N/A: Meu Deus do céu eu nem acredito que tô aqui! Gente, descupa mesmo, mil vezes desculpa. Eu literalmente passei tipo um ano sem postar nada! Mas vocês não têm noção de como esse ano foi uma loucura pra mim! Eu não tive tempo nem de respirar, e, por mais que tentasse escrever, não tinha tempo. Nas férias do meio do ano eu até escrevi um pouco e tentei postar esse capítulo aqui, mas minha conta aqui no fanfiction deu um bug e eu não conseguia baixar o capítulo. E aí eu nem ouvi mais falar na palavra "fanfic" até agora. Mas, finalmente estou de férias e quero muito escrever. Espero que vocês ainda queiram ler! Se não lembrarem muito bem das coisas, releiam os capítulos e tals, e eu prometo uma história muito legal pra vocês ok? Talvez meu estilo de escrita mude um pouco, até porque eu mudei muito esse ano, mas a ideia da história continua a mesma!

Vou responder às reviews aqui, mesmo que vocês não vejam kkkk:

Karol Bernardo: Oláaa! Ai meu Deus, desculpa a demora! Muiiiito obrigada, mesmo! Espero que você ainda esteja interessada por ler! De toda forma, agradeço muito, beijos!

Pepinela: Oiiii! Nossa, eu surtei quando vi essa review sua aqui no fanfiction! Lembro da minha reação lá no começo do ano, e já queria responder, mas, como disse, a escola e milhões de outras coisas roubaram essa possibilidade de mim! AIMEUDEUSDOCEUMERLINAMADOJESUS você não tem noção de como ouvir isso me deixa feliiiiiiz! Espero que você ainda esteja curiosa para ler o resto!

Mylle Malfoy P.W: Olha aquii a viagem! haha, espero que você ainda queira ler. Obrigadíssimo!

: ohhh meu Deus, obrigadaaaa! Espero que você ainda esteja por aquii!

Então gente, é isso, desculpem mesmo por toda a demora, mas eu prometo estar aqui, pelo menos durante as férias!

Espero que gostem!


Capítulo 6- Breakeven (The Script)

James

Eu não pude controlar meu sorriso ao ver a cara de Lily e Marlene quando nós dois saltamos da Mercedes sedan de Sirius.

Era, de certa forma, irônico que ele tivesse um carro, já que nem podia dirigir, por não ter passado nos exames. Os Black nunca foram rigorosos com esse tipo de coisa. O que eles podiam comprar, eles davam. Em termos de notas, porém… Qualquer deslize e já era. Eu já tinha feito os meus e estava esperando o resultado, e meus pais só me dariam um carro quando eu pudesse dirigir oficialmente.

Demorou um pouco, mas assim que bati a porta do carro e deslizei os óculos escuros para a cabeça elas retomaram a compostura e caminharam até nós dois, cada uma com uma sacola na mão.

Abri meu maior sorriso:

- Bom dia, Lily, Marlene.

- Evans, Potter, Evans. Eu sei que deve ser difícil para seu cérebro anormalmente pequeno e ocupado por seu ego gigante, mas tente aprender. Black, como vai?

Sirius, que terminava de dar a volta no carro, se pronunciou:

- Ótimo, Lily. McKinnon, apreciando a vista? Ou já podemos ir?

Marlene, que ainda estava olhando boquiaberta para o carro, corou levemente antes de responder:

- Nada para apreciar, Black. Então, quem vai ser meu copiloto?

- O carro é meu. Eu ia gostar de ir na frente.

Revirei os olhos enquanto pegava a bagagem das meninas e levava para o porta-malas.

- Claro que sim, Padfoot. - bati a porta - Então acho que somos eu e você aqui atrás, não é Lily?

Eu vi a cor sumir do seu rosto enquanto ela engolia em seco:

- Aparentemente terei esse desprazer, Potter. - ela se adiantou para entrar no carro, mas eu fui mais rápido e abri a porta para que ela entrasse. Pude vê-la revirar os olhos enquanto eu dava a volta para entrar do lado esquerdo, atrás de Sirius.

Marlene ligou o carro, parecendo encantada por estar tendo a oportunidade de dirigir uma Mercedes, e anunciou:

- Vamos nos divertir um pouco.

E então ela pisou no acelerador.


