Capítulo 2 - A Lua e a escuridão
'Onde está o Sol, com minha luz amada?'
A Lua sentia-se abandonada
Estaria ela destinada a essa solidão?
Isolada, sozinha, numa total escuridão
'Ele estava ao meu lado...'
Mas agora, afastado
A Lua, com toda a sua beleza, murchou
Quando o Sol, finalmente, se apagou.
Byakuya e Hisana estavam juntos e felizes. Casaram-se em menos de 3 meses desde o noivado. A implicância e a intolerância do resto da família Kuchiki persistia, mas ambos não se importavam mais com isso. estavam felizes, do jeito que estavam. Casados e felizes, como sempre sonharam. Nada poderia abalar a felicidade que eles sentiam. Parece exagero, mas finalmente, conseguiam ficar sempre juntos, sem dar satisfações a ninguém, sem se importar com a opinião de nenhum terceiro. Estavam jantando quando Byakuya reparou que Hisana não estava com o sorriso de sempre.
Byakuya: Hisana...O que foi?
Hisana: Eu..quero te contar uma coisa, Byakuya...
Bykuya: Claro, o que você quiser...O que houve?
Hisana: É uma coisa que aconteceu a muito tempo...Que eu sempre quis contar...
Byakuya: ...
Hisana: E-Eu...
Lágrimas saiam de seus lindos olhos. O que Byakuya poderia fazer para fazê-la sorrir novamente? Era tudo o que ele mais queria. Hisana se recompôs e voltou a falar.
Hisana: Eu tinha um irmã...Mas...Eu não podia sustentá-la as lágrimas voltaram a correr sobre seu rosto...Eu não conseguia sobreviver nem sozinha, como iria cuidar de uma bebezinha? Então eu...Eu abandonei ela! Larguei-a no meio da rua! Eu não mereço estar vivendo bem agora, enquanto a minha irmãzinha pode estar morta, ou passando por necessidades! NÃO MEREÇO!
Agora ela chorava descontroladamente, e falava aos soluços. Byakuya ficou chocado, mas não tanto a ponto de não ir abraçá-la e consolá-la o mais rápido possível.
Byakuya: Hisana...Não fique assim...Nós ainda podemos encontrá-la!
Hisana: N-Não sei...E se ela morreu de frio? De fome? Tudo por minha culpa...
Byakuya: Calma...Eu vou procurá-la, e ela vai vir morar conosco. Está bem?
Hisana: H-Hai...
Byakuya acariciou seus cabelos, para acalmá-la. E, em seguida, beijou-a suavemente.
Byakuya: Fique calma.. Ela deve estar bem agora...
Hisana: Espero que sim... Byakuya...Arigato...
Os dois ficaram abraçados por um longo tempo. Byakuya mal sabia que não era só isso que ela queria lhe contar. Uma outra novidade estava a caminho, mas uma muito melhor. Mas achou melhor contar no dia seguinte. Agora, ela estava muito abalada com sua própria revelação. E, agora, devia aproveitar aquele momento de silêncio que eles desfrutavam juntos. Foi como se ela soubesse que, em poucos minutos, já acabariam com aquele momento.
Riruyouki: Byakuya-sama entrou sem pedir licença nos aposentos dos dois. Você precisa vir comigo para uma reunião dos Kuchiki, no salão principal imediatamente.
Byakuya: solta Hisana lentamente Hai. Volto mais tarde, Hisana.
Hisana: Hai...
Os dois deixaram o quarto. Hisana não pôde deixar de notar o olhar de desprezo que Riruyouki lançou para ela. Será que ela seria o assunto dessa tal reunião? Ela não podia ficar esperando. Não mesmo. Sorrateiramente, seguiu os dois até o salão principal, onde se escondeu, atrás de um grande pilar.
Byakuya: Hyasuno-sama, Kiguya-sama, Faiyoru-sama...
Hyasuno: Byakuya-sama...Já deve ter em mente o assunto desta reunião, esotu certo?
Byakuya: Hai...O que vocês querem me dizer sobre Hisana?
Kiguya: Na verdade, nós todos nos enganamos a respeito dela...
Faiyoru: Por isso, gostaríamos de falar com vocês dois...Não é mesmo, Hisana-sama?
Hisana sentiu um arrepio. Se escondia tão mal assim? Resolveu respirar fundo e ir ao encontro daqueles nobres.
Hisana: Hai...
Byakuya não parecia bravo com ela, nem mesmo surpreso. Hisana olhou rapidamente para os outros Kuchiki e pensou se eles estavam mesmo arrependidos. Estavam todos muito inespressivos. Era difícil adivinhar o que estariam pensando.
Hyasuno: Bom, nós realmente nos enganamos ao seu respeito, Hisana-sama, peço que aceite nosso arrependimento.
Hisana: Certo...
Riruyouki: Na verdade estávamos pensando quando você irá gerar novos membros de nossa família...
Kiguya: Realmente, nos seria muito agradável mais homens na nossa nobre família...
Hisana: Homens...?
