Disclaimer: Esses personagens não são meus e eu não ganho um centavo escrevendo isso.

Vivvi, Just e Evoluxa, obrigado!


Capítulo 3 – Happy Birthday

Olhou no relógio pela sexta vez desde que parara o carro duas ruas antes da sua, vendo que já eram quase oito horas da noite. Fazia três horas que havia saído de casa para "fazer a compra do mês". Deveria ser tempo suficiente para suas amigas entrarem com a chave que Mônica tinha para emergência e prepararem tudo. Decidiu que já tinha enrolado muito e deu a partida, chegando em sua casa rápido e vendo vários carros conhecidos estacionados dos dois lados da rua.

Balançou a cabeça e riu. Eles definitivamente não sabiam o significado da palavra surpresa. Desceu do carro e preparou-se para "ficar" surpresa com a festa. Abriu o portão segurando algumas sacolas de compra – todos produtos desnecessários – e a bolsa e viu pela janela da sala vários vultos se esconderem. Riu outra vez e fechou o portão, fazendo bastante barulho, dando tempo para os amigos se esconderem. Andou bem devagar até a porta e a abriu escutando todos os amigos gritarem: "Surpresa" ao mesmo tempo. Riu quando a luz foi acessa e pôde ver que sua sala estava inteira decorada. Balões, enfeites, uma mesa com o bolo, com vários doces e salgados e a famosa mesa dos presentes.

Muitos amigos se apertavam para abraçá-la e lhe desejar felicidades. As sacolas sumiram de suas mãos e ela foi arrastada para o quarto por Mônica, que era só sorrisos. Entraram e fecharam a porta.

-Não te enganamos nem um pouco, né?

-Não. – respondeu rindo e indo na direção do guarda-roupa. – Mas um dia vocês conseguem.

-Saco, quem te contou? – perguntou Mônica, sentando-se na cama.

-Ninguém. Vocês apenas são péssimas em relação a guardar segredos. – pegou um vestido vermelho do cabide e viu Mônica balançar a cabeça dizendo que não.

-Por Cristo, está calor e você está na sua casa. Vista-se confortavelmente. – levantou e foi até guarda-roupas da amiga e puxou uma blusa preta de alças finas com decote, calça jeans rasgada nos joelhos e entregou-as na mão da amiga, sorrindo.

-Isso eu uso quando quero parecer louca. Hoje, não. – ia devolvendo as roupas para junto das outras quando Mônica segurou suas mãos e olhou em seus olhos.

-Espera lá, você não liga para o que veste quando está com a gente.

-Claro que ligo...

-Não, não liga. Alex, você foi de calça de moletom e blusão na festa de formatura do Finn. E hoje que é sua festa, na sua casa você quer usar vestido e salto alto?

Alex encarou os olhos verdes da amiga por um tempo, odiava a parte de serem tão parecidas por causa disso, Mônica sabia bem como ela era. Teria que contar que queria estar pelo menos apresentável para Edward. Se é que ele vinha. Respirou fundo e soltou-se delicadamente das mãos de Mônica, olhando para as roupas enquanto falava.

-É que um carinha...

-O de ontem? Ele vem? – Mônica perguntou espantada.

-Vem. – Alex olhou de novo para a amiga e percebeu que ela sorria. – Do que você está rindo?

-De você.

-Porque de mim?

-Alex, faz quanto tempo que você não beija alguém?

-Mas eu não...

-Não?! E convidou ele para festa? – Mônica foi em direção a porta ao ouvir alguém bater.

-Alex, tem um cara chamado Edward aí no portão. – avisou outra amiga e Mônica a dispensou.

-Se troque e vá atender a porta.

-Essa roupa? – perguntou incerta, olhando para a roupa em suas mãos.

-Tenho certeza de que ele não veio por causa de suas roupas. – Mônica ponderou e saiu.

Alex nunca havia se trocado tão rápido e colocara as meias trocadas duas vezes, ficando ainda mais ansiosa. Quando conseguiu sair do quarto percebeu que o som já estava ligado, as pessoas comiam e bebiam e conversavam. Andou rápido até o portão e foi quando o viu, de costas para si, uma das mãos no bolso da calça e na outra mão uma sacola de presente. Sorriu sem querer enquanto destrancava o portão.

-Oi.

-Oi. – respondeu Edward, olhando-a e sorrindo ao ver que ela estava vestida parecendo uma adolescente. – Feliz Aniversário.

Entregou a sacola de presente para ela e a viu ficar ainda mais feliz, chamando-o para entrar. Edward a seguiu entrando na sala enfeitada por balões de todas as cores e frases felizes, uma mesa na extrema direita com um bolo de chocolate no centro. Várias bandejas com doces e salgados, algumas garrafas com bebidas alcoólicas e refrigerantes. Na outra mesa, na esquerda, estavam vários presentes ainda não abertos e Alex foi até essa, colocando sua sacola junto com os outros presentes.

