N/A: tô aquiiiiii! Desculpem pela demora, mas ahhh nem foi tanto assim, né? XD ME enrolei um pouco para escrever, e tudo bem, tenho que admitir, estou viciada em Grey's Anatomy (séries são um perigo hahaha). Mas, enfim, de uma forma ou de outra, tô aqui hoje, e espero que vocês gostem do quinto capítulo. Ah, e totalmente estou compensando o atraso, porque vocês nem acreditam o quão grande isso ficou...

Mylle Malfoy P.W: oieee haha, que bom que gostouuuu, espero que continue... é, a ideia foi essa, mas é bom saber que o James agora é um fofo haha. E claro que você ama o Sirius, quem não ama? Melhor pessoaaa ;) Beijos, espero que goste!

Boa leitura!


Capítulo 5- Bad Blood (Taylor Swift)

Lily

Eu já estava me perguntando onde Marlene estaria quando recebi uma mensagem.

Marlene McKinnon

(8:02) Lilyyyy

(8:02) Vá pra aula logo

(8:03) Vou chegar atrasada

Respondi e fui andando até meu armário.

Não precisava que Marlene me dissesse para saber que o motivo de ela se atrasar tinha sido alguma discussão com a mãe. Agora só precisava descobrir o porquê disso.

Quando finalmente cheguei ao armário 374, não me surpreendi muito com o Post-it colado na minha porta. Desde segunda-feira, quando havia perdido meu livro, isso já havia acontecido algumas vezes..

O primeiro foi no mesmo dia, na hora do almoço, o bilhete que dizia "Um dia tudo volta" e que indicava que quem quer que estivesse com meu livro só pretendia devolvê-lo depois que terminasse de ler.

Depois, na quarta, quando fui colocar alguns livros no armário antes de voltar pra casa, me deparei com um papelzinho igual ao outro, mas dessa vez dizendo "Fica tranquila, só faltam 50", o que eu entendi como "Olha, estranha que perdeu esse livro maravilhoso, eu já tô na página 170." Mas, ao contrário do que o autor do bilhete pedia, aquilo não me tranquilizou. Quer dizer, era bom saber que tinha alguém com meu livro, e que ele não havia simplesmente sumido, mas ao mesmo tempo era horrível! Eu não sabia quem era essa pessoa, quantos anos tinha, de qual ano era, e nem ao menos se era um menino ou uma menina! Céus, aquilo estava me deixando louca! E se meu livro estivesse todo riscado e amassado agora? Mas, pelo menos, agora estava perto de eu tê-lo de volta.

E então, hoje, não foi tão estranho ver mais um daqueles Post-it's amarelinhos clássicos colado no meu armário. O estranho foi o que ele estava dizendo:

"Olhe em cima…

E obrigado."

Então fiquei na ponta dos pés para alcançar em cima do armário, sem saber direito o que esperava encontrar lá em cima.

E qual não foi minha surpresa ao encontrar não só meu livro (AI MEU DEUS FINALMENTE, E ELE TÁ TÃO LINDO E INTACTO, E NINGUÉM FEZ NADA COM ELE E SE ELE TÁ BEM EU TAMBÉM TÔ GRAÇAS A DEUS AHHH), como também outro que eu não conhecia.

Tive que me segurar muito para não sair pulando de felicidade. EBAAAA meu livro tá de voltaaaaaa! E aimeudeus que pessoa maravilhosa! Além de ler e devolver meu livro, ainda me deu um super presente: mais um pra ler!

Meu humor logo melhorou, e eu coloquei meu dois presentinhos do dia na bolsa antes de abrir o armário para pegar meu material.

Quando entrei na sala de História, já eram 8:10 em ponto. O sinal tocou assim que me sentei em uma das últimas cadeiras disponíveis, no fundo da sala.

Quando o professor Beans começou a aula, eu já estava pegando "meu" novo livro na mochila para começar a ler. O título era "Onde a Lua Não Está." Já fiquei com vontade de ler tudinho só pelo nome, e resolvi começar sem nem olhar a sinopse.

Foi quando vi que, na folha de rosto, o dono tinha escrito algumas coisas. E aparentemente, não tinha sido coincidência.

A mesma caligrafia desajeitada dos bilhetes preenchia o canto direito do papel.

