Disclaimer: Esses personagens não são meus e eu não ganho um centavo escrevendo isso.
Capítulo 7- In To The Night
Alex entrou no carro de Edward pensativa, escutara vários conselhos de Esme sobre o ruivo, por que ela poderia precisar de tato para lidar com ele em várias situações. Sua mente ainda estava presa no ciúme não declarado que ele demonstrara por André e Marcos, durante a conversa sobre a volta dela para New York. Era besteira dele, mas por quê? Porque sentir ciúme de duas pessoas que ela não via em quase oito anos?
Edward ligou o carro e partiu, percebendo que Alex estava muito quieta, pensativa. Tentou entender o que se passava pela expressão dela, mas não conseguiu. As ruas estavam quase desertas naquela noite de terça-feira. Decidiu acelerar um pouco, mas a morena pareceu não notar. Foi quando teve uma idéia e virou o carro na esquina com a placa que dizia: "Auto estrada". Acelerou desviando de alguns carros na rua e viu Alex lhe olhar e depois para o painel, conferindo a velocidade que estavam.
-Aonde vamos?
-Correr.
-Correr para onde? – Alex viu o ruivo dar de ombros. Entraram na auto estrada e Edward acelerou ainda mais, vendo a morena ajeitar-se no banco e sorrir.
-Gosta de correr? – perguntou, passando a marcha e acelerando.
-Adoro. – respondeu, fechando os olhos e se deixou sentir nas curvas e desvios que Edward fazia. Era bom voltar a sentir certas sensações de sua adolescência.
Edward acelerou mais ao ver a estrada sem carros, somente o chão negro e o céu salpicado de estrelas a frente. Se continuasse em linha reta, em poucos minutos, estariam em um campo aberto. Pararia o carro ali e poderiam conversar, e talvez até conseguir descobrir o que ela não falou na frente de sua família. E mesmo que estivesse negando, queria saber o que mais poderia ter acontecido para que os pais a tivessem mandado de volta. Todo adolescente era um pouco complicado, mas só com as coisas que ela havia dito, não seriam motivos suficientes para os pais a mandarem de volta. Não, tinha algo mais, e tinha quase certeza que envolvia os amigos dela. André e Marcos. Não tivera boa impressão sobre os dois rapazes, era como se soubesse que eles eram problemas, e Alex não se encaixava naquele quadro de garota problema.
Viu a cerca que indicava o começo do campo e desacelerou, saindo da estrada principal e passando por um portão, com uma placa de "proibido entrar" quase caída. Andou mais um pouco, até estar no centro do campo, a escuridão sendo somente atormentada por seus faróis altos. Nem a lua, escondida por algumas nuvens, iluminava o campo. Desligou o carro por inteiro e virou-se para olhar Alex, vendo-a com perfeição na escuridão. Mas ela não pretendia ficar sem vê-lo e acendeu a luz do teto, fazendo Edward rir brevemente.
-Você ficou quieta. – comentou, vendo-a se ajeitar de lado no banco, ficando de frente para ele.
-Pensando. – ele levantou as duas sobrancelhas e ela riu. – Em você, em mim. Na sua frase.
-Que frase? – Edward sabia exatamente do que ela estava falando, mas decidiu que era melhor deixá-la falar o que estava pensando.
-De eu não aprontar sozinha quando morava no Brasil.
-Mas você não aprontava mesmo sozinha. – disse Edward, vendo-a rir e balançar a cabeça.
-Eu aprendi a bagunçar tudo com eles, não posso negar, mas quem os ensinou a serem garotos problemas, fui eu. – sorriu com sinceridade, tendo poucas coisas para se arrepender daquela época.
-Você não me parece uma garota problema. – Edward disse, vendo-a recostar a cabeça no banco e sorrir maliciosa. Era a primeira vez que via esse sorriso, e gostaria de ver outra vez.
-Isso eu não sou mais mesmo. Mas já fui. Já fui um problema ambulante. – desatou a rir e Edward recostou-se no banco para apreciar a morena. Era muito bom ter Alex por perto, mesmo com a curiosidade ao máximo para saber o quão problema ela já fora.
-O que você fazia para ser considerada um problema ambulante?
-Eu já disse pra você.