Olhou a sua volta vendo um pouco depois das mesas e pessoas, um sofá vermelho com almofadas pretas, uma mesa de centro com um vaso de flores artificiais. Uma estante com aparelhos eletrônicos e alguns porta-retratos. Ao final da sala, na direita havia uma porta que levava a cozinha, na esquerda havia um corredor. No fim do corredor o banheiro e ao lado o quarto de Alex. Edward gostou da casa, era aconchegante e pintada de amarelo bem claro, cortinas brancas nas janelas, com quadros espalhados pelas paredes. Percebeu que Alex o olhava com certa atenção e fitou-a por alguns segundos, vendo as mãos dela inquietas.

-Então, gostou da minha casa?

-Aconchegante.

-Quer comer ou beber alguma coisa? – ele apenas balançou a cabeça, sem desviar os olhos dos dela. Edward sabia bem porque ela não conseguia desviar os olhos dos seus, mas não entendia porque não conseguia desviar os seus dos dela.

Viu que com muito custo ela fechou os olhos e respirou fundo, balançando de leve a cabeça e tentou parar de mexer as mãos. Sorriu brevemente e olhou em volta ao ouvir as amigas de Alex conversando sobre eles. Olhou na direção delas, que no mesmo momento olharam em outra direção e fingiram conversar sobre outra coisa. Alex olhou para o relógio na parede atrás de Edward e percebeu que já eram nove horas.

-Ei pessoal, nove horas. – gritou Alex e todos se aproximaram da mesa de presentes. Edward apenas ficou olhando-a. – É uma tradição nossa, você abre os presentes na hora que nasceu.

Ele apenas balançou a cabeça e a viu se aproximar da mesa e pegar um presente. Viu-a falar o nome da pessoa que havia dado o presente e depois abria o embrulho, rindo e agradecendo. Ela parecia uma criança no Natal, pulava, ria, agradecia e abria outro presente. Ela ganhara várias roupas, sapatos, roupas íntimas, ursos de pelúcia e um DVD de uma banda que ela gostava. Edward a viu pegar a sacola de seu presente e lhe olhar feliz, abaixando os olhos para dentro da sacola e ficando de boca aberta ao ver o que tinha dentro. Não que fosse algo grandioso, era apenas algo que Alice afirmara que ela gostaria.

A morena puxou uma caixa não muito grande de dentro da sacola, sua tampa transparente entregava o que tinha dentro. Uma pulseira de prata de lei que parecia ser formada por elos de uma corrente que brilhavam com a mínima luz. Por um segundo todos os presentes ficaram olhando para ele, Alex não conseguia nem piscar e, quando o fez, andou até ele e abriu a caixa. Edward a viu pegando a pulseira e lhe entregando, esticando o braço esquerdo para que ele colocasse o presente.

Abriu o fecho com cuidado e colocou a pulseira no punho dela, fechando delicadamente, olhando-a nos olhos o tempo todo. Sentiu, por um milésimo, que a ponta de seus dedos encostaram na pele quente dela. E ela pareceu sentir isso também porque arrepiou-se, mas não afastou o braço.

-Como sabia?

-Sabia o quê? – perguntou apreensivo.

-Eu estava de olhou nesta pulseira fazia meses. – respondeu, olhando a jóia brilhando em seu punho.

-Passei na frente da loja e achei que combinava com você. – mentiu. Mataria Alice quando voltasse. Ela não lhe contara que a garota queria a pulseira, apenas falara que ela gostaria do presente.

-Ah, obrigada. – Alex agradeceu, olhando-o nos olhos e teve uma grande vontade de abraçá-lo para demonstrar sua felicidade, mas se conteve. Era melhor não assustar o menino.

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Edward viu os poucos os amigos de Alex irem embora um a um, olhou no relógio da parede e percebeu que eram quase duas da amanhã. Era melhor ir também e deixá-la descansar. Vira a morena pular de grupinhos em grupinhos, para ser uma boa anfitriã, a noite toda. Conversara com ela diversas vezes, por mais minutos do que os outros e sempre banalidades. Levantou-se do sofá ao ver as últimas amigas dela se despedindo e aproximou-se devagar.

-Vou levá-las até o portão e já volto. – disse Alex quando ele parou perto de si.

-Mas eu já vou...

-Não. Já volto. – respondeu Alex, empurrando as amigas porta a fora. Edward colocou as mãos nos bolsos da calça e esperou. Quando Alex voltou, entrou sorrindo e fechou a porta atrás de si. – Você tem compromisso amanhã... hoje cedo?

-Não.

-Toque de recolher?

-Não.

