Disclaimer: Esses personagens não são meus e eu não ganho um centavo escrevendo isso.

Capítulo 6 - Family

-Quem são os garotos na foto com você? – Edward perguntou, mostrando o quadro para ela.

-André e Marcos, amigos de infância. Do Brasil. – Alex olhou para a foto com carinho. – Eles sempre foram grandes assim, mas eu sou a mais velha de nós três. Eles são praticamente crianças que cresceram demais.

-Você morou quanto tempo no Brasil?

-Doze anos. Eu nasci aqui e quando tinha quatro anos, meus pais tiveram que se mudar para lá por causa da empresa que trabalhavam. Lá nós moramos em um prédio da empresa, com várias famílias que eram daqui também. Eu conheci o André e o Marcos lá, os pais deles também trabalhavam lá. Voltei para New York quando fiz dezesseis.

-Seus pais ficaram lá?

-Sim. – ela sentiu o coração apertar ao lembrar a quanto tempo não via os pais e os amigos. – Mas acho que eles vão vir passar o Natal comigo.

-Isso é bom. – Edward queria perguntar mais, mas achou que deveria deixar para outra hora.

-Bom, eu acho que agora você tem mais direito de perguntar as coisas do que eu. Já sei boa parte das coisas sobre você por causa dos livros. – declarou Alex, recostando-se na cadeira e ficou olhando Edward nos olhos. Assimilando mais algumas informações.

-Certas coisas é melhor descobrir com o tempo.

-E temos tempo?

-Até onde sei, sim. – percebeu certa insegurança na voz dela, mas preferiu não falar nada. Talvez ela achasse que ele iria embora a qualquer momento.

-Vai ficar hoje? Soube que vai chegar uma frente fria essa madrugada e o sol não sai amanhã. – disse um pouco nervosa, mas olhando para o rapaz a sua frente. Era bem mais difícil do que achava deixá-lo ir embora.

-Posso ficar por algumas horas.

Edward gostava de estar com Alex, e, mesmo correndo o risco de perder o controle, não queria ir embora. Sentia que as horas se arrastavam ainda mais quando estavam longe, e não era necessário ficarem conversando o tempo todo. Às vezes gostava de ficar apenas observando-a, o jeito dela mexer os lábios quando estava pensando seriamente, ou quando estava alegre. Quando a pele dela eriçava ao ficar perto dela ou tocá-la. O sorriso de vergonha ou de real felicidade. Era realmente bom ter que descobrir Alex ao invés de 'lê-la' pela mente. Era um pouco mais instigante.

-Eu não dormi noite passada, bolando teorias loucas. Importa-se de ficarmos no quarto? – Alex ia se levantando, mas sentou-se outra vez e olho os livros. – Não, quarto não. Você fica sessenta por cento de seus dias no quarto de Bella, nos livros.

-É uma ficção, Alex. – Edward sorriu ao responder. Era legal vê-la preocupada em não ser Bella.

-Mesmo assim. Vem, vamos para a sala. – levantou de vez e esticou a mão para ele. Edward olhou a mão da morena, esticada, esperando pela sua e demorou alguns segundos para se levantar. Segurou a mão dela, entrelaçando seus dedos e a viu deixar um sorriso sincero se espalhar pelo rosto.

Andaram devagar até a sala, Edward perguntando-se como um gesto tão simples poderia deixá-la tão feliz. E como ele, não queria soltá-la tão cedo. A pele quente dela, os dedos entrelaçados, o coração dela batendo um pouco mais rápido do que antes e o sorriso sincero que ela dava. Tudo formava um quadro que Edward não estava acostumado a ver. Algo novo e, de algum modo, diferente. Extremamente diferente. Sentaram-se lado a lado no sofá, Alex colocou as pernas junto do peito, segurando os joelhos, ainda sem soltar a mão de Edward.

-Era estranho não saber o porquê de sua pele ser tão fria. – Edward soltou sua mão da dela e desviou os olhos da morena, fixando na estante a frente. – Mas agora que sei, não me importo. – a morena esticou a mão para que ele voltasse a segurá-la. – Edward, sua pele fria é o que menos me preocupa.

-Algo em mim lhe preocupa? – Edward afastou-se um pouco dela no sofá.

Alex percebeu que falara as coisas erradas e ficou apreensiva ao vê-lo se afastar um pouco. Respirou fundo, desceu os pés do sofá e olhou para Edward vendo-o examiná-la com muito cuidado. A frase tinha deixado-o um pouco preocupado, e ela entendia perfeitamente o porquê de ele reagira assim. Se era difícil contar para alguém sobre ser vampiro, imagina escutar tal frase e perceber que o humanos pode ter medo de você.