Eu poderia dizer que Marlene dirigia loucamente, a mais de 200 Km por hora, e que a viagem estava sendo muito louca, com rock tocando nas alturas e todos nós quase batendo a cabeça a cada segundo em consequência às curvas e vezes em que freávamos repentinamente.

Mas… bem, não seria verdade.

Marlene era uma motorista bem cuidadosa, e eu tenho a impressão de que a sua atenção estava dobrada, considerando-se o fato de que ela estava dirigindo uma Mercedes. Que não era dela.

O som estava ligado na rádio local, estávamos todos em silêncio há um bom tempo, agora.

- Então… - comecei, tentando aliviar a tensão - Quando que você tirou a carteira mesmo, Marlene?

Pude vê-la respirar fundo, como se previsse entrar numa grande confusão pela sua resposta:

- Me chame de Lene, James. Vamos passar quase 48 horas dentro da mesma casa, é melhor deixar as formalidades de lado. - pude ver ambos, Lily e Sirius erguerem os olhos das telas dos seus celulares diante disso. Lily adotou um olhar que, eu tenho certeza, poderia ter incinerado instantaneamente qualquer um que se atrevesse a encará-la naquele momento. - E, respondendo à sua pergunta, foi no verão. Já tem mais de seis meses, agora.

- Ah. - falei, sem saber mais o que dizer, e com medo de que qualquer resposta que eu desse pudesse irritar a ruiva sentada a um assento de mim.

O que eu decididamente não queria fazer.

Mas então, inesperadamente, foi ela quem se pronunciou, com uma sobrancelha erguida:

- E você, Sirius, - Lily frisou o nome, e eu tenho certeza de que Sirius, assim como eu, sentiu que nós dois estávamos no meio de uma discussão bem perigosa entre amigas - por que mesmo que não pôde dirigir hoje?

- Ahn, er… Eu não passei nos exames. Mas vou fazer de novo depois.

- Ah, sim. Sinto muito.

Espera um pouco, eu estava fincando louco?

LILY EVANS, jogando conversa fora com SIRIUS BLACK?

Deus, o mundo devia estar pegando fogo…

- E você, James? - Marlene entrou em ação.

- Eu, ahn, tô esperando o resultado…

- Galera, que tal a gente jogar alguma coisa, hein? Sabe, esse joguinhos de viagem para passar o tempo mesmo? - Sirius sugeriu, tentando aliviar o clima.

Eu estava sentindo que, assim que estivessem sozinhas, Lily e Marlene teriam uma discussão séria se não mudássemos o assunto logo.

As meninas aceitaram a sugestão, e eu disse que tudo bem. Acho que, se teríamos mesmo que passar um tempo juntos, elas perceberam que seria melhor deixar um pouco das rivalidades para trás.

- Tá, mas o quê? - perguntei, quando todos percebemos que não sabíamos o que jogar.

Para a minha surpresa, foi Lily quem respondeu:

- Ah! Tem aquele de cantar a música e adivinhar, sei-lá.

- NÃO. - Sirius e Marlene responderam em uníssono.

- Tá, calma.

Peguei meu celular e abri o aplicativo de músicas. Selecionei uma playlist qualquer de "top hits" ou algo assim e passei o aparelho para Sirius.

- Six, conecta com o som. - falei.

Ele fez o que eu pedi e esticou o cabo para que eu pudesse segurar o celular.

Uma música famosa de pop começou a tocar, mas eu pausei antes que pudesse reconhecê-la.

- Certo, é o seguinte. Eu dou play na música e nós ouvimos um pouco. A pessoa que conseguir lembrar e falar o cantor primeiro, vence.

Lily revirou os olhos.

- Assim é fácil, né, Potter? O celular é seu, você sabe exatamente as músicas que estão tocando.

Abri um sorriso irônico antes de responder:

- Não tínhamos decidido abandonar os sobrenomes, Lily? E não se preocupe, isso é uma playlist da internet que eu não conheço. E eu não vou olhar a música quando for passar para a próxima. - ela pareceu duvidar, então bloquei o celular e coloquei no porta-copos para provar meu ponto - Sirius passa pelo som.

- Tô dentro. - Padfoot aceitou.

Marlene deu de ombros e disse:

- Parece legal, mas eu vou perder porque tô dirigindo.

Lily ergueu a sobrancelha enquanto todos esperávamos por sua resposta. Por fim, suspirou e inclinou o corpo levemente para frente, como se estivesse se preparando para ouvir:

- O que está esperando, Potter?