Primeiro, havia um desenho, tipo aquelas placas de banheiro feminino e masculino. Ele tinha desenhado um bonequinho de cada gênero, e o homenzinho estava pintado de azul e circulado. Percebi então que, a pessoa misteriosa que pegou meu livro emprestado e me deu outro de volta era, aparentemente, um garoto. Assumi que ele sabia que eu era uma garota porque eu tinha destacado várias frases de "Quando Tudo Volta" com o marcador rosa.

Embaixo do desenho dos bonequinhos (que na verdade era uma resposta para uma das minhas perguntas), ele tinha escrito "17 anos. Você?". E, por último, bem grande, o número 141, exatamente na mesma posição da página em que eu sempre escrevia o número do meu armário nos livros que eu levava para a escola.

Isso tudo pedia uma lista, que eu me apressei a escrever numa folha arrancado do meu caderno.

Sobre Ele

1. É "ele"

Revirei os olhos para mim mesma ao escrever isso. Claro que é "ele", Lily, olha o nome da lista! Mas eu me sentia na necessidade de fazer um banco de dados sobre esse cara, então continuei a lista.

2. Tem 17 anos.

3. Armário 141.

4. Prestou atenção no que você escreveu...

Assim que guardei o papel bem dobrado na minha mochila, uma Marlene muito vermelha bateu na porta da sala e colocou a cabeça para dentro.

- Sim, Srta. McKinnon? Vejo que está bastante atrasada… - comentou o professor Beans, parando a aula.

- Desculpe, professor, mas eu tive alguns problemas no caminho e não consegui chegar a tempo. O senhor poderia me deixar entrar?

Beans parou um momento para pensar e depois suspirou.

- Que não se repita, Marlene. Sente e abra o livro na página 412.

Lene entrou correndo e se sentou na única cadeira restante, atrás de mim, mas na fileira do lado.

Quando ouvi a página que o professor tinha dito, me alertei e olhei o quadro. Aparentemente, finalmente ele tinha resolvido mudar de assunto e parar de ensinar a Guerra dos 100 Anos pela milésima vez.

Mas antes que eu pudesse guardar o "Onde a Lua Não Está" na bolsa, um papelzinho aterrissou em minha mesa e eu abri:

Tenho que falar com você!

Guardei o livro na bolsa e peguei o de História antes de responder:

Depois. Dia importante hoje: Beans mudou a matéria!

Eu sei, eu sei, Lil. Só te avisando. Tenho uma coisa importante pra te contar/ perguntar. Ei, espera aí! Que livro é esse?

Você nem sabe! Também tenho novidades…

Okayyyy. A gente conta no almoço, então.

Tudo bem.

Abri o caderno e o livro de História e, como quase nunca acontecia, olhei para frente e assimilei o que Beans estava dizendo.

Ou pelo menos tentei.


Eu e Lene saímos o mais rápido possível da aula de Física e sentamos sozinhas numa mesa do refeitório depois de pegar nossa comida.

- Tá - ela começou, mas então olhou para minha cara e viu que eu queria muito falar primeiro. Revirou os olhos antes de continuar - Tudo bem, você primeiro.

- Eu achei meu livro!

A boca dela se transformou num "o" perfeito.

-O que? Aque- aquele livro? O que você sempre tá lendo? Que você perdeu segunda?

Abri um sorriso imenso.

-Ele mesmo.

Ela ainda parecia incrédula, então expliquei:

-Quer dizer, na verdade eu não achei. Alguém tinha pegado e devolveu. E deixou outro livro junto.

-Aquele que eu te vi lendo hoje na aula?

- Anhan. Ele mesmo.

Tentei evitar um sorriso, me saindo muito mal na tarefa.

- Lily... – Marlene falou, calmamente – Você está gostando mais dessa história do que eu queria que você gostasse, não é?

Acho que eu me entreguei quando não consegui mais evitar sorrir loucamente.

- Ai Lene... É que é tão bom, não sei porque. Acho que é só o fato de eu saber que tem um menino que gosta das mesmas...

Ela não me deu chance de terminar a fala e arregalou os olhos.

- É UM GAROTO? LILY EVANS, POR QUE DIABOS VOCÊ NÃO ME FALOU ISSO ANTES?

Tapei a boca dela, porque estávamos começando a atrair olhares. Isso tinha virado um hábito ao longo do tempo.

- Cala a boca, Marlene. – repreendi, num tom normal.

Ela ainda estava com aquela expressão de "o Natal chegou mais cedo", mas conseguiu se controlar.