-Olha, é fácil entender que você é vampiro. E eu gosto do toque da sua pele fria em mim, mas não é simples...

-Ter alguém que pode sugar seu sangue, por perto? – ele completou a frase se levantando e se afastando dela.

-Não! – Alex também se levantou. – Edward você não me assusta nesse sentindo. Na verdade, você não me assusta. – ela deu um passo para frente, aproximando-se dele. – Se você quisesse, você já teria me matado. E sei que você não vai fazer isso. É que...

Alex afastou-se e passou as mãos pelos cabelos, andando pela sala, tentando não ficar mais nervosa do que já estava. Mas era difícil, e tinha que explicar para Edward o que aquela frase queria dizer ou ele deixaria de vir vê-la. E isso não era uma opção.

-Certo, não consigo confiar em mim quando você está por perto. – ela o olhou e percebeu que ele não havia entendido. Resolveu explicar melhor. – Olha, você tem medo de perder o controle e me matar. Eu tenho medo de perder o controle...

Balançou as mãos, rezando para ele entender o resto da frase e não fazê-la falar. Era vergonhoso ter que ficar explicando essas coisas, mas parecia que teria que ser assim sempre que tocasse nesse assunto. Edward olhou-a com muita atenção e entendeu o que ela queria dizer, e assentiu, permitindo que ela ficasse mais calma e que não precisasse terminar a frase. Não sabia como se sentir com relação ao que acabar de descobrir. Ela não sentia medo dele, mas de si mesma. Era algo que chegava a ser extremamente interessante.

-Ótimo, agora você me acha uma maníaca sexual! – Alex declarou e bateu as mãos nas coxas, ficando ainda mais frustrada. Edward só conseguiu deixar uma baixa risada escapar, o que fez Alex lhe olhar surpresa.

-Não, não acho.

-Edward, eu nem te beijei, e Deus sabe como eu quero isso. – disse Alex e logo depois tapou a boca com as mãos. Esperou alguns segundos e destapou a boca, fechou os olhos e respirou fundo. – Vamos na ordem. Eu quero te beijar, e já disse isso. Mas é que quando estou perto de você eu acho que... – ela balançou as mãos como se estivesse se abanando. Edward riu. – Eu acho que ficar quente como um vulcão não descreve bem o que sinto.

Ambos deram risada e Alex sentiu-se um pouco mais leve. Mesmo que ainda quisesse se explicar melhor, achava que já tinha conseguido se fazer entender. E Edward deixara que ela continuasse se explicando, pois já havia entendido tudo da primeira vez. Sentou-se outra vez no sofá e viu que Alex ficara parada, em pé, lhe olhando, o rosto transformando-se de risonho para o sério rapidamente. Ela franziu a testa e mordeu o lábio inferior devagar, e Edward achou que ela ficava bonita com essa cara de pensativa.

-Vai dizer para sua família que sou sua amiga?

-Não. Não vou dizer nada, na verdade. – viu Alex cruzar os braços, esperando a continuação da frase. – Você vai falar.

-Eu! – espantou-se Alex.

-Sim.

-E eu vou falar o quê? – Alex espantou-se ainda mais ao vê-lo dar de ombros. – Edward não é assim que as coisas são.

-Eu sei. – olhou-a, tentando não sorrir e pôde ver que ela o analisava, como se estivesse descobrindo algo.

-Você já sabe o que vai acontecer, não sabe?

-Alice me deixou por dentro das novidades. Sei o que você vai falar.

-O que eu "posso" falar. – corrigiu Alex. Edward espantou-se ao perceber que ela estava certa, mas mesmo assim, sorriu.

Alex, o que você disser, estará certa. – a voz de Edward era firme e parecia um pouco séria demais.

-Duvido muito. – jogou-se no sofá e abraçou os joelhos novamente, apoiando o queixo neles. Calou-se por vários minutos e bocejou, vendo que Edward a analisava todo esse tempo. – Você não dorme, né?

-Não.

-Adoraria ser assim. – o rosto de Edward tornou-se sério e ele parecia nem respirar. – Oh, pare de besteira. Não disse vampira. – e bocejou outra vez.

-Melhor eu ir embora. – declarou Edward, levantando-se e Alex fez o mesmo.

-Que horas amanhã?

-Passo aqui às sete e meia, certo? – Alex assentiu e bocejou outra vez, fazendo o vampiro rir. – Boa noite, Alex.

Alex sorriu ao sentir a mão esquerda de Edward envolvendo a sua direita e entrelaçar seus dedos, e mesmo que ele não a tivesse puxado para junto dele, o corpo dela se moveu. Ficaram poucos centímetros separados, Alex olhava para cima e sentia cada vez mais frio. O frio dele.