E então eu sorri e apertei o play.


Meia hora depois, já estávamos gritando, cantando e quase nos estapeando para falar primeiro, e toda a tensão antes existente tinha se esvaído gradualmente.

- ONE DIRECTION! - Marlene gritou, finalmente, assim que a música chegou ao refrão sem nenhum de nós ter ideia de quem estava cantando, apesar de eu achar a canção familiar - Tried to find you, but I just don't kno-ow, where do broken hearts go…. É, One Direction, com certeza! - ela afirmou depois de cantarolar um pouco junto à música.

Sirius ascendeu a tela do meu celular para confirmar a resposta, erguendo as sobrancelhas:

- Quer dizer então que você ouve One Direction, McKinnon? Nunca achei que fosse seu tipo… - meu amigo provocou.

- E o que seria meu tipo, Black?

- Ah, você sabe…. - mas ele não chegou a responder, porque Lily o interrompeu:

- Não julgue as músicas de um artista por sua fama, Black.

- Ah, voltamos aos sobrenomes, Evans?

Lily só revirou os olhos e Sirius passou para a próxima música.

Eu só precisei ouvir os primeiros acordes para saber qual era, e tinha certeza de que ganharia, porque não era muito conhecida. Então qual não foi a minha surpresa quando Lily gritou ao mesmo tempo que eu:

- THE SCRIPT! - olhamos um para o outro, chocados - O QUÊ?

Sirius e Marlene não economizaram na risada:

- Acho que podemos considerar isso um empate. - Sirius comentou.

Lily ergueu uma sobrancelha. Pude ver suas bochechas se tornarem levemente avermelhadas. Ela parecia consideravelmente mais atraente assim.

Apesar de não conseguir controlar a minha surpresa, sorri de lado antes de perguntar:

- Conhece essa música, Evans?

Ela corou ainda mais.

- Uma das minhas preferidas, Potter.

Abri ainda mais o sorriso.

- Então a gente devia ouvir. - sugeri, e ela retribuiu o sorriso, o que eu aceitei como um sim - Aumenta o volume, Pads.

Sirius fez o que pedi, e eu notei o olhar divertido que ocupava seu rosto e o de Marlene momentos antes de o vocalista começar a cantar na gravação.

Não pude evitar e o acompanhei, encarando a ruiva como se a estivesse desafiando a ser mais fã da música do que eu, ou algo assim::

- I'm still alive, but I'm barely breathing.*

Inesperadamente, Lily cantou também, mesmo que baixinho:

- Just prayed to a god that I don't believe in…

Mais que surpreso, segui a letra:

- 'Cause I've got time, while she's got freedom.

- Cause when the heart breaks, no it don't break even. - ela completou.

- EBAAA! Show da Evans e do Potter! - Sirius provocou.

- É bom vocês saberem que nenhum dos dois sabe cantar…. - Marlene comentou, arrancando risadas de nós dois, que entramos na brincadeira e fomos cantando a música, simplesmente porque não dava para parar.

- Her best days will be some of my worst, she finally met a man that's gonna put her first. - foi como se ela estivesse retrucando, mostrando que a culpa era minha e se referindo a si mesma em terceira pessoa.

E foi aí que eu percebi. Aconteceu tudo muito naturalmente e tudo começou muito descontraído, mas de alguma forma, passamos a realmente dizer alguma coisa a cada verso que cantávamos. Como se estivéssemos finalmente tendo uma discussão sobre tudo que vínhamos acumulando desde os 15 anos. Ah, bem, muito dramatizado em algumas partes, mas tudo bem.

Não era uma música romântica, era uma música sobre mágoa, e era exatamente isso que havia entre nós. Era exatamente isso que o verde nos olhos dela refletiam, naquele instante.

Quando chegou o refrão, Sirius e Marlene reconheceram a música, e todos cantamos desafinadamente, com Padfoot prolongando as notas e gritando mais que todo mundo, até que chegou, de novo, uma parte que nenhum dos outros dois sabia:

- They say bad things happen for a reason…

- But no wise words gonna stop me bleeding. - ela cantou essa parte sozinha, como se quisesse me fazer entender alguma coisa.

-'Cause she's moved on, while I'm still grieving…

- And when a heart breaks, no it don't break even.

Depois ela virou para a janela e continuou cantarolando com a música, mas isso deu a nossa "discussão" por acabada. Curti o resto da música e depois voltamos a jogar.