- Lily, eu tô te dizendo, se você não me contar tudo o que acontecer entre você e esse garoto...

Revirei os olhos.

- Prometo que eu te conto, Lene.

Ela pareceu relaxar depois disso, mas eu percebi que Lene não tinha deixado passar em branco o fato de eu não ter negado a possível existência de um futuro caso entre eu e o garoto do livro, e ficamos em silêncio por um tempo. Ela, provavelmente, absorvendo a informação. Então, repentinamente, ela franziu as sobrancelhas:

- Como você sabe que é um menino, afinal? – perguntou, desconfiada.

Mordi o lábio inferior, um pouco hesitante. Era um hábito que eu tinha quando estava pensando ou sob pressão.

- Ahn... Ele meio que colocou um bilhetinho? – respondi devagar, com tom de pergunta.

Ela suspirou:

- Tem uma outra parte dessa história que eu não vou gostar de saber, não é?

Resolvi explicar tudo do começo:

- Tá. Calma. – respirei fundo antes de continuar – Você lembra que eu coloquei o número do meu armário no livro que eu perdi essa semana, né?

Ela simplesmente assentiu, fazendo sinal para que eu prosseguisse:

- Então, na segunda mesmo, antes da aula de Francês, eu fui até o armário e achei um Post-it, dizendo basicamente que quem quer que estivesse com meu livro me devolveria quando terminasse de ler. Na quarta encontrei outro, dizendo que faltavam 50 páginas para ele terminar o livro, e hoje achei outro que mandava eu olhar para cima. E eu achei os livros em cima do meu armário.

Marlene estava boquiaberta, mas como não comentou nada, continuei:

- Então... Eu peguei os dois livros, e quando abri o "novo" para ler, tinha meio que um recadinho. Agora eu sei que esse cara tem 17 anos, é um cara, e o armário dele é o 141.

Ela passou alguns segundos quieta, até que finalmente absorveu tudo e, como, sempre surtou totalmente:

- AI. MEU. DEUS. LILY COMO ASSIM, VOCÊ TEM QUE DESCOBRIR MAIS, E COMO É QUE VOCÊ VAI RESPONDER, E CARAMBA, ESSE É SEU CARA PERFEITO, E...

Desliguei um pouquinho enquanto ela continuava o discurso louco de sempre. Quando finalmente acabou seu fôlego, ela parou e respirou fundo.

- O que você vai responder, Lil? – perguntou, finalmente civilizada.

Dei de ombros em resposta.

- Acho que eu vou descobrir quando acabar de ler esse livro, não?

Ela sorriu e surtou um pouco mais, fazendo um escândalo e chamando a atenção de algumas (muitas) pessoas no refeitório.

Finalmente ela se sentou e ficou me encarando com um sorriso imenso.

- Então... – comecei enquanto comia minha última batata frita. Lene mal tinha comido metade do seu sanduíche ainda – O que é que você tinha para me contar, afinal?

Ergui uma sobrancelha enquanto a expressão dela se tornava um pouco mais séria.

- Bem... – foi a vez de ela morder o lábio antes de começar - É uma história um pouco complicada.

E então Marlene começou a me explicar um situação que, na verdade, era muito complicada mesmo. Pelo menos já tinha uma noção básica do histórico de amizade familiar de Lene, então foi um pouco mais fácil me situar antes que ela realmente chegasse ao ponto principal da situação.

Era basicamente o seguinte: como era de conhecimento geral (pelo menos no mundo de Lily Evans), a mãe de Marlene tinha duas melhores amigas na faculdade que, segundo ela, era um "trio imbatível" na época. Então, depois que se formaram, se casaram e etc., as três continuaram muito amigas, e, por sorte os maridos também se davam bem. Até aí tudo bem. Mas a partir daí, temos uma série de problemas:

1. Esse "trio imbatível" era formado simplesmente por Helen McKinnon, Walburga Black e por uma mulher chamada Druella Rosier.

2. Essa tal mulher chamada Druella acabou se casando com o irmão de Walburga, Cygnus Black.*

3. Entretanto, os filhos das três melhores amigas (no caso, Marlene, Sirius Black e Bellatrix Black) simplesmente não conseguiam dividir o mesmo cômodo.