Edward olhava para baixo, seus olhos dourados colados nos castanhos dela. Ouvia o coração da morena batendo forte, quase como um tambor. E não ignorava o fato da pele dela ter esquentado um pouco, fazendo jus a metáfora que ela tinha usado sobre o vulcão. Inclinou-se contra ela, deixando seus lábios a milímetros do dela e sentiu-se uma criança de cinco anos. Beijar era a coisa mais simples; então por que não estava conseguindo fazer? Alex havia fechado os olhos e parecia uma criança também. Moveu-se os milímetros que faltava e tocou seus lábios frios aos quente dela. Era bom, instigante. Perigoso.

Afastou-se vários passos, vendo Alex com os olhos abertos e um sorriso compreensivo. Ela levou a ponta dos dedos da mão esquerda até a boca e tocou os lábios de leve. Os olhos ainda colados em Edward.

-Eu já esperava essa reação.

-Me desculpe. – aproximou-se dois passos dela, mantendo uma distância segura.

-Ei, eu entendo. Temos um bom tempo para te fazer perder esse receio. – encorajou Alex, sorrindo.

-Sim. – concordou Edward um pouco mais aliviado. – Agora eu vou. Sério.

-Certo. Preciso abrir o portão?

-Não. – sorriu ao vê-la sorrir ainda mais. – Até amanhã.

-Até. – e Alex viu Edward desaparecer.

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-Inferno! Odeio minhas roupas. – Alex reclamou pela oitava vez e jogou-se deitada na cama somente de roupas de baixo. Estava a quase duas horas tentando achar uma roupa para ir conhecer a família de Edward, e odiara cada peça que vestira.

-Alex? Posso entrar? – a voz de Edward do lado de fora do quarto parecia séria. Alex sorriu ao perceber que não mais precisaria abrir a porta para ele, e por imaginar qual seria a reação dele se respondesse que poderia entrar e a encontrasse somente com aquelas rendas vermelhas.

-Só um segundo. – vestiu o roupão e sentou-se na cama, tentando parecer calma. – Pode entrar.

Edward entrou e a viu sentada na cama com o rosto sério e várias peças de roupas jogadas no chão e várias outras na cama.

–Já são sete e meia?

-Sim, mas eu espero lá na sala. – disse Edward, percebendo que a morena iria demorar mais um pouco.

-Eu não tenho roupa. Você vai secar me esperando. – reclamou Alex e viu Edward olhar todas as roupas jogadas e para si novamente.

-Alex, você tem várias roupas.

-E nenhuma fica bem em mim. – cruzou os braços, parecendo uma menina mimada.

-Alex, te garanto que meu pais e meus irmãos não vão se preocupar com suas roupas. – ele a viu deixar escapar um pequeno sorriso e se levantar.

Saiu do quarto e fechou a porta, sabia que agora ela demoraria pouco. Sentou-se no sofá e percebeu que na mesa de centro estava o livro Eclipse. Puxou-o para si e ficou a passar as páginas, sem realmente ler o que estava escrito. Era de se esperar que Alex fosse ler esses livros outra vez, assimilar algumas outras coisas, entender algumas de suas reações. E não a culpava por isso, ela realmente tinha que ler aquelas páginas e perceber que Bella Swan não existia e que ele, sim. E que várias coisas eram tão reais e sérias que ele não poderia ignorar, apesar de já perceber que ela entendia as coisas sérias.

Fechou o livro e o colou na mesa outra vez, a voz de Esme voltando em sua mente, lhe fazendo sorrir. "Se ela fosse errada, você não estaria feliz." E sabia que ela estava certa. Felicidade. Era realmente bom ver que as pessoas percebiam que ele estava mais alegre com a presença de Alex. Deixaria as coisas acontecerem, ela mesmo dissera isso, que era melhor deixar acontecer, por que se forçassem não daria certo. E ambos queriam ver aquilo dar certo.

Ouviu a porta do quarto dela se abrir e se levantou, olhando na direção do corredor, vendo Alex vir andando calma e com um sorriso envergonhado. Sorriu ao ver que ela estava de sandálias de salto baixo, saia preta de pregas e uma blusa preta de mangas curtas, com o nome de uma banda. Os cabelos curtos presos em um rabo de cavalo que deixava várias mexas escaparem. Estava linda.

-Acha que vão se importar seu eu for assim?

-Não. Está bonita. – declarou Edward, aproximando-se e pegando a mão dela.

Alex entrelaçou seus dedos aos dele e sentiu-se confortável com o frio. Edward sentiu-se bem ao vê-la se arrepiar.

