Disclaimer: Esses personagens não são meus e eu não ganho um centavo escrevendo isso.
Capítulo 4 – Really Hot
Alex sentou-se na cama, encarando o guarda-roupa à frente e respirou fundo algumas vezes. Edward era diferente, extremamente diferente. Nunca tinha visto um rapaz com os olhos iguais aos dele, e mesmo assim sentia que o conhecia de algum lugar ou que já o tinha visto em algum momento de sua vida. Ele era marcante, atencioso e gentil. Balançou a pulseira de prata que ganhara dele e sorriu, nem a conhecia e já tinha dado um presente daqueles. Mas o que significava? Não tinha idéia do que aquele carinho em seu rosto poderia significar também. Ele queria ficar, namorar ou somente amizade?
Olhou o relógio ao lado de sua cama, na qual ficara o dia todo, somente se levantando para pegar salgados, frutas e sucos. Eram quase seis e meia e ele não ligara para combinar nada. Talvez fosse melhor assim, não era bom se apegar a alguém tão mais novo e que tinha muito para fazer da vida. Mas, por outro lado, ter um rapaz novo por perto tinha suas vantagens. Fechou os olhos e balançou a cabeça reprovando-se – mas rindo – de pensar tais coisas sobre um rapaz que não havia nem beijado. E nem sabia se ia. Pegou os dois pratos vazios e o copo de suco e levantou-se, indo até a cozinha com calma. Deixou a louça suja para depois e começou a fazer o caminho de volta. Foi quando sentiu. Sentiu que seu celular ia tocar. Sentiu que era ele que ligaria.
Parou na porta do quarto e ficou fitando o celular jogado no colchão e, um segundo depois, ele realmente começou a tocar. Alex ficou paralisada, assustada com o que acabara de acontecer, nunca tinha passado por isso antes. Foi até o aparelho e o abriu, vendo um número restrito na tela, apertou o botão verde, e foi que percebeu que tremia. Tentou se acalmar e atendeu.
-Alô?
-Alex. – a voz de Edward era incerta.
-Oi, Edward. – Alex sentiu todos os pêlos de seu corpo se eriçarem. Como poderia saber que ele ligaria naquele momento, antes mesmo de o telefone tocar?
-Liguei numa péssima hora? – ele conseguiu identificar o nervosismo na voz dela.
-Não. Pode falar. – tentou se acalmar, estava sendo boba. Aquilo não era nada.
-Quer fazer alguma coisa?
-Com você? Claro!
-Ótimo, posso aí daqui a pouco.
Alex desligou o celular e decidiu deixar tal sensação estranha sobre o telefone pra lá, não traria nada de bom ficar se preocupando assim. E tinha que tomar um banho e se trocar porque Edward chegaria em poucos minutos.
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Edward parou o carro na frente da casa de Alex e desceu ouvindo a morena ainda discursar sobre romance em livros e filmes.
-E, com toda certeza, é lindo se de ver no filme Amor Além da Vida que o mocinho abre mão do Paraíso para ficar no Inferno com a mulher suicida dele. Mas eu ainda acho que o tipo de sacrifício como Romeo e Juliet, ou até pode ser considerado sacrifício o fato de Sr. Darcy e Lizzy, terem que sofrer antes de conseguirem o amor, do que rejeitar algo como o Paraíso. – ele a ouviu falar tudo isso no portão, sem nem lembrar de o abrir. – E eu monopolizei a conversa de novo.
-Não, eu entendo seu ponto de vista. – respondeu calmamente.
-Mas não concorda nem um pouco. – ponderou Alex, abrindo o portão e deixando Edward passar para depois entrar e trancar.
Ele havia passado algumas horas antes e a levara para ver uma feira de livros e depois para jantar. Não que tivesse comido alguma coisa, mas conseguira se divertir. Conversaram sobre diversas coisas, filmes, livros, música, pessoas e empregos. Alex era uma garota que gostava de expressar o que sentia por tudo e não ligava se não agradava alguém. Personalidade forte e marcante. Por um lado tinham a ver, por outro eram extremamente diferentes. E isso fazia com que a conversa fluísse com naturalidade e rendesse ótimas risadas. E Edward notou que adorava ouvir a risada dela.