Tudo bem, eu exagerei um pouco. Marlene nunca gostou de Sirius. Mas nada nunca aconteceu, só rixas bobas de criança. Só que eles nunca tentaram se dar bem, e eu não vejo isso acontecendo em nenhum momento próximo. Digamos apenas que, de um forma geral, Sirius não é o tipo de cara que eu e Lene costumamos nos dar bem (por mais que, por mim, isso aconteça principalmente por causa do seu melhor amigo). Quanto a Bellatrix (que, a propósito, é prima de 1º grau de Sirius), Marlene simplesmente não vai com a cara dela. Nem um pouco.

Ok, com os precedentes devidamente explicados, podemos prosseguir:

- Certo... – Lene continuou, adotando um tom irônico – Aí, elas tiveram a brilhante ideia de "relembrarem os velhos tempos". O que isso significa, você pergunta? Então, querida Lily, eu suponho que você esteja ciente do fato de que os Black são ricos. Muito ricos.

Balancei a cabeça. Marlene estava ficando bastante chateada e ao mesmo tempo empolgada em contar a história, e eu tenho que admitir que isso me dava medo, então simplesmente a deixei contar sem interrupções:

- Exato. Você provavelmente não sabe, mas acontece que minha "tia Wal", também conhecida como a mãe daquele traste do Black, convidou a todos nós para passarmos o fim de semana na "casa de férias" dele.

Meu queixo caiu. Se ela estivesse dizendo o que eu estava dizendo...

- Sim, Lily, é exatamente isso que você está ouvindo. A ideia é irmos todos para a casa deles perto de Reading** para passar o fim de semana.

Ela abaixou a cabeça, fingindo que estava chorando por alguns segundos, e então olhou para a frente de novo.

Eu permaneci calada, com a boca aberta.

- Lils, e o pior é que isso tava programado a semanas e minha mão só veio me falar ontem, sendo que a ideia é sair daqui assim que eu chegar da escola.

- Como assim? – soltei.

- EU SEI. Aiii agora é que você não vai acreditar.

- TEM MAIS? – eu não sabia aonde aquilo estava indo, mas eu tinha a impressão de que ia dar treta.

- Tem. Você não sabe. Ontem de tarde, minha mãe me falou isso, e aí eu fiquei tipo "MÃE PORQUE VOCÊ NÃO ME FALOU ANTES" e aí ela disse que sabia que era errado, mas que elas todas tinham concordado em só contar para os filhos em cima da hora, porque sabiam que todos iriam ficar emburrados.

Ponderei a questão.

- Tá, um ponto pra tia Helen. – arrisquei – Por mais que tenha sido horrível, ela tem razão.

Lene revirou os olhos.

- Eu percebi isso depois, mas na hora eu me retei e briguei com ela. Aí ela pediu para eu arrumar minhas coisas, e eu subi super chateada pra fazer as malas. Agora que vem a parte interessante. – ela parou para respirar, e eu me debrucei sobre a mesa, completamente esquecida do KitKat que esperava para ser comido na minha bolsa – Eu tinha acabado de abrir aquela minha sacola grande da Tommy, você sabe qual é, quando meu celular tocou. Eu fui olhar porque era o barulhinho de mensagem normal, e fiquei curiosa. Lily. Você NÃO VAI ACREDITAR em quem foi.

- FALA LOGO, LENE!

- SIRIUS BLACK.

Engasguei com a água que eu tinha começado a tomar.

- O QUE? NÃO. CREIO.

- EXATO. AÍ ELE DISSE QUE...

- NÃO FALA NÃO, LENE! ME MOSTRA ESSA CONVERSA, EU PRECISO VER! – a essa altura eu estava quase assustada.

Faltavam tipo 15 minutos para minha aula de Francês, e o refeitório já estava esvaziando, mas eu não ligava.

Minha melhor amiga revirou os olhos pela segunda vez em menos de 1 minuto e puxou rapidamente o celular do bolso, me entregando já desbloqueado.

Abri as mensagens e ergui as sobrancelhas ao ver que ela tinha salvado o contato. Vai entender:

Sirius Black

McKinnon?

Marlene

Quem eh?

Sirius Black

Sirius Black

...

Marlene

BLACK?

O que vc quer?

Sirius Black

vc provavelmente tbm só foi informada agora dos planos das nossas mães para esse fim de semana

Marlene

Infelizmente, sim

Sirius Black

eu nao sei vc, mas eu pretendo fazer alguma coisa

nao pretendo ficar preso dentro de uma mesma casa com vc, Bellatrix e Regulus

Marlene

Sua prima não tem uma irmã?

