Desta vez, essa nota tinha que ser no começo da fic:
Arthemisys, muito obrigada por ter betado este capítulo e pela paciência em me atender, eu sei como sou pentelha às vezes... Muito obrigada, amiga, este capítulo é em sua homenagem!
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Ato II – Capítulo II – Eu tive um sonho...
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Passaram-se alguns dias, todos muito frios e cinzentos. O trabalho na cerâmica continuava normalmente, os trâmites na prefeitura também. Porém, na delegacia da província...
Shion parecia estar em outro mundo, sempre pensativo. Desde que ouvira a história contada pelo tal Aldebaran, uma idéia se formava em sua mente. Parecia estapafúrdia a princípio, mas quando se pôs a analisá-la com calma, percebeu seu fundamento. Agora, tudo o que precisava para poder colocá-la em prática era uma resposta da inspetoria de Pequim.
E ele tinha certeza de que seria positiva.
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O prefeito, como sempre fazia uma vez por semana, estava inspecionando o trabalho na cerâmica, acompanhado do senhor Kanon. Ouvia a tudo que ele dizia com atenção, demorando-se vez ou outra a observá-lo. Sorria de vez em quando, suas lembranças tomando conta de sua mente. Como poderiam ser tão parecidos se nem ao menos se conheciam?
O trabalho de supervisão terminou no setor onde eram moldados os utensílios de cozinha. Observando cada bancada, o senhor Chang estranhou que uma delas estivesse vazia, mas nada disse. Certamente havia um motivo para aquilo.
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Há horas ela estava sentada em sua cama, olhando para o vestido que um dia fora vermelho e hoje se encontrava desbotado, um xale da mesma cor sobre a cadeira. Era nítido seu receio e nervosismo, mas era preciso fazer aquilo.
Só havia uma maneira de conseguir dinheiro em um lugar tão miserável como Shandong. E Marin não podia deixar sua pequena filha desamparada.
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Província de Henam...
Era uma velha pensão, uma casa caindo aos pedaços de tão antiga. Há muito não via hóspedes, mas conseguia manter-se de pé, e também seus moradores, graças aos viajantes que paravam por ali para comer e beber.
Uma boneca esquecida em um canto da cozinha indicava que ali vivia uma criança. Mãozinhas pequenas e maltratadas tentavam alcançá-la, os olhinhos negros com medo de ser surpreendida.
Estava quase alcançando seu objetivo quando uma outra mão a puxou com tudo pelo ombro, tirando-lhe a boneca.
-Suma daqui, pirralha! E nunca mais toque em uma boneca de minha filha, sua peste! Traste!
Ríspida, a mulher botou a menina para fora da casa, mandando que fosse atrás de lenha para o fogão. Ela saiu chorosa, quase trombando em uma outra menina, que lhe mostrou a língua.
-Venha cá, Saori, e pegue sua boneca.
A menina, de cabelos cor de lavanda e vestido engomado, agarrou o brinquedo e se pôs a correr pela casa. Pouco depois, um homem, de cabelos azuis revoltos e aparência rude, entrou pela cozinha, segurando um envelope.
-Esta carta acaba de chegar, minha querida... Veja, a idiota da Marin mandou os cinqüenta yuans que pedimos!
-Cinqüenta... Muito pouco pelo que prejuízo que essa menina nos dá, Giovanni (1)! Deveríamos pedir mais dinheiro!
-Ora, isso é fácil de se resolver, Shina... Escreva novamente à Marin, diga-lhe que a menina piorou e precisa de mais remédios.
Enxugando as mãos no avental, Shina beijou o marido e saiu para a sala, dando risadas. Passou pela pequena, que mal conseguia carregar a lenha toda sozinha.
-Você é muito lerda, Shunrei... Se continuar assim, vai ficar sem o jantar novamente. – disse-lhe o homem, jogando a carta fora e guardando o dinheiro no bolso.
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Na noite fria de Shandong, Marin caminhava a esmo pelas ruas, lançando olhares para as pessoas à sua volta de vez em quando. Bêbados, mendigos e toda sorte de gente miserável se abrigava embaixo de marquises, sempre em alerta, com medo da polícia.
Desde o pôr-do-sol ela caminhava, tentando criar coragem para dar o primeiro passo em uma seara incerta. Cansada, Marin encostou-se em uma pilastra, envolveu seus braços no xale e fechou os olhos.
Sua mente a levou então a um tempo mais feliz, quando os sonhos ainda faziam parte de sua vida. Um tempo que se fora, a partir do momento em que conhecera aquele maldito viajante, um homem muito bonito e educado que lhe prometera a felicidade e o mundo, mas que em um piscar de olhos a abandonou.
