só no dia que nos conhecemos cê tava vestida inteira de negro e nada parecida com uma mulher normal? – Ele perguntou, sem olhar pra trás.

- Uhn... Aquele dia... A história era diferente. Eu não tinha pra que ser feminina fora da escola e, na verdade, nem dentro. É simplesmente estranho ser mulher aqui, todos te olham atravessado quando você consegue um posto alto ou executa algo bem. A Mestra Jibrille foi uma das únicas mulheres que conseguiu verdadeiro respeito como mulher nesse mundo louco que é este "Paraíso". – Ela falou sincera.

-... Hm... É... Não é novidade... Ei! Estamos chegando no coração da fronteira! É aqui que vamos procurar as bestas e é bom ir empunhando sua espada! – Michael falou sorridente.

A menina estava tão distraída que esquecera de tudo, mas ao se concentrar percebeu que havia milhões de almas perdidas e espíritos malignos, quem diria que a fronteira era realmente muito perigosa? Haruka só pôde segurar a mão do jovem com mais força e com a outra segurar a katana, se preparando para o que viesse. A paisagem também estava estranha, estava começando a ficar amarelada e parecia que tudo estava morrendo ou estava realmente morto ali. Fosse o que fosse, não seria ruim... Talvez os últimos momentos ao lado dele, ela não desperdiçaria nada.

Continua...


Yo! Aqui é a Yuuri falando! Ohisashiburi!! (Há quanto tempo!!)

Bom... Perdoem-me novamente pelo atraso, mas nessas férias viajei demais e agora minhas aulas já voltaram... Mas continuarei atualizando! Yakusoku yo! (Promessa!)

Continuem mandando reviews! Não sabem como me animam T-T Obrigada a todos que lêem essa fanfic! Muito obrigada mesmo...

Até a próxima, gente.