LOVE SONG

CAPíTULO DOiS

Após o incidente no restaurante do hotel Fuuma não teve mais notícias sobre Kamui. Ou melhor, não foi bem isso que aconteceu.

- Mãe! Olha só quem estava jantando com o Kamui! – exclamou Eriol no café da manhã enquanto deixava metade do cereal sabor milho ressecado caírem pra fora da tigela.

Arashi inclinou o pescoço pela janela da cozinha e deixou a tesoura de jardinagem cair. Seu irmão Fuuma estava aparecendo na televisão. Uma senhora que passava pela rua naquela hora gritou:

- Arashi! Quando você encontrar o seu irmão avise pra ele passar lá em casa pra tomarmos um chá!

- Pode deixar… - respondeu ela ainda olhando para o aparelho dentro da cozinha.

Fuuma, que descia as escadas e presenciava a cena chutou com força uma das cadeiras, mas o efeito foi pior, pois seu dedo rapidamente ficou roxo.

- Tio! Como você o conheceu?! Porque o senhor não me contou nada?! – perguntava Eriol dando pulou em volta do rapaz que massageava o dedão do pé.

- Eu não sabia! – exclamou Fuuma contorcendo-se de dor. – Achei que ele era uma pessoa normal… só isso!

Mas o garoto não parava de pular.

- Quando o senhor for falar com ele de novo me convida?! Ou melhor, tira uma foto dele e manda ele autografar meu pôster?! Não, quem sabe ele autografa meu pijama?! – e subiu as escadas, provavelmente na esperança de ainda naquele dia ter seu pijama autografado por Kamui Shirou, líder da banda Vampire.

A irmã de Fuuma entrou na cozinha olhando do irmão machucado em cima da cadeira ao televisor ligado que mostrava uma reportagem dos possíveis affair's de Kamui.

- Como… como o conheceu?! – perguntou ela quase sem voz.

- Não sei. – respondeu ele em meio a um gemido. - Pega gelo pra mim, por favor?!

Ela foi até a geladeira e entregou as fôrmas de gelo na mão do irmão, que assoprou rapidamente, tentando esquentar a mão. Sentou-se na cadeira ao lado de Fuuma e ficou olhando-o boquiaberta.

- O que foi?! – perguntou ele pressionando um cubo de gelo no dedo machucado.

- Ele te deu entradas?! – perguntou ela emocionada. – Convidou a gente pra passar as próximas férias em Nova York?!

- Do que você está falando Arashi?! – perguntou Fuuma incrédulo. – Eu mal falei com ele… só deu tempo pra eu deixar ele com os seguranças quando os fotógrafos chegaram! E você sabe muito bem o que eu acho sobre essa banda…

- Mas não pensou duas vezes em sair com o vocalista da banda ontem! – ironizou ela.

- Chega de falar nisso. Vou tomar um banho pra ir trabalhar.

E subiu as escadas, parando no meio do caminho quando Eriol surgiu carregando uma sacola cheia de roupas.

- Tio você acha que ele entregaria essas minhas peças para os outros integrantes assinarem?!

Quando Fuuma já tinha tomado seu banho e se dirigia para o quarto escutou a campainha soar no andar de baixo.

- Fuuma! – gritou Arashi com a voz esganiçada.

Ele parou de vestir a camisa e jogou-a na cama. Desceu só com as calças ainda a abotoar e encontrou uma cena que o deixou assustado. Eriol estava deitado no tapete da sala e Arashi jogava água desesperadamente no rosto do filho.

Parado na porta com uma expressão preocupada estava Kamui, com seus cabelos negros soltos e usando óculos com lentes na cor amarela, fazendo um contraste incrível com seus olhos azuis. Fuuma percebeu que ele estava sendo escoltado por seguranças.

- Desculpe por ter chegado essa hora… - começou ele um pouco envergonhado ao ver a situação do rapaz.

- Não. Não há problema. – respondeu ele abotoando depressa a calça. – Eriol, Kamui está indo embora!