Suspirando, Marin abriu os olhos novamente e viu um homem parado à sua frente, observando-a de cima a baixo. Sorriu para ele e hesitante estendeu-lhe a mão.
-Se o cavalheiro quiser, podemos ir até minha casa...
O homem aceitou o convite e puxou Marin para junto de si. Nervosa, a jovem mulher o conduziu por ruas estreitas e escuras até chegar à sua casa.
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Encostada na cabeceira de sua cama, Marin não tinha como esconder a tristeza que estava sentindo. Estava tão mal que sequer conseguia olhar para o homem em pé ao lado da cama, terminando de vestir suas roupas. Suspirou, enrolando-se ainda mais no lençol.
-Tem certeza de que já teve um homem em sua cama, Marin? – ele perguntou, um tom que misturava deboche e descrédito.
-Sim, senhor Algol... Há algum tempo, mas tive.
-Pois não foi o que me pareceu... Estava muito quieta, mal sabia o que fazer.
Algol vestiu o casaco e abaixou-se para se aproximar de Marin, remexendo um de seus bolsos.
-Quanto lhe devo por esta noite?
-Eu... Eu não sei.
-Como não sabe, Marin? Pobre mulher...
Dando risadas, Algol tirou algumas moedas de seu bolso e as jogou sobre o lençol, saindo logo em seguida. Marin ficou um tempo olhando para a porta de seu quarto até ouvir o barulho da porta de entrada sendo fechada. Com um pulo, a mulher desencostou-se da cabeceira e pegou as moedas, contado-as desesperadamente.
Era difícil de acreditar que se rebaixara àquele nível por tão pouco...
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Pela manhã...
Afoito, o jovem soldado entrava pela delegacia, procurando por Shion. As ordens do inspetor eram claras: quando chegasse a carta vinda da inspetoria de Pequim, ele deveria ser imediatamente informado.
-Inspetor Shion! – o rapaz quase gritou, parando em frente à mesa do inspetor. Shion levantou os olhos e viu na mão do subordinado o envelope timbrado.
-É a carta da inspetoria de Pequim, Jabu?
-Sim, senhor. Acabou de chegar.
Impaciente, Shion dispensou o rapaz e abriu logo a carta, sorrindo discretamente ao ler seu conteúdo. Estava certo quanto às suas idéias. E a resposta que tanto esperava era mesmo positiva.
-Jabu, cuide de tudo por aqui... Estarei fora durante toda a manhã.
Perto da delegacia, na prefeitura, o prefeito despachava alguns documentos, enquanto Sorento o inteirava dos fatos mais relevantes que aconteciam em Shandong. Por estar na sala do prefeito, não viu quando o inspetor chegou e entrou no gabinete, sem ser anunciado.
-Desculpe-me pela intromissão, senhor prefeito, não imaginei que estivesse ocupado.
-Não há problemas, Shion. Sorento, pode voltar à sua sala e feche a porta quando sair. E traga-nos uma xícara de chá, por favor.
-Com licença, senhores.
-Bem... – o senhor Chang voltou-se para Shion – O que deseja conversar comigo, inspetor?
-Senhor prefeito, há alguns dias eu recebi uma denúncia e achei que seria interessante compartilhar com o senhor o relato que me foi feito.
-Esteja à vontade, sou todo ouvidos ao senhor.
Shion sentou-se de frente para o prefeito, estudando sua expressão antes de começar a falar. Percebeu que sua teoria talvez não estivesse tão errada mesmo.
-É a história de um homem misterioso e de poucas palavras, que mesmo com o passado obscuro conseguiu chegar ao mais alto posto de uma província, tornando-se prefeito...
-Interessante... Mas por que compartilha este relato comigo, inspetor Shion? Acaso seria algum conhecido meu?
-Talvez... A bem da verdade, eu só estou lhe contando isso por que recebi uma ordem da inspetoria de Pequim, autorizando-me a investigar a vida deste homem, senhor prefeito.
Esperto, Shion disse as últimas palavras esperando uma reação do homem à sua frente. Porém, para sua surpresa e desagrado, o prefeito não esboçou nenhuma mudança de expressão, sequer receio.
-Faço votos de que obtenha sucesso em sua investigação, inspetor.
Sorrindo, o senhor Chang cumprimentou Shion. O inspetor, frustrado por não ter conseguido a reação que esperava, levantou-se de sua cadeira e saiu do gabinete, no exato momento em que Sorento chegava com o chá.
-Ora essa, o inspetor sequer esperou pelo chá!
-Ele precisou saiu depressa, Sorento... Por que não aproveita e se senta, podemos tomar este chá juntos.
Sorento assentiu e serviu o prefeito e logo depois a si próprio. Enquanto sorvia o conteúdo fumegante da xícara, não deixou de notar que o senhor Chang parecia distante e pensativo.