Em certo momento, tocou Bad Blood, da Taylor Swift (versão com o rap), que Sirius e Marlene pediram para ouvir toda, surpreendendo até a eles mesmos, o que depois levou a uma grande discussão entre os dois sobre qual era a melhor versão da música.

Mas, o tempo todo, aquela frase ecoava na minha cabeça:

"Quando o coração se parte, não é em partes iguais."

E eu percebi que todo o nosso passado importava de uma forma completamente diferente para cada um.


Conforme chegávamos mais perto da cidade, Marlene ficava mais atenta, e nós paramos de jogar para que Sirius pudesse lhe dar as instruções.

Aproveitei que eles estavam distraídos com aquilo para conversar com Lily, tentando quebrar o clima que havia se instalado entre nós dois depois daquela música, mais cedo. Ela estava virada para a janela, observando a paisagem e as mansões de inverno que começavam a aparecer. Por algum motivo, não consegui tirar os olhos dela. A forma como seu cabelo caía naturalmente, nem liso e nem cacheado, até a metade das suas costas, onde fazia leves ondas de um tom um pouco mais claro do que o resto. As pequenas sardas que cobriam seu nariz e suas bochechas. Não eram sardas, precisamente, mas minúsculos pontinhos que faziam com que sua pele clara não fosse completamente lisa. Os olhos impossivelmente verdes e expressivos, mas, de certa forma, desafiadores. Um observador atento saberia dizer exatamente o que Lily Evans estava pensando apenas ao prestar atenção nos milhares de tons de verde que seus olhos poderiam adquirir.

Sacudi a cabeça, tirando esses pensamentos dela para tentar sustentar uma conversa decente.

- Então, Evans. - chamei, ela se virou, com um olhar questionador. Respirei fundo antes de continuar - Fã do The Script, é?

Ela ergueu uma sobrancelha, como se decidisse se deveria ou não responder amigavelmente, e enfim, pareceu relaxar:

- Não exatamente, Potter. A coisa é mais com a música do que com o artista, na verdade.

- É, eu também. Na verdade, nem sei como conheço essa, mas é uma das minhas preferidas. Alguma banda pela qual você seja perdidamente apaixonada, de toda forma?

Ela sorriu e soltou o esboço de uma risada, corando um pouco:

- Ah, você sabe. O de sempre… Ed Sheeran, Maroon 5… Nada excepcional.

- Já ouviu alguma música de Bastille?

Ela pareceu surpresa, arregalou os olhos e demorou um pouco para falar:

- Ahn… Já. Eu adoro a banda, pra ser sincera.

Abri um sorriso imenso diante disso.

- Eu também. Qual a sua música preferida? Por mais que eu adore Flaws, tenho que admitir que já fui muito viciado em Laura Palmer.

Ela deu um sorrisinho:

- Não, Flaws vence, com certeza.

Seguiu-se um silêncio meio estranho, e ela me encarou por um momento antes de me analisar de cima a baixo. Alguma coisa pareceu mudar em seus olhos, como se alguma percepção da realidade a tivesse atingido, e ela desviou o olhar antes de puxar o celular de dentro da bolsa e começar a mexer nele. Deixei-a terminar de ver alguns Snapchat's antes de tomar coragem para falar de novo, mas quando eu abri a boca, Marlene parou o carro e Sirius anunciou:

- Chegamos, crianças! Vou chamar Mamãe Black. McKinnon, pare o carro ali na frente que o motorista vai pôr na garagem lá embaixo depois. Esperem aqui na frente. - com isso, ele saltou do carro, me dando tempo para olhar ao redor.

A casa dos Black era realmente uma mansão daquelas bem típicas. Eles eram assim mesmo, bem tradicionais, o que era um dos motivos pelos quais a minha família não se dava tão bem com a dele.

Marlene estacionou o carro bem na frente da casa e depois saiu, dizendo que iria pegar sua mala. Isso me deixou por milésimos de segundos sozinho com Lily no carro, e assim que ela colocou a mão na maçaneta, eu achei melhor aproveitar essa oportunidade.

- Lily? - chamei.

Ela virou, parecendo se segurar para não me corrigir. Ignorei a cara azeda dela e continuei:

- Sabe… Você podia me dar uma chance.

Ela pareceu incrédula.