Sirius Black

tem

Narcisa, e ela tá na faculdade

se salvou

Marlene

O q vc quer comigo, Black?

Sirius Black

enfim, obviamente eu nao aceitei tao fácil assim

e depois de muita discussão convenci minha mae a me deixar levar o James

Marlene

E o q eu tenho a ver com isso?

Sirius Black

minha mae nao eh tao fácil assim de se negociar, McKinnon

se eu quiser levar o James, tenho que conseguir uma forma de ir só no sábado

pq o último assento do meu carro está ocupado pelo hamster de meu irmão

Marlene

Ainda não sei onde eu entro na história

Sirius Black

calma

ouvi dizer por aí q vc já tirou a carteira de motorista

Opa. Não briguem com a Lilyzita aqui, ok? Eu posso ter esquecido de mencionar...

No último outono, Lene tinha conseguido tirar a carteira definitiva de motorista. Eu (e a maioria das pessoas da nossa idade) tinha só a provisória, que tinha tirado agora no Natal, já que tinha viajado antes de o último ano começar e tirar quase todo o meu tempo livre para aprender a dirigir direito. A grande questão da carteira provisória é que você só pode dirigir acompanhado de um adulto (+21) e um monte de coisa aí... Resumindo: não serve pra nada. Meu aniversário de 18 anos já estava chegando e eu ainda não tinha arranjado tempo para fazer os testes de direção. Mas Lene, sim. Ela ficou na cidade no verão passado e fez os testes logo depois de conseguir a carteira provisória, e agora tinha uma carteira definitiva (que é a de verdade). Mas ela não tinha um carro ainda, então não adiantava muito. ***

Por isso, logo que li aquela mensagem do Sirius, não achei que fizesse sentido. E nem Lene, pelo visto:

Marlene

E daí? Eu não tenho carro

Sirius Black

exatamente

eu tenho o carro, e vc a carteira

Marlene

Explique-se

Sirius Black

Dona Walburga concordou

saímos daqui sábado de manhã:

eu e James vamos até sua casa com o carro

e vc dirige até Reading

Marlene

O q eu ganho com isso?

Sirius Black

uma noite a menos naquela casa

e, como combinado com minha mae

vc pode levar sua amiga, Evans

o q me diz?

Marlene

Eu topo

- Lene... – comecei – no que você me meteu?

Depois que ela me convenceu de que seria até bom ir com ela para Reading, porque nós duas poderíamos sair, conhecer a cidade e talvez até encontrar uns carinhas fofos do interior, me preocupei achando que minha mãe não deixaria. Mas Marlene tinha se atrasado hoje justamente porque estava convencendo a mãe de que a coisa toda era um boa ideia e pedindo para ela ligar para minha mãe e explicar tudo para ela.

Assim, quando eu sai da última aula (Biologia) e liguei para minha mãe, com Marlene do meu lado, ela mesma me falou que:

A) Já estava sabendo de tudo

B) "Helen" tinha ligado e explicado a situação toda (meninos num quarto, meninas no outro, etc.)

C) Ela deixava

D) Havia uma pequena mudança: Lene dormiria lá em casa para não ficar sozinha na casa dela, minha mãe insistiu.

Sendo assim, nós duas pegamos o ônibus (que sempre pegávamos juntas, já que morávamos na mesma direção) e paramos na casa de Marlene para pegar as coisas dela. Quando chegamos, os McKinnon já estavam quase de saída e nos deram uma carona até a minha casa.

Ao entrar em casa, achei estranho não encontrar Petúnia no sofá assistindo a America's Next Top Model.

- Estranho… - comentei enquanto fechava a porta.

Lene já estava subindo as escadas (sim, esse é o nosso nível de amizade), e eu fui atrás dela só para encontrar minha irmã fazendo as malas, parecendo muito estressada.

- Oi, Tuney. - falamos juntas e passamos logo para o meu quarto

- LILY, VOCÊ PEGOU MEU CASACO ROSA? - Petúnia gritou quando já estávamos lá dentro.

Revirei os olhos, mesmo sabendo que ela não poderia ver.

- Não, Tuney, e todas as roupas que eu tinha pegado já devolvi.

- ENTÃO ONDE TÁ?