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Encostou-se na parede oposta a das portas do elevador e respirou fundo, estava ansiosa. E para ser totalmente sincera, com um pouco de medo. Medo de a família de Edward não gostar dela, de rejeitá-la por ser mortal. Ali estava um pensamento extremamente diferente.

-Alex, você está tremendo. – Edward comentou, olhando preocupado para a morena e aproximou-se dela.

-Só ansiedade. – disse e aproximou-se de Edward, abraçando-o. Percebeu depois de um segundo que era a primeira vez que se abraçavam. Ainda sem soltá-lo, levantou o rosto e encostou o queixo no peito dele, olhando-o. Edward estava sério, as mãos paradas ao lado de seu corpo, os olhos dourados lhe fitando. – Você pode me abraçar.

Edward sentia o corpo quente de Alex contra o seu, e que a morena não iria soltá-lo. Ela disse que o faria perder os receios, e já estava começando. Colocou os braços envolta da cintura dela, sem fazer força alguma e a viu sorrir, mas um gesto simples que a fizera ficar feliz. E entendia o porquê. O elevador balançou brevemente e parou, as portas abriram e Alex soltou-se devagar de Edward, sentindo que não era isso que seu corpo queria.

Saíram do elevador de mãos dadas, Edward sentindo-se bem por ter conseguido superar mais essa situação. Era bom vê-la sorrir daquele jeito por uma atitude sua. Pararam na frente da porta com o número 2700 e Edward virou Alex para si, vendo que a morena estava nervosa novamente. Aproximou seu rosto do dela, beijando os lábios dela por um breve segundo e viu que ela estava surpresa.

-Fique calma. – pediu Edward, abrindo a porta e dando passagem para que ela entrasse. Alex entrou no quarto ainda sentindo os lábios de Edward nos seus, como se a sensação não fosse desaparecer. Viu todos os outros membros da família parados perto da janela e seu coração deu um salto, eles eram exatamente como tinha imaginado ao ler a descrição de Bella Swan. Todos eram lindos como Edward, com peles pálidas e olhou dourados.

A primeira a se aproximar foi Esme, que parou próxima a Alex e sorriu abertamente sentindo-se feliz ao ver a morena ali. Chamou Carlisle para perto e Alex não conseguiu segurar um suspiro, tamanha a beleza do homem. Edward riu.

-Alex, estes são meus pais. Esme e Carlisle. – disse Edward, percebendo que a morena estava imobilizada, mas sorria.

-Prazer. – Alex conseguiu dizer algo e estendeu a mão para que eles a segurasse. Por um segundo achou que eles não queriam tocá-la, mas Esme segurou sua mão com carinho e sorriu mais uma vez.

-O prazer é nosso. – disse Carlisle, mexendo brevemente os cabelos loiros e sorrindo. Alex suspirou outra vez.

-Esses são Emmett, Rosalie, Jasper e Alice. – disse Edward, virando Alex para os irmãos, rindo quando ouviu o coração dela acelerar.

-Meu Deus, vocês são lindos. – Alex deixou escapar e depois ficou envergonhada. Sorriu para todos, percebendo que a antipatia de Rosalie não era somente com Bella. Resolveu ignorar isso e voltar sua atenção aos outros, que pareciam felizes por ela estar ali.

-Você quer comer algo? – perguntou Edward para Alex e a viu negar.

-Ótimo, assim ela pode me mostrar a tatuagem de borboleta que ela tem. – disse Alice se aproximando do casal, enquanto os outros se afastavam, entrando na sala de estar, ao lado do quarto.

-Como você sabe... Ah, você vê o futuro. – lembrou Alex, mas intrigou-se no segundo seguinte. – Eu tenho essa tatuagem faz muitos anos, se você vê o futuro, como sabe dela?

-Você vai mostrá-la para Edward. – Alice respondeu com simplicidade, porém Alex ficou vermelha e olhou para os próprios pés. Edward entendeu o que Alice quis dizer e viu a reação que causara em Alex. Por um lado queria matar Alice, por outro queria rir da situação.

-Depois te mostro. – respondeu Alex, ainda olhando para os próprios pés.

-Edward não vai se importar. – disse Alice, segurando Alex pelos ombros e direcionando-a para perto da janela. Edward ainda ficou parado no mesmo lugar alguns segundos e depois resolveu juntar-se aos outros na sala de estar. – Você me mostra a tatuagem depois, agora quero falar com você.

-Falar o quê?