Faiyoru: Sim, Hisana-sama, você deve saber que poucas shinigamis obtêm sucesso e poder que um homem conseguiria com pouco esforço. Precisamos de mais shinigamis ativos, e as mulheres normalmente preferem...atender no ramo médico dos shinigamis.
Hyasuno: É, e isso não é muito...promissor.
Hisana espanta-se com a maneira como eles falam de vidas humanas, como se fossem apenas mais soldados num exército. Byakuya também pensava assim? Será que todos os Kuchiki pensavam assim? E ela teria de render-se a esse pensamento? De repente, a novidade maravilhosa que ela estava para contar não era tão maravilhosa assim...
Hisana: Mas...E os que não querem ser shinigamis?
Kiguya: Não querem? Ah, por favor, Hisana-sama, você acha mesmo que nos deixamos essa importante escolha nas mãos deles?
Riruyouki: Crianças não sabem o que realmente querem. Nós os guiamos ao caminho certo.
Faiyoru: Todos nós, Kuchikis, somos shinigamis, Hisana-sama...
Hisana não acreditava nas palavras que ouvia. Já tinha percebido que as outras mulheres eram mais submissas, e os homens eram frios com elas. Byakuya era uma excessão. Mas será que ele se tornaria, aos poucos, frio como eles? E os filhos? Eram como zumbis, que atendem todas as palavras dos pais? Não...podia acreditar em tudo isso. O conto de fadas em que se encontrava transformou-se em uma história de terror, tão rapidamente? Olhou para Byakuya, angustiada, esperando alguma reação, como no dia que ele pediu sua mão em casamento. Ao olhar seus olhos, foi aí que notou. Ele também não concordava. Mas não podia contrariar mais ainda a sua família. Ela sentiu pena dele, que não podia contestar ao que lhe ordenavam. Sentiu pena, por ver em seus olhos a dor que ele sentia por não poder concordar com ela, o medo dela não entender tudo isso. Ele sofreu e batalhou tanto por aquele amor, por que ela não podia fazer o mesmo? Foi aí que decidiu. Ela tinha de fazer alguma coisa por ele. E essa coisa seria dar a luz a um menino.
Hisana: Eu estava querendo contar, mas não tive a oportunidade... Eu estou grádiva, Byakuya. eu vou ter esse filho por você.
Ela não se importava mais se os outros haviam ouvido. Ela só tinha olhos para ele. Queria ver a reação dele, e de ninguém mais. E fez bem, pois ele demostrou estar muito feliz. Demostrou o máximo que pode, na frente dos seus parentes rígidos. A vontade dele era beijá-la, gritar, comemorar, dizer que amava ela e sempre amaria...Mas ele não fez isso. Talvez, não faria, mesmo se estivessem só os dois. Ele sempre ia contra a sua vontade. Ele apenas abraçou-a e sussurou em seu ouvido "Estou muito feliz, Hisana. Aishiteru.". Isso bastou para Hisana. Ela sabia que, vindo dele, isso era muito. Mas aí lembrou dos outros Kuchikis do recinto.
Hyasuno: Ora, mas que coincidência...
Faiyoru: Tomara que seu menino nasça muito saudável...
Riruyouki: Pra se tornar um shinigami habilidoso como o pai...
Hisana achou os comentários, no mínimo, bizarros. Há pouco tempo todos a desprezavam. E agora vinha cheios de 'parabéns'. É claro que sem muita empolgação; na verdade, Hisana sentiu até um certo sacasmo nas palavras deles. Parecia que eles perceberam que ela havia se incomodado, e queriam deixá-la mais desconfortável ainda. Mas ela nem ligava mais para isso. Ela e Byakuya se dirigiram aos seus aposentos, como se dissessem que a reunião, para eles, estava encerrada.
Os meses se passararam, e o futuro membro da família Kuchiki ia se desenvolvendo dentro de Hisana. pormais feliz que estivesse, temia o que podiam fazer se nascesse uma menina. Eles a matariam? Quando parou para pensar, para cada 10 meninos da família, haviam apenas 2 meninas. E Byakuya estava tão empolgado para ter um filho... Ela não queria desapontá-lo, nunca. mas o que faria se nascesse uma menina? Teria de abandonar uma bebezinha, mas uma vez? Ela não queria isso, com certeza que não... Mas não era só com isso que ela se preocupava. A sua parte egoísta, que havia abandonado sua irmã, estava com medo de morrer ao dar a luz. Isso seria impossível, certo? Afinal, os médicos mais habilidosos estavam cuidando dela. Ela er auma nobre agora. Era Kuchiki Hisana.
Byakuya: Hisana?
Perdida em seus pensamentos, sequer viu seu marido entrar. Desde então, eles se viram muito pouco. Ele tinham muitas missões para cumprir, e ela, se preparava para o bebê. Estava feliz por ele ter vindo vê-la.
Hisana: Byakuya!
Abraçaram-se. Não tão apertado, claro, por causa da barriga, que já estava grande. Ele acariciou a barriga carinhosamente, e ela sabia bem que, apesar de fechado, Byakuya estava muito feliz de estar prestes a ter um filhinho. E sabia que, por mais que ele tentasse esconder, queria um menino. Um futuro shinigami, tão habilidoso quanto ele. Isso a deixava...confusa.