Vi Marlene se acabando de rir, jogada na minha cama.

- E eu que vou saber?

Então ela saiu do quarto bufando e desceu as escadas correndo, chateada com Deus sabe quem.

Me joguei na cama ao lado de Marlene.

- Eu nem mesmo uso rosa. - falei, revoltada.

Ela riu ainda mais da minha cara, e eu bati nela com meu Ursinho Pooh de pelúcia até ela parar. Ela devia entender. Ninguém em sã consciência combina uma blusa rosa com uma calça vermelha, por exemplo. Aí a criança aqui nasce ruiva e ainda é obrigada a usar roupa rosa?! Acho que com uns 12 anos eu me revoltei e me recusei a comprar qualquer peça de roupa levemente rosada. Simplesmente não dava certo.

- Vai tomar banho enquanto eu começo a fazer a minha mala. - falei

Ela só resmungou e virou de lado.

- Hummm.. Mas tá tão frio, Lilssss…

Levantei e continuei a bater nela com o bichinho até que ela levantasse.

- Vai logo, preguiçosa, a água é quente e eu já aumentei o aquecedor. Quando você voltar, já vai estar uns 20ºC aqui dentro.

Ela revirou os olhos e levantou, pegando suas coisas e indo ao banheiro.

Tirei meu sobretudo e abri a porta do guarda-roupa, começando a pegar o básico.

Quando Lene entrou no quarto de novo, de suéter e calça de moletom, eu não tinha feito muito progresso.

- Leneeee, me ajudaaaa! - pedi, fingindo uma carinha triste.

Ela riu de mim e terminou de guardar suas coisas.

- Vai você agora, Lil, e eu adianto sua mala por você.

Quando eu saí do banho, ela já estava deitada na minha cama, olhando o celular, enquanto uma pilha de roupas me esperava ao seu lado. Ela ergueu os olhos quando entrei.

- Pronto, separei. Aí a gente decide o que realmente vai ou não. - ela disse e levantou, desdobrando tudo para eu ver

No final, decidimos por uma calça jeans e uma preta de veludo. Aí eu peguei algumas blusas para o dia e um suéter mais arrumado para de noite.

- Lene, você trouxe aquela sua bota preta de salto, né?

- Anhan.

- Vou levar a minha marrom e qualquer coisa a gente troca, ok?

- ISSO. Amo sua bota marrom.

Ri enquanto terminava de arrumar tudo na minha malinha pequena, acrescentei um cachecol e decidi levar o sobretudo na mão. Nem tava mais tão frio assim, afinal. Uma média de 9º C todo dia. Dava para sobreviver.

Petúnia veio avisar que estava saindo com o namorado e depois bateu a porta de casa. Fiquei pensando sobre como era triste que a vida amorosa daquela baleia do Vernon fosse melhor que a minha até que meus pais chegaram em casa, uns 5 minutos depois de Petúnia ter saído.

- Oi, meninas! - os dois cumprimentaram e vieram falar com a gente. Meu pai foi logo para o quarto, mas minha mãe ainda tinha mais o que dizer:

- LENEE, queridaaaa, como vai você? - e então correu para abraçar Marlene, o que era uma cena e tanto, já que minha amiga tinha vindo em casa segunda-feira.

- Tudo bem, tia Claire. E a padaria, tudo bem?

- Ai, querida, tudo ótimo! Nunca mais apareceu por lá, hein? Estou com uns novos sabores daquele sonho que você adora, devia ir lá provar. - e então, sem pausa nenhuma, minha mãe resolveu mudar de assunto - Lily, eu e seu pai temos um jantar de negócios da companhia dele hoje a noite. Vocês duas conseguem se virar, não é?

- Claro, tia! - Lene respondeu logo, sendo toda educada como ela não era.

- Tranquilo, mãe.

- Quer dizer então que minha Marlenezinha já está com carteira definitiva é? - minha mãe perguntou, cutucando a pobre da Marlene. - Ai meu Deus, me sinto tão velha...

- Já tem um tempinho, tia. Como eu sou mais velha que a Lily, consegui terminar tudo ainda no ano passado, antes das férias de verão acabarem e dessa loucura de último ano começar.

- É, a Lily demorou de tirar a provisória e depois nós viajamos, mas daqui a pouco ela faz os testes.

- Queridas… - me intrometi - Eu tô aqui, sabia?! E sim, mãe, pode ficar tranquila que a Lene é uma motorista bem experiente e responsável.