-Senhor Chang? Aconteceu alguma coisa?
-Por que pergunta, Sorento?
-O senhor está pensativo...
-Sim, eu estou... – ele bebeu de seu chá, vagarosamente – Estava pensando em como um cão de caça pode ser tão persistente e nunca desistir de sua "melhor" presa...
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Droga, não era para ser daquela maneira! Como um homem podia ser um poço de frieza e racionalidade, uma estátua de pedra sem emoções ou reações? Planejava pegar o prefeito desprevenido e quem acabou ficando com as calças na mão foi ele, um dos homens mais respeitados da polícia chinesa...
Não voltou para a delegacia o dia todo, preferiu ficar vagando pelas ruas de Shandong. Vez ou outra se dignava a observar seu entorno, a miséria lhe dava asco! Parou por um momento para consultar o relógio de bolso, já era hora de voltar para casa.
-O cavalheiro me parece solitário... Não gostaria de ir até minha casa, posso lhe fazer companhia por esta noite...
Shion mediu a jovem mulher que fizera o convite, uma ruiva de longos cabelos e vestido desbotado, tentando se proteger do frio com um xale. A encarou, muito sério.
-Shion, inspetor de polícia... Se voltar a encontrá-la pela rua fazendo este tipo de coisa, terei que prendê-la, senhorita.
-Oh, por favor, não faça isso, senhor... Eu preciso de dinheiro, tenho uma filha doente para sustentar, veja...
Marin estendeu-lhe uma carta, que Shion leu rapidamente. Devolveu-a a mulher de forma ríspida.
-Pode muito bem conseguir os sessenta yuans que lhe pedem trabalhando honestamente. Por que não tenta um emprego na cerâmica administrada pelo prefeito?
-Não me fale desse homem, não quero sequer ouvir o seu nome! Se hoje estou aqui, é por culpa dele!
-Nesse caso, a senhorita pode procurar por um certo homem, dono de uma carroça mambembe que estabeleceu pouso por esta manhã na praça central.
-Para quê, inspetor, se não sei dançar ou mesmo recitar poemas?
-Mesmo assim, é melhor que o procure... Ou prefere que eu a leve presa?
Ajeitando o xale, Marin saiu pela rua, assustada com aquele homem. Shion consultou novamente o relógio e tomou o rumo de sua casa, pensativo.
-Mulher miserável... Como todos que encontro neste lugar...
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Tal como Shion havia dito, lá estava a carroça, uma espécie de casinha ambulante. Em uma das laterais, dizeres em vermelho davam uma idéia do que poderia ser a tal carroça: "O mundo mágico de Shura". Hesitante, Marin bateu à "porta" e o tal homem a abriu.
-O que a senhorita deseja?
-Estou precisando de algum dinheiro e ouvi dizer que o senhor pode me ajudar.
-Suba, por favor.
O homem ajudou Marin a subir na carroça e fechou as portas. Sentando-se em uma cadeira, ela percorreu o lugar com os olhos e viu que estava atulhado de roupas, jóias, sapatos e afins. Então aquele tal de Shura era um comerciante ambulante.
-O que a senhorita tem a me oferecer?
Marin tirou do pescoço uma correntinha dourada, com uma medalhinha. A única lembrança da filha que trazia consigo.
-O senhor me daria sessenta yuans por ela?
-Sessenta? Deixe-me ver... – o homem examinou a correntinha – Vinte yuans, no máximo.
-Vinte? Mas preciso de sessenta!
-Sinto muito... Aceita ou não?
Ela acabou aceitando, não estava em condições de recusar nada. Shura deu-lhe o dinheiro e voltou sua atenção à mulher, tocando seus cabelos com a mão direita, sentindo a maciez dos fios vermelhos.
-Sabe... Eu também faço e vendo perucas. Os seus cabelos são lindos, o tom de vermelho é incomum entre as mulheres dessa região...
-Se o senhor me pagar quarenta yuans por eles, poderá cortá-los.
Cerca de meia hora depois, Marin deixava a carroça, levando sessenta yuans no bojo do sutiã e com os cabelos curtos. Sentia-se mal com isso, mas por sua filha faria qualquer coisa...
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Corvos sobrevoavam o céu de Shandong naquela manhã. Um sinal de mau presságio, compartilhado pelo prefeito de seu gabinete e por Shion na entrada da delegacia.
"Mas nada poderá dar errado hoje...", o inspetor pensou ajeitando seu chapéu. Assim que entrou na delegacia, foi recebido por Jabu, acompanhado de um outro homem.
-Inspetor Shion, este é o inspetor Siegfried, da província de Shanxi.
-Como vai, senhor Siegfried?
-Bem, obrigado.