O garoto levantou a cabeça e ao olhar para o astro desmaiou novamente.

- Acho que a gente vai ter que conversar lá fora. Importa-se?

- Não.

Eles contornaram a casa e sentaram-se nas cadeiras de madeira no quintal dos fundos. Kamui cruzou as mãos por cima das pernas enquanto Fuuma ligava os irrigadores.

- Então. O que te trouxe aqui hoje?! – perguntou ele rudemente.

- Eu vim aqui pra me desculpar. – disse Kamui cabisbaixo. – Isso é, se você aceitar minhas desculpas…

- Porque eu te desculparia? Não fez nada pra mim! – retrucou Fuuma sem olhar para Kamui. – Se for só isso pode ir embora.

Kamui assentiu e se levantou.

- Obrigado por me entender. É que pensei que você estaria irritado agora que seu nome está aparecendo em todos os lugares. Qualquer coisa é só me ligar. – e entregou um cartão para ele. – Eu falarei com meu advogado e ele poderá te ajudar.

Fuuma ficou observando o rapaz sair do jardim, mas ele se lembrou do dia anterior, quando o vira pela primeira vez tocando piano. Aquela sensação que misturava tranqüilidade e prazer o inundou novamente.

- Espere! – exclamou, correndo na direção de Kamui que já atravessava o jardim da frente. – Não tem como você me arranjar três ingressos pro show hoje?!

Kamui arregalou os olhos e mordeu o lábio.

- Os ingressos estão esgotados já faz mais de uma semana, mas… ainda tem o meu camarote! – e pegou o celular onde ligou para alguém. – Subaru? Você convidou alguém para seu camarote? OK, só ele? Tudo bem… se importa de me emprestar três lugares? Certo. Muito obrigado.

Ele desligou o aparelho e pediu um pedaço de papel a um dos seguranças que logo apareceu com um bloco de notas e três canetas coloridas.

- Tome. Mostre essa autorização quando forem entrar, eles saberão que você está autorizado. Qualquer coisa meu celular está ai, pode me ligar quando quiser.

- Obrigado.

- Não há do quer. – respondeu Kamui, abringo um sorriso largo na face. – Tenho que ir. Estarei ensaiando se você quiser… falar comigo.

- Certo.

- Até a noite então.

- Até…

Kamui entrou em um dos carros pretos e os seguranças entraram em outros o acompanhando. Fuuma ficou observando o rapaz ir embora, e quando os carros viraram na esquina Arashi e Eriol correram até ele.

- O que aconteceu?! – perguntaram os dois em uníssono.

- Consegui três ingressos para assistirmos o show hoje à noite! – disse ele mostrando o papel assinado por Kamui.

Os olhos de Eriol brilharam por trás da armação do óculos.

- Tio! Que maravilha!

- Vocês se entenderam, então? – perguntou Arashi enquanto Eriol corria ao telefone para avisar aos amigos.

- Não sei do que você está falando. – brincou ele pondo as mãos nos bolsos e inclinando-se na direção dela. – Eu só pedi isso para o Eriol.

- Entendo. – brincou ela, fingindo cair na conversa. – Então é melhor eu ir ao salão. Leva o Eriol com você?!

- Opa! Isso não estava nos meus planos!

Fuuma, Arashi e Eriol chegaram atrasados no estádio onde aconteceria o show. A multidão já estava disputando os lugares quando eles se dirigiram à entrada VIP do estádio.

- Me sinto um pouco mal por estar fazendo isso. – comentou Fuuma enquanto eles se distanciavam da multidão.

- Não se sinta! – exclamou Eriol. – Nós vamos assistir ao show do Vampire!

Arashi pôs a mão no ombro do filho, em um gesto inútil de tentar acalmá-lo. Quando chegaram à entrada para a surpresa de Fuuma ele encontrou o mesmo segurança do hotel.

- Kurogane?! – perguntou estendendo a mão.

- Ah, você deve ser o Fuuma, amigo do Sr. Kamui?!