Ela riu um pouco.

- Lily, querida, era capaz de eu estar mais preocupada se fosse você dirigindo... De quem é mesmo o carro no qual vocês vão? - minha mãe perguntou, o que me lembrou de uma coisa importante:

- LENE! Você avisou ao Black que é pra eles virem aqui?

Ela fez uma cara de pânico.

- Aiiii nem pensei nisso!

Vi minha mãe erguer a sobrancelha à menção do sobrenome, mas não comentou nada, até porque meu pai chamou lá de dentro:

- Claire, vamos nos atrasar!

Então minha mãe suspirou e comentou:

- Tomem cuidado, meninas. - antes de se virar e sair do quarto, fechando a porta.

- MARLENE, AVISE LOGO PRA O BLACK!

- Ai, calma, estressadinha…

Ela mandou uma mensagem para ele e depois lembrou:

- Lil, liga pra Domino's e pede uma pizza pra gente!

Eu pedi a pizza e depois ela desceu para ir escolhendo um filme pra gente ver.

Quando desliguei o telefone, vi que Lene tinha deixado o dela lá em cima e peguei para devolver bem na hora que tocou:

Sirius Black

ok, casa da Evans entao

espera

onde eh mesmo?

Desbloqueei o celular e respondi eu mesma:

Marlene McKinnon

Acho q o Potter já deve saber onde é.


Foi um pouco deprimente ser acordada por um grito de Marlene na manhã seguinte, às 7 horas. Ainda mais considerando que fomos dormir quase 4h.

Minha conclusão é que o Netflix é realmente uma invenção muito perigosa para adolescentes com uma paixãozinha por Grey's Anatomy e comédias românticas.

Nós duas nos arrumamos e descemos para tomar café da manhã. Meus pais já estavam na cozinha, minha mãe preparando panquecas e meu pai lendo o jornal enquanto tomava uma xícara de café.

- Bom dia, mãe. Bom dia, pai. - falei antes de pegar uma maçã na geladeira e sentar para comer.

- Bom dia, meninas. - meus pais responderam quase ao mesmo tempo, e Marlene cumprimentou os dois antes de também abrir a geladeira para pegar leite.

Minha mãe colocou as panquecas na mesa e sentou para comer correndo.

- Meninas, tenho que sair logo para ir na padaria, já estou atrasada. Então discurso rápido, versão compacta: Lily, sua irmã vai voltar para a faculdade com o namorado, Vernon, amanhã de manhã. Ela fez questão de ir com ele, e você ainda não vai ter voltado quando ela sair, alguma coisa para dizer?

Por mais que eu não me desse bem com Petúnia, fiquei um pouco triste por ela ir embora sem me falar nada, então fiz uma careta:

- Diga que eu mandei boa sorte.

Todo mundo presente no recinto pareceu surpreso, mas minha mãe se recompôs e continuou:

- Então, meninas, confio demais em vocês, mas precaução nunca é exagero: Lene, pelo amor de Deus, cuidado na estrada.

Marlene riu um pouco e respondeu:

- Pode deixar, tia.

- Eu vou morrer de saudades, então Lily, por favor, ligue e dê notícias. Nada de bebida, não falem com estranhos, não aceitem nada de ninguém e tentem se manter longe de encrenqueiros. Avisem se forem sair, e não quero saber de vocês se metendo em festinhas desses drogados por aí. Não finjam que não sabem do que estou falando, cuidado com quem vão beijar por aí, e OS MENINOS FICAM NUM QUARTO DIFERENTE POR UMA RAZÃO!

Isso alertou meu pai:

- Meninos? Vocês vão ficar na mesma casa que meninos?

Revirei os olhos.

- A gente se odeia, pai.

Minha mãe bufou e levantou, colocando seus pratos na pia.

- Calma. Richard, não tem problema. Helen vai estar lá, e elas nem gostam desses garotos. Apesar de que isso nem sempre é uma garantia, não é mesmo. - então ela deu uma piscadela e pegou sua bolsa para sair - Confie em sua filha. Amo vocês!

Ela se abaixou para nos dar um abraço, se despediu e saiu de casa.

- LILY! Por favor me diga, me prometa que não vai acontecer nada que eu estou imaginando que possa acontecer.