Shion indicou uma cadeira, que Siegfried recusou. O assunto a ser tratado seria rápido, ainda tinha coisas a resolver em sua área de jurisdição.
-Senhor Shion, eu soube através da inspetoria de Pequim que o senhor solicitou uma autorização para investigar a vida do prefeito Chang, sob o pretexto de que ele poderia ser perigoso...
-Exatamente, inspetor Siegfried... Desconfio que Chang seja um nome falso e sua verdadeira identidade seja a de...
-Dohko, o prisioneiro 23612, da prisão agrícola de Fujian?
-Como sabe?
Siegfried sorriu, ajeitando os fios da franja que caíam sobre sua testa.
-Por que sua teoria não tem fundamento, inspetor Shion... Há dois dias prendemos em Shanxi o verdadeiro Dohko, tentando roubar uma casa. Daqui a três dias ele será levado em julgamento... Pensei que gostaria de saber disso.
-Não é possível! Eu tenho certeza de minhas suspeitas!
-Sinto muito, mas elas se mostraram infundadas... Bem, até uma outra oportunidade, inspetor.
Despedindo-se rapidamente, Siegfried ganhou a rua e partiu. Não viu Shion, possesso, socar a mesa com tamanha violência que chegou a assustar Jabu. Alterado, o inspetor pegou seu chapéu de volta e saiu depressa da delegacia.
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Pouco depois, estava na prefeitura. Tão nervoso que nem esperou Sorento o anunciar, foi logo entrando pelo gabinete.
-Senhor prefeito!
-Como vai, Shion? Suas visitas estão se tornando freqüentes, não?
-Desculpe-me, senhor Chang, mas não estou com paciência para ouvir ironias... Estou aqui para me desculpar com o senhor.
-Desculpar-se? O que poderia ter feito para chegar a tanto?
-Dei ouvido à história absurda de um homem que certamente estava fora de seu juízo perfeito... Cheguei inclusive a desconfiar que o senhor fosse um prisioneiro foragido que conheci e venho caçando há anos...
O prefeito ia dizer alguma coisa, mas foi interrompido por gritos exaltados que vinham da rua. Pouco depois, Sorento entrou depressa no gabinete, lívido.
-O que está acontecendo, Sorento?
-É o senhor Aldebaran, senhor prefeito! A carroça cheia de sacos de arroz caiu sobre ele e ninguém consegue tirá-lo de lá!
Rápido feito um raio, o prefeito saiu correndo de seu gabinete, com Shion em seu encalço. Pedindo licença às pessoas, ele abriu caminho e conseguiu se aproximar da carroça. Aldebaran estava preso embaixo dela, uma poça de sangue se formava ao redor de suas costas.
-Vão ficar todos parados, sem fazer nada?
-Senhor prefeito, a carroça é muito pesada!
-Molengas! Sorento, segure meu casaco!
O senhor Chang passou seu casaco ao secretário e encostou-se na carroça, forçando-a para cima com suas costas. Ela sequer se mexeu, mas ele continuou insistindo até que conseguiu movê-la alguns centímetros.
Sorento e mais dois homens puxaram Aldebaran e o prefeito soltou a carroça com tudo no chão, arfando. Muito sério, Shion aproximou-se do prefeito, entregando-lhe o casaco que estava nas mãos do secretário.
-Em toda minha vida, conheci apenas um homem capaz de fazer algo assim... Um homem a quem venho caçando desesperadamente.
-E acha que esse homem sou eu, Shion?
-Não, senhor Chang... Não pode ser o senhor. Com licença...
Shion foi embora, novamente pensativo. O prefeito então, deu ordens a Sorento e os outros homens para que levassem Aldebaran ao hospital da província.
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Capítulo II! Tadinha da Marin, eu tô fazendo a pobrezinha sofrer muito, né? Ah, entenderam agora porque os cabelos compridos da personagem? Pois é, esta é uma das passagens do livro que me emociona muito, a outra é quase no fim, mas não vou revelar antes para não estragar a surpresa... Outra coisa, não pensem que o homem que abandonou a Marin grávida é o Aioria, eu não sou tão má assim! Ele ainda vai aparecer na fic, mas somente no terceiro ato.
Reparam no comentário do prefeito, logo no começo da fic (quarto parágrafo), sobre o Kanon? E a história do salvamento de Aldebaran? Pois é, os mistérios que fazem parte da vida do senhor Chang...
(1) Giovanni: Pois é, eu bem que poderia dar um nome chinês ao MDM, mas o Giovanni cunhado por Juli Chan cai tão bem nele que não resisti. Muito obrigada pela autorização de uso e beijos, Juli!
"Eu tive um sonho", canção – monólogo (parte do primeiro ato), interpretada pela personagem Fantine em "Les Miserábles". Ela é a inspiração para a Marin nesta fic.