-Não que não concorde. – ele começou, seguindo-a para dentro da casa. – É que penso de outra forma.
-Que outra forma? – perguntou Alex, entrando em seu quarto com uma sacola cheia de livros. Ao perceber que Edward não a havia seguido, voltou até a sala e o viu parado perto do sofá. – Vem cá.
Edward pensou por dois segundos antes de mover os pés e andar até o quarto dela. Certo, nos livros de Stephenie ele vivia no quarto de Bella, "dormindo" com ela na mesma cama. Mas era diferente na vida real, e Alex parecia não dar a mínima. Entrou no quarto de paredes amarelas claras, uma cama de casal de madeira escura, colchão com lençol azul e fronhas também. Na frente da cama um guarda-roupa da mesma madeira que a cama e, logo ao lado, uma penteadeira com vários perfumes e cremes na tampa. Viu um porta-retratos ali, uma garotinha entre dois garotos bem fortes.
-Que outra forma? – perguntou Alex novamente, tirando as sandálias que estava usando e parou em frente a uma porta quase escondida pelo guarda-roupa.
-Amor Além da Vida é sobre sacrifício da alma. O homem prefere sofrer no Inferno a deixar a alma da mulher sozinha. Um amor capaz de tudo. – ela cruzou os braços, ainda segurando a sacola com os livros e ficou olhando Edward. – Em Romeo e Juliet existe uma falha de comunicação e isso acaba por matá-los. Mas ele preferem morrer juntos a ficarem sem o outro. E, no caso de Sr. Darcy e Lizzy, existem empecilhos colocados por eles mesmos e por suas criações, mas que não são grandes suficientes para destruir o amor que sentem. Nisso eles vão contra eles mesmos para ficarem juntos.
-E a conclusão?
-O amor dos três casais é o mesmo. Um amor sem limites ou barreiras. – Edward terminou sua conclusão e esperou alguns momentos para ver se Alex retrucava.
-Nossa...
-O que foi?
-Nunca vi um rapaz tão novo defender o amor com tanta vontade. – comentou Alex, virando-se para a porta perto do guarda-roupa. – Vem ver isso.
Edward aproximou-se de Alex olhando para a porta que ela mantinha aberta e viu um pequeno armário, cheio de livros, do chão ao teto. Livros de todos os tamanhos, grossuras e cores. Novos, velhos, de crianças e de contos eróticos. Viu Alex dar um passo dentro do armário – o único passo que qualquer um conseguiria – e colocar as novas aquisições junto com os outros. Ficou olhando todos os volumes tentando contar quantos livros estavam empilhados e viu na fileira do fundo, quase batendo no teto, três livros de capas pretas. Seus olhos se fixaram no nome: Stephenie Meyer nas três capas um pouco envelhecidas. Começou a imaginar o pior.
-Quer algum emprestado?
-Não, só me surpreendi com a quantidade.
Decidiu desviar os olhos dos livros antes que ela começasse a desconfiar sobre estar olhando tanto. E que explicação daria se ela começasse a perguntar? Se ela juntasse as peças e descobrisse que Edward Cullen de Forks era o mesmo que estava dentro do quarto dela. Aceitaria? Era melhor conversar com Alice para saber se Alex desconfiaria de algo, mas por enquanto a morena parecia não desconfiar de nada.
-Quer ficar um pouco?
-Melhor ir embora. – ele olhou primeiro para os próprios pés e depois para os olhos dela. Percebendo que ela estava pedindo com os olhos brilhantes para que ficasse, e por alguma estranha razão, não conseguia dizer que ia embora.
-Só um pouco? – Alex tentou não ficar ansiosa.
-Só um pouco. – Edward respondeu, sorrindo.