- Uma chance? Mesmo, Potter? Você está me dizendo que acha que eu não tenho razão para te tratar assim? Que eu estou agindo como nada mais que uma preconceituosa? Bem, então é melhor você fazer um esforcinho e se lembrar…. O QUE ACONTECEU DA ÚLTIMA VEZ QUE EU RESOLVI "TE DAR UMA CHANCE", não é mesmo?

Com isso, ela revirou os olhos e saltou do carro espumando, com uma risadinha irônica e uma batida excepcional da porta.


- Lily, querida, você não precisa fazer isso, você sabe! E nem você, James!

Era a Sra. McKinnon, tentando nos impedir de sair de casa.

Depois do almoço, que correu bem tranquilo, Lily tinha lembrado a Marlene que estava querendo fazer um doce tipicamente brasileiro que ela tinha visto no Instagram chamado brigadeiro. Segundo ela, era super fácil de fazer, mas nós precisávamos comprar leite condensado. Isso deu um pretexto para eu e Sirius entrarmos na história, já que ele era o único que conhecia a cidade, e sabia onde poderíamos encontrar.

Então, estávamos todos saindo para ir à um mercadinho que vendia produtos importados, em busca de leite condensado e achocolatado brasileiros.

Como se isso fosse fácil.

- Eu realmente quero, tia, não precisa se preocupar… - Lily disse, enquanto entrávamos de novo no carro de Sirius para sairmos.

Não que eu não tivesse achado estranha essa vontade repentina de Lily fazer um doce exótico, mas esse é o tipo de coisa que você não questiona, só segue o fluxo.

O mercadinho era tão perto que seria muito mais prático ter ido andando.

Quando Lily perguntou por leite condensado a um vendedor, ele sorriu, como se já soubesse o que estávamos pensando em fazer.

- Ah, por aqui. - ele indicou um corredor que era decorado com as cores verde e amarelo, e que parecia conter um monte de doces, frutas e mais um monte de coisa que eu nunca tinha visto - Se vocês não tiverem problema com preços, levem esse da lata branca, é melhor.

Com isso ele se afastou, nos deixando sozinhos com uma prateleira cheia de latas de leite condensado que nenhum de nós sabia como escolher.

E, para melhorar um pouquinho nossa situação: claro que havia mais de um tipo de lata branca.

Sirius estendeu a mão e pegou uma mais baixinha e gordinha com detalhes em azul:

- Ahn… Alguém aqui fala português?

O ar foi preenchido por uma série de muxoxos e reviradas de olhos.

- Claro que não, Padfoot. Por que alguém saberia?

Passamos um tempo em silêncio analisando as latas até que eu percebi uma coisa:

-Ah, espera, entendi! O cara disse "peguem a lata branca", mas apesar de todas serem brancas, só tem uma que é toda branca! - apontei para uma lata um pouco mais comprida, que tinha aquele negocinho para abrir igual a lata de refrigerante. **

Sirius pegou umas quatro latas e foi procurar um achocolatado decente.

-É melhor você estar certo, porque, se não, quem vai comer o doce ruim é você. - ele provocou.

Pegamos, então, uma lata grande vermelha de chocolate em pó e fomos pagar.


-Certo, e agora a gente faz o quê?

Estávamos todos na cozinha, encarando a lata de leite condensado e o chocolate, além da grande panela à nossa frente, em cima do fogão, e não sabíamos o que fazer.

-Ah, vocês são todos idiotas. - Lily falou, revirando os olhos e tomando a frente, abrindo uma das latas de leite condensado. Ou, pelo menos, tentando. Porém, tudo o que ela conseguiu foi fazer um furo por onde escorreu um monte do líquido branco-amarelado.

Tentando não rir, tomei a lata das mãos dela e abri com a maior facilidade. Ela revirou os olhos e murmurou algo como "exibido".

-Quem quer o resto na lata? -perguntei, depois de despejar o conteúdo na panela.

Marlene prontamente pegou e enfiou o dedo no recipiente de metal.

-Ei, eu quero! - Lily gritou, tentando roubar a lata das mãos da amiga, que as estendeu e saiu correndo pela cozinha com a ruiva atrás.

Não pude conter o riso, enquanto abria mais uma lata e deixava, propositalmente, um pouco de leite condensado dentro para comer com Padfoot.

Depois de um tempo, as meninas pararam de dar voltas pela cozinha e sentaram ao nosso lado, rindo e todas meladas de leite condensado.