-Então, fica mais um pouco. – Edward percebeu que era uma meia pergunta, meio ordem. Riu e balançou a cabeça, assentindo. – Ótimo, podemos conversar.

Não que não gostasse de conversar com Alex, é que precisava se policiar demais ao responder as perguntas dela, poderia dizer algo e acabar se comprometendo. Comprometendo toda sua família. E isso era a última coisa que queria. Viu a pegar uma grande cesta que servira de lixo no canto e começar a jogar copos plásticos e pratinhos dentro. Juntou alguns que estavam perto de si e jogou-os na cesta também.

-Você nunca me disse de onde veio. – comentou Alex, fechando uma garrafa de refrigerante e colocando-a junto com as outras. Olhou para Edward que estava de costas para si, recolhendo algumas embalagens vazias da mesa de presentes. Ele não respondeu e ela decidiu continuar a conversa. – Pretende ficar quanto tempo na cidade?

-Não sei, depende do meu humor. – respondeu, virando-se e jogando os embrulhos vazios na cesta.

-Você viaja muito? – terminou de pegar o lixo e foi andando até a cozinha sendo seguida por Edward.

-Um pouco. – entrou na cozinha e surpreendeu-se ao ver que estava impecável limpa. Chão de piso branco, azulejo salmão claro, prateleiras brancas. Fogão, geladeira e microondas pertos. Uma pequena mesa no canto com apenas duas cadeiras.

-Pretendo viajar nas férias. – comentou, jogando alguns talheres sujos na pia e olhando de canto de olho para Edward.

-Já tem destino?

-Ainda não, vou pesquisar lugares bonitos e baratos. – ela se virou e encostou-se à pia, olhando dentro dos olhos dele. – Recomenda algum lugar?

Edward deu de ombros e sorriu desculpando-se. Os lugares que poderia indicar provavelmente matariam a garota de frio. Viu a sorrir e balançar a cabeça andando em sua direção.

-Vou me trocar e já volto. Espera aqui na sala.

Alex foi até seu quarto, e caçou seu pijama e tentou se trocar o mais rápido que conseguia. Edward sentou-se no sofá da sala e apurou os ouvidos tentando captar qualquer som dela. Conseguia escutar o tecido das roupas dela escorregando pela pele morena de Alex, o coração acelerando um pouco, o perfume natural dela espalhado pela casa. Não era certo ficar escutando as roupas dela descerem por seu corpo cheio de curvas e pensar que gostaria de ver tal cena, mas era homem. Era um instinto básico, não poderia ser tão errado.

Saiu do quarto e voltou até a sala com uma blusa baby look azul e uma calça de pijamas rosa. Alex sentou-se na outra ponta do sofá e puxou as pernas pra cima, abraçando os joelhos. Ficou fitando Edward que estava muito calado, parecendo pensativo.

-Você não me conta nada concreto. – disse Alex com a voz baixa, apoiando o queixo nos joelhos. Edward olhou-a dentro dos olhos castanhos e quis estar dentro da mente dela, pois não identificava pela voz e a expressão o que ela estava sentindo naquele momento. – Apenas coisas que são banais. Parece que vai desaparecer e não quer que eu siga seus rastros.

-Não tenho porque desaparecer. E você também não contou nada de concreto. – retrucou, virando-se para ficar de frente para ela.

-Sou um livro aberto. – abriu os braços e sorriu fracamente.

-Onde estão seus pais?

-Moram no Brasil. – sua voz saiu chorosa. Morria de saudades dos pais, mas somente agora com essas férias é que poderia ir vê-los. – E os seus?

-Vieram na viagem. – pensou em Esme e Carlisle. Esme, sem dúvidas, adoraria conhecer Alex. – Quer sair amanhã?

Alex pareceu surpresa, estava esperando uma pergunta sobre sua vida, não um convite para um encontro. Assentiu e ficou a fitar Edward que, de repente, se levantou e olhou para a porta, como se estivesse assustado com alguma coisa. Ela também se levantou e ficou olhando-o com certa curiosidade, tentando entender a repentina atitude.

-Preciso ir embora.

-Certo. – Alex passou por ele e pegou a chave na porta e saiu. Edward não queria ficar dando bobeira nas ruas com o sol podendo nascer a qualquer momento, fazendo com que ele brilhasse e entregasse o que era. Ela abriu o portão e ele passou virando-se para olhá-la e percebeu que ela parecia querer perguntar algo. – Por que você não me toca?

Edward sorriu e levantou a mão direita encaixando-a no rosto de Alex, que sorriu com o toque e sentiu toda sua pele arrepiar com a pele gelada dele. Fez um breve carinho na bochecha dela, olhando fundo em seus olhos e afastou-se devagar, começando a descer a rua.

-Até amanhã, Alex! – sua voz parecia um sussurro e Alex não pôde evitar um arrepio subir por sua espinha.


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Kiss