Blá... blá... blá.. não me pertence


Suave Perfume

Cheiro de sangue...

Sua arma carregava o odor. Suas roupas, suas mãos, todo seu corpo, sua alma, tudo em sua vida exalava sangue. Algo que nunca havia notado, ou dado importância. Assim que era.

Porém não mais poderia ignorar. Ela não cheirava sangue, era algo em sua vida que não tinha esse odor, algo que ele não gostaria que se contaminasse.

Não saberia definir exatamente qual era o seu perfume. Não era uma garota que tinha o cheiro doce ou suave. Não era enjoativo como o de rosas. Porque as rosas são efêmeras e prepotentes. Saya não era prepotente. Train não desejava que fosse efêmera.

O perfume que possuía era muito característico, único, talvez comparado a alguma flor do campo que exala fragrâncias suaves, as quais lembrar alegria, liberdade. Aqueles aromas agradáveis de fim de tardes chuvosas, trazendo sentimentos doces consigo.

E Train se viu encurralado, sentiu uma necessidade iminente, urgente, sufocante, em se livrar daquele cheiro de sangue que o consumia. Onde se emaranhava cada vez mais.

Então ele buscou a liberdade. Precisava daquela liberdade para livrar-se daquele odor, impregnado. Não desejava que ela o sentisse, não queria confundi-lo com o perfume que emanava dela.

Resolvido a mudar ele mudou, o sangue estava esvaindo e ele podia sentir o perfume dela sobressair. Que ela emanava, que não saia dos seus pensamentos, o perfume que o fez desejar ardentemente mudar, que o fez pensar diferente sobre tudo que o rodeava.

Saya percebeu as mudanças nele, porque o sangue estava em toda a parte do seu ser. Não estava apenas por tudo palpável nele, mas também em seu olhar, nas suas inseguranças e medos. Ela sentia e notava que, juntamente com toda a dor que continha, aquele sangue estava pouco a pouco desaparecendo.

O perfume de Saya estava em toda a parte, sobretudo ao cair da noite.

Quando ela não vinha ele ficava a espera dela por longas horas, mesmo que não admitisse para si, sentia sua falta. Ela lhe mostrara tantas coisas, as quais ele não pôde ignorar um só momento.

Até mesmo seu quarto havia sido tomado por aquela fragrância, esta que penetrava em suas narinas, entrando em sua mente, tomando sua alma.

Os cabelos dela balançavam e o convidavam para expirar profundamente entre eles, o que Train desejou profundamente. Não só seus cabelos. Train desejou sentir o cheiro de todo o seu corpo, sentir misturar-se com o seu, agora livre de qualquer odor desagradável. Queria ter certeza de que não corria mais perigo de "infectá-la".

No entanto sua respiração estava tão ofegante que não conseguiu distinguir os perfumes ou odores. A única coisa que mantinha viva a sensibilidade do seu nariz era o toque e frescor dos cabelos de Saya.


E lá se vai mais um...