-Tá, foco. - comecei a fazer o doce sozinho, até que Bellatrix, a prima nojentinha de Sirius, entrou na cozinha com uma cara de desprezo.

-Pediram pra avisar que vocês vão ficar no seu quarto, Regulus no dele, e as garotas no de hóspedes. - falou, dirigindo-se a Sirius, e depois saiu.

Todos caímos na gargalhada, até que Padfoot ficou rindo sozinho, e eu tive que perguntar:

-O que foi, Pads?

-É que…. É que… Hahaha… É que as meninas vão ter que dividir o quarto com ela! - Ele falou, começando a rir mais ainda, sendo acompanhado por mim, enquanto as meninas faziam uma cara de horror impagável.

Eu teria jogado uma parte do nosso recém feito brigadeiro nelas, só pra provocar, mas estava quente, então eu joguei água mesmo.

-Ah, você vai ver, Potter!- Lily gritou, e nós saímos correndo um atrás do outro, numa verdadeira guerra de água/sabão/doce, até que não aguentamos mais e paramos sentados no chão da cozinha, rindo, molhados o sujos, tudo ao mesmo tempo.

Quando conseguimos nos recompor um pouco, reparamos que Sirius não estava mais lá.

-Onde…? - comecei, mas não tinha nem fôlego para completar a frase.

- Ele fugiu no meio da briga, o covarde. - falou Marlene, com desgosto.

Lily encostou a cabeça no armário, com os olhos fechados e suspirou. Marlene a observou atentamente, até virar o olhar para mim, de uma forma intensa que eu não consegui decifrar.

-Bem, vou tirar essa roupa e lavar o rosto, espero vocês no quarto.

Ela levantou e Lily murmurou um "uhum", ainda de olhos fechados.

No silêncio que se seguiu, eu a observei. Sua expressão transmitia uma sensação de meditação, concentração no seu próprio interior. Mas não de uma forma calma, e sim, preocupada, analisando cautelosamente suas emoções. Eu achava impressionante como alguém conseguia fazer isso. Eu não era uma pessoa introvertida, estava sempre em contato com o exterior, pensando no caos do mundo, e não de mim mesmo.

Levantei, despejei o brigadeiro numa tigela e peguei duas colheres, sentando ao lado dela com a panela para raspar.

-Acho que a gente devia honrar nosso trabalho e pelo menos provar. - falei, e ela abriu os olhos, pegando uma colher, em silêncio.

Passamos um bom tempo assim, comendo brigadeiro e evitando encostar as colheres dentro da panela.

-Uma libra por seus pensamentos. - falei.

Ela me encarou com aqueles olhos verdes cintilantes, sem esboçar nenhum sorriso.

-Ficou bom. - ela disse, basicamente ignorando meu comentário.

Ergui as sobrancelhas e ela levantou para pegar a tigela com o doce de verdade.

-Tenho certeza de que não era sobre o sabor do brigadeiro que você estava pensando. - insisti.

- Tem razão.

- Então me diga o que era.

- Sem chance.

Desviei o olhar, sem poder culpá-la pela forma como me tratava.

Em momentos como esse eu me sentia ainda mais arrependido pelo que tinha feito há quase 3 anos. Eu sabia que mereci o desfecho da história, mas estaria mentindo se dissesse que aquilo tudo não me magoou, de certa forma. Pode ter parecido apenas uma brincadeira na época, mas no fundo eu sabia que gostava dela mais do que podia admitir, e mais do que queria. A verdade é que eu enganei a mim mesmo com toda aquela história de popularidade, e só percebi realmente a falta que ela faria depois que toda e qualquer oportunidade foi eliminada. Não poder tê-la, apenas me fez querer ainda mais. E, por mais que eu tivesse aprendido a conviver com esse sentimento, tinha que admitir que eu ainda estava longe de superar isso.

-Sabe, eu mudei muito. - falei, sabendo que não havia "forma suave" de abordar o assunto.

Ela saboreou mais uma colher de brigadeiro antes de falar.

-Todos nós. - Lily fez uma pausa, ajeitando-se melhor no chão. - Isso não significa que esquecemos tudo o que aconteceu no passado.

- Isso não significa que não devíamos falar sobre isso. - retruquei.