- Calma, pai. Eu prometo, nós prometemos que não vai acontecer nada. - então dei uma cotovelada em Marlene, que parecia estar meio off.

- Ahn? Ah, claro, pode ficar tranquilo, tio. É uma coisa bem família mesmo.

Meu pai pareceu se tranquilizar um pouco e desviamos a conversa para assuntos mais triviais.

Quando terminamos de comer, meu pai disse que arrumaria a cozinha e nós fomos para meu quarto, terminar de ajeitar as coisas.

- Quantos graus tá fazendo lá fora? - Lene perguntou, enquanto tentava decidir que suéter colocaria por cima da camiseta branca de malha.

Olhei no celular antes de responder:

- Uns 8ºC, parece. Não precisa botar o verde, não, é muito quente. Usa o bege.

Ela fez como eu disse e vestiu a blusa bege de lã, em gola V, completando com um cachecol que, de alguma forma, combinava com sua calça jeans escura. Marlene era estilosa por natureza. Ela simplesmente tinha o talento de escolher a roupa perfeita, e seus cachos escuros contrastando com os olhos azuis sempre davam um toque especial a qualquer look. Dava para entender porque toda garota de Hogwarts tinha inveja dela, mas Marlene sempre gostou de tentar coisas novas em si mesma. No primeiro ano, ela tinha pintado as pontas do cabelo de azul, e no segundo clareou um pouco algumas mexas. Agora estava usando o cabelo da cor natural, mas eu sabia que era só uma questão de tempo até ela resolver tentar outra coisa. A verdade é que ela ficava linda de qualquer jeito.

Ela sentou na minha cama, meio sem nada para fazer.

- Lily, será que fica bom se eu pintar o cabelo de ruivo? - Ok, isso foi estranho. Por mais que eu ame Marlene, não a quero lendo meus pensamentos. Seria estranho.

- Ai meu Deus, não inventa não, Lene. Eu já disse, qualquer cor fica bem em você, mas aproveite esse cabelo lindo que você tem! E além do mais, você não quer pintar de ruivo.

- Ai, Lil, para com isso. Seu cabelo é o mais lindo do mundo!

- Ah, eu também gosto, e você sabe. Mas às vezes é mais difícil combinar as coisas. Normalmente, eu tento ser bem básica. E nós duas sabemos que essa não é você.

Isso pareceu vencê-la. A verdade era que nós éramos tipicamente aquela dupla de melhores amigas meio contraste, meio parecidas. Enquanto ela era totalmente na moda e adorava comprar a mais nova peça da loja sempre, eu tinha um estilo mais discreto. Não que eu andasse só no básico ou fora de moda, mas eu tinha que ser bem mais cuidadosa com a minha escolha de roupas.

- Tá. Mas aí eu vou ficar pra sempre com inveja de como você pode vestir só um jeans claro e uma blusa verde caidinha e ser tão arrasadora.

Ela descreveu minha roupa com uma voz sofridinha que me fez rir.

- A magia dos olhos verdes, McKinnon. - eu pisquei, em tom de brincadeira. Ser ruiva tinha lá suas vantagens… - Vamos descer, eles já devem estar chegando.

E, dito e feito, foi só nós abrirmos a porta depois de nos despedirmos do meu pai para vermos uma Mercedes azul escuro reluzente parar em frente à minha casa.

E quando James Potter e Sirius Black saltaram da frente, alguns segundos depois, eu tinha certeza que nós duas tínhamos o queixo caído.

*Sim, os nomes tão certinhos e tudo mais, tá tudo lá na árvore genealógica dos Black quem casou com quem. Só inventei a parte da amizade e dos McKinnon.

**Essa cidade existe sim, e fica a cerca de uma hora de Londres, Eu não sei qual o tamanho ou como é a cidade exatamente, mas…

***Por mais estranho que pareça, eu pesquisei e, aparentemente, é mais ou menos assim que o sistema funciona lá, então...


N/A: e aíiii? o que acharaaaaam? Gigante o capítulo, viu? Deu mais de 5 mil palavras, e minha média é de 3 ou 3500... Mas gostei de fazer maior, apesar de ter dado mais trabalho... entãoooo gostaram? Não recebi muitas reviews no último capítulo, e queria realmente saber o que estão achando... Enfim, de toda forma obrigada a quem está acompanhando a história, cada leitor é extremamente importante pra mim!

Espero que tenham gostadoooo, beijinhos...

Até a próxima!