Alex sentou na cama e o chamou para sentar junto dela, vendo-o hesitar por alguns segundos. E quando o fez, o cheiro da pele dela parecia estar mais forte, como se ela tivesse passado um perfume. Tentou ao máximo ignorar o aroma doce de Alex, mas não estava sendo fácil. Ouvia o coração dela acelerar um pouco os batimentos e isso indicava que estava ansiosa ou nervosa.
-Você é novinho, mas não entendo. – olhou nos olhos dourados de Edward tentando não ficar ainda mais tensa. – Não forçando algo. É que você é diferente.
-E você também. – desejou mais do que nunca estar na mente dela, mas já começava a ter uma idéia do que ela falava.
-É que qualquer outro garoto já teria tentado... – deixou as últimas palavras para ele adivinhar. E agora morria de vergonha por que Edward havia desviado os olhos para a porta do quarto e parecia estar distante. Demorou alguns segundos – com ambos no mais puro silêncio – para perceber o porquê da hesitação. Envergonhou-se ainda mais. – Nossa, você é...
Alex jogou o corpo para trás, deitando-se e cobriu o rosto com as mãos, balançando a cabeça. Edward, que estava pensando em como sairia dessa nova situação, viu quando ela se jogou para trás e girou um pouco o corpo para olhá-la. Percebeu que a blusa havia subido um pouco por causa do movimento dela e agora parte da cintura dela estava mostra. Pele morena esticada por curvas. Olhá-la não ajudou em sua situação, era um vampiro, mas era homem. E tinha vontades.
-Eu deveria ter visto isso antes. – falou Alex, tirando as mãos do rosto e deixou-as ao lado do corpo, olhando para Edward. Ele a olhava de lado, prestado atenção ao que ela fazia e falava.
-Não sou virgem, se é isso eu está pensando, Alex! – respondeu, mais sério do que queria.
-Então realmente não entendo. – comentou Alex e continuou deitada, olhando Edward que parecia pensativo outra vez. Depois de alguns segundos, Edward deitou-se ao lado dela, os pés dos dois batendo no chão, ambos olhando o teto. Ele queria poder explicar porque o receio de beijá-la, de tocá-la, de tê-la. Mas como explicar para uma mortal que se ele perdesse o controle por um segundo poderia matá-la? Era uma situação complicada.
-Você não me deve explicações. – declarou Alex, sentindo a mão dele perto da sua.
-Não que não queira, Alex. É complicado. – disse Edward, ignorando a frase dela.
-Tudo bem, você já tem alguém na sua vida. Eu entendo. – levantou-se e parou encostada no batente da porta.
-Não. Não tenho. – sentou-se para poder olhá-la nos olhos. Fitou-a por alguns momentos, ela era uma garota bonita, envolvente e qualquer homem gostaria de dormir com ela. Mas, por mais que tentasse se controlar, sabia que uma hora perderia o controle de si mesmo, que o cheiro da pele dela seria demais para sua sede. O problema seria o que aconteceria quando perdesse o controle, não antes.
-Edward, está tudo bem. – deu de ombros e cruzou os braços, vendo-o olhar para si com mais determinação.
Levantou-se e andou até ela, colocando sua mão direita no rosto pequeno dela, vendo-a descruzar os braços e olhá-lo com atenção. Deixou seu dedão acariciar a bochecha dela por vários minutos, aproveitando essa aproximação de seus corpos. Sentindo a pele quente dela contra a sua fria, e parecia que a cada segundo a pele dela esquentava um pouco mais. Era fácil fugir dos toques de Bella Swan nos livros, na vida real era mais complicado. Era difícil refrear a vontade de beijá-la, de tocá-la por inteiro, de deitá-la na cama e fazê-la sua. Mas não podia, cedo demais, rápidos demais. Tinha que conversar com Alice, saber exatamente o que ela sabia. Entender o porquê de encontrar Alex, se é que tinha algum porquê.
-Vou embora. – disse bem baixo e inclinou-se beijando o canto da boca dela brevemente, e saiu do quarto.