Byakuya: Como você está?
Hisana: Bem...Mas eu senti sua falta...
Byakuya: Eu também...Quando vai nascer?
Hisana: Faltam só duas semanas...Você vai..estar aqui?
Byakuya não sabia o que dizer... Como podia ter certeza? Ele queria, e como, estar com ela quando seu filho chegasse... Mas e se ele tivesse uma missão?
Byakuya: Eu...Farei o possível...
Hisana: Hai...
Silêncio. Os dois não tinham muito assunto ultimamente.
Byakuya: Preciso ir. A reunião entre capitães vai ser daqui a dez minutos. Até mais tarde.
Hisana: Até mais tarde...
Lá estava ela sozinha de novo. Na verdade, meio sozinha. Agora tinha seu bebê sempre ao seu lado. Porém, ela sentia uma estranha sensação de que isso não iria durar muito tempo, que ela não ficaria com seu filho para sempre. Olho para a janela, o lindo e amplo jardim em frente à grande mansão sorria para ela, com flores lindas e coloridas, mas nenhuma lhe prendia a atenção. Se pôs a olhar para o céu, onde o Sol brilhava, grande e bonito, iluminando tudo a sua volta. Por mais linda que fosse a cena que Hisana via pela janela, para ela, o cenário era muito melancólico. As flores não estavam tão coloridas, não tinha um aspecto vivo. E o Sol, não brilhava tão intensamente. Sua luz não transmitia tanta vida, e parecia que ele estaav prestes a se apagar...
Duas semanas depois, Hisana estava em trabalho de parto. Nada deu errado, o bebê era forte e saudável. Byakuya não estava com ela. Terminado o parto, as médicas entregaram-lhe a criança e saíram do quarto. Quando viu que era uma menina, entrou em pânico. Abraçou-a e olhou aqueles lindos olhos azuis escuros. Não podia abandoná-la. Ia ser como um flashback. Não queria deixá-la. Mas, que tipo de vida ela iria viver, sendo a única menina de sua geração? Iria maltratá-la, isolá-la? Isso Hisana com certeza não queria. O que fazer?
Hisana: Você é tão linda, filha!lágrimas escorriam de seu rosto O que será melhor pra você?
A bebê parou de chorar e olhou profundamente para os olhos de Hisana.Ela interpretou isso como um 'faça o que você achar melhor mamãe'.Sem pensar duas vezes, levantou, vestiu um manto e pulou a janela, com a filha nos braços. Hisana estava fraca, suas pernas estavam bambas, o coração batia acelerado. Mas ela sabia que era isso que devia fazer. As nuvens, que a pouco tempo ameaçavam derrubar água, resistiram o máximo que puderam, mas logo, um chuva grossa molhava aqueles dois corpos; um pequeno e frágil, o outro, maior, mas igualmente frágil. Acabara de dar a luz, sair correndo na chuva não seria a coisa mais prudente a se fazer. Mas ela queria fazer isso, queria livrar a filha de uma infância triste, com um pai que, apesar de carinhoso, não demonstraria indignação ao tratamento dos outros com sua filha. Correu, o máximo que pôde, até que avistou uma casa, não tão pequena, e pensou que talvez, lá, as pessoas teriam condições de sustentá-la. Parou, olhou para sua filha uma última vez, abraçou-a forte, deixando as lágrimas molharem o rostinho frágil da criança. Sua própria respiração estava ficando fraca, tinha de ser rápida.
Hisana: Me perdoe, filha...
Deixou o bebê, envolto em um cobertor rosa, numa parte coberta da entrada da casa. Bateu a porta com as forças que ainda lhe restavam e saiu correndo rápida como um gato. Quando já estava longe da casa, suspirou aliviada, e entregou-se a sua fraqueza. Caiu no chão, de bruços, sentindo apenas a chuva entrando em contato com seu corpo...Sentiu um frio muito forte, e achou que esse fosse um sussuro da morte.Fechou os olhos, mas percebeu que o vulto perto dela era Kuchiki Byakuya.
Byakuya: Hisana...
Pegou-a no colo rapidamente, e levou-a, correndo, ao quarto dos dois. Cobriu-a, e percebeu que ela ainda estava consciente.
Byakuya: Hisana... O que você...Por quê?
Hisana: Byakuya-sama...Faça um favor para mim...Procure pela minha irmã, e adote-a como sua irmã...Cuide bem dela...Eu amo você...E...
Não teve tempo de proferir as últimas palavras. Fechou os olhos lentamente, e não fez mais nenhum movimento. Os médicos não poderiam fazer nada. Byakuya permitiu-se chorar, aquela única vez.
Byakuya: Eu...vou trazê-la para cá, Hisana...É uma promessa!
Infelizmente, ele também não notou que a frase estava incompleta. Quanto à filha, ele imaginou que haviam a raptado dos braços de Hisana, e ela foi recuperá-la, mas não conseguiu. Mal sabia ele que o oposto havia ocorrido...