-Mas tem algo mais. – Alex olhou Edward com muita atenção, ele pegava as coisas no ar. Tentara esconder que tinham mais coisas – muitas mais – sobre seu passado, que ela não sabia se contava ou não. Decidiu que se podia brigar com Edward por ele não lhe contar que era vampiro, tinha que deixá-lo perguntar o que ele queria saber.
-Sim, tem mais.
-A verdadeira razão de seus pais terem te mandado de volta?
-Na verdade foi um apanhado de coisas. Meus pais cansaram. – lembrou-se do dia em que chegara no apartamento e suas malas estavam prontas. – Eu dei vários motivos para eles tomarem a atitude que tomaram, mas na época achei um absurdo.
-Como foi?
-É uma longa história, Edward.
-Ainda são onze e meia. – disse, sorrindo brevemente. – E quero saber como você era antes. Gostei da idéia de você rebelde.
-Você diz isso porque não me conheceu naquela época. – retrucou Alex, tentando sorrir sem forçar muito.
-Mas quero saber como você era. – Alex pareceu pensar por alguns segundos e respirou fundo, como se desistisse de lutar contra algo.
-Bom, eu sei quando eu percebi que estava diferente, mas não sei bem quando... – ela cruzou os braços. – tudo começou. Eu conhecia o André e o Marcos desde que me mudei para o prédio da empresa, e quando completei doze anos e eles onze, mudamos de escola e aí tudo desandou. Antes estudávamos em um colégio de freiras, tudo muito certo e tal. Mas saímos de lá e fomos para um colégio mais liberal.
Alex desviou seus olhos dos de Edward por alguns segundos, tentando se concentrar na história que contava e não em como queria aproveitar o tempo e o lugar com um pouco mais de esperteza. Mas tinha que se controlar ou iria parecer uma louca por sexo. O problema na verdade era que perto de Edward a temperatura de seu corpo se elevava sem esforço algum, e tinha uma imensa vontade de beijá-lo até ficar sem ar. Ela pelo menos. Porém resolveu continuar a narrativa.
- Começamos com coisas bem bobas, tipo matando aula ou deixando de fazer os deveres. E mesmo assim eu não achava que estava fazendo alguma coisa errada.
-Você era criança.
-Deixei de ser quando percebi que brigar na hora da saída era errado. E eu fazia mesmo assim. – Alex tornou-se séria. – E das brigas eu passei a ser famosa, ninguém mexia com nós três. Foi quando meus "inimigos" apareceram. – fez aspas com as mãos.
-Inimigos?
-Sim, algumas pessoas que só queriam estar perto de mim, por que eu era conhecida. Passamos a matar aula para irmos zoar pela cidade e ficamos nessa por quase dois anos. E começamos a ir ladeira abaixo, sem freio, nessa época.
-Ladeira abaixo, sem freio?
-É. Foi quando eu descobri que garotos eram mais que amigos. – sorriu envergonhada. – O André e o Marcos perceberam isso também, e ficou complicado. Muito complicado.
-Eles se apaixonaram por você. – concluiu Edward com a voz séria. Seria impossível agora esconder que não gostava daqueles rapazes, eles gostavam de Alex. E isso não era nada bom.
-Não digo que era paixão, mas que não ajudou, não ajudou mesmo. Eu fugia do apartamento de madrugada para ficar de papo na praça com uma galera. E foi numa dessas madrugadas que o Marcos me chamou para dar uma volta. – Alex viu que Edward estava muito sério, mas ele que pedira para contar. – Não achei aquilo normal, nós três nunca nos separávamos para nada. Mas fui mesmo assim, e depois de andarmos uns minutos ele começou a contar que gostava de mim e que me queria só pra ele.
-E você aceitou? – a voz de Edward estava ainda mais séria. Alex quis rir.
-Não, não gostava dele daquele jeito. Mas não abalou nossa amizade, ao menos eu não percebi. O grande problema foi quando o André se declarou também e eu fiquei sem saber o que falar. – Alex riu baixinho e mexeu-se no banco. – Recusei e tudo pareceu voltar ao normal, até conhecer as baladas. Nossa, eu com quatorze anos dizia para meus pais que ia dormir na casa de uma amiga e saía com os dois, ficava na rua até altas horas da madrugada.
-E em uma dessas madrugadas alguma coisa deu errado?