Alex não conseguia se mover, sua pele onde ele tocara estava fria, porém todo o resto parecia estar pegando fogo. Nunca se sentira daquele jeito com ninguém. Nunca sentira tanta atração por outra pessoa, com vontades únicas e insanas. Engoliu em seco e piscou, percebendo que poderia ter passado vários minutos parada ali, naquela mesma posição, com as mesmas sensações e ele já estava longe. Andou até a porta da frente e a abriu, olhou para o portão e o viu trancado; como ele havia saído?
Balançou a cabeça e fechou a porta, apagou a luz da sala e foi para o quarto, tirou a calça e a blusa, e jogou-se na cama. Apagou a luz e cobriu-se, sua mente ainda tentando acalmar o resto de seu corpo.
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Edward entrou no quarto de hotel onde estava hospedado e viu Alice sentada na cama, os braços cruzados e a expressão sempre alegre, desfeita. Passou por ela e parou perto da janela, escutando cada palavra que ela pensava. Do lado de fora da janela, a noite já ia alta e as pessoas começavam a se preparar para dormir. Se preparavam para segunda-feira que vinha cobrar muitas responsabilidades de todos. Virou-se e se apoiou no parapeito, encarando Alice, ainda sentada na cama, olhando para ele com os olhos dourados e rosto delicado.
Notou que ela usava uma saia azul longa, uma blusa de gola alta azul escura e estava descalça. Riu e voltou a olhá-la nos olhos, pessoa igual Alice não existia. Entretanto odiava vê-la assim, com a face séria, a mente parcialmente aberta e jeito frio. Caso ela não começasse a falar logo, iria irritar-se, e no momento não estava com cabeça para isso.
-Você já tinha me dito que isso iria acontecer. Só não achei que seria hoje.
-Ela não vai dormir essa noite pensando no que aconteceu. – disse, levantando-se e indo até o irmão. – E amanhã vai pesquisar lugares para conhecer durante a viagem que fará depois do Ano Novo.
Alice ficou fitando os olhos do irmão, revelando pouca coisa sobre o futuro de Alex. Porém desviou os olhos e virou-se indo na direção da porta tão subitamente que Edward estranhou e barrou seu caminho. A morena olhou-o nos olhos não gostando de sua atitude e cruzou novamente os braços. Ficaram a se olharem por vários segundos, e Alice fazia o possível para não deixar Edward ver mais do que já havia visto. Mas não conseguiu, percebeu pela expressão dele que já tinha visto o que ela tentara esconder.
-Quantos dias? – a voz de Edward era séria ao fazer a pergunta para a irmã.
-Amanhã. – Alice abaixou a cabeça e Edward deu passagem para ela sair. – Ela vai aceitar.
-Não é essa a questão e você sabe bem. – vociferou e andou nervoso até a janela.
-Mesmo que ela aceite e queira ficar com você? Essa não é a questão?
-Não quero uma Bella Swan em minha vida. Não quero prazos, contratos ou promessas sobre transformações.
-Não me preocuparia com isso se fosse você, e sim em me redimir. – Edward virou-se para encarar a irmã, que estava sorrindo novamente e olhava-o com alegria. – Ela odeia mentiras.
-Nem em sonhos, Alice. – alertou Edward pegando uma frase na mente da irmã. Outra informação.
-Ela vai pedir. E você vai aceitar. – Alice saiu do quarto saltitando e sorrindo. E Edward não conseguiu não sorrir, Alice conseguia contagiar qualquer um. Mas tinha um problema nas mãos.
A verdade poderia custar caro demais, poderia ser pesada demais para Alex. Óbvio que Alice não mostraria uma mentira, se ela havia dito que a morena aceitaria, acreditava. Mas a que custo Alex aceitaria a verdade? E como ela ligaria os pontos tão cedo? Que brecha ele havia dado? Qual pista ela seguira para descobrir a verdade?
Comentem??
Kiss.