Ela me encarou de novo, séria e pensativa. Aqueles olhos verdes estavam me deixando cada vez mais nervosos. Eu daria tudo para saber o que se passava na cabeça dela.

-Dois minutos. - Lily afirmou, ainda sem tirar os olhos de mim ou alterar a expressão. Franzi as sobrancelhas. - Você tem dois minutos pra falar o que quiser, sem interrupções, e eu prometo ouvir. Mas não prometo responder.

Fiquei boquiaberto, sem saber o que fazer. Como eu ia saber a coisa certa a se dizer assim, num flash?

-Já se passaram 10 segundos. - ela disse.

Respirei fundo, e decidi que falaria o que me viesse à cabeça.

-Eu fui um idiota. - comecei, olhando para o chão, porque não tinha coragem de olhar para ela - Quer dizer, ainda sou, na verdade, mas a diferença é que agora eu pelo menos reconheço isso. E eu sei que não há pedidos de desculpa suficientes para reparar o que eu fiz, eu sei. Escuta, eu nem sei porque tô falando isso, você tem toda a razão. Em me odiar, eu digo. E, acredite, tem dias que eu me odeio, talvez até mais. Simplesmente porque não consigo acreditar que aquele babaca de 15 anos era eu mesmo. Quer dizer, se eu pudesse voltar no tempo e me dar um soco muito forte na cara, eu me daria. Só por pensar aquilo, eu digo. E depois me daria uma surra maior ainda por fazer aquilo com você. Sei que quase não te conheço, mas tenho certeza de que você é uma garota incrível, Lily. Nunca se perguntou porque eu não me afasto, simplesmente? Eu devia, porque, sinceramente, não mereço nada de você. Mas eu não consigo. Arrependo-me todo dia, tenho muita raiva daqueles momentos, de mim mesmo. Poderíamos simplesmente fingir que o outro não existe. Mas eu entendo que você me odeia demais para que eu "não exista", e você está certa. Por isso eu sinto como se eu tivesse o dever de te deixar me odiar, e até mesmo fazê-la me odiar cada vez mais. Dói saber disso. Mas eu mereço muito pior. Só quero que você saiba, Lily, que eu não sou mais aquele cara que mentiu para você e para si mesmo. Não espero que você me perdoe, assim como sei que não vou conseguir simplesmente te deixar em paz. Acredite, não esqueci do que aconteceu, nem pretendo esquecer. Nada pode compensar o que fiz com você. Só quero que você saiba que eu sei. Sei que fui, e talvez ainda seja, um grande idiota. E não só já entendi a mensagem, como também já a conheço há muito tempo: "Quando o coração se parte, não é em partes iguais."

Puxei o canto direito do lábio para cima, num sorrisinho meio de desculpas, levantei e coloquei a minha colher na pia.

Na cozinha, ficou uma Lily Evans boquiaberta e pensativa, que eu só precisei olhar uma vez para absorver a expressão.


* Só pra eu traduzir os trechos da música, OK? Acho importante, mas achei melhor colocar só aqui no final. Ah, e por falar nisso, a música é Breakeven, de The Script, se quiserem saber e/ou escutar, é muito boa! Enfim, a tradução (apenas dos trechos que eu usei - J para James e L para Lily)

J- Eu ainda estou vivo, mas quase não respiro.

L- Rezei para um deus em qual não acredito.

J- Porque eu tenho tempo e ela tem liberdade.

L- Porque quando o coração se parte, não é em partes iguais.

J- Os melhores dias dela são os meus piores.

L- "Ela" finalmente encontrou um homem que a dará importância.

J- Enquanto eu estou acordado, ela acha fácil dormir.

L- Porque quando o coração se parte...

J- Não é em partes iguais.

J- Dizem que coisas ruins acontecem por um motivo...

L- Mas palavras sábias não me impedem de sangrar.

J- Porque ela seguiu em frente, enquanto eu ainda estou sofrendo.

L- Porque quando o coração se parte, não é em partes iguais.

** Pra quem ainda não percebeu, era pra ser o Leite Moça, da Nestlê.


N/A: E aí, amoresss, o que acharam? Mais uma vez, desculpa pela demora, espero que tenham gostado!

Ah, como pedido de desculpas, entre amanhã e segunda eu vou postar o capítulo 7 que, já avisando, é um bônus e uma surpresinha pra vocês!

Enfim, espero que vcs voltem pra história, como eu!

Beijoss, até a próxima,

Gabi.