-Exato. O Marcos me roubou um selinho e o André viu. Eles brigaram e só pararam com meu choro. – Alex remexeu-se no banco, incomodada. – Me pediram desculpa, juraram que nunca mais fariam isso e que nossa amizade era o mais importante. E eu boba acreditei e seguimos em frente. Passou um ano e no meu aniversário de quinze anos, eles me deram um presente maravilhoso.
-Eles não tentaram nada com você durante esse ano? – Edward perguntou tentando parecer causal. E falhando.
-Não, mas tornaram-se ainda mais ciumentos com relação a outros garotos. Não deixavam ninguém chegar perto de mim com segundas intenções. – ela riu e Edward achou que ao menos nisso esses rapazes fizeram certo.
-E o que ele te deram de presente?
-Minha tatuagem. Cada borboleta representa um deles. A azul é do Marcos, a vermelha do André, e a negra pra mim.
-Uma borboleta negra?
-Sim, liderando as outras duas para o mau caminho. – a resposta saiu mais séria do que pretendera.
-Mas o que você me contou não são motivos para seus pais te mandarem de volta.
-Ah, mas eu ainda tenho meu ato final pra te contar. – a voz dela se tornou divertida. – Eu passei a fumar e a chegar em casa bêbada. Mentia descaradamente para meus pais. E em uma dessas noites em que eu bebia demais, acabei por causar o maior estrago. – balançou as mãos no ar, como se fosse capaz de explicar o estrago com aqueles gestos. – Dormi com o André. Mas não parei por aí, ah não. E tinha que complicar tudo, dormindo com o Marcos, quase um mês depois.
Edward virou-se para frente e colocou as duas mãos no volante, a respiração acelerada, como se realmente precisasse. Sabia que tinha algo bem obscuro sobre o passado de Alex com aqueles rapazes, mas nunca achou que era um laço afetivo desse grau. Entretanto, não podia considerar nada, eles já não faziam mais parte da realidade dela. Mas era difícil não sentir-se irritado ao pensar que eles fizeram o que ele queria fazer, mas não podia.
-Agora você entende por que odeio mentiras? Eu vi o quanto minhas mentiras machucaram meus pais e acabaram por me magoar também. – ela encostou a mão no ombro de Edward, tentando concluir aquela conversa de uma vez por todas. – Os meninos não voltaram a brigar, mas eu acabei por vir embora quase dois meses depois e nunca mais toquei nesse assunto.
-Essa foi a gota d'água para seus pais?
-Sim. Eles cansaram e decidiram que morar com minha avó, seria a melhor opção para me fazer andar na linha. E eles acertaram.
Ficaram em silêncio por algum tempo, Edward ainda segurando o volante e olhando para frente, parecendo paralisado. Alex permanecera com a mão no ombro dele, arrependendo-se de ter contado sua história para ele, porque agora não sabia o que Edward estava pensando. Resolveu tomar uma atitude para quebrar aquele silêncio opressor.
Ele sentiu a mão quente de Alex em seu queixo e virou-se para encará-la, percebendo somente naquele momento que ela estava perto. Os lábios quentes dela colaram-se aos seus e Edward não se afastou, mas todo seu corpo pareceu entrar em alerta. Seus ouvidos conseguiam ouvir ainda mais alto as batidas do coração dela, sua pele fria sentia a dela quente e o cheiro bom que ela exalava. Fechou os olhos e apertou o volante levemente, segurando-se, mantendo o controle sobre si mesmo. Aquilo era somente um beijo. Um beijo de lábios quente e doces, de uma garota bonita e de corpo tentador. Os lábios dela prenderam seu lábio inferior, sugando-o como num pedido para que ele abrisse os lábios e a deixasse beijá-lo com mais profundidade. Apertou os dedos envolta do volante e escutou um barulho de algo se quebrando.
Alex assustou-se com o barulho e afastou-se de Edward olhando para o volante, vendo que em uma das mãos ele segurava um pedaço de metal e plástico. Olhou o volante e viu que faltava um pedaço. Não conseguiu se segurar e desatou a rir, vendo Edward lhe olhar surpreso e um pouco envergonhado.
-Me desculpe. – pediu o ruivo.
-Imagina, isso foi interessante. – ao ver as duas sobrancelhas dele levantadas soube que teria que se explicar. – É uma reação diferente. E fomos mais longe do que da primeira vez. Evolução.