-Olha, eu gostei de você, desde que te vi na minha visão, alguns dias atrás. – ela sorriu e olhou com aqueles olhos dourados brilhantes para Alex. Que não conseguia ficar sem sorrir perante o rosto angelical da vampira. – Mas Edward é complicado. Meio... tímido demais para o bem dele, pode se dizer.

-Já percebi. – declarou, sorrindo e lembrando-se das reações do rapaz.

-Mas já faz algum tempo que ele não se importa com alguém, como está fazendo com você. – Alice tornou-se séria nesse momento. – E eu já vi um pouco do que vai acontecer entre vocês. E... por favor... tenha paciência.

-Paciência? – Alex sentiu-se incerta, paciência não era uma das suas maiores virtudes.

-É que... Edward pode ser bem cabeça-dura quando quer. – confessou Alice, tentando não dizer as coisas que tinha visto. – Só ter um pouco de paciência e tudo dará certo.

Você pode me dizer exatamente paciência em quê? – Alice apenas balançou a cabeça afirmando que era exatamente o que Alex estava pensando.

Alex balançou a cabeça várias vezes concordando, já sabia que em tal departamento teria que ter muita, muita paciência. Mas se Alice estava a dizer que tudo daria certo, acreditava.

-Certo, Alice. Pode deixar que serei extremamente paciente.

-Não, você não vai. Mas vai tentar. – respondeu Alice, sorrindo e começando a andar na direção da sala de estar. Entretanto, a morena parou no meio do caminho e virou-se para Alex. – Ah, a tatuagem.

-Certo... – Alex virou-se de lado e olhou por todo o quarto, conferindo se não havia mais ninguém. Só então levantou a saia mostrando a coxa direita e um pouco do bumbum, onde tinha uma tatuagem de três borboletas: uma azul, uma vermelha e a última negra.

-São lindas. – declarou Alice, sorrindo e voltando a andar na direção da outra sala. Alex ajeitou a saia e seguiu a morena sorrindo, somente Alice para fazer tais coisas.

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-Queria poder saber o que está pensando. – disse Edward para Alex, que estava sentada em um dos sofás da luxuosa sala de estar.

Apenas prestando atenção na sua família. – declarou Alex sorrindo brevemente e olhou para Esme que sentara ao seu lado. A mulher tinha um rosto calmo, um sorriso sincero e olhos brilhantes; a verdadeira figura materna.

-Edward me disse que você morou no Brasil. Por que voltou para New York?

-Eu... meio que fui... obrigada. – disse Alex um pouco envergonhada, mas não deixou de olhar para Esme por nenhum momento.

-Obrigada? – questionou Carlisle, que se aproximou naquele momento.

-É. Pode se dizer que eu era uma garota problema. – riu baixo ao falar de si mesmo daquele jeito. Edward interessou-se pela conversa.

-Você causou muitos problemas para seus pais? – Esme perguntou com uma voz calma e suave.

-Eu sempre fui uma criança arteira e ao virar adolescente, piorei. Rebeldia, sabe? – respondeu, sorrindo quando viu Esme e Carlisle balançarem a cabeça, assentindo.

-Muitos problemas? – Emmett perguntou e só agora Alex via que todos estavam prestando atenção nela.

-Vários.

-Quais? – Alice quis saber.

-Bom, comecei matando aulas, depois fugia de madrugada para ficar na praça com os amigos. E aos quinze fiz uma tatuagem de borboletas e... bom, causei. – Edward percebeu que ela estava escondendo alguma coisa, mas resolveu deixar para perguntar depois. – Meus pais acharam melhor me mandar para morar com a minha avó.

-Aí você criou juízo? – Esme perguntou realmente interessada no assunto.

-Sim, minha avó era muito rígida.

-Ela já se foi?

-Sim, faz três anos. – os olhos da morena marejaram, mas ela tratou de sorrir e fazer as lágrimas sumirem. – Mas ela me ensinou coisas importantes. Foi difícil, mas aprendi.

-Isso é muito bom. – disse Carlisle. Alex assentiu e viu Edward mexer-se ao seu lado.

-O que foi?

-Você não aprontava sozinha. – declarou o ruivo, lembrando-se dos dois amigos da foto do quarto dela. Alex sentiu uma pontinha de ciúmes, mas achou melhor não dizer nada.

-Não, eu aprontava com André e Marcos. – virou para os outros para explicar. – São dois amigos de lá, que só não foram mandados para cá, porque não tinham mais nenhum parente aqui.

Edward não voltou a tocar no assunto, mas ficou encucado com o que Alex estava escondendo. Ficaram mais algumas horas conversando e Esme, no final, convidou Alex para um jantar de verdade. Não que os vampiros fossem comer algo, mas a morena não agüentaria outra noite sem comida alguma.


Comentem?

Kiss