- Isso mesmo! – respondeu Eriol. – Temos passagem garantida espero?!

- Claro que tem. – respondeu o moreno abrindo um sorriso. – Kamui me avisou dez vezes seguidas para deixar o Fuuma entrar, porque ele queria muito que ele assistisse ao show.

Fuuma corou, mas conseguiu esconder a timidez pigarreando em concordância e subindo as escadas que levavam aos camarotes.

- Mamãe anda logo! – exclamava Eriol, que ia à frente. – Não acredito! Estamos bem perto do palco! Mamãe é o guitarrista Subaru!

Quando Fuuma entrou no camarote se espantou com a elegância. A parede que dava para o campo era toda feita de vidro, o que possibilitava uma visão panorâmica. Alguns binóculos foram colocados dos lados da janela. Tirando eles e um homem sentado em um canto não havia mais ninguém no camarote.

Enquanto Arashi e Eriol tiravam fotos dentro do lugar Fuuma foi até o homem.

- Prazer, Fuuma. – disse ele estendendo a mão para o homem.

- Seishirou. – cumprimentou ele em resposta. – Sou namorado de Subaru. São vocês os convidados especiais de Kamui?!

- Sim. – respondeu Fuuma corando.

Seishirou era um homem muito elegante. Seus cabelos negros e lisos estavam penteados para trás e ele usava um terno preto muito elegante por cima de uma camisa amarelo-mostarda. Ao contrário de Fuuma que usava um jeans gasto e uma camiseta preta com o logotipo da banda que ele comprara em uma das barracas de souvenires.

- Mora aqui em Londres?! – perguntou Fuuma puxando papo.

- Não. Em Nova York mesmo, mas conheci Subaru aqui, pois sou dono de uma famosa grife que tem sede aqui em Londres. Cat's Eye's conhece?!

Fuuma conhecia. Era uma grife muito popular entre os jovens, que pra falar a verdade nunca lhe agradara muito, mas mesmo assim ele respondeu jovialmente:

- Sim, quem não conheceria?! Tenho um sobrinho que é louco por suas roupas!

- Não diga isso. Eu só administro. Quem cuida das roupas são meus sócios, e uma das linhas que se chama Hard Rock fica por conta do Subaru. Às vezes eu brinco com ele, dizendo que se um dia ele me deixar vou tirar a coleção dele da minha marca.

Os dois riram.

Passados dez minutos uma banda local entrou para abrir o show. Eriol não parava de fazer comentários sobre os participantes da banda, fato que deixava Fuuma muito constrangido, pois não conhecia nada sobre aquele tipo de música. Seishirou parecia muito bem informado e até conversou com Eriol, perguntando qual era a música favorita dele.

Quando a banda saiu do palco o estádio inundou na escuridão.

- São eles. – informou Seishirou levantando-se da cadeira e indo até o parapeito.

Fuuma também levantou e ficou ao lado de Arashi e Eriol, que assim como a multidão lá embaixo gritavam pelo nome da banda.

Um refletor vermelho vivo foi ligado e a luz iluminou o centro do palco onde um homem loiro trajando vestes negras exclamou:

- Seus pescoços estão protegidos?!

Fuuma já ia gritar SIM! Quando todos, inclusive Seishirou responderam: NÃO!

- Então estamos prontos! Com vocês… VAMPiRE!

O palco foi iluminado e as cortinas se abriram revelando a banda. Kamui ainda não estava no palco, mas a música já começara. Fuuma apurou a vista para tentar localizá-lo, mas não foi necessário, pois ao seu lado Eriol exclamou:

- Ele está no céu!

Descendo por uma corda presa no teto do palco vinha Kamui. Usava uma capa negra e quando pousou os pés no palco exclamou:

- Prontos para agitar Londres?!

Fuuma sorriu. Não sabia por que, mas aquele rapaz estava fazendo algo com ele. Algo muito especial.

- VAMPiRE NA ÁREA!