-Evolução. – Edward repetiu, jogando o pedaço do volante no banco de trás e olhando o estrago que tinha feito. Realmente fora uma reação diferente das outras e que tinha evoluído um pouco. Apesar de ainda sentir as sensações do beijo dela, no corpo todo.
-Quer ir embora?
-Melhor. – respondeu Edward ainda um pouco envergonhado.
-Então vamos. – Alex viu Edward ligar o carro e achou engraçado vê-lo dirigir o volante faltando um pedaço.
Levantou as pontas dos dedos da mão direita, tocando seus lábios gelados. Parecia que tinha chupado gelo e o hálito dele era refrescante, mas algo que não tinha nome, algo bom. E tinha vontade de beijar mais, muito mais. Beijar o suficiente para que nunca mais aquela sensação de gelado saísse de seus lábios. Mas sabia bem que tinha que ter paciência, exatamente como Alice havia dito. E no momento, paciência era a última coisa que queria sentir.
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-Quer entrar?
-Acho que...
-Olha, eu acho que você deveria para de achar que vai me machucar.
-Preciso te mostrar o volante outra vez? – perguntou Edward e colocou as mãos nos bolsos e abaixou a cabeça.
-Tive uma idéia. – Alex puxou Edward pela camisa e encostou suas costas no portão de sua casa, vendo o ruivo à sua frente lhe olhar sem entender. – Se o seu medo é me quebrar, eu tenho a solução.
Edward sentiu Alex segurando suas mãos e as colocando nas barras de ferro do portão, uma em cada lado do corpo dela, prendendo-a entre seus braços. Sorriu da criatividade da morena, mas começou a se afastar. Alex o segurou pelo rosto com as mãos, fazendo-o olhar em seus olhos.
-Segure as barras, se for quebrar algo, não serei eu. – sorriu e puxou-o para perto, tentando não forçá-lo. Edward aproximou-se, seu corpo extremamente perto do dela, suas mãos posicionando-se no lugar que ela havia as colocado anteriormente. Seus olhos dourados fitando os dela, que pareciam brilhar com intensidade.
Deixou que ela colasse os lábios quentes aos seus e fechou os olhos, tentando controlar seu corpo e sua mente. Ela entreabriu os lábios novamente e capturou o seu inferior, sugando-o quase sem força. Mas no segundo seguinte soltou-o, passando a beijar o superior. Edward segurou com força o portão de ferro, seu corpo reagindo por inteiro, e ficou um pouco pior quando as mãos dela desceram de seu rosto e ela enlaçou seu pescoço com os braços, colando seus corpos. Nesse momento Edward soube que tinha chegado ao seu limite e afastou-se, soltando-se dos braços dela o mais delicadamente que conseguiu.
Alex respirava com rapidez e, ao abrir os olhos, procurou não olhar para Edward. Estava envergonhada, havia passado dos limites e sabia disso, mas o beijo de Edward era tão bom. Bom demais e ele mal mexia a boca, imagina o que seria dela quando ele começasse a corresponder de verdade. Com certeza, iria perder a cabeça bem rápido. Ficou em silêncio alguns segundos, recuperando o fôlego e acalmando o corpo, para só então olhar Edward.
-Me desculpe, passei dos limites. – pediu, vendo o vampiro lhe observando.
-Não precisa pedir desculpas...
-Preciso sim. Eu sei que você tem esse bloqueio todo e fico te atiçando. – passou a ponta dos dedos nos olhos fechados, respirando fundo. – Juro que vou me comportar.
Edward riu e aproximou-se, acariciando o rosto de Alex e vendo-a lhe olhar ainda um pouco envergonhada. Era até engraçado vê-la assim, mesmo sendo ele o que tinha limites.
-Vai embora?
-Sim. É melhor.
-É, antes que a louca tente te beijar de novo e passe dos limites mais uma vez. – disse um pouco chateada com ela mesma.
-Não diga besteira. Também não sou nenhum garoto indefeso. – retrucou Edward sério. Ela balançou a cabeça, concordando e o viu sorrir brevemente, acariciando seu rosto e afastando-se.
-Te vejo amanhã?
-Sim. Durma bem, Alex.
-Ah, claro. – Alex duvidava de que fosse conseguir dormir essa noite. Edward riu, ligando o carro e partiu. Evolução era a palavra do dia.
Comentem??
